Mato Grosso

 

Vestígios:

Inexplicável presente no Centro-Oeste do Brasil

A região central do Brasil continua guardando inúmeros mistérios,

apesar do avanço civilizatório por estas paragens.

Por J. A. FONSECA*

Maio/2012

 

Neste artigo, chamamos a atenção para alguns destes lugares especiais e o que eles têm para

nos causar forte impressão e suscitar questões que não podem ser facilmente respondidas.

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POXORÉO – MT

 

Retornamos ao município de Primavera do Leste, no Estado do Mato Grosso, para revermos nossos amigos Sávio e Givanildo e aproveitar para voltarmos a alguns lugares, nos quais estivemos presentes em nossa última estada lá, no ano passado. Já no dia 16/03/2012, sexta-feira à noite, estávamos conversando na casa do Sávio, na presença do Givanildo e de outro amigo, o Aguinan.

 

Após alguns acertos, combinamos de irmos ao dia seguinte pela manhã até o morro da Tartaruga, em Poxoréo, onde já tínhamos estado. Agora, para ver mais de perto umas marcas circulares na pedra que nos encabularam bastante. Não pudemos, na época, nos aproximar delas, pois uma escarpa na pedra impedia que chegássemos lá. Desta vez, levamos uma corda para descermos a encosta e nos aproximarmos das marcas. Queríamos fazer algumas medições e verificar suas posições na pedra.

 

Assim, no sábado, 17/03, nos dirigimos para esta localidade, com uma pequena excursão, não sem antes passar pela casa do Sr. Marinho Kaba, já nosso  conhecido, colecionador de pedras, fósseis e outros objetos de grande valor histórico há 53 anos, e convidá-lo para seguir conosco. Assim, nossa equipe ficou constituída pelas seguintes pessoas: Sávio Egger e seus dois filhos Sairon Egger e Samarone Egger, Givanildo Brunetta, Aguinan Ferreira, Marinho Kaba, Margarete Fonseca (minha esposa) e eu.

 

Esta região que segue próxima à estrada para Rondonópolis é muito especial. Além do morro exuberante que deu nome à cidade, possui também, muitos outros atrativos, numa região misteriosa conhecida como morro da Tartaruga. Esta é constituída por uma vasta extensão pétrea que se estende próximo à estrada e mostra muitas marcas peculiares em seu dorso. Muitas das quais, não se coadunam com marcas feitas pelo tempo ou produzidas por povos primitivos. Mostraremos algumas delas ao longo dessa reportagem.

 

Encontramos numa certa elevação, uma grande rocha de cor enegrecida que mostra muitas marcas em toda a sua extensão. São cortes assimétricos produzidos pela erosão do tempo ao que parece, mas em alguns pontos, mostra certas peculiaridades que intrigam a nossa mente. Em determinados pontos parece que a pedra foi derretida por um forte calor, o que seria difícil de produzir por meios naturais ou mecanismos menos sofisticados.

    

Laje com formações curiosas, como se derretidas por alguma ação poderosa.

 

Dali, fomos até o morro da Tartaruga que é bem próximo onde se vê uma grande quantidade de pequenos morros de pedra com uma cobertura que forma desenhos variados e, certamente, foram produzidos por erosão durante longo tempo. O conjunto forma uma paisagem muito bela, ao lado de árvores e vegetação abundante. Descemos por entre elas e nos dirigimos para a dita pedra negra com os estranhos círculos, dos quais não pudemos nos aproximar da última vez que lá estivemos. Munidos de cordas, nós descemos por uma vala íngreme de uns dois metros de altura para chegarmos até a pedra que queríamos pesquisar.

 

As formações circulares que ali se acham gravadas são mesmo de caráter misterioso e ao nos aproximarmos destas, notamos que já estavam bem desgastadas pelo tempo, o que nos levaria a pensar que se tratariam de marcas não muito recentes. Um dos pontos estranhos destas marcas e que nos colocam pensativos sobre sua presença inusitada naquela grande rocha é que tais incisões não nos parecem ter sido feitas aleatoriamente, pois se encontram mais ou menos posicionadas geometricamente e em grande harmonia. Até este local, de descida íngreme, com exceção do Sr. Marinho e Margarete, todo o restante da equipe lá esteve analisando a sua estranheza.

 

 

Estranhas formações sobre a rocha em quase perfeito triângulo, indicando a presença de algo inexplicável.

  

 

Aqui as três marcas circulares podem ser vistas em conjunto.

 

Fizemos algumas medições das formas, que pareciam ter sido impressas por meio de uma grande força sobre a rocha, pois apresentavam elevações nas bordas internas e externas em decorrência deste fato, além de verificarmos a distância entre elas. Para a nossa surpresa apresentaram uma forma triangular, cujos lados não eram exatamente os mesmos, mas estavam bem ajustados em uma forma definida que não nos pareceram terem sido gravadas aleatoriamente.

 

Neste presente trabalho, anexamos fotografias e elaboramos um desenho mostrando o seu formato homogêneo (1,30 m de diâmetro cada) e as suas distâncias, destacando assim um triangulo escaleno, uma vez que seus três lados não possuem a mesma medida. Entretanto, o espaço entre as mesmas não são muito distantes como podemos ver no desenho reproduzido - feito com medidas que respeitam proporcionalmente as suas distâncias. Todas elas se acham assentadas em terreno não muito regular. A marca mais visível encontra-se num terreno mais plano, mas todas estas estão bem demarcadas no solo e parecem que foram gravadas profundamente por uma pressão desconhecida e muito forte.

 

Um pouco mais ao lado, existe ainda um círculo perfeito de uns 90 cm de diâmetro impresso na pedra com linhas tracejadas, não se sabe se por causa da erosão ou se foram assim mesmo impressas na rocha. A cor esbranquiçada que se vê [veja imagem] está bem demarcada em decorrência de ter clareado a pedra escura no momento de sua impressão. Isto nos leva a crer que instrumento de uma tecnologia muito precisa teria rebaixado a pedra e ainda, por uma ação de calor ou outro tipo de energia, teria proporcionado clareamento de todo o seu contorno de forma tracejada.

 

Andando pela redondeza e observando o terreno, pude ver ainda na encosta da grande pedra negra, outra marca semelhante a dos três círculos anteriormente mencionados [imagem acima]. Sua medida parece ser a mesma destes, mas ela se encontra numa encosta íngreme da pedra, em posição vertical, onde não pudemos acessar. Parece, entretanto, que seus contornos estão bem mais desgastados do que os outros três. Ficamos perplexos com todas estes fatos e não conseguimos compreender como podem ser encontradas tantas características estranhas como estas no Brasil, que não podem ser respondidas sob argumentos simplórios ou mesmo atribuí-las a formações naturais, produzidas pela natureza.

 

Certas coisas, como estas, fogem à uma explicação racional e passam a fazer parte de um conjunto que encontramos em outras localidades brasileiras, para não mencionar o que pode ser observado e estudado acerca do passado remoto em toda a face da Terra e que ainda vem causando forte impressão nos estudiosos.

 

Desconhecida marca circular esbranquiçada encontra-se impressa na pedra.

 

Dali, nós fomos a uma região mais alta, onde podem ser encontradas pedras diversas com fortes alisamentos em uma de suas faces ou mesmo em duas delas. Segundo o Sávio e o Sr. Marinho, estas se tratam de pedras da era do gelo que teriam sido arrastadas por grandes blocos congelados, fazendo-as desgastar daquela forma.

 

Retornamos a Poxoréo e seguimos para a residência do Sr. Marinho, onde visitamos, uma vez mais, o seu magnífico museu de pedras, fósseis e curiosidades daquela região e de outras partes do Brasil e outros países.

 

Dali, nós retornamos para Primavera do Leste, situada a cerca de 60 km de distância.

 

No dia seguinte, reunimos outro grupo e fomos até a região chamada de São Paulo da Raizinha, mais precisamente, num local chamado de Casa de Pedra, onde também já estivemos na visita anterior. Este grupo era constituído pelo Sávio Egger, seus dois filhos Samarone Egger e Sairon Egger, Aguinan Ferreira, Luciano Egger (irmão de Sávio), Vitor Paulo e eu.

 

Saímos pela manhã no jipe tracionado do Sávio, pois a estrada é bem acidentada e de difícil acesso, seguidos por seu irmão, numa camionete, também de tração nas quatro rodas. Fomos até a residência de um morador da região da Raizinha, o Sr. Francisco, porque começou a chover intensamente e ali nos abrigamos por alguns momentos.

 

O Sr. Francisco é uma boa prosa. Ficamos conversando com ele até a chuva parar. Ele disse estar ali já por cerca de 42 anos e que conhece toda a região. Após um certo tempo, que aproveitamos para tomar um lanche, nos despedimos do Sr. Francisco e pegamos a estrada novamente, descendo pela via irregular, até onde foi possível ir com os veículos. Caminhamos por um trecho, atravessamos um rio e nos embrenhamos na mata densa, em direção à Casa de Pedra ou abrigo dos Pezinhos, nomes estes, concebidos pelo Sávio. Após uma caminhada por cerca de uns 30 minutos, nós chegamos ao objetivo. Já tínhamos estado lá da vez passada, mas é sempre bom rever aquele tipo de insculturas na pedra com características estranhas e de difícil explicação.

 

Abrigo dos Pezinhos onde podem ser vistos pés gravados na rocha com grande precisão e estranhas insculturas.

 

As estranhas marcas de pés moldados na rocha estão posicionadas a cerca de um metro de altura.

 

Algumas daquelas impressões pétreas chamavam especialmente a nossa a atenção, devido à sua complexidade, não tanto em relação à forma em que estavam representadas, mas, principalmente, no sentido da sua elaboração e precisão na sua produção. Acreditamos que estas expressivas manifestações primitivas exigiriam daqueles artistas desconhecidos (que alguns dizem tratar de índios que habitaram a região, o que discordamos), a utilização de equipamentos sofisticados e uma técnica específica para a conclusão destes trabalhos.

 

Apresentamos a seguir, algumas destas figuras inusitadas e chamamos a atenção para o seu formato preciso e a sua expressividade, como por exemplo, a “aranha estilizada”, bem como os pés, cuidadosamente moldados na pedra, a cerca de um metro de altura, o que dificultaria imensamente este trabalho. Neste caso, os pés estão moldados precisamente, o que nos leva a pensar que a grande pedra que compõe o abrigo estava ainda mole quando estes foram ali impressos pelos seus autores. A “aranha” também parece ter sido cortada de forma precisa, sem arestas, por um instrumento também preciso e isto é algo que nos causa inquietações, porque, se a pedra não tivesse o seu formato atual quando estas inscrições foram feitas, elas teriam desaparecido com a própria deformidade daquela formação antes do seu endurecimento definitivo.

 

Como estas insculturas poderiam ter sido feitas?

 

A pedra do abrigo é um monumento enorme com uma grande inclinação e um recuo, onde se encontram curiosamente situados os trabalhos líticos, sob uma proteção natural contra as intempéries, da chuva e do sol escaldante. Portanto, esta forte inclinação do recuo não poderia existir se a pedra estivesse amolecida na época da feitura das inscrições.   

 

Outras estranhas figuras também foram gravadas no abrigo dos Pezinhos:

o que parece uma aranha estilizada e furinhos perfeitos na rocha bruta.

 

Quando vemos estas figuras gravadas na rocha desta maneira, surge de imediato um elevado grau de dificuldade para emitirmos uma teoria a respeito ou uma explicação para tal fenômeno de um passado distante. Se quisermos apelar para uma tentativa de compreendê-las de forma mais natural, esbarraremos na elucidação de sua técnica e assim, não poderíamos explicá-las. Nossas especulações se esfumaçariam por completo, tornando-se inócuas, sobretudo, se pudéssemos vê-las com o espírito mais aberto, destituído dos conceitos pré-fabricados pelo academismo tradicional.

 

Retornamos de nossa viagem a esta magnífica região do Brasil com muitos mais mistérios a serem respondidos do que as explicações que buscávamos. Concluímos que, quanto mais nos adentramos pelo nosso país em busca do entendimento sobre estes povos que aqui teriam existido em um passado remoto não registrado, mais se adensam as questões irrespondíveis em torno de nossa mente. Mais os enigmas surgem desafiando com ousadia a nossa inteligência.

 

Na volta, ainda passamos pela magnífica cachoeira Cristal, em General Carneiro, [Imagem no topo] já próximo de Barra do Garças, onde ficamos por algumas horas ao som de suas águas muito límpidas, além da vegetação variada e abundante.

 

CORONEL PONCE

 

O município de Coronel Ponce, hoje chamado de Capim Branco, está localizado a 26 km de Campo Verde e a cerca de 100 km de Primavera do Leste. As inscrições que existem lá, no local conhecido como morro da Rapadura (por este ter um formato retangular) são também muito intrigantes. 

 

O arqueólogo André Prous, que escreveu sobre as mesmas, afirmou se tratarem de representações humanóides que apresentam morfologicamente três dedos (tridáctilos), além de figuras triangulares com incisões profundas, figuras cupuliformes (em forma de cúpulas) e curvilineares (em forma de curvas).

 

Os indecifráveis símbolos encontrados em Coronel Ponce.

 

Entretanto, o que nos impressionou neste conjunto de inscrições foi a forma como as incisões foram feitas na parede pétrea, pois os riscos foram traçados, em sua maioria, de forma retilínea e precisa, como se o painel, no momento em que fora trabalhado pelos seus autores, tivesse sido amolecido, da mesma maneira se cortássemos com um objeto contundente (uma faca, por exemplo) um pedaço de argila ainda mole.

 

Outro elemento que nos chamou a atenção é que parece haver certos conjuntos específicos de insculturas que pretendem transmitir uma ideia, como, por exemplo, os que mostramos a seguir.

 

Reprodução feita pelo autor de algumas das insculturas de Coronel Ponce.

 

Ao chegarmos ao painel do moro da Rapadura não pudemos deixar de fazer comparações com aquelas que havíamos encontrado na Bocaina da Lagoinha, em Chapada dos Guimarães, face às muitas semelhanças entre elas, especialmente, em relação à metodologia. Além disso, figuras similares ali se encontram insculpidas e, igualmente, permanece uma incógnita o método com que foram trabalhadas na pedra bruta.

 

Muitas formas geométricas como cruzes semelhantes às de malta, chamou-nos a atenção em ambos os casos. Tínhamos a impressão que aquela forma quadriforme, com as cruzes impressas em seu centro tinham um peso significativo na “mensagem” que seus autores queriam transmitir, sendo esta complementada pelos riscos, aparentemente desconexos, à sua volta.

 

Outra coisa que nos chamou a atenção já na chegada foi a grandeza do conjunto de inscrições. Como em alguns outros lugares, são abundantes e formam paineis gigantescos, alcançando alguns metros de altura e de extensão. Há variações nos parâmetros utilizados, podendo-se observar que, em dado momento, vemos diante de nós um painel de formas bem semelhantes umas às outras, enquanto que logo a seguir, abaixo ou ao lado, ou acima, outro conjunto marca a pedra bruta com outro tipo de traços e caracteres.

 

Diante de tudo isto, sentimo-nos confusos por causa da grande quantidade de elementos disponíveis, porém, imaginamos que possa tratar-se de uma espécie de variação daquilo que se pretendia transmitir. Parecem abordar “assuntos” específicos que preocupavam seus autores e, pela sua abundância e variedade de formas, supomos que possa ter sido obra de homens de épocas distintas, ou seja, estas gravuras pétreas poderiam ter sido executadas por autores diferentes em momentos também diferentes.

 

CHAPADA DOS GUIMARÃES

 

Gigantescos paredões pétreos surgem diante dos olhos do viajante quando este chega à Chapada dos Guimarães, vindo de Cuiabá estão situados a cerca de 45 km daquela capital. As belíssimas formações rochosas que a natureza esculpiu mostram figuras estranhas que lembram esculturas modernas, à semelhança de minaretes, além de colunas portentosas, conduzindo sua imaginação a criar imagens fantásticas e, até mesmo, super-humanas, de lendas e histórias inacreditáveis.

 

Um curioso maciço rochoso encontrado na Chapada dos Guimarães.

 

Em nossas andanças nos inúmeros pontos atrativos da região encontramos também insculturas na região denominada Fecho do Morro da Lagoinha, no sítio Bocaina de Baixo e queremos, também neste caso, chamar a atenção para sua complexidade e estranheza.

 

Não podemos concordar que se tratem simplesmente de manifestações gráficas aleatórias, sem um objetivo aparente, produzidas por homens temerosos e primitivos. Tratam-se, segundo cremos, de gravuras específicas, com traços retilíneos e precisos, além de sugerir tratarem-se de idéias devidamente elaboradas com o intuito de transmitir conhecimento ou fazer a indicação de algo relevante. Os traços aparecem riscados de forma retilínea e precisa, como se a pedra sobre a qual estes foram impressos estivesse ainda mole e o instrumento utilizado tivesse um formato cortante específico. Não conseguimos conceber que aquelas figuras gravadas na rocha pudessem ter sido executadas por instrumentos impróprios, como pedaços de pedra, por exemplo, ou galhos de árvores, devido à sua inexplicável precisão, traçados retilíneos e sem arestas, como pode ser visto nas ilustrações.

 

Signos encontrados na região.

 

Confirmando nossas dúvidas, outro dado nos chamou a atenção. Num ponto mais alto deste maciço pétreo, onde se acham as referidas insculturas, em uma posição bem estratégica e de difícil acesso, encontram-se gravados na rocha viva, isolados dos demais, dois signos, também traçados com a mesma precisão, de forma retilínea, profunda e bem planejada. Um deles tem a forma da letra “H” com duas ligações centrais e o outro é semelhante a um cálice deitado. Não podemos saber o que pretenderam dizer os seus autores com estes símbolos estranhamente cortados na pedra ou o que poderiam estar indicando.

 

Detalhes como estes nos remetem a pensamentos contraditórios acerca das razões que levaram seus autores a marcarem perenemente na pedra os seus anseios com figuras tão expressivas e qual teria sido o seu objetivo, pois parecem que foram feitos calculadamente e não de forma aleatória. Atribuí-las ao homem primitivo, simplesmente, e não ater-se aos detalhes de sua simbologia e forma com que teriam sido produzidos, parece-nos pretender ignorar fatores importantes para a própria compreensão do passado de nossa terra, fato este que vem sendo praticado regularmente através dos tempos.

 

As pesquisas oficiais constatam evidências da presença humana em todos estes lugares onde podem ser encontradas marcas gravadas na pedra e sustentam que se trata de estilos de arte primitiva que tiveram por referência motivos predominantes na época em que foram elaboradas. São patentes associações a conjuntos conhecidos de seus autores e abordagens específicas, segundo as tendências artísticas regionais e o impulso que estes homens primevos teriam recebido para produzi-las.

 

Pensamos, entretanto, que outros fatores tiveram forte impacto na feitura destas insculturas, da mesma forma que também os tiveram outras produções líticas em muitos lugares espalhados por todo o território brasileiro.

  

Inscrições em grande profusão no abrigo do morro da Lagoinha.

 

Para se chegar até as insculturas do Morro da Lagoinha fizemos uma longa caminhada a pé que levou cerca de uma hora e 15 minutos. Depois de termos estacionado o carro debaixo de uma mangueira, seguimos por uma trilha, até uma mata densa, onde, em zigue-zague, fomos subindo, até que alcançamos o sopé da montanha, onde estava o abrigo rochoso entre as árvores.

 

Nosso guia nesta empreitada foi o Sr. José Paulino dos Santos, um dos mais antigos moradores da Chapada, que conhece muito bem todos aqueles recantos pouco comuns e fala deles com desenvoltura. Sua companhia foi muito agradável e por três dias, ele nos acompanhou por diversos lugares, inclusive nesta caminhada rumo às inscrições rupestres do Morro da Lagoinha que nos causou também grande impacto e contribuíram para adensar ainda mais o véu de mistério que encobre o passado do Brasil.

 

PAREDÃO

 

Esta localidade de nome Paredão assemelha-se mais a uma vila com poucos habitantes e fica entre as cidades de Barra do Garças e Primavera do Leste, situada a cerca de 170 km da primeira e 110 km da segunda. Já passei nesta região por diversas vezes em minhas viagens de pesquisas por aqueles lados, mas nunca tinha me detido lá para informar se havia alguma coisa estranha naquelas encantadoras formações rochosas, as quais podem ser admiradas da estrada que passa ao lado delas.

 

É, de fato, uma região de grande beleza e muito atraente. Foi nosso amigo e pesquisador Sávio Egger quem esteve por lá e descobriu alguma coisa excepcional junto de seus paredões pétreos: muros de pedra bem ajustados e construídos com precisão.

 

Segundo ele, a descoberta dos muros foi feita por acaso quando procurava por uma gruta nas proximidades dos paredões de pedra. Acabou por esbarrar-se com estes magníficos e misteriosos muros de pedra, construídos de forma planejada, com cortes e assentamentos precisos, como pode ser visto nas fotografias tomadas por ele.

 

Disse-me que a construção fica no sopé do morro num local bem escondido e que não pôde fazer uma pesquisa aprofundada, mas pretende voltar lá. As matas pelas redondezas dificultam muito o acesso. Apesar disso, tomou as fotos que fazem parte deste artigo e disse que deve haver mais alguma coisa naquela região, pois o mato lá é bem intenso e precisa de mais tempo para pesquisar mais detidamente o local.

   

Os incríveis muros de pedra no interior do Brasil, aqui fotografados pelo pesquisador Sávio Egger.

 

Percebe-se que se trata de algo de relevante importância no estudo da arqueologia brasileira e que não pode ser ignorado. Teremos agora de combinar com Sávio para marcarmos uma visita a esta região e ver de perto estes muros excepcionais. Estas obras vêm acrescentar mais lenha na nossa fogueira de desconfiança, que aponta para um Brasil muito antigo onde algo de grande importância parece ter acontecido e deixado estas portentosas, mas contundentes, marcas silenciosas de um tempo longínquo e desconhecido.

 

Em nossos artigos temos demonstrado inúmeros destes lugares e manifestações incomuns nestas terras que hoje fazem parte do território brasileiro. Imagens como estas não podem ser desconsideradas numa pesquisa séria sobre o passado de nossa terra, nem serem atribuídas a indígenas que habitaram a região, como é comum dizer-se em relação às inscrições encontradas nos paredões deste nosso antigo Brasil e, ao que parece, querem simplificar excessivamente as coisas ou abafar evidências que surgem cada vez mais desafiadoras.

 

* J.A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e  realizado incursões em diversas regiões do Brasil  com o intuito de melhor compreender seus mistérios milenares. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.

 

- Fotos: Sávio Egger e J.A. Fonseca.

 

- Ilustrações: J.A. Fonseca.

 

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  TV FANZINE - Entrevista exclusiva com J.A Fonseca

 

- Produção: Pepe Chaves.

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Esta matéria foi composta com exclusividade para Via Fanzine©.

 

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