Minas Gerais:

Mistério e beleza em São Thomé das Letras

São Thomé das Letras é uma cidade mística desde seu surgimento. Lendas coroaram sua história e,

sua localização, na serra da Mantiqueira, lhe dá um aspecto distinto de muitas cidades do interior. 

Além do mais, seu traçado e suas construções em pedra, suas cachoeiras, inscrições rupestres

e muitos outros atrativos, reforçam a idéia de que seja uma região muito especial.

 

Por J. A. FONSECA*

 

Uma paisagem de São Thomé das Letras.

 

CIDADE MÁGICA - A cidade de São Thomé das Letras assenta-se, misticamente, no alto de uma imensa pedreira de itacolomito e quartizito, a cerca de 1.300 metros de altitude, já nas magníficas regiões da Serra da Mantiqueira. Tem, aproximadamente, 7.000 habitantes e se localiza a 300 km de Itaúna (cidade deste autor), pela BR 381 até Três Corações, tomando-se em seguida a estrada em direção a cidade de São Bento Abade, hoje totalmente asfaltada.

 

Sua história remonta ao século XVIII, quando foi encontrada uma imagem na gruta das inscrições no centro da cidade e o “padre eremita” Francisco Torres disse tratar-se da estátua de São Tomé. Esta é, sem dúvida, uma região de grande beleza, e se encontra permeada de lendas e acontecimentos pouco comuns, além de possuir muitos encantos naturais, como por exemplo, seus conjuntos montanhosos, suas grutas e cavernas, diversas cachoeiras e inscrições de natureza desconhecida e indecifrável.

 

É também famosa a toca do Chico Taquara, que segundo se conta, teria sido uma figura lendária que vivia afastada da comunidade, no meio do mato, como um ermitão. É curioso que uma grande parte de suas casas foram construídas com as pedras da região e também uma das igrejas, apresentando assim, um aspecto incomum e, de certa forma, místico.

 

Formações rochosas de grande beleza no entorno da cidade.

 

A LENDA - Segundo a lenda, a imagem de São Tomé foi encontrada numa gruta no alto da montanha pelo escravo João Antão, foragido da Fazenda de João Francisco Junqueira e que ali se escondera. Quando lá chegou, o local era deserto e procurou o escravo sobreviver à custa de caça, pesca e frutos da região, permanecendo ali por um longo tempo. Um dia foi surpreendido pela presença de um homem de cor clara, vestido de uma longa túnica branca, que lhe apareceu como que surgido do nada e lhe disse para levar uma carta ao seu senhor, pedindo a sua libertação.

 

O escravo temia retornar à fazenda de onde fugira, mas o homem misterioso disse-lhe que não haveria problemas e ele foi, temeroso, levar a missiva ao seu amo. Curioso e encabulado, o fazendeiro reuniu uma caravana e retornou à gruta com o escravo. Quando lá chegou encontrou apenas uma imagem, que pensou ser de um santo. Além disto, no alto, logo na entrada da gruta havia umas estranhas linhas desenhadas na pedra, em tinta vermelha, como letras, que também fora atribuída à estranha aparição. O escravo foi libertado e no local foi construída uma pequena capela, que mais tarde transformou-se na igreja matriz que lá se encontra, cujos murais foram pintados por José da Natividade, discípulo de Aleijadinho.

 

Conta-se que em 1.991 a estátua de madeira desapareceu misteriosamente do altar e nunca mais foi encontrada. Pensou-se que teria sido furtada e tal fato foi noticiado na época, sem, no entanto, ter-se conseguido apurar o que teria acontecido realmente. O altar ficou vazio e o mistério de seu desaparecimento passou a aguçar a mente de seus moradores e das pessoas que dali se aproximavam, querendo conhecer a região.

 

BELEZAS NATURAIS - Em São Tomé das Letras existem muitos lugares para serem visitados, além de paisagens lindíssimas para serem apreciadas. A gruta do Carimbado fica a cerca de três quilômetros de distância e próximo dela, em uma pequena elevação chamada de ladeira do Amendoim, pode-se observar um fenômeno muito estranho. Se estivermos de carro, podemos desligá-lo no pé do morro e notar que ele vai subindo sozinho como se estivesse sendo empurrado por um a força invisível ou magnética.

 

Existem também a gruta do Feijão, a gruta do Sobradinho, a gruta da Bruxa, cachoeiras diversas como a do Véu das Noivas, do Paraíso, da Lua, da Eubiose e do Flávio, e também uma região lindíssima chamada de Shangri-Lá, além da gruta de São Tomé com suas inscrições rupestres. Segundo alguns estas inscrições se referem a conhecimentos muito antigos gravados na rocha e são como marcos secretos do tempo, que somente podem ser decifrados por pessoas preparadas.

 

Eles ocultariam, segundo alguns, mistérios relacionados ao passado e ao futuro da humanidade terrestre. Também podem ser encontradas estranhas inscrições na região de Shangri-Lá que é um local com características exuberantes, onde, numa extensão de alguns quilômetros, pode-se ver o rio passando através de corredeiras sobre a rocha viva, formando piscinas naturais e pequenas quedas d’água, num espetáculo inimaginável. Em torno, nas margens do rio, pode ser admirada uma rica vegetação de árvores e arbustos, perfazendo um conjunto de rara beleza.

 

Belíssima região de Shangri-Lá.

 

INSCRIÇÕES - Para alguns as inscrições de São Thomé são provas da aparição do santo e para outros se tratam de registro da existência de primitivos habitantes naquela região. Sabe-se que os índios cataguazes habitaram aquelas paragens, mas não se tem nenhuma informação de que eles tenham se utilizado de registros em pedras para preservar algum conhecimento. Sequer eles possuíam uma linguagem escrita e fatos como estes jamais fizeram parte de sua tradição.

 

No pico do leão, um conglomerado formado de belas estruturas rochosas, pode-se encontrar também um desenho estranho de um animal sem cabeça. Dizem tratar-se de um leão e que ele demarca o início de uma região onde algo de importância teria acontecido, passando a ser conhecido por este nome. Porém, fica o mistério, porque o leão é um animal que não faz parte da fauna brasileira.

 

MISTÉRIOS - Desde a sua criação, a cidade de São Tomé das Letras sempre esteve envolta por uma aura misteriosa e por fatos estranhos. Seu próprio nome espelha os acontecimentos que fizeram nascer o mito que se esconde por trás de suas pedras milenares: “São Tomé”, em referência à imagem encontrada na gruta das inscrições, que o padre Francisco Torres disse tratar-se da estátua daquele santo e “das Letras” em referência às inscrições encontradas na entrada da gruta, que se pensou tratar-se de uma mensagem deixada pelo estranho visitante, ao escravo negro fugitivo.

 

É importante acrescentar que os índios brasileiros veneravam uma figura mística e mítica, que se apresentava como um homem branco, barbado, que perambulava por toda a América. A este enigmático personagem eles davam o nome se Sumé e diziam que ele havia vindo do mar e lhes ensinara muitas coisas, entre elas, o plantio e o preparo da mandioca, além de novas diretrizes religiosas. Acredita-se que o nome Tomé foi dado por causa de sua semelhança com Sumé e porque o padre pretendia dar-lhe uma conotação religiosa.

 

Inscrições no alto da pedra e reprodução das “letras” ao lado.

  

AS LETRAS - Com relação às suas inscrições rupestres, emitem-se teorias, segundo as quais, elas teriam sido feitas pelos índios cataguazes ou que poderiam ser de origem fenícia. O certo é que elas são compostas de caracteres desconhecidos e aquelas que se encontram no centro da cidade, se acham em destaque no alto, como um marco secreto de difícil acesso. Chegou-se efetuar pesquisas geológicas na região e afirmaram os pesquisadores que as inscrições poderiam ser derivadas de um musgo avermelhado, que quando surge nas camadas de rochas produzem desenhos variados. Este musgo é conhecido como lichen cladonia sanguinea e é muito encontrado nas rochas da região. Apesar de a cor das inscrições serem também avermelhadas, podemos observar com nitidez a diferença entre a atuação do musgo e a lógica das “letras”, que possuem forma definida e ocupam um espaço determinado, além de que, alguns de seus caracteres se assemelham a outros, encontrados em outras partes do Brasil. Estas mais se parecem com uma grafia, deliberadamente “escrita” como se tivesse sido feita com a ponta do dedo ou um objeto desconhecido, possuindo, assim, largura mais ou menos homogênea.

 

O pesquisador Noronha, que reside em São Thomé das Letras, chama a atenção para o fato de que arqueólogos de renome internacional costumam afirmar que os registros rupestres encontrados no Brasil não passam de simples brincadeiras ou fruto de mera diversão dos povos selvagens. Contesta o mesmo esta assertiva, afirmando que se tratam de inscrições muito antigas e se estas forem obra de ociosidade de silvícolas brasileiros, teremos também de admitir que são de sua autoria as demais inscrições rupestres que são encontradas em toda a face da Terra, dada as suas semelhanças. Neste sentido, somos também de opinião que as inscrições que existem no Brasil são muito mais antigas e não foram produzidas pelos indígenas que aqui foram encontrados, os quais, em verdade, desconheciam por completo os seus autores e não sabiam como teriam sido produzidas.

 

FENÔMENOS - Muitos acontecimentos misteriosos acontecem naquela região e alguns moradores narram que em certas épocas aparecem estranhas bolas de fogo que voam baixo, iluminando as casas, as árvores e o lugar por onde passam. Muitos outros relatos de aparecimentos de objetos voadores não identificados ou mesmo dos populares “discos voadores” têm sido coletados em toda a cidade junto de seus moradores, que sempre afirmam terem visto coisas diferentes na cidade e adjacências.

 

Em muitas regiões semelhantes a São Tomé das Letras, quer pela sua estranheza, quer pela sua beleza ou características inusitadas e que não são raras em terras brasileiras, ocasionalmente, podem ser encontrados, além destes marcos enigmáticos e relatos excepcionais, pessoas com dotes incomuns e visitantes de origem desconhecida. Tudo isto fazem delas pontos muito especiais que, de alguma forma, acabam interligado-as à ânsia milenar que habita o interior de cada ser humano que busca encontrar um lugar de paz onde ele possa viver, longe dos conflitos e exigências que a sociedade moderna lhe impõe.

  

* J.A. Fonseca é economista, aposentado, escritor, conferencista, estudioso de filosofia esotérica e pesquisador arqueológico, já tendo visitado diversas regiões do Brasil. É presidente da associação Fraternidade Teúrgica do Sol em Barra do Garças–MT, articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.

 

- Fotos: Todas por J. A. Fonseca.

 

- Produção: Pepe Chaves.

 

Esta matéria foi composta com exclusividade para Via Fanzine©.

 

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