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Brumadinho:

A lição sabemos de cor,

só não soubemos aprendê-la

Nenhuma lição foi tirada de Mariana e, em vez de as leis ambientais se tornarem mais rígidas aos exploradores, acabaram por se tornar ainda mais frágeis, projetando assim, diversas tragédias como essa para um futuro breve, mas também, a longo prazo.

 

Agentes da Defesa Civil trabalhando no resgate de vítimas da tragédia em Brumadinho.

Foto: Washington Alves/Reuters.

 

A exploração e o comércio de minérios em Minas Gerais é uma indústria movida por muitos bilhões de dólares. No caso do minério de ferro, o grosso da produção é exportado, sendo a China o seu maior comprador. Mas acontece que o comprador não quer minério sujo e com isso, as empresas extratoras são obrigadas a lavá-lo para que seja exportado.

 

Porém, o rejeito dessa lavagem, uma lama avermelhada e cheia de componentes químicos acaba sendo depositada em imensas barragens a céu aberto com milhares de metros cúbicos para contenção. Este material ali permanece por anos a fio, jogado no ambiente aberto e afetando a vida de inúmeros animais nativos. Ou seja, o minério vendido a preço de dólar lega aos locais próximos à sua extração, verdadeiros mares de lama, inutilizando regiões rurais. Geralmente vistas com naturalidade, estas barragens de contenção de rejeitos devassam grandes áreas naturais em distintas regiões de Minas Gerais e misturam à lama agentes tóxicos de mineração como metais pesados. Sabe-se que no Estado há atualmente mais de 200 destas em operação, e mais de 50 delas são consideradas “instáveis”, e se encontram sob observação por apresentar algum perigo de rompimento.

 

Nos últimos anos tivemos os incidentes da Samarco (controlada pela Vale) e da Mineradora Herculano, e agora, neste 25/01, ocorre o rompimento da Barragem do Feijão em Brumadinho. Todos estes desastres espalharam lama tóxica por vastas regiões, ceifando vidas humanas, de animais diversos, e destruindo irreversivelmente vários sistemas naturais.

 

O ocorrido faz três anos em Mariana, sob responsabilidade da Samarco (controlada pela Vale), contaminou com agentes químicos de mineração toda a bacia do Rio Doce no Leste de Minas Gerais, até as praias do litoral do Espírito Santo. Contudo, posteriormente os resíduos seguiram no mar e atingiram até o distante arquipélago de Abrolhos. Uma extensão de aproximadamente 650 quilômetros da acidentada barragem de Mariana até o mar foi devastada pela lama, que grudou em toda a paisagem da bacia do Rio Doce.

 

Apesar disso, em um ato de extrema insensatez (em meio a consternação nacional causada por Mariana naqueles dias inglórios), o então governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT) assinava simultaneamente um decreto para facilitar o licenciamento à exploração mineral no Estado [veja editorial abaixo]. Lembrando que os deputados estaduais foram co-responsáveis pois aprovaram o decreto do governador na ALEMG à época. Esperamos que agora o atual governador Romeu Zema (NOVO) se comporte de maneira diferente, sobretudo, por sabidamente já estar mantendo estreitos diálogos com os mesmos empresários da mineração.

 

Lamentavelmente, em Brumadinho, onde o rompimento ocorrido em 25/01 na Barragem do Feijão da Vale causou várias mortes e fez dezenas de desaparecidos até o momento, nenhuma lição foi tirada de Mariana e, em vez de as leis ambientais se tornarem mais rígidas aos exploradores, acabaram por se tornar ainda mais frágeis, projetando assim, diversas tragédias como essa para um futuro breve, mas também, a longo prazo.

 

Toda aquela região de Brumadinho é de uma riqueza e diversidade ambiental incríveis. Cercania também rica em história e tradição, onde se destaca próximo dali, o belíssimo sistema da Serra da Moeda, onde há cachoeiras, ribeirões, vestígios vivos da época dos escravos, além de bases de parapentes e muitas pousadas. Essa região próxima à capital Belo Horizonte é visitada por milhares de turistas anualmente. Entretanto, também abriga diversas outras barragens de contenção, verdadeiras armadilhas como esta agora acidentada, sendo estas de propriedade também da Vale como de outras mineradoras que exploram a região.

 

Mas, no Brasil, ninguém acaba sendo responsabilizado por desastres ou crimes ambientais como esse. Exemplos diversos estamos vendo no tocante à Mariana, onde nem as indenizações aos atingidos sequer foram pagas integralmente. Pensam sim, os empresários e políticos, em retomar as explorações, como se nada tivesse acontecido, sob o pretexto de que a empresa irá gerar empregos para a região. De canto a canto, esta tem sido a retórica, o principal álibi para a devastação: o dinheiro suprimindo os riscos à vida e a devastação natural. Desta maneira, temos visto que a irresponsabilidade dos mineradores é movida pela impunidade oferecida pelas autoridades constituídas que as permitem ao relaxar cada vez mais a legislação. E assim, o abuso e a ganância vêm mutilar grandes áreas rurais do Estado sob o poder explícito do capital e da exploração mineral para exportação.

 

Não bastassem os danos causados às vidas humanas temos também as depredações irreversíveis ao meio ambiente, destruindo várias cadeias de ecossistemas ao longo dos leitos de ribeirões e rios que receberam o material poluído. Isso atinge desde a pequenos insetos, répteis, anfíbios, mamíferos, aves, bem como outras espécies, nichos ambientais, inclusive, vegetais e ciliares.

 

Além disso, em Brumadinho há casos de moradores que perderam suas criações, bovinos, suínos, galináceos e animais domésticos, incluindo seus pastos e plantações. Após o rompimento, a lama fluiu rapidamente e muita gente não teve condições de escapar ou salvar seus bens da súbita e desagradável surpresa. E quem irá pagar esta fatura? Por enquanto, a Justiça confiscou R$ 1 bilhão das contas da Vale, recurso que deverá ser usado em alguns reparos urgentes. É de se prever que na próxima semana ações diversas devem movimentar a Justiça por conta do ocorrido.

 

A lei da gravidade é implacável: a poluição líquida segue buscando as regiões mais baixas até atingir o mar. Assim, o Córrego do Feijão que recebeu primeiramente os detritos irá despejá-los no rio Paraopeba que por sua vez, os transportará até o São Francisco, o “rio da integração nacional”, do qual é afluente, e dali ao oceano. Aliás, é bom que todos saibam, o rio São Francisco (do qual dependem as  populações de quatro Estados), através de seus afluentes em Minas Gerais, onde nasce, está na mira de várias outras barragens de rejeitos, inclusive, dezenas sob segurança duvidosa, já que estão declaradamente em observação por causa da baixa estabilidade. Então, a tragédia que poderá ocorrer amanhã, já foi anunciada ontem assim como está sendo hoje. Será apenas uma questão de tempo.

 

A exemplo do que vimos no Rio Doce, evidentemente, o fluxo jorrado cria grandes bancos de lama poluída ao longo de muitos quilômetros nos leitos dos rios e ribeirões que receberem tais detritos de mineração. Isso, além de modificar drasticamente a paisagem natural trará também a morte (quiçá a extinção), desde espécies mais frágeis até mamíferos robustos, o que deverá implicar acentuadamente no mecanismo ambiental que receber esta lama tóxica. E, como já vimos em passado recente no Leste do Estado, provavelmente, com a destruição dos inúmeros ecossistemas através da morte de predadores atingidos pela poluição, é de se esperar em toda a região e sua periferia, novos surtos de doenças tendo o mosquito como o vetor. Mas até agora nenhuma autoridade, seja do meio ambiente ou da saúde, falou sobre esta possibilidade ou de possíveis ações preventivas.

 

O que muitos veem como acidente, fatalidade ou tragédia, na verdade se revela como um crime premeditado, devido ao comportamento relapso daqueles que deveriam ser os responsáveis pela situação da barragem. Estarrece-nos ainda mais, o fato de vivermos em um tempo onde há recursos, tecnologia, inteligência e dinheiro que poderiam evitar tamanhos desastres.

 

Vimos em Brumadinho mais um crime contra o meio ambiente e a vida humana, animal e vegetal, haja vista o histórico anterior e as circunstâncias particulares do próprio ocorrido. Mais lamentável é ver que, não bastaram os exemplos que tivemos em passado recente. Toda a dor e tudo o que foi perdido irreversivelmente na tragédia de Mariana não serviu para nada em termos práticos ou preventivos. A história insiste em se repetir em versões pioradas. E hoje, três anos depois de Mariana, o cenário da mineração em Minas Gerais e outros Estados da União continua se deteriorando. Portanto, com base nisso, torna-se natural esperar que em breve outros crimes ambientais semelhantes venham trazer mais lama à tona.

 

A lição sabemos de cor, só não soubemos aprendê-la.

 

Pepe Chaves

editor - Via Fanzine

www.viafanzine.jor.br

pepechaves@gmail.com

26/01/2019

 

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Minas Gerais:

Governo facilita a atividade mineradora

O projeto de lei 2.946 de autoria do governador, que pretende facilitar as licenças ambientais para a instalação e operações de empresas mineradoras no Estado de Minas Gerais, foi aprovado nesta quarta-feira, 25/11, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

 

O governador não mostra a menor sensibilidade ao ignorar a tragédia  e se colocar em prol da facilitação da atividade mineradora em Minas Gerais.

 

Ainda em meio ao choro das populações, odor de animais mortos e muita lama ao longo de quase mil quilômetros de extensão – da região central de Minas Gerais ao mar - o povo mineiro acaba surpreendido por seu governador, Fernando Pimentel (PT).

 

O projeto de lei 2.946 de autoria do governador, que pretende facilitar as licenças ambientais para a instalação e operações de empresas mineradoras no Estado de Minas Gerais, foi aprovado nesta quarta-feira, 25/11, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

 

O projeto de lei 2.946, de autoria de Fernando Pimentel, que acelera e flexibiliza licenciamentos ambientais em Minas Gerais, alterando a estrutura do Sistema Estadual de Meio Ambiente, está recebendo críticas veementes, tanto por parte da sociedade mineira, quanto por parte de ONGs e ambientalistas.

 

Antes da votação pelos deputados, um apelo da sociedade envolvendo mais de 120 entidades foi enviado à ALMG, solicitando que o projeto não fosse aprovado. Ou seja, em Minas Gerais, enquanto sequer sabe-se de quem foi a responsabilidade, ou mesmo o que aconteceu para desencadear a famigerada tragédia de Mariana, o governador Pimentel já está facilitando ainda mais (ao contrário do que se esperava de um governante sério) a danosa atividade de mineração, que tanto lesa as belezas naturais e a saúde do Estado.

 

É difícil crer que um cidadão eleito governador pelo voto, se comporte como lobista de mineradoras e faça da Cidade Administrativa um “birô mineral”. Sem fornecer nenhum posicionamento conciso acerca da tragédia notória, o governador Pimentel comporta-se abertamente displicente e insensível à morte de vários ecossistemas, às pessoas mortas nesta tragédia, às dores dos muitos milhares de animais mortos, à perda irreversível para as populações que dependem de um rio e ainda de tantas pessoas em seu Estado, que esteve no entorno ou na rota da tragédia desencadeada. Onde foi parar sua sensibilidade de homem público?

 

O senhor governador parece esquecer que está ali empossado para governar em prol dos interesses sociais, sobretudo, dos menos favorecidos, e não de uma dúzia de empresários que detém quase cem por cento da economia nacional nas mãos. Ou seja, em vez de lutar pela proibição e erradicação das chamadas "barragens de rejeitos" (verdadeira armadilha tal como uma bomba relógio, e ainda temos muitas pra estourar por aqui...); em vez de se colocar ao lado da população que o elegeu, o senhor governador, assim como o prefeito de Mariana, se mostraram abertamente defensores dos direitos da mineração. E onde não há direito, esforça-se por construí-lo, como fez agora, ao ser autor deste infeliz projeto de lei. O que o povo de Minas ganha com isso? E o que o governador de Minas ganha com isso? Afinal quem ganha com isso?

 

É lamentável que o governo tome este tipo de posicionamento, deixando sua sociedade à própria sorte, e obrigando-a a buscar, por meios próprios, os reparos de seu próprio desmazelo, impotência e deszelo a olhos vistos de todo o mundo. Quem não deseja mais a implementação de atividades mineradoras no Estado de Minas Gerais, já não é mais somente o povo mineiro, mas qualquer cidadão brasileiro ou do mundo, que agora vê com próprios olhos o que se passou cerrado durante tantos governos estaduais, todos tão irresponsáveis como o atual.

 

Minas Gerais não pode mais esconder a sujeira debaixo do tapete. Todos os tapetes já estão carregados de lama e barro e a atividade mineradora chegou ao limite, queiram ou não, o senhor governador e os empresários que ele aparenta representar.

 

Na mesma data em que a ALMG facilitou as atividades mineradoras no Estado, o consternado movimento “Águas de Gandarela”, que pede o fim de atividades mineradoras na Serra do Gandarela, na Grande BH, postou em sua página no Facebook uma nota de protesto à decisão dos deputados mineiros. A seguir publicamos esta nota.

 

Pepe Chaves

editor - Via Fanzine

www.viafanzine.jor.br

pepechaves@gmail.com

26/11/2015

 

“NÃO ACEITAREMOS A MINERAÇÃO E MEGA BARRAGENS NA SERRA DO GANDARELA.

Salve a Serra do Gandarela

 

OUTRO DESASTRE AMBIENTAL EM MINAS GERAIS

 

Hoje o movimento ambientalista de Minas Gerais está revoltado e consternado com a aprovação pelos deputados do PL 2946/2015, enviado pelo Governador Fernando Pimentel (PT) à Assembleia Legislativa com pedido de tramitação em regime de URGÊNCIA (45 dias). A forma truculenta pela qual o projeto tramitou no Legislativo impediu o debate com a sociedade e as ONGs. O Governo Pimentel provou sua insensibilidade ao promover o maior retrocesso já visto na legislação ambiental mesmo depois da tragédia provocada pela Samarco, considerada como o maior desastre ambiental do Brasil. Ontem, acompanhamos os debates na Assembleia, pois foi divulgado na noite de segunda-feira, 23/11, no site da ALMG, que haveria três sessões no Plenário para votação da PL 2946 no dia seguinte. O regimento da ALMG prevê que o PL deve ser discutido em 4 sessões para ser aprovado. O que vimos foram poucos deputados discutindo (falta de quorum), sem a população ter vez e voz nos debates. Um debate raso, fraco, com discussões superficiais envolvendo outros temas que não tinham nenhuma relação com o PL 2946/2015. A votação ocorreu em um único turno e o Governo Pimentel usou todos os meios para acelerar a aprovação sem debate e sem o tempo necessário para uma discussão sobre as mudanças na legislação ambiental. Tal urgência injustificada conseguiu unir mais de cem entidades, movimentos, ONGs na ‘FRENTE AMPLA CONTRA O PL 2946’. Estamos passando por uma crise de água em Minas Gerais e, há cinco anos, o estado é o maior desmatador do Brasil. E não será agilizando licenciamentos que isso vai ser resolvido”.

 

- Imagem: Arquivo VF.

 

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'Exército de Cristo':

Pastores deturpam ensinamentos de Jesus

Atos e gestos sintetizam um perfeito exemplo de uma lavagem cerebral coletiva, sobre jovens que sequer tiveram oportunidade de escolher os seus próprios caminhos, dentro ou fora do campo religioso.

 

Logomarca dos Gladiadores do Altar: escudo e espada.

 

Gladiadores da Iurd

 

O fundamentalismo cristão demonstrado pelos chamados Gladiadores do Altar, espécie de grupo “paramilitar” da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) no Estado do Ceará, assustou vários setores da sociedade brasileira, que repudiaram esta iniciativa.

 

Assim como o Estado Islâmico tem a frente o profeta Maomé (bastante destorcido pela ignorância das feras), o “Exército de Cristo”, cujo mártir é também um destorcido Jesus, expõe todas as características de uma organização paramilitar. As demonstrações são de uma autêntica milícia religiosa, inclusive, utilizando marchas, gritos de guerra e gestuais de uma tropa militar. Comandados por um pastor, os Gladiadores do Altar da Universal, respondem em alto e bom tom que desejam “lutar” e que estão prontos para a batalha. Mas que batalha?

 

Tais atos e gestos sintetizam um perfeito exemplo de uma lavagem cerebral coletiva, sobre jovens que, talvez, sequer tiveram oportunidade de escolher os seus próprios caminhos, dentro ou fora do campo religioso. Utilizados como fantoches pelos pastores da Iurd e nem sempre prontos para praticar a verdadeira “palavra de Cristo”, este batalhão religioso parece estar pronto para obedecer a qualquer loucura vinda da cabeça de algum dos pastores desta igreja.

 

Não fosse algo tão assustador, como assistir a jovens travestidos de militares batendo continência a um pastor, este “exército” poderia soar cômico. Fato é que o Brasil já tem inúmeros problemas para resolver, de toda ordem. Mas, felizmente, esse vasto país não possui históricos de desordem religiosa, de “guerras santas” ou embates entre credos ou seitas. Essa demonstração enlouquecida da Iurd, que assustadoramente assistimos em vários canais da internet, nos coloca em profunda reflexão: a quem interessaria provocar atritos religiosos no Brasil? A quem tal indústria atenderia e a quem tal guerra saciaria?

 

Afinal, vivemos em um estado laico, ou seja, em um país isento de influências religiosas em todas as esferas de seus aparatos administrativos. Este tipo de atitude se configura uma clara afronta ao tão diversificado povo brasileiro; às tantas culturas, miscigenações e misticismos deste imenso país – diga-se, que até agora, sempre conviveu em paz e sem graves atritos por contra de suas tantas diferenças.

 

 "Dispostos a abrir mão de suas vidas", diz igreja

 

De acordo com informações do jornal O Estado de S.Paulo, “Os jovens fazem parte de um programa da igreja chamado Gladiadores do Altar, voltado à preparação de rapazes de "diversas idades para servir a Deus no Altar", segundo informa o site da Iurd. O programa, que é ligado à Força Jovem Universal, foi lançado no ano passado. O projeto realiza reuniões semanais com os rapazes que estão dispostos a abrir mão de suas vidas para que outras pessoas sejam ajudadas, cumprindo assim o que Jesus disse: 'Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura', diz o site da Universal”.

 

A divulgação do vídeo dos Gladiadores do Altar na internet gerou fortes críticas e recebeu o repúdio de vários setores da sociedade brasileira. Entre os insatisfeitos está o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ). Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, Wyllys postou em seu perfil na rede, o seguinte comentário: "O fundamentalismo cristão no Brasil tem ameaçado as liberdades individuais, a diversidade sexual e as manifestações culturais laicas. Agora ele está formando uma milícia que, por enquanto, atende pelo nome de 'Gladiadores do Altar'.”

 

E finalizou o parlamentar, “Quando começarem a executar os 'infiéis' e ateus e empurrarem os homossexuais de torres altas como vem fazendo o fundamentalismo islâmico no Oriente Médio? Não é porque tem a palavra 'cristão' na expressão que o fundamentalismo cristão deixa de ser perigoso e não fará o que já faz o fundamentalismo islâmico.”

 

Democracia e liberdade

 

A liberdade proporcionada pelo próprio estado democrático, por vezes, cria situações onde a sua estabilidade e sustentação (ou a convivência sadia e igual entre as diferenças) são acintosamente ameaçadas por ações tendenciosas, inconsequentes ou gestos repletos de ignorância como esta tentativa de associar a religiosidade a uma guerra militar.

 

O maior paradoxo dessa triste e ridícula iniciativa, além de assuntar uma guerra em um país pacífico e miscigenado de todas as maneiras, vem contradizer as palavras do próprio mestre a quem dizem seguir, Jesus, o Cristo, sabidamente, um pacifista no mais amplo aspecto e que jamais conclamaria jovens a guerrear por algum motivo, tampouco, de ordem religiosa. E, muito menos ainda, por motivações que representem poder ou supremacia sobre as minorias.

 

Religiões e religiosidade à parte, lamentável ver o exemplo de Jesus sendo deturpado por pessoas mesquinhas, que erguem templos milionários para competir em arquitetura e tamanho com templos católicos e ainda usam o "santo nome" em vão e em prol dos próprios interesses.

 

Contudo, antes do agrave dessa situação que se esboça atualmente, é preciso que a sociedade crie mecanismos eficazes para coibir excessos proporcionados por grupos fanáticos radicais (religiosos ou não, mas que se aproveitam do estado democrático para agir), resguardando assim, a soberania nacional, a liberdade individual de escolha, de expressão, de ideologia e de credo, garantidos que estão pela Constituição Federal do Brasil.

 

Pepe Chaves

editor - Via Fanzine

www.viafanzine.jor.br

pepechaves@gmail.com

04/03/2015

 

- Imagem: Iurd / reprodução.

 

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