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 Isaac Bigio

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres.

Lecionou política latino-americana na London School of Economics,

é autor de artigos veiculados em comunidades latinas de todo o mundo.

Seus artigos exclusivos são publicados em português por Via Fanzine.

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Eleições:

O Peru seguirá o exemplo da Áustria?

Em ambas as nações da valsa, a extrema direita cresceu graças ao desgaste de governantes que

 chegaram ao poder com os votos da esquerda e alienaram suas configurações de base social.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

Tradução: Pepe Chaves

24/05/2016

 

Enquanto na Áustria, Norbert avançou pedindo dureza com os imigrantes,

no Peru, Fujimori disse que fará o mesmo com a criminalidade.

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Áustria e Peru são os únicos países do mundo que vieram a ter o primeiro e segundo turno das eleições quase ao mesmo tempo. As duas repúblicas com bandeiras branca e vermelha também têm compartilhado vários fenômenos comuns.

 

Nas eleições peruanas de 10 de Abril a filha do ex-autocrata, Keyko Fujimori venceu com 32,64% dos votos expressos, quando todos os partidos que governaram o período pós-ditatorial foram minimizados, após o terceiro governo. Os social-democratas e socialistas cristãos juntos com Alan tiveram somente 4,77%.

 

Nas eleições austríacas em 24 de Abril, os dois partidos que se alternavam no poder desde o fim do nazismo (social-democratas e social-cristãos) caíram após obter o terceiro lugar e a primeira volta foi vencida com 35% de Norbert Hofer do FPO (um partido fundado em 1956 por comandantes da SS de Hitler que estiveram na prisão por seus massacres).

 

Em ambas as nações da valsa, a extrema direita cresceu graças ao desgaste de governantes que chegaram ao poder com os votos da esquerda e alienaram suas configurações de base social. Enquanto na Áustria, Norbert avançou pedindo dureza com os imigrantes, no Peru, Fujimori disse que fará o mesmo com a criminalidade.

 

No entanto, entre as duas repúblicas que antes foram governadas pela monarquia dos Habsburgo existem três diferenças:

 

1) Se na Áustria os votos brancos e nulos foram poucos, no Peru venceu nas eleições para o Congresso e Parlamento e terminaram em segundo para a presidência.

 

2) Se na Áustria o parlamento bicameral está dominado por partidos democratas eleitos proporcionalmente, no Peru, o Congresso unicameral tem menos poder que o executivo e um partido com menos de 25% dos votos deverá controlar mais de 56% de suas cadeiras.

 

3) Se no primeiro turno peruano de 10 de Abril a direita liberal (PPK) ficou em segundo lugar com 17,23%, no primeiro turno austríaco de 24 de Abril o segundo lugar trouxe o centro-Alexander Van der Bellen, com  21%.

 

Em ambos os países a candidatura de extrema direita venceu por 14-15 pontos com um economista septuagenário.

 

No turno final austríaco, em 22 de Maio, Alexander cresceu 30 pontos vencendo com uma vantagem de apenas 0,7%, tornando-se o primeiro presidente verde do mundo.

 

O que aconteceu na Áustria mostra que é possível transpor a vitória inicial da direita dura.

 

O PPK poderia repetir o mesmo no segundo turno peruano, em 5 de junho. Mas, enquanto Alexander nunca se envolveu com os pós-nazista da FPO, ele depende dos setores desfavorecidos e transpõe sua desvantagem inicial, prometendo reformas sociais, enquanto o PPK apoiou Keiko Fujimori na presidência passada (2011), cujo programa econômico é semelhante ao pilar social dos mais ricos.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres.

 

*  *  *

 

Guinadas da esquerda:

Sadiq triunfa em Londres e Dilma cai no Brasil

No Brasil e em Londres a esquerda assinala caminhos diferentes.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

Tradução: Pepe Chaves

16/05/2016

 

Simultaneamente, a sorte foi revertida no caso dos dois mais importantes

partidos trabalhistas no mundo: o dos britânicos e o dos brasileiros.

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Em agosto, a tocha olímpica será passada de Londres para o Rio. E, de forma interessante, em ambas as cidades, políticos caminharam para lados opostos da mesma semana.

 

Na segunda semana de maio a esquerda se sobrepôs à direita na Prefeitura de Londres, enquanto na República do Brasil aconteceu o oposto.

 

Nas eleições britânicas da quinta-feira, 05/05, o partido Laborista liderado por Jeremy Corbyn ganhou um ponto percentual sobre o conservadorismo, recebendo a maior vitória que um partido jamais arrebatara em uma eleição à prefeitura. Os laboristas arrancaram 14 pontos de diferença sobre os conservadores e na Assembleia de Londres deteve 50% a mais de parlamentares sobre eles.

 

Zac Goldsmith, o golfinho Boris Johnson, foi derrotado pelos conservadores perderam a Câmara Municipal, após oito anos de controle.

 

Em contraste, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi temporariamente suspensa do cargo durante os próximos seis meses, quando uma investigação deverá determinar se ela estará apta para reassumir o poder.

 

Simultaneamente, a sorte foi revertida no caso dos dois mais importantes partidos trabalhistas no mundo: o dos britânicos e o dos brasileiros.

 

Enquanto os vermelhos venceram amplamente as eleições de Londres, no Brasil foram removidos do poder sem a intervenção de eleições. No maior país da América Latina foram as assembleias de deputados e senadores que decretaram o impedimento de Dilma, no que ela descreveu como um "golpe parlamentar". Seria algo que a esquerda denunciou como a mesma modalidade que teria sido usada bem antes, em Honduras e no Paraguai para destituir governos constitucionais eleitos pelo voto popular.

 

No entanto, quem assumiu a presidência e que vai comandar o país durante os Jogos Olímpicos será Michel Temer, um homem que chegou à vice-presidência graças ao agora deposto Partido dos Trabalhadores (PT).

 

O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) de Temer é um dos dois criados na ditadura militar (1964-1985). O PMDB somente uma vez assumiu a presidência por mandato popular (1985-1990). Posteriormente, o partido participou na maior parte dos governos federais posteriores. O PMDB esteve junto com a maioria dos presidentes, enquanto o PT era oposição, mas, em seguida, o PT chegou ao poder. Demonstrando capacidade para atuar junto ao poder, mas recebeu alegações de corrupção.

 

Enquanto a maioria dos parlamentares suspendeu Dilma da presidência, ela que se tornou a mulher mais votada da história do mundo, não sustenta nenhuma acusação de fraude.

 

Os governos de esquerda latino-americanos estavam divididos entre aqueles que seguiram o modelo chavista e formaram a Aliança Bolivariana (Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e quatro antilhanos Unidos) e aqueles que seguiram o exemplo lulista (Brasil, Uruguai, Chile, El Salvador). Enquanto o primeiro procurou concentrar o poder em um partido para falar de socialismo e anti-imperialismo, o segundo foi moderado e co-governado com frações do centro para a direita.

 

O PT brasileiro não fez muitas mudanças em suas sociedades, a população começou a culpa-lo pela corrupção e a mais recente recessão dessa nação, e o PMDB terminou como um corvo que tirou-lhe os olhos. E o PT finalmente permitiu remover sua mandatária, sem buscar um movimento de massas, uma greve geral ou uma revolução.

 

Hoje, o novo governo brasileiro busca receitas atrás de incentivos ao investimento privado e restringindo salários e pensões. O PT, por sua vez, se limitou a dizer que respeitará a lei, esperando que o novo governo se "queime" ao implementar medidas políticas duras.

 

No caso britânico, Corbyn representa a liderança da esquerda através do Partido Laborista desde os anos de 1980. Sua estratégia é radicalizar o partido e colocá-lo em posição de confronto com os Tories. Só então ele vai empolgar os trabalhadores que teriam o abandonado para apoiar o nacionalismo inglês (UKIP) ou à esquerda dos escoceses e galeses.

 

O que aconteceu no Brasil e em Londres dariam duas leituras conflitantes sobre a esquerda. Para obter suportes e se aproximar de uma orientação, Blair receita tipo a seguir será a Sadiq e para aqueles que acreditam que dar muitas concessões para o centro leva a sucessos como no Brasil, que se aprofundou no modelo defendido Jeremy.

 

E se o Trabalhismo é bater entre duas almas, o conservadorismo está em uma crise pior, aquele em que seus dois principais líderes estão nos extremos, Cameron comandando o lado do Sim no referendo europeu e Johnson o lado do Não.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres.

 

 

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