HOME | ZINESFERA| BLOG ZINE| EDITORIAL| ESPORTES| ENTREVISTAS| ITAÚNA| J.A. FONSECA| PEPE MUSIC| UFOVIA| AEROVIA| ASTROVIA

 

 Isaac Bigio

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres.

Lecionou política latino-americana na London School of Economics,

é autor de artigos veiculados em comunidades latinas de todo o mundo.

Seus artigos exclusivos são publicados em português por Via Fanzine.

 

   

Mundial de Futebol Feminino:

Vitória e reivindicações

Norte-americanas vencem o Mundial de Futebol feminino enquanto colidem com as suas autoridades.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

12/07/2019

 

A vitoriosa Megan Rapinoe é ativista e impulsiona campanhas contra a discriminação sexual e clama por igual tratamento a todos, independentemente do seu gênero, raça ou condição sexual.


A Seleção dos EUA venceu o Mundial de Futebol feminino no domingo passado (07/07). No jogo final a torcida gritava "pagamento igual, pagamento igual", apoiando a demanda judicial que os americanos tinham feito contra as suas autoridades porque suas remunerações são pelo menos seis vezes menores do que a dos futebolistas masculinos.

 

Contudo, isso ocorre apesar de a categoria masculina jamais ter vencido alguma competição internacional, em contrapartida, em tais competições elas sempre ficaram entre os três primeiros lugares. Elas venceram quatro dos oito Mundiais Femininos, além de obterem quatro das seis medalhas olímpicas do futebol feminino.


Em 2019, na França, 24 países disputaram o título e no próximo mundial vão competir 32, tal como acontece com o futebol masculino. Enquanto isso, no Qatar, em 2020, será disputado o primeiro Mundial de Futebol masculino em uma monarquia autocrática que incentiva a poligamia, a discriminação por sexos e que construiu seus estádios com uma mão de obra paupérrima composta por imigrantes que vivem em armazéns, sem residência permanente e sem direitos sindicais, temos de apoiar o avanço das mulheres e da igualdade salarial em todos os terrenos.


Entre os vários propulsores do evento “Mês Amigo” [em Londres] tivemos a oportunidade de estarmos em um pub juntamente com 10 dos vice-prefeitos de Londres assistindo a um dos jogos desse mundial feminino.


A bola de ouro é concedida ao melhor jogador e o espólio de ouro é entregue ao artilheiro, mas neste mundial foram entregues a uma única pessoa, algo incomum. Ela é Megan Rapinoe, a capitã da equipe norte-americana. Megan é uma ativista e impulsiona campanhas contra a discriminação sexual e clama por igual tratamento a todos, independentemente do seu gênero, raça ou condição sexual.


Trump deveria receber as futebolistas vencedoras, mas o faria com sentimento descontente. Há aqueles que gostariam de ver Megan Rapinoe se lançar como candidata à presidência, pois ela encarna valores opostos aos do atual mandatário. Trump persegue milhões de imigrantes latinos, mantém a enorme diferença salarial e tratamento distinto entre os sexos e, cuja misoginia, o levou a considerar as suas esposas como mulheres inferiores.


A participação das mulheres em todos os esportes, bem como no resto das atividades das sociedades, é algo que deve ser incentivado. Hoje, infelizmente o sexo feminino não ocupa nem 10% das posições de poder político ou econômico no mundo e nenhuma dama liderou a ONU ou quaisquer das quatro maiores repúblicas nucleares (EUA, Rússia, China e França) ou a alguma expressiva congregação religiosa.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido e editado por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2019, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Latinos de Londres:

Maio, um mês a se comemorar

Os 10 anos da maior marcha ibero-americana da história britânica.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

03/05/2019

 

A capelania católica latino-americana, encabeçada pelo Padre Jesus, foi uma das entidades que participou da histórica marcha em prol do reconhecimento dos povos latinos na capital inglesa.

Leia também:

Intervenção militar na Venezuela - Isaac Bigio

Últimos destaques de Via Fanzine

 

Em 4 de maio de 2009, a praça principal de Londres estava lotada por dezenas de milhares de pessoas naquela que foi a maior manifestação pelos direitos dos imigrantes já ocorrida na cidade. A manifestação foi organizada pela Coalizão de Estrangeiros para os Cidadãos, que animou a Citizens UK, uma associação que hoje reúne mais de 200 organizações comunitárias, religiosas, educacionais e sindicais.

 

Dezenas de milhares de bandeiras exigiram uma forma de regularizar os imigrantes. Nesse movimento, o maior contingente étnico foi, de longe, o criado pela Aliança Ibero-americana do Reino Unido (AIU), que unia a maioria das comunidades de língua espanhola e portuguesa. Mais de 5.000 bandeiras e braceletes da AIU foram distribuídos com os slogans "Ibero-americanos Unidos pela Regularização, Reconhecimento e Respeito".

 

Dois blocos ibero-americanos seguiram em direção à praça Trafalgar. Um bloco em Elephant and Castle, onde anteriormente havia uma concentração de igrejas evangélicas tornou-se o centro de fusão, onde quatro meses antes ocorreu a primeira reunião de milhares de latino-americanos com um mandatário de Londres, Darren Johnson, então presidente da Assembleia de Londres que, sustentada por nosso movimento, conseguira que o "parlamento" da capital exigisse uma anistia para os indocumentados.

 

Há também a Comunidade Cristã de Londres Ravelo, onde pastores peruanos se destacam; o Ministério Bênção para as Nações do ministro colombiano Pedro Pablo Arias; o espanhol Pastor Emmanuel Candido Giraldo; a Catedral Internacional com os pastores Boris e José, entre muitos outros. Além disso, outras organizações sindicais, da juventude e de mulheres também se manifestaram (como a MERU, CL, LAWRS, Minka, Nabas, entre outras.)

 

Do outro lado, da catedral de Westminster, se manifestou a capelania católica latino-americana, encabeçada pelo Padre Jesus, trazendo bandeiras de todas as nações ibero-americanas.

 

No palco central, Marcos Ravelo e Isaac Bigio falaram em nome de dezenas de milhares das comunidades ibero-americanas, pouco antes do encerramento da cerimônia pelo presidente da Assembleia de Londres.

 

A marcha não conseguiu fazer com que o governo de David Cameron e Theresa May concedsser anistia, mas abriu a porta para que, seis meses depois, o prefeito de Londres se comprometesse a incluir os falantes de espanhol e português numa categoria étnica em todas as suas formas, oficializando a celebração do bicentenário da independência da América Latina, para em seguida, receber o reconhecimento pela Assembleia de Londres do mês histórico para homenagear aos latinos, hispânicos e falantes do português, também chamado de "mês Amigo".

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2019, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Venezuela:

Insurgentes promovem golpe em Caracas

Os conspiradores do golpe libertaram Leopoldo López, líder do partido Voluntad Popular de Juan Guaidó, que apareceu em um vídeo conclamando desencadear a fase final na luta para depor Nicolás Maduro.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

30/04/2019

 

Tudo indica que a Venezuela pode entrar em sua pior crise desde que Guaidó se proclamou presidente em 23 de janeiro. Desta vez, a oposição de direita controla uma base militar estratégica.

Leia também:

Intervenção militar na Venezuela - Isaac Bigio

Últimos destaques de Via Fanzine

 

Um grupo de soldados venezuelanos rebeldes agiram na capital venezuelana, na área de base de La Carlota muito perto do Palácio de Miraflores e tomou o controle dessa importante base. Os conspiradores do golpe libertaram Leopoldo López, líder do partido Voluntad Popular de Juan Guaidó, que apareceu em um vídeo conclamando desencadear a fase final na luta para depor Nicolás Maduro.

 

O ocorrido foi na véspera da declaração de Guaidó prometendo ser esta a maior mobilização popular na história do mundo, porque nesta quarta-feira, 1º de maio, ele prometeu levar multidões às ruas.

 

O governo indicou que se trata de uma minoria de "traidores" que serão sufocados. No entanto, tudo indica que a Venezuela pode entrar em sua pior crise desde que Guaidó se proclamou presidente em 23 de janeiro. Desta vez, a oposição de direita controla uma base militar estratégica e vem preparando há semanas uma grande manifestação para esta quarta-feira.

 

Maduro, embora ele tenha sido marcado como um ditador, tem mostrado moderação em seu tratamento contra o golpe e desde então tem mantido Lopez sob prisão domiciliar, nunca parou Guaidó ou dos seus parceiros e permite que os seus apoiadores se movam livremente, apesar de acusá-los de ações terroristas para sabotar o serviço de eletricidade e água e de querer provocar uma invasão militar estrangeira.

 

A situação pode piorar e servir de pretexto para uma possível intervenção militar dos EUA, sob o pretexto de que a Assembleia Nacional de Caracas poderia solicitar sua ajuda.

 

Alguns podem querer interpretar o que está acontecendo como um tapa na água de um afogado há mais de três meses, após a auto empossado presidente Guaidó tem sido incapaz de cumprir qualquer de seus planos e, sabendo que a sua influência vem caindo (reconhecendo os mesmos oponentes de direita), esta poderia ser sua última tentativa de provocar uma intervenção, a qual os EUA temem não ser apoiada pela população venezuelana, pois isso produziria um barril de pólvora incontrolável no Caribe e na América Latina.

 

De certa forma, o que aconteceu mostra que a oposição de direita não fez muito progresso dentro das forças armadas, porque acreditam que se tivesse uma forte influência sobre os militares já tinham tentado tomar Miraflores ou prendido o presidente. Desta vez, ao contrário de 2002, apostam em levar as pessoas às ruas e provocar a intervenção estrangeira.

De qualquer forma, o que aconteceu é grave. Até o momento Maduro respondeu como um boxeador que detém golpes, esperando que seu oponente reaja, mas neste caso o primeiro levante militar acontece e termina na capital.

 

Tudo indica que nas próximas horas, especialmente durante o 1º de maio, haverá fortes manifestações a favor e contra o golpe. Enquanto isso, as Forças Armadas da Venezuela vão querer isolar essa insurreição até que seja aplacada. Embora Maduro faça todo o possível para evitar muita violência (porque acredita que isso geraria ainda mais violência), desta vez um número significativo de vítimas não pode ser descartado.

 

Enquanto isso, a direita venezuelana vai chamar às ruas de todo o país para apoiar a insurreição, enquanto a esquerda fará o mesmo para combatê-la, desde que os setores socialistas possam exigir que o parlamento seja fechado, e que Guaidó seja preso, além de expropriar as empresas que financiam o golpe. Não descarta alguma forma de diálogo onde López e Guaidó negociem em melhores condições.

 

Entramos em uma situação muito difícil para a América Latina, onde os dois principais vizinhos da Venezuela estão sob pressão de seus presidentes para intervir em seu território (embora no Brasil, a vice-presidência e o Exército resistam a tal aventura). E tudo isso em um contexto onde das duas potências nucleares que rivalizam com os EUA (Rússia e a China) mantêm soldados e armas na Venezuela.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2019, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Peru:

Ex-presidente Alan García se suicida

Ele foi o primeiro ex-presidente sul-americano a se suicidar neste milênio para evitar um processo contra corrupção.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

17/04/2019

 

Em seu primeiro mandato, García tornou-se o maior "esquerdista" chefe de Estado na América do Sul, gerando um programa de amplos subsídios, restrições moderadas ao pagamento da dívida externa e nacionalização do banco.

Leia também:

Intervenção militar na Venezuela - Isaac Bigio

Últimos destaques de Via Fanzine

 

Acabou de ser anunciado que o ex-presidente peruano Alan García morreu depois de se balear para evitar ser preso por acusações de corrupção no Caso Odebrecht. Sua morte ocorreu em Lima, sua terra natal, algumas semanas antes de ele, em 23 de maio, atingir 70 anos de idade.

 

Até hoje García era a única pessoa viva que tinha completado 10 anos presidenciais não contínuos na América do Sul. Foi ele que em 1985-90 chegou ao governo pela primeira vez no APRA, o partido peruano até então mais antigo e melhor organizado. Isso, depois de suas ligações iniciais com a Internacional Comunista, sofreu muitas perseguições e depois tornou-se anticomunista.

 

Em seu primeiro mandato, García tornou-se o maior "esquerdista" chefe de Estado na América do Sul, gerando um programa de amplos subsídios, restrições moderadas ao pagamento da dívida externa e nacionalização do banco. Ao mesmo tempo, ele conteve o avanço da esquerda peruana e foi muito duro contra a "guerra popular" maoísta matando 300 prisioneiros do Sendero Luminoso (muitos deles depois de se render) quando em Lima iniciou o primeiro congresso da Internacional Socialista feito em seu continente.

 

Após causar uma das piores hiperinflações que abalara o hemisfério, ele terminou apoiando Fujimori, que em 1990, assumiu a presidência, e lançou um choque monetarista e se consolidou uma década no poder com uma privatização forte e pregando o antiterrorismo.

 

Garcia voltou ao poder entre 2006 e 2011, mas desta vez, com um programa muito diferente. Quem na época era o mais próximo de um Chávez andino dos anos 80, acabou pedindo a união de toda a direita para impedir que o candidato apoiado pela Venezuela vencesse as eleições. Seu segundo mandato foi feito aplicando as receitas do mercado pró-livre que o FMI possuía e dos empresários que anteriormente se opunham a ele.

 

O único personagem que conseguiu que o APRA chegasse ao Palácio foi também quem levou à ruína este partido nascido como "anti-imperialista". Nas eleições presidenciais de 2016, ele concorreu com Lourdes Flores, líder do cristianismo social que lutou tanto e, nos anos 80, nacionalizou os bancos privados. No entanto, ele mal subiu 5%, com o qual seu partido quase perdeu seu registro legal, mas ele estava morto como esperança eleitoral.

 

Corrupções

 

García era constantemente acusado de receber subornos da multinacional brasileira Odebrecht. Todos os cinco ex-presidentes que o Peru teve foram acusados ​​de receber propinas dessa construtora ou por outros crimes. O ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) voltou para a prisão, e Alejandro Toledo (2001 a 2006) fugiu para os EUA, onde Trump o protege contra pedidos de extradição (embora ele tenha sido preso por embriaguez na rua), a de 2006-11 (antes de 1985-1990). E Ollanta Humala (2011-2016) foi preso junto com sua esposa Nadine

 

O Peru foi abalado por uma grande revolta contra todos os casos de corrupção. O suicídio de García deverá ser usado por aqueles que pedem ao judiciário para "moderar" suas investigações e até mesmo procurar que o auto imolado seja considerado um mártir.

 

A verdade é que Garcia sempre se gabou de que ele, diferentemente do antigo APRA, sempre tivera a habilidade de evitar a prisão por razões políticas pelas quais muitos foram privados por anos.

 

Garcia provou ser o oposto daquelas centenas ou milhares de velhos lutadores do APRA que passaram muito tempo atrás das grades e até mesmo em condições subumanas. Apesar de ser mais jovem que Lula, não teve coragem de enfrentar um processo para buscar ser libertado com evidências e apoio popular. Sua prisão, além disso, não era definitiva, mas apenas preliminar.

 

No Peru muitos vão celebrar sua morte lembrando suas medidas repressivas contra muitas greves e ativistas ou pela sua corrupção, enquanto outros vão querer tratá-lo como uma vítima.

 

A notícia de seu suicídio não nos faz felizes e o ideal seria vê-lo passar por um processo legal justo. Nossas condolências à sua família e às pessoas que acreditaram nele. Garcia vai ficar na história por muitas coisas, além de se tornar o primeiro presidente suicida do século 21 nas Américas.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2019, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Discurso em Israel:

Bolsonaro afirma estar à direita de Hitler

O presidente do Brasil, ao visitar Israel, ofendeu todos os judeus e antirracistas do mundo.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

08/04/2019

 

Bolsonaro mais uma vez insulta a todos que lutam por um mundo onde mulheres, negros, índios, semitas e gays sejam consideradas pessoas com os mesmos direitos e que deveriam receber um mesmo tratamento por igual.

Leia também:

Intervenção militar na Venezuela - Isaac Bigio

Últimos destaques de Via Fanzine

 

O que há mais extremo na direita é o fascismo e, dentro deste, a extrema direita é nazismo, movimento que procurou aniquilar fisicamente a União Soviética e outros milhões, vistos como esquerdistas (o que incluía os judeus, responsáveis por incubar vários líderes socialistas como Marx, Trotzky, Luxemburgo, etc.).

 

No entanto, o estreante presidente do Brasil ao chegar em Israel ousou dizer que, para ele, Hitler era "sem qualquer dúvida" alguém da esquerda. Portanto, ele declarou estar à sua direita.

 

Para ele, a palavra "socialismo" é sinônimo de demônio, e "nazi", uma abreviatura para o nacional-socialismo, então, ele se mostra equivocado. No entanto, o termo "socialista" já se tornou tão vago e amplo que foi usado para designar Tony Blair, John Guaidó (a quem Bolsonaro reconhece como presidente da Venezuela), Luis Almagro (Secretário-Geral da OEA que tanto o apoia), o Estado chinês (maior parceiro comercial do Brasil) ou os governantes da Espanha e da maioria das outras sete repúblicas da língua portuguesa do velho mundo, com quem seu país sempre teve boas relações.

 

Hitler e Stalin

 

O seu atual Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, fundamentou previamente a posição Bolsonaro, argumentando que Hitler e Stalin queriam dividir o mundo para que este se tornasse socialista. No entanto, apesar do fato de que Hitler e Stalin governaram como tiranos em torno de um único partido, ambos possuíam modelos sociais muito diferentes.

 

O stalinismo defendeu uma economia nacionalizada planejada, onde as desigualdades sociais foram reduzidas (sem eliminá-las, pois, havia uma casta privilegiada dominante), onde havia garantia de emprego, habitação subsidiada, educação gratuita e saúde garantida. O nazismo defendia as multinacionais alemãs expansionistas, uma maior desigualdade interna, a introdução do trabalho escravo, além de considerar os eslavos (base do stalinismo), judeus, negros e ciganos como sub-humanos.

 

Por isso, é que as batalhas mais sangrentas que ocorreram na Segunda Guerra Mundial estavam entre os nazifascistas e comunistas, e havia mais de 20 milhões de soviéticos mortos, o maior número de vítimas em qualquer confronto militar internacional.

 

Bolsonaro ofendeu os judeus

 

As declarações de Bolsonaro também são muito sérias porque foram feitas dentro do único Estado de maioria judaica do planeta no último milênio. Os nazistas exterminaram seis milhões de judeus no pior holocausto já planejado, e todos os judeus sabem que a esquerda (mesmo que possam discordar dela) sempre lutou para dar-lhes igualdade e direito plenos.

 

Embora Stalin tenha usado ações antissemitas contra seus adversários (como Trotsky), ele foi o primeiro a criar uma república judaica (a de Birobidján, na fronteira russo-chinesa), salvando a vida de milhões de judeus que viviam no seu território e nas proximidades (que naquele momento, se tornou a principal população judaica do planeta) sendo um dos primeiros a reconhecer e construir o novo Estado de Israel, então fortemente dependente das armas fornecidas por seu parceiro checo.

 

Foi o trabalhismo - reivindicado como socialista - sob a liderança de Ben Gurion, que veio a fundar o Estado de Israel, liderando as primeiras décadas de sua existência e quatro guerras internacionais ocorridas antes da Guerra do Líbano, sendo o partido que por mais tempo governou a comunidade israelita da "Terra Santa".

 

Desta maneira, Bolsonaro ofendeu milhões de judeus e até mesmo aqueles que arquitetaram o Estado de Israel.

 

Aliados extremistas de Netanyahu

 

Bolsonaro anunciou a abertura de um escritório diplomático brasileiro em Jerusalém, mas anteriormente prometera transferir a embaixada brasileira para aquela cidade, embora exportadores agrícolas de seu país tenham lhe amarrado as mãos, já que o Brasil é o maior exportador de carne halal para o mundo muçulmano.

 

Se tal gesto pode ser visto com simpatia por muitos israelenses, o que deve preocupar é o tipo de aliados com que vai se acercando o primeiro-ministro Netanyahu, na procura de ser reeleito. Isso inclui Viktor Orban, líder ultranacionalista da Hungria, que tem atacado o financista judeu liberal Soros com um discurso antissemita. Além de Donald Trump, que lhe fez o favor de reconhecer a anexação de Jerusalém Oriental e Golã, embora isso seja altamente questionado pela maioria dos judeus americanos. Sua administração se associou às alas abertamente neonazistas na Ucrânia contra a Rússia, mesmo estando tão perto da Arábia Saudita, uma teocracia que proibe sinagogas no país, que tem financiado e armado a Al Qaeda e outros grupos terroristas antijudaicos, e agora vem destruindo o Iêmen (país da Rainha de Sabá), onde havia um reino judeu depois dos massacres romanos às rebeliões israelitas.   

  

Apoiando o golpe brasileiro de 1964

 

Bolsonaro quer colocar nazismo e socialismo no mesmo saco, porque para ele tudo isso é esquerdismo. No entanto, ele aceita que existam ditaduras. Além disso, ele celebra o 55º aniversário do golpe militar brasileiro ocorrido em 1964, que derrubou um governo constitucional e impôs ao seu país mais de duas décadas de uma tirania que torturava e reprimia severamente os democratas e que viria promover autocracias militares, como o Plano Condor na Bolívia, Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai e Peru.

 

Bolsonaro já fez discursos duros contra negros, indígenas, mulheres e gays em seu próprio país, setores estes que tradicionalmente a esquerda tende a defender, mas jamais os nazistas.

 

Posando como alguém que esteja à direita de Hitler e localizando os nazistas como parte da esquerda, Bolsonaro mais uma vez insulta a todos que lutam por um mundo onde mulheres, negros, índios, semitas e gays sejam consideradas pessoas com os mesmos direitos e que deveriam receber um mesmo tratamento por igual.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2019, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Um show pela guerra:

Como a Virgin distorceu o Live Aid

Devemos sentir horror pela maneira que se pretende deformar este legado e usá-lo como pretexto para uma intervenção estrangeira nos assuntos internos de uma nação soberana.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

21/02/2019

 

O concerto de Branson acontece na Colômbia, sobre uma ponte fronteiriça à Venezuela, buscando com isso, provocar o país vizinho, cujo presidente, Maduro, tal iniciativa deseja depor, para substitui-lo por Guaidó, imposto por Bogotá e Washington.

Leia também:

Intervenção militar na Venezuela - Isaac Bigio

Últimos destaques de Via Fanzine

 

Desde o primeiro megaconcerto Live Aid, em 1985, esta iniciativa visava coletar fundos em prol dos lesados pela seca na Etiópia. E até antes de 2019, todos os concertos que levaram este nome foram promovidos pelos próprios artistas e prol de causas puramente humanitárias e despolitizadas. O objetivo desse grande show internacional sempre foi unir todos a favor dos mais necessitados.

 

No entanto, nessa sexta-feira (22/02) será realizado um megaconcerto promovido diretamente por um dos magnatas mais poderosos e megalomaníacos do mundo, Richard Branson (dono da gravadora Virgin Records e da empresa espacial Virgin Galactic, dentre outras). Seu evento Venezuela Live Aid em nada tem a ver com os eventos “Live Aid” antecessores, sempre organizados por artistas. Muito menos pode ser comparado à versão inaugural desse evento em 1985, transmitida simultaneamente a partir do estádio de Wembley (Londres) com outras grandes metrópoles de quatro continentes, atingindo a audiência de 40% da humanidade.

 

Mas este evento produzido agora por Sir Richard Branson tem fins comerciais e políticos. Em vez de ser um concerto feito em conjunto com artistas de todas as tendências e apoiado por todas as correntes e governos, trata-se do primeiro na história mundial para derrubar um determinado governo, enquanto um dos seus principais cantores participantes conclama abertamente aos EUA a invadir a Venezuela.

 

O concerto de Branson acontece na Colômbia, sobre uma ponte fronteiriça à Venezuela, buscando com isso, provocar o país vizinho, cujo presidente, Maduro, tal iniciativa deseja depor, para substitui-lo por Guaidó, político imposto por Bogotá e Washington.

 

Branson não faz isso por caridade, mas sim como um negócio. Com os fundos arrecadados vai pagar artistas que cobram milhões e depois, se ocorrer uma mudança de mandatário em Caracas, ele deverá passar a fatura pelos favores prestados a tal campanha. Com isso, deverá faturar suculentas concessões em favor da sua corporação (Virgin) que agrupa mais de 400 empresas.

 

Nós que amamos e vivenciamos o primeiro Live Aid devemos sentir horror pela maneira que se pretende deformar este legado e usá-lo como pretexto para uma intervenção estrangeira nos assuntos internos de uma nação soberana.

 

Não se trata mais de apoiar ou não o presidente de Caracas, ao qual somos bastante críticos, mas sim, de não permitir que essa bela experiência de concertos em prol da paz, tão pluralistas e altruístas, sejam caricaturados e convertidos exatamente no seu oposto: uma mera peça do xadrez geopolítico e bélico.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2019, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Venezuela:

Uma nova Líbia?

É preciso defender o princípio do respeito à soberania de qualquer nação latino-americana frente à intromissão do Trump.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

04/02/2019

 

Estar contra Trump na Venezuela não significa apoiar o chavismo. Há muitos que veem Maduro como um corrupto ou defensor de uma "Caneta-burguesa", mas acreditam que a intromissão dos EUA somente agrava e piora as coisas.

Leia também:

Intervenção militar na Venezuela - Isaac Bigio

Últimos destaques de Via Fanzine

 

O debate hoje na Venezuela, assim como antes ocorrido no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Somália ou na Síria não é se se apoia ou não aos talibãs, Saddam Hussein, Kadhafi, Assad ou Maduro, mas sim às intervenções dos EUA, pois estes são remédios piores que a doença.

 

As sanções e bombardeamentos de Washington destroem a infraestrutura do país agredido e geram fome, miséria e multidões de mortos. Nessas guerras, os EUA e seus aliados investiram trilhões de dólares (com os quais poderiam ter resolvido a desnutrição infantil em dezenas de países pobres) e o número de pessoas mortas, feridas, doentes ou deslocadas se soma na ordem de dezenas de milhões em países pobres.

 

Sob o argumento de "Democracia" o objetivo é apoderar-se dos recursos do país atacado, mesmo quando se impõe a este as piores autocracias. Na Líbia, a primeira coisa que o governo pós-Kadhafi fez foi reintroduzir a poligamia e depois caçar e vender negros como escravos. No Iraque e na Somália deram passagem à fragmentação dessas repúblicas, proporcionando que terroristas islâmicos massacrassem mulheres independentes, gays, cristãos, judeus ou muçulmanos não sunitas. No Afeganistão após a queda dos talibãs aumentou-se a produção de ópio e chegaram ao poder os mais sanguinários senhores de guerra (aqueles que assassinaram os seus adversários deixando-os morrer trancados em caminhões) para que hoje, depois de 18 anos, permitirem que os talibãs se relancem para conseguirem um acordo com os EUA visando deixarem a maior parte do Afeganistão em suas mãos.

 

Estar contra Trump na Venezuela não significa apoiar o chavismo. Há muitos que veem Maduro como um corrupto ou defensor de uma "Caneta-burguesa", mas acreditam que a intromissão dos EUA somente agrava e piora as coisas. A atual administração de Trump se dá ao luxo de dizer que está interessada em que as corporações americanas voltem a controlar o petróleo venezuelano, para isso, impôs o seu próprio presidente naquele país, o qual quase ninguém conhecia até há poucas semanas. Com isso, os EUA incitam abertamente ao caos e à guerra civil na Venezuela, ameaçando enviar tropas com milhares de homens ao país sul-americano.

 

Nunca na história sul-americana o presidente dos EUA impulsionou a autoproclamação de um presidente nacional em praça pública para depois, imediatamente reconhecê-lo como o único mandatário e pressionar outras nações a fazerem o mesmo, e a concatenar constantemente uma possível subversão militar ou uma invasão de seus efetivos. Isso gera um precedente que pode ser aplicado em toda a região e posteriormente, o mesmo poderá ser empregado na Bolívia, Cuba, América Central, Uruguai ou México.

 

Uma eventual guerra na Venezuela seria a pior na história da América do Sul desde o século IX. Esta acabaria internacionalizando-se e envolveria o Brasil e a Colômbia, permitindo assim, que os EUA, China e Rússia, pela primeira vez, intervenham militarmente na história sul-americana, gerando uma onda de protestos em toda a região, além do renascimento de muitos grupos guerrilheiros ou golpes castrenses por todos os lados.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2019, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Venezuela:

Um dilema na presidência do país

Juan Gaidó: quão legítimo pode ser o autoproclamado novo presidente interino da Venezuela?

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

24/01/2019

 

A decisão em que Guaidó se proclama como presidente não foi sequer decidida na Venezuela, mas sim em Washington. Se Trump não tivesse insuflando-o e prometendo dar-lhe uma forte cobertura logística, este jovem com pouca experiência não teria se atrevido a tomar tal decisão.

Leia também:

Intervenção militar na Venezuela - Isaac Bigio

Últimos destaques de Via Fanzine

 

No dia 23 de janeiro em plena praça pública este jovem engenheiro de 35 anos se autonomeou como o único mandatário legal da Venezuela, sendo imediatamente apoiado pelos EUA, Canadá e 11 dos 33 Estados da América Latina e Caribe.

 

Até janeiro ele era um virtual desconhecido. Apesar de nunca ter competido em nenhuma escolha nacional, ele se concedeu tal posição em virtude de que, em 2019 com o apoio de seu partido assumiu a presidência anual rotativa da Assembleia Nacional.

 

Nas eleições de 2015, pela primeira vez, o chavismo perdeu a maioria absoluta dessa assembleia. Então uma coligação com cerca de 35 partidos chamada Mesa de Unidade Democrática (MUD) obteve o primeiro lugar com 45% dos votos válidos, o que se traduziu em abocanhar 56% das vagas. No entanto, o governo e a corte contestaram sua posse.

 

A MUD decidiu que todos os anos a presidência dessa assembleia deveria passar para um partido diferente. Em 2016 coube ao AD, em 2017 ao PJ, em 2018 a UNT e em 2019 a VP. Como o líder deste último, Leopoldo Lopez, está preso, Guaidó assumiu o seu lugar.

 

A MUD entrou em fragmentação ao ponto de que 23 dos seus 35 partidos integrantes originais foram retirados, incluindo o seu maior partido (AD, o qual foi um dos dois partidos que se alternou no poder desde 1958 a 1998). Antigos membros da MUD participaram nas eleições presidenciais de 2018, cuja vitória foi de Maduro com 68% dos votos válidos e a AD participou nas eleições locais daquele mesmo ano, arrebatando a maior parte dos governos locais. Foram vitoriosos por causa do oficialismo.

 

A AD, apesar de ter participado nas últimas eleições, detém a atual vice-presidência da Assembleia Nacional, cujo o presidente se coloca agora como presidente da nação.

 

Se uma Assembleia Nacional decidir se erigir como o único poder e deslocar o Executivo deveria ter feito isso desde o início e em um encontro plenário. No entanto, o que há agora é que ao quarto ano de existência desta é que isso foi feito, em plena rua e sem que tenha sido realizado um prévio debate com os deputados do governo ou de outros partidos.

 

Os resultados que a MUD teve para essa assembleia se deram em dezembro de 2015, há mais de três anos, quando a correlação de forças era diferente e desta aliança ainda não se tinham se retirado os 2/3 de seus partidos integrantes. O VP é a quarta força em número dentro da MUD e a única razão pela qual a Guaidó chegou à presidência dessa assembleia foi pela rotação anual de tal cargo entre os componentes do bloco maioritário. Portanto, ele não foi escolhido pela Venezuela.

 

A decisão em que Guaidó se proclama como presidente não foi sequer decidida na Venezuela, mas sim em Washington. Se Trump não tivesse insuflando-o e prometendo dar-lhe uma forte cobertura logística, este jovem com pouca experiência não teria se atrevido a tomar tal decisão.

 

Que garantia oferece Trump de que ele vai "Restabelecer a democracia" na Venezuela? Trump perdeu todas as eleições nacionais que tem competido. Acabou de perder a Câmara de Representantes dos EUA e é o único presidente na história universal que chegou ao cargo depois de ter perdido por uma diferença de quase três milhões diante do seu rival.

 

O primeiro país que Trump visitou como presidente dos EUA foi a Arábia Saudita, a pior teocracia do planeta, que nunca permitiu partidos, sindicatos, eleições ou direitos à mulheres, cristãos e judeus.

 

Todas as invasões para "Democratização" feitas por Trump no Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Somália, na Síria e em outras partes conduziram somente a massacres de inocentes e serviram para fortalecer a novos tiranos ou fundamentalistas religiosos.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2019, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Reino Unido:

As circunstâncias do casamento real

Para Elizabeth II, este casamento deve trazer muitas memórias e sentimentos desencontrados. Primeiramente o seu pai (e consequentemente, ela), chegou ao trono, justamente, após seu tio - que era o rei - se casar com uma divorciada americana, fato que o clero anglicano não poderia tolerar à época.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

23/05/2018

 

Foto oficial da família real durante o matrimônio de William e Megan.

Leia também:

Últimos destaques de Via Fanzine

 

No sábado, 19/05, um em cada quatro dos mais de sete bilhões de habitantes deste planeta assistiu ao último casamento real. Os Windsor provaram ser a família mais filmada, televisiva e fotografada da história universal.

 

Os nonagenários reis britânicos assistiram ao casamento do último dos seus netos, embora a Elizabeth II não tenha se mostrado tão feliz. Enquanto isso, a imprensa destacava o fato de que a nova princesa Megan ser uma americana feminista e de cor, cuja mãe se tornou a primeira afro-americana a posar em uma foto da família real e cujo casamento metade dos padres também era de cor. Além disso, as apresentações musicais do festejo foram protagonizadas por negros, transparecendo uma Elizabeth II não muito feliz.

 

Quando subiu ao trono em 1952, Elizabeth iniciou uma série de reformas modernizadoras, como por exemplo, pela primeira vez a tevê transmitia ao vivo uma coroação, a sua. Como chefe de Estado do que era o maior império ultramarino da história, ela foi permitindo a independência da maior parte de suas colônias e como governadora da igreja de Inglaterra (Anglicana), permitiu que as mulheres e os homossexuais pudessem celebrar missas.

 

Para Elizabeth II, este casamento deve trazer muitas memórias e sentimentos desencontrados. Primeiramente o seu pai (e consequentemente, ela), chegou ao trono, justamente, após seu tio - que era o rei - se casar com uma divorciada americana, fato que o clero anglicano não poderia tolerar à época. Isso, de certa forma, afetou o curso da Segunda Guerra Mundial, pois o renunciante rei inglês chegou a solicitar Hitler para se aliar a ele, com a intenção de recuperar o cetro perdido. Além disso, Elizabeth II impediu que a sua irmã se casasse com um divorciado muito próximo dos Windsor.

 

Agora, Elizabeth II deveria dar ao neto a permissão para desposar outra divorciada americana plebeia, sendo ele alguém que poderá herdar a coroa em algum momento. Megan foi criada como católica, casou-se pela primeira vez numa cerimônia judaica e agora acabou de se casar numa cerimônia anglicana. Além disso, ela é morena e três anos mais velha que William. O seu pai, Charles, ficou contente, pois ele, por sua vez, tornou-se o primeiro príncipe herdeiro e virtual cabeça da Commonwealth a se casor com uma divorciada.

 

Os reis devem ter aceitado o casamento porque não desejavam entrar em uma disputa pública com o filho de Diana, a mulher que tanto minou a imagem dos Windsor e que morreu de maneira estranha juntamente com o seu namorado muçulmano.

 

Este casamento real custou cerca de US$ 100 milhões, um número extraordinário para qualquer país, especialmente para aquele que promove cortes nos lucros e serviços públicos.

 

No entanto, no Reino Unido não foi vista maior oposição de rua à sua monarquia, como aconteceu com a de Madrid. Ao contrário da coroa espanhola, os Windsor aceitaram um referendo separatista na Escócia e podem ser os monarcas dessa nação, caso esta decida tornar-se independente, e tente se distanciar do terreno político para se tornar muito liberal.

 

Embora hoje muitos liberais festejem o fato de que a coroa britânica tenha abraçado a multiculturalidade, a música e cultura de raiz africana, a verdade é que os Windsor voltam a provar que são uma das famílias mais pragmáticas da história, buscando a sua sobrevivência em meio aos temporais, mas sempre com o vento a seu favor.

 

Mantendo-se no poder, os Windsor têm permitido que outros governem aquilo o que conseguiram arrebatar como chefes de Estado vitalícios em 16 países que, juntos, somam mais de um sexto da Terra, e também têm evitado que o seu próprio país tenha conhecido revoluções, guerras ou Invasões.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2018, Pepe Arte Viva Ltda.

 

 *  *  *

 

Homenagem à mãe:

A mulher e o poder em nosso mundo

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

13/05/2018

 

Hoje a chefe de Estado mais comentada do planeta é uma mãe e bisavó, a rainha britânica Elizabeth II, enquanto o seu primeiro-ministro - pela primeira vez em um quarto de século é uma mulher, Theresa May.

Leia também:

Últimos destaques de Via Fanzine

 

Neste domingo, 13/05, foi o dia em que as mamães da maioria das nações americanas recebem vários elogios, numa forma de recompensar o fato de que nos 364 dias restantes do ano o seu papel torna-se marginalizado.

 

Em relação aos pais, elas têm menos rendimentos e empregos, e foram relegadas do controle da terra, nas forças armadas, na religião, nas empresas e no poder.

 

Hoje a chefe de Estado mais comentada do planeta é uma mãe e bisavó, a rainha britânica Elizabeth II, enquanto o seu primeiro-ministro - pela primeira vez em um quarto de século é uma mulher, Theresa May.

 

Também poderosa na União Europeia, está outra senhora, a alemã Angela Merkel. Mas são muito poucas as mulheres, e muito menos, mães, que têm poder no planeta. Somos guiados por homens. Nenhuma delas liderou a Organização das Nações Unidas (ONU), ou comandou qualquer exército com armas nucleares, muito menos presidiu qualquer uma das três maiores repúblicas (China, EUA ou Rússia) e, tampouco liderou alguma das principais congregações mundiais cristãs, muçulmanas.

 

Apenas 1% da terra apropriada do mundo tem uma dona feminina e apenas uma das 100 grandes multinacionais tem uma presidente. De cada seis parlamentares no mundo, um é uma mulher. Por cada 10 países do mundo, menos de um é governado por uma mãe de família.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido e editado por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem : Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2018, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Puigdemont preso:

O que vai acontecer com a Catalunha?

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

26/03/2018

 

A detenção de Puigdemont na Alemanha ocorreu graças aos informes da polícia espanhola que o rastreou.

Leia também:

Últimos destaques de Via Fanzine

 

No domingo (25/03), a polícia alemã prendeu Carles Puigdemont, último presidente do governo catalão e que, sob sua gestão, foi aprovada a declaração unilateral de independência. A detenção aconteceu quando ele voltava de carro da Finlândia para a Bélgica, onde as autoridades daquele país permitiram que ele estabelecesse sua residência.

 

O tribunal de Madrid expediu ordem para colocar Carles Puigdemont sob detenção criminal, pois, para a maioria dos membros do gabinete catalão, ele levantou o processo de separação da Catalunha. Mas, ao contrário do que desejavam vários ministros espanhóis, Puigdemont se livrou da detenção criminal porque que a justiça belga negou o pedido de extradição espanhola.

 

Mas, decidir transitar pelo território alemão pode ter sido um erro de cálculo de Puigdemont ou, talvez, uma medida para provocar uma forte reação internacional à causa catalã, que obtêm simpatias na Bélgica, onde o nacionalismo Flanders é muito forte, e na Finlândia, república que alcançou sua existência após guerras contra Moscou, mas não na Alemanha, uma federação com legislação muito hostil a qualquer separação e que negou o direito da Baviera de fazer seu referendo.

 

Alemanha e Catalunha

 

Na União Europeia (UE), a Alemanha é o Estado mais povoado e de maior poder econômico do bloco. Berlim é a cabeça da UE e do euro. Os partidos do governo de Angela Merkel e Mariano Rajoy pertencem ao mesmo partido pan-europeu. Merkel procura manter a unidade da UE e seus instintos são a favor de colaborar com Rajoy.

 

A detenção de Puigdemont na Alemanha ocorreu graças aos informes da polícia espanhola que o rastreou. Puigdemont está detido na prisão de Neumünster, perto de Kiel, capital e maior cidade do estado alemão de Schleswig-Holstein. A Alemanha deverá decidir dentro de 60 dias se irá repatriá-lo ou não.

 

Contudo, não há 100% de garantia de que Puigdemont será entregue à Espanha, porque nesse processo muitas coisas podem influenciar, inclusive, a legitimidade aos protestos.

 

Enquanto isso, Madrid, busca desmoralizar o separatismo catalão aprisionando vários de seus líderes, enquanto os partidos abertamente pró-independência não atingiram 50% nas últimas eleições catalães e assim, o bloco soberanista ainda não é capaz de formar um novo Governo catalão.

 

Radicalização

 

No entanto, a prisão de Puidgemont vai radicalizar muitos catalães. Assim que isso ocorreu, houve manifestações na Catalunha que resultaram em cerca de cem feridos ou detidos.

 

Quatro parlamentares catalães anticapitalistas da CUP afirmam que se eles podem vir para a mesa do Parlamento, mas com a condição de se proclamar Puigdemont como presidente da República catalã. Para eles, é hora de cessar com mediações e mapas de estradas e a independência deve ser conquistada com a luta frontal nas ruas e pelas ações diretas de massa.

 

Os nacionalistas catalães estão entre se aproximar dessa estrada ou buscar um novo acordo moderado que se junte à variante catalã do Podemos, um partido que não quer independência, mas um referendo para definir a autodeterminação nacional.

 

Independência ainda não é uma exigência que a maioria catalã assume, mesmo em Barcelona e seus arredores há outro movimento que busca separar esta região da Catalunha para ser uma parte direta da Espanha. Há uma década, a independência não era uma bandeira muito popular e, se estiver ganhando terreno e continuar avançando, será quando a população se sentir oprimida ou a democracia lesada.

 

Enquanto isso, o Partido Popular quer permanecer firme em seu desejo de evitar qualquer tipo de referendo catalão e, portanto, prender e processar qualquer um que ouse proclamar a independência. Esse caminho gerou fortes tensões internas e também vem tirando votos, já que parou de liderar as pesquisas.

 

Uma alternativa que poderia ter tomado Rajoy seria a mesma de quando os conservadores britânicos decidiram aceitar o desafio dos separatistas escoceses conclamando para um referendo vencido por eles, evitando assim, a violência.

 

A questão catalã tem se tornado outra batata quente para a UE, já que há apenas 12 meses o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) fora implementado. Uma nova onda de grandes protestos é esperada.

 

A questão catalã, por sua vez, mostra as contradições da própria UE. Ao se expandir para o leste, esse bloco incentivou e financiou a desintegração das três federações "socialistas" (URSS, Iugoslávia e Checoslováquia) para absorver suas oito nações do leste europeu entre seus 28 membros: Estónia, Lituânia, Letónia, Eslováquia, República Checa, Eslovénia, Bósnia e Croácia.

 

Por sua vez, a Alemanha tem sido o principal proponente da separação do Kosovo, que sempre foi uma província e nunca uma república autônoma da Sérvia.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido e editado por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem : Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2018, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Combate ao terrorismo:

O chefe do "Estado islâmico" está morto?

Rússia afirma ter matado o "Califa Ibrahim" e vários de seus principais tenentes.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

21/06/2017

 

Bakr al-Baghdadi, o califa Ibrahim.

Leia também:

Últimos destaques de Via Fanzine

 

Nos últimos três meses, foram promovidos quatro ataques terroristas no Reino Unido. O primeiro foi reivindicado pelo "Estado Islâmico do Iraque e da Síria", grupo assim auto-intitulado (também conhecido na sua região como Daesh ou ISIS), sendo que o último ocorreu na madrugada da segunda-feira 19/06, contra muçulmanos por um racista da extrema direita.

 

Entre as mortes que ocorreram durante o processo eleitoral britânico (Manchester em 22/05 e Londres em 03/06), a Rússia argumenta que desencadeou uma ação mais eficaz contra a cúpula do Estado Islâmico.

 

Moscou e Damasco afirmam que foi executado em 28/05 um bombardeio no sul de Raqqa (a capital síria do Daesh) contra uma suposta conclave do Califado, que teria matado cerca de 30 comandantes e 300 combatentes do Daesh. Um deles seria Abu Bakr al-Baghdadi que, em 2014, foi proclamado como califa Ibrahim para libertar todos os "cruzados" do mundo muçulmano.

 

A Rússia também argumenta que alguns dias depois, em 06 e 08/06 matou outros 180 soldados do Daesh, incluindo dois comandantes importantes nos bombardeios em Deir ez-Zor.

 

Se forem verdadeiros esses relatórios, Putin teria dizimado cerca de cinco centenas de combatentes do Daesh, contendo a maior parte de sua liderança e seu líder supremo, a quem os EUA colocam como o número um em sua lista de "terroristas mais procurados do mundo". Ao contrário de seu mestre Bin Laden, Abu Bakr al-Baghdadi tem sido capaz de proclamar um Estado independente, com milhões de pessoas, detendo muitos bilhões de dólares em reservas e ordenando mais de 100 mil combatentes.

 

Significado

 

Na sua maior expansão, o "Estado islâmico" reivindicou o terço ocidental do Iraque e o terço oriental da Síria, parte do centro da Líbia e territórios no Afeganistão e na Nigéria - até mesmo para controlar as cidades natais dos ditadores mortos na Líbia (Kadafi) e Iraque (Sadan).

 

No entanto, o Daesh sofreu golpes pesados, enquanto suas duas capitais (Raka na Síria e Mosul no Iraque) estão sendo cercadas por diversas forças que variam desde tropas curdas e pró-EUA até xiitas pró-Irã, além de soldados de Assad, apoiados por logística e bombardeios russos.

 

O Daesh representa a terceira onda de jihadismo (partidários da guerra santa contra os sunitas, o judaico-cristianismo e os hereges xiitas). Primeiramente, para derrotar a invasão soviética do Afeganistão, na qual os EUA, Paquistão e a Arábia financiaram e treinaram a Al Qaeda. Depois Bin Laden rompeu com seus parceiros americanos, que atacaram, promovendo a invasão da OTAN no Afeganistão. E por fim, a maioria das forças ligadas à Al Qaeda no Iraque e na Síria rompeu com esta organização e se proclamou como um "Estado" (islâmico) que deveria, então, controlar um território tão grande quanto à Inglaterra.

 

Quando Bin Laden morreu naquele afetado, mas não destruído jihadismo, a Al Qaeda deixou de crescer, dando lugar a setores mais radicalizados, como o Daesh, que cresceu rapidamente. Uma eventual morte do "Califa Ibrahim" e sua política abateria muito o Daesh, mas isso não envolveria a morte de jihadismo, que ainda está se espalhando a outras partes do mundo e poderá dar lugar a novos hierarcas.

 

Base social

 

É um equívoco simplista pensar que o jihadismo é apenas um movimento terrorista. Terror é apenas um método  usado, mas sua tendência traz raízes ainda mais fortes. É verdade que os jihadistas em certos momentos se aproveitaram da OTAN, atacaram seus inimigos "socialistas" dentro do Islã, assim como os governos pró-soviéticos no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria, e receberam apoio financeiro ou várias fortunas militares da península Arábica, sobretudo, porque o movimento expressa profundo descontentamento contra o Ocidente.

 

O fato de o Estado Islâmico  conquistar (em 2014) tão rapidamente um terço da Síria e outro do Iraque tem mantido ali o eixo de seus territórios (incluindo Mosul, a segunda maior cidade do Iraque) e mostra que eles têm um apoio social significativo.

 

Se durante os movimentos armados da Guerra Fria que confrontaram as potências ocidentais havia uma tendência a ter uma ideologia socialista secular, do sexo feminino pró-libertação, republicana; quando Moscou rompeu com o "comunismo" e reintroduziu o capitalismo, todos esses movimentos de confronto foram à procura de um compromisso com o Ocidente e suas democracias pró-mercado.

 

Em seguida, o descontentamento contra Israel e as antigas potências que ocuparam o Oriente Médio (como Reino Unido anteriormente dominando o Egito, Sudão, Israel-Palestina, Jordânia, Iraque e Kuwait; e a França, que dominou a Síria e o Líbano) e o fato de os EUA constantemente se aventurar naquela região, começou a canalizar tais descontentamentos anti-ocidente até os movimentos clericais que postulam economias autárquicas e o retorno ao conservadorismo social.

 

O Estado Islâmico expressa de uma forma distorcida que esse descontentamento contra o Ocidente e contra a forma como Paris e Londres distribuíram o Oriente Médio, criaram uma fronteira artificial entre as repúblicas atuais da Síria e do Iraque, que são desafiadas a ser unificadas sob o seu controle em áreas contíguas de ambos os países.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido e editado por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem : Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2017, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Atentados:

Como ataques podem influenciar às eleições?

Nunca houve tantos ataques de maneira tão rápida e indiscriminadamente

contra civis britânicos após a Segunda Guerra Mundial.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

07/06/2017

 

Corbyn e May: disputa pelo poder no Reino Unido.

Leia também:

Últimos destaques de Via Fanzine

 

No espaço de dois meses e meio houve três ataques à Inglaterra perpetuados por "combatentes" do Estado Islâmico, grupo também conhecido como Daesh, por sua sigla em árabe.

 

Nunca houve tantos ataques de maneira tão rápida e indiscriminadamente contra civis britânicos após a Segunda Guerra Mundial. O Estado Islâmico pretende tornar-se um novo partido a atuar nas eleições do Reino Unido, não através das urnas, mas com suas armas.

 

A resposta do governo é dizer que apenas os conservadores são capazes de aferir mais controle sobre as redes sociais e a Internet, além de medidas para interrogar suspeitos por mais tempo. Estas questões são geralmente contestadas por organizações de Defesa e dos Direitos Humanos.

 

Os conservadores também argumentam que Corbyn não deseja investir em armas nucleares e está desarmando o país, diante a possíveis ataques, assinalando que, se necessário, estariam dispostos a lançar essas mesmas bombas contra milhares de civis. Os conservadores acusam seu adversário por seu histórico de conversações com o IRA irlandês e o Hamas palestino, lembrando que, anteriormente, Thatcher o acusara, juntamente com Livingstone, de ser um aliado do "Mandela terrorista".

 

Corbyn

 

Corbyn retrucou afirmando que armas nucleares não criam paz, senão massacres. Disse que tratou das negociações de paz sem fomentar a violência junto a esses grupos. Afirmou que May é que viajou à Arábia Saudita para vender um lote de armas, enquanto vários relatórios apontam que esta teocracia - como outras monarquias absolutistas da península Arábica - está investindo fortunas na promoção do extremismo muçulmano. Isso tem ocorrido desde a década de 1970, quando um membro de uma das mais ricas famílias sauditas (Bin Laden) foi insuflado a criar a Al Qaeda.

 

Corbyn argumenta que agora os ataques têm sido ajudados por guerras ocorridas no mundo muçulmano, as quais geraram um vazio no poder, além de ressentimentos, bem como os cortes de milhares de policiais e no orçamento da polícia.

 

Debate

 

Nos últimos dias, a discussão sobre a questão da segurança tem sido largamente debatida. Enquanto os conservadores tentam retratar seus oponentes como fracos ou amigos dos terroristas, o Partido Laborista (Trabalhista) aponta os cortes do governo que privaram a polícia de mais profissionais e de melhorias nos serviços de inteligência.

 

As questões de segurança normalmente ajudam a fortalecer, ao propor uma direita mais dura, como antes da luta contra o terrorismo, algo que incentivou o surgimento de Fujimori no Peru, Uribe na Colômbia, Bush nos EUA e Netanyahu em Israel.

 

No entanto, também foi capaz de gerar um efeito inverso. Foi o que aconteceu na Espanha, em 11 de março de 2004, quando houve uma chacina da Al Qaeda em Madrid. Uma semana e meia, depois, o eleitorado, que inicialmente havia apoiado o Partido Popular (governista conservador) acabou por eleger os socialistas, que acusavam os governistas de ter causado tal ataque, ao intervir militarmente no Oriente Médio, propondo ainda a retirada das suas tropas de lá, para restaurar a segurança interna.

 

Quem se beneficiaria?

 

Até o momento, May vem sendo questionada até mesmo por alguns dos principais ex-funcionários da Polícia, uma vez que os cortes feitos na Inteligência privaram esse órgão de obter dados e ações em prol do policiamento local.

 

Corbyn exigiu a renúncia da primeira-ministra May, a quem ele diz ter enfraquecido a força policial em seus seis anos no Ministério do Interior. Os prefeitos trabalhistas de Londres e Manchester ganharam destaque, exigindo calma e fornecendo segurança às suas populações.

 

Os ataques não reduziram a tendência eleitoral no sentido de diminuir gradualmente a diferença entre conservadores e trabalhistas. A campanha eleitoral começou com uma primeira-ministra muito popular e dobrando as intenções de voto ante a liderança de uma oposição fragmentada, elevando a diferença entre 20 a 25 pontos percentuais. Agora, essa diferença diminuiu (em algumas pesquisas, caíram para até menos de 10 pontos). Uma pesquisa no diário “Independent” diz que, se os eleitores jovens (que geralmente não são obrigados a votar) votassem em massa nos trabalhistas, este partido poderia vencer por até três pontos de vantagem.

 

Estabilidade e segurança

 

Esse tem sido o tema central da campanha de May. A resposta do Estado Islâmico é a sua participação neste processo eleitoral, mostrando que May não pode trazer estabilidade ou segurança, pois a qualquer momento a organização terrorista se mostra capaz de produzir sérios ataques, como o ocorrido em 22 de março passado, lançado contra o mesmo Parlamento Britânico, no qual a primeira-ministra se encontrava no seu gabinete.

 

May, por sua vez, vai querer mostrar que veste o manto de Thatcher, que demonstrou alta capacidade para controlar e derrotar o IRA que havia invadido as Malvinas.

 

A autoridade de May tem sido amplamente enfraquecida por esses ataques e isso deverá refletir nas urnas nessa quinta-feira, 08/06. Se ela conseguir superar o número de parlamentares conservadores irá garantir uma vitória, porém, se este número baixar, ela perderá a maioria absoluta e seu novo governo começaria com o pé esquerdo. Além disso, existe ainda a possibilidade de surgir um parlamento dividido, fazendo com que o Partido Trabalhista possa ser o mais viável a formar um novo governo.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido e editado por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem : Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2017, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Urnas eleitorais:

Eleições polarizadas na Grã-Bretanha

Desde 1930 existem dois partidos alternativos no governo, o dos conservadores e dos trabalhistas. No entanto, em 1983 este bipartidarismo tradicional começou a ser questionado quando a direita do Partido Trabalhista firmou parceria com o liberalismo da minoria para formar o que hoje seria o Partido Liberal Democrático,

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

13/05/2017

 

Esta tendência para o crescimento de uma terceira força parece ter sido contida

e revertida nas próximas eleições a serem realizadas no dia 8 de junho.

Leia também:

Últimos destaques de Via Fanzine

 

O sistema britânico é projetado somente para ter duas partes principais: o governo e a oposição. Como os 650 parlamentares não são eleitos na proporção dos votos recebidos nacionalmente, mas refletindo cada um dos 650 distritos eleitorais no Reino Unido, o vencedor costuma ficar com ele.

 

Isso se reflete na natureza da Câmara dos Comuns, que não é um semicírculo, onde seus membros refletem mais ou menos a percentagem dos votos, mas são duas bancadas e uma é a oficial, que geralmente controla um adversário pela maioria absoluta e domina com um único líder e seu gabinete.

 

Desde 1930 existem dois partidos alternativos no governo, o dos conservadores e dos trabalhistas. No entanto, em 1983 este bipartidarismo tradicional começou a ser questionado quando a direita do Partido Trabalhista firmou parceria com o liberalismo da minoria para formar o que hoje seria o Partido Liberal Democrático, que nessas eleições gerais obteve 25,4%.

 

Então, em 2010, Nick Clegg fez essa formação e quase voltou a repetir esse número, chegando a obter 9% do parlamento, tornando-se a força que acabou escolhendo entre o trabalhista Gordon Brown e o conservador David Cameron na disputa para é o primeiro-ministro, vencendo este último.

 

A questão da Brexit também lançou a formação de um novo partido, o UKIP, que passou a ganhar as últimas eleições europeias no Reino Unido por três anos e exceder quatro milhões de votos nas eleições gerais de 2015.

 

Esta tendência para o crescimento de uma terceira força parece ter sido contida e revertida nas próximas eleições a serem realizadas no dia 8 de junho.

 

O liberalismo arrebatou mais de um quinto dos votos na eleição geral, tendo os Tories cooptados em seu governo e, portanto, desacreditando-os. A UKIP, em seguida, acabou perdendo a grande maioria dos seus eleitores quando Theresa May adotou as posições pró-Brexit deste partido nas eleições locais de maio, perdendo todos os seus mais de 140 conselheiros em todo o país.

 

Para esta eleição, nas pesquisas, a UKIP perfaz apenas 5% (em comparação com cerca dos 30% obtidos pelos deputados em 2014) e o liberalismo geralmente não atingiria os 10%, sendo que o primeiro não obteria qualquer parlamentar e o segundo poderia apenas chegar a 3% do número de parlamentares.

 

O que estamos vendo é um novo processo de polarização entre conservadores e trabalhistas, que também promovem May e Corbyn. A primeira diz que a alternativa está entre a cabeça de um "governo estável e forte", e a segunda diz que há apenas duas possibilidades: ou continuar com o governo dos poucos, ou estar com ele para defender muitos.

 

Neste cenário não é fácil prever um avanço dos Liberais e os Verdes que, poderiam talvez, obter apenas dois assentos.

 

Mas a situação é diferente fora da Inglaterra. Na Irlanda do Norte, nenhum dos principais partidos britânicos tem presença e polarização pode ocorrer entre unionistas e nacionalistas.

 

No País de Gales a grande surpresa é que o Partido de Gales, que ficou em segundo lugar nas eleições locais e poderia relegar os Tories ao terceiro lugar, o PES e pesquisas eleitorais haviam previsto que os conservadores venceriam naquele país em uma eleição geral pela primeira vez em um século e meio.

 

O Partido Nacional Escocês governa o país, geralmente recebe mais de 40% dos votos e em 2015 obteve 56 de seus 59 assentos em Westminster. A questão agora é que poderá ser o segundo partido mais votado Unionista. Tanto o SNP e os conservadores que procuram uma polarização à custa do trabalhismo - que há uma década estava lá o partido da maioria e berço de seus dois últimos primeiros-ministros (Blair e Brown). Os conservadores dizem que estão melhor posicionados para enfrentar a tentativa de a SNP para pedir um segundo referendo, já que a SNP pró-independência diz que eles são os únicos que podem defender a Escócia contra os ajustes.

 

O trabalhismo é a primeira força no País de Gales, a segunda na Inglaterra e a terceira na Escócia. Os conservadores são a primeira força na Inglaterra, a segunda na Escócia e a terceira no País de Gales. Se o trabalho se move da segunda para a primeira força na Inglaterra vai ganhar as eleições e se os Tories impedirem de remover o segundo na Escócia continuará a ser uma força significativa. Os conservadores, no entanto, vão avançar para vencer, mas um sintoma de sua força seria terminar em segundo na Escócia e no País de Gales.

 

May chama para uma polarização entre eles e o Partido Trabalhista na Inglaterra e no País de Gales, que também promove Corbyn por lá. Entretanto, no caso da Escócia ambos buscam uma polarização diferente.

 

Se os franceses votarem em sua primeira escolha no primeiro turno isso deverá causar um mal menor no segundo, pois no Reino Unido muitos tenderão ao voto único.

 

Isso deve afetar os liberais e pode enterrar a UKIP. Com esta tentativa de polarizar o Reino Unido entre ela e Corbyn, ambos procuram eliminar o centro. May deverá chefiar e Corbyn aspira surpreendê-lo e, se não vencer, ficará na liderança do trabalhismo por um período de cinco anos.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido e editado por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem : Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2017, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Catolicismo:

Reflexões históricas sobre a Páscoa

O continente natal do Catolicismo é a Ásia, e também o único onde os cristãos não são a maioria religiosa, mas a quarta religião. Atualmente, menos de 10% da população das terras bíblicas comemoram Páscoa.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

16/04/2017

 

Nem Jesus ou qualquer pessoa - de milhares de pessoas narradas pela Bíblia - sabia

que existiria as Américas, seus povos e civilizações.

Leia também:

Últimos destaques de Via Fanzine

 

O continente que mais comemora a Semana Santa é o americano, o último a ter conhecido o cristianismo, mas onde hoje estão cerca de 95% das 900 milhões de pessoas educadas nesse credo. Paradoxalmente, o continente com o menor percentual de pessoas que celebram este feriado é justamente aquele em que Jesus viveu e morreu e onde foram escritos os dois Testamentos.

 

O continente natal do Catolicismo é a Ásia, e também o único onde os cristãos não são a maioria religiosa, mas a quarta religião (após o islamismo, hinduísmo e budismo). Atualmente, menos de 10% da população das terras bíblicas comemoram a Páscoa.

 

Nem Jesus ou qualquer pessoa - entre as milhares de pessoas narradas pela Bíblia - sabia que existia as Américas, seus povos e civilizações, sua fauna ou seus produtos nativos como, milho, batata, tomate, chocolate, baunilha e outros.

 

Os primeiros cristãos chegaram ao continente em torno do primeiro milênio d.C., quando os Vikings ancoraram na Groenlândia. No entanto, somente mais de cinco séculos depois é que os cristãos descobriram as grandes culturas ameríndias, com suas pirâmides, templos, perus, lhamas, pontes suspensas e outras coisas tão típicas.

 

A maneira pela qual as terras bíblicas se descristianizaram e como as Américas foram evangelizadas foi muito diferente.

 

De acordo com Alberto Houroni, em seu livro “História dos Povos Árabes”, os muçulmanos conquistaram rapidamente o Oriente Médio nos séculos VII e VIII, em parte, devido ao apoio de várias congregações cristãs que desejavam escapar do domínio de outra igreja. Além disso, a igreja nestoriana se tornou a maior do mundo (desde o Mediterrâneo até a China) graças à proteção dos califas. Em seus dois primeiros séculos, o Islam somava 10% da população do Oriente Médio. Mas, a fé muçulmana cresceu rapidamente pregando Jesus como profeta (mas não como Deus) e oferecendo dízimos mais baixos aos convertidos.

 

Durante as Cruzadas muitos cristãos foram massacrados tanto pelos muçulmanos como pelos próprios cruzados.

 

Por sua vez, o Cristianismo prevaleceu nas Américas com muita violência. A chegada dos europeus ao Novo Mundo trouxe epidemias que dizimaram os nativos americanos e, em seguida, a inquisição perseguiu outras religiões e igrejas construídas em templos indígenas. No entanto, vários ritos pré-colombianos, sobreviveram sob a forma de santidades, procissões e festas.

 

Do México, vieram os missionários que transformaram as Filipinas na maior nação católica no Velho Mundo, onde muitos fiéis se auto crucificam durante a Semana Santa.

 

Na América Latina, o Catolicismo se safou de ser ceifado pelas religiões nativas, pelo Islã ou o socialismo ateu, mas não pelo seu principal concorrente: as centenas de novas igrejas cristãs evangélicas, que comemoram suas próprias festividades pascoais e, em alguns cultos, até mesmo sem venerar a santa cruz.

 

I.N.R.I. - Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus

 

A cada "Semana Santa" recorda-se o martírio de Jesus em uma cruz com a inscrição "Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum" (Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus). Esta é uma frase no idioma romano mostrando que Jesus foi executado por esse império, acusado de querer ser o soberano do povo e das religiões judaicas.

 

Hoje um terço da humanidade considera Jesus como divino (os cristãos) e entre um quinto e um quarto como um profeta (os muçulmanos), mas em muitas das vezes confunde-se as ideias que ele pregava com as ideias de seus próprios atuais seguidores.

 

Tal como a sigla INRI confirma, Jesus morreu como judeu, credo em que nasceu, cresceu e do qual nunca se afastou. Como tal, seus costumes foram muito diferentes aos da esmagadora maioria dos milhares de milhões de crentes que o veneram atualmente.

 

O celibato sacerdotal, o natal, as missas, a Santíssima Trindade, os santos, o purgatório, o papado, a adoração de imagens, o calendário cristão, as cruzadas e outros estímulos ao catolicismo são coisas que Jesus desconheceu e que foram sendo incorporadas à maior religião ocidental, mas somente vários séculos após a sua crucificação.

 

As imagens que o representa com rosto europeu é algo que não se apega à realidade. Uma pesquisa da BBC mostrou que o mais provável é que Jesus teria a face parecida com a de outros semitas da Palestina há dois milênios, sob uma pele obscurecida pelo calor do deserto.

 

A Bíblia fala do nascimento de Jesus e de períodos anteriores à sua morte, mas não narra sobre a sua infância e juventude junto aos seus irmãos. No entanto, em nenhum momento menciona que ele tivesse se afastado do culto judaico.

 

Consequentemente, ele deve ter sido circuncidado e realizado as diversas festividades e jejuns hebreus (coisa que hoje 99% dos seus seguidores não mais praticam); considerando-se que os dias tinham início com o começo da escuridão noturna (e não à meia-noite) e que o dia guardado para o descanso era o sábado (onde não se podia cozinhar ou montar) e não o domingo.

 

Eram regidos pelo calendário lunar israelita, cujo ano novo ocorre entre setembro e outubro e é celebrado com orações e depois com um jejum seco de 24 horas. Nas suas refeições só podiam ingerir carne com sangue as autoridades religiosas seguindo os rituais judaicos. Era proibido combinar tais alimentos com leite ou ingerir carne de porco ou frutos do mar. Na última ceia, provavelmente teriam comido o pão-biscoito sem fermento (matzá) com o qual os israelitas lembram-se da travessia de Moisés.

 

Os discípulos de Jesus têm livros sagrados em idiomas distintos como o latim, grego, hebraico, árabe, copta, armênio, etíope, além de várias linguagens modernas, embora poucos milhares atualmente rezem em algum dialeto da língua original que ele pregou os seus sermões: o aramaico.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido e editado por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem : Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2017, Pepe Arte Viva Ltda.

 

 *  *  *

 

Eleições:

O Peru seguirá o exemplo da Áustria?

Em ambas as nações da valsa, a extrema direita cresceu graças ao desgaste de governantes que  chegaram ao poder com os votos da esquerda e alienaram suas configurações de base social.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

24/05/2016

 

Enquanto na Áustria, Norbert avançou pedindo dureza com os imigrantes,

no Peru, Fujimori disse que fará o mesmo com a criminalidade.

Leia também:

Últimos destaques de Via Fanzine

 

Áustria e Peru são os únicos países do mundo que vieram a ter o primeiro e segundo turno das eleições quase ao mesmo tempo. As duas repúblicas com bandeiras branca e vermelha também têm compartilhado vários fenômenos comuns.

 

Nas eleições peruanas de 10 de Abril a filha do ex-autocrata, Keyko Fujimori venceu com 32,64% dos votos expressos, quando todos os partidos que governaram o período pós-ditatorial foram minimizados, após o terceiro governo. Os social-democratas e socialistas cristãos juntos com Alan tiveram somente 4,77%.

 

Nas eleições austríacas em 24 de Abril, os dois partidos que se alternavam no poder desde o fim do nazismo (social-democratas e social-cristãos) caíram após obter o terceiro lugar e a primeira volta foi vencida com 35% de Norbert Hofer do FPO (um partido fundado em 1956 por comandantes da SS de Hitler que estiveram na prisão por seus massacres).

 

Em ambas as nações da valsa, a extrema direita cresceu graças ao desgaste de governantes que chegaram ao poder com os votos da esquerda e alienaram suas configurações de base social. Enquanto na Áustria, Norbert avançou pedindo dureza com os imigrantes, no Peru, Fujimori disse que fará o mesmo com a criminalidade.

 

No entanto, entre as duas repúblicas que antes foram governadas pela monarquia dos Habsburgo existem três diferenças:

 

1) Se na Áustria os votos brancos e nulos foram poucos, no Peru venceu nas eleições para o Congresso e Parlamento e terminaram em segundo para a presidência.

 

2) Se na Áustria o parlamento bicameral está dominado por partidos democratas eleitos proporcionalmente, no Peru, o Congresso unicameral tem menos poder que o executivo e um partido com menos de 25% dos votos deverá controlar mais de 56% de suas cadeiras.

 

3) Se no primeiro turno peruano de 10 de Abril a direita liberal (PPK) ficou em segundo lugar com 17,23%, no primeiro turno austríaco de 24 de Abril o segundo lugar trouxe o centro-Alexander Van der Bellen, com  21%.

 

Em ambos os países a candidatura de extrema direita venceu por 14-15 pontos com um economista septuagenário.

 

No turno final austríaco, em 22 de Maio, Alexander cresceu 30 pontos vencendo com uma vantagem de apenas 0,7%, tornando-se o primeiro presidente verde do mundo.

 

O que aconteceu na Áustria mostra que é possível transpor a vitória inicial da direita dura.

 

O PPK poderia repetir o mesmo no segundo turno peruano, em 5 de junho. Mas, enquanto Alexander nunca se envolveu com os pós-nazista da FPO, ele depende dos setores desfavorecidos e transpõe sua desvantagem inicial, prometendo reformas sociais, enquanto o PPK apoiou Keiko Fujimori na presidência passada (2011), cujo programa econômico é semelhante ao pilar social dos mais ricos.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido e editado por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem : Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2017, Pepe Arte Viva Ltda.

 

*  *  *

 

Guinadas da esquerda:

Sadiq triunfa em Londres e Dilma cai no Brasil

No Brasil e em Londres a esquerda assinala caminhos diferentes.

 

Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

16/05/2016

 

Simultaneamente, a sorte foi revertida no caso dos dois mais importantes

partidos trabalhistas no mundo: o dos britânicos e o dos brasileiros.

Leia também:

Últimos destaques de Via Fanzine

 

Em agosto, a tocha olímpica será passada de Londres para o Rio. E, de forma interessante, em ambas as cidades, políticos caminharam para lados opostos da mesma semana.

 

Na segunda semana de maio a esquerda se sobrepôs à direita na Prefeitura de Londres, enquanto na República do Brasil aconteceu o oposto.

 

Nas eleições britânicas da quinta-feira, 05/05, o partido Laborista liderado por Jeremy Corbyn ganhou um ponto percentual sobre o conservadorismo, recebendo a maior vitória que um partido jamais arrebatara em uma eleição à prefeitura. Os laboristas arrancaram 14 pontos de diferença sobre os conservadores e na Assembleia de Londres deteve 50% a mais de parlamentares sobre eles.

 

Zac Goldsmith, o golfinho Boris Johnson, foi derrotado pelos conservadores perderam a Câmara Municipal, após oito anos de controle.

 

Em contraste, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi temporariamente suspensa do cargo durante os próximos seis meses, quando uma investigação deverá determinar se ela estará apta para reassumir o poder.

 

Simultaneamente, a sorte foi revertida no caso dos dois mais importantes partidos trabalhistas no mundo: o dos britânicos e o dos brasileiros.

 

Enquanto os vermelhos venceram amplamente as eleições de Londres, no Brasil foram removidos do poder sem a intervenção de eleições. No maior país da América Latina foram as assembleias de deputados e senadores que decretaram o impedimento de Dilma, no que ela descreveu como um "golpe parlamentar". Seria algo que a esquerda denunciou como a mesma modalidade que teria sido usada bem antes, em Honduras e no Paraguai para destituir governos constitucionais eleitos pelo voto popular.

 

No entanto, quem assumiu a presidência e que vai comandar o país durante os Jogos Olímpicos será Michel Temer, um homem que chegou à vice-presidência graças ao agora deposto Partido dos Trabalhadores (PT).

 

O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) de Temer é um dos dois criados na ditadura militar (1964-1985). O PMDB somente uma vez assumiu a presidência por mandato popular (1985-1990). Posteriormente, o partido participou na maior parte dos governos federais posteriores. O PMDB esteve junto com a maioria dos presidentes, enquanto o PT era oposição, mas, em seguida, o PT chegou ao poder. Demonstrando capacidade para atuar junto ao poder, mas recebeu alegações de corrupção.

 

Enquanto a maioria dos parlamentares suspendeu Dilma da presidência, ela que se tornou a mulher mais votada da história do mundo, não sustenta nenhuma acusação de fraude.

 

Os governos de esquerda latino-americanos estavam divididos entre aqueles que seguiram o modelo chavista e formaram a Aliança Bolivariana (Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e quatro antilhanos Unidos) e aqueles que seguiram o exemplo lulista (Brasil, Uruguai, Chile, El Salvador). Enquanto o primeiro procurou concentrar o poder em um partido para falar de socialismo e anti-imperialismo, o segundo foi moderado e co-governado com frações do centro para a direita.

 

O PT brasileiro não fez muitas mudanças em suas sociedades, a população começou a culpa-lo pela corrupção e a mais recente recessão dessa nação, e o PMDB terminou como um corvo que tirou-lhe os olhos. E o PT finalmente permitiu remover sua mandatária, sem buscar um movimento de massas, uma greve geral ou uma revolução.

 

Hoje, o novo governo brasileiro busca receitas atrás de incentivos ao investimento privado e restringindo salários e pensões. O PT, por sua vez, se limitou a dizer que respeitará a lei, esperando que o novo governo se "queime" ao implementar medidas políticas duras.

 

No caso britânico, Corbyn representa a liderança da esquerda através do Partido Laborista desde os anos de 1980. Sua estratégia é radicalizar o partido e colocá-lo em posição de confronto com os Tories. Só então ele vai empolgar os trabalhadores que teriam o abandonado para apoiar o nacionalismo inglês (UKIP) ou à esquerda dos escoceses e galeses.

 

O que aconteceu no Brasil e em Londres dariam duas leituras conflitantes sobre a esquerda. Para obter suportes e se aproximar de uma orientação, Blair receita tipo a seguir será a Sadiq e para aqueles que acreditam que dar muitas concessões para o centro leva a sucessos como no Brasil, que se aprofundou no modelo defendido Jeremy.

 

E se o Trabalhismo é bater entre duas almas, o conservadorismo está em uma crise pior, aquele em que seus dois principais líderes estão nos extremos, Cameron comandando o lado do Sim no referendo europeu e Johnson o lado do Não.

 

* O professor Isaac Bigio é analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido e editado por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem : Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2017, Pepe Arte Viva Ltda.

 

 

 
     
PÁGINA INICIAL HOME
 

 

 

 

 HOME | ZINESFERA| BLOG ZINE| EDITORIAL| ESPORTES| ENTREVISTAS| ITAÚNA| J.A. FONSECA| PEPE MUSIC| UFOVIA| AEROVIA| ASTROVIA

© Copyright 2004-2018, Pepe Arte Viva Ltda.

Motigo Webstats - Free web site statistics Personal homepage website counter