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Oleg Dyakonov

 

1913-2013:

Centenário da redescoberta da Cidade Perdida da Bahia

 Em memória ao coronel e doutor Daniel Robert O’Sullivan Beare,

um esquecido explorador das cidades perdidas do Brasil.

 

Por Oleg I. Dyakonov *

De Moscou/Rússia

Para Via Fanzine

02/04/2013

 

Detalhe da Cidade Perdida referenciada no Documento 512, em desenho do artista soviético

May Mitúritch para a revista «Вокруг света» (“Ao Redor do Mundo”), # 9, 1960,

ilustrando a publicação russa de “As Minas Perdidas do Muribeca”, por P. H. Fawcett.

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Este ano gostaríamos de comemorar um notável, mas esquecido centenário na história das buscas pelas misteriosas cidades perdidas do Brasil: o da suposta redescoberta da famosa Cidade Abandonada do Documento 512 (1754), em 1913, pelo coronel e doutor britânico Daniel Robert O’Sullivan Beare, de origem irlandesa, precursor e orientador do também coronel britânico, o grande Percy Harrison Fawcett.

 

O’Sullivan Beare, um talentoso médico, militar e diplomata, foi também um intrépido buscador de cidades perdidas do Brasil. Há muito que as suas pesquisas nesse campo caíram no esquecimento. Não apenas por O’Sullivan Beare ficar para sempre na grandiosa sombra de Fawcett, seu continuador, mas principalmente pelo fato de restar pouquíssimas informações sobre as suas pesquisas arqueológicas, sendo quase a única fonte destas, o próprio Fawcett. Ousaremos afirmar que no presente artigo estão reunidos quase todos os dados referentes às buscas pelas cidades perdidas do Brasil, empreendidas pelo coronel O’Sullivan Beare que, aliás, é mais conhecido por outros feitos relevantes.

 

Podemos afirmar com alto grau de certeza que o coronel O’Sullivan Beare visitou algum sítio no interior do Estado da Bahia, que teve muita semelhança com a povoação ou a cidade abandonada descrita pelos bandeirantes em 1753 no famoso Documento 512. E também que esse mesmo sítio teria sido visitado posteriormente pelo coronel Fawcett, que confirmou a veracidade do achado de O’Sullivan Beare, recuperando a sua fé nas cidades perdidas do Brasil e, aparentemente, obtendo motivos para promover uma nova expedição. Esta, lamentavelmente viria ser fatal, pois seria a mesma expedição de 1925, na qual ele desapareceu misteriosamente, juntamente com os seus dois companheiros.

 

Vamos olhar, então, para as fontes.

 

Coronel Fawcett conhece o relato do Documento 512

 

Em fevereiro de 1920, um ano e três meses depois do término da Primeira Guerra Mundial, o coronel Percy Fawcett retorna à America do Sul, seguindo desta vez direitamente para o Brasil. Passa seis meses no Rio de Janeiro, preparando-se para uma nova expedição, a sétima no total, mas a primeira dedicada exclusivamente às buscas de cidades perdidas.

 

Segundo relata o pesquisador britânico Misha Williams, que consideramos o maior estudioso da vida de Fawcett na atualidade, o coronel foi levado a buscar vestígios de pré-civilização no Brasil, após receber pela primeira vez a cópia do Documento 512 na tradução inglesa, que lhe forneceu o seu amigo mais próximo, Harold Large, em 1919. Em nossa opinião, tratar-se-ia mais provavelmente da primeira tradução do documento para o inglês, feita por Lady Isabel Burton, esposa do famoso escritor e explorador Sir Richard Francis Burton, que incluiu essa tradução como apêndice no seu livro “Explorações dos Planaltos do Brasil” (“Explorations of the Highlands of Brazil”, 1869).

 

Na sua resposta a Large, datada de 15 de maio de 1919, Fawcett escreveu: “Oh, Homem Misterioso. Onde recopilou você  as suas informações do encoberto? É claro que esta é a cidade, ou uma delas. As curiosas letras gregas descritas devem ser indício suficiente de suas origens atlantes”. Vale notar aqui que Large era uma espécie de mestre espiritual para Fawcett, sendo os dois homens membros de círculos teosóficos e místicos.  

 

Vamos lembrar brevemente ao leitor do conteúdo do Documento 512, cujo título exato é “Relação histórica de uma occulta e grande povoação antiquissima sem moradores, que se descobriu no anno de 1753”. Nele, narrava-se a aventura de uma companhia de exploradores que andavam na trilha das decantadas minas de prata de Muribeca. Em 1753, após 10 anos de infrutíferas buscas no sertão da Bahia, encontraram uma serra que brilhava por seus numerosos cristais, e do outro lado dela, havia um campo raso, com ruínas de uma majestosa cidade, com arcos, pórticos, uma rua de bom comprimento, uma praça, um palácio e um templo. No meio da praça, se erguia uma gigantesca coluna de pedra preta com a estátua de um homem em cima. Tal estatua apontava com uma mão para o norte.

 

Ilustração mostra a entrada dos bandeirantes na Cidade Perdida, em desenho do artista soviético

May Mitúritch para a revista «Вокруг света» (“Ao Redor do Mundo”), # 9, 1960,

ilustrando a publicação russa de “As Minas Perdidas do Muribeca”, por P. H. Fawcett.

 

A cidade parecia estar destruída por um terremoto, pois a maior parte dela estava sepultada em enormes aberturas na terra.

 

Os aventureiros conseguiram copiar várias inscrições em caracteres misteriosos, que estavam gravados nos edifícios da cidade, reproduzindo-os no texto da Relação. Três dias de caminhada da cidade pelo rio abaixo, ao lado de uma catadupa, eles encontraram covas que pareciam antigas minas de prata abandonadas, e sobre as lajes de lá, também apareciam inscrições enigmáticas. Nas proximidades do rio, os aventureiros encontraram boa pinta de ouro e prata.

 

O documento está danificado, em parte pelos cupins e por isso, jamais se pôde saber o nome do autor e a localização desse misterioso achado. É pouco sabido que existem também outras comunicações tratando aparentemente do mesmo sítio, sem ligação alguma ao Documento 512, mas oficialmente a Cidade Perdida da Bahia jamais foi redescoberta alguma vez.   

 

Fawcett apelidou de ‘Francisco Raposo’ o desconhecido autor do relato da cidade perdida, unicamente, para se referir a ele com algum nome, mas sem acreditar em nenhum momento que o autor do manuscrito em questão se chamasse assim realmente. Apesar da clara nota de Fawcett a respeito, alguns pesquisadores ainda chegam a afirmar erroneamente que o tal ‘Francisco Raposo’ teria sido um bandeirante real do século XVIII. Definitivamente, não o era.

 

O Documento 512 foi para Fawcett um testemunho decisivo de que as antigas cidades perdidas devem de ser procuradas nas terras brasileiras. Referindo-se às suas expedições justamente antes da guerra, ele lamentava: “Caso eu soubesse então do documento que contém o relatório da Cidade Perdida de Raposo, poderia ter salvado muito tempo perdido nas matas da Bolívia” (“Exploração Fawcett”).

 

O encontro com O’Sullivan Beare

 

No Rio de Janeiro, Fawcett conhece um compatriota que sofria de câncer progressivo. Um pesquisador ainda mais misterioso do que o próprio Fawcett, o coronel Daniel Robert O’Sullivan Beare ocupava então o cargo de cônsul-geral da Sua Majestade Britânica no Rio de Janeiro. Ele foi o primeiro britânico a seguir em busca das misteriosas cidades antigas do Brasil. Talvez ele fosse mesmo um parente distante de Percy Fawcett, segundo os dados de Misha Williams, pois o sobrenome Sullivan é encontrado entre os antepassados irlandeses da mãe de Fawcett​​.

 

É curioso constatar que o redescobridor da cidade perdida da Bahia teve antecessores reais e mitológicos. O’Sullivan (em irlandês, Ó Súileabháin ou Ó Súilleabháin) ou simplesmente Sullivan, é um sobrenome irlandês, associado com a parte sudoeste da Irlanda, que também é comum na Austrália, América do Norte e Grã-Bretanha, devido à emigração.

 

O clã O’Sullivan alega uma descendência dos seguidores mitológicos de Milesius, que foram os primeiros Celtas a colonizar Innis Fáil (Irlanda), sua ‘ilha de destino’, por volta do ano 800 a. C., migrando de uma área da costa noroeste de Espanha, hoje Galícia. Posteriormente, os representantes da linha dinástica Cenél Fíngin/O’Sullivan eram os reis de Munster. Após a invasão anglo-normanda na Irlanda, nos anos de 1180, o clã O’Sullivan se mudou do Condado de Tipperary, seu lar ancestral, para os Condados de Cork e Kerry, dividindo-se logo depois em várias ramas, sendo as principais a dos O’Sullivan Mór, no sul de Kerry, e a dos O’Sullivan Beare, no oeste de Cork. O sufixo ‘Beare’ veio da península de Beara, assim nomeada pela princesa espanhola Bera, esposa do primeiro rei de Munster.

 

Brasão do clã O’Sullivan Beare.

 

Em 1592, o clã O’Sullivan Beare também se dividiu. Na mesma época, os seus membros se distinguiram pela sua luta contra as forças inglesas na Guerra dos Nove Anos, com o auxílio das tropas espanholas.

 

Daniel Robert O’Sullivan Beare nasceu em 1865, filho mais velho de The O’Sullivan Beare. Estudou nas escolas francesas e graduou-se em Artes e em Medicina pela Universidade de Dublin, obtendo o grau de Primeiro Sênior Moderador (First Senior Moderator) e recebendo a medalha de ouro nas Ciências Naturais. Foi servidor do Departamento Médico durante a campanha egípcia de 1885. Após finalizar a campanha, optou por abandonar a carreira de cirurgião do Exército, dedicando-se às viagens em diversas partes do mundo e passando, entre outras aventuras, por um naufrágio no Estreito de Magalhães.

 

Nomeado oficial de Medicina em 1893, na Colônia da Costa do Ouro, passou logo depois para a África Oriental. Em Zanzibar, se desempenhou como oficial de medicina interino da Agência Britânica, como também médico do sultão. Durante este tempo, publicou a “Gazeta de Zanzibar e África Oriental”, que foi o órgão oficial do sultão, com seções em inglês, árabe e gujerate. O sultão condecorou-o com a Estrela Brilhante de Zanzibar, como mérito pelos serviços prestados.

 

Em 1894, O’Sullivan Beare foi nomeado vice-cônsul na ilha de Pemba, o lugar mais insalubre de toda a África Oriental, à pouca distancia da costa, ao Norte de Zanzibar. Ele foi o primeiro europeu a residir nesta ilha desde a sua ocupação pelos portugueses no século XVI. Naquela época, Pemba produzia 75% de todo o cravo da índia do mundo e era um verdadeiro antro da escravidão, havendo ali 60 mil escravos, trazidos do continente.

 

A missão de O’Sullivan Beare consistia em examinar as condições da escravidão e suprimir decisivamente qualquer tráfico de escravos. Assim, durante vários anos, O’Sullivan Beare estava empenhado nesta difícil tarefa, tendo que fazer frente aos árabes, então desgostosos com a intervenção de um oficial estrangeiro. As condições da missão em Pemba, deste modo, não eram nada lisonjeiras, requerendo do vice-cônsul uma grande tática, firmeza e coragem e envolvendo considerável risco pessoal. O seu relatório atraiu muita atenção e contribuiu grandiosamente para gerar um sentimento público contra a continuação da prática da escravidão nos protetorados britânicos, como eram Zanzibar e Pemba. O governo britânico exigiu então que o sultão de Zanzibar decretasse imediatamente a abolição da escravidão nos seus domínios. Finalizada deste modo com êxito a missão de O’Sullivan Beare, o posto de vice-cônsul em Pemba foi abolido, mas, em 1906 ele recebeu a patente pessoal de cônsul, como galardão pelo seu excelente serviço prestado nesse campo.

 

Em 1902, encontrando-se em África, trouxe à luz da ciência médica ocidental um remédio indígena tradicional para a febre da água-preta, o qual tinha conhecido através dos waganga, ou curandeiros africanos. Segundo descobriu O’Sullivan Beare, tratava-se do extrato da raiz de uma árvore da família Cassia, mas de uma espécie desconhecida dos botânicos, por isso justamente ficou conhecida na posteridade como Cassia Beareana, em honra ao seu introdutor no domínio da ciência. A partir de então, o tal extrato foi aprovado como medicamento específico para o tratamento da febre da água-preta, tendo prestado o Dr. O’Sullivan Beare um relevante serviço à humanidade.

 

Ele viajou ao Brasil em maio de 1906 e, depois de servir por algum tempo como cônsul na Bahia (1907), foi por seis meses cônsul-geral interino no Rio de Janeiro (1907-08), antes de ser transferido como cônsul para São Paulo (1907), onde, entre outras coisas, foi o principal promotor da fundação do Clube Anglo-Americano.

 

Chegou adquirir um vasto conhecimento do Brasil e as suas coisas, sendo nomeado pela Sua Majestade Britânica, em 12 de setembro de 1913, cônsul-geral no Rio de Janeiro, para os Estados do Rio de Janeiro (incluindo o Distrito Federal), Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso. Ocupou o cargo até 1915.

 

Em novembro de 1915, ele foi enviado pelo Foreign Office ao serviço militar, onde foi promovido para o tenente-coronel do Corpo Médico da Armada Real (Royal Army Medical Corps - R. A. M. C.), servindo durante toda a guerra.

 

De 1918 a 1920, ele ocupou novamente o cargo de cônsul-geral no Rio de Janeiro. No ano da sua partida definitiva do Brasil, já muito enfermo, se encontrou no Rio com o seu compatriota, o coronel Percy Fawcett.

 

Ainda que o embaixador britânico no Rio contasse à Fawcett que O’Sullivan Beare “era homossexual e fumava droga”, Fawcett tinha grande confiança no cônsul-geral, considerando-o um cavalheiro de honra. De fato, pesquisando a biografia do coronel O’Sullivan Beare, vemos perfeitamente que não há nada nela que possa lançar suspeita sobre ele, nem difamá-lo de forma alguma. Pelo contrário, tudo parece indicar que realmente foi um oficial de honra, um cientista sagaz e possuidor das melhores qualidades humanas. Mesmo Fawcett não pôde deixar de reconhecer a um homem digno de sua confiança, também pesquisador científico e soldado com a mesma experiência nas frentes da Grande Guerra.

 

A falsidade das acusações do embaixador britânico é denotada mesmo por um fato eloquente: durante muitos anos da sua estadia no Brasil, O’Sullivan Beare foi acompanhado da esposa e filha, chegando toda a família a fazer muitas amizades no Brasil, assim como entre os seus compatriotas e outros estrangeiros, ganhando respeito e simpatia. Deste modo, a opinião pública do país vai contra o duvidoso depoimento difamatório do embaixador.

 

O cônsul-geral britânico redescobre a cidade dos bandeirantes

 

Fawcett não foi o primeiro a conhecer sobre a descoberta de Dr. O’Sullivan Beare. Surpreendentemente, ainda antes de 1913, o cônsul britânico já passara as informações sobre as ruínas de uma antiga cidade no Brasil pelo menos a uma pessoa – o escritor masônico Albert Churchward, autor do livro “Os Sinais e Símbolos do Homem Primordial” (“The Signs and Symbols of Primordial Man”, 1910). Nessa obra, Churchward faz constar o seguinte:

 

“O Dr. D. R. O’Sullivan Beare, Cônsul da S. M. B. [Sua Majestade Britânica] na Bahia, Brasil, informou recentemente ao autor que, através de uma indicação do índio, descobriu as ruínas de uma grande cidade antiga, situada a três dias de marcha através da densa floresta, no Brasil, que não tinha sido conhecida, nem nunca avistada antes por um homem branco, com o melhor do seu conhecimento e os relatórios indígenas. Ele visitou essas ruínas e descreve imensas paredes de granito e blocos enormes do mesmo, belamente formados, e um alto pilar, com uma figura coroando-o, apontando para o Norte. Este é um achado muito importante e, sem dúvida, muita informação sobre a história esquecida da América do Sul será encontrada aqui, (...) como a partir do que ele [O’Sullivan Beare] contou ao autor, não há dúvida de que estas são as ruínas de uma das grandes cidades da América do Sul, que floresceram antes de terem sido introduzidas as doutrinas solares, portanto, antes dos Incas e Maias”.

 

Como o livro de Churchward foi publicado em 1910 e considerando que O’Sullivan Beare ocupou o cargo de cônsul na Bahia em 1907, facilmente podemos tirar a conclusão de que foi precisamente em 1907 que ele descobriu a misteriosa cidade perdida baiana. Mas, então, porque Percy Fawcett sempre apontou que essa descoberta ocorreu em 1913?  

 

Ao se encontrar com Fawcett, em 1920, O’Sullivan Beare ofereceu-lhe as mesmas provas decisivas da veracidade do Documento 512. Eis como descreve esse encontro Brian Fawcett, o filho caçula do coronel.

 

“O cônsul britânico, chamado O’Sullivan Beare, que estava no Rio de Janeiro em 1920, disse ao meu pai que, em 1913, durante uma viagem de 12 dias a partir de Salvador, foi levado por um mestiço à uma antiga cidade em ruínas, onde houve um pilão, ou obelisco preto, coroado de uma estátua quebrada de homem com um braço estendido, apontando para o norte. Ele disse que em torno das ruínas tinha crescido a floresta e em todos os lados ao redor moravam índios hostis.

 

Eu trazia comigo um dos mapas da Bahia que tinham pertencido ao meu pai, e nele estava marcada a localização da cidade, tão precisa, como O’Sullivan Beare tinha podido calculá-la” (“Ruins in the Sky”).

 

Há que notar que a descrição do pilão, ou obelisco com a estátua, assemelha-se quase literalmente com um trecho do Documento 512, que descreve uma (...) collumna de pedra preta de grandeza extraordinaria, e sobre ella huma Estatua de homem ordinario, com huma mão na ilharga esquerda, e o braço direito estendido, mostrando com o dedo index ao Polo do Norte; em cada canto da dita Praça está uma Agulha, a imitação das que uzavão os Romanos, mas algumas já maltratados, e partidas como feridas de alguns raios. (...).

 

O relato de O’Sullivan Beare sobre a cidade perdida da Bahia é citado também pelo próprio Percy Fawcett no livro “Exploração Fawcett” (capítulo I, “As Minas Perdidas de Muribeca”).

 

“Sei que a cidade perdida de Raposo não é a única no seu gênero. O defunto cônsul britânico no Rio foi levado para um desses lugares por um índio mestiço. Mas aquela era uma cidade de acesso muito mais fácil, localizada num terreno não montanhoso e enterrada completamente na mata. Se distinguia mesmo pelos restos da estátua sobre um pedestal grande e preto no meio de uma praça. Infelizmente, a chuva levou seu animal de carga, e eles deveriam voltar imediatamente para evitarem morrer de fome. (...) O falecido cônsul britânico, no Rio, coronel O’Sullivan Beare, - um cavalheiro, de cuja palavra eu nem sonharia de duvidar, - me deu, assim quanto poderiam permitir, os mapas extremamente imprecisos da área, a localização da cidade em ruínas, para onde ele tinha sido levado pelo caboclo em 1913. (...) Ele nunca atravessou o São Francisco – a sua cidade ficava bem ao leste dele, a 12 dias de viagem da Bahia”, relatou Percy Fawcett.

 

Ilustração mostra o que seria o encontro da cidade encantada da Bahia por um viajante.

Desenho por Brian Fawcett. De: Fawcett, Col. P. H. Lost Trails, Lost Cities. 1953.

 

A partir dessa descrição, parece que Fawcett não identificou a ‘cidade de Raposo’ (nome com que ele referia-se à cidade descrita no Documento 512) com as ruínas, descobertas em 1913 (1907?) por O’Sullivan Beare. No entanto, na “Exploração Fawcett” estranhamente nós encontramos duas localizações diferentes para a ‘cidade de Raposo’ de 1753.

 

No capítulo I, “As Minas Perdidas de Muribeca”, Fawcett relaciona as viagens de muitos anos, levados a cabo pela tropa de ‘Raposo’, com a “área dalém do rio São Francisco”, que “era desconhecida para os colonizadores portugueses da época assim como as matas de Gongugy [Gongogí] para os brasileiros de hoje”; referindo também em alguns parágrafos abaixo: “Onde eles andavam, eu descobri recentemente. Era aproximadamente na direção norte...”

 

Todavia, no final da “Exploração Fawcett”, descrevendo a planejada rota da próxima expedição (a sua oitava, em 1925), o coronel refere que a cidade encontrada em 1753 se localiza sob as coordenadas “11° 30' S. e 42° 30' O. aproximadamente”, o que seria um pouco a leste de São Francisco. Segundo Brian Fawcett, o seu pai aprendeu esta localização a partir do mapa de O’Sullivan Beare: “Sem dúvida, ele [o pai] imaginava a cidade de 1754 [erro de Brian; o correto seria 1753] como localizada no ponto, marcado por O’Sullivan Beare no mapa, agora de minha posse. Estava indicada perto da nascente do Rio Verde - o rio, mostrado apenas vagamente com a linha pontilhada até onde o conhecimento preciso do seu fluxo estava expressado por uma linha contínua, que se estendia apenas a uma curta distância da sua confluência com o São Francisco”.

 

Deste modo, está evidente que, para Percy Fawcett a cidade de O’Sullivan Beare era todavia a ‘cidade de Raposo’, ou a mesma descoberta pelos bandeirantes em 1753. Curiosamente, as coordenadas mencionadas por Fawcett correspondem à posição da serra do Açuruá, no centro do Estado da Bahia, onde em 1836 foi descoberto o ouro, expandindo-se logo após o boato de ser precisamente essa a verdadeira posição das lendárias minas perdidas de Muribeca. Segundo lembramos, essas minas eram o alvo da bandeira de ‘Francisco Raposo’, que acabou por descobrir a cidade perdida em 1753.

 

Ainda nos falta conhecer uma terceira descrição da descoberta de O’Sullivan Beare, oferecida pelo pesquisador e escritor Harold Wilkins, no seu livro “Mistérios da Antiga América do Sul” (1945).

 

“A próxima pessoa sobre quem se sabe que alcançou a cidade morta dos antigos bandeiristas - se excetuarmos os onipresentes e com frequência muito bravos e dedicados sacerdotes e monges das missões da Ordem Jesuítica - era um oficial do exército britânico e ex-cônsul-geral no Rio. Era o tenente-coronel O’Sullivan (...), que adquiriu os antigos documentos portugueses quer na Biblioteca Nacional, o repositório dos antigos vice-reis lusitanos, quer os recebeu diretamente de Fawcett. O’Sullivan, acompanhado de um guia brasileiro-indígena, partiu para uma serra desconhecida, mas a fim de despistar aos rastreadores curiosos, espalhou o boato de que ele era apenas um garimpeiro, ou caçador de diamantes, com destino para algum serviço antigo de diamantes. Isso aconteceu em 1913; O’Sullivan recebeu então do coronel Fawcett um mapa quase em branco, que ele tinha que preencher, marcando o seu percurso por esta parte do sertão da Bahia...”.

 

É uma versão dos eventos bem estranha, pois assume que Fawcett conhecia O’Sullivan Beare desde, pelo menos, 1913. A dificuldade que surge aqui é que, em 1913, Fawcett se encontrava muito longe tanto de Salvador, como do Rio de Janeiro, realizando pesquisas na Bolívia, e simplesmente não teve oportunidade de se encontrar com O’Sullivan Beare em algum lugar do litoral brasileiro para entregar-lhe quaisquer documentos e mapas. Além disso, em 1913, o próprio Fawcett aparentemente ainda não tivesse informação alguma sobre a cidade perdida na Bahia...

 

Primeira página do Documento 512, conservado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

O manuscrito original teria sido estudado por Percy Fawcett em 1920, mais provavelmente.

 

Ainda que nós conseguimos encontrar uma outra mesma referência sobre a estadia de Fawcett no Rio de Janeiro em 1913 e a sua pesquisa do Documento 512 na Biblioteca Nacional feita no mesmo ano (preferimos deixar de mencionar por agora a fonte dessa referência), todavia, consideramos que são precisas provas sustentáveis para apoiar tal afirmação, pois que estão em clara contradição com as fontes básicas de informações sobre Fawcett.

 

Um francês cético

 

Durante a sua sétima expedição (agosto de 1920 até final de 1921) Fawcett estava explorando o interior dos estados de Mato Grosso e Bahia. A viagem para o norte de Mato Grosso por várias razões acabou num ‘fracasso’, segundo ele mesmo se refere. Na Bahia, o coronel optou por explorar primeiramente a região de Gongogí, ao sul de Salvador, zona pouco conhecida na época, indicada em 1907 pelo Dr. Lindolfo Rocha, sertanista e escritor brasileiro, como sendo a área da mais provável localização da cidade perdida de 1753.

 

Mas as explorações de Fawcett na região de Gongogí foram mesmo infrutíferas - e em um momento de fraqueza, o coronel questionou até mesmo a própria existência do seu principal objetivo...

 

Na Bahia o coronel encontrou logo um determinado francês, que estava olhando para as lendárias minas perdidas de Muribeca. Esse explorador e aventureiro, cujo nome não é mencionado por Fawcett, de fato, estava lhe negando o depoimento de O’Sullivan Beare: como afirmava o francês, ele mesmo andou em toda a área ao leste de São Francisco, a qual Fawcett ia investigar desta vez, e não havia cidades perdidas lá, por não existirem as matas, onde poderiam se esconder as ruínas e, mais além, toda a zona foi ocupada pelos colonos civilizados. As supostas ruínas que existiam lá foram consideradas pelo tal francês como formações naturais de arenito.

 

Fawcett não teve fé no francês, pelo fato de ele “cheirar a álcool” (é conhecida a atitude negativa de Fawcett, um verdadeiro ascético, para com o álcool e os beberrões). De acordo com Fawcett, visitar “todos os lugares” em uma área tão grande seria quase impossível. Além disso, o francês nunca andou por mais de duas ou três semanas durante as suas pesquisas de campo, sendo este, na opinião de Fawcett, um prazo demasiadamente curto para uma prolongada exploração.

 

Posteriormente, Brian Fawcett foi capaz de identificar o tal francês durante sua viagem ao Brasil, recopilando dados adicionais sobre ele e suas explorações. Segundo lhe contou o sacerdote em Bom Jesus da Lapa, tratava-se do engenheiro francês Apollinaire Frot (conhecido na região como ‘Apolinário’, ou ‘Apolonário’, na grafia de Brian), um buscador incansável de antiguidades, que supostamente “conhecia todos os cantos da Bahia”. Frot realmente afirmava que ao leste de São Francisco não existiam cidades perdidas, mas, em contrapartida, anunciava a descoberta de umas ‘ruínas ciclópicas’ a oeste do mesmo rio, na misteriosa Serra do Ramalho, direção sudoeste de Bom Jesus da Lapa, onde ele estava procurando o tesouro de Belchior Dias (o Muribeca) e quase morreu de sede. Segundo Frot, as tais ruínas na Serra do Ramalho incluiriam colunatas inteiras e uma estrada pavimentada.  

 

Frot é mesmo conhecido como um infatigável buscador de antigos registros rupestres do Brasil. Percorreu o interior de muitos Estados brasileiros, colhendo e decifrando tais registros, que, segundo ele, o levariam para as antigas minas de ouro, pertencentes outrora a uma grande civilização perdida do Brasil, que ele chamava de ‘protoegípcia’. Também acreditava que tais minas de ouro teriam sido aproveitadas pelos fenícios, que viriam para o Brasil buscando metais preciosos e deixariam mesmo muitos roteiros em pedra.

 

Segundo alguns pesquisadores da época, Frot teve sucesso em achar tais minas, mas também desapareceu na década de 1930 em algum lugar do interior inexplorado do Brasil, compartilhando assim o mesmo destino do coronel Fawcett.

 

Fawcett encontra a cidade de O’Sullivan Beare

 

Para Percy Fawcett, o ponto de viragem na sua sétima expedição veio quando ele se despediu do seu companheiro, o ornitólogo norte-americano Ernest Holt (apelidado por ele de ‘Felipe’ no seu livro), o qual, finalmente, teve a principal culpa para que a entrada em Mato Grosso terminasse em um ‘fracasso’. Tendo comprado duas mulas, Fawcett partiu de Lençóis, em agosto de 1921 e, seguindo o roteiro de O’Sullivan Beare, empreendeu sozinho uma viagem de três meses para o interior da Bahia.

 

Ali, ele finalmente teve a sorte, pois desta vez encontrou vestígios, "que provaram a veracidade de pelo menos parte das informações" (!). O explorador então se enche de entusiasmo, esquecendo-se por completo do seu anterior desapontamento.

 

Coronel Percy Harrison Fawcett, no seu sexto decênio. Foi nessa época da sua vida vida

quando ele empreendeu a busca das cidades perdidas especificamente no Brasil, guiando-se

 pelas indicações do outro coronel britânico, o irlandês Daniel Robert O’Sullivan Beare.

 

O que encontrou Fawcett nesta viagem? Continua sendo um mistério. Temos três descrições desse achado tomadas a partir dos seus escritos. Vejamos.

 

Primeiro depoimento de Fawcett - “Encontrei o suficiente para torná-lo imperativo para ir novamente. (...) Eu tentei por três lados, procurando o mais seguro caminho para dentro; já vi o suficiente para correr qualquer risco, a fim de ver mais, e nossa história, quando voltarmos da próxima expedição, poderá transtornar o mundo! (...) Da existência das cidades antigas, eu não duvido por momento algum. Como poderia? Eu tinha visto parte de uma delas - e é por isso que eu observei [anteriormente] que precisava ir de novo. As ruínas parecem pertencer a um posto avançado de uma das cidades maiores, a qual, como eu estou convencido, será encontrada, juntamente com as outras, caso sejam levadas a cabo pesquisas devidamente organizadas. Infelizmente, eu não posso convencer os homens de ciência em aceitar pelo menos a suposição de existirem vestígios da antiga civilização no Brasil. Eu viajei para lugares que não são familiares a outros exploradores, e os índios selvagens não deixavam de me contar sobre os edifícios, a natureza da gente e as coisas estranhas que se encontram adiante” (“Exploração Fawcett”).

 

Segundo depoimento de Fawcett - O pesquisador e escritor britânico Harold T. Wilkins cita uma carta de Fawcett enviada a certo amigo no Rio de Janeiro, na qual o coronel afirma ter visitado uma cidade em ruínas, idêntica à de O’Sullivan Beare.

 

“Eu fui sozinho, porque sabia que teria muito menos necessidade de temer os índios, que não iriam atacar um homem sozinho que os encontra boamente. Alcancei a caatinga na serra, ao norte da Bahia (...) e no meio das matas virgens, me encontrei diante de uma massa de ruínas amontoadas. Era uma cidade murada de antiga data. Aqui, envolto em selva e mato, erguia-se um monólito gigante, coroado por uma figura gasta pelo tempo, esculpida em pedra...” (“Mysteries of Ancient South America”).

 

Em opinião do pesquisador arqueológico brasileiro J. A. Fonseca, compartilhada plenamente por nós, o tal ‘amigo no Rio’, a quem Fawcett estava se dirigindo, muito provavelmente seria o professor Alberto Childe (1870-1950) (pseudônimo do imigrante russo Dmitri Petróvitch Vanítsyn), conservador de arqueologia do Museu Nacional a partir de 1912, com o qual Fawcett mantinha um estreito contato praticamente até o momento do seu desaparecimento em 1925. 

 

Terceiro depoimento de Fawcett - Brian Fawcett citou seu pai falando a respeito da mesma descoberta.

 

“Foi provavelmente nas imediações da cidade [a grande cidade, ou ‘Z’] onde eu vi uma ruína isolada de enormes proporções em 1921. Meus aprovisionamentos estavam quase esgotados. Eu estava em um país deserto, absolutamente sozinho, e não me atrevi a penetrar além. Esta ruína isolada poderia ser um posto avançado da própria cidade - e se eu tencionava sair dali, era necessário voltar imediatamente. Eu tenho que voltar lá! Estarei de volta - e quando o fizer, será com os mantimentos necessários para uma prolongada investigação...” (“Ruins in the Sky”).

 

Informações da Royal Geographical Society - Informações adicionais sobre a mesma descoberta provêm de uma carta datada de 24 de julho de 1939, enviada pela Royal Geographical Society (RGS), em resposta à inquirição sobre a última expedição Fawcett, que havia sido dirigida naquele mesmo mês pelo pesquisador alemão Hermann Kruse, que também percorreu a trilha da cidade perdida de 1753.

 

Eis a resposta da RGS a essa inquirição.

 

Afora a exploração geográfica, o principal objetivo da expedição foi a pesquisa arqueológica e etnográfica. O coronel Fawcett sempre argumentou que vestígios de uma remota civilização perdida ainda podem ser encontrados nas matas do interior, e ele cita como prova não apenas o amontoado de pedras enterradas, representando uma antiga cidade perto da fronteira do estado do Piauí, visitada pelo coronel O'Sullivan e ele mesmo, mas também outras descobertas recentes, incluindo um extenso muro de várias léguas de circunferência, que se diz está cercando o local das sete povoações pré-históricas interligadas, mesmo no Piauí”.

 

Neste último caso, são referidas as famosas Sete Cidades de Piauí, as quais não foram visitadas do coronel Fawcett, uma vez perdido nas florestas do Mato Grosso, ainda que ele tivesse sonhado em passar por essas cidades petrificadas.

 

Várias localizações da cidade de O'Sullivan Beare

 

Resumindo, com base em todas as fontes citadas podemos tirar não apenas uma, mas três localizações diferentes para a cidade (ou ‘posto avançado’) de O’Sullivan Beare – Fawcett, partindo da noção da sua identidade com a cidade de ‘Raposo’ de 1753 (cidade do Documento 512).

 

1ª localização - Área ao oeste do rio São Francisco. Esta localização é mencionada no capítulo “As Minas Perdidas de Muribeca” da “Exploração Fawcett” como sendo a da cidade de ‘Raposo’. No entanto, devemos lembrar que nesta narração o coronel distingue as duas cidades: a de ‘Raposo’ (1753) e a de O’Sullivan Beare (1913).

 

2ª localização – Rumo ao noroeste da cidade de Salvador e, ao mesmo tempo, a leste de São Francisco. Esta é a localização principal. Percy Fawcett oferecia as supostas coordenadas dessa localização, 11° 30' S. e 42º 30' O. Brian Fawcett descreve esse ponto como situado “no curso superior do Rio Verde” que, segundo ele, foi marcado no mapa de O’Sullivan Beare. Aparentemente, a localização dada pela RGS, “perto da fronteira do estado do Piauí”, é a mesma.

 

3ª localização - Rumo ao norte da cidade de Salvador. Esta localização é mencionada na carta de Fawcett dirigida ao tal ‘amigo no Rio’ (Alberto Childe?). A menção é vaga, talvez se trate mesmo da localização anterior, no noroeste do Estado da Bahia. No capítulo “As Minas Perdidas de Muribeca”, como lembramos, o coronel Fawcett menciona que a bandeira de ‘Raposo’ andou “aproximadamente na direção norte”. O que, de fato, é uma obvia contradição com a menção da área “dalém do rio São Francisco”, ao oeste, no mesmo escrito.

 

Não devemos nos surpreender com todas essas discrepâncias nas localizações geográficas oferecidas pelo coronel Fawcett, pois o grande explorador sempre guardava zelosamente os segredos dos seus verdadeiros roteiros.

 

Um exemplo eloquente disso é o depoimento do próprio Brian Fawcett, filho caçula do explorador, que nega a autenticidade das coordenadas 11° 30' S. e 42º 30' O., fazendo uma clara nota no livro “Exploração Fawcett”: “Eu pessoalmente inspecionei o local que ele [o pai] aponta para a cidade de 1753, e posso dizer com autoridade que não está lá”.

 

Quanto à possível localização da cidade ao norte de Salvador, nós simplesmente não podemos deixar a um lado um fato curioso. Se você contar a distância aproximada de 12 jornadas (caminho que O’Sullivan Beare percorreu até atingir a cidade perdida) para o norte da cidade de Salvador, encontrar-se-ia perto da fronteira entre os Estados da Bahia e Sergipe (não Piauí!). Isto traz à mente o depoimento de Tanus Jorge Bastani, advogado e historiador, citado em nosso artigo “Introdução à Desconhecida Pré-História Brasileira”.

 

Lembremos esse trecho, “Na zona banhada pelo Rio das Pedras, nas proximidades da encantada Serra Negra, na linha divisória com o Estado da Bahia, existiu outrora uma bela cidade, encontrando-se vestígios de suas ruínas. Belchior Dias Moreira, o infeliz aventureiro e verdadeiro Muribeca, descobriu o seu incalculável tesouro de ouro e prata, naquele local. Hoje, é pleno sertão, inóspito e abandonado”.

 

Coincidência ou não? Sonho ou realidade? A antiga cidade de Muribeca, visitada no século XX pelos coronéis britânicos O'Sullivan Beare e Fawcett?

 

O ídolo de basalto

 

Segundo afirmava o falecido pesquisador inglês Howard Barraclough (‘Barry’) Fell, foi precisamente o cônsul O’Sullivan Beare quem introduziu ao mundo o famoso ídolo de basalto, encontrado por ele nas ruínas da cidade perdida da Bahia em 1913. Posteriormente, o ídolo teria chegado às mãos do escritor Sir Henry Rider Haggard, que apresentou a estatueta ao seu amigo Percy Fawcett.

 

O ídolo de basalto de coronel Fawcett, supostamente encontrado

pelo coronel O’Sullivan Beare nas ruínas da cidade perdida da Bahia.

 

É bem conhecida a história de como Fawcett recorreu a um psicometrista em Londres para saber mais sobre a estatueta. A partir da visão que teve o psicometrista, Fawcett começou a ter uma fé inabalável no ídolo, acreditando que este tivesse provindo do desaparecido continente da Atlântida.

 

Levou-o consigo na sua derradeira expedição de 1925. Segundo afirmava Fell, o ídolo supostamente teria sido visto pela última vez estando à venda no mercado de Cuiabá, na década de 1960.

 

O destino de O’Sullivan Beare: morreu procurando a ‘Z’?

 

No capítulo “As Minas Perdidas de Muribeca” da “Exploração Fawcett” encontramos a descrição da ‘Z’, a cidade que foi o objetivo principal de Percy Fawcett na sua última expedição (1925).

 

Há outras cidades perdidas além dessas duas [as de ‘Raposo’ e O’Sullivan Beare; segundo já sabemos, neste escrito Fawcett faz uma clara distinção entre elas]. E existe outro remanescente de uma antiga civilização, cuja população se degenerou, mas ainda guarda evidências de um passado esquecido, em forma de múmias, pergaminhos e placas de metal gravadas. Este é um lugar, justamente como o descrito na história [do Documento 512], mas muito menos arruinado pelos terremotos - e extremamente difícil de alcançar. Os jesuítas sabiam dele, mesmo como um francês, que neste século fez várias tentativas para atingi-lo. O mesmo fez um certo inglês, que tem viajado muito pelo interior, tendo conhecido sobre ela [a cidade] de um antigo documento na posessão dos jesuítas. Ele era vítima de um câncer avançado e aparentemente, morreu dele, ou sumiu.

 

Eu provavelmente sou o único outro a conhecer o segredo, obtendo-o na dura escola da experiência nas matas, apoiada por uma cuidadosa análise de todas as evidências disponíveis nos arquivos da República, bem como algumas outras fontes da informação, que de maneira alguma são fáceis de acessar”.

 

É um trecho bem estranho.

 

A menção a ‘duas cidades’ claramente contraria o depoimento de Brian Fawcett, afirmando que o seu pai “imaginava a cidade 1754 como localizada no ponto, marcado por O'Sullivan Beare no mapa, agora de minha posse”.

 

É interessante mesmo a menção ao ‘francês’, evidentemente, nenhum outro além do engenheiro Apollinaire ‘Apolinário’ Frot, que desta vez aparece não como um antagonista, mas como um correligionário de Fawcett, perseguindo o mesmo objetivo.

 

Finalmente, torna-se completamente incompreensível a menção nesta passagem ao misterioso ‘inglês’ sem nome, indubitávelmente, O’Sullivan Beare mesmo, que na verdade sofria de câncer avançado. Mas porque Fawcett não o referiu aqui pelo nome, apesar de ter mencionado ao ‘falecido cônsul britânico no Rio’, descobridor da cidade perdida de 1913, apenas algumas linhas acima?

 

Aliás, o fato de o ‘inglês’ (irlandês, de fato) ter sido morto pela causa da doença, ou ter sumido em alguma parte do Brasil, está em boa concordância com a intrigante informação fornecida por Harold Wilkins, ao referir-se ao o destino de ex-cônsul: “O’Sullivan morreu de câncer em um hospital de Belém. Era um homem saudável. Outros que foram na trilha destas cidades mortas, morreram de umas doenças misteriosas, foram atingidos por uma cegueira inexplicável ou sofreram um terrível infortúnio”.

 

Esta afirmação claramente contradiz o depoimento de Brian Fawcett, segundo o qual O’Sullivan Beare “morreu de câncer na Bahia” (Salvador). À sua vez, essa afirmação obviamente contradiz o dado oferecido em necrológio publicado em 22 de junho de 1921, em “Wileman’s Brazilian Review”, um jornal editado no Rio de Janeiro e do qual O’Sullivan Beare foi muito amigo. Esse órgão de imprensa dizia que o coronel O’Sullivan Beare “morreu em Londres, em 14 de junho”, do mesmo ano de 1921.

 

Por que tais discrepâncias? Onde realmente teria morrido O’Sullivan Beare? Preferiu partir para a Grã-Bretanha para encontrar lá o seu leito da morte, ou ficou no Brasil para realizar uma última tentativa de encontrar a Cidade Perdida?

 

O mais provável é que as informações do “Wileman’s Brazilian Review” sejam as mais precisas, pois a sua fonte é o consulado geral britânico no Rio de Janeiro. Mas Harold Wilkins, nas décadas de 1930 e 1940, também esteve em contato com as representações diplomáticas britânicas no Rio e até com o mesmo embaixador, e também recebia informações dessas fontes. Desse modo, não podemos simplesmente ignorar o seu depoimento. E, comparando-o com o de Percy Fawcett, podemos tirar uma conclusão interessante, oferecendo aqui a nossa suposição ‘fantástica’, por assim dizer...

 

Será que o coronel O’Sullivan Beare, após suas buscas de longa data no sertão da Bahia, partiu em 1921 para o Estado do Pará em busca dessa incerta ‘Z’, que o coronel Fawcett situava num lugar muito diferente? O’Sullivan Beare sabia que lhe restava pouco tempo de vida; é compreensível que quisesse empregá-lo para uma grande causa e não tinha medo de se perder nas matas por essa razão. Mas, já era tarde para isso e ele morreu no hospital, após alcançar apenas a capital do Pará, encontrando desta maneira, a cidade dos seus sonhos dalém dos límites desse mundo...

 

Advertimos ao leitor que é apenas uma mera suposição, que ainda precisa de muitos dados para ser comprovada ou rejeitada...

 

No entanto, agora não temos mais a dizer sobre o enigmático irlandês, redescobridor da cidade perdida da Bahia em 1913 (1907?), o ‘Francisco Raposo’ do século XX, grande médico e misterioso aventureiro.

 

Segundo parece, tal é o eterno destino desses caçadores das cidades perdidas, não menos misteriosos que os objetivos das suas buscas. De ‘Raposo’, o autor do Documento 512, nem sequer sabemos o verdadeiro nome; de O’Sullivan Beare, temos várias opiniões e quase nada sabemos das suas buscas às cidades perdidas, a não ser pelas poucas referências aqui citadas; de Fawcett, aparentemente temos uma percepção muito errada da sua verdadeira imagem e seus objetivos, segundo nos refere o pesquisador Misha Williams (veja a seguir).

 

O explorador e o seu objetivo; homens enigmáticos para buscarem cidades enigmáticas. Essa é a regra que podemos formular agora...

 

Nossas conclusões

 

Apenas resta-nos tentar entender o que realmente encontraram os dois coronéis britânicos no sertão baiano.

 

Não há dúvida de que Daniel Robert O’Sullivan Beare em 1913 (1907?) e Percy Harrison Fawcett em 1921, realmente avistaram algo que, em sua opinião, eram as ruínas de uma antiga cidade. A fiabilidade do depoimento de O’Sullivan Beare é garantida tanto pela sua autoridade como cientista e uma pessoa do mais alto respeito, como também pelo fato de o coronel Fawcett ter plena confiança nele. E nós, a nossa vez, não temos nenhuma razão para deixar de confiar em Fawcett, um homem da mais alta integridade. A sua crença aparentemente romântica nas antigas cidades sempre se apoiou na sua experiência de desbravador, e os seus sonhos, segundo precisou o seu filho Brian, sempre eram fundados sobre a razão. Nem temos nenhuma prova de que Fawcett teria perdido a razão em meio das suas buscas à cidade perdida, segundo insinua o jornalista norte-americano David Grann, autor do livro “Z, A Cidade Perdida: A Obsessão Mortal do Coronel Fawcett”. O próprio título do livro já reflete na íntegra aquilo que esse autor pretendia demonstrar. Nem sequer considerou necessário mencionar em seu livro o nome de O’Sullivan Beare, o verdadeiro redescobridor da cidade perdida.

 

Seriam realmente a cidade de O’Sullivan Beare de 1913, e a cidade de Fawcett de 1921 uma mesma cidade? Pensamos, que de fato seja, como a sua descrição corresponde quase literalmente. Com a possível exceção de apenas um detalhe: a cidade de O’Sullivan Beare se encontrava numa área não montanhosa, e a cidade de Fawcett, numa serra. Mas não devemos esquecer, que Fawcett se guiava pelo mapa de O’Sullivan Beare durante a sua solitária viagem de três meses.

 

Seria essa também a decantada cidade perdida do Documento 512, descoberta pelos bandeirantes em 1753? É difícil opinar sobre isso, pois nem O’Sullivan Beare, nem Fawcett dão uma descrição detalhada do seu achado. No entanto, o número de características citadas por Fawcett contradiz diretamente a descrição da cidade de 1753: se a cidade de O’Sullivan Beare-Fawcett é descrita como completamente oculta pelas matas, a cidade de ‘Raposo’ está localizada numa planície sem árvores, em uma área desprovida de qualquer vegetação. Além disso, a cidade dos bandeirantes, ainda que destruída em sua maior parte, preservou a rua principal com casas de sobrados e a praça com a coluna, o palácio e o templo, enquanto da cidade de O’Sullivan Beare-Fawcett ficaram apenas umas ‘ruínas amontoadas’.

 

Podemos estar certos pelo menos de um fato: as coordenadas 11° 30' S. e 42° 30' O. para a cidade de 1753 oferecidas por Fawcett tinham como finalidade apenas de despistar os curiosos. A verdadeira posição do achado foi escondida quer por Fawcett mesmo, quer pelo seu filho caçula, Brian, que publicou os seus diários e cartas em forma do livro, sob o título de “Exploração Fawcett”. Como as coordenadas 11° 30' S. e 42° 30' O. correspondem na verdade à aurífera serra do Açuruá, significaria, talvez, que Fawcett quisesse persuadir os seus potenciais seguidores de que o seu verdadeiro alvo era apenas a busca de ouro.

 

Porque nem O’Sullivan Beare, nem Fawcett anunciaram a descoberta de uma antiga e desconhecida civilização após encontrarem a cidade perdida? Será que o sítio encontrado não era capaz de confirmar fartamente essa declaração? Tal suposição parece pouco verossímil, pois a ruína encontrada é descrita como “enorme” e cercada por um muro, e a estátua coroando o pilão, ou monolito, pela descrição, parece ser bastante eloquente. Por acaso isso não seria suficiente para anunciar a descoberta de pelo menos a cidade do Documento 512?

 

Por que Fawcett, após encontrar em 1921 as ruínas de uma antiga cidade na Bahia, não quis voltar para lá novamente, preferindo seguir, da próxima vez, por um caminho completamente diferente e muito mais difícil? A resposta formal seria que, supostamente, queria encontrar uma cidade grande (a ‘Z’), pensando que o sítio visitado por ele em 1921 fosse apenas um posto avançado desta. Segundo nota Wilkins, ao falar das ruínas visitadas por Fawcett em 1921, o coronel “segundo parece, não identificava essa cidade morta com a que estava procurando, quando, em 1925, partiu para os desertos desconhecidos do Mato Grosso (...)”.

 

Todavia, o ato de Fawcett segue curiosamente sendo pouco compreensível do ponto de vista de um pesquisador de antigas civilizações. Mas se torna lógico se levarmos em conta os fatos sensacionais que o pesquisador Misha Williams revelou, após o seu estudo de 20 anos dos ‘papeis secretos’ do coronel.

 

Segundo ele, por volta de 1924 as pesquisas arqueológicas não mais constituíam o objetivo principal de Fawcett, mas serviram apenas como um meio de atrair recursos financeiros para um projeto totalmente diferente: a fundação na Amazônia Brasileira de uma colônia de pessoas espirituais, livres dos grilhões do materialismo, que deviam se converter em um núcleo de uma nova raça. Tal colônia, idealizada por Percy Fawcett junto com o seu amigo Harold Large, era para ser estabelecida no habitat dos Adeptos espiritualmente avançados, da ‘Grande Fraternidade Branca’ ou ‘Guardiões da Terra’, que moravam “nas terras que já pertenceram a grandes civilizações”.

 

De acordo com esta informação, na sua última expedição Fawcett seguiu em uma direção completamente diferente: não para o nordeste de Cuiabá, para os rios Xingu e Araguaia, segundo tinha anunciado, mas para o noroeste, na direção dos rios Tapajós e Juruena.

 

Caso seja verdade, então, obviamente, Fawcett, após ter se persuadido, ele mesmo da existência de antigas cidades (ou pelo menos assumindo que aquilo que viu fosse uma antiga cidade), em 1921, parou logo as suas pesquisas arqueológicas, concentrando-se num objetivo diferente.

 

Mas que sítio pode ser aquele que foi avistado pelos dois exploradores? Será que existe até hoje? E, caso exista, onde poderia se localizar?

 

É provável, em nossa opinião, que se tratasse de alguma cidade petrificada, a exemplo das Sete Cidades, que ficou pouco ou nada conhecida. Isso poderia explicar porque O’Sullivan Beare e Fawcett se abstiveram de anunciar a descoberta: a erosão muito grave das ruínas daria-lhes uma óbvia semelhança com as formações rochosas naturais, privando-as deste modo da sua imagem visual da cidade. Se o tal sítio realmente tivesse uma origem natural, ou artificial, evidentemente, não poderemos julgar.

 

Parece-nos uma solução muito interessante para o problema a hipótese do pesquisador Heinz Budweg, segundo o qual as ruínas de uma antiga cidade se encontram no vilarejo de Igatu, antiga cidade dos garimpeiros, no centro do Estado da Bahia, hoje com uma população de aproximadamente 350 pessoas. Lá existem ruínas, muitas das quais, obviamente, não pertencem aos garimpeiros, tendo traços de alvenaria ciclópica que faz recordar os antigos edifícios dos incas. Existem também vestígios de um aqueduto e túneis de pedra que serviam como esgoto.

 

O vilarejo baiano de Igatu alberga muitas ruínas intrigantes.

Será que foi edificado sobre o antigo sítio da cidade perdida?

(Foto: Adelano Lázaro, 2009).

 

No entanto, este sítio não está abandonado, nem muito menos estaria no período de 1913 a 1921 e, tampouco, estaria situado no meio da mata. Em nossa opinião, se este lugar realmente já foi uma antiga cidade, poderia pertencer à mesma civilização que a cidade perdida de O’Sullivan Beare-Fawcett.

 

A razão dos dois coronéis e exploradores britânicos, foi provada com eloquência na década de 1980 por pesquisadores como Gabriele D’Annunzio Baraldi, Luiz Caldas Tibiriçá e Renato Bandeira (para citar apenas os principais), que descobriram vestígios de antigas cidades na Bahia, mais precisamente ao leste de São Francisco, ainda que o francês Apollinaire Frot, no seu tempo, negasse a existência na área das ruínas de uma pré-civilização. Segundo acreditava o falecido arqueólogo brasileiro Aurélio de Abreu, um dos descobridores da megalítica cidade perdida de Ingrejil, na Bahia (junto com Gabriel Baraldi), nos planaltos e desertos deste Estado ainda se escondem muitas outras cidades perdidas, ainda por serem descobertas e escavadas. Algumas delas teriam sido construídas pelos incas.

 

Apenas esses exemplos nos provam que na Bahia, de fato, existem vestígios de antigas cidades, e é bem possível, em nossa opinião, que as ruínas da cidade de O’Sullivan Beare-Fawcett ainda serão encontradas. A área mais provável da busca desta enigmática cidade, aparentemente, seriam as regiões fronteiriças do Estado da Bahia, no norte, noroeste e oeste, especialmente, a zona das matas.

 

Será que a lendária estátua coroando o monólito na cidade perdida aparecerá mais uma vez diante aos olhos dos pesquisadores?

 

* Oleg I. Dyakonov é licenciado em Diplomacia e Relações Internacionais, pesquisador em história alternativa. É correspondente e consultor para Via Fanzine em Moscou e editor do blog 'Desconhecida Pré-História Brasileira".

 

- Tradução ao português por Oleg Dyakonov, com revisão e adaptação de Pepe Chaves.

 

- Tradução das citações em inglês: Oleg Dyakonov.

 

- Imagens: Arquivo do autor

 

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OLEG DYAKONOV

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