Brasil Antigo

   

PARTE 3:

A universalidade dos Signos Cosmogônicos

e Teogônicos do Brasil

 

 

  Por J. A. FONSECA*

De Itaúna-MG

Março/2017

jafonseca1@hotmail.com

 

 

Signos teogônicos em Montalvânia (MG).

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Saint-Yves D’Alveydre no seu Arqueômetro diz que o alfabeto morfológico dos primeiros patriarcas, e que proveio dos brâmanes, foi o protótipo de quase todos os demais alfabetos da Terra, os quais têm sua origem nas cinco formas regulares de que já falamos anteriormente, ou seja, o ponto (.), a linha (―), o triângulo ou o ângulo , o quadrado e o círculo . Estas figuras fundamentais que foram chamadas de morfológicas, porque indicavam por si só o seu significado, ou seja, falavam e tinham seu som específico, expressavam o sentido da Lei Divina para a criação, como princípio a ser seguido por todos os homens. Assim, o valor destas figuras elementares teria o seguinte sentido:

 

 

Não é nosso objetivo neste trabalho nos estendermos no estudo destas correspondências milenares, mas confirmar, segundo o próprio Saint-Yves, Matta e Silva e Roger Feraldy, que os 22 caracteres sagrados do antigo alfabeto Adamico ou Vatan derivam destes signos primitivos, assim como as três primeiras letras sagradas A, S, TH e os signos zodiacais e planetários, ou seja, 3 letras sagradas (mães), 7 planetárias e 12 zodiacais, perfazendo um total de 22 caracteres. Esta simbologia básica leva à geração das antigas 22 letras sagradas do alfabeto Vatan ou Adamico e estas guardam estreitas correspondências com os caracteres Sabeanos e de Glozel, como também e, para nossa admiração, constatamos em nossas observações que estas também possuem excepcional semelhança com os antigos signos primitivos brasileiros, gravados de norte a sul de nosso país. (Veja quadro representativo dos signos pré-históricos brasileiros em comparação com os Sabeanos e os de Glozel na primeira parte deste trabalho).

 

Com este trabalho queremos mostrar que estas terras brasilienses já estiveram ligadas a antigos povos e civilizações passadas e desconhecidas de nós. Vamos destacar diversos destes signos e abordá-las com a sua provável explicação, apoiando-nos para isto nas posições defendidas pelos autores mencionados acima, incluindo ainda o celebre pesquisador brasileiro Alfredo Brandão.

 

As figuras que vamos analisar se acham gravadas em diversas regiões do Brasil e estão em sintonia com as crenças desses antigos povos, assim como também – acreditamos - com um conhecimento secreto que foi perdido com o passar do tempo ou diante de acontecimentos relevantes e mesmo mudanças fundamentais ocorridas em nosso planeta em um passado mais remoto. 

 

Note-se também que as figuras referentes aos grupos que classificamos para estudo acham-se inclusas no quadro dos signos pré-históricos do Brasil e poderiam estar ligadas a um provável alfabeto, especialmente quando os comparamos com os de origem Sabeana e de Glozel, ambos ainda não decifrados pelos estudiosos.

 

O primeiro grupo que vamos estudar mostra caracteres universalmente conhecidos que podem ser vistos em diversos lugares, tanto em paredões e cavernas do Brasil quanto em outras partes do mundo. É fortemente caracterizado pela figura do círculo e por suas variadas representações, cujos significados já teríamos introduzido comentários anteriormente e que queremos aqui complementar, pois se trata este grupo do mais importante deles, segundo o nosso ver. De muitas maneiras vemos o círculo representado nos rochedos e também as figuras elementares como a linha , as quais vêm acrescentar definições próprias ao seu significado. Não achamos que estas coisas sejam puramente casuais. Ao contrário, julgamos serem esclarecedoras e relevantes as suas manifestações insistentemente presentes em toda a parte, as quais agem como um impulso consistente para a tentativa de sua compreensão e das verdadeiras causas que as levaram a serem registradas pelos seus autores.

 

Estranha figura circular gravada na pedra em Poxoréo (MT).

 

Para Helena P. Blavatsky, como já vimos, o círculo puro é a representação do Ser Supremo ainda não manifestado, o Cosmos na Eternidade, antes do despertamento da Energia Criadora. James Churchward em seu livro “O Continente Perdido de Mu” disse ter tido contato com arquivos secretos dos povos Naacal na Índia e que o círculo é para esses, também considerado como atributo da Divindade Suprema. Assim como observado entre outros povos, inclusive do Brasil, as suas variadas representações dão-lhe também aspectos diferenciados quanto ao seu conteúdo sagrado e seu significado como, por exemplo, o círculo com uma cruz , que representa o Criador e as quatro forças sagradas da criação.  

 

É importante observar que os povos tupis e guaranis consideravam muitos destes signos circulares como sagrados e segundo informam, remontam a um tempo muito remoto. Neste sentido, podemos pensar que os demais outros, de caráter cosmogônico e teogônico, e de vínculo universal encontrados no Brasil tenham também esta mesma identificação. Não seria lógico imaginarmos que os signos brasileiros semelhantes aos demais outros em muitos lugares, tratem-se de uma coincidência apenas, considerando-se inclusive que em certas regiões a sua incidência é grande demais e a sua ligação com as suas variadas representações são escancaradamente patentes.

 

Já mostramos anteriormente a grande quantidade destes signos em terras brasileiras e em suas diversas regiões, e é fácil perceber a relação de importância que estes tinham para os povos que os veneravam. Notadamente nas regiões norte, nordeste e centro oeste, podemos vê-los representados em diversos lugares e isto denota a sua real importância para aqueles que os produziram. Temos aí representados o círculo puro , o círculo com um ponto no centro , o círculo com um travessão , o círculo com uma cruz , além de círculos concêntricos variados, com um círculo dentro do outro , com um ponto no círculo central , ou com três círculos com um ponto no centro, constituindo-se estes na confirmação de que houve uma espécie de conceituação cosmogônica e teogônica na vida dos povos mais antigos do Brasil. 

 

Alfredo Brandão afirma em seu livro “A escrita pré-histórica do Brasil” que o círculo simples é comum nas pinturas da louça de Marajó e nos litoglifos do nordeste, e que este signo possui um valor mnemônico e simbólico, além de um outro valor puramente mágico. Esta posição do pesquisador casa perfeitamente com o sentido que lhe é dado nas doutrinas esotéricas, que o relacionam ao Todo, ao Supremo Criador ainda não manifestado no seio da criação.

 

Signos teogônicos em Montalvânia (MG).

 

No caso de um círculo com outro dentro, Brandão afirma que este símbolo vem representar a divindade feminina, o que também combina com a simbologia mística dos povos tupis e guaranis que o consideram como sendo o Fogo-Mãe, o qual é representado pelo número dois. 

 

O círculo com uma cruz dentro representa a pedra contendo a luz, a fagulha e deste modo encerrando a própria divindade, conforme descreve Alfredo Brandão: “É o continente contendo o conteúdo. É a mãe da divindade encerrando a divindade.” Afirma o mesmo que este símbolo representa o TÊ no seio de ITA, ou seja o THETA, que passou mais tarde a tomar a forma da letra Teta do antigo alfabeto grego, correspondente ao TH.     

 

Assim, vemos que o signo do círculo com as suas diversas variações estão sempre relacionadas a algo sagrado, levando-nos a concordar que esses primitivos caracteres rupestres estejam sintonizados com os antigos princípios da tradição de muitos outros povos, o que lhe dá uma conotação universalista, cosmogônica e teogônica, reforçando ainda a idéia de sua inter-relação com praticamente todos os povos da Terra. É importante notar que estes signos caracterizados pelo círculo em modalidades diferenciadas e significados específicos podem ser vistos junto dos caracteres Sabeanos e de Glozel, conforme quadro que anexamos a este trabalho, como também os muitos outros que vamos analisar a seguir. Não nos parece tratarem-se de simples coincidência, dada o seu elevado grau de manifestação. Abaixo podemos ver os signos do Brasil pré-histórico que mais se enquadram neste primeiro grupo comentado:  

 

 

O segundo grupo de signos que vamos examinar é o que representa a cruz, uma vez que esta foi representada de muitas maneiras pelos povos de antigamente, sugerindo ter recebido elevado grau de importância, tanto quanto foi o círculo e as suas muitas variações. Para Alfredo Brandão e Matta e Silva a cruz foi considerada como o mais importante dos sinais divinos, uma vez que representa a própria Divindade Suprema, criadora de tudo quanto existe. Sua origem está ligada ao fenômeno da luz e ao seu aspecto transcendente.

 

 

Cruz estilizada na região do Paredão (MT).

 

Ao estudar o tipo de som que poderia representar o signo da cruz Alfredo Brandão concluiu que deveria ser TIZIL ou TZIL e, que este vocábulo onomatopaico estaria a indicar o ruído provocado pela estrela cadente. É o que se poderia chamar de som da luz, a voz da divindade em seu estado de normalidade, enquanto que o trovão seria a sua voz em estado de agitação e de fúria. Assim, o som TZIL passou a ser a representação de Tupã (a luz e seu ruído no espaço), o deus supremo dos silvícolas brasileiros, pois este é o Senhor do céu, o qual produz o ruído do trovão. Seu valor mnemônico que é ligado à Cruz, ao Cruzeiro do Sul, à Criação e a Deus, atribui-lhe o princípio teogônico da crença e da manifestação da força divina. A cruz latina e a grega representam o tê (T) de Tupã, mas quando ela é mostrada como uma estrela ou está a indicar também a Constelação do Cruzeiro do Sul e a luz que ela emite sobre a Terra. Este símbolo pode ser explicado como sendo representativo da cruz acrescido da luz, que leva ao signo da estrela acima referendado. Em seu apoio vêm também outros signos em forma de cruz estilizada como, por exemplo, o Tau assim representado , além dos sinais . Este é, portanto, um signo universalmente conhecido e registrado por todos os povos, além de representar uma forma ideográfica simples de ser memorizada, que costuma exprimir o princípio do Sagrado e a presença do próprio Criador em todas as coisas. As figuras rupestres brasileiras que se acham relacionadas a este primeiro grupo são a seguintes: 

 

 

É importante anotar que os povos tupis e guaranis veneravam a CURUÇÁ, que em sentido místico representa a cruz sagrada. Em certos ritos cerimoniais desses povos o pajé produzia fogo através do atrito entre dois pedaços de madeira, cruzando-os, posteriormente, para simbolizar a cruz sagrada e com este gesto mostrar o poder criador ou fogo sagrado de Tupã, manifestado em toda a parte.

 

O terceiro grupo de nosso estudo mostra figuras curvilíneas e dentadas, e segundo A. Brandão tratam-se de variantes gráficas do som primordial mu, que teria relação com elementos da natureza, como a chuva, por exemplo. Os signos aqui representados são vistos como se fossem manifestações naturais da Divindade no seio da natureza, no seu sentido feminino e dos elementos vitais desta força da natureza em sua atuação criativa. Assim, as duas primeiras figuras podem significar sinais ideográficos da chuva e seu grau de importância na vida dos homens. Os caracteres em forma de U possuem dois sentidos: quando invertido , mostra a concavidade do espaço infinito, do horizonte e do céu, e na sua posição normal U representa o abismo das águas profundas do oceano, o fundo abismal das grandes águas. As figuras como um E deitado e um outro voltado para cima , representam a letra M, que em grego tem o som de mu e identificação com a água. Entre os egípcios, explica A. Brandão, o som de mu ou num significa abismo, o qual está ligado à própria água, profundidade e espaço. Segundo ele, para os povos antigos a água, a nuvem, o relâmpago, o raio, o espaço, o mar e o céu, tratavam-se de manifestações diversas de um só ser que era possuidor de poderosa força e tinha caráter universal. Os signos primitivos abaixo representam as características gráficas do som primordial mu: 

 

 

O quarto grupo é também composto de símbolos bem conhecidos no estudo dos signos da humanidade e têm, por isto, relação com a ação da Divindade nos seus aspectos de morte e destruição ou transformação. Os triângulos ascendente e descendente representam o fogo da terra e o fogo do céu manifestados, enquanto o signo da figura 3 representa os efeitos diretos produzidos pela Divindade (trovões, tempestades, relâmpagos, etc.) que atuam sempre no sentido de mudança. Na fusão dos valores manifestados pela Divindade, que simboliza a expansão do poder divino, tanto para cima quanto para baixo, temos na representação da terceira figura, os dois triângulos interligados, que pretendem mostrar o equilíbrio destas forças turbilhonantes em atividade.

 

A forma triangular é representativa do fogo e pode-se dizer que é a própria pirâmide, uma vez que em seu próprio nome ela contém este princípio ígneo. Pirâmide provém de pyra que significa fogo ou luz. A figura plana que se identifica com a pirâmide é o triângulo, amplamente encontrada neste grupo de signos rupestres. Quando dois triângulos se juntam, quer isto indicar que as duas forças (do céu e da terra) estão em atividade, podendo conduzir ao hexágono, que é a sua possibilidade de equilíbrio. Os triângulos que se mostram com um ponto no centro ou um pequeno círculo, querem expressar uma espécie de olho divino que tudo vê e que, portanto, está ciente de todas as coisas, princípio semelhante ao dos povos egípcios (o olho de Rá) e do triângulo maçônico.  A nosso ver, os demais outros signos registrados nas inscrições rupestres representam outras variações da divindade e destas forças mágicas que atuam na natureza e que tanto impressionaram os povos do passado, fazendo-os representá-los através desta rica simbologia. Símbolos triangulares passaram a estar sempre relacionados às divindades e depois, nas suas variadas representações vieram a constituir-se em signos gráficos nos alfabetos de vários povos da Terra. Eis algumas das suas manifestações nos lajedos do Brasil:  

 

 

O quinto grupo de signos vem representar uma espécie de desdobramentos do som TZIL, que simboliza a Luz criadora no mundo de TUPÃ. Suas representações gráficas procuram mostrar que sua expansão pode levar à compreensão de tudo o que é bom para a vida dos homens na Terra, no sentido de que esta emanação de Luz possa trazer a felicidade terrena com as novas possibilidades criativas da natureza e a progressão de sua força no tempo e nas boas colheitas.

 

Para Alfredo Brandão estas figuras angulares só poderiam ter um significado representativo da Divindade Maior, que seria o de destacar feixes de luz que se mostram sempre presentes no seio da natureza, como uma emanação dadivosa de sua própria força e poder. Vimos anteriormente que a cruz representou relevante grau de importância para esses povos e que este signo, de caráter puramente mnemônico, possibilitava a percepção de fatos portentosos ligados à natureza e que se achavam relacionados a eventos mágicos e sagrados, segundo pensavam.

 

Uma cruz gravada num rochedo sempre despertava na mente das pessoas elementos importantes ligados aos princípios divinizados e que estavam representados na própria natureza em torno. A sua forma acabou por dar origem à letra T e X dos alfabetos que surgiram posteriormente. As figuras angulares teriam então uma relação profunda com este principio da luz e suas projeções poderiam ter representações variadas. A sua força era tão significativa que idênticas manifestações vão ser encontradas em muitas regiões da Terra e que passaram a incorporar sons específicos nos alfabetos mais antigos, encontrando reflexo também nos já mencionados caracteres Sabeanos e de Glozel. Os signos abaixo estão relacionados a este princípio da projeção da luz:        

 

 

O sexto signo e suas derivações têm ligação com a própria Divindade, pois representam o poder do Senhor da Luz e do Trovão. Simbolizam a luz de TUPÃ ou o raio da divindade que se manifesta na natureza e causa grande impressão entre os homens. Graficamente, sua representação principal é a própria imagem do que se poderia compreender como sendo um relâmpago ou um raio. Como a luz do trovão estava relacionada à Divindade Suprema o signo em ziguezague passou a ser a figura ideal para representá-la. Sua percepção por aqueles povos era misteriosa, pois se destacava no céu com grande luminosidade e esta visão acompanhada de ruídos característicos imprimiam nas suas mentes um grande impacto de força e poder.

 

Trata-se de um dos signos mais primitivos do Brasil, juntamente com o da cruz e o do círculo, vindo a representar a força de Tupã reinando sobre todas as coisas. Ideograficamente, significa a própria luz que ilumina os céus e traz vida e segurança, mas que também provoca medo e ameaça. Confunde-se em sua manifestação e grafia ao signo mbu da tradição tupi que tem o significado de cobra, por causa de sua forma retorcida em movimento.      

 

 

O sétimo signo é muito semelhante com o que vimos anteriormente e pode-se dizer que sua identidade esteja também relacionada ao da figura do relâmpago, mais especificamente. Poder-se-ia dizer também que, praticamente, ele guarda o mesmo som TZIL já visto nas manifestações de outros grupos de signos, mas neste caso com maior ênfase e maior luz.

 

Como a luz do relâmpago sempre é vista cortando os céus com rapidez, pode-se dizer que este signo possui valor ideográfico caracterizado pela força e pelo movimento. Da mesma forma que o som mbu ele dá uma idéia de grandeza e de poderio, mas também desperta no observador uma percepção de força destruidora e apavorante.        

 

 

O oitavo grupo de signos abre nossa mente para uma percepção iniciática em relação à simbologia oculta que envolve certos caracteres. Estamos de acordo com a avaliação feita por Alfredo Brandão a este respeito. Diz o insigne pesquisador que o signo 0 representa ita, a pedra e que o seu culto era generalizado em toda a face da Terra antes do dilúvio universal. Pare ele, a causa da divinização da pedra é o fato de que dela sai faísca, fogo, luz e que ela deveria ser, portanto, a morada e a geradora do deus Tzil, a principal divindade dos povos Tupis, a qual encerra em si mesma as demais outras divindades. Desta forma tiveram preferência as pedras que apresentavam forma ovoide ou arredondadas, porque esta aparência aproximava-as mais do aspecto de uma chama ígnea.

 

Para Alfredo Brandão a palavra ita provém de beita que significa casa, residência da luz e do fogo. O som be teria o sentido onomatopaico do ruído de uma pedra que se choca com uma outra, representando a sua voz. O termo ita se decompõe em i e ta, sendo que i é uma abreviatura de il (luz) e ta (que formou o termo tatá – fogo) seria um outro som onomatopaico que representa o estalido ou crepitar das chamas. Assim, os símbolos   seriam modificações decorrentes deste primeiro signo 0 ita, a pedra divinizada pelos povos antigos do Brasil. O primeiro da sequência é conhecido como a pedra partida e deu origem ao segundo e ao terceiro signos, conforme A. Brandão. O signo acabou por dar origem às letras H e B dos antigos alfabetos e pode ser encontrado também entre os caracteres Sabeanos e de Glozel. A segunda figura aparece no antigo alfabeto fenício e o H no antigo alfabeto grego.

 

O quarto signo deste grupo é descrito por Brandão como a gravidez da pedra, que teria sido fecundada pelas forças celestes e que teria evoluído no seu som silábico para bra (terra, região) que unindo-se ao Tzil (fogo sagrado) teria originado o nome do Brasil. Para James Churchward a figura do círculo dividido por uma linha, tanto representado com a linha divisória na horizontal quanto inclinada ou na vertical , simboliza na linguagem do antigo continente de MU o Criador nos seus dois princípios: espiritual e material. Abaixo apresentamos este conjunto de caracteres brasilienses, comentados acima:            

 

 

Abordamos neste trabalho alguns dos principais signos pré-históricos do Brasil com o objetivo de mostrar a sua universalidade e que os mesmos não se tratam de garatujas sem sentido do homem primitivo, mas de algo bem mais avançado e que possibilitava-o conectar-se, de alguma forma, com suas crenças, seus deuses e seu modo de vida grupal. A notória semelhança destes caracteres com aqueles que incorporam os antigos registros conhecidos como os Sabeanos e os de Glozel, além de sua proximidade com os que compõem o alfabeto Adamico ou Vatan, obriga-nos a dar-lhes maior ênfase no seu estudo e a considerar estas terra brasileiras como sendo, em parte ou no todo, uma espécie de berço da primitiva luz que brilhou para todos os povos da Terra.

 

A condição que é dada aos caracteres brasileiros por alguns dos autores citados, com os quais concordamos, de que estes expressam princípios fortemente expressivos, como os de uma escrita, ou seja, de caráter mnemônico (destinados a avivar a memória), ideográfico (representativos de símbolos, quantidades ou funções) e fonético (representativos de sons), torna-os por si só de grande relevância nos estudos dos especialistas, significativos e inteiramente representativos, para que venham finalmente serem considerados como resquícios de uma língua muito remota, mãe de todas as demais que se sucederam posteriormente em diversos outros lugares de nosso planeta.  

 

Sabemos que muitos novos estudos terão de ser feitos neste sentido e pretendemos fazê-los, pois acreditamos que existe algo mais a ser contado sobre a antiga história do Brasil e mesmo de nosso planeta, de tempos que se perderam definitivamente na incessante e irrefreável voragem dos séculos. E que os signos perdidos na imensidão territorial de nosso país têm uma história mais longa e objetiva a ser contada, quando melhores condições tivermos de compreendê-las na sua integralidade e verdade.

 

* J.A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e  realizado incursões em diversas regiões do Brasil  com o intuito de melhor compreender seus mistérios milenares. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA. E-mail: jafonseca1@hotmail.com.

 

- Fotografias e ilustrações: J. A. Fonseca.

 

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