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Revisitando Sete Cidades

Já se imaginou que Sete Cidades seriam ruínas de um império viking no Brasil

e o austríaco Ludwig Schwennagen, radicado em Teresina, afirmou que grande

parte dos letreiros ali encontrados e também em outras partes de nosso país,

se tratam de escrita fenícia ou demótica egípcia.  

 

  Por J. A. FONSECA*

De Itaúna-MG

Novembro/2014

 

“Parede” colossal em Sete Cidades-PI.

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As plagas ardentes que compreendem a extensa região do nordeste do Brasil carrega em seu seio uma grande variedade de signos estranhos gravados nas pedras, registros diferenciados que contribuem para levantar inúmeras especulações sobre o seu passado mais remoto e que mereceriam um estudo mais aprofundado por parte dos pesquisadores. Por razões como estas, além das muitas outras, é que afirmamos que o Brasil trata-se de um celeiro muito antigo de histórias não muito bem contadas, em parte por conta de que seus registros não estejam muito bem conservados, em muitos casos, o que lhes dá testemunho de que remontam a eras pré-históricas de caráter seguramente milenar e, em parte, por causa dos seus monumentos extravagantes e seus ‘casos’ que sugerem acontecimentos pouco comuns.

 

Neste sentido, é que precisamos dar mais uma parada em Sete Cidades, no Piauí, e anotar alguns destes aspectos pouco considerados pelos estudiosos, mas que demonstram que existe algo mais ali a ser compreendido, por causa da sua estranheza.

 

Já se imaginou que Sete Cidades seriam ruínas de um império viking no Brasil e o austríaco Ludwig Schwennagen, radicado em Teresina, afirmou que grande parte dos letreiros ali encontrados e também em outras partes de nosso país, se tratam de escrita fenícia ou demótica egípcia.

 

O que se sabe, no entanto, é que o conglomerado de Sete Cidades causa perplexidade em quantos o visitem e que se assemelha mesmo a ruínas de uma grande cidade, dada as suas formações geológicas e variedade de figuras que se ajustam em torno, à forma de gigantescas esculturas pétreas que outrora dariam graça e beleza à possível metrópole dos tempos antigos do Brasil.

 

Quando ali estive, nos idos de setembro de 1999, senti-me diminuto perante as suas estruturas descomunais e multiformes, e fiquei perplexo diante de suas milhares de inscrições em toda a sua extensão, chegando mesmo a imaginar que me encontrava diante de ruínas de uma grande cidade. Seus monumentos pétreos fazem-nos viajar na imaginação, uma vez que se estendem por uma extensa área e mostram características peculiares e formações pouco convencionais.

 

Muitos autores se ocuparam de Sete Cidades e já tratamos disto em nosso artigo “Mais um Enigma Brasileiro – Sete Cidades–PI”, disponível neste portal, mas não seria demasiado incluir novos comentários sobre estudos feitos na região. E, neste caso, queremos destacar o trabalho do pesquisador piauiense Reinaldo Coutinho, residente próximo dali, em Piripiri, e que durante anos vem estudando os enigmáticos monumentos deste complexo megalítico misterioso e de grande importância para a história do Brasil, além dos registros rupestres encontrados próximos dali.

 

Monumento pétreo que mostra o furo solsticial

descoberto pelo pesquisador Reinaldo Coutinho.

 

Durante anos Coutinho embrenhou-se por entre os gigantescos monumentos de Sete Cidades e procurou desvendar seus mistérios e uma das suas descobertas foi o fenômeno solsticial que ocorre no terceiro conglomerado ou cidade. Desde suas primeiras visitas sua atenção se voltou para um furo que atravessa um grande paredão e pensou que este poderia tratar-se de algo não natural e começou a observá-lo.

 

Percebeu que em determinadas épocas do ano, especialmente nos solstícios e equinócios, este furo recebia a luz do sol e assinalava o movimento deste, indicando uma posição do seu curso em certas horas. Já havia o pesquisador afirmado anteriormente que Sete Cidades teria sido um complexo astronômico no passado e que, certamente, alguma espécie de culto solar teria sido praticado ali.

 

Suas observações continuaram em suas diversas visitas ao complexo megalítico, mas somente em 1995 é que ele decidiu colocar à prova as suas suspeitas sobre aquela ‘janela’ ou furo no alto do paredão íngreme. Empreendeu a subida ao monumento pelo seu lado oposto numa elevação gradual por entre as rochas, atingindo uma área espaçosa no alto da muralha. Segundo ele, o espaço ali é bem grande e cercado de muralhas menores com pequenos trechos descontínuos. Neste local existe uma colunata que parece estar localizada em posição quase central no terreno. Segundo Coutinho, “sem dúvida alguma, este trecho aberto era deveras importante para os povos antigos de Sete Cidades, que dali podia contemplar o ritmo solar anual e praticar o culto ao astro nascente, o corpo que regulava toda a manifestação de vida, cronometrava os ciclos agrícolas e condensava toda uma liturgia mágico-religiosa”.

 

 

 

Estranhos signos agrupados nos paredões

de Sete Cidades que parecem exprimir ideias.

 

Segundo informa, o furo solsticial localizava-se rente ao piso deste pátio e parece ser de origem natural, mas que foi ajustado de forma a permitir que o sol ali pudesse projetar os seus raios no dia 21 de junho de cada ano. Assim, o furo solsticial passou a estar alinhado com o nascer do sol no trópico de Câncer, segundo Coutinho, no solstício de inverno no hemisfério sul, cuja luz se projeta no monólito central acima referido e que é conhecido como cara do diabo.   

 

Coutinho observa que do lado direito do furo solsticial ainda podem ser vistos alguns poucos sinais em tinta vermelha e considera que estes estejam relacionados ao fenômeno que ocorre a cada ano. Assim, o fenômeno pôde ser constatado pelo pesquisador e autor, quando no dia 21 de junho, ao nascer do sol, um facho de luz penetrou pelo furo e estendeu-se pelo chão do pátio até encontrar-se com o monólito da cara do diabo, na parte central. Por volta das 6h, afirma, o sol ocupa totalmente o furo na rocha, irradiando-se por toda a área. Segundo suas observações este fenômeno pode ser também constatado alguns dias antes ou depois desta data (21 de junho), na qual ele alcança o seu ápice. 

 

A “porta selada” e os signos gravados na rocha ao lado,

conforme indica a seta na fotografia.

 

Para Reinaldo Coutinho, uma das mais importantes razões da existência deste furo é que este se tratava de uma espécie de calendário agrícola, por meio do qual os povos antigos controlavam a preparação do solo, do plantio e da colheita em cada ano.

 

Assim, pode-se dizer que tal experiência vem contribuir para uma hipótese que venha considerar o complexo de Sete Cidades como não sendo apenas formações naturais, uma vez que coincidências como estas não são fáceis de ocorrer regularmente.

 

Coutinho também se refere às inscrições rupestres, em elevada quantidade, em todo o parque e afirma que, “este importante conhecimento era exposto nas pinturas rupestres espalhadas pelo Parque, numa linguagem hermética e para nós um tanto obscura, nas antigas picto-ideografias indígenas. Nas rochas foram solenemente pintados registros, divisões e subdivisões do ano solar além de mecanismos de correção”.

 

As inscrições que se acham presentes em toda a extensão do complexo de Sete Cidades são multifacetadas. Existem mãos carimbadas misturadas a signos variados, figuras antropomorfas e zoomorfas e alguns objetos de caráter desconhecido. Alguns destes caracteres assemelham-se a letras e outros a ideogramas que parecem querer expressar ideias especificas.

 

É notório que em muitos casos os registros ali encontrados se tratam de eventos aleatórios, porém muitos outros indicam uma intenção segura de registrar algo de relevância para os seus autores. Pode-se perceber nestas delineações precisas e conjuntos que misturam figuras com signos variados, numa clara pretensão de relatar ideias. Dentre os muitos registros que ali podem ser vistos, destacamos alguns deles para ilustrar nossa perspectiva de que não se tratam de marcações sem significado e gravadas aleatoriamente e sem nenhuma intenção.

 

A pedra dos canhões com suas tubulações enegrecidas, pedindo uma explicação.

 

Sete Cidades será, certamente, um dos maiores acervos pré-históricos das Américas, pois acolhe em seus domínios esta rica evidenciação da atividade primitiva, preservando caracteres de conotação universal que se assemelham a muitos outros que podem ser vistos em muitas regiões da Terra. Dentre as inscrições lapidares do Parque pode-se ver que muitas delas estão de fato relacionadas a preocupações mais simplórias, como mãos carimbadas e riscos, além de reproduções zoomorfas em muitos de seus paredões disformes. No entanto, encontramos aí também alguns signos e agrupamentos de figuras que parecem querer apresentar uma ideia ou lampejos de algo que se perdeu por alguma razão forte, reivindicando uma atenção maior diante de sua expressão nitidamente ideográfica e da sua condição mais desafiadora e objetiva.  

 

Quando andamos por entre os paredões íngremes do complexo de Sete Cidades e suas figuras multiformes decorando os ambientes, temos a impressão mesmo de que estamos diante de ruínas de antigas construções, uma vez que encontramos ali praças, ruas, avenidas abertas entre os monólitos, muros e grandes muralhas, e elevações semelhantes a torres de vigia, sendo que em algumas podemos ver janelas abertas no alto, ocultando em seu interior uma escuridão milenar, indicando que poderiam haver também túneis ou passagens secretas sob suas edificações.

 

Numa área específica as pedras foram derretidas. O que teria ocasionado isto?

 

Já se afirmou que Sete Cidades trata-se de um conglomerado de formações naturais em arenitos laminados e maciços, caprichosamente modelados durante milênios pela ação da chuva e dos ventos fortes da região. Seria, portanto, o resultado de um processo geológico natural iniciado há cerca de 190 milhões de anos, tendo ocorrido também fraturas nas rochas, produzidas por chuvas torrenciais e ventos carregados de areia, o que ajudou a formar os canais gigantescos e o distanciamento das rochas, fazendo-as assemelharem-se a ruas, praças e ruínas de uma cidade destruída.

 

No entanto, gostaríamos de acrescentar que em todo este vasto complexo geológico de cerca de 20 km2 existem alguns casos específicos demais e característicos de certos pontos somente, que iremos aqui comentar. Na primeira cidade a presença dos tubos enegrecidos sobre as rochas causa perplexidade. A natureza teria sido caprichosa demais neste recanto do Parque e que por isto mesmo foi chamado de pedra dos canhões, além de que casos como estes não ocorrem comumente, podendo-se dizer mesmo que se trata de casos únicos, pelo menos no Brasil. Na segunda cidade, no alto do conglomerado, logo após a subida próximo à pedra da jiboia, existe um espaço constituído de pedras fundidas, totalmente derretidas sob o sol e que também nos chama a atenção pela sua condição inusitada. Na terceira cidade temos o caso do furo solsticial descoberto pelo pesquisador Reinaldo Coutinho e abordado anteriormente. A quarta cidade é formada por imensos paredões e formações pétreas esculpidas em grande profusão. A quinta cidade mostra uma grande porta selada e inscrições estranhas ao lado da mesma, como a indicar a existência de algo mais neste monumento. A sexta cidade com suas cúpulas gigantescas, semelhantes a iglus pétreos gigantescos e cobertos por camadas de pedra justapostas e formatos quase hexagonais impressionam. A sétima cidade acolhe a famosa gruta do pajé e suas variadas e complexas inscrições rupestres, que Coutinho pensa tratar-se de símbolos astronômicos.

 

A torre com sua janela, indicando que poderiam

haver passagens no interior destes monumentos.

 

Em suma, existem muitos aspectos extravagantes e diferenciados em todo o conjunto de Sete Cidades que teriam obrigado a natureza a trabalhar com especial atenção e cuidado, além de dotar com exclusividade certos recantos com caracteres próprios em detrimento de outros. Isto é algo que chama a atenção e causa admiração e surpresa. Acompanha estas expectativas a questão dos signos e ideogramas gravados nas rochas em grande quantidade por todo o complexo do Parque, trazendo novas reflexões sobre os povos que viveram ali e a razão destas sofisticadas demonstrações de “arte” ou “escrita primitiva”. Deixamos aos interessados a busca consciente de explicações para estas questões.

 

* J.A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e  realizado incursões em diversas regiões do Brasil  com o intuito de melhor compreender seus mistérios milenares. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA. E-mail: jafonseca1@hotmail.com.

 

- Fotografias e ilustrações: J. A. Fonseca.

 

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Esta matéria foi composta com exclusividade para Via Fanzine©.

 

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