Brasil Antigo

 

 

Arqueologia Fantástica

O incrível Paredão no Mato Grosso

Os mais antigos habitantes destas terras permanecem em obscuro mistério e a não ser uma farta

presença de gravações rupestres em muitos paredões e grutas, além de resíduos de fortalezas

líticas e outros monumentos, quase nada se sabe sobre os mesmos nem para onde teriam se dirigido.

 

  Por J. A. FONSECA*

De Itaúna-MG

Julho/2015

jafonseca1@hotmail.com

 

Antigas inscrições no Brasil Central intrigam pesquisadores

e ainda não foram devidamente solucionadas.

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Muitos pesquisadores já atentaram para a antiguidade do solo brasileiro e outros para a não menos provável antiguidade do povo que viveu nestas terras em épocas muito longínquas. O professor de paleontologia da Universidade de São Paulo, Josué Camargo Mendes, considerou que a idade das rochas que formam o vasto solo da magnitude continental do território brasileiro, tem demonstrado ser superior a 600 milhões de anos, sendo que algumas dessas rochas já teriam recebido datação de cerca de dois bilhões de anos.

 

Para o sábio Dr. Peter W. Lund, que residiu no Brasil, o planalto central brasileiro já existia como um vasto continente há milhões de anos, quando as demais outras extensões continentais encontravam-se ainda submersas no oceano, cabendo a esta região, portanto, a condição de receber o mérito de ter sido o mais antigo continente de nosso planeta que teria surgido do fundo das águas oceânicas.

 

De tal forma, pode-se considerar também que o homem poderia muito bem ter surgido neste território milenar do Brasil, muito antes de ter-se espalhado para outros lugares da Terra, sendo aqui, portanto, o local onde teria surgido a raça humana. Por que isto não poderia ter ocorrido?

 

O professor A. da Silva Mello disse que existem provas suficientes para demonstrar que o homem tropical é superior aos demais, tendo por base os estudos feitos por antropólogos, etnólogos e anatomistas, a respeito da evolução do ser humano em nosso planeta. Segundo ele, tem se colocado em evidência cada vez mais que o homem primitivo teria sido um ser de caráter tropical durante milhares de anos, por ter habitado unicamente regiões de clima quente.

 

Muitos outros autores e estudiosos, por meio de estafantes trabalhos realizados nestas terras do Brasil reconheceram que muitas matas, grutas, cavernas e chapadões já teriam sido de há muito habitados por homens primitivos, mas que, entretanto, muito se diferenciavam dos indígenas que foram encontrados pelos descobridores do século XVI. A presença desse tipo mais antigo pode ser notada em muitos lugares deste nosso país e suas características diferem muito do que é natural aos silvícolas que viviam nas matas brasileiras e aos seus hábitos, notadamente conhecidos pelos modernos pesquisadores.

 

 

 

Incríveis inscrições no Paredão, com traços retilíneos e precisos,

motivos abstratos e significado obscuro.

 

Os mais antigos habitantes destas terras, porém, permanecem em obscuro mistério e a não ser uma farta presença de gravações rupestres em muitos paredões e grutas, além de resíduos de fortalezas líticas e outros monumentos, quase nada se sabe sobre os mesmos nem para onde teriam se dirigido. 

 

Poderia esses ter sido avós dos indígenas que aqui se estabeleceram por toda a parte e que ainda existem nos dias de hoje? Por que então estes mais recentes habitantes do Brasil teriam abandonado definitivamente a vida em rochedos e cavernas e desistido de fazer gravações nas pedras, como o faziam seus pretensos antecessores?  

 

E quanto ao caráter sofisticado de muitas destas inscrições, tanto no seu sentido de conteúdo como na forma de sua execução, por que seus descendentes perderam sua capacidade de continua-las produzindo e de interpretá-las nos dias de hoje? Que povos então teriam sido esses e o que teria acontecido com eles?       

 

A grande maioria dos pesquisadores admite que as pinturas rupestres, onde quer que elas sejam encontradas, estejam relacionadas à magia no sentido da caça, aos fenômenos da natureza (que consideravam de origem divina), ao simbolismo do sexo, do nascimento e da morte. Temos aí uma extensa e rica galeria de elementos que poderiam nos conduzir a contrair respostas para estas questões e pensamos que em muitos casos estes fatores devem ter sido mesmo muito fortes no impulso de seus autores e na sua concepção.

 

Esse autor com os amigos pesquisadores de Primavera do Leste – MT,

Givanildo Brunetta e Sávio Egger. Abaixo um conjunto de traços, lembrando uma escrita.

 

Desde os tempos mais antigos do Brasil estes registros milenares vêm sendo observados e comentados por pesquisadores, tendo sido interpretadas por muitos destes em inúmeras obras de grande valor histórico e de pesquisa. Religiosos como padre Anchieta, que não só buscou aprender a língua original do Brasil em seu maior ramo, o tupi, também se elaborou uma gramática desta língua que passou a ser utilizada pelos jesuítas que para estas terras eram direcionados. No sentido dos estudos sobre a arqueologia tivemos como destaque no final do século XIX o insigne pesquisador Tristão de Araripe e no início do século XX, muitos outros se ocuparam deste mister e sérios estudos foram feitos, inclusive propostas de decifração destes signos estranhos, como o trabalho excepcional de Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, “Inscrições e Tradições da América Pré-histórica, Especialmente do Brasil”, em dois grandes volumes.

 

Também se destacaram Alfredo Brandão, Gustavo Barroso, Aníbal Mattos, etc. somente para citar alguns. Mais recentemente diversos autores e arqueólogos trataram da arqueologia brasileira de forma concisa e grandiosos trabalhos foram produzidos, como os de André Prous, Denise Pahl Schaan, Luis Galdino, José Anthero Pereira Júnior, etc., para também citar apenas alguns.   

 

Entretanto, é nosso pensamento que os estudos sobre esta quase incomensurável quantidade de registros brasileiros deveria caminhar hoje sob novas perspectivas, não só escorados no avanço tecnológico que muito pode facilitar o processo de avaliação e estudos, mas, especialmente, no sentido de conduzir o enfoque da pesquisa para um horizonte mais amplo, em relação à compreensão dos motivos reais que deram origem a tais manifestações culturais e de arte. A quantidade destes registros por todo o território brasileiro, por si só, seria motivo suficiente para que os víssemos com outros olhos e não somente que viessem tratar-se de manifestações aleatórias de grupos de pessoas que não tinham nada para fazer.

 

O caso das inscrições do Paredão, no estado de Mato Grosso, de caráter mais sofisticado e que demonstramos neste artigo, fogem do caráter comum de manifestações líticas encontradas no Brasil (entre outras) e merecem por isto maior destaque. Estas foram registradas em nossa mais recente visita que fizemos aos amigos pesquisadores de Primavera do Leste, Givanildo Brunetta e Sávio Egger, quando nos surpreendemos uma vez mais diante de mais um enigma em terras brasileiras.

 

Nossos amigos do Mato Grosso já conheciam o local e gentilmente nos conduziram até lá para desfrutarmos de mais este mistério e efetuarmos nossos registros fotográficos e estudos. São inscrições magníficas, em baixo relevo, que muito nos impressionaram devido à sua rica simbologia gravada por mãos ágeis e precisas, com ideias predeterminadas, no sentido de produzir e gravar os signos ali representados.

 

Os traços foram riscados de forma retilínea e precisa, como se a pedra sobre a qual estes foram impressos estivesse amolecida e o instrumento utilizado tivesse um formato cortante específico. Não se pode conceber que as figuras ali gravadas em profusão pudessem ter sido executadas por meio de instrumentos impróprios, como pedaços de pedra, por exemplo, ou galhos de árvores, devido à sua inexplicável precisão, com traçados retilíneos e sem arestas.

 

Quando observamos estes detalhes nossos pensamentos remetem-nos a especulações contraditórias acerca das razões que levaram seus autores a marcarem perenemente na pedra seus anseios com figuras tão expressivas e uma simbologia carregada de uma estranheza desafiadora e ao mesmo tempo incômoda. Se quisermos atribuí-las ao homem primitivo simplesmente e não nos atermos aos detalhes de seu provável significado e forma com que teriam sido produzidos, parece-nos que estamos prestes a ignorar fatores importantes para a sua própria compreensão e do passado de nossa terra, fato este que vem sendo praticado regularmente através dos tempos.

 

Acima: pés moldados na rocha na região chamada de Paredão (MT).

Abaixo: pés semelhantes moldados, em abrigos de Poxoréo (MT).

 

Sob o enfoque em que observamos as inscrições do Paredão diremos que estes chamam a atenção por dois motivos sobrejacentes, uma vez que se colocam acima de uma análise convencional pura e simples no estudo da arqueologia:

 

1.       Sua complexa simbologia gravada na rocha em baixo relevo, em sulcos profundos e precisos, e que se acha enfaticamente recheada de figuras desconhecidas que, como outros registros na região, não são familiares nem aos silvícolas que aqui viviam nem aos pesquisadores que se esforçam por compreendê-las, atribuindo-lhes apenas sentido de culto por falta de outros elementos que possam sustentar uma análise mais condizente com o que provavelmente pretenderam dizer seus autores.

 

2.       A metodologia utilizada na sua feitura, com traços profundos e riscados retilineamente, sem arestas, determinando, com elevado grau de incidência, terem-se utilizado seus executores de instrumentos eficazes que teriam permitido a sua elaboração da forma como se apresentam, além de marcas de pés “moldados” na pedra a alturas consideráveis. Estes últimos trata-se de enigmas brasileiros indecifráveis, um mistério que pode ser encontrado em diversas regiões do Brasil e que permanece sem explicação. Os indígenas chamam estas marcas de pisadas de Sumé, o ser místico e mítico que habitou as lembranças e as lendas destes povos em toda a extensão do Brasil.

 

Em nossas observações constatamos que as insculturas aqui representadas não poderiam ter sido feitas com a utilização de nenhum instrumento rudimentar e o próprio leitor, por meio das fotografias ilustrativas que juntamos a este artigo, poderá também fazer suas observações e perceber que estes não poderiam tratar-se simplesmente de registros que pretendam espelhar somente imagens ritualísticas ou idéias aleatórias, sem uma intenção predeterminada. Nossos acompanhantes Givanildo e Sávio também notaram que sua complexidade de elementos e de feitura impede-nos de tentar ajustá-las num contexto de simples manifestações de povos nômades ou produto de ociosidade de elementos destes grupos.   

 

 

Acima: Inscrições em Coronel Ponce (MT)

Abaixo: Inscrições em Chapada dos Guimarães (MT) e de Poxoréo (MT)

  

As características das inscrições do Paredão, apesar de apresentarem conteúdos bem diferenciados, nos lembram às insculturas, também registradas por nós, na Chapada dos Guimarães, de Coronel Ponce e de Poxoréo, não muito distantes dali. Para fins comparativos, especialmente quanto ao método utilizado na sua feitura, destacamos abaixo alguns destes registros milenares retro mencionados.

 

Causa muita estranheza a questão dos pés moldados na rocha de forma precisa e indiscutível, encontrados nesta região e também em Poxoréo (além de outras regiões do Brasil) como pode ser visto nas fotografias anexadas a este artigo. 

 

Seja quem for que as tiver executado, não o faziam por crença ou ociosidade, pois a simbologia que carregam é muito intensa e contundente, e as marcas dos pés moldados na pedra, também encontrados em outras regiões, ficam sem respostas e se transformam em enigmas por falta de explicação plausível para a sua forte presença nas vastas extensões do território brasileiro.

 

É significativo que em nossas andanças pelo Brasil e verificação de manifestações rupestres primitivas, a cada descoberta ou visitação que fazemos os enigmas se acumulam mais ao invés de caminharem para uma provável explicação ou entendimento, e o mistério se agiganta, indicando uma perspectiva histórica diferenciada, notadamente em contraposição com a existente e não cogitada ainda pelos estudiosos e pesquisadores do nosso passado mais longínquo.     

 

* J.A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e  realizado incursões em diversas regiões do Brasil  com o intuito de melhor compreender seus mistérios milenares. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA. E-mail: jafonseca1@hotmail.com.

 

- Fotografias: J. A. Fonseca.

 

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Esta matéria foi composta com exclusividade para Via Fanzine©.

 

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