Goiás

 

Pedras encaixadas:  

A cidade perdida de Paraúna

Imensos monumentos líticos que cortam quilômetros de terras foram deixados

por povos sem registros que, talvez, jamais saberemos quem foram.

 

  Por J. A. FONSECA*

De Itaúna-MG

março/2014

 

Esse autor diante do muro de pedra da cidadela da Serra da Arnica.

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  A antiguidade dos registros rupestres do Brasil

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Paraúna é uma pequena cidade do Estado de Goiás, onde se podem ver monumentais formações rochosas, muitas das quais, se mostram com claras evidências de terem sido ‘trabalhadas’ por mãos humanas e a utilização da inteligência e técnicas na sua edificação. Estas ruínas também já foram alvo de um artigo nosso neste site “As Inexplicáveis ‘Construções’ de Paraúna” e estamos voltando a este assunto pela razão anteriormente exposta e demonstrar nossa tese por meio desta discussão, anexando imagens que foram tomadas no local quando de nossa ida até lá e observações feitas ‘in loco’.

 

Nossa primeira impressão de Paraúna foi-nos transmitida pelo pesquisador e escritor Alódio Tovar (além de topógrafo, cartógrafo, projetista e jornalista) que viveu muitos anos na região e desenvolveu inúmeros estudos por lá, mostrando significativas evidências arqueológicas que pude posteriormente constatar. Em artigos publicados em revistas especializadas e em seu livro “A Face Oculta da Natureza – o Enigma de Paraúna” desenvolveu estudos avançados sobre suas descobertas na região e não poupou esforços para mostrar o sentido enigmático de seus monumentos arqueológicos e seus registros rupestres com suas incríveis figuras.

 

Foi este pesquisador quem fez as primeiras observações sobre a muralha de pedra da Serra da Portaria e pesquisou o sistema de túneis desta serra. Foi também de sua lavra a tese de que havia pirâmides soterradas na região e foi ele quem descobriu as construções líticas da Serra da Arnica, além de estudos pormenorizados no chamado “painel mágico” da gruta do Ribeirão Encanado, das quais, falaremos mais adiante.

 

Falando sobre Paraúna, escreve este insigne autor: “Nada sabemos de concreto sobre a origem dos múltiplos monumentos dispersos encontrados em vários sítios do município. Nós os consideramos de valor arqueológico porque numa visitação sistemática que realizamos desde 1974, pudemos anotar dezenas de informações e fotografar outras tantas peças, que para nós, já formam um quadro capaz de confirmar a indiscutível presença de uma civilização nas regiões da Serra dos Caiapós. Talvez, nem tanto uma civilização, mas pelo menos a passagem de algum povo construtor em pedra, dotado de conhecimentos e técnicas capazes de exprimir um nível cultural superior àqueles que caracterizam os coeficientes das tribos indígenas em território goiano, conhecidas desde a chegada dos bandeirantes.”

 

Sua abordagem envolve todo o complexo arqueológico de Paraúna, dos quais, vamos destacar neste trabalho apenas a serra da Arnica e a Grande Muralha. Porém, outra descoberta de Alódio Tovar chamou a atenção: a descoberta da gruta das incríveis figuras, conforme ele mesmo a denominou, por causa de seu intrigante painel lítico no teto da gruta, impregnados de desenhos e gravuras estranhos às culturas mais antigas do Brasil.

 

Em nossas observações sobre as grandes possibilidades arqueológicas de Paraúna ficou-nos claro que estes dois monumentos líticos que destacamos tratam-se mesmo de ‘trabalhos’ desenvolvidos por povos muito antigos, muito anteriores aos indígenas que aqui habitavam quando da chagada dos portugueses.

 

A GRANDE MURALHA

 

Um detalhe da Muralha de Paraúna.

 

Vamos iniciar pela grande muralha que foi exaustivamente pesquisada por Alódio Tovar. Afirmou o pesquisador que a mesma possui uma extensão de 15 km e está localizada a cerca de 35 km da cidade, numa região de fazendas, no vale da Serra da Portaria.

 

Quando a encontramos ela estava tomada por intensa vegetação e mal podíamos vê-la da pequena estrada que passa por ela em direção às fazendas próximas. Trata-se de algo que muito impressiona e causa muita estranheza depararmo-nos com uma “construção” megalítica como esta em pleno interior do Brasil, considerando-se que nossos antepassados, em tese, não eram dotados da capacidade inteligente e experiência para projetar e construir edificações deste porte.

 

Do local onde nos encontrávamos conseguimos subir sobre sua esplêndida estrutura pétrea e caminhamos em seu cume por muitos metros à frente. É constituída de blocos de basalto negro, tipo de rocha vulcânica muito resistente, também conhecida como pedra-ferro, com cerca de 1 metro de largura e chegando, em alguns lugares, até onde pude chegar, a alcançar mais de 2 metros de altura. Segundo Alódio Tovar, ela possui uma altitude média de 4,0 metros e sua largura média é de 1,30 metros. Em alguns pontos a “muralha” desce até o solo, ficando praticamente rente ao chão e segue numa direção mais ou menos retilínea. Ela avança do paredão principal da Serra da Portaria e segue até uma pequena elevação do outro lado do vale.

 

Observando-a do alto de suas pedras multiformes, pode-se notar que ela possui algumas oscilações e, em alguns lugares, partes da mesma encontram-se espalhadas por toda a parte, levando-nos a acreditar que um terremoto de grandes proporções, teria deslocado e destruído alguns dos pontos deste monumento lítico excepcional.

 

A muralha (vista do topo) seguindo em direção ao vale as Serra da Portaria.

 

Em alguns locais suas pedras também parecem terem sido removidas de sua posição original, por ação de uma força descomunal. O que chama a atenção é que toda a sua estrutura segue uma orientação sempre horizontal e suas pedras parecem ter sido assim ajustadas por uma ação deliberada, além de sugerirem que teriam sido trabalhadas e transportadas de um outro local. Os blocos que compõem sua estrutura têm formas retangulares, mas que não foram talhados com a mesma precisão, apesar de que foram ajustados em alinhamento contínuo, um ao lado do outro, procurando-se encaixá-los mutuamente.

 

Em nossas observações, alimentamos a certeza der que fica definitivamente comprovado que não se trata de uma formação natural e que em passado distante existiam povos no Brasil que desenvolveram construções em pedra. Esta certeza fica ainda mais bem caracterizada com os trabalhos magníficos que encontramos na serra da Arnica a cerca de 20 km dali.     

 

No tocante a uma construção pétrea de grandes proporções como esta que acabamos de mostrar, podemos afirmar que poucas pesquisas foram feitas para comprovar sua origem e que povos a teriam construído, deixando a excepcional Muralha de Paraúna ignorada com o seu rastro de mistério e uma grande questão a ser respondida pelos estudiosos do assunto.

 

SERRA DA ARNICA

 

O grande paredão elevando-se no vale com uma figura semelhante a um touro deitado no alto.

 

Outro excepcional monumento lítico que merece um estudo mais acurado de sua estrutura é o da Serra da Arnica que está localizado a cerca de 20 km da cidade, em propriedade particular, assim como a maior parte destes monumentos arqueológicos. Este nome teria sido atribuído àquela região, certamente, em decorrência de que existe ali uma grande incidência de uma planta com altos valores medicinais de nome ‘arnica’ e é muito encontrada nos cerrados brasileiros, com larga utilização pelos povos mais antigos.

 

As pedras que compõem este monumento elevam-se em posição retilínea, como contrafortes de uma grande fortaleza e no interior desta, sinais marcantes de construções extravagantes, mostram paredões pétreos com encaixes perfeitos e elevações monumentais oriundas de um passado remoto.

 

Estruturas colossais ajustadas na formação do paredão principal.

 

Apesar de as monumentais “construções” da Serra da Arnica não fazerem parte do inabitual, ou seja, achados arqueológicos que não condizem com as teorias vigentes em que se baseiam os estudiosos em geral, e que têm crescido assustadoramente nos dias de hoje, continuam sendo tratadas com um certo descaso e não se tem notícia de que tenham sido estudadas adequada-mente.

 

Diante de sua real importância (vide fotos) no cenário brasileiro, é de se desejar que fosse proposto um aprofundamento no estudo de casos como estes de Paraúna, que têm mostrado uma nova realidade para a história mais antiga do Brasil. O que achamos estranho é que atitudes neste sentido não sejam tomadas, as quais, de um lado poderiam constatar a existência de grupos de brasileiros anteriores aos próprios silvícolas (que não tinham o hábito de trabalhar com pedras) ou comprovar categoricamente que não se tratam de ”construções” milenares, como desafiadora-mente se mostram ser.

 

Pedras cortadas e ajustadas com finalidades bem orientadas.

 

Quando lá estivemos, causou-nos espanto depararmo-nos com tais elevações em pedra bruta, notoriamente trabalhadas e edificadas com deliberada intenção e mais ainda por as termos encontrado conforme relatado por Tovar, registrando em fotografias suas incríveis formas retilíneas e excepcionais. Já tínhamos conhecimento das mesmas por intermédio do trabalho grandioso de Alódio Tovar, mas queríamos encontrá-las por nós mesmos e verificar ‘in loco’ o que este pesquisador já havia constatado em seus estudos.

 

O que as torna estranho junto aos estudos arqueológicos do Brasil é que estas “ruínas” e outras como estas, levantam um sério confrontamento e dificuldades em relação ao que sabemos hoje sobre as culturas indígenas brasileiras e os chamados homens primitivos, caçadores-coletores, que habitaram em grutas, abrigos e cavernas em muitas regiões desta terra. Pode-se ver ali paredes ainda aprumadas, construídas com grandes blocos de pedra, cinzeladas e ajustadas com precisão e amarrações convencionais, mas sem a utilização de argamassa.

 

Grandes fortalezas se elevam assentadas sobre gigantescos blocos de pedra ajustados também para suportar os monumentais blocos cinzelados em perene elevação. Figuras estranhas aos antigos povos do Brasil ali se mostram presentes, como uma espécie de esfinge antropomorfa e a imagem de um touro deitado sobre o paredão principal e uma outra cabeça taurina esculpida mais adiante, deixam-nos pensativos, uma vez que estes animais não eram conhecidos desses antigos habitantes do Brasil.

 

Uma figura zoomorfa esculpida no alto do paredão, à semelhança

de um touro, desconhecido dos povos antigos do Brasil.

 

Havia uma espécie de rampa que conduzia ao interior da fortaleza e em alguns lugares o assoreamento era intenso. Mais à direita, havia um outro contraforte, um conjunto pétreo de grandes proporções, com formações também semelhantes a uma esfinge, se bem que zoomorfas. Estávamos diante de duas formações gigantescas, constituídas de grandes e pesados blocos maciços em pedra bruta, assemelhando-se a potentes muralhas ao lado de algo como um grande portal destruído. Ao transitarmos (eu e minha esposa) por entre aqueles grandes blocos de pedra, não tínhamos dúvida de que nos encontrávamos diante de primitivas construções ciclópicas, certa-mente erguidas por um povo desconhecido, por meio de uma técnica não sabida.

 

Era notório que algum tipo de conhecimento este povo teria de ter possuído para construir algo de tão pronunciadas proporções e condução inteligente. Estávamos perplexos com tudo aquilo e nos surpreendíamos a cada momento com a grande profusão de monólitos cortados e encaixados com precisão em seus “paredões” extravagantes.

 

Excepcionais estruturas em rocha do grande paredão principal

e a esfinge com imagem antropomorfa em destaque.

 

Logo na entrada nos deparamos com uma grande parede de pedra construída de blocos linearmente cortados e encaixados, em perfeito aprumo. Algumas destas pedras trabalhadas eram de grandes proporções e, ao lado, havia alguns blocos perfeitamente cinzelados, como se tivessem sido deslocados do conjunto pela ação de uma força poderosa.

 

Subi até o alto dos contrafortes de onde podia-se ver toda a redondeza, tendo de um lado a figura gigantesca de um touro deitado ou algo parecido e, de outro, a figura de uma esfinge com caracteres antropomorfos. Ambos se mostravam imponentes sobre suas estruturas e suportes, deixando ver com clareza que teriam sido trabalhados por mãos humanas, apesar de estarem naturalmente desgastadas pelas intempéries e pela corrosão natural do tempo.

 

De onde nos encontrávamos, no alto do grande paredão pétreo víamos toda a região em torno e não podíamos alimentar outra idéia a não ser a de que tudo aquilo se tratasse mesmo de ruínas de um grande império desaparecido, dadas as suas incontáveis evidências da forte presença humana naquele local.

 

Grandes blocos ajustados propositadamente.

 

Detalhe do muro de pedra da cidadela da Serra da Arnica.

 

Também uma espécie de muro de pedras cinzeladas, com seus grandes blocos ajustados do lado interno da fortaleza, mostrava encaixes perfeitos e as amarrações bem coordenadas, mostrando com grande evidência de que ali uma raça antiga de brasileiros havia trabalhado com destreza e com a clara intenção de construir uma vila ou uma cidade.

 

O muro de pedras cuidadosamente trabalhado com ajustes perfeitos.

 

Detalhe da parede de pedra e seus cortes e ajustes adequados.

 

Nada pode arredar de nossa mente que a Serra da Arnica guarda um grande mistério a ser explicado pelos historiadores e arqueólogos, pois a sua presença desafiadora não pode mais ser ignorada e não está disposta a aceitar uma explicação simplista ou escorada em certas contemplações hipotéticas sem o devido respaldo da pesquisa e da constatação ‘in loco’. Certas evidências são por demais eloqüentes e as fotografias que anexamos a este trabalho mostram com força as idéias que estamos expondo neste trabalho.

 

No alto dos contrafortes os ajustes dos grandes blocos de pedra.

 

Devemos frisar que algumas das pedras que compõem tal monumento são tão retilíneas e tão bem trabalhadas, que se encaixam com toda a precisão, enquanto que outras parecem terem sido manuseadas de forma que pudessem acomodar-se sobre as que foram anteriormente assentadas. A grande parede que encontramos logo na entrada possui amarrações nos seus encaixes e blocos tão bem ajustados, que deixam ver, ao mais desatento visitante, que se trata de uma construção evidentemente artificial, produto de uma ação intencional e com finalidades bem estabelecidas.

 

Detalhe dos assentamentos pétreos da Serra da Arnica.

 

Esta fortaleza da Serra da Arnica distancia-se a cerca de 15 km da grande muralha, anteriormente apresentada, podendo-se dizer que ambas podem, perfeitamente, fazer parte de um mesmo complexo de edificações. Toda a região é riquíssima em monumentos líticos com estranhas formações, como no caso da Serra das Galés, da Ponte de Pedra, da Serra da Portaria e da Gruta das Incríveis Figuras, esta última não visitada por mim, por não ter conseguido localizá-la quando de minha estada por lá.

        

A Serra das Galés é uma pequena elevação multiforme onde se acham espalhadas por uma vasta região inúmeras formações de arenito, caracterizadas em motivos zoomorfos, antropomorfos e outras configurações, igualmente deslumbrantes, à semelhança de uma cidade abandonada.

 

Seus “monumentos” e paredões rochosos elevam-se em toda a sua extensão em agrupamentos específicos, apresentando caracterizações variadas, como passagens entre as pedras, “ruas”, “praças”, esculturas gigantescas, etc., em meio a uma grande confusão de formas. Este aspecto de seu conjunto não tira a sua graciosidade e beleza, pois suas formações esparsas e em grandes conglomerados, deixam à mostra um emaranhado de figuras facilmente identificadas, algumas das quais, assemelhando-se a rostos humanos, figuras de animais, muralhas gigantescas, paredes, cálices, torres, e outros objetos de proporções consideráveis.

 

Apesar de suas dimensões serem inferiores aos monumentos pétreos de Sete Cidades, no Piauí e de Vila Velha, no Paraná (onde também estive), suas formações lembram fortemente às daquelas regiões no norte e no sul do país. Como já dissemos, percorrendo por entre seus blocos gigantescos, podemos observar figuras interessantes que tomam feições variadas, quando observadas de ângulos específicos. Dentre suas formações características podem ser notadas as que lembram uma tartaruga, um lagarto, uma índia com seu filho às costas, taças gigantescas, dentre outras, além de grandes contrafortes, muralhas e paredes aprumadas.

 

A Ponte de Pedra é também um monumento de singular beleza, simplicidade e proporção. Está distante do município de Paraúna a cerca de 60 km por estrada de terra e trata-se de uma região muito agradável, apesar de encontrar-se meio escondida no meio de abundante vegetação. Estacionamos numa clareira aberta na floresta e nos embrenhamos pela mata à direita, chegando à margem do rio que tem o mesmo nome, ou seja, Ponte de Pedra. Vimos então que o mesmo corre para a esquerda em direção a uma pequena queda d’água na entrada de um túnel diante de uma grande elevação pétrea, desaparecendo sob a terra. Dirigimo-nos até lá e descemos em meio a pedras colossais até a entrada da gruta e vimos porque ela tem este nome.  No alto, como uma moldura arqueada de uma ponte havia uma formação maciça de pedra, como se esta tivesse sido colocada ali por algum tipo de ação natural ou humana. Assemelha-se a uma viga de sustentação, perfeitamente ajustada, como numa ponte construída pela engenharia humana.

 

Entramos pela passagem e nos encontramos em seu interior. No teto havia uma espécie de clara-bóia natural que iluminava regularmente o ambiente, deixando ver, com certa nitidez, todo aquele espetáculo. Havia algumas formações de estalactites e estalagmites de coloração levemente azulada, nascentes de água cristalina e um ambiente calmo e saudável. Mais adiante, onde a outra  abertura da gruta permite que o rio prossiga seu caminho, desce-se por uma encosta íngreme, segurando-se nos arbustos e árvores em volta e chega-se novamente até o leito do rio, que corre majestosamente entre as pedras. 

  

O contraforte da Serra da Portaria.

 

A Serra da Portaria é um contraforte montanhoso que impressiona por sua imponência e, segundo Alódio Tovar, chega a alcançar até 120 metros de altura. Seu nome está ligado à existência de inúmeros portais “lacrados” em diversos pontos de toda a sua extensão. Não nos foi possível aproximar dela por vias comuns, pois deveríamos empreender uma longa caminhada até sua base. Segundo o pesquisador Tovar, que lá residiu, ela possui um túnel aberto, logo abaixo do que é chamado de grande janela, bem no alto, que liga o topo da montanha a uma galeria escavada no interior da rocha viva na montanha.

 

Tivemos de regressar e compreendemos que nossa viagem não teria sido completa. O pesquisa-dor Alódio Tovar havia encontrado numa fazenda a cerca de 80 km de Paraúna, uma grande for-mação rochosa, sob a qual havia uma gruta contendo estranhas e enigmáticas figuras. Infelizmente, apesar de nossas buscas, não conseguimos encontrá-la para que pudéssemos analisar aquelas formações na rocha que, para ele, se tratavam de um grande enigma e de uma grande revelação sobre o passado de nossa terra.

 

Segundo Tovar, a Gruta das Incríveis Figuras (assim chamada por ele) se localiza na divisa dos municípios de Paraúna e Ivolândia, às margens do Ribeirão Encanado e possui características estranhas, a começar pelo piso que se mostra escavado na pedra uma forma de pilão de grandes proporções, polido e com sinais de vitrificação. Em torno de suas paredes podem ser vistos diversos pontos capsulares ajustados de forma simétrica e contínua. Não parece estar ali por simples acaso ou sem ter exercido uma função específica em alguma época, afirma Tovar. Quanto ao teto desta gruta podem ser vistos uma grande quantidade de símbolos e figuras variadas que causam grande perplexidade por causa de suas características inusitadas.

 

Muitas figuras deste painel surpreendem, porque, a princípio, não poderiam estar ali, como, por exemplo, o touro, o homem, a águia e o leão, figuras místicas e de sentido abstrato que permeiam a literatura esotérica e também religiosa. Para o pesquisador Alódio Tovar este painel é, ao mesmo tempo, absurdo e revelador, pois as figuras nele gravadas, ora com nitidez ora de forma menos perceptível, mostram uma sofisticada diversificação de figuras simbólicas e ligadas a antigas tradições que nos parecem difícil de serem aceitas, nas condições e no local em que foram encontradas.

 

Também podem ser vistas outras figuras curiosas como um caranguejo, uma figura diabólica, um monge assentado, o rosto de uma mulher coroada, um duende, uma figura semelhante a uma bruxa, etc., além de muitas outras de caráter excepcional, em se tratando de uma gruta perdida no interior do estado de Goiás.

 

Inscrições rupestres na região de Paraúna, descobertas por Alódio Tovar, em reproduções de J.A. Fonseca.

 

É nosso pensamento que grandes enigmas como estes precisam ser levados mais a sério pelos pesquisadores e apenas ignorar que eles existem em nada contribui para a sua solução ou mesmo compreensão dos mesmos, além de que dá margem para que surjam outras histórias a respeito daquilo que não pôde ser convenientemente explicado.

 

Em Paraúna se concentra uma intrincada gama de mistérios, dos quais, aqueles que se acham relacionados às suas construções líticas, apresentamos nossa opinião e representativas ilustrações neste trabalho. É nossa intenção confirmar este registro já identificado anteriormente pelo pesquisador Alódio Tovar sem pretensões de forçar situações, mas ao contrário, demonstrar que existe muito a ser “estudado” nesta região misteriosa de Goiás (assim como outras do Brasil), que desvela a possibilidade de ter havido algo de mais intenso e representativo no passado mais antigo de nossas milenares terras brasis.

 

* J.A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e  realizado incursões em diversas regiões do Brasil  com o intuito de melhor compreender seus mistérios milenares. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA. E-mail: jafonseca1@hotmail.com.

 

- Fotografias e ilustrações: J. A. Fonseca.

 

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Leia a parte I desde trabalho

Leia a parte II desde trabalho

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A Magnífica 'Arte Rupestre' de Serranópolis

A antiguidade dos registros rupestres do Brasil

Cidades e povos perdidos do Brasil - 1ª PARTE  

Cidades e povos perdidos do Brasil - 2ª PARTE

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Esta matéria foi composta com exclusividade para Via Fanzine©.

 

Leia mais J.A. Fonseca:

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