Mato Grosso do Sul

Ecos de um passado distante:

A surpreendente ‘arte’ rupestre de Mato Grosso do Sul

Neste estudo fizemos comparações entre estas figuras com as que foram encontradas no Lajedo JK, em Goiás, de uma publicação nossa anterior, uma vez que elas muito se assemelham tanto na forte concentração de elementos quanto na identidade de seus simbolismos.

 

Por J. A. FONSECA*

De Itaúna/MG

Dez/2025 - jan/2026

jafonseca1@hotmail.com

 

 

Há alguns meses fizemos um breve estudo sobre inscrições rupestres em lajedos do Pantanal Mato-grossense (MS) encontrados em localidades diversas e próximos uns dos outros, que exibem uma gama considerável de caracteres que assemelham a um tipo de escrita.

 

Neste estudo fizemos comparações entre estas figuras com as que foram encontradas no Lajedo JK, em Goiás, de uma publicação nossa anterior, uma vez que elas muito se assemelham tanto na forte concentração de elementos quanto na identidade de seus simbolismos e mostrando também que muitos destes complexos sinais gravados em pedra podem são vistos em grande parte da vasta extensão do território brasileiro.

 

Observando as pesquisas feitas no Mato Grosso do Sul por arqueólogos, vimos que este estado possui uma grande diversidade de inscrições e que a estranha simbologia do Pantanal pode também ser encontrada dispersamente gravada em muitas outras regiões deste estado. Além disto é passível encontrar uma grande quantidade de símbolos caracterizando motivos diferenciados e metodologias variadas, quando as comparamos àquelas que estudamos no Pantanal.

 

Isto nos permite observar que também nesta parte do Brasil existe uma grande diversidade de manifestações específicas que não combinam com muitas outras e que são constituídas por uma espécie de grafia primitiva gravada em baixo relevo ou pintadas sobre a pedra, mostrando ainda figuras variadas de relevante expressividade e interesse.

 

Por isto, achamos importante fazer uma breve abordagem sobre as manifestações de ‘arte’ rupestre que podem ser encontradas em localidades diversas neste estado e mostrar por meio de ilustrações a sua complexidade e suas semelhanças, em alguns casos, a muitas outras que se acham espalhadas por todo o Brasil.  

 

REGIÃO DO ALTO SUCURIÚ

 

Na região chamada de Alto Sucuriú, ao nordeste de Mato Grosso do Sul, existem cinco sítios arqueológicos de significativa importância. Quatro deles já foram exaustivamente pesquisados, demonstrando possuírem uma vasta e variada quantidade de motivos rupestres de significativa importância.

 

O arqueólogo Marcus Vinícius Beber fez um estudo minucioso sobre estes quatro sítios, fazendo reproduções dos registros encontrados e uma descrição pormenorizada da tipologia dos signos encontrados, apesar de que afirma que a grande maioria das figuras não pode, de forma imediata, ser interpretada quanto ao seu significado.

 

 

Painel constituído com figuras variadas e de significado incomum.

 

Segundo o pesquisador, o primeiro sítio possui um único painel com pinturas que contém 25 figuras espalhadas, constituídas por manchas avermelhadas por causa de sua antiguidade. Seu tamanho é considerável, chegando a medir 146 cm de comprimento e 82,53 cm de altura, localizando-se a cerca de um metro do chão.

 

O segundo sítio é conhecido como “casa de pedra” pois é constituído de um grande bloco de arenito com cinco salões em seu interior, onde podem ser encontrados muitos registros rupestres. O primeiro salão, segundo Beber, tem 14 painéis, dentre os quais, alguns mostram pinturas variadas e outros uma espécie de grafismos, compostos de muitas linhas agrupadas à semelhança de um registro de tempo.

 

O segundo salão possui cinco painéis com figuras nas cores vermelho e amarelo, sendo que alguns destes estão em condições bastante precárias. O salão três possui uma altura considerável e acolhe 14 painéis com “arte” rupestre com um total de 149 figuras, sendo que três destes é que possuem maior concentração de elementos. Os quarto e quinto salões não possuem nenhum registro rupestre, apesar de terem dimensões bem consideráveis.

 

Segundo o estudo arqueológico o terceiro sítio é constituído de um grande bloco de arenito, contendo dois abrigos em seu interior. Possui apenas três painéis no primeiro abrigo com figuras tipo geometrizadas, linhas e curvas justapostas.

 

O quarto sítio interessa-nos particularmente por apresentar conjuntos de figuras em painéis compostos e com uma variedade de motivos que nos fazem indagar se não estariam representando uma mensagem, dada a sua complexidade e agrupamento de figuras justapostas (ver ilustração acima). Queremos destacar que os estudos feitos nos painéis do segundo sítio mostraram também figuras bem significativas e enigmáticas.

 

Este quarto sítio é constituído de três conjuntos de blocos de arenito formando abrigos em seu interior decorados com uma grande quantidade de figuras da chamada “arte” primitiva. São em grande número os painéis que foram encontrados nestes três blocos e as pinturas que ali existem são muito variadas, apresentando formas geométricas em predominância, marcas de pés humanos e de animais, linhas curvas isoladas, paralelas e sinuosas, retas isoladas e retas que se cruzam, elipses e círculos simples ou associados a outros sinais.

 

O que se nota neste sítio arqueológico é a intensa associação que existe entre suas figuras, uma vez que elas se mostram agrupadas como se quisessem representar uma espécie de mensagem gravada em meio à sua variada e complexa simbologia.

 

É relevante comentar que os conjuntos rupestres do Alto Sucuriú se apresentam impregnados de figuras geométricas e signos, ao invés de “cenas” do cotidiano de seus autores como é comum em outras localidades no Brasil. Predominantemente, encontramos motivos geométricos que poderiam estar representando não simplesmente curvas ou retas intercalando-se com figuras biomorfas e formas de pés humanos e de animais, mas um relato ao lado de representações do sol ou da lua e outras figuras.

 

Em sua grande maioria foram reproduzidos em tinta vermelha a partir do óxido de ferro, misturado com gorduras animais ou água, conforme os pesquisadores.

 

A nosso ver suas formas “geométricas” e “signos” justapostos seriam representações de ideias que seus autores queriam transmitir, utilizando-se de um método representado por figuras e sinais que ainda não nos é possível compreender.

 

O TEMPLO DE ALPINÓPOLIS

 

Os mistérios que envolvem o passado mais remoto do Brasil poderiam preencher diversos volumes com farta documentação, se decidíssemos pesquisá-los a fundo e catalogá-los na sua diversidade.

 

O local que é conhecido como Parque Natural Municipal Templo dos Pilares, localizado na cidade de Alpinópolis, ao norte do estado de Mato Grosso do Sul mostra surpreendentes ‘documentos’ da famosa ‘arte’ rupestre do Brasil em um local de elevado grau de estranheza e esplendor.

 

Informam os pesquisadores locais que o Templo dos Pilares é algo muito especial e que toda a região está repleta de vestígios arqueológicos importantes para o conhecimento do passado maia antigo do Brasil. De fato, as fotografias do local mostram elementos muito marcantes de registros milenares e um abrigo de grandes proporções adornado por gigantescos pilares como se fossem colunas portentosas de um templo em ruínas. Em suas paredes inscrições variadas e figuras complexas podem ser vistas e muitas delas guardam elevado grau de estranheza. 

 

 

O Templo dos Pilares em Alpinópolis.

 

O teto do abrigo é bem elevado e os gigantescos pilares que o sustentam, oferecem ao local características muito especiais e não comparáveis com muitos outros que podem ser encontrados no Brasil. Trata-se ao mesmo tempo de algo belo e estranho, e pode-se dizer até mesmo incomum em território brasileiro.

 

O fato de estarem as suas paredes, o teto e suas próprias colunas cobertas de pinturas de caracteres variados dão-lhe especial destaque na arqueologia de nosso país como algo excepcional e raríssimo, e também de difícil compreensão.

 

Para os pesquisadores as pinturas deste local possuem diferenças em relação aos estilos que são tradicionalmente encontrados na região. As pinturas cobrem as paredes, o teto e os pilares, com predominância da cor vermelha produzida com pigmentos naturais, além das cores branca, amarela e mais raramente a preta.

 

As pinturas representam figuras geométricas e outras manifestações não compreensíveis e também gravações por meio do picoteamento em alguns lugares. Segundo os estudos que já foram feitos na região trata-se esta da maior concentração rupestre localizada em um mesmo sítio arqueológico no estado do Mato Grosso do Sul.

 

 

Inscrições de conteúdo controverso no Templo dos Pilares.

 

Diante disto, nossa mente se volta para o passado do Brasil com maior intensidade nos questionamentos e quando visualizamos os seus moradores silvícolas que aqui foram encontrados pelos descobridores em 1500, mais nos tornamos impedidos de admitir com elementos correspondentes ou adequados que teriam sido estes os autores de tal ‘arte’ primitiva e de sua complexidade.

 

Sabemos que atividades como estas, tanto na produção da ‘arte’ rupestre, quanto na utilização de abrigos excepcionais como este de Alpinópolis não faziam parte da vida de nenhum grupo desses povos silvícolas que aqui viviam naqueles tempos mais remotos.

 

REGIÃO DO PANTANAL E MACIÇO URUCUM

 

Os sítios com petrogravuras encontrados na localidade chamada de Maciço Urucum a oeste do Pantanal, caracterizam-se basicamente por insculturas feitas sobre a rocha, em situação horizontal e em grandes extensões. Em sua maioria as gravuras em baixo relevo são representadas por círculos e curvas, conforme a designação feita por estudos arqueológicos e teriam sido produzidas através de sulcos profundos na rocha pelo método de raspagem ou picoteamento.

 

É interessante notar que as figuras parecem ter ligação umas com as outras, pois muitas delas se acham interligadas entre si por sulcos profundos traçados de forma a construírem uma espécie de ligação entre elas (ver ilustração).

 

Inscrições em baixo relevo no piso do Maciço Urucum com sua rica simbologia.

 

Maribel Girelli da Universidade de Vale do Rio dos Sinos - Unisinos, RS, fez um estudo completo sobre estas insculturas, tendo como referência estudos já realizados pelo Projeto Corumbá, inserido no Programa Arqueológico do Mato Grosso do Sul e iniciado em 1985. Neste trabalho ficou evidenciada a complexidade das manifestações artísticas dos povos antigos daquela região e a ligação que eles demonstraram possuir com uma simbologia bem remota e que pode ser encontrada em muitas outras regiões do Brasil.

 

O arqueólogo da Universidade de Mato Grosso do Sul, José Luiz dos Santos Peixoto, também abordou os assentamentos de populações indígenas na região do Pantanal, Maciço Urucum e adjacências, mostrando este estranhíssimo agrupamento de grafismos variados naqueles lajedos, e que já teriam sido abordados desde a década de 1990, por meio do Projeto Corumbá de estudos arqueológicos. 

 

Maribel Girelli diz que “a quantidade de energia gasta na composição destes imensos painéis, a uniformidade de sua composição temática e estrutural, leva a propor que não se trata de construções ocasionais, mas realizações importantes da cultura dos grupos produtores; os longos sulcos sinuosos, ligando grafismos circulares, característicos do núcleo central de cada um dos sítios, faz conjecturas que talvez estejam representando o ambiente no qual se encontram, isto é, o emaranhado de rios, canais e lagoas, e que tenham um forte sentido ritual, ligado a este entorno.”

 

Os estudos arqueológicos feitos em torno destes estranhos conjuntos de petroglifos no Brasil não possuem ainda elementos seguros que possam dar um sentido claro aos reais significados do que eles possam estar representando.

 

A arqueóloga Maribel Girelli argumenta que as considerações levantadas nos estudos já feitos nesta região e que consideravam que estas manifestações estariam ligadas apenas à estética ou a arte pela arte simplesmente, não é mais sustentável hoje, principalmente com a descoberta de figuras complexas em locais de difícil acesso e que estes variados painéis “possuem estrutura e coerência interna” e que por isto, não poderiam ter sido executados ao acaso.

 

 

Inscrições região do Pantanal com variada simbologia.

 

Algumas destas linhas que unem as figuras chegam a atingir até 200 m de extensão e, invariavelmente, ligam diversas figuras entre si, como se quisessem mostrar que estas possuíam estreita ligação umas com as outras. Estudos feitos na região e levantamentos das inscrições levaram os arqueólogos a pensar que para se produzir algo semelhante seria necessário demandar muito tempo, além de cuidados especiais para caracterizar o conjunto das gravuras que o compõem, não se podendo, por isto, afirmar com segurança, que este trabalho teria sido fruto de mero passatempo, ou feito por homens quaisquer, sem discernimento e sem a pretensão de registrar algo de relevante importância.

 

Outro fato que chamou a atenção dos estudiosos é que em outros cinco lajedos estas figuras se mostram também presentes e unidas entre si, fato que os levou a imaginar que aquele local onde estas figuras foram registradas seria de grande importância para os homens que as insculpiram.

 

Os estudos que foram feitos nestes grafismos e comentados pela arqueóloga Maribel Girelli reuniram a diversidade das figuras ali registradas e pesquisadas, fazendo-se a separação dos grafismos encontrados em cada um dos conjuntos e efetuando-se cópias dos painéis onde as figuras foram gravadas. Viu-se assim que havia diversos tipos de figuras insculpidas, sendo que muitas delas se repetiam e que outras achavam-se ligadas entre si por linhas particulares e profundas, indicando uma espécie de conexão em separado.

 

Além dos mapas dos sítios e de seus grafismos, foram elaborados diversos quadros tipológicos que mostram todos os tipos de figuras ali encontradas e as diversas variações que elas apresentavam, deixando ver uma rica simbologia inscrita em pedra e a confirmação da existência de um passado desconhecido no Brasil e de um povo desconhecido, que não se sabe ao certo qual teria sido e em que momento este poderia ter vivido nestas regiões.

 

Dos quadros ilustrativos que foram apresentados nos estudos arqueológicos feitos pela arqueóloga Maribel Girelli extraímos ilustrações de uma simbologia que pode ser vista em outras regiões do Brasil e que já haviam sido alvo de estudos nossos em diversos outros artigos publicados neste site, onde demonstramos o seu caráter universal e simbólico e até mesmo ligado a um passado desconhecido e muito remoto de nosso planeta.

 

Para os arqueólogos este monumental acervo histórico e simbólico teria sido produzido por culturas que teriam vivido naquela região, notadamente as populações indígenas tupi-guarani que teriam se estabelecido naquele planalto em período pré-colonial.

 

Diante da grande variedade dos signos que se acham insculpidos em toda esta região pode ser provável que venham tratar-se resquícios de culturas populacionais de grupos bem mais antigos que tenham também se estabelecido em outras regiões que mostram características semelhantes a estas do Pantanal.  

 

Vê-se, portanto, que é notória a presença de grande quantidade de figuras com formatos circulares e diferentes estilos em sua contextura, mostrando que elas representam significados diferentes nestes conjuntos dos quais elas fazem parte. Curiosamente, percebe-se que a grande maioria dos grafismos é composta por círculos e depressões circulares, figuras circulares simples, com dois círculos concêntricos ou três, alguns ligados por sulcos profundos e outros não, conjuntos circulares compostos de quatro círculos ou mais, ligados por sulcos e, também, círculos acrescidos por raios em projeção, sugerindo tratarem-se de figuras estelares ou sois, além de outras representações.

 

Pode-se ver também uma grande quantidade de figuras diversas como cruzes, linhas curvas e retas, muitas delas assemelhando-se a letras.de um possível alfabeto primitivo.

 

Os pesquisadores identificaram um total de 2467 figuras registradas nos quatro sítios que foram estudados, sendo que 72% delas são constituídas por tipos circulares com identificações diversas e depressões também circulares. Muitas outras figuras foram identificadas como retângulos, elipses, pisadas, sulcos sinuosos, espirais e uma quantidade mais reduzida de figuras mais complexas.

 

INSCRIÇÕES NO RIO PARAGUAI EM CORUMBÁ

 

Recentemente foram divulgadas diversas imagens de figuras gravadas em pedra localizadas próximo ao rio Paraguai na região de Corumbá, que ainda não eram conhecidas dos pesquisadores. Estas imagens mostram figuras em baixo relevo, muito bem elaboradas, que representam uma estranha simbologia que pode também ser vista em muitas outras regiões do Brasil.

 

Estas inscrições na região do Pantanal, ao que se pode depreender, remontam a um tempo muito antigo e o fato de estarem perdidas no meio da mata e em lugares de difícil acesso, mostra que se tratam mesmo de algo especialmente remoto e desconhecido em nosso país.

 

Em 2013 uma equipe de arqueólogos da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) constituiu uma expedição para inventariar os registros rupestres que se acham gravados em três destas áreas próximas ao rio Paraguai, em Corumbá, sendo uma na região da Baia Vermelha e duas na região da Lagoa Gaíva.

 

Os sítios que foram inventariados por esta equipe mostraram uma rica simbologia muito semelhante àquela que fora abordada pela arqueóloga Girelli no seu estudo feito na região do Pantanal. Estes sítios mostraram diversos grafismos que foram executados em paredões de pedra próximos aos rios e também às margens dos mesmos, sendo que, na forma, estes se assemelham muito aos que se acham presentes nos estudos de Girelli e que mostram estruturas em baixo relevo executadas com grande intensidade em diversos lajedos do Pantanal, em plano horizontal e cujas figuras se acham interligadas entre si por riscos profundos.

 

O arqueólogo Pedro Ignácio Schwitz identificou nesta região do Pantanal um registro que estimou possa ter sido criado a cerca de oito mil anos, apesar de que o adensamento das populações no local somente teria ocorrido há cerca de 4400 anos AP (antes do presente), quando os registros que fazem parte deste estudo teriam sido produzidos.

 

Informam os pesquisadores que o acesso a estas regiões mais remotas do Pantanal é sempre mais difícil de ser alcançado e que são necessários além de um maior preparo dos seus componentes, também exige a utilização de meios mais sofisticados para o empreendimento, como por exemplo, embarcação de grande porte, equipamentos adequados para pesquisa e estadia do grupo de estudiosos no local, uma vez que a região é de mata fechada e distante de cidades.

 

Assim, pode-se dizer que a situação em que foram encontrados estes registros do Pantanal, por si só, indicam que venham trata-se de componentes arqueológicos muito antigos, considerando-se que muitos deles se achavam ocultos em florestas densas, às margens de rios e em locais de difícil acesso. Um outro aspecto que também chama a atenção é que boa parte destes grafismos mais próximos dos rios fica submersa nas cheias e não podem ser encontrados com facilidade.

 

Inscrições rupestres nas regiões pesquisadas em Corumbá.

 

Os estudos feitos pelos arqueólogos mostram que no sítio da região da Baia Vermelha existem muitas figuras gravadas em grandes blocos de pedra onde se pode ver a predominância de traçados geométricos circulares. Muitas destas inscrições se acham já bem desgastadas pelo tempo.

 

No sítio na região da Lagoa Gaíva foram encontradas diversas figuras gravadas em baixo relevo, mostrando conjuntos de figuras circulares inter-relacionadas. A distância entre a Baia Vermelha e a Lagoa Gaíva é de cerca de 140 km e suas figuras são muito semelhantes. Algumas das figuras gravadas na Baía Vermelha só podem ser vistas nas épocas de secas, pois nas chuvas elas ficam sempre submersas.  

 

As figuras no Morro do Campo também mostram painéis em posição vertical com figuras geométricas circulares associadas a linhas curvas que parecem fazer parte de um mesmo contexto. O estudo feito pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), organizado por Rodrigo Luiz Simas de Aguiar com a participação de diversos arqueólogos afirma que “os grafismos rupestres não são meros desenhos, mas sim expressões complexas do universo destes habitantes do passado distante, tanto na esfera material como na imaterial.”

 

Para os arqueólogos a produção destas figuras simbólicas é sempre feita por meio do picoteamento com o posterior polimento das figuras. Afirmam também que a sua longevidade possa chegar a uma idade de cerca de 8000 anos.

 

Segundo os estudos realizados é no sítio na região da Lagoa Gaíva que foi encontrada a maior quantidade de figuras gravadas em baixo relevo e com maior diversidade de elementos na sua composição. Os principais motivos são constituídos de figuras geométricas circulares apresentando raras figuras zoomorfas.

 

O Morro do Caracará, próximo ao rio Paraguai, também tem mostrado registros rupestres com significados pouco compreensíveis, como figuras circulares em baixo relevo e outros elementos com pintura em vermelho.

 

Vimos que são inúmeros os painéis rupestres registrados neste estado do Mato Grosso do Sul que mostram objetos e figuras que fogem de uma compreensão razoável para os pesquisadores e que possuem variações consideráveis em outras regiões do próprio estado.

 

Os painéis do Pantanal são especialmente representativos, pois mostram grande quantidade de figuras geométricas, em sua maioria circulares e interligadas, como se estivessem compondo um conjunto de ideias específicas. Passamos a ver que esta vasta simbologia achava-se impregnada na cultura antiga dos povos do Brasil remoto e que seu conteúdo pode ser também encontrado em muitas outras comunidades de nosso planeta, conduzindo-nos tal fato à ideia de que ela venha tratar-se de elementos de caráter universal e de elevada importância para esses nossos antepassados.

     

* J. A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e realizado incursões em diversas regiões do Brasil. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA. E-mail jafonseca1@hotmail.com.

 

- Fotografia: Klander

 

- Ilustrações: J. A. Fonseca 

 

Itaúna (MG), dez/25-jan/26.

 

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