Brasil Antigo

 

Simbologia Desconhecida

Na ‘Arte’ Rupestre do Brasil – Parte VI

Nos sentimos fortemente obrigados a incluir nesta série de estudos alguns outros símbolos de caráter desconhecido e comentar alguns aspectos desta sua vasta incidência e representatividade no cenário antigo da arqueologia brasileira.

 

Por J. A. FONSECA*

De Itaúna/MG

Novembro-2020

jafonseca1@hotmail.com

Inscrições misteriosas em Montalvânia - MG.

 

A simbologia desconhecida que se acha gravada nas pedras do Brasil antigo é uma realidade como estamos vendo nesta série de artigos publicados e sua incidência não é casual nem localizada em determinada região.  Ela envolve todo o território brasileiro e pressupõe ser originária de raças que nos parecem diferenciadas em face de sua elevada complexidade em muitos casos e de suas características muito próprias, reveladoras de uma forte identidade entre esses grupos operadores e de seus modos de vida não conhecidos.

 

Assim, nos sentimos fortemente obrigados a incluir nesta série de estudos alguns outros símbolos de caráter desconhecido e comentar alguns aspectos desta sua vasta incidência e representatividade no cenário antigo da arqueologia brasileira.

 

Marcos Pivetta, com graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela USP e mestrado e doutorado em História da Ciência pela PUCSP, em um artigo publicado em 2004 disse que “os arqueólogos costumam agrupar pinturas e gravuras pré-históricas de estilo e temática semelhantes, feitos muitas vezes com a mesma técnica, numa unidade artística denominada tradição”. Disse ainda que no Nordeste encontra-se localizada a mais antiga e complexa tradição rupestre brasileira, que mostra homens e animais se interagindo com grande intensidade e dinamismo. Tratam-se, pois, de registros pré-históricos que apresentam um principio de carga narrativa muito elevada e deixam transparecer os graus de importância de muitos elementos em sua vida, alguns deles de caráter perfeitamente não identificável.

 

Suscitam-se assim dúvidas em relação à questão de certos autores da ‘arte’ rupestre brasileira por causa da condição enigmática de muitos de seus componentes, de seu contexto e de sua localização, principalmente quando se constatam estilos diferenciados numa mesma região. Então as dificuldades de compreensão destes registros se tornam multiplicados e muitas opiniões são aventadas. O que fica, no entanto, é o mistério sobre uma grande parte desta ‘arte’ por não possuirmos certeza absoluta sobre o seu significado e em que condições elas foram feitas. Cita o estudioso Marcos Pivetta em seu artigo que no início do século XX o etnólogo alemão Koch-Grünberg ao percorrer uma região do rio Negro observando as variadas inscrições em suas margens disse que tais manifestações tratavam-se apenas de coisas derivadas do ócio indígena e nada mais. 

 

É de se perceber que muitas pessoas ainda pensam desta mesma maneira nos dias de hoje e mesmo diante da complexidade de muitas destas produções primitivas se neguem em mudar a sua percepção sobre o tema. Em se tratando de ócio de apenas, diríamos que seria uma ociosidade estranha demais e ainda mais por estar relacionada aos indígenas brasileiros que sabemos que, por tradição, não tinham eles o hábito de executar ‘trabalhos’ ou ‘diversões’ desta espécie, muitas vezes estranhamente complexos e extenuantes.

 

Os pesquisadores modernos atribuem terminologias próprias para os diversificados estilos de registros rupestres encontrados em toda a parte, chamando-os de arte rupestre, petroglifos, grafismos, inscrições rupestres, etc., considerando que seus prováveis e variados significados estariam ligados aos grupos que os teriam produzido e que estes grupos seriam mesmo os constituídos pelas etnias indígenas encontradas no Brasil.

 

Sabendo-se que a questão da origem da ‘arte’ rupestre brasileira trata-se de um mistério ainda não integralmente desvendado, diríamos que não se poderia confirmar esta perspectiva, dada as características da vida desses nativos brasílicos mais recentes e da provável forma de vida desses povos mais antigos.    

 

Vemos assim que existem muitas dificuldades quanto ao entendimento e à interpretação de uma grande quantidade destes registros pré-históricos que são coletados pelos pesquisadores no Brasil, mas quase nada se sabe sobre as causas que teriam levado esses antigos povos a ‘escrever’ e ‘desenhar’ nas pedras de forma tão incisiva e enigmática.

 

O que sabemos é que estes vestígios arqueológicos carregam muitos elementos de surpresa em seu conteúdo diante dos visitantes e estudiosos, que os admiram por sua beleza e pela condição inusitada que muitos deles se apresentam diante dos olhos de todos. É por isto que seguimos adentrando na pesquisa das desconhecidas e simbólicas figuras rupestres do Brasil neste trabalho, para demonstrar a tese de que muitas destas não podem ser classificadas apenas como produtos de ócio e de mentes obtusas, sem nenhum discernimento.       

 

Painel das inscrições do Sítio Grota Funda em Carnaúba dos Dantas – RN.

 

Retornando ao nordeste brasileiro seria imprescindível que mostrássemos uma das mais significativas inscrições copiadas pelo pesquisador José de Azevedo Dantas, no chamado sítio Grota Funda, em Carnaúba dos Dantas (RN), além de outras figuras, no mínimo curiosas, naquela região do Brasil.

 

Este conjunto de signos no sítio Grota Funda trata-se de um registro de difícil explicação, pois mostra figuras muito estranhas em um contexto inteligente como se fosse uma escrita muito antiga ou uma explanação de assuntos diversos de maneira organizada. Isto pode ser percebido observando-a com a mente objetiva, mas sem querer identificá-la apenas com alguns dos povos que viveram na região. Este conjunto rupestre, copiado por este autor de uma ilustração do trabalho arqueológico de José Dantas, publicado por MNEME-Revista de Humanidades, Dossiê Arqueologias Brasileiras v. 6, n. 13 – dez/2004-jan/2005), é especialmente complexo e não pode ser notificado como algo que teria sido produzido por homens incultos, semelhante a muitas outras demonstrações de ‘arte’ em todo o território brasileiro e que aguardam silenciosamente por uma atenção diferenciada por parte dos pesquisadores.

 

Algo também muito relevante para esta discussão foi descoberto no estado de Alagoas, na cidade de Delmiro Gouveia. Em trabalho apresentado por Suely G. Amâncio da Silva sobre a “Arte Rupestre em Xingo” ela mostrou diversos sítios desta região e, apesar de muitos deles apresentarem figuras não muito convencionais, destacamos este que segue abaixo. Trata-se de um conjunto de figuras encontradas no local chamado de sítio Maribondo que se assemelham a barcos e que se agrupam em um ‘ancoradouro’, talvez, mostrando características incomuns para o conhecimento do indígena brasileiro. Vale lembrar que as canoas feitas pelos povos do Brasil antigo, ao que se sabe, eram produzidas por meio de troncos de árvores específicos, sem as ‘velas’ e outros detalhes (que eles não conheciam), e não conforme mostram as figuras rupestres. A ilustração foi feita por este autor, tendo como referência uma ilustração mostrada no trabalho da arqueóloga acima citada.   

 

Figuras curiosas do segundo painel do Sítio do Maribondo – Delmiro Gouveia - AL.

 

Este painel, composto de objetos parecidos com pirogas e outros sinais pintados em vermelho, se destaca no ambiente rupestre por causa de sua condição pouco comum e não se poderia dizer que estes objetos venham tratar-se apenas de riscos desconexos pintados na rocha. Que figuras estranhas seriam estas que nos lembram barcos e o que poderiam estar representando verdadeiramente? 

         

Para os arqueólogos grafismos como estes, dada a sua temática relativamente heterogênea e complexa, dão a entender que poderiam ter sido executados por muitos autores. Não se poderia afirmar, entretanto, que venham tratar-se elementos com significados comuns na vida destes mesmos executores, tornando-se difícil conhecer a causa que os levaram a produzir estas coisas, quando delas não teriam conhecimento, pelo menos teoricamente falando.

 

Estranha representação rupestre semelhante a um barco com figuras enigmáticas a bordo, encontrada em Inhamuns, Ceará.

 

A estranha figura encontrada em Inhamuns, no Ceará, é também algo importante a ser destacado na tradição rupestre do nordeste do Brasil. Mostra uma representação lítica gravada em vermelho de uma figura semelhante a um barco que carrega figuras enigmáticas à bordo. Para o pesquisador Jacques de Mahieu esta figura teria sido citada por Tristão Alencar Araripe em seu trabalho arqueológico datado de 1866. De fato, a Revista Trimestral do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, de 1887, publicou o trabalho de pesquisa de Araripe intitulado “Cidades Petrificadas e Inscrições Lapidares”, no qual consta esta ilustração juntamente com muitas outras naquelas “Províncias”, que hoje são os estados da região nordeste. Nesta publicação foram elencadas diversas reproduções rupestres onde o ‘estranho barco’ aparece ao lado de outras figuras também não muito comuns, no local chamado de Morro, em Inhamuns. Para Mahieu esta figura trata-se da imagem de um barco que se assemelha muito a um drakkar, embarcação que era utilizada pelos antigos normandos em suas expedições. Vê-se que esta figura é verdadeiramente incomum e em nada pode ser comparada com os hábitos dos povos silvícolas do Brasil.

 

Inscrições em Montalvânia e a figura do dinossauro.

 

O tipo Tapuiassaurus, cujo esqueleto foi descoberto no norte de Minas Gerais.

 

Em Montalvânia (MG), outra região especial do Brasil, como já vimos, mostra em sua rica simbologia rupestre figuras que nos remetem ao desconhecido e ao enigmático. A ilustração que mostramos acima trata-se de um conjunto de figuras incomuns pintadas próximo da entrada de uma caverna, no alto, mostrando uma sequência constituída de signos desconhecidos e figuras de animais. Pode-se ver à direita a representação da figura de um dinossauro ao lado de outras figuras e uma espécie de serpente logo abaixo. É estranho ver um animal como este gravado em pedra pelo homem primitivo no Brasil, apesar de que se sabe que existiram esses tipos de animais pré-históricos em nosso continente. O estranho é imaginar que esses homens os teriam conhecido e mesmo, que poderiam ter convivido com eles em passado remoto.

 

O tipo de dinossauro que aparece na pintura rupestre parece ser uma espécie de “lagarto tapuia”, o Tapuiassaurus, um animal gigantesco tipo saurópode (pés de lagarto) caracterizado por seu pescoço e cauda muito compridos e cabeça pequena em relação ao corpo. Este animal teria vivido no Brasil no fim do Cretáceo entre 145 e 66 milhões de anos, no último período da era Mesozoica, segundo os paleontólogos. Por coincidência, um esqueleto parcial deste animal com um crânio quase completo teria sido descoberto próximo ao município de Coração de Jesus, no norte de Minas Gerais, que é também próximo de Montalvânia. Segundo pesquisas este animal media cerca de 13 m de comprimento, 4 m de altura e pesava cerva de 10 toneladas. O que dizer sobre isto? Quando vemos um animal deste tipo gravado na pedra junto de outros elementos desconhecidos, seria lícito pensar que seu autor ou autores teriam tido conhecimento de sua existência ou vivido com ele em sua época. 

 

Formações magníficas em Chapada dos Guimarães – MT.

 

Gigantescos paredões pétreos surgem diante do viajante quando este chega à Chapada dos Guimarães, vindo de Cuiabá. As belíssimas formações rochosas que a natureza esculpiu mostram figuras estranhas que lembram esculturas modernas, à semelhança de minaretes e colunas portentosas, conduzindo nossa imaginação a criar imagens fantásticas e, até mesmo, super-humanas, de lendas e histórias inacreditáveis.

 

Assim é o nosso Brasil e não são poucos os lugares destes rincões milenares que fazem-nos quedar perplexos diante de suas esplêndidas e enigmáticas paisagens, além de relatos que fazem parte do folclore popular e que falam de coisas estranhas que aconteceram nestas regiões.

 

 

Estranha figura rupestre no Sítio Bocaina de Baixo, que se encontra isolada das demais, em Chapada dos Guimarães.

 

Por isto, achei por bem incluir neste trabalho os misteriosos signos que se acham gravados em um ponto desta região privilegiada do Brasil. Com meu acompanhante fui até um local chamado de Fecho do Morro da Lagoinha, no sítio de Bocaina de Baixo, onde pode-se ver um gigantesco painel de inscrições em baixo relevo, com traços retilíneos cortados na pedra. Num ponto mais alto deste maciço pétreo onde se acham as insculturas citadas, em uma posição bem estratégica e de difícil acesso, nosso guia mostrou-nos gravados na rocha viva e isolados dos demais, dois signos, também traçados com a mesma precisão, de forma retilínea, profunda e bem planejada. Um deles tem a forma da letra “H” com duas ligações centrais e o outro assemelha-se a um cálice deitado. Não podemos saber o que pretenderam os seus autores dizer com estes símbolos estranhamente cortados na pedra e o que poderiam estar representando. Estamos incluindo estas figuras aqui, porque parecem-nos muito diferentes do que se poderia chamar de ‘normal’ e que poderiam ser equiparadas, em nível de mistério, com as demais outras que estamos mostrando neste trabalho. Os cortes precisos, em baixo relevo, destes objetos enigmáticos impressionam.

 

Santa Catarina é outro estado brasileiro que precisamos colocar em destaque, uma vez que este possui múltiplas e variadas evidências de que, em passado distante, povos sofisticados teriam também vivido em suas terras. Inscrições rupestres complexas e de rara beleza permeiam seus sítios arqueológicos e muitas delas mostram características pouco comuns com fatores de dificuldade envolvendo a sua execução.

 

Inscrições complexas na Ilha das Aranhas – SC.

 

A Ilha das Aranhas possui petróglifos especialmente interessantes, como este que apresentamos acima como ilustração. Seus sulcos chegam a 5 mm de profundidade e apresentam formas extravagantes, apesar de estarem, em sua maioria, muito desgastados pelo tempo atualmente, segundo os pesquisadores. Em geral, podem ser observadas formas losangulares, círculos concêntricos, ziguezagues, triângulos, linhas paralelas e círculos simples em muitos lugares em Santa Catarina.

 

Como se vê não se pode dizer que esta figura possa ser considerada como algo comum que teria sido produzida por homens primitivos e ignorantes, moradores em cavernas insalubres. Ao contrário, pode-se ver nela um elevado conteúdo simbólico, para não dizer espiritual ou místico, que lhe dá um caráter nobre, com elaboração primorosa, significado complexo e difícil compreensão.      

 

São muitos os mistérios do Brasil. Quando vemos estas coisas e tentamos dar-lhes uma explicação coerente diante do que nossa história poderia nos oferecer como referência, ficamos desprovidos de elementos compatíveis com o fato observado e caso o queiramos explicá-lo assim mesmo, percebemos que em nosso íntimo tal tentativa não nos permite concluir um raciocínio objetivo e coerente. O que ocorre é um lapso de ideias entre aquilo que estamos vendo e o que imaginamos que ele possa representar, permanecendo a dúvida ou mesmo a incapacidade de decifrar tal enigma.  

 

Detalhes como estes mostrados aqui costumam remeter-nos a pensamentos contraditórios acerca das razões que levaram seus autores a marcarem perenemente na pedra seus prováveis anseios com figuras tão expressivas e incompreensíveis, e por que o teriam feito. Não nos parece que elas teriam sido produzidas aleatoriamente, de forma casual ou desprovida de conhecimento calculado. Atribuí-las ao homem primitivo simplesmente e não ater-se aos detalhes de sua simbologia e à forma sofisticada com que elas teriam sido gravadas na pedra, parece-nos pretender ignorar fatores importantes para a própria compreensão desta ‘arte’ e do passado da terra, que poderiam estar fundamentados em fatores bem distintos daqueles que pensamos ter sido os verdadeiros.

 

Registros como estes que estamos apresentando, parecem-nos querer dizer algo diverso desta ‘verdade’ que acreditamos seja a mais conveniente, a de que venham tratar-se mesmo de trabalho de homem primitivo, de indígenas ou grupos nômades caçadores-coletores em um tempo distante. É nosso pensamento que estudos precisam ser feitos para trazer mais luz e conhecimento às nossas mentes e nos possam permitir melhor compreender esta sagrada ‘arte’ que ilustra abundantemente os tempos passados de nosso país e de nosso planeta.

 

* J. A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e realizado incursões em diversas regiões do Brasil. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA. E-mail jafonseca1@hotmail.com

 

-Fotografias: J. A. Fonseca e Eire Barbosa.

 

- Ilustrações: J. A. Fonseca.

 

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Esta matéria foi composta com exclusividade para Via Fanzine©.

 

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