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"Em cada situação uma nova reflexão". Bertolt Brecht |
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CONHECENDO A NATUREZA
PROJETO JAGUARI, EPOPÉIA DE UM RIO
Um dia, uma humilde professora que não entendia das coisas da Natureza, que não eram ensinadas nas escolas, mas que a amava muito, se encantava com ela e tinha um grande sonho, que era viver junto à Natureza, leu num jornal que o rio Tietê estava morrendo.
Ela tinha morado perto do rio Tamanduateí, afluente do rio Tietê, quando criança e se lembrava bem, com tristeza, de que suas águas já eram sujas e cheiravam mal.
Ficou muito triste, muito, muito triste mesmo. E naquele momento, resolveu que precisava, como professora e como mãe, e porque amava tanto as crianças e queria que elas vivessem num mundo bonito, felizes e saudáveis, fazer alguma coisa. Não sabia ao certo o que fazer, e como começar, não conhecia ninguém que pudesse ajudá-la.
Começou, então, a procurar livros, apostilas (na época o YouTube não era o que é hoje e a mídia não falava dessas questões) que a ajudassem a entender a Natureza. Começou a estudar Biologia, Física, Química. Nem sabia o que era Ecologia. A cada informação que tinha, compreendia melhor aqueles mistérios.
Foi em Jaguariúna, São Paulo, uma cidade tranquila que ela escolheu, depois de prestar um concurso para professora do Estado, que o Projeto Jaguari, Epopéia de um rio, brotou, na linda escolinha que ela amou e que se chamava Dom Bosco. Conheceu o Rio Jaguari, que doava sua água para os moradores daquela cidade que a acolhera e ficou sabendo que ele corria perigo. Era, então, o momento para começar.
Teve a grande sorte e alegria de conhecer Geraldo Stachetti Rodrigues, na época pesquisador da Embrapa, mestre em Biologia Vegetal, depois doutor em Ecologia, que lhe ensinou muita coisa, que a ajudou a organizar seus conhecimentos e lhe clareava as dúvidas; e Jorge Bélix de Campos, presidente da Associação Mata Ciliar, na cidade vizinha de Pedreira, que foi fundamental para o projeto, com a doação de árvores nativas, entre outras coisas importantes.
Agora ela poderia escrever seu projeto de Educação Ambiental, apresentá-lo às outras escolas, pedir sugestões e apoio.
Então, com o interesse, entusiasmo e muito trabalho de alunos e alunas, professores e professoras, diretoras e diretores das, na época, 21 Escolas Estaduais de Jaguariúna, foi possível fazer um trabalho que foi muito bonito, deixou sementes e produziu alguns frutos, como a recuperação de parte das matas ciliares do amado rio Jaguari.
Animada com o apoio ao projeto, compôs músicas infantis ecológicas que as crianças amaram e escreveu quatro livros ecológicos para crianças, dentro do lema do projeto: conhecer para amar e defender. Fatos científicos numa linguagem que ela queria envolvente, que chegasse às mentes e aos corações de, como disse Geraldo Stachetti Rodrigues no prefácio que ela colocou em três dos seus livros, porque é lindo, “crianças de dois a oitenta anos”.
Foi um período muito bonito para ela e para todas as pessoas que participaram do Projeto Jaguari. Muitas atividades foram realizadas pelas escolas e ela se lembra com saudade das apresentações de peças de teatro, música, dança, de um túnel muito lindo idealizado por seu grande amigo e ilustrador de seu primeiro livro, Uma árvore, uma história, por onde as pessoas iam passando, ao som de sua voz, que ela gravara com sons da Natureza, explicando as relações que nela existem.
Também ficaram em seu coração o primeiro plantio de árvores nativas à margem do Rio Jaguari, que foram as sementes de uma linda mata ciliar que, ficou sabendo, existe hoje ali.
E as lembranças, indeléveis:
Da participação entusiasmada das crianças, de um grupo musical muito bom, da cidade, que abrilhantou a manifestação realizada em defesa de nosso amado rio. Da presença da TV de Campinas, da Imprensa, que deu muita força ao Projeto.
Do ciclo de palestras realizado nas escolas por Geraldo Stachetti Rodrigues e Jorge Bélix de Campos.
Da exposição, na UNICAMP, de um trabalho muito bom, com um visual simples, despretensioso, com materiais reciclados dentro do possível, o que fez com que fosse meio que desprezado, no primeiro dia, a ponto de que fossem negados, a seus alunos e alunas, coisas que eram oferecidas aos outros, de escolas de outras cidades que se esmeraram no visual: vales refeição e refrigerantes.
Lembrava-se, com muita tristeza, mas também com grande felicidade e orgulho, de ter dito a seus alunos e alunas, na volta à escola, que ela não tinha condições de oferecer-lhes essas coisas, de que eles, é claro, precisavam, porque a exposição duraria alguns dias, e também porque seria doloroso para eles sofrer tal exclusão, depois de tudo o que haviam produzido, depois de todos os estudos e ensaios feitos para que o trabalho de conscientização dos visitantes atingisse seus objetivos.
Foi maravilhoso ter ouvido deles e delas, crianças tão queridas, que jamais abandonariam a exposição, que levariam lanches, que nada as demoveria de seu propósito. Porque acreditavam no nosso trabalho, no Projeto de Educação Ambiental das escolas de Jaguariúna.
E tinham razão. No dia seguinte, as pessoas começaram a se encantar com seus alunos, que usavam o material produzido especialmente, para explicar-lhes as relações que existem na Natureza, tão pouco conhecidas ainda hoje, mais de vinte e seis anos depois. E chamaram outras, que chamavam outras e, em pouco tempo, havia tanta gente, que ficava difícil chegar ao nosso estande.
E ela se lembrava de ouvir uma senhora dizer:
- Você já foi ao estande das crianças de Jaguariúna? É incrível como elas sabem explicar as coisas, e esclarecer as dúvidas das pessoas.
E ela se lembrava, especialmente, com muita alegria, da visita de seu filho, que estudava ali, na UNICAMP, e de seu orgulho ao ver o resultado de seu trabalho de tantos anos.
E de terem almoçado juntos, com seus alunos e alunas, no restaurante da Universidade. Haviam chegado, é claro, os vales para refeições e refrigerantes.
Lembrava-se, também, da procissão de barcos, resgate de uma procissão que era realizada por antigos moradores pelo rio Jaguari, e do contato que ela tivera com essas pessoas maravilhosas que se dispuseram, muito orgulhosas e felizes, a participar e colaborar para que essa atividade fosse um sucesso e se repetisse mais vezes
Também da primeira Missa Ecológica à margem do rio. Um pedido a Deus por sua preservação, por nossa preservação.
Tempos depois, ela ficara sabendo que o rio Jaguari alimentava, também, a região onde nascera seu filho, que a primeira água de seu chá e de seu banho era desse, cada vez mais querido, rio. E que todas as tarde, quando voltava para sua casa depois do trabalho na linda escola Dom Bosco conversava com ele e sentia que, de alguma forma misteriosa, ele lhe respondia.
Tanta coisa! E ela se sentia muito grata também a funcionários e funcionárias da Prefeitura Municipal pelas muitas cópias que fizeram carinhosamente de todo o material que ela enviava para todas as escolas, contendo todas as informações a respeito da preservação da Natureza que ela tinha colecionado por tanto tempo, na esperança de que um dia elas pudessem ser úteis.
Pouco depois, ela foi convidada para fazer parte de um projeto de Educação Ambiental da UNICAMP, no belo Bosque do Taquaral, em Campinas, onde conheceu pessoas também muito queridas, com quem se identificou. Para esse projeto, dentre outras coisas, compôs as músicas Vamos Passear no Bosque e Criando com a Natureza, vivências de que participou.
***
Infelizmente, sua mãe ficou muito doente, completamente dependente, e ela precisou, com muita tristeza, deixar o projeto, na certeza de que ficaria em boas mãos. Era filha única, amava muito sua mãe. Era, nesse momento, a sua missão.
Mudou-se para a cidade de São Thomé das Letras, que recebeu, a ela e a sua família, com muito carinho e, dentro do possível, dentro do pouco tempo de que dispunha, continuou seu trabalho de educação ambiental com as crianças de sua rua, que foram trazendo outras, e ficavam felizes em aprender e em fazer algumas atividades.
E foi em São Thomé que descobriu que era poeta e escreveu e publicou seus “Versos de Viver”. Depois foi a vez de “Crônicas, Histórias de Vida, Poesia e Cia”, seu sexto livro publicado.
Enquanto isso, estudava, principalmente Psicologia e técnicas de terapias naturais, o que já fazia há mais de quarenta anos. Fizera vários cursos nessa área, inclusive cursos de Florais de Bach, tornou-se Practitioner e pôde tornar-se terapeuta floral, trabalhando em sua casa, sempre atenta a sua querida mãe, sua prioridade carinhosa.
Pôde, com sua possibilidade de sentir a si mesma e a seus semelhantes, ter o reconhecimento e o carinho das pessoas que a procuravam e que recomendavam seu trabalho. Ficou sendo a Isabel dos Florais.
Com dois amigos, comprou uma terra, na sua maior parte coberta de uma linda mata nativa, o que só foi possível porque na época as terras em Minas Gerais eram incrivelmente baratas e as que tinham matas eram desvalorizadas, mais baratas ainda porque não poderiam render aquilo a que, em geral, se dá mais valor: o dinheiro.
E ela ficou feliz. Aquela seria uma floresta preservada. Algo com que nunca ousaria sonhar.
Poucos anos depois, fez a doação de um pedaço de terra a uma grande amiga que, como ela, sonhava em viver junto à Natureza.
Foi como que uma continuação do projeto, pois ela, seu nome era Ni, junto a amigos e amigas queridas, criou e desenvolveu um viveiro de mudas que depois se tornou uma linda mata, no Bosque dos Beija-flores, um recanto muito especial, vizinho a sua mata.
E ela sempre ficava confusa e desconfortável quando tinha que falar de “sua” terra, pois sabia, como dissera o Chefe Seattle na carta que escreveu para um presidente dos Estados Unidos e que ela sempre lia, emocionada, para seus alunos, que “a terra não é nossa, nós é que somos da terra”.
E mesmo achando que ele, o presidente, não entendera nada do que aquele sábio chefe indígena tentara lhe dizer, ou não quisera entender, ela nunca se esqueceria de suas palavras. Elas ficariam para sempre em seu coração.
Ela não tinha muitas certezas, mas essa certeza ela tinha e tem:
“O QUE ACONTECER À TERRA, ACONTECERÁ AOS FILHOS DA TERRA. HÁ UMA LIGAÇÃO EM TUDO.
***
Vinte e seis anos depois.
Agora é possível, graças à Informática, tentar reviver nosso projeto de Educação Ambiental, oferecer os livros e músicas infantis ecológicas, ainda tão atuais, infelizmente, porque os problemas ambientais estão cada vez maiores, a profissionais da Educação, pais, mães, amigos e amigas da Natureza e das crianças, que querem deixar um Planeta equilibrado para as futuras gerações.
As belas mensagens, que, durante os anos de ausência, recebeu e recebe de pessoas queridas, principalmente de alunos e alunas que amou e ama, lhe dão força para continuar.
Mais uma tentativa, que está recebendo a ajuda e incentivo, mais uma vez, de pessoas queridas.
Recebera, do Universo, alguns talentos, como os de escrever para crianças, ensinar, compor, cantar, organizar. Também livros e pessoas que a ajudaram a refletir, a conhecer coisas que a ajudaram muito. E isso ela pode e quer oferecer, de graça, com a Graça do Criador, com todo o Amor.
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Livros infantis ecológicos:
CONHECER PARA DEFENDER NOSSA BIODIVERSIDADE

São livrinhos. Têm poucas páginas e letras grandes. Ilustrações bonitas feitas por artistas amigos e dedicados. Mas se vocês os lerem, junto com as crianças, terão a grata surpresa de ver quanto conhecimento e poesia há dentro deles.
Conhecer para amar e defender a Natureza, de que fazemos parte. Perceber as relações que existem entre ela e nós, os seres humanos, para que não haja mais destruição.
Meus amigos e eu estamos muito felizes em fazer a nossa parte, compartilhando com vocês nosso trabalho!
Todos estes livros podem ser baixados gratuitamente na página LIVROS.
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O ANO ERA 1990 E AS ESCOLAS ESTADUAIS DE JAGUARIÚNA, SP, SE REUNIRAM COM UM PROPÓSITO PIONEIRO NA ÉPOCA: DEDICAR-SE À EDUCAÇÃO AMBIENTAL, ACREDITANDO QUE, PARA PRESERVAR A NATUREZA, ERA NECESSÁRIO O CONHECIMENTO. NESTE MOMENTO EM QUE A BIODIVERSIDADE EM NOSSO PAÍS (E, CLARO) NO PLANETA CORRE GRAVE PERIGO, AINDA ESTOU, ESTAMOS, AQUI PARA DEFENDÊ-LA.
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