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Saneamento

 

INUNDAÇÕES DA ÁREA METROPOLITANA DE SÃO PAULO E SUA SOLUÇÃO (*)

Geert J. Prange (**)

 

SSUMÁRIO

·         Introdução

·         Descrição do problema

·         Metodologia

·         Considerações Finais 

 

 

Introdução

 

Este trabalho examina a possibilidade de se controlar e/ou eliminar as inundações sistemáticas que ocorrem na área metropolitana da cidade de São Paulo e municípios adjacentes, em decorrência de fortes precipitações pluviométricas, para as quais o sistema de drenagem existente não está adequado. É sugerido o sistema de sifonamento de águas pluviais para a baixada santista através de adutoras metálicas.

 

Descrição do problema

 

A ininterrupta expansão urbana da cidade de São Paulo e municípios adjacentes e o conseqüente capeamento asfáltico de suas vias urbanas têm levado a uma impermeabilização da superfície destinada a absorver as precipitações pluviométricas, com os correspondentes alagamentos produzidos, causando  prejuízos aos contribuintes e estagnando a economia e vida urbana da região durante essas precipitações.

 

Medidas paliativas adotadas anteriormente para conter os alagamentos urbanos, como o aprofundamento da calha do rio Tietê e a retirada dos entulhos depositados no leito desse rio não contribuíram para a solução do problema, visto não impedirem a contínua impermeabilização das vias urbanas.

 

Outra medida possível, como a construção de um canal extravasor de águas pluviais, construído paralelo ao rio Tietê, semelhante aos existentes em cidades dos Estados Unidos, tampouco resolveria a situação, pois implicaria o deságüe desse canal no próprio Tietê, já afogado e saturado em excesso.

 

Como decorrência, também, da impossibilidade de os córregos locais e seus sistemas de drenagem para o Rio Tietê absorverem os excessos de águas durante as fortes chuvas, os alagamentos constantes não só invadem as residências da região como também originam perdas materiais de monta em equipamentos e veículos,  contribuindo de forma extremamente vigorosa nos congestionamentos de tráfego da região metropolitana.

 

É obrigação, portanto, das autoridades constituídas, procurarem formas de, ao menos, minimizar as conseqüências desses alagamentos ou, se possível, eliminá-las completamente.

 

Metodologia a ser aplicada

 

Propõe-se, através deste trabalho, que o excesso de águas pluviais acumuladas nas vias urbanas e regiões adjacentes seja drenado para, alternativamente, a represa Billings ou o rio Cubatão, na baixada santista, da seguinte forma:

 

  1. Instalação de adutoras metálicas de diâmetros expressivos, da ordem de 2,0m/adutora, dentro do leito dos córregos, até onde for possível, em direção ao alto da Serra do Mar, descendo em seguida em direção à Represa Billings ou, alternativamente, em direção à UHE Henry Borden, na baixada santista. A situação topográfica da região definirá qual alternativa é tecnicamente viável.

 

  1. Os tramos descendentes das adutoras deverão ser dotados de registros (válvulas de pé) a uma distância tal do alto da serra, de modo a poderem ser preenchidos com água que, ao ser liberada, provoque um vácuo nos tramos ascendentes, para arrastar a água nelas contida por sifonamento.

 

  1. Concomitantemente, deverão ser instaladas bombas auto-escorvantes de água na região do topo das adutoras, destinadas a preencherem os tramos descendentes até as suas respectivas válvulas de pé, bem como acionarem edutores de ar instaladas no topo das adutoras, destinados a incrementarem o vácuo necessário ao início do sifonamento.   O suprimento de água para as citadas bombas auto-escorvantes será captado nos próprios tramos ascendentes das adutoras, após alagadas por chuvas fortes.

 

  1. Na eventualidade de não ser possível produzir um vácuo suficiente para o início do processo de sifonamento pelo sistema descrito acima, deverão ser instalados hélices navais de passo controlável, de forma coaxial, dentro dos tramos ascendentes das adutoras, para incremento da pressão necessária ao início do processo de sifonamento. Ao iniciar-se o processo do sifonamento, as pás dos hélices podem e devem ser colocados com passo (“pitch”) infinito, no intuito de não oferecer resistência ao escoamento das águas.

 

  1. A tomada de água das adutoras deve ser distribuída ao longo de um trecho considerável no leito dos córregos, por meio de várias bocas de admissão, evitando-se uma abertura única de acesso das águas capaz de gerar um vórtice descomunal que possa sugar até veículos de passeio, ou transeuntes ocasionais.

 

  1. A título ilustrativo estima-se que uma adutora de 2,0m de diâmetro tenha a capacidade de escoar um volume de água da ordem de 20.000m3/h.   Sugere-se considerar a instalação de, ao menos, 3 – 4 adutoras em cada córrego principal do sistema tributário do rio Tietê (Pirajuçara, Tamanduateí, Aricanduva, por exemplo). 

   

Considerações Finais

 

A análise da hidrologia da região metropolitana de São Paulo demonstra que o rio Tietê é o meio natural de escoamento das águas, naturais e pluviais, meio hídrico que não deve e não pode ser obstruído artificialmente.

 

Não obstante, a construção da estação elevatória de águas do Tietê para o rio Pinheiros (Traição) provocou a construção da barragem Edgar de Souza, em conjunto com a eclusa que permite a passagem do Tietê paulistano ao trecho de jusante, em direção à sua foz.   A inclusão da citada barragem no leito do Tietê provoca um represamento prejudicial ao escoamento natural, além de causar uma elevação do nível de água desse rio nas regiões mais afetadas de São Paulo, nominalmente, as Marginais de Tietê, sujeitas a constantes alagamentos.

 

Recomenda-se, peremptoriamente, a análise da possibilidade do substancial rebaixamento da cota de coroamento da citada barragem, no intuito de melhorar a velocidade de escoamento do Tietê, se isso não causar problemas ao bombeamento de suas águas para o rio Pinheiros.

 

Por último, recomenda-se que o processo de sifonamento ora proposto, pela ausência de dados topográficos precisos da região por parte do autor, seja estudado pelos órgãos estaduais responsáveis pelo sistema de drenagem e esgoto da Região Metropolitana, ou, alternativamente, pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em conjunto com o IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Governo do Estado de São Paulo.

 

Paranaguá-PR, 07 de dezembro de 2009.

 

Geert J. Prange

Eng. Naval – CREA-SP 20.240/D

 

(*) Autoria intelectual registrada no CREA/PR em 09/02/2010 sob Protocolo 2010/34210

 

(**) Engenheiro Naval (EPUSP-1965), Consultor de Dragagem; Perito Naval credenciado por Sociedades Classificadoras de Navios e Administrações Marítimas de Bandeira; Membro da SOBENA – Sociedade Brasileira de Engenharia Naval; Membro do SNAME – Society of Naval Architects and Marine Engineers (EE.UU); Membro Afiliado da IMarEST – Institute of Marine Engineers, Science & Technology (Reino Unido); Presidente da SOAMAR/PR – Sociedade Amigos da Marinha do Paraná. Cavaleiro da Ordem do Mérito Naval.

 

- Contato com o autor: prange@sul.com.br

 

- Acesse: Alternativa de Drenagem da Região Metropolitana de São Paulo/Nota Técnica.

                   (explicações & ilustrações em PDF)

 

- Tópico associado:

   Saneamento: contrastes no Estado de São Paulo

 

- Colaborou: Benone A. de Paiva (SP).

 

Produção:

 

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