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Saneamento básico:
Contrastes no Estado de São Paulo
Durante o governo militar foi criado o Plano Nacional de
Saneamento Básico (Planasa),
uma autarquia que teria por missão administrar e
fiscalizar o saneamento básico em todo o país.
Por Benone A. de Paiva*
De São Paulo-SP
Para Via
Fanzine
16/10/2011

Em praticamente todos
os municípios, o saneamento básico sequer é planejado.
Esgotos
e excrementos ainda correm a céu aberto nas maiores cidades do país.
O saneamento básico é um serviço essencial ao município e indispensável
a saúde de todos os cidadãos. Este serviço, cumprindo as determinações
da Organização Mundial da Saúde (OMS) é caríssimo e está praticamente
fora do alcance econômico da maioria dos municípios brasileiros.
Durante o governo militar foi criado o Plano Nacional de Saneamento
Básico (Planasa), uma autarquia que teria por missão administrar e
fiscalizar o saneamento básico em todo o país. Para isso, foi criado em
todos estados brasileiros, uma companhia de saneamento básico que teria
a missão de cuidar do saneamento em seu estado. Detalhe: a companhia de
saneamento básico que estivesse cumprindo o padrão de qualidade exigido
pela OMS, receberia uma ajuda em milhões de dólares.
Vou citar um exemplo: a cidade de Guarulhos no estado de São Paulo, onde
os serviços de saneamento básico está a cargo do (SAAE) Serviço Autônomo
de Água e Esgoto, uma autarquia do município com altíssimo custo e
praticamente insuficiente para fazer um saneamento adequado as normas
exigidas, mesmo sendo assistida pela (Sabesp) Companhia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo, lhe fornecendo a água tratada, construção
de reservatório e adutoras. Até hoje, Guarulhos não tem seu saneamento
completo realizado.
Na Sabesp, onde tive a oportunidade de trabalhar por mais de 14 anos,
conheci de perto o procedimento para assumir o saneamento básico de
algum município. Aprovação da Câmara Municipal pelo período combinado
entre ambos e a passagem da responsabilidade do saneamento à Sabesp que
deverá cumpri-lo dentro do prazo estipulado sem nenhum ônus para o
município cedente.
Após ser aprovada a concessão pela Câmara Municipal, a Sabesp assina um
contrato com tempo estipulado (normalmente, 30 anos) para obter a
concessão do saneamento básico. Faz um levantamento de todo o patrimônio
existente nessa autarquia, deste município e faz indenização do valor
apurado e com o compromisso de realizar o saneamento de acordo com as
exigências da OMS, dentro do prazo estipulado em contrato.
Ocorre que, é raríssimo um município brasileiro ter condições econômicas
viáveis para fazer adequadamente o saneamento básico: captação da água;
tratamento padrão; adutora da fonte até o reservatório de distribuição;
captação e tratamento de esgoto.
Este serviço é caríssimo, com uma indispensável mão de obra técnica
especializada que, dificilmente terá retorno econômico do valor
aplicado. E, por isso, foi criado todo esse sistema de saneamento
básico, colocado nas mãos de companhias especializadas e com
credibilidade para gerir a aplicação de recursos federais, estaduais e
subvenções feita pelos paises ricos.
'O valor gasto é irrisório para garantir um serviço de
saneamento
adequado e dentro dos padrões exigidos pela OMS'.
Santos, no litoral paulista, é um município de considerável arrecadação
e somente teve seu saneamento completo, após a concessão à Sabesp. Hoje,
Santos conta, talvez, com o melhor serviço de saneamento básico do
Brasil, inclusive, com o uso de um 'emissário submarino'. Este emissário
capta todo o esgoto da cidade e o conduz à estação de
pré-condicionamento, onde é feito o tratamento do esgoto para que este
seja conduzido por uma tubulação de aço com 2,10 metros de diâmetro, até
à distância de seis quilômetros mar adentro.
Já em Guarulhos, a segunda maior cidade do estado de São Paulo, com seus
1,5 milhões de habitantes tem um orçamento anual que gira em torno de
quase R$ 3 bilhões.
Este município tem sua autarquia própria, o Serviço Autônomo de Água e
Esgoto (SAAE) que consome aproximadamente 1/4 do orçamento anual do
município para sua manutenção, o que se torna uma sangria enorme aos
cofres municipais guarulhenses.
Porém, o valor gasto é irrisório para garantir um serviço de saneamento
adequado e dentro dos padrões exigidos pela OMS. Até hoje, Guarulhos não
teve condições de tratar a água consumida e nem o seu esgoto.
A Sabesp é a fornecedora e sempre encontrou dificuldades para receber.
Se este município desse a concessão para a Sabesp, seu patrimônio seria
avaliado e pago ao município. Seus funcionários, salvo algumas exceções,
seriam integrados à Sabesp e esta companhia ficaria com a
responsabilidade de executar o serviço de saneamento dentro do prazo
estipulado em contrato pela Câmara Municipal e acordado com a Sabesp.
Veja então, o tamanho da economia que poderia ser feita, quando 1/4 do
orçamento anual de Guarulhos ficaria disponível para outras benfeitorias
públicas municipais e o saneamento básico estaria nas mãos de quem
realmente tem condições de executá-lo, dentro do padrão exigido. Além
disso, sem nenhum custo para o município de Guarulhos.
E, por que não o fazem? Alguém teria uma explicação?
* Benone Augusto de Paiva é profissional
da área do saneamento básico, cronista e 'brasileiro destemido'.
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Foto: divulgação.
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