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Titanic, 100 anos do naufrágio:

A eterna história de uma aventura transoceânica*

Com 2.240 pessoas a bordo, o naufrágio resultou na morte de 1.523 pessoas,

configurando-se como uma das piores catástrofes marítimas de todos os tempos.

 

Estas fotomontagens mostram o estado de conservação do Titanic, de 1987a a 2012 . As imagens revelam que a estrutura da

seção de proa manteve-se relativamente intacta em comparação com a popa, que se despedaçou. Este mosaico consiste em

aproximadamente 1.500 fotografias em alta resolução tomadas em 2010 pela RMS Titanic, Inc.,  produção de Aivl, Whoi.

 

O dia 15 de abril de 2012 marca os 100 anos do trágico naufrágio do navio Titanic (do inglês, Titânico). O RMS Titanic foi um navio transatlântico da Classe Olympic, operado pela White Star Line e construído nos estaleiros da Harland and Wolff em Belfast, na Irlanda do Norte. Na noite de 14 de abril de 1912, durante sua viagem inaugural, entre Southampton, na Inglaterra, e Nova York, nos Estados Unidos, chocou-se com um iceberg no Oceano Atlântico e afundou duas horas e quarenta minutos depois, na madrugada do dia 15 de abril de 1912. Até o seu lançamento em 1912, ele foi o maior navio de passageiros do mundo.

 

Com 2.240 pessoas a bordo, o naufrágio resultou na morte de 1.523 pessoas, configurando-se como uma das piores catástrofes marítimas de todos os tempos. O Titanic provinha de algumas das mais avançadas tecnologias disponíveis da época e foi popularmente referenciado como "inafundável" - na verdade, um folheto publicitário de 1910, da White Star Line, sobre o Titanic, alegava que ele fora "concebido para ser ‘inafundável’".

 

Foi um grande choque para muitos o fato de que, apesar da tecnologia avançada e experiente tripulação, o Titanic não só tenha afundado como causado grande perda de vidas humanas. O frenesi dos meios de comunicação social sobre as vítimas famosas do Titanic, as lendas sobre o que aconteceu a bordo do navio, as mudanças resultantes no direito marítimo, bem como a descoberta do local do naufrágio em 1985 por uma equipe liderada pelo Dr. Robert Ballard fizeram a história do Titanic persistir famosa desde então.

  

Ao contrário da seção de proa (acima), estas imagens revelam o adiantado estado de decomposição da popa do Titanic.

 Este mosaico reúne centenas de fotografias em alta resolução tomadas em 2010 pela RMS Titanic, Inc., produção de Aivl, Whoi.

 

Na viagem inaugural do Titanic, algumas das mais importantes pessoas da época estavam viajando na primeira classe. Entre elas estavam o milionário John Jacob Astor IV e sua esposa Madeleine Force Astor, industrialista Benjamin Guggenheim, o dono da Macy's Isidor Strauss e sua esposa Ida, a milionária Margaret "Molly" Brown (conhecida mais tarde como "Inafundável Molly Brown" devido a seus esforços para ajudar outros passageiros durante o naufrágio).

 

Outras personalidades da época também marcavam presença, entre estas, Sir Cosmo Duff-Gordon e sua esposa Lucy, Lady Duff-Gordon, George Dunton Widener com sua esposa Eleanor e seu filho Harry, jogador de criquete e empresário John Borland Thayer com sua esposa Marian e seu filho de 17 anos Jack, jornalista William Thomas Stead, a Condessa Noël Leslie, o assessor presidencial Archibald Butt, escritora Helen Churchill Candee, escritor Jacques Futrelle e sua esposa May, produtores Henry e Rene Harris, a atriz Dorothy Gibson, entre outros.

 

O banqueiro J. P. Morgan estava agendado para participar da viagem inaugural, porém cancelou no último minuto. Viajando na primeira classe a bordo do navio estavam ainda o diretor da White Star Line, J. Bruce Ismay, e o construtor do navio, Thomas Andrews, presente a bordo para observar qualquer problema e avaliar a performance geral do navio.

 

Capitão Edward J. Smith, oficial comandante do Titanic e um bote com sobreviventes.

 

Titanic é encontrado

 

Somente nos finais de 1970 e início de 1980, um empresário norteamericano patrocinou diversas expedições para tentar localizar o navio. Nenhuma delas teve êxito. Somente em 1985, numa expedição oceanográfica franco-estadunidense, o Dr. Robert Ballard descobriu os destroços do Titanic submersos a 3, 8 mil metros de profundidade, situado a 153 km ao sul dos Grandes Bancos de Newfoundland, sob as coordenadas: 41º 43'35" N, 49º 56'54" W.

 

A notícia correu o mundo. Ballard passou a ser conhecido como "o descobridor do Titanic". Ele retornou ao local em 1986, com uma equipe de filmagem da "National Geographic Society" para fazer as primeiras filmagens do transatlântico após 73 anos submerso. Desde então, a empresa "RMS Titanic, Inc" obteve os direitos de realizar operações de salvamento no local e recuperou mais de seis mil artefatos do navio.

 

Diversas empresas de turismo e produtoras de filmes também visitaram o local em veículos submergíveis tripulados. O estado de preservação dos destroços da proa é fantástico. Ainda no sitio, encontrou-se o telemotor, onde se encontrava aparafusado a roda do leme, as enormes âncoras, ainda suspensas pelas suas grossas correntes, as amuradas, as guardas de proteção contra queda para o exterior, as janelas do Titanic, cuja maior parte ainda contém os vidros.

 

Dentro da proa, na sala de rádio do Titanic, pode-se observar o painel elétrico, os componentes do telégrafo, onde Harold Bride e Jack Philips trabalharam agonizantemente, tentando contatar navios para socorrer o Titanic. Também estão expostas as gruas de proa, os guindastes dos botes salva vidas.

 

Na parte embaixo do casco, ainda é possível ver a tinta vermelha, tudo isto em perfeito estado de preservação. Contudo, a seção de popa está completamente destruída, como se no seu interior tivesse explodido uma potente bomba.

 

Detalhes do Titanic no fundo do oceano e sonda submarina que registrou estas imagens.

 

Durante anos, os relatos dos sobreviventes afirmaram terem ouvido grandes explosões depois do Titanic desaparecer sob a superfície do oceano, informando que as mesmas provinham das caldeiras que explodiam devido ao contacto com a água gélida. Contudo, essa teoria foi desacreditada, pois foram descobertas pelo menos seis caldeiras intactas espalhadas no campo de detritos causado pelo naufrágio e duas salas de caldeiras inteiras na seção de proa, com todas as suas caldeiras intactas.

 

Além disso, tripulantes que sobreviveram afirmam que, logo após à colisão, E.J. Smith ordenou que cessassem motores, e, nas salas de caldeiras, foram abertas as válvulas de segurança, que fizeram as caldeiras libertar a enorme pressão acumulada. Ou seja, quando o Titanic afundou, nenhuma das caldeiras tinha pressão de vapor acumulada.

 

Das poucas coisas reconhecíveis na seção de popa, destaca-se o motor de estibordo, cujo topo de um dos cilindros se destaca para fora do casco destruído; o convés do tombadilho da popa, local onde centenas de pessoas se aglomeraram quando o Titanic se ergueu das águas, enquanto a secção dianteira desaparecia nas águas; o poço da escada da terceira classe, e dois guindastes de botes salva vidas.

 

O Dr. Ballard retornou ao Titanic em 2004, para averiguar os danos que o navio sofreu desde o seu descobrimento (1985/2004). Concluiu que as inúmeras expedições e visitas ao local, só serviram para danificar o sítio arqueológico do Titanic e acelerar a deterioração da estrutura do navio.

 

Em 2010 uma equipe de investigadores descobriu a bactéria (posteriormente denominada), halomonas titanicae nos destroços e, suspeita-se, que ela seja responsável pelo acelerar da deterioração da estrutura.

 

 

Obra de ficção publicada 14 anos antes do naufrágio

narrava incríveis coincidências com o Titanic.

           

Presságio ou coincidência

 

Exatos 14 anos antes da trágica viagem do dia 14/04/1912, um escritor de nome Morgan Robertson (1861-1915) escreveu um livro dramático intitulado “Futility, or the Wreck of the Titan” (“Futilidade, ou a destruição do Titan”), que narrava a história de um navio, cujo nome era Titan [imagem acima]. Segundo narra o livro, a embarcarão, considerada indestrutível, em uma noite fria de abril - tal como ocorrido com o Titanic – se chocou contra um iceberg e afundou.

 

O mais assombroso é que, tanto o número de mortes referido na história, como a capacidade do navio fictício, se iguala à maioria das características técnicas do Titanic. Para muitos, não passou de uma estranha e arrepiante coincidência e, para outros, terá sido uma premonição e, consequentemente um aviso deixado por Morgan sobre o desastre.

 

O Titan navegou apenas nas páginas do romance de Morgan Robertson, adequadamente denominado “Futility” (Futilidade). Mas os paralelos entre os dois gigantescos navios de turismo desafiam a imaginação. O profético Titan, do romance de Robertson, partiu de Southampton, Inglaterra, em sua viagem inaugural, exatamente como o "insubmergível" Titanic.

 

Ambos os navios eram mais ou menos do mesmo tamanho - 243 metros e 252 metros de comprimento - e tinham capacidade de carga comparável - 70 mil e 66 mil toneladas, respectivamente. Cada um tinha três hélices e capacidade para 3 mil pessoas.

 

Lotados de milionários, os dois navios colidiram com um iceberg no mesmo local e afundaram. Em ambos, o número de mortos foi terrivelmente elevado, porque nenhum dispunha de quantidade suficiente de botes salva-vidas. No caso do Titanic, foram vitimados 1513 passageiros, a maioria, devido à exposição ao frio do sul da Terra Nova, no Atlântico.

 

O jornalista inglês W. T. Stead: em busca de inspiração para escrever

seus contos sobre catástrofes marítimas, faleceu no naufrágio.

 

Curiosidades, fatos ou lendas?

 

O empresário inglês J. Connon Middleton havia reservado passagens para ele e a família. Dez dias antes do embarque, ele sonhou com um navio de quilha para o ar, rodeado por passageiros e bagagem boiando. Para não assustar os parentes, ficou quieto. Mas o sonho se repetiu na noite seguinte. Middleton resolveu adiar a passagem, pois a viagem não era urgente, e contou tudo para três amigos.

 

Na fatídica noite de 14 de abril de 1912, o Titanic bateu num iceberg e afundou no Atlântico Norte, matando 1500 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Middleton relatou o caso para a Sociedade de Parapsicologia de Londres, acompanhado dos passaportes, das reservas e de uma carta com o testemunho assinado dos amigos. Dias depois, novos registros foram aparecendo. Consta que o marinheiro Colin MacDonald, por exemplo, recusou a função de subchefe de máquinas do Titanic por causa de um presságio de desastre.

 

Já o jornalista inglês W. T. Stead [imagem acima] não teve a mesma sorte. Até 1912, ele tinha publicado várias histórias, entre as quais o conto “O Fantasma Branco do Desastre”, a respeito de navios que afundavam no oceano e os passageiros que morriam à deriva. Stead se interessava pelo sobrenatural e visitou alguns médiuns, em busca de novas idéias fantásticas para os seus textos. Nesses contatos, três deles teriam avisado sobre o acidente do Titanic, com premonições como “será perigoso viajar no mês de abril de 1912” ou “você estará no meio de uma catástrofe na água”.

 

Mesmo assim, Stead embarcou naquela primeira e última travessia do Titanic. E, como costumava narrar em seus livros, foi um dos que morreram no mar porque não havia botes suficientes para todos. Embora fossem escritores de ficção, Robertson e Stead teriam visto o futuro? Ou foram vítimas casuais da própria imaginação literária?

 

 

A colisão

 

Supõe-se que se a colisão do Titanic com o iceberg tivesse sido frontal, apenas um compartimento ou no máximo dois teriam ficado destruídos, sendo que o fecho das comportas automáticas solucionaria o problema, e a viagem poderia prosseguir normalmente.

 

Também se supõe que, caso o iceberg tivesse sido visto meio minuto antes, a colisão teria sido evitada.

 

Ao ter sido visto o iceberg, o 1º Oficial ordenou a inversão de marcha dos motores do navio. Porém, à velocidade a que o navio navegava, mesmo com o inigualável poder de torção para as hélices de seus motores não era suficiente para frear 46 mil toneladas a uma velocidade de 21 nós, naquele curto espaço que distava o Titanic do iceberg.

 

Contudo, se tivessem mantido os motores em marcha normal a todo o vapor, e simplesmente tivessem virado o leme à velocidade que iam, o Titanic teria se desviado do iceberg, conseguindo contorná-lo e assim, evitar a colisão, sendo apenas necessário corrigir depois a direção que tomaria.

 

Sonda registra o eterno repouso do Titanic no leito do Atlântico.

 

Despreparo sem antecedente

 

Os vigias noturnos deveriam ter binóculos, pois já se sabia que iriam passar numa zona de icebergs. Porém o material não foi fornecido a tempo, e os vigias tiveram de trabalhar à vista desarmada. Com os binóculos, os procedimentos de emergência poderiam ter sido efetuados muito antes, pois o iceberg teria avistado visto ao longe.

 

Na altura da colisão, a tripulação do Titanic pareceu ter avistado luzes no céu e no mar que, seriam do navio SS Californian, menor e situado a cerca de 16 km. O Titanic lançou fogos de artifício para pedir ajuda e, o outro navio pareceu aproximar-se. Porém, as luzes desapareceram de repente. Consta que seria o Californian, que teria se recusado a ajudar o Titanic.

 

O caso do naufrágio gerou um filme de enorme sucesso, que também se chama Titanic estrelado pelo premiado ator norte-americano Leonardo Di Caprio. O navio utilizado no filme é idêntico ao que naufragou, porém, a embarcação que foi utilizada nas gravações, é 10 metros menor que o navio original.

  

* Informações de Wikipédia, com adaptação e título de Pepe Chaves.

 

- Imagens: Topham/Topham Picturepoint/Press Association Images / RMS Titanic, Inc., com produção de AIVL, WHO.

 

- Colaborou: Márcio R. Mendes (SP).

 

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- Produção: Pepe Chaves.

 

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