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Inglaterra:
Enfermeira morre após trote de rádio
Reino Unido sob o impacto da morte de
enfermeira vítima de trote.*

Os apresentadores da rádio 2Day FM Mel
Greig e Michael Christian.
Os britânicos despertaram neste sábado impactados e tristes
com a morte da enfermeira do hospital King Edward II- onde a duquesa de
Cambridge esteve hospitalizada -, depois de ser vítima de uma
'pegadinha' de uma rádio australiana que acabou provocando o primeiro
escândalo no "conto de fadas" de William, Kate e do bebê que esperam.
Segundo a polícia, que espera os resultados da necropsia,
até a próxima semana não serão divulgadas as causas da morte da
enfermeira, que, segundo noticiou a imprensa após seu falecimento na
sexta-feira, se tratou de um suicídio.
Todos os jornais britânicos, com exceção do Financial
Times, destacam na primeira página sua morte, e as redes sociais fervem
com críticas aos autores do trote telefônico.
Segundo o Times, Jacintha Saldanha tinha 46 anos e era mãe
de dois filhos, adolescentes.
De acordo com o jornal, ela foi encontrada nas dependências
reservadas às enfermeiras no hospital. A enfermeira, originária da
região de Mangalore, na Índia, vivia em Bristol com sua família desde
2003.
Na terça-feira recebeu às 05h50 locais um telefonema de
dois dos apresentadores da rádio australiana 2Day FM, que se fizeram
passar pela Rainha e pelo príncipe Charles para perguntar pelo estado de
Kate, que, desde a véspera, estava internada por fortes náuseas
provocadas por sua gravidez.
A enfermeira, que caiu na pegadinha, passou a chamada a uma
colega do serviço onde a esposa do príncipe William estava internada, e
este forneceu notícias da paciente aos falsos nobres.
O hospital londrino anunciou ter enviado neste sábado uma
carta à rádio australiana na qual julga "perfeitamente lamentável" a
decisão de ter gravado e depois divulgado o trote.
O fato de "a chamada ter sido gravada e da direção de sua
rádio ter aceitado divulgá-la é perfeitamente lamentável", afirma na
carta o Lord Simon Glenarthur, presidente do hospital.
Já o jornal Daily Telegraph lembra que a rádio australiana,
que decidiu suspender até nova ordem os dois apresentadores, continuava
reproduzindo a pegadinha várias horas após a morte de Saldanha.
Também acrescenta que a rádio 2Day FM foi colocada sob
vigilância por cinco dias. Não é a primeira vez que está na mira do
organismo de controle australiano por "violações graves" das regras. A
rádio declarou neste sábado que não fez "nada ilegal".
O Daily Mirror destaca na primeira página o "sofrimento de
Kate após o suicídio da enfermeira enganada", assim como o resto dos
tablóides, que insistem particularmente no impacto da notícia na esposa
grávida do príncipe William.
O correspondente real do Mirror chega a temer que o bebê
real "se veja associado por toda a sua vida a este espantoso
acontecimento".
"Se Kate precisar voltar ao hospital King Edward VII, onde
é bastante provável que dê à luz, esta lembrança a perseguirá", afirma.
O tablóide também cita um antigo guarda-costas da princesa
Diana, mãe de William, que lembra que sempre houve um protocolo para
evitar este tipo de coisas, embora neste caso aparentemente nada tenha
sido explicado aos funcionários do hospital.
Já o The Independent convida seus leitores a tomarem a
distância necessária para que "esta tragédia não seja utilizada como uma
desculpa para denunciar a imprensa".
"As pessoas fazem brincadeiras todo o tempo. Às vezes se
voltam conta elas. Em outras, as consequência são desproporcionais",
escreve o redator-chefe Chris Blackhurst antes de acrescentar que "não
pode desculpar" os apresentadores australianos, embora "seja preciso se
distanciar um pouco desta tragédia".
Esta intrusão na vida particular de William e Kate, embora
neste caso não se trate de paparazzi em busca de uma exclusiva, ocorre
após o escândalo pela publicação neste verão em uma revista francesa de
fotos tiradas da jovem quando tomava sol de topless em uma propriedade
particular.
Este novo escândalo midiático, protagonizado, como da
última vez, por um meio de comunicação estrangeiro, só vai contribuir
para a reserva do príncipe William, traumatizado pela forma como sua
mãe, que viveu perseguida pelos paparazzi, faleceu.
Quanto à imprensa britânica, no olho do furacão após o
escândalo das escutas telefônicas e de um relatório que pede a criação
de uma comissão de controle da imprensa, decidiu apresentar em sua
maioria o casal real como uma vítima de seus colegas estrangeiros.
* Informações de Maureen Cofflard | AFP.
08/12/2012
-
Foto: AFP.
* * *
Economia:
Austeridade ameaça combate à pobreza
europeia*
As políticas de austeridade, nomeadamente
o cortes das prestações sociais, vão levar
ao aumento da pobreza e da exclusão
social, ameaçando as metas da Estratégia Europa 2020.

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As medidas que o Governo tem anunciado vão contra os
objetivos da Estratégia Europa 2020, assinada pelos Estados Europeus em
2010, que visa reduzir em 20 milhões o número de pessoas em risco ou em
situação de pobreza e de exclusão social - no caso português são menos
200 mil.
Em causa está a política de austeridade seguida pelo
Governo, nomeadamente, os cortes das prestações sociais, com medidas
como a redução do subsídio de desemprego, o rendimento social de
inserção ou o complemento solidário para idosos, que vão levar ao
aumento da pobreza e da exclusão social.
Os fatos são fáceis de constatar e o problema está a
agravar-se há três anos, como aponta o investigador Carlos Farinha
Rodrigues que se tem dedicado a estudar as desigualdades sociais em
Portugal.
"O acordo com a troika não foi o único que o Governo
assumiu a nível europeu, mas esquecem-se disso. Desde 2010 que a
Estratégia 2020 foi posta na gaveta, sendo que a única política que
temos em marcha é a da austeridade", disse ao Expresso Carlos Farinha
Rodrigues
As metas definidas na Estratégia 2020 já eram pouco
ambiciosas em relação ao que tinha sido alcançado na última década,
sendo que agora estão completamente ameaçadas, segundo o professor do
ISEG que esta semana apresentou, em livro, o resultado uma investigação
entre 1993 até 2009, intitulado "Desigualdade Econômica em Portugal".
Enfraquecimento
das políticas sociais
Portugal está a assistir a um enfraquecimento das políticas
sociais, numa altura em que estas são mais necessárias, prejudicando as
pessoas com mais dificuldades.
O Programa Nacional de Reformas (PNR) 2020, que foi
aprovado em Conselho de Ministros, a 20 de março do ano passado, na
sequência da Estratégia Europa 2020, previa uma série de medidas com
vista ao cumprimento das metas do acordo europeu, mas sempre em linha
com a conjuntura econômica.
"O PNR foi elaborado em articulação com o Programa de
Estabilidade e Crescimento (PEC), garantindo a coerência entre os dois
instrumentos, com reformas que no curto prazo levem em conta a
prioridade da consolidação orçamental e da correção dos desequilíbrios
macroeconômicos", podia ler-se no documento.
O principal objetivo do PNR é promover a inclusão e a
redução da pobreza e das desigualdades sociais, através de ações de
qualificação e promoção da empregabilidade.
Relativamente aos mais desfavorecidos, o Plano Nacional de
Reformas prevê medidas como a requalificação de 20 mil desempregados, a
promoção do emprego e da formação a 115 mil beneficiários do IRC e a
atribuição do Complemento Solidário para Idosos.
Entretanto, o ministério de Pedro Mota Soares anunciou o
corte das prestações sociais, nomeadamente a redução em 6% do limite
mínimo do subsídio de desemprego, a diminuição do Rendimento Social de
Inserção para 178 euros ou o corte de 2,25% do limite para a atribuição
do Complemento Solidário para idosos (350,64 euros), que prejudicam as
pessoas mais desfavorecidas e comprometem as metas do PNR.
Aumento da pobreza
e da exclusão social
Segundo o estudo coordenado por Carlos Farinha Rodrigues
para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, a desigualdade familiar
diminuiu até 2009, mas Portugal continuou a ser um dos países mais
desiguais a nível europeu.
"Há uma redução na desigualdade dos rendimentos das
famílias, mas mantêm-se, no entanto, os altos níveis de desigualdade
salarial", sublinhou o professor.
Entre 1993 e 2009, a pobreza em Portugal diminuiu de 23%
para 18%, encontrando-se apenas a dois pontos percentuais acima da média
europeia.
O estudo termina em 2009, altura em que começou a crise
econômica e financeira, sendo de antecipar uma inversão na tendência de
decréscimo das desigualdades.
"Estou convencido de que 2009 representa o fim de um ciclo
de diminuição das desigualdades e da pobreza, uma vez que a partir de
2010 a medidas de combate à crise põem em causa os fatores que são
apontados como diminuidores destes dois problemas sociais", disse Carlos
Farinha Rodrigues.
Os números provisórios do Instituto Nacional de Estatística
(INE) referentes a 2010 já apontam para uma inversão desta tendência,
assim como os dados do Banco Alimentar e de outras instituições de
solidariedade social.
O aumento da pobreza e das desigualdades vão assim contra
os objetivos do PNR 2020. O Expresso contatou o Ministério da
Solidariedade e da Segurança Social para obter um balanço do Plano
Nacional de Reformas, mas ainda não obteve qualquer resposta.
*
Informações de Liliana Coelho (www.expresso.pt).
29/10/2012
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* * *
Portugal:
Juros da dívida portuguesa a 2 anos
disparam 43%*
Os juros das obrigações do Tesouro no
mercado secundário "saltaram" hoje de manhã de 9,39% para
13,41% e já negociaram acima de 14,6%.
Todas as maturidades estão em alta. O prêmio de risco sobe para 11%.
Tendo fechado ontem em 9,39% (em baixa em relação ao dia
anterior), os juros das OT a 2 anos dispararam hoje na abertura para
níveis acima de 14,6%, tendo depois descido, estando às 9h em 13,41%,
segundo dados da Bloomberg. Esta subida foi atribuída à alteração no
benchmark usado pela Bloomberg que passou da emissão que vence em
setembro de 2013 (quando vencem 9,7 mil milhões de euros) para a que
vence em junho de 2014. No caso da Reuters, que continua a usar o
benchmark de setembro de 2013, a OT a 2 anos abriu em 10% e tem-se
mantido acima desse valor, com algumas oscilações ao longo do dia. Ontem
fechara em 9%.
Os juros das OT a 3 anos estão em 13,39%. Os juros das OT a
10 anos subiram para 12,41% e ao final da manhã já alcançaram 12,45%.
Em virtude da descida dos juros dos títulos alemães (Bunds)
a 10 anos, o prémio de risco da dívida portuguesa (que se mede pelo
diferencial entre os juros dos Bunds e os juros das OT naquele prazo)
está já acima de 11%. Regressou a níveis de final de março deste ano.
Reação dos
investidores ao jantar-cimeira
A abertura do mercado secundário mostra uma assimetria na
reação dos investidores na dívida depois do jantar-cimeira informal do
Conselho Europeu de ontem.
Os investidores continuam a privilegiar os títulos alemães,
os Bunds, cujos juros a 10 anos prosseguem a tendência de descida,
estando em 1,36%, abaixo do valor de fecho de ontem em 1,38% (um novo
mínimo) e a não penalizar as obrigações do Tesouro francês (OAT), cujos
juros estão em baixa acentuada em todas as maturidades. Os juros das OAT
a 2 anos estão a descer muito significativamente; caíram quase 11% até
ao final de manhã, situando-se em 0,49%.
A penalização está a concentrar-se nos títulos gregos a 10
anos (acima de 30%), nas obrigações do Tesouro português (com destaque
para o disparo no prazo a 2 anos, o do horizonte mais próximo do final
do plano de resgate), nas obrigações espanholas e nos títulos italianos,
as duas dívidas soberanas que estão na primeira linha de contágio.
Segundo dados da CMA DataVision, para o final da manhã, o
risco de incumprimento das dívidas soberanas na zona euro está a subir
claramente para Chipre (já num nível superior a 70%), Portugal (acima de
64,5%), Irlanda (acima de 46%), Espanha (acima de 37%) e Itália (cerca
de 36%). Está a assistir-se a uma aproximação entre Itália e Espanha em
termos de preço dos credit default swaps (seguros contra o risco de
incumprimento) que, em ambos os casos, estão acima da barreira dos 500
pontos base - ao final da manhã, segundo a CMA DataVision, haviam subido
para 543,87 pontos para o caso de Espanha e 528 pontos para o caso de
Itália.
Medidas anunciadas não geram massa crítica
Segundo a agência de informação financeira Eurointelligence,
de Londres, a mudança do discurso político em prol do "crescimento" pelo
Conselho Europeu e a tentativa da Comissão Europeia de voltar a
afirmar-se politicamente, não são suficientes para gerar massa crítica
que "acalme" os investidores nas dívidas soberanas da zona euro.
Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, anunciou
que uma "fase piloto" de project bonds irá iniciar-se e que os fundos
estruturais serão redirigidos para alvos de investimento, mas os
instrumentos financeiros fundamentais que são reclamados para a
resolução da crise continuam em banho-maria.
Apesar de terem sido apresentados no jantar-cimeira, o
seguro de depósito para toda a zona euro e uma iniciativa própria para a
recapitalização dos bancos (alternativa ao sobreendividamento dos
estados com vista a resgatarem os seus sistemas bancários locais)
continua sem clarificação. O país mais necessitado de uma solução em
relação aos bancos é Espanha, tendo Mariano Rajoy saído de mãos a abanar
do jantar, segundo o jornal espanhol El País.
O pomo da grande discórdia continua a ser os eurobonds.
Segundo o Der Spiegel, os campos extremaram-se dentro da zona euro. De
um lado, a Alemanha, apoiada pela Finlândia e o governo de gestão da
Holanda, e com declarações de concordância de Espanha e de Portugal; e,
do outro, a França apoiada pela Itália (já se falando inclusive de um
eixo Hollonti), pela Irlanda e a Áustria.
Mário Monti, o primeiro-ministro tecnocrata italiano,
afirmou que a solução dos eurobonds teria recolhido à volta da mesa "uma
maioria" entre os 27 convivas. François Hollande, num gesto simbólico,
reuniu, antes do jantar, com Mariano Rajoy, mas a neutralização da
posição de Espanha de apoio a Ângela Merkel não foi ainda alcançada,
apesar da situação desesperada do governo espanhol.
*
Informações de Jorge Nascimento Rodrigues/Expresso (Portugal).
23/05/2012
* * *
França:
Hollande
quer acabar com o duopólio franco-alemão*
Os mercados financeiros estão à espera da
cimeira Merkollande no dia 16 de maio em Berlim.
Até lá os mercados oscilam ao sabor
também do andamento da crise política na Grécia.
O dia "D" parece estar apontado para quarta-feira da
próxima semana quando a chanceler alemã e o novo presidente gaulês se
reunirem em Berlim. A forma de "calçar" o "pacto de crescimento" (growth
compact) deverá ser o tema principal.
A chanceler Ângela Merkel convidou François Hollande, o
novo presidente eleito de França, para a sua primeira visita oficial ao
estrangeiro, logo após a sua investidura em Paris. A reunião deverá
realizar-se a 16 de maio, numa viagem simbólica a Berlim.
Hollande tem uma agenda apertada logo de seguida com as
cimeiras do G8 (os sete países desenvolvidos mais a Rússia) a 18 e 19 e
da NATO a 20 e 21 de maio em Camp David, nos Estados Unidos. Jay Carney,
porta-voz da Casa Branca, informou que o presidente Obama já convidou
Hollande para um encontro bilateral antes das cimeiras, onde contam
abordar "um conjunto de dossiers difíceis em matéria econômica e de
segurança".
Acabar com o
diretório
François Hollande declarou à revista "Slate" que quer
acabar com o "duopólio" franco-alemão, em suma prosseguir a parceria
estratégica, mas deitar fora o papel de diretório.
A sua resposta à revista merece ser transcrita na íntegra:
"Ainda que eu acredite na parceria franco-alemã, contesto a ideia de um
duopólio. A construção europeia está baseada numa parceria bem
equilibrada e de mútuo respeito entre a França e a Alemanha. As
parcerias entre Schmidt e Giscard, Kohl e Mitterrand, e mesmo entre
Chirac e Schroeder, mostraram que as diferenças políticas não significam
que não possamos trabalhar em conjunto. Mas estes chefes de estado
combinaram uma metodologia intergovernamental com os processos da União
Europeia. Esta é a melhor forma de evitar que os nossos parceiros se
sintam excluídos, ou, pior ainda, subordinados. Ora, este equilíbrio
mudou nos últimos anos. A relação franco-alemã foi exclusiva. As
instituições europeias foram ignoradas e alguns países, especialmente os
mais frágeis, tiveram o sentimento desagradável de enfrentarem um
diretório".
Se as eleições presidências francesas indicaram que a
estratégia anterior designada por "Merkozy", em que a França inclusive
desempenhou um lugar subalterno, está condenada, os resultados das
eleições legislativas na Grécia foram um sinal de alarme ainda maior.
Com uma geografia parlamentar em Atenas que torna o país
ingovernável em virtude da fragmentação e da perda de atração do centro
político (o chamado "arco de poder"), toda a estratégia dos "memorando
de entendimento" e dos planos de resgate para o país ficou em cheque.
Mesmo os dois partidos da alternância tradicional, Nova Democracia
(direita) e PASOK (socialistas), são abertamente pela revisão dos
acordos firmados ainda recentemente e que conduziram a uma
reestruturação parcial da dívida e a um segundo plano de resgate.
Evangelos Venizelos, o líder do PASOK, e que negociou e liderou a
recente reestruturação de dívida e o fecho do segundo pacote de resgate,
afirmou que é indispensável uma extensão do novo período de ajustamento
de dois para três anos. No entanto, a ingovernabilidade do país, com
base nos resultados atuais, aponta para novas eleições antecipadas em
junho que poderão coincidir com o período em que deveria ser aprovada
uma nova tranche de 11 mil milhões de euros de financiamento a Atenas.
Se a União Europeia e a zona euro não oferecerem nada de
novo à Grécia, as próximas eleições apenas conduzirão a uma
radicalização do espectro político e a uma provável saída "caótica" do
euro (e, segundo alguns analistas, da própria União Europeia), com
desfecho incerto no quadro geopolítico da região em que o país se
insere.
Cedências
simbólicas
O jornal El País afirma hoje que a Comissão Europeia poderá
ceder no que respeita ao plano de ajustamento em Espanha. O governo de
Mariano Rajoy, depois de ter imposto unilateralmente uma meta para o
déficit deste ano em 5,3% do PIB (inferior em umas décimas à meta
exigida por Bruxelas ao governo anterior), poderá conseguir um
alongamento do prazo do ajustamento, ganhando mais um ano. A meta de 3%
do PIB seria relegada para 2014.
Será uma nova cedência simbólica da Comissão Europeia,
depois de já ter recuado em relação ao não pagamento anual da
promissória irlandesa que garantiu o financiamento do sistema bancário
literalmente falido depois da crise de 2008. O não pagamento da
promissória levou Dublin a arquitetar uma reengenharia financeira para o
efeito no final de março.
Com um pano de fundo de 8 dos 17 países da zona euro em
recessão, até Mário Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE),
já elaborou sobre um "pacto de crescimento" (growth compact). Primeiro,
lançou o tema no Parlamento Europeu em Bruxelas a 25 de abril e, depois,
levantou o véu na conferência de imprensa em Barcelona na sequência da
última reunião do conselho de governadores do banco a 3 de maio. "A
redução da despesa pública não pode ser obtida através da redução da
despesa de capital, dos investimentos", e referiu que os investimentos
em infraestruturas na zona euro e a intervenção do Banco Europeu de
Investimentos (BEI) são aspetos a tomar em linha de conta.
Pontos em
discussão
Este "pacto de crescimento", que foi um dos cavalos de
batalha sobre temas europeus da campanha eleitoral de Hollande, estará
na agenda da cimeira em Berlim a 15 de maio. O presidente eleito já veio
afirmar que a Alemanha não pode bloquear em simultâneo todas as saídas
da negociação, quer sejam as euro-obrigações (eurobonds) ou a atuação do
BEI.
Em contrapartida, Hollande foi claro que não pugna pelo
regresso ao despesismo público com base no endividamento e no défice
como solução "nacional" (num movimento para tranquilizar os mercados
financeiros e deixar margem de manobra a Merkel junto do seu eleitorado
e da irredutibilidade do Bundesbank, o banco central alemão). No
entanto, estenderá o reajustamento orçamental em França até 2017. O
presidente eleito pretende que os estímulos ao crescimento sejam
concretizados através das políticas europeias. O papel do BEI, a
reorientação dos fundos estruturais no sentido da inovação, um imposto
europeu sobre as transações financeiras, e uma nova linha de orientação
no BCE estão em cima da mesa. Em Itália, o porta-voz econômico do PdL
(Il Popolo della Libertà), o partido de Berlusconi, já veio hoje apoiar
a ideia de euro-obrigações e de participação do BCE nos leilões de
dívida no mercado primário.
Também hoje, o presidente do Parlamento Europeu, o
social-democrata Martin Schulz, retomou ideias de Hollande e da Comissão
Europeia num artigo publicado no Economy Watch. Admitiu, ainda, que "no
longo prazo, poderemos revisitar a ideia das euro-obrigações" (dando a
entender que não será tema para já) e que a reforma da Política Agrícola
Comum "não deverá continuar um tabu", pois "nem assegura a
sustentabilidade da agricultura nem permite rendimentos decentes aos
agricultores".
Segundo o jornal alemão Suddeutsche Zeitung publica hoje,
Merkel poderá ceder em dois pontos: no uso dos fundos estruturais,
baixando a exigência de cofinanciamento pelos estados que a eles
recorram, para níveis entre 5 e 10%; e no aumento do capital do BEI com
um reforço de 10 mil milhões de euros. Entretanto, a Comissão Europeia
prepara um pacote de 200 mil milhões de euros, virado ao crescimento,
para apresentar na cimeira europeia de junho. Este pacote insere-se na
Iniciativa conhecida como "Europe 2020 Project Bond" destinada a
dinamizar os mercados de capitais para financiar projetos de
infraestruturas europeus nas áreas de transporte, energia e tecnologias
de informação.
* Informações de
Jorge Nascimento Rodrigues/Expresso (Portugal).
08/05/2012
* * *
China e Europa:
As três condições colocadas pela China à
chanceler Merkel*
O diretor-adjunto do poderoso Center for International
and Economics Exchanges da China
explica porque Beijing ainda não se envolveu no Fundo
Europeu de Estabilização Financeira nem
na iniciativa do Fundo Monetário Internacional para
resolver a crise da dívida na zona euro.
Em
Guangzhou, Merkel e o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao visitaram a
fábrica Herrenknecht da empresa alemã líder em maquinaria de alta
tecnologia para a abertura de túneis.
"É
provavelmente ainda muito cedo para falar de um investimento da China no
Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). Primeiro, os países
com problemas deverão ajustar a sua estrutura industrial e realizar mais
esforços para equilibrar o orçamento. Entretanto, no curto prazo, o
Banco Central Europeu terá de desempenhar um papel muito mais ativo",
recomenda Xu Hongcai, diretor-adjunto do poderoso think tank China
Center for International and Economic Exchanges (CCIEE).
Este
professor de Finanças da Universidade de Economia e Gestão da capital
chinesa, autor de "As estratégias financeiras do nosso grande país",
publicou na quinta-feira um artigo no "Asia Pacific Memo", intitulado
sugestivamente "Por que razão a China não está a comprar os títulos para
resgates na zona euro (ainda)". O "memorando 128" surgiu precisamente
durante a estadia da chanceler alemã Ângela Merkel em Beijing. Merkel
deslocou-se hoje para Cantão na sua visita oficial. O "Asia Pacific Memo"
é editado pelo Institute of Asian Research em Vancouver, no Canadá.
Ingredientes fundamentais
Xu
Hongcai é muito claro sobre o problema. A intervenção de Beijing requer
"três ingredientes fundamentais":
-
primeiro, a atuação do "Banco Central Europeu como emprestador de último
recurso", facto a que "a Alemanha se tem oposto, atrasando o processo";
-
segundo, os líderes europeus têm de tornar o FEEF "operacional e seguro
para investidores de fora", já que o que os chineses observam é que a
notação do FEEF perdeu o triplo A (na recente decisão da agência
Standard & Poor's), os alemães resistem a aumentar o valor envolvido, e
faltam "detalhes operacionais";
-
terceiro, os chineses preferem "ajudar a Europa através do Fundo
Monetário Internacional (FMI)", apesar de "ainda ninguém ter dado uma
resposta aos chineses", em virtude dos fatores de "rigidez dentro da
governação do FMI e da preferência por certos países-chave".
Em suma,
diz um dos homens fortes do CCIEE, "os países europeus e o FMI têm de
apresentar um mecanismo de investimento credível à China (e a outros
possíveis investidores) ".
Merkel estende a mão e Lagarde a mala de mão
Os
jornais alemães referiram que a chanceler se deslocou à China com vários
pontos na agenda - desde a questão das sanções ao Irã, ao facto de a
China passar a ser este ano o principal mercado de exportação alemão
(deixando de ser o vizinho francês), até à crise da dívida da zona euro.
Muitos analistas colocaram Merkel na posição de estender a mão aos
chineses para financiar os fundos europeus de resgate. Sabe-se que 40%
das colocações de dívida já realizadas pelo FEEF estão em mãos de
asiáticos, particularmente de japoneses, mas a China ainda não declarou
se tem participado ou vai participar nessas emissões.
Já
Christine Lagarde, a diretora-geral do FMI, em Davos, no último Fórum
Econômico Mundial levantaria a sua chique mala de mão para pedir aos
presentes que investissem no "guarda-chuva" que o FMI pretende criar em
abril para responder às crises da dívida. Foi um momento televisivo com
o sorriso da diretora-geral e alguns risos na plateia.
* Informações de Jorge Nascimento Rodrigues/Expresso-Aeiou
(www.expresso.pt).
* * *
Londres:
Putin
pode ser banido da Olimpíada de Londres*
A Olimpíada tem um significado especial
para Rússia, que vai sediar os próximos jogos de inverno em 2012.
Além disso, Moscou será a sede de outro
importante evento esportivo, a Copa de 2018.
O Reino Unido deve dizer ao premier russo e candidato à
eleição presidencial, Vladimir Putin, que ele não é bem-vindo na
Olimpíada de Londres, em julho próximo, a não ser que a Rússia faça
esforços para conter violações de direitos humanos no país, informou o
jornal "The Guardian".
A medida deve piorar ainda mais a já conturbada relação
diplomática entre Londres e Moscou. O ex-ministro europeu e integrante
do Partido dos Trabalhadores Denis MacShane deve fazer um apelo aos
parlamentares para que o governo deixe claro que Putin não é bem-vindo.
Dezenas de chefes de Estado são esperados na cerimônia de
abertura dos Jogos Olímpicos, marcada para o próximo dia 27 de julho. A
rainha vai presidir o evento que contará com a participação das
delegações de todos os países participantes, incluindo a Rússia.
A vitória de Putin nas eleições presidenciais russas, em
março próximo, é dada como certa apesar dos últimos protestos e do
descontentamento com seu partido, o Rússia Unida. Se o resultado for
confirmado, Putin será empossado presidente em maio deste ano.
A Olimpíada tem um significado especial para Rússia. O país
vai sediar os próximos jogos de inverno em 2012. Além disso, Moscou será
a sede de outro importante evento esportivo, a Copa de 2018.
*
Informações da Agência O Globo.
11/01/2012
* * *
Bruxelas
Europa faz acordo de união fiscal entre 23
países*
O acordo inclui
obrigar os Estados-membros a passar para a esfera jurídica - ou para
suas Constituições,
se for o caso - uma
regra em que se comprometem a manter seus orçamentos em equilíbrio.

Após mais de 10 horas de conversas em Bruxelas, os líderes
europeus anunciaram que chegaram a um acordo para reforçar as regras
fiscais. Mas, ao contrário do que especialistas esperavam, não haverá
adesão dos 27 estados-membros da União Europeia. Apenas 23 confirmaram a
inteção de participar da união fiscal. O Reino Unido se negou a revisar
o tratado da União Europeia.
Além disso, Hungria não quis participar e a Suécia e
República Tcheca pediram para consultar seus parlamentos sobre uma
adesão.
O acordo inclui obrigar os Estados-membros a passar para a
esfera jurídica - ou para suas Constituições, se for o caso - uma regra
em que se comprometem a manter seus orçamentos em equilíbrio. Isso
significa que não será aceito um déficit estrutural de mais de 0,5% do
Produto Interno Bruto (PIB). O Tribunal Europeu de Justiça terá
autoridade para julgar se um país pôs em prática uma lei adequada.
"Os países-membros que farão parte do novo tratado
decidiram sobre três componentes principais: a união fiscal, a
aceleração da implementação do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM,
na sigla em inglês) e a adição de US$ 270 bilhões às reservas do FMI,
recursos a serem confirmados dentro de dez dias", afirmou Lagarde. O ESM
é o mecanismo de resgate permanente.
Além disso, um Estado-membro terá de enfrentar sanções
automáticas caso tenha um déficit orçamentário superior a 3% do PIB, a
menos que as sanções sejam derrubadas pela maioria dos países da zona do
euro.
Como esperado, a dívida para o PIB será limitada a 60%, e
os países terão de lavrar em lei que eles se comprometerão a reduzir
constantemente a dívida caso ela esteja acima do permitido.
Os líderes da zona do euro também disseram que têm projetos
para mais reformas fiscais. O presidente do Conselho Europeu, Herman Van
Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso,
ficarão incumbidos de apresentar um relatório com possíveis medidas
relacionadas a essas reformas fiscais até março.
Além disso, os líderes da zona do euro vão "reavaliar" em
março de 2012 o limite para os recursos combinados da zona do euro que
poderão ter fundos de resgate temporários e permanentes. A questão sobre
o teto de € 500 bilhões, e se ele deveria ou não ser elevado, foi um dos
pontos de discórdia surgidos durante o evento.
Alguns países queriam fundos de resgate temporários e
permanentes para as operações paralelas (side by side), com a elevação
do limite do teto acima de € 500 bilhões. Outros países, liderados pela
Alemanha, resistiam a isso.
No final, enquanto se confirmava que os dois fundos deverão
correr lado a lado, ficou acertado que esse limite será reavaliado em
março do ano que vem.
O fato de o Reino Unido ter rejeitado mudanças no acordo e
a Hungria possivelmente fazer o mesmo, além de algumas abstenções,
demonstra que as novas regras fiscais terão de funcionar como um acordo
intergovernamental, e não se constituirá em mudança do tratado da União
Europeia.
*
Informações da Agência Estado
09/12/2011
* * *
Itália:
FMI prepara 'pacotão' de €600 bilhões*
Entretanto, um porta-voz do FMI afirma
que "não há discussões com
as autoridades italianas sobre um
programa de financiamento por parte do FMI".
Christine Lagarde, a diretora-geral do fundo, está disposta
a dar uma "almofada" de liquidez de 18 meses a Mario Monti, segundo o
jornal La Stampa. Linkiesta, por seu lado, fala de €300 mil milhõe.
Porta-voz do Fundo desmentiu
A "bomba" caiu em Roma com a manchete do La Stampa deste
domingo. Segundo o correspondente em Nova Iorque do jornal italiano, o
Fundo Monetário Internacional (FMI) estaria a preparar um "pacotão" para
Itália que poderia ir até €600 mil milhões de empréstimos.
O jornal online Linkiesta, no entanto, já a 11 de novembro
havia citado uma fonte confidencial do FMI referindo a possibilidade de
uma linha de crédito de €300 mil milhões. Fabrizio Goria, editor do
Linkiesta, acha o número de €600 mil milhões "excessivamente alto", como
nos refere.
Entretanto, um porta-voz do FMI afirma segunda-feira (28 de
novembro) que "nao há discussões com as autoridades italianas sobre um
programa de financiamento por parte do FMI".
A lógica por detrás daquela eventual emergência - num
patamar de 300 ou de 600 mil milhões - é evitar que a Itália, a terceira
maior economia da zona euro, um verdadeiro país TBTF (demasiado grande
para falir, no acrónimo em inglês para too big to fail), entre na mesma
dinâmica de outros companheiros do "Sul", já com planos de resgate em
curso ou até adicionais.
O objetivo seria permitir ao novo governo italiano de
iniciativa presidencial, chefiado por Mario Monti, uma "almofada" de
liquidez durante 18 meses que o coloque ao abrigo da pressão
especulativa dos mercados da dívida. O juro seria de 4 a 5%.
Um montante de 600 mil milhões - o limite máximo referido -
é quase o dobro do montante comprometido com os pacotes de resgate à
Grécia (incluindo o adicional, já aprovado em julho deste ano), Irlanda
e Portugal, descontando a parcela de financiamento interno na Irlanda e
uma parte a negociar com os credores privados no caso da reestruturação
da dívida grega.
Pressão
especulativa muito elevada
Recorde-se que, na semana que findou, o prêmio de risco
para a dívida italiana a 10 anos fechou em 5 pontos percentuais acima
dos juros para os Bunds, os títulos alemães. E que, apesar da
intervenção do Banco Central Europeu no mercado secundário comprando
sistematicamente dívida italiana, todas as maturidades dos BTP (os
títulos do Tesouro italiano plurianuais) de 2 anos até 10 anos fecharam
acima do limiar crítico dos 7%. Em alguns casos já perto dos 8%. O
próprio leilão de dívida a 2 anos da semana passada levou o Departamento
do Tesouro a aceitar pagar uma taxa de remuneração média de 7,814%,
contra 4,628% anteriormente.
Durante esse ano e meio, Itália teria de implementar as
reformas anteriormente acordadas pelo ex-primeiro-ministro Berlusconi
com a União Europeia e o Banco Central Europeu (BCE), e tentar reganhar
a credibilidade junto dos investidores internacionais.
O FMI, no entanto, teria este plano de emergência, como
último recurso. Espera que a cimeira de 9 de dezembro dê sinais claros
do que a União Europeia pretende fazer. Ou que os mercados da dívida,
nas próximas semanas, deem visto positivo ao programa de Monti que será
apresentado no dia 5 de dezembro, ainda antes da cimeira europeia de dia
9.
Também, a via de montar este "pacotão" não é clara. Alguns
referem o possível uso da recente linha de liquidez lançada pelo Fundo
(conhecida por PLL, precautionary and liquidity line, em inglês). Ou uma
operação coordenada com o BCE, presidido atualmente por outro italiano,
outro super Mario, Mario Draghi.
*
Informações de Jorge Nascimento Rodrigues/Expresso (Portugal).
28/11/2011
* * *
Atenas:
Lucas Papademos é confirmado como novo
premiê*
Comunicado diz que
o novo governo será responsável por aprovar o recente plano de resgate.
O presidente da Grécia, Karolos Papoulias, confirmou hoje,
em comunicado, que o ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE)
Lucas Papademos foi nomeado primeiro-ministro do país. Segundo o
comunicado, o novo governo será empossado amanhã, às 10h (horário de
Brasília).
O comunicado diz que o novo governo será responsável por
aprovar o recente plano de resgate de 130 bilhões de euros oferecido ao
país e implementar decisões relevantes. As informações são da Dow Jones.
*
Informações da Agência Estado (SP).
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