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Folclore do Piaui Especial: a lenda do Cabeça-de-Cuia
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São Paulo: Aparecida: o maior santuário mariano do mundo Uma imagem de terracota ‘aparecida nas águas’ viria influenciar a fé e a cultura um povo, tornando-se sua padroeira nacional. O dia 12 de outubro é dedicado à Senhora de Aparecida.
Por Pepe Chaves* De Contagem-MG Para Via Fanzine
Imagem da Senhora Aparecida
Enquanto o mundo experimentaria os fenômenos marianos de Lourdes (França) em 1858 e de Fátima (Portugal), somente em 1917, do outro lado do Atlântico, a Nossa Senhora Aparecida surgia em terras brasileiras em 1717. A ocorrência brasileira, em realidade, não pode ser vista como um fenômeno de natureza mariana (aparições de Maria, mãe de Jesus), vez que não houve a presença de uma Senhora, como nos casos marianos, mas sim uma imagem feminina esculpida.
Os desígnios de “Aparecida” (a imagem aparecida num rio) remontam o Brasil escravagista. Segundo relatos históricos, a ocorrência se deu em meados do ano de 1717, quando do aparecimento de uma imagem de terracota (argila) retirada de um rio que, posteriormente, passou a ser cultuada por milhões de fiéis, vindo a se tornar a santa “padroeira” do Brasil.
O acontecimento foi de grande impacto na religiosidade e na cultura brasileiras daquela época e, sobretudo, posteriormente, pois que, mesmo se tratando de uma desconhecida imagem cunhada em terracota, teria sido encontrada casualmente sob as águas de um rio. Assim, a imagem foi adotada pela Igreja Católica da época e, como uma espécie de talismã de adoração, se tornou símbolo de amparo ao sofrido povo brasileiro.
A fé cega em Nossa Senhora Aparecida atravessou todas as latitudes do imenso país, vindo a santa de argila, a cair numa simpatia popular praticamente unânime àquela época, quando a Igreja Católica ainda possuía um séqüito mais carismático e fervoroso que na atualidade, porém, evidentemente, de menor quantidade. No entanto, ressalta-se que ainda nos dias atuais, a Senhora Aparecida goza da simpatia e devoção da maior parte do povo brasileiro e uma manifestação unânime e tradicional, geralmente, se faz no dia da santa, 12 de outubro, quando as 12h é promovida uma queima de fogos em todas as cidades do país.
APARECIDA DAS ÁGUAS - A história de Aparecida teve inicio no longínquo ano de 1717, com uma viagem do Conde de Assumar, D. Pedro de Almeida e Portugal, à época, governador das províncias de São Paulo e Minas Gerais. O Conde estaria de passagem pela Vila de Guaratinguetá, interior paulista, com destino à Villa Rica, atual município de Ouro Preto, Minas Gerais.
Para bem alimentar a autoridade viajante quando de sua passagem na região, a Câmara de Guaratinguetá contratou os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves para buscarem peixes no Rio Paraíba. Assim, os três pescadores desceram aquele rio farto e piscoso. Após algum tempo, a pescaria se fazia infrutífera, até que chegaram ao Porto Itaguaçu.
Naquele local, João Alves, ao lançar sua rede nas águas, recolheu o corpo de uma imagem de margila, que afirmaram se tratar de Nossa Senhora da Conceição, porém a peça faltava a cabeça. Mas, ao lançar novamente a rede, o pescador apanhou a cabeça faltante dessa mesma imagem. Narra a história que, após encontrarem a imagem, a pesca logrou êxito e os peixes caíram em abundância nas redes daqueles pescadores paulistas.
Eles retornaram com a imagem, juntaram as duas peças em apenas uma e difundiram aquela história entre o povo, chamando a atenção da Igreja Católica para o achado. Durante 15 anos seguidos, a imagem que ficou conhecida como sendo de Nossa Senhora “Aparecida” (assim denominada por ser ‘Aparecida das Águas’) permanecendo sob a guarda da família do pescador Felipe Pedroso, que a levou para casa, onde a vizinhança criou o costume se reunir para rezar em torno da mesma. Percebendo o interesse da população pelo achado e observando a força mítica de Aparecida, a igreja católica mais uma vez abraçou um caso, enquadrou-o em seus “dogmas de fé” e estabeleceu sua versão para a natureza da “santa imagem” de Aparecida.
A propagação do achado e seus pretensos milagres de cura repercutiram em terras distantes e vieram acentuar a fidelidade dos súditos católicos espalhados pelo mundo. A imagem e o caso que a envolve foram reconhecidos pelo Vaticano como fenômenos de natureza divina, porém, dogma de fé particular dos fiéis cristãos.
DEVOÇÃO À IMAGEM - E de forma constante, a história continuou se propagando por outras plagas, passando a atrair o interesse crescente de mais e mais pessoas, com isso, a devoção foi se elevando em meio às graças alcançadas por aqueles fiéis que rezavam diante à imagem de Aparecida. Desta forma, ainda naquela época, quando havia parcos meios de comunicação, a fama dos poderes de Nossa Senhora Aparecida foi rompendo fronteiras nacionais, após ter se espalhando por todas as regiões do Brasil.
A história dita que, em 1734, o Vigário de Guaratinguetá construiu uma capela no alto do Morro dos Coqueiros, no dia 26 de julho de 1745, a qual era aberta à visitação pública. Assustadoramente, a quantidade de fiéis aumentava constantemente, extravasando a capacidade da pequena capela. Para atender a essa demanda, em 1834 foi iniciada a construção de uma igreja maior - a atual Basílica Velha.
O local do achado ficou conhecido como “Aparecida do Norte” e recebeu no ano de 1894, um grupo de padres e irmãos católicos da Congregação dos Missionários Redentoristas. Eles foram devidamente treinados para atender aos romeiros que “acorriam-se aos pés da Virgem Maria para rezar com a Senhora ‘Aparecida’ das águas”, conforme narra o Santuário Nacional.
Em 08 de setembro de 1904, a imagem de ‘Nossa Senhora da Conceição Aparecida’ foi coroada, solenemente, pelo bispo católico Dom José Camargo Barros e no dia 29 de abril de 1908, aquela igreja recebeu o título de Basílica Menor.
Basílica de Aparecida do Norte - Santuário Nacional
PADROEIRA DO BRASIL - No dia 17 de dezembro de 1928, a vila que se formara ao redor da igreja no alto do Morro dos Coqueiros tornou-se oficialmente município autônomo de Aparecida do Norte. Em 1929, por determinação do Papa Pio XI, a Nossa Senhora foi proclamada como “Rainha do Brasil e sua padroeira oficial”.
Após mais de duas décadas a primeira Basílica tornou-se novamente pequena com a expansão dos fiéis e por iniciativa dos missionários redentoristas e dos bispos católicos, teve início em 11 de novembro de 1955, a construção de uma outra igreja, a atual Basílica Nova. Quando da visita do papa João Paulo II ao Brasil, em 1980, a mesma foi consagrada pela santidade clerical e recebeu o título de “Basílica Menor”. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou oficialmente a Basílica de Aparecida como Santuário Nacional e "maior Santuário Mariano do mundo".
Com o passar dos tempos, Aparecida do Norte se tornou num município autônomo e no grande centro do catolicismo brasileiro, abrigando também, uma verdadeira zona mercantilista, montada em torno da Santa. São comercializadas mercadorias variadas, fartamente adquiridas pelos fiéis, tais como, imagens da santa Aparecida em todos os tamanhos, objetos de adoração e utensílios temáticos. O forte comércio em Aparecida do Norte vem potencializar o turismo e a economia de toda aquela região. A imagem ganhou uma manto, com a bandeira do Brasil e uma coroa dourada.
O estranho surgimento da imagem de Aparecida, pescada em dois lances de rede, sugere aos seus pesquisadores, diversas hipóteses, incluindo àquela que – como crê a Igreja Católica - alguma forma de inteligência consciente ou “santa” estaria submersa no rio, repassando aos pescadores aquele objeto de arte dividido em duas partes. Esta seria uma espécie de contato através de um sinal: o envio aos homens de uma imagem de argila, que mais tarde seria cultuada de forma a acentuar e “sofisticar” a fé das pessoas daquele tempo, como também das de um futuro distante. Mais que um simples objeto artístico, aquela imagem estaria destinada a se tornar um objeto de culto, de fé pessoal e ícone catalisador dos anseios e sofrimentos de toda uma nação.
SANTA NEGRA - Cabe registrar que, durante o processo secular de difusão da Nossa Senhora Aparecida, surgiu um leque de distorções da realidade, além de determinadas mitificações ocorridas de maneira natural ou cultural. Dentre elas, encontra-se a sugestão de que a cor da pele da Senhora Aparecida – a ‘santa brasileira’ - fosse vista como da raça negra, criando assim, o que seria a primeira santa de cútis escura da Igreja Católica.
No entanto, devemos lembrar que esta afirmação, tão propagada e absorvida de maneira errônea pela maioria da sociedade brasileira, se faz por meio de uma aparição não física (diferentemente das aparições marianas), mas sim, através de constatação do aspecto de uma imagem cunhada em barro.
Em verdade, a cor escura da pele da santa retratada na imagem, trata-se de efeito natural da própria matéria usada para se esculpir aquela estátua, tanto que as vestes da imagem são da mesma cor da pele. Portanto, nunca se teve notícia que existiu em vida, uma Senhora "aparecida" semelhante à imagem e, muito menos ainda, sabe-se qual seria a cor de sua pele, caso a pessoa retratada na estátua tenha existido. É necessário acrescentar que a idéia de Aparecida ser uma “santa negra” se propagou popularmente, pelo fato de a imagem apresentar pigmentação escura e pelas fortes influências da cultura afro na religiosidade brasileira.
'DOGMAS DE FÉ' - As aparições marianas, assim como a crença na Nossa Senhora Aparecida, são classificadas pela Igreja Católica como sendo “dogmas de fé”, ou seja, nestes casos, a igreja não impõe estas supostas ocorrências como fatos reais que devem ser seguidos pelos fiéis, mas os deixam livres para crerem ou não em ocorrências de natureza desconhecida.
Desta forma a igreja pode fortalecer seu arsenal santificador, sem ter que exigir coerência de seu séquito e, por outro lado, não necessita também de prestar contas ao mundo científico acerca de tais fenômenos, já que os mesmos consistiriam em "dogmas de fé".
* Pepe Chaves é editor do jornal eletrônico Via Fanzine.
- Com informações do Santuário Nacional (www.santuarionacional.com.br).
- Imagens: Santuário Nacional -Aparecida do Norte-SP.
- Para ler mais sobre Aparições Marianas: http://www.viafanzine.jor.br/site_vf/ufovia/historia.htm http://www.viafanzine.jor.br/site_vf/ufovia/marianas.htm
- Produção: Pepe Chaves. © Copyright 2004-2009, Pepe Arte Viva Ltda.
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Itália: O misterioso caso de Ettore Majorana* Ele estava iniciando uma promissora carreira como físico. No entanto, Ettore Majorana desapareceu misteriosamente em 1938, situação que tem gerado todo tipo de especulações e, inclusive, uma novela.
Ettore Majorana, ilustre físico italiano.
Na noite de 25 de março de 1938, o físico italiano Ettore Majorana, de 31 anos, tomou em Nápoles o barco Correio Noturno para Palermo, Sicília. Antes, escreveu duas cartas. A primeira, que ficou no Hotel Boloña, onde se hospedara, estava dirigida a sua família; nela fazia uma peculiar petição: “Só tenho um desejo: não se vistam de negro por mim. Caso desejem - ou devam - seguir os costumes sociais, usem outro sinal de luto, mas não por mais de três dias. Depois disso, só deverei ficar em suas lembranças e, se são capazes de fazer, me esqueçam”. Esta mensagem tinha o tom macabro de uma nota de suicídio.
A segunda carta, enviada por Correio, parecia confirmar que Majorana tinha decidido dar fim a sua vida. Era dirigida a Antonio Carrelli, diretor do Instituto de Física da Universidade de Nápoles, onde o jovem científico estava em cátedra desde janeiro.
“Tomei uma decisão inevitável”, escreveu a Carrelli. “Não há nela egoísmo. Mas sei que meu inesperado desaparecimento será um inconveniente para você e os estudantes. Peço que me perdoe, sobretudo, por eu ter colocado de lado a confiança, sincera amizade e generosidade que me mostrou”. Antes que Carrelli recebesse a carta, Majorana enviou um telegrama de Palermo, solicitando passar por alto sua carta de Nápoles.
O telegrama foi seguido por uma segunda carta, datada de 26 de março e também enviada de Palermo, onde escreveu Majorana: “Querido Carrelli, o mar recusou-me sem remédio. Regressarei amanhã ao Hotel Boloña. Mas me propus deixar o ensino. Estarei à sua disposição para dar mais detalhes”. A segunda carta enviada a Carrelli pareceria indicar uma tentativa de suicídio desistido ou frustrado. No entanto, isto não anunciou uma vida renovada para Majorana. E a partir daí, nem Carrelli, nem os membros da família do físico voltaram a saber sobre ele.
Um brilhante perfecionista
Segundo o veredicto unânime de seus contemporâneos, Ettore Majorana possuía uma inteligência extraordinária. Seu mentor, o prêmio Nobel Enrico Fermi, chegou a compará-lo com Galileu Galilei e Isaac Newton. Nascido em 05 de agosto de 1906 em Catania, Sicília, Ettore resolvia, com a idade de quatro anos, complexos problemas matemáticos a velocidades incríveis. Era um dom que confundiu e assombrou aos que o rodearam enquanto seguiu sua formação. A princípio, foi educado em casa e mais tarde foi enviado a uma escola jesuíta em Roma e completou a educação secundária no Liceo Torcuato Tasso, antes de completar 17 anos. No outono de 1923 ingressou à Escola de Engenharia da Universidade de Roma, onde entre seus condiscípulos estavam seus irmãos mais velhos, Luciano e Emilio Segrè. Foi este último que persuadiu Majorana a dedicar ao estudo da física.
Em 1928 foi transferido para o Instituto de Física Teórica, então sob a direção de Enrico Fermi. Ao ano seguinte, recebeu seu doutorado com menção honorífica, mas durante os cinco anos seguintes trabalhou com Fermi resolvendo problemas de física nuclear. Ainda que a produção acadêmica de Majorana mal ascendera, foram publicados entre 1928 e 1937, nove de seus trabalhos. Sua obra ainda é admirada pela comunidade científica até hoje.
Seus trabalhos revelam um minucioso conhecimento de dados experimentais, facilidade para simplificar problemas, uma mente lúcida e um perfeccionismo sem concessões. Suas críticas para com os trabalhos de outros lhe valeram o apelido de “O Grande Inquisidor“. Mas era igualmente severo consigo mesmo, o que poderia explicar seu ritmo lento e sua escassa produção acadêmica.
Distanciando-se de Fermi, Majorana saiu da Itália em 1933, a serviço do Conselho Nacional de Investigação. Em Leipzig, Alemanha, conheceu o também prêmio Nobel Werner Heisenberg. A correspondência posterior enviada a Heisenberg revela que Majorana não só o teve como um colega científico, mas também como um amigo íntimo. Heisenberg sugeriu ao jovem italiano a publicar com mais freqüência, mas este foi reticente.
Esquerda: Ettore Majorana com sua família (não especificam a data).
Desenvolve-se a crise
No outono de 1933, Majorana voltou a Roma com problemas de saúde: voltara enfermo de gastrite aguda adquirida na Alemanha e ao que parece, sofria de esgotamento nervoso. Teve que seguir uma estrita dieta e se fez introvertido e seco. Ainda que mantivesse uma carinhosa relação com sua mãe, escreveu da Alemanha advertindo-lhe com ênfase que não a acompanharia em suas costumeiras férias de verão pelo mar. Sua assistência ao instituto se fez irregular e depois se encerrou em sua casa: o promissor e jovem físico converteu-se num ermitão.
Durante quatro anos separou-se de seus amigos e parou de publicar. Até que em 1937 Majorana regressou ao que poderia se chamar uma vida “normal”. Nesse ano, após um longo silêncio, publicou o que seria seu último documento científico e solicitou dar a cátedra de física. Em novembro, foi nomeado professor de física teórica na Universidade de Nápoles. Para o infortúnio da auto-estima de Majorana, suas classes em Nápoles tiveram pouca assiduidade. Seus estudantes singelamente não entendiam o que ele tentava lhes explicar. No dia 22 de janeiro de 1938 pediu com certo desespero a seu irmão que lhe transferisse para um banco de Nápoles todo o dinheiro que tinha em Roma. Em março retirou uma alta soma de seu salário profissional, que não tinha tocado desde sua nomeação. Com este dinheiro e seu passaporte, tomou um barco em 25 de março e desapareceu para sempre.
Em busca de pistas
A investigação iniciada nas semanas posteriores ao desaparecimento do físico revelou algumas pistas prometedoras. Mas todas resultaram em becos sem saída.
Em 26 de março, no dia em que enviou a Carrelli o telegrama e a segunda carta, Majorana possivelmente embarcou no Barco Correio que voltava de Palermo a Nápoles. Segundo as autoridades da companhia naval, havia um boleto em seu nome no escritório. Depois, quando pediram para mostrar a evidência, afirmaram que o boleto fora cancelado e havia se perdido. Primeiramente, uma testemunha disse ter compartilhado um camarote com Majorana, para depois dizer que não estava seguro da identidade de seu colega de viagem. Por outro lado, uma enfermeira que conhecia bem Majorana fez questão de dizer que o viu em Nápoles, depois do regresso do barco, em 26 de março.
Num monastério?
A família de Majorana publicou um aviso notificando o desaparecimento de Ettore, com uma fotografia como referência para uma possível busca. Em julho receberam resposta. O abade do monastério Gesu Nuovo, em Nápoles, afirmou que um jovem muito parecido ao da fotografia o visitou no final de março ou princípio de abril, pedindo que o admitisse no monastério, na qualidade de hóspede. Quando o abade vacilou para aceitar a petição, o jovem se foi e nunca mais regressou. Mas como o abade não sabia a data exata, foi impossível determinar se a visita foi antes ou após a viagem de Majorana a Palermo.
Depois, estabeleceu-se que no 12 de abril um homem jovem parecido ao da fotografia de Majorana solicitou ingresso ao monastério San Pasquale de Portici. Este também desapareceu depois de ser recusado. Baseado nestes relatórios vadios, mas fascinantes, o escritor Leonardo Sciascia propôs uma teoria, 40 anos após o evento.
Cansado do mundo e das obrigações impostas por seu trabalho científico, talvez desiludido pela aparente falência de sua carreira de professor, Majorana buscou um escape na vida religiosa. Em alguma parte achou um refúgio onde pudesse viver de forma incógnita e dedicar o resto de sua vida às preces e à contemplação.
Foi para a Argentina?
A pista final e por sinal, a mais intrigante deixada por Ettore Majorana conduz até América do Sul. Em 1950, o físico chileno Carlos Rivera viveu em Buenos Aires, capital da Argentina, e se alojou temporariamente na casa de uma idosa. Por acaso, a idosa descobriu o nome de Majorana entre os papéis, a quem contou que seu filho conhecia a um homem com esse apelido, mas que não se desempenhava no campo da física, mas sim no da engenharia.
Rivera teve que partir de Buenos Aires e não pôde seguir a pista. Mas, curiosamente, Rivera achou novamente as impressões de Majorana em Buenos Aires. Em 1960, enquanto estava em um restaurante, escrevia distraidamente fórmulas matemáticas em um guardanapo, um garçom se achegou e disse a ele: “Conheço alguém com o mesmo hábito de escrever fórmulas matemáticas em guardanapos. Ele vem aqui de vez em quando e chama-se Ettore Majorana. Era um físico famoso na Itália, antes da guerra, quando saiu de seu país e veio para cá”. Mas esta pista também não serviu: o garçom não sabia sobre o destino tomado por Majorana e, de novo, Rivera teve que partir antes de resolver o mistério.
A Medalha Majorana é um prêmio anual para os pesquisadores que mostrem grande criatividade, sentido crítico e rigor matemático em física teórica.
Três idosas guardam um segredo
As fascinantes notícias dos achados de Rivera na Argentina ganharam o meio cientificista e chegaram à Itália em fins da década de 1970. O físico Erasmo Recami e María Majorana, irmã de Ettore, seguiram estas pistas e, na busca, encontraram uma outra pista que levava à Argentina.
De visita à Itália, a viúva do escritor guatemalteco Miguel Ángel Astúrias ouviu sobre as novas tentativas para esclarecer o desaparecimento de Ettore Majorana. Ela forneceu a informação de que, durante a década de 1960, conheceu o físico italiano em casa das irmãs Eleonora e Lilo Manzoni. A senhora Astúrias, disse que Majorana parecia ser amigo íntimo de Eleonora, que era matemática.
Mas, a solução ao enigma que, por fim, estava quase em mãos, desapareceu, pois, a senhora Astúrias recusou dar mais detalhes. Em realidade, ela não tinha visto Majorana em pessoa, senão ouviu por terceiros sobre sua amizade com Eleonora. A senhora Astúrias disse à sua irmã e Lilo Manzoni que não podia prestar depoimento, vez que Eleonora tinha falecido. No entanto, ambas idosas não puderam ou não quiseram dar respostas.
Será que as irmãs Astúrias tinham feito um pacto com a senhora Manzoni para guardar o segredo de Ettore Majorana? Devido ao fato de duas pistas independentes conduzirem à Argentina, é muito possível que o físico italiano tenha se dirigido para lá em 1938, em vez de se isolar em um monastério ou se suicidar.
A razão de seu súbito desaparecimento ainda se desconhece e, possivelmente, nunca se saberá. Contudo, foram muito acertados os secos comentários sobre as investigações do desaparecimento. Se verdadeiramente Ettore Majorana tivesse decidido desaparecer sem deixar rastro, o teria feito facilmente, com a inteligência que possuía.
Só uma solução?
O misterioso desaparecimento do físico Ettore Majorana em março de 1938 já tinha sido esquecido pelo público, quando o escritor italiano Leonardo Sciascia publicou em 1975 El caso Majorana, uma obra descrita por ele como uma “novela filosófica de mistério”. Os contos e novelas anteriores de Sciascia tratavam quase exclusivamente das condições sócio-econômicas, políticas e morais de sua nativa Sicília.
Sciascia soube do mistério de Majorana em 1972. Naquele ano, o Conselho Nacional de Investigação - que financiou em 1933 a viagem a Alemanha do jovem físico - designou a Erasmo Recami, professor de física teórica da Universidade de Catania, para que organizasse a breve totalidade da obra científica de Majorana. Ao fazê-lo, achou pistas que anteriormente foram descartadas e que mostrou a Sciascia.
Ao seguir estas pistas, o novelista considerou os motivos que teriam obrigado Majorana a sair da Itália e concebeu uma intrigante teoria: com sua inteligência superior, Majorana reconheceu, antes que seus colegas, a enorme força destrutiva da energia atômica e não quis tomar parte no desenvolvimento de tal armamento atômico para o regime fascista de Mussolini. A tese de Sciascia suscitou uma considerável controvérsia na Itália.
O principal de seus oponentes foi Eduardo Amaldi, que terminou os estudos para o doutorado com Fermi um ano depois que Majorana. Segundo Amaldi, nenhum cientista podia predizer em 1930, o final das questões nucleares que viriam nas décadas da pré-guerra. Erasmo Recami, que conhece melhor que ninguém a obra de Majorana, se recusa a eliminar a teoria de Sciascia. Recami pensa que seja uma, entre muitas possibilidades.
Selo dos Correios italianos, criado em homenagem a Majorana(2006).
Homenagens e contribuições
O interessante é que de acordo com o físico francês Etienne Klein, muitos dos trabalhos de Majorana estavam bastante adiantados para o seu tempo. Ao que parece, nos anos 30, teria resolvido problemas que foram redescobertos pelo grande físico Richar Feynman em fins dos anos 60.
Ao cumprir-se o centenário de Majorana, em 2006, o Electronic Journal of Theoretical Physics estabeleceu um prêmio em memória do físico siciliano. A Medalha Majorana é um prêmio anual para os pesquisadores que mostrem grande criatividade, sentido crítico e rigor matemático em física teórica. Posteriormente foi criado também um selo em sua memória.
* Informações extraídas de Mezvan Blogsome (do espanhol). - Tradução: Pepe Chaves (MG). - Colaborou: José Ildefonso Pinto de Souza (SP).
- Imagens: Institut für Theoretische Physik e La scienza a Catania.
Referências:
- Site Secretos y Misterios de la Historia.
- Wikipedia - pequena resenha de duas das grandes contribuições de Majorana:
- Produção: Pepe Chaves. © Copyright 2004-2009, Pepe Arte Viva Ltda.
* * * Fenômeno Mariano: Marias do mundo e de Minas Gerais No Estado de Minas Gerais e em todo o mundo, misteriosas senhoras teriam levado mensagens de paz às populações carentes. Por Pepe Chaves* De Contagem-MG Para Via Fanzine
Imagem semelhante à aparição de Itaúna-MG.
Em seu vasto território, o Estado de Minas Gerais, no Brasil, tem sido palco de diversas manifestações desconhecidas, geralmente, canalizadas por suas populações para o âmbito religioso ou folclórico prevalecente nas respectivas regiões em que ocorrem. Constam inúmeros locais no território mineiro onde se narram aparições de seres fantásticos, como as misteriosas “senhoras mensageiras”, as medonhas “assombrações”, a enigmática “Mãe-do-Ouro” e a aterrorizante “Mulher de Branco”, entre outras manifestações alegadamente testemunhadas.
De posse do controle cultural, sobretudo nos lugarejos mais isolados do Brasil, a Igreja Católica, sempre tomou frente ante os casos de aparições marianas (senhoras que lembram Maria, mãe de Jesus), vindo a impor sua versão explicativa dos fatos, potencializada por detrás das lentes de seus dogmas e demais conceitos pré-estabelecidos. O efeito disso causou o “aumento da fé” junto às populações mais distintas do imenso país (e do mundo), despertando a devoção ao culto mariano em nações de todos os continentes.
PIEDADE DAS GERAIS - O caso da “Maria Santíssima”, avistada em Piedade das Gerais, na região Centro-Oeste de Minas, não foge à regra dos demais e sugere em diversos de seus aspectos, uma íntima correlação contextual com todos os demais casos ocorridos pelo mundo, desde Lourdes na França (1844), Fátima em Portugal (1917), até Medjugorje, na Iugoslávia (1981). A partir dos acontecimentos ocorridos em Fátima em que culminou no episódio chamado de “milagre do sol”, presenciado por mais de 70 mil pessoas, as posteriores aparições dessa natureza, pareceram se padronizar e passaram a se enquadrar dentro de um mesmo clichê contextual.
Na década de 80 o pequeno município de Piedade das Gerais, no Centro-Oeste mineiro, tinha como principal protagonista dos alegados contatos, a menina Marilda Cleonice de Santana, na época com 12 anos de idade. O caso se configura a partir dos avistamentos conduzidos por Marilda, que levou algumas pessoas a descreverem a visagem da santa, juntamente com um menino pequeno nos braços, sendo descritas suas feições físicas e alguns de seus gestos. No entanto, somente a menina “sensitiva” tinha o dom de enxergar por inteiro a aparição e se comunicar com a “Nossa Senhora”. Desde o primeiro avistamento, Marilda trazia em sua companhia algumas crianças de seu convívio, como as meninas Íris e Juliana, que ao seu lado, teriam presenciado de alguma forma as ações da entidade durante as diversas aparições, porém, estas poderiam enxergar somente partes do corpo da santa senhora.
Após uma primeira e emocionada aparição, onde - conforme a descrição de Marilda - a dita santa trazia nos braços uma criança pequena, o caso se propagou na região atraindo a atenção das pessoas. No dia 03 de outubro de 1987, cerca de 300 pessoas se aglomeravam às 14h30, no local dos avistamentos, um descampado na zona rural, rente a uma cerca de arame. Ao avistar a santa – invisível aos demais -, a menina transmitia a ela perguntas das pessoas presentes e, como que em catarse coletiva, os fiéis católicos cantavam ladainhas (a pedido da santa) e rezando o terço.
17 ANOS DE MENSAGENS - E assim, por diversas datas futuras e cada vez mais atraindo multidões de pessoas, a Nossa Senhora de Piedade das Gerais voltou a aparecer, até o ultimo registro que consta do dia 04 de abril de 1989, no livro Maria Santíssima – Piedade dos Gerais (Imprimatur, 1995), de autoria de Luiz Gomes e Antônio Jota. Contudo, ficou notório que a santa voltou a aparecer em datas posteriores e aleatórias. Conforme cita o portal oficial das aparições de Piedade das Gerais (www.aparicoes.com.br), após 17 anos do primeiro contato, a mais recente mensagem canalizada estaria datada de 19 de Setembro de 2004 e nela a santa teria dito: “Vocês cresceram espiritualmente, e isto me dá uma alegria tão grande. Isto me faz compreender que estes dezessete anos da minha vinda aqui de corpo e alma não foram em vão, e nunca serão em vão, porque da mesma forma que o sol hoje brilha, o Divino Espírito Santo brilha na nossa vida, brilha neste lugar”.
As mensagens, geralmente, de cunho acentuadamente humanitário, dissertavam acerca da igualdade entre os povos, do amor ao próximo, pregando, em suma, a palavra de Jesus. No entanto, devemos considerar que o conteúdo de tais mensagens - não somente no caso específico de Piedade das Gerais - vinha sempre vinculado aos princípios dogmáticos católicos, como, por exemplo, o fato de a santa pedir que freqüentassem a missa, logo, em um templo católico; que rezassem o terço e outras solicitações exclusivamente inerentes às diretrizes comportamentais do catolicismo. Temos visto há muito, o poder eclesiástico formalizar e conduzir praticamente a totalidade dos casos de aparições dessas inexplicáveis figuras femininas, nas mais variadas regiões do globo terrestre.
MISTER - Outras cidades do interior mineiro também teriam recebido visitas semelhantes, como Itaúna, também na região Centro-oeste do estado (1956), quando uma dessas senhoras mensageiras teria aparecido, por vezes, a um vidente local. Poderiam todas estas santas aparecidas pela Terra se tratarem de uma mesma entidade, que estaria a “usar” imagem que lembrasse o que teria sido Maria para assim contatar o reino humano? Afinal, a mais confortável imagem que o desconhecido poderia apresentar para qualquer ser humano, seria a da mãe do Cristo – no entanto, ressaltemos ao fato de que ninguém jamais soube como seria fisionomicamente, Maria, mãe de Jesus. As semelhanças das aparições entre si em todo o mundo trazem peças básicas para se compor a personagem principal: quase sempre elas aparecem vestidas em túnicas ou mantos, com véus sobre a cabeça, trajando roupagem em cores claras, às vezes muito brilhantes, portando semblante benévolo, olhar condolente, feição amena, transmitindo confiança, ternura e amor.
Contudo, em muitos desses casos, é praticamente impossível se assegurar a autêntica veracidade das ocorrências registradas, como também a integridade do conteúdo das ditas mensagens. Na maioria dos casos, desde o acontecimento inicial que gera o fato, até onde se culmina sua propagação por outras partes do mundo, sempre houve um tráfego de interesses e desinformações, boatos, acréscimos; choque de crenças e duelos no que se refere às interpretações de tais fatos quando, notadamente, “vence”, aquele melhor fundamentado. O vencedor desse pleito ideológico passa a conscientizar então a unanimidade popular através de uma proposta – longe de ser a mais viável – que é justamente aquela que possa ser a mais confortavelmente aceita pelas populações locais. E este tem sido o papel da igreja em tais casos.
Deve-se registrar o fato de que em diversos casos destas aparições, percebeu-se pelo público, a precipitação de chuvas, nevoeiros, trovões, odores e outras anomalias climáticas. Em verdade, temos a pensar que grande parte dos casos de Aparições Marianas seja mesmo genuína e tais processos possam estar intrinsecamente ligados a uma potente força oculta, capaz de moldar para si a aparência e a situação a que melhor julgar para, assim, se apresentar diante aos homens da Terra.
Sem querer entrar nos méritos da fonte destas manifestações, porém, distante das teorias católicas, gostaríamos de assinalar que temos visto serem levantadas nos últimos tempos, poucas e boas possibilidades de explicação para eventos dessa natureza, incluindo teorias e teoremas que buscam discernimentos embasados no quase inexplorado campo das “inter-dimensões”; dos universos paralelos, supra e subatômicos e demais recursos hoje reconhecidamente pertencentes aos campos da física quântica.
É claro, não devemos descartar a possibilidade de que tais manifestações possam estar partindo de civilizações antiqüíssimas do nosso Universo dimensional, possuindo, portanto, milênios de desenvolvimento à nossa dianteira, fato este que lhes dariam poderes supra-materiais e daí, a virem nos impressionar com seus “milagres”, “ilusões coletivas” e outras manipulações, vistas pelos humanos como “anomalias” extra-físicas. Todos estes efeitos físicos e extra-físicos exibidos em grande parte dos casos marianos nos leva a pensar que, em verdade, tudo isso pode se tratar da mostra de uma refinada tecnologia desconhecida e, até então, incompreensível aos sentidos humanos - fadados a captarem apenas determinados fragmentos de sua inteira manifestação; seja ela quem for e venha de onde vier...
* Pepe Chaves é editor do jornal Via Fanzine e portal UFOVIA.
- Foto: Nossa Senhora de Itaúna. - Leia mais sobre Aparições Marianas em Via Fanzine: http://www.viafanzine.jor.br/site_vf/ufovia/marianas.htm http://www.viafanzine.jor.br/site_vf/ufovia/historia.htm
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