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Akakor

 

 

Amazonas

Uma fraude chamada ‘Tatunca Nara’

Tatunca afirma que na serra do Aracá existiam três grandes buracos que penetravam terra adentro

e que ele chamou a equipe do Akakor Geographical Exploring, da Itália, para inspecionar o local.

Qual não foi sua surpresa quando chegou lá com os italianos e verificou que os buracos tinham sumido.

 

Por Hiram Reis e Silva*

De Barcelos-AM

Para Via Fanzine

 

Carl Brugger, Hans Hauck, Tatunca Nara e Indiana Jones na Amazônia: personagens de uma mesma história.

 

Mais um dia em Barcelos

 

Recebemos um convite, por intermédio do Sargento da Polícia Militar Pepes, para um jantar na casa do Tenente Nilder Márcio Silva Mendes. O Tenente Nilder é o diretor do Hospital Geral de Barcelos e vêm operando milagres segundo moradores locais. O Tenente Walter deixou-me no consultório do dentista às vinte horas e levou o Teixeira e o nosso piloto Osmarino para a casa do Tenente.

 

Logo depois da consulta, me uni aos companheiros e participamos da confraternização em nossa homenagem. Conhecemos, na oportunidade, o filho de Tatunca Nara. Tatunca é uma conhecida e controvertida personalidade local e fomos instados a não viajar sem antes conhecê-lo e ouvir suas incríveis e pouco verossímeis estórias.

 

Entrevista com Tatunca Nara

 

O Tenente Walter buscou o doutor Nilder em sua residência e, acompanhados pelo soldado Francisco Alves, filho adotivo de Tatunca, nos dirigimos ao sítio do seu pai, que mora há algumas dezenas de quilômetros de Barcelos, onde cultiva diversas plantas frutíferas que comercializa com os comerciantes locais.

 

Tatunca foi surpreendido com nossa visita, mas amavelmente nos convidou para entrarmos em seu modesto barraco onde discorreu sobre temas como a Alemanha Nazista, onde deixou patente sua admiração por Adolf Hitler, sua trajetória de vida e suas pesquisas na serra do Aracá. Tatunca se diz filho de uma alemã com um líder religioso Kichwa peruano (descendente dos incas). Kichwa: os Kichwa, originários da região do lago Titicaca, chefiados por Manco Cápac, filho do sol, estabeleceram-se em Cuzco no século XII.

 

Seus sucessores consolidaram o domínio sobre os povos vizinhos criando uma civilização notável, baseada numa monarquia teocrática cuja autoridade máxima era o Imperador (o Inca), aconselhado por um Conselho Imperial. O Império incluía as regiões do atual Equador, o sul da Colômbia, Peru, Bolívia até o noroeste da Argentina e o norte do Chile. Também chamado de Tahuantinsuyo (‘as quatro regiões’) tinha como capital a cidade de Cuzco (‘umbigo do mundo’). Era formado por diversas nações com mais de 700 idiomas diferentes, embora o mais importante fosse o kichwa.

 

Em 1533, os conquistadores espanhóis executaram o Imperador Atahualpa, impondo o término do vasto império. Apesar de extinta a formação imperial inca, o kichwa, ainda hoje, é a mais importante língua indígena sul-americana, falada por diversos grupos étnicos que totalizam cerca de dez milhões de pessoas na Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia, Equador e Peru, sendo uma das línguas oficiais desses três últimos países.

 

Num linguajar arrastado, com forte sotaque alemão, contou suas passagens pelo Brasil, sua ida à Alemanha onde se especializou em motores a Diesel e seu retorno à terra brasileira no período revolucionário. Conta ele, depois de muitas idas e vindas, que conheceu aquela que viria a ser mais tarde sua esposa, dona Anita Beatriz Katz, quando ela o entrevistou em inglês e alemão. Depois disso, ele teria sido recrutado como membro da inteligência para o Exército Brasileiro.

 

Após casar com Anita, trabalhou, durante algum tempo, como motorista de caminhão e acabou vindo para o rio Padueri pesquisar as origens de sua gente (Kichwa) e, depois, residindo em Barcelos, na serra do Aracá, onde teria encontrado restos de uma antiga muralha. Tatunca advoga que o nome da cidade de Machu Picchu, na língua nativa, significa a ‘segunda’ e que na serra do Aracá encontra-se um sítio arqueológico com a mesma orientação e semelhança onde teria sido construída a ‘primeira’. Reporta que em Machu Picchu, a forma do sítio lembra um gigantesco Jacaré e aqui, no Aracá, a formação lembra um grande boto. Mais uma vez a fraude fica patente.

 

A teoria que Tatunca advoga como sua foi plagiada do pesquisador Marcelo Godoy, empresário paranaense, que reside em Barcelos e programa viagens a Machu Picchu e à serra do Aracá. Tatunca relata que existe uma fotografia aérea que mostra, nitidamente, o desenho de uma enorme tartaruga, de uns 200 metros, gravada na pedra. Um animal sagrado para os antigos Kichwas.

 

Continuando seu relato, Tatunca afirma que na serra do Aracá existiam três grandes buracos que penetravam terra adentro e que ele chamou a equipe do Akakor Geographical Exploring, da Itália, para inspecionar o local. Qual não foi sua surpresa quando chegou lá com os italianos e verificou que os buracos tinham sumido. Segundo sua versão, ele tinha até deixado uma corda marcando o local. Algum tempo depois, ele verificou que o grande bloco de pedra em que se encontravam os três buracos havia desabado.

 

Estabelecido novo recorde sul-americano de profundidade em cavernas, por Marcelo Augusto Rasteiro – 23 de janeiro de 2007: “Pesquisadores da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SB) e da ONG Akakor Geographical Exploring estabeleceram um novo recorde sul-americano de profundidade em caverna e recorde mundial em rocha quartzífera durante a expedição ao interior da Amazônia. A descoberta do Abismo Guy Collet (AM-3), como foi batizado pelos exploradores da expedição ítalo-brasileira, com seus 670,6 metros de desnível, foi divulgada em Dezembro [de 2006] passado no periódico Informativo SBE nº 92 e registrada no Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil (CNC), atendendo às recomendações para expedições estrangeiras no Brasil da SBE. (...) O abismo: a equipe de exploração dividida em três frentes de trabalho, encontrou alguns abismos menores e outras possíveis cavidades, mas, ao se depararem com uma entrada no meio de uma parede de quartzito, um lance negativo de 35 metros, decidiram concentrar os esforços neste local. Após descer o primeiro lance, chegaram a um patamar de uns 6 m², o único nível topográfico positivo da caverna, desceram outro lance de 60m onde encontraram interessantes espeleotemas, formações raras em quartzito. Parecia ser o fim do abismo, mas voltando ao patamar anterior encontraram outra via e o que se seguiu foi uma sucessão de lances extremamente técnicos, exigindo muito trabalho da equipe, com jornadas de mais de 15 horas. A cada lance e estimativa de profundidade a equipe ficava mais empolgada e não queriam parar. A partir dos 650 m a caverna começou a se afunilar cada vez mais e aos 670 m finalizando num pequeno lago. A equipe de exploração composta pelos italianos Lorenzo Epis e Alessandro Anghileri e pelo brasileiro Marcelo Brandt, ainda no fundo da caverna, não teve dúvida sobre o nome do abismo, seria uma homenagem ao companheiro Guy-Christian Collet, sócio fundador da SBE falecido em 2004. Collet realizou seus últimos trabalhos espeleo-arqueológicos com a Akakor. Também participaram da expedição a espeleóloga brasileira Soraya Ayub, os italianos Stéfano Bettega, Giovanni Confente e Paolo Costa, o mateiro Francisco Alves e o guia Tatunca Nara” (Texto publicado no boletim eletrônico SBE Notícias nº39 de 21/01/2007).

 

A respeito de uma suposta cidade perdida, ele afirma que tem certeza de que se a região for devidamente pesquisada ela será encontrada e que ele já encontrou uma peça de cerâmica maia de quinhentos anos antes da chegada dos espanhóis à América. Falou, também, da tentativa de demarcação de novas terras indígenas na região do Aracá pela ONG Instituto Sócio Ambiental (ISA), quando eles tentaram criar uma maloca na região, importando índios de São Gabriel da Cachoeira com a alegação de que ali estavam desde tempos imemoriais. Nas manifestações pró demarcação que aconteceram em Barcelos, ele disse que até índios negros apareceram, mas que, graças à mobilização popular, a farsa montada pelo ISA foi desmantelada e a terra ainda não foi demarcada.

 

ISA - Instituto Socioambiental, 08/07/2009: “(...) A Mobilização Geral dos Povos Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro teve grande repercussão na cidade... A passeata também foi à Câmara dos Vereadores para requerer a criação de uma lei complementar à Lei Orgânica do município, reconhecendo a existência dos Povos Indígenas de Barcelos. Parou em frente ao Núcleo de Apoio da FUNAI para exigir a urgente demarcação das Terras Indígenas...

 

As estórias da vida de Tatunca, até sua chegada a Barcelos, são costuradas de maneira a utilizar personagens reais para dar veracidade à sua falsa origem, resgates fictícios e participação nos órgãos de inteligência brasileiros. O controvertido Tatunca Nara, nasceu, na realidade, em 5 outubro de 1941 em Coburg, na Alemanha e foi registrado como Hans Gunther Hauck. Divorciado em 1966 fugiu para o Brasil em 1968 e, para não pagar pensão à antiga esposa, se esconde, em Barcelos, no Amazonas.

 

Christa, a ex-esposa alemã de Tatunca, foi trazida ao país em 1989 pela revista alemã Der Spiegel, e o reconheceu, mas ele negou ser Hans. Segundo reportagem do Fantástico (TV Globo), de 07 de outubro de 1990, Tatunca foi acusado pela morte de outras três pessoas: do americano John Reed, em 1980; do suíço Herbert Wanner, em 1984; e da alemã Christine Heuser, em 1987.

 

Tatunge Nare

 

Sua ficha criminal em Nuremberg/Alemanha revela que o falsário já usava a alcunha de ‘Tatunge Nare’ na sua terra natal, antes de fugir para o Brasil em 1968. Tatunca inventou a história de Akakor para motivar inocentes turistas a financiar suas buscas por pedras preciosas na serra do Aracá. Anita Beatriz Katz Nara, sua esposa, confirmou para Jacques Costeau as aleivosias contadas pelo marido, Anita foi secretaria de Turismo da Prefeitura de Barcelos, Capital Nacional do Peixe Ornamental e hoje é Secretaria de Assistência Social e Cidadania.

 

Tatunca já foi apontado pela mídia por envolvimento com a biopirataria, além de ter sido citado numa CPI de biopirataria ao ser flagrado, em 1999, pela Polícia Federal transportando 350 peixes ornamentais e plantas amazônicas, conforme relatório da CPITRAFI de 2003. Comissão Parlamentar de Inquérito Destinada a “Investigar o Tráfico Ilegal de Animais e Plantas Silvestres da Fauna e da Flora Brasileiras” – CPITRAFI, 2003: “(...) Os alemães Hans Barth, Hans Kemmling, Hernrick Trautschold, Hans Augustin, Wolfgang Schmidt, Horst Paul Linke e o guia brasileiro Tatunca Nara foram flagrados às margens do Rio Negro, na proximidade com Paricatuba (AM), com uma coleta de 350 peixes ornamentais e plantas

 

Tatunca continua guiando estrangeiros, mal informados e/ou mal intencionados, com autorização do IBAMA, na região montanhosa do alto rio Padauari, entre o Amazonas e a Venezuela onde, segundo ele, se encontrariam as pirâmides e a cidade perdida.

 

João Américo Peret (Indigenista, jornalista e escritor), entrevistado por Pepe Chaves em Via Fanzine: “(...) Conheci o ‘índio’ Tatunca Nara, em 1979, na cachoeira da Aliança, do Rio Padauiri, afluente esquerdo do Rio Negro (AM). Gravei em fita cassete sobre suas histórias rocambolescas. Sobre pirâmides e cidades subterrâneas, monges espaciais, equipamento de comunicação intergaláctico. Ele dizia que seu pai seria um sacerdote Inca que atacou um convento e raptou uma freira alemã, que é sua mãe, cresceu como príncipe numas ruínas Incas, no Acre. Essas histórias contadas de ‘boca em boca’, atraiam pesquisadores, como o arqueólogo Roldão Pires Brandão que há anos fazia expedições ao Pico da Neblina, procurando localizar ‘cidades perdidas’. Tatunca Nara trazia turistas estrangeiros e faturava (US$...). Quando o explorador francês ‘Jack Cousteau’ pesquisou o Rio Amazonas, foi com Tatunca Nara, de helicóptero, ‘ver as pirâmides’. Mas tudo continuou em segredo. Parece que o único autorizado a escrever sobre o assunto foi Karl Brugger com o livro: ‘Die Chronik von Akakor’ (Econ verlag Gmbh, Dusseldorf und Ween, 1976). Traduzido sob o título ‘A Crônica de Akakor’. Direitos de tradução, a Livraria Bertrand Sarl, Lisboa, 1980. Prefácio, Erich von Dâniken. Que tal uma entrevista especial, abordando somente sobre a ‘Pirâmide e cidades subterrâneas, que só o Tatunca Nara tem o segredo?’. (...) O professor Roldão me contou que, ‘Conheci o Tatunca Nara, ele é guardião das pirâmides e cidades subterrâneas no Amazonas. Ficam nas cabeceiras do rio Padauiri, no alto rio Negro. Ele me pediu segredo; vai pedir ao grão sacerdote ugha mongulala para me levar lá. Mas falou do perigo de encontrarmos índios canibais (...) Preciso de você para amansar os índios. Vou a Manaus conseguir recursos para a expedição’. (...) Em julho de 1979 o professor Roldão detonou a notícia de que havia descoberto as ‘Pirâmides do Amazonas’. Assim, atraiu a imprensa do Brasil que alugava pequenos aviões para fotografar as pirâmides. Mas, devido à serração, as fotografias não tinham boa definição. O Roldão me telefonou dizendo, ‘Venha logo, os estrangeiros estão saqueando as relíquias arqueológicas. O suíço Ferdinand Schmid foi preso contrabandeando cerâmica do rio Padauiri. Estou voltando para a região com dois agentes da Polícia Federal com metralhadora, um monge para conversar com os sacerdotes guardiões, um etnólogo e o índio mongulala Tatunca Nara’. (...) O professor Roldão saiu numa expedição aparatosa com pessoas inexperientes; ficou estressado e num movimento brusco com uma carabina, ela disparou acertando seu pé. Regressaram a Manaus e ele me chamou. Cheguei a Manaus no dia 17/09/1979, juntamos o que sobrou de material e viajamos de carona num barco até o Rio Padauiri. Na Cachoeira da Aliança, ele me apresentou a um individuo que falava português com forte sotaque alemão: Era o índio mongulala Tatunca Nara de quem falei (...) Surpreso, não contive a expressão: ‘Mas ele é um Alemão!’ (...). E o Tatunca tentou de todas as formas me convencer do que era óbvio. Convidou-me para ir a sua casa onde conheci sua esposa dona Anita, o casal de filhos loiríssimos e turistas falando alemão, examinando mapas de uso das Forças Armadas. No retorno da nossa hospedaria, ele parou a canoa no rebojo da cachoeira e contou uma estória rocambolesca que gravei em fita cassete e autorizo a reprodução a seguir. ‘Essa tartaruga tatuada no meu peito é distintivo, sou ugha mongulala – chefe-religioso de um povo Inca. Minha mãe era alemã, médica e freira, em 1930, morava na Missão de Santa Maria, no Acre [nota minha: nasci em 1926, não havia Missão Religiosa]. Meu pai chamava-se Sincáia Inca, era Ugha Mongulala – chefe religioso, numa cidade em ruínas tipo Machu Picchu, no alto rio Acre (ruínas inexistentes). Meu pai atacou a missão, matou o bispo, os padres e toda população, poupando quatro freiras. [nota minha: não havia missão, não havia bispos, tinha um único padre que era itinerante]. Em 1935, ela casou com meu pai e chamava-se Heina. Nasci em 1938, minha irmã Aharira, em 1944. Minha mãe morreu em 1956. Em 1957 Aharira casou-se com um mensageiro Mongulala que morava nas cidades subterrâneas, e foi ao Acre [minha nota: a distância é longa demais para uma aventura, sujeito às doenças e acidentes]. Quando o mensageiro voltou, viemos com ele. Foi quando conheci as Pirâmides e cidades subterrâneas: AKAKOR é onde vivem os sacerdotes Mongulala, minha irmã Aharira e milhares de pessoas privilegiadas. Ali ficam as relíquias e tecnologia avançadíssimas. A iluminação é através da aura das pessoas. Nosso povo usa a telepatia e a força mental capaz de materializar pessoas e objetos em qualquer lugar. É equipado com imagens televisual, onde se pode conectar com planetas; os meios de transporte são discos voadores, tudo é controlado de forma robótica. A cidade AKAHIN, em ruínas fica mais próximo das nascentes do rio Padauiri. Ali vivem os escravos de AKAKOR, denominados ‘homens das cavernas’; quem chegar à região sem autorização é morto imediatamente’. O Tatunca me revelou tudo isso ancorando a canoa no rebojo, provavelmente para me impressionar ou assustar. E concluiu sua estória com um conselho: ‘Acho bom o senhor não prosseguir viagem com o Roldão’. Escutei os índios Yanomami dizendo que seus guerreiros vão atacar os piaçabeiros (extratores de piaçaba, o povoado) a qualquer momento. Isto porque os índios vem trabalhar por aqui, ganham espingarda e vão atacar os Yanomami da Venezuela. E morrem por lá, porque os índios de lá são treinados pelo Exercito para defender a fronteira, e muitos são traficantes. Eu vou mudar para Barcelos, para proteger minha família’ (...). Em conversa, ele informou: ‘O Tatunca Nara comentou que as Pirâmides só eram avistadas ao Por do Sol (...)’. Fizemos pesquisas, mas não encontramos materiais cerâmicos. No dia seguinte, seguimos pela trilha que subia a Montanha. Ao meio dia chegamos a um platô que estaria a uns 800 metros de altitude. Ali seria o acampamento do Tatunca Nara, quando atendia turistas. Podíamos descortinar até a linha do horizonte, e as nuvens formavam um lastro sobre a copa das árvores. Identificamos a Serra Tapirapecó que formava um semicírculo na direção Nordeste e chegava à Cordilheira Curupira, bem ao nosso lado, com mais de 1200m de altura. A vista era uma deslumbrante obra da natureza; tinha que ser sacrossanto para nós, simples mortais (...). O sol foi baixando no Oeste e as nuvens foram se dissipando. Mais ou menos a uns 12 km apareceram os picos das ‘pirâmides’ do professor Roldão Pires Brandão, na realidade do Tatunca Nara, o ‘índio’ ugha mongulala. Por fim elas apareceram de todo, e era tão grandioso que a Gizé, a Miquerinos, e Quéops, poderiam ser riscadas do mapa como maravilhas do mundo. Porém, as ‘pirâmides do amazonas’ tinham dimensões gigantescas entre 600m de altura e uns 2500m de extensão. Também podíamos avistar uma infinidade de pirâmides, pois com o sol se pondo no Oeste, todos os picos projetavam a sombra piramidal para o Leste... (risos)”.

 

Identidades de Hans Gunther Hauck na Alemanha e Tatunca Nara no Brasil: a mesma pessoa.

 

“Indiana Jones, o plagiato de 1,3 bilhões de dólares”, por Frederico Füllgraf, 07 de julho de 2008: “(...) Transcorrida mais da metade do filme, a perseguição atinge a apoteose em Akator, uma ‘cidade perdida’, em cuja grafia Spielberg trocou apenas o ‘k’ da Akakor de Brugger pelo ‘t’ de seu plágio. Alimentada por uma bizarra teoria da conspiração, a inspirada Crônica de Akakor de Brugger conta que certa ‘elite nazista’, acompanhada de dois mil soldados e (para delírio da tribo dos UFOlogistas) uma versão primitiva de discos-voadores, teria se refugiado numa ‘cidade perdida’, também conhecida como ‘o castelo do Gral dos Incas’, na Amazônia. Já na versão de Spielberg não cabiam os ‘nazistas’ de Brugger porque, segundo a crônica, uma guerra entre os nativos e os primeiros teria virtualmente exterminado os povos de Akakor. Em seu lugar entraram os soviéticos, tão órfãos de materialismo dialético, quando catatônicos os gringos, face à horripilância da ‘cidade perdida’; úmida morada de múmias, morcegos, escorpiões e caranguejeiras. E então a sequência final: aqui o auto-referido Spielberg faz desabar a montanha do ‘Gral andino’ e de seu interior decolar (‘ET is back’!) um gigantesco disco-voador – mais do que suspeita semelhança com ‘Eram os deuses astronautas’, do lunático Von Däniken, e com a crônica Babylõniaká (História da Caldéia) de Bérose, sacerdote de Bel-Marduk (330 a.C.), vagamente referida por Platão, segundo a qual, o homem primitivo foi visitado pelos akpalos, extraterrestres pisciformes, que lhes transferiram o conhecimento para o despertar da Humanidade nas terras do atual Iraque. Infelizmente, para a teoria da conspiração, o informante de Brugger foi um tal de ‘Tatunca Nara’, que em 1972 se apresenta como filho de um chefe indígena e de mãe alemã, ‘refugiada nazista’. Mas ‘Tatunca Nara’, que fala alemão sem sotaque, estava mal parado na foto: no final dos anos 80 a BKA, Polícia Federal alemã, reconhece o cidadão Günther Hauck com bronzeado de urucum, na roupagem do falso índio - alemão, nascido em 1941 em Coburg, na Baviera, procurado por dívidas de pensão alimentícia e por isso escondido, desde a década dos anos 60, em Barcelos, no Amazonas. Mediante declaração cartorial, emitida em 2003, ‘Tatunca Nara’, que já se naturalizou brasileiro, assume sua condição de ‘doente mental’ – foi a segunda morte de Karl Brugger. Impassível, a inconfidência esotérica insiste que a ‘expedição amazônica nazista’ teria ocorrido entre 1942 e 1943, e que em 1984 Brugger foi liquidado como ‘queima de arquivo’. Mais aceitável é a hipótese de que Brugger tenha sofrido um assalto banal: levou um tiro quando esticou a mão ao bolso traseiro da calça. Certamente queria apanhar a carteira de dinheiro, mas o pivete fez outra leitura, pensou que seria uma arma – gesto fatal, mas não improvável, para quem já vivia há mais de dez anos no Rio de Janeiro. E desde então ‘os nazistas’ povoam a ‘cidade perdida dos Incas’, esculpida no subsolo da Amazônia, à qual Spielberg se mudou, sem pagar aluguel”.

 

A Crônica de Akakor - Karl Brugger, Prefácio de Erich Von Daniken: “Os cientistas não são os únicos que enriquecem ao explorar o desconhecido. Karl Brugger, nascido em 1942, depois de completar os seus estudos de história e sociologia contemporânea, foi para a América do Sul como jornalista e obteve informações acerca de Akakor. Desde 1974 que Brugger é correspondente das estações de rádio e televisão da Alemanha Ocidental. Atualmente, é considerado um especialista em assuntos que dizem respeito aos índios. Em 1972, Brugger encontrou Tatunca Nara, filho de um chefe índio, em Manaus, na confluência do rio Solimões com o rio Negro, isto é, no início do Amazonas. Tatunca Nara é chefe dos índios Ugha Mongulala, Dacca e Haisha. Brugger, investigador escrupuloso, ouviu a história inacreditável, mas verdadeira que o mestiço lhe contou. Depois de ter verificado tudo conscienciosamente, decidiu publicar a crônica que tinha registrado no gravador. Como estou habituado ao fantástico e sempre preparado para o extraordinário, não me emociono facilmente, mas devo confessar que me senti invulgarmente impressionado com ‘A Crônica de Akakor’ tal como me relatou Brugger. Abre uma dimensão que obriga os céticos a verificar que o inconcebível é muitas vezes possível. Incidentalmente, ‘A Crônica de Akakor’ foca precisamente o quadro que é familiar aos mitologistas de todo o mundo. Os deuses vieram ‘do céu’, instruíram os primeiros humanos, deixaram atrás de si alguns misteriosos instrumentos e desapareceram novamente no ‘céu’. Os desastres devastadores descritos por Tatunca Nara podem ser relacionados até ao mínimo pormenor com ‘Os Mundos em Colisão’, de Immanuel Velikovsky, as suas extraordinárias descrições de uma catástrofe mundial e mesmo as referências às datas são simplesmente espantosas. Igualmente, a afirmação de que certas partes da América do Sul são cortadas por passagens subterrâneas não pode chocar nenhum conhecedor do assunto. Num outro livro referi-me ter visto as tais estruturas subterrâneas com os meus próprios olhos, ‘A Crônica de Akakor’ dá resposta a muito do que é apenas aflorado noutros trabalhos sobre assuntos semelhantes”.

 

* Hiram Reis e Silva é coronel de Engenharia, professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA), acadêmico da Academia

de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB) e presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS).

Seu site é www.amazoniaenossaselva.com.br.Contato: hiramrs@terra.com.br.

 

- Veja o conteúdo completo do livro de Brugger clicando aqui.

- Leia na íntegra: Entrevista com João Américo Peret - Via Fanzine

- Imagens: Arquivo VF/com colaboração de Bruno Farias.

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2010, Pepe Arte Viva Ltda.

 

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Akakor - Cidade Perdida na Amazônia:

El Dorado amazônico

Roland Stevenson e o “Calote das Pirâmides”.  

Por João Américo Peret*

Do Rio de Janeiro-RJ

Para Via Fanzine

 

Roland Stevenson e pajés yanomami

 

Conheci o artista plástico Roland Stevenson, expondo suas pinturas que retratam as lendas amazônicas. Era um pesquisador que acampava nas aldeias indígenas, na casa dos caboclos, nas bibliotecas de livros e documentos raros. Sua paixão é desvendar a veracidade dos mitos: as Amazonas, o El Dorado, o Lago Parime, Manoa... Nem as “pirâmides do Amazonas”, do alemão Tatunca Nara (Günther Hauch), escaparam da presença do Stevenson.

 

De nacionalidade chilena, mas radicado no Amazonas há diversos anos, esse imbatível pesquisador seguiu as pegadas deixadas pelo inglês Walter Releigh, em 1596. Palmilhou as serras e nascentes dos rios nas fronteiras com a Colômbia, Venezuela e Guiana, sempre acompanhado de índios e técnicos: arqueólogos, geólogos, geógrafos, botânicos, biólogos, cartógrafos.

 

São mais de três décadas de peregrinação. Stevenson não tem tempo de ver filho crescer, amar e ser amado pela família. Enquanto se recupera da fadiga na tranqüilidade do lar, abre a mente fotográfica e pinta suas lembranças. E quando termina as exposições de suas artes plásticas, esquece o que passou e lá, se vai, em nova aventura.

 

Pintura de Stevenson retratando índios do xingu.

 

Como jornalista, em Manaus, consegui espaço cultural no jornal A Critica, para divulgar Roland Stevenson, o pesquisador. Quando fui entrevistado pelo jornal Via Fanzine, e falei sobre a fantasia do Tatunca Nara, alemão das “pirâmides e ET’s’ do Amazonas”, lembrei do Roland Stevenson, e liguei para ele em Manaus. Depois de muita conversa perguntei: "Você conhece o Tatunca Nara?". Stevenson foi monossilábico: "Preferia não falar nesse cara...". Não insisti.

 

Mas sou chato. Olhei nos meus arquivos e encontrei a Revista Geográfica Universal, nr. 191, outubro de 1990, com pranchas do Stevenson comparando a semelhança dos Yanomami com povos asiáticos. E citando sua matéria publicada na edição nr. 189. Também a revista Amazônia em Foco, nr. 3. trouxe uma boa reportagem do Roland Stevenson: “Os Caminhos da Aventura” (com mapa étnico e afluentes do Rio Negro).

 

Não posso deixar de fazer referência e colar trecho da sua matéria, publicada na revista Amazônia em Foco: “O leitor pode ver um cartaz no mapa que ilustra minha matéria; coloquei um cartaz na ilha Maracá, em Roraima: ‘El Dorado’ foi uma forma humorística de chamar a atenção para o local. Passa como brincadeirinha. Mas foi baseada em cartas dos espanhóis do século XVI, (procurado pelo inglês Walter Releigh, em 1596). Hoje o lago Parime na foz do rio Uraricoera, é registrado nas cartas (via satélite) do Projeto Radam (fez o levantamento dos recursos naturais da Amazônia). Essas descobertas não têm merecido espaço na mídia. Preferem publicar: mentiras como foi o caso das ‘pirâmides do Amazonas’, uma farsa com o propósito de dar calotes nos turistas estrangeiros”.

 

 * João Américo Peret é indigenista, escritor e jornalista.

 

- Imagens: Arquivo J.A. Peret.

 

-  Mais sobre Cidade Perdida na Amazônia: Entrevista com João Américo Peret - Via Fanzine

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2008, Pepe Arte Viva Ltda.
 
 

 

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