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 Ciência

Novo México:

Cientistas criam células zumbis em laboratório*

Por conseguir sobreviver em condições adversas, essas células puderam

executar suas funções com mais precisão do que quando estavam vivas.

 

 

Biólogos americanos criaram células zumbis. Elas conseguem trabalhar depois de mortas e ainda desempenham algumas funções melhor do que quando estavam vivas.

 

Os cientistas envolvidos no experimento são do Laboratório Nacional de Sandia, da Universidade do Novo México. Eles revestiram células orgânicas em ácido silícico para que elas conseguissem sobreviver em temperaturas e pressões extremamente elevadas. As células foram embalsamadas com o ácido até um nível nanométrico. Isso permitiu criar uma réplica quase perfeita de sua estrutura.

 

Quando a célula revestida com o ácido foi aquecida e alcançou a temperatura de 400 º C, sua parte orgânica evaporou. A solução permaneceu como uma réplica da célula viva anteriormente.

 

Portanto, após o processo, a célula zumbi continuou trabalhando, mesmo depois de sua parte orgânica morrer. Por conseguir sobreviver em condições adversas, essas células puderam executar suas funções com mais precisão do que quando estavam vivas.

 

Os cientistas acreditam que a técnica para criar as células zumbis pode ser o futuro da nanotecnologia. Ela poderá ser usada comercialmente, na indústria de células de combustível, tecnologia de sensores ou descontaminação.

 

* Informações de Por Vanessa Daraya, de INFO Online.

   05/02/2013

 

- Foto:Divulgação/Bryan Kaehr.

 

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Tecnologia:

Criada cadeira de rodas que sobe escadas*

Estudos buscam possíveis inovações neste setor.

 

Cadeira já consegue subir degraus, mas ainda está sendo desenvolvida.

Assista o vídeo

 

O primeiro protótipo consegue subir um ou dois lances de degraus, novos estudos devem conseguir avançar na técnica e na eficiência. Assim esperam os pesquisadores.

 

A possibilidade do uso de uma cadeira de rodas que possa superar alguns obstáculos pode facilitar a vida de quem precisa deste recurso. Estudos buscam possíveis inovações neste setor.

 

* Informações de DigInfo/Blog do Jefesrson Silva

   19/10/2012

 

- Imagem: Divulgação.

 

- Assista o vídeo

 

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Prêmio Nobel:

Nobel de Medicina vai para pesquisas com células-tronco*

Cientistas querem utilizar o método de reprogramação para novos tratamentos,

como substituir tecidos de pacientes com mal de Parkinson e diabetes.

 

O Prêmio Nobel de Medicina deste ano foi para os pesquisadores John Gurdon e Shinya Yamanaka, que descobriram que células maduras podem ser reprogramadas para virarem células-tronco. O comitê do Nobel disse nesta segunda-feira que as pesquisas do britânico e do japonês "revolucionaram nosso entendimento de como células e organismos desenvolvem-se."

 

Cientistas querem utilizar o método de reprogramação para novos tratamentos, como substituir tecidos de pacientes com mal de Parkinson e diabetes.

 

Gurdon, de 79 anos, demonstrou em 1962 - ano em que Yamanaka nasceu - que o DNA de células especializadas de sapos poderiam ser utilizadas para gerar novos girinos. A clonagem da ovelha Dolly, realizada em 1997 por outros pesquisadores, mostrou que o mesmo processo que Gurdon utilizou nos anfíbios funciona em mamíferos.

 

Em 2006, Yamanaka, de 50 anos, conseguiu tornar células maduras em células primitivas, que por sua vez poderiam virar outros tipos de células maduras.

 

"As descobertas de Gurdon e Yamanaka mostraram que células maduras podem retroceder o relógio de desenvolvimento em certas circunstâncias", afirmou o comitê do Nobel. "Essas descobertas também deram novas ferramentas para cientistas em todo o mundo e levaram a notáveis progressos em diversas áreas da medicina".

 

* Informações são da Associated Press/AE.

   09/10/2012

 

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Poliakoff no Brasil:

Tradição de reunir saberes*

Vice-presidente da Royal Society, Martyn Poliakoff, elogia cientistas brasileiros e a FAPESP,

mas lamenta a falta de conhecimento de inglês de acadêmicos.

 

Martyn Poliakoff: “Quando estive no Brasil me senti, pela primeira vez,

cidadão do mundo, e não de apenas um país”.

 

Antes de a entrevista começar, o químico Martyn Poliakoff, ainda não confirmado como o analista do pó descoberto pelas pesquisadoras brasileiras Ana Goldfarb e Márcia Ferraz (ver página 18), preferiu manter a fleuma britânica dizendo que “não estava informado” sobre o assunto e que não era “especialista nessas questões”. Vice-presidente da Royal Society, ele é também seu secretário de Relações Exteriores, cargo de que a instituição se orgulha de ter “inventado” em 1723, antecipando em seis décadas a criação da mesma posição no governo britânico. Em “retaliação” ao seu silêncio, não foi feita nenhuma pergunta, como é comum na mídia, sobre seu famigerado cabelo, que diz manter “porque assim todos me conhecem”. Amigos do cientista usaram um fio da cabeleira para nele escrever a menor tabela periódica do planeta, paixão de Poliakoff e tema da série Periodic table of videos (www.periodicvideos.com), que ele mantém no YouTube, com filmetes curtos sobre os elementos que já foram vistos por quase meio milhão de pessoas em 200 países, incluindo o Brasil, que ele acaba de visitar.

 

Após participar da 34ª Reunião da Sociedade Brasileira de Química, em Florianópolis, em maio, ele partiu para o Rio, onde filmou no Jardim Botânico (sobre a química das árvores brasileiras), no Cristo Redentor (sobre pedra-sabão) e na praia de Copacabana (sobre areia). “Fiquei desolado ao visitar uma importante universidade brasileira e descobrir que eles estavam sem poder usar um equipamento de pesquisa porque faltava um componente dos mais triviais, um parafuso qualquer. Algo precisa ser feito rapidamente para que coisas assim não aconteçam”, fala. “É importante identificar áreas de países que têm uma contribuição única a dar, como, por exemplo, a vegetação brasileira. Algumas plantas têm componentes químicos com grande potencial medicinal e exigem equipamentos simples para extraí-los”, avisa.

 

É uma surpresa se descobrir alquimia na Royal Society?

Não. Há químicos modernos que tentam misturas a partir da urina e coisas assim, o que é quase alquimia. Quando cientistas vão de uma linha de pensamento para outra, é preciso levar em consideração o ponto de partida. Se pensar no ponto intelectual do qual Newton partiu, ele não começou no vácuo, mas pegou o conhecimento que existia e o desenvolveu a partir daí. Do mesmo modo, cientistas modernos não iniciam seu posicionamento na ciência com as mesmas visões religiosas que eram correntes no século XVII. Uma das grandes revoluções que celebramos na Royal Society é que ela desenvolveu uma crítica entre pares, ou seja, quando se sugere algo, você usa a opinião dos outros para ver se conseguem destruir sua ideia. Cria-se um debate científico. As pessoas estavam preparadas para aceitar o que tinham aprendido do passado, fossem os escritos da Bíblia, de Aristóteles, ou os escritos de antigos alquimistas. A revolução do pensamento foi que decidiram que podiam fazer seus próprios experimentos e interpretar os resultados que se podia ver, em vez de dizer: “Aristóteles falou que isto está descendo porque algo o está empurrando para baixo” ou coisas do gênero. Se as pessoas não estivessem observando os planetas e seus movimentos por centenas de anos, Newton não teria informações por onde começar. E não importa se estavam fazendo isso para entender o Universo ou para ler a sorte das pessoas ou o que quer que fosse. Desde que suas observações fossem razoáveis, a razão pela qual faziam aquilo não importa. Existe uma analogia moderna muito boa, a de pessoas estarem usando amostras de museus de história natural para estudar coisas como DNA e genética e todo tipo de coisas assim, mesmo com as amostras tendo sido coletadas antes que se soubesse da existência do DNA. Nos tempos da fundação da Royal Society havia muito poucas pessoas interessadas nessas questões e se era obrigado a falar com gente na Alemanha, ou na Holanda, ou qualquer outro lugar, porque só havia meia dúzia de pessoas na Inglaterra que se interessava por assuntos da ciência. Talvez, até menos.

 

Há muitos que rejeitam esse passado.

Isso é um problema, porque estou certo de que, daqui a 100 anos, pessoas vão considerar coisas que fazemos hoje em ciência como bobagens. Meus avós nasceram numa época em que mulheres não votavam. Hoje isso parece absurdo, mas na época era normal. Mesmo para mim é difícil entender como as pessoas daquela época podiam ter crenças tão profundas, pois tenho a cabeça do meu tempo.

 

Essas pessoas viam a ciência como forma de melhorar a vida de todos. E agora?

Creio que ainda buscamos isso. Seguimos diversos caminhos para produzir fertilizantes, alimentos, para fornecer roupas e a maioria dos materiais de construção de que precisamos, e com o aumento da população mundial essas coisas são mais e mais necessárias. O que eu acredito firmemente é que, com esse crescimento populacional e particularmente com o fato de que há muitas pessoas muito pobres, precisamos encontrar meios de prover mais benefícios para a humanidade a partir da mesma quantidade de minerais, plutônio, e assim por diante, para que possamos satisfazer essas necessidades. Isso é o bom do trabalho acadêmico, que se parece com o dos jornalistas, que ficam entusiasmados com uma história e depois, quando partem para outra matéria, ficam ainda mais excitados. O único modo de fazer pesquisa é manter sempre esse entusiasmo.

 

Como vê a ciência feita no Brasil e de que maneira o país poderia fazer parcerias com a Royal Society?

Fico bastante tocado com o entusiasmo dos cientistas brasileiros, mas igualmente impressionado com o nível baixo de proficiência deles em inglês, o que dificulta o nosso diálogo com os acadêmicos do seu país. Mas essa paixão pela ciência é inegável, ainda mais quando recebe um bom apoio governamental de organizações como a FAPESP. No estado de São Paulo há um engajamento muito positivo em comparação ao que se faz em muitos outros países, algo importante ante as oportunidades fantásticas com a biodiversidade e os recursos naturais com que se pode criar uma ciência nova. Penso que a Royal Society pode catalisar as interações entre brasileiros e os ingleses. O Brasil é um país jovem, cientificamente falando, apesar de ser um dos mais velhos, historicamente, no Novo Mundo. Mas podemos mostrar a jovens que vêm de instituições recentes como fazemos ciência aqui, para que usem uma abordagem similar, mas focada em novos problemas na ciência brasileira. A Royal Society se encontra numa posição única para juntar as pessoas para discutir os problemas enfrentados por nossa sociedade. Temos a tradição e o status para reunir pessoas que talvez não o fizessem, e assim podemos trazer as melhores mentes no mundo para discutir o que for importante, os problemas de nosso tempo, e eu sei que não só vamos continuar a fazê-lo, como o faremos de forma mais eficiente no futuro. Cheguei no Brasil uma semana antes da Rio+20 e durante as discussões com os brasileiros reforcei a sensação de que, pela primeira vez, me senti cidadão do mundo, não de um país em particular.

 

O que é o seu grupo de “química verde”?

Comecei com um estudo de fluidos supercríticos, que podem ser usados como solventes mais limpos em reações químicas, bem antes de se falar em “química verde”, na década de 1980, e vi uma grande janela de oportunidades. Creio que o Brasil é um campo perfeito para ela. A ênfase é na criação de uma forma “mais limpa” de química, que não cause os mesmos problemas ambientais, para que se preserve o ambiente. Ao mesmo tempo, ela examina como se pode usar biomassa e esses materiais “limpos” para gerar substâncias químicas. Temos um bom exemplo na Braskem. Especialmente em países desenvolvidos, como o Reino Unido, a química tem uma imagem muito ruim. É possível mostrar uma química que pode beneficiar a todos. Tenho a impressão de que, apesar de a ciência manter uma visão progressista nos últimos 350 anos, isso não impede as pessoas de repetir o que se faz há milhares de anos: os mais velhos dizerem que as coisas eram melhores na sua infância. Eu, ao contrário, acho que as perspectivas que a ciência traz são muito melhores. Temos que ser otimistas, porque, se falharmos, não há futuro para a humanidade.

  

* Informações de Carlos Haag | Revista FAPESP/Set-2012.

   21/09/2012

 

- Foto: Joanna Hopkins / Royal Society.

 

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