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Pesquisa:
Numerologia e Simbologia
Por J.A.
FONSECA*
1. INTRODUÇÃO
O Número é a expressão
da própria Lei. Tudo no Universo obedece a um esquema previamente
idealizado, no princípio imutável do movimento evolucional dentro da
lógica matemática, e segue na direção de que a base da “construção”
Macrocósmica é consubstanciada na idéia ternária de Número, Medida e
Peso.
Tudo provém do UM,
entretanto, quanto mais distanciada se encontra a criação desta Unidade,
mais imperfeita ela se torna, mais materializada ela se faz. Ao
afastar-se do Princípio Criador, estabelecendo-se no sentido oposto,
cria o antagonismo dentro da própria criação e dá o surgimento do que
conhecemos como o Binário Cósmico, Espírito-Matéria.
Pitágoras relacionou
os números à criação do Universo e às coisas, ensinando aos seus
discípulos, fundamentado no conceito esotérico da simbologia das formas.
> Chamava o PONTO de
Mônada, o Princípio, a Unidade.
> A LINHA era a díada;
o TRIÂNGULO ou a superfície, era a tríada, e o CUBO, o QUADRADO ou o
sólido, era a tétrada.
> À Mônada, ele
relacionava o conhecimento intuitivo.
> À Díada, a razão e a
causalidade.
> À Tríada. a
imaginação e o plano da forma.
> À Tétrada, às
sensações físicas.
Os números possuem
qualidades exotéricas (de cunho externo) e esotéricas (de cunho
interno), sendo, portanto, utilizados para representar relações tanto
com o mundo das ciências matemáticas, que grandes benefícios têm trazido
à civilização, quanto com o mundo das ciências ocultas e suas incursões
nos campos abstratos. De forma semelhante, ambos precisam estudar os
cinco corpos regulares que possibilitam a construção das formas
geométricas, sendo que, no caso dos adeptos ocultistas, deverão
aprofundar-se no sentido velado dos números e de seu significado diante
destes corpos regulares.
São eles:

Cada uma destas
figuras está relacionada a um dos primeiros números naturais, da
seguinte forma: o ponto ao 1, a linha ao 2, o triângulo ao 3 e o
quadrado ao 4. A soma deles totaliza 10, que tem como símbolo o círculo.
Segundo a Teurgia, o
número é sinônimo de ritmo. Ele se encontra, portanto, associado ao
Verbo Criador, e sua compreensão metafísica ficou incrustada nos
princípios da criação e da evolução do Universo. Diz o Evangelista:
“No princípio era o
Verbo. E o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus.” (João, 1, 1)
Na numerologia
oculta o princípio da Identidade é a Unidade. O UM é a base das
construções de todas as idéias metafísicas, sendo portanto, como afirma
Pitágoras, a própria Mônada. Seu acréscimo a qualquer número muda-lhe
completamente o sentido.
2. OPERAÇÕES
NUMÉRICO-CABALISTAS
Para estudo e
reflexão do buscador sincero, deixamos abaixo algumas operações e chaves
numérico-cabalisticas, que expressam os conceitos metafísicos da
tradição milenar.
> O Ternário: 1 + 2
+ 3 = 6 - Simboliza os triângulos entrelaçados; o equilíbrio das forças;
o binário astral.
> O Quaternário: 1 +
2 + 3 + 4 = 10 - Representação do número perfeito; o Itinerário de I-O.
É
também a Unidade (1+0=1).
> O Setenário: 1 + 2
+ 3 + 4 + 5 + 6 + 7 = 28 (2 + 8 = 10) = 1.
> O Ternário + o
Quaternário = o Setenário.
> O Setenário + o
Ternário Superior = a Década ou “UM”.
> Soma dos 12
números naturais: 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8 + 9 + 10 + 11 + 12 = 78.
Esta somatória
corresponde ao total dos Arcanos Maiores e Menores do Tarô. Sua soma (7
+ 8 = 15 Þ 1 + 5 = 6) representa o binário astral e o poder dos
turbilhões astralinos, que estão insertos em todos os passos que
delimitam a Senda dos Arcanos.
Podemos fazer
algumas relações com este número 12:
·os 12 signos do
Zodíaco;
·os 12 meses do Ano;
·os 12 apóstolos
escolhidos por Jesus;
·0s 12 cavaleiros da
Távola Redonda da saga do Rei Artur;
·os 12 trabalhos de
Hércules;
·as 12 tribos de
Israel, etc.
A Unidade se repete
a cada série de três números. Desta forma, os números 4, 7, 10, 13, 16,
19, etc., representam o número UM em escala diferente. Vejamos:
|
1 |
2 |
3 |
|
4 |
5 |
6 |
|
7 |
8 |
9 |
|
10 |
11 |
12 |
|
13 |
14 |
15 |
|
16 |
17 |
18 |
|
19 |
20 |
21 |
|
1 = 1
4 = 1+2=3+4 = 10
Þ
1+0 = 1
7 =
1+2+3+4+5+6+7 = 28
Þ
2+8 = 10 = 1
10 =
1+2+3+4+5+6+7+8+9+10 = 55 = 10 = 1
13 =
1+2+3+4+......+11+12+13 = 91 = 10 = 1
16 =
1+2+3+4+......+14+15+16 = 136 =10 = 1
19 =
1+2+3+4+......+17+18+19 = 190 = 10 = 1 |
|
3. CHAVES
NUMÉRICO-CABALISTAS
A chave do Tarô está
representada nos 12 primeiros números naturais, correspondentes aos 12
signos do Zodíaco e demais outras relações que se podem fazer com estes
algarismos.
Através deste
estudo, vamos encontrar certas identidades matemáticas que se bem
avaliadas, podem levar a algumas conclusões desconcertantes. Por
exemplo, que os 12 resultados correspondentes às somatórias de cada
grupo e sua composição numérica sintetizam toda a trajetória arcana do
Tarô, sendo eles, portanto, a base de seu estudo e de sua iniciação
velada.
Caminhando um pouco
mais, rumo à compreensão interna de sua simbologia e hieróglifos, vamos
encontrar os 4 números que o representam em toda sua vasta manifestação
numerológica, que são o UM, o TRÊS, o SEIS e o NOVE. Estes conduzem o
buscador sincero rumo aos seus segredos milenares, quando representados
em sua própria Alma de iniciado, calejada nos embates constantes, no
difícil caminho que leva à ascensão.
Vejamos abaixo o
quadro de suas inter-relações, em consonância com os 78 Arcanos Maiores
e Menores:
4. REPRESENTAÇÃO
GRÁFICA DA CHAVE DO TARÔ
No semicírculo
superior, temos os Arcanos Maiores, e no inferior, os Arcanos Menores,
seguindo a numeração de sua chave retro-apresentada, quanto à somatória
dos números naturais. Pode-se perceber que, em síntese, o Tarô pode ser
representado pelos números 1, 3, 6 e 9, os quais totalizam 19 e cuja
redução matemática resulta na Unidade (1+9=10 Þ 1+0 = 1).

5. SIMBOLOGIA
NUMÉRICA
Os números
essenciais, os de 1 a 10, podem ser representados por figuras
geométricas, sendo que cada um deles apresenta sua própria
representatividade como simbologia iniciática.
Poderíamos então
assim representá-los, em nosso estudo numerológico cabalístico, para
fins de comparação e análise:
|
> Número 1 - é
representado pelo ponto ( ) ; é o símbolo da Lei, da Unidade, do
Princípio.
|
|
> Número 2 - é
representado pela linha (ou dois pontos)
; é o símbolo da
diversidade; o princípio feminino.
|
|
> Número 3 - é
representado pelo triângulo; a tríplice manifestação da Divindade; o
princípio dos planos manifestados.
|
 |
|
> Número 4 - é
representado pelo quadrado ou pela cruz de braços iguais; é o
princípio da estabilidade; a coesão; o poder material; o equilíbrio
cármico associado aos 4 elementos (terra água, ar e fogo) e aos 4
pilares do conhecimento do UNO (querer, ousar, saber e calar).
|
 |
|
> Número 5 - é
representado pelo pentagrama; a estrela de cinco pontas; é o
princípio do movimento; do dinamismo e da atuação mágica do homem
sobre os elementos do quaternário; o caminho do mago e o poder
sacerdotal.
|
 |
|
> Número 6 - é
representado pelo hexagrama; é o princípio do equilíbrio das forças
opostas; a estrela de seis pontas; a natureza e suas forças sutis; a
configuração dos elementos estáticos; o elemento mágico
transformador. |
 |
|
> Número 7 - é representado pela figura do triângulo
sobre o quadrado; a estrela de sete pontas; a ação do mago teúrgico;
o ternário que impera sobre o quaternário; a expansão da lei do
Eterno. |
 |
|
> Número 8 - é
representado pelo duplo quaternário; a estrela de oito pontas; a
justiça e a execução da lei; o equilíbrio; o setenário (ou magia em
movimento) e a unidade atuante. |
 |
|
> Número 9 - é representado pela estrela de 9 pontas;
a tríplice manifestação ternária; o movimento ternário nos três
planos; o equilíbrio mágico; a perfeição pela compreensão ternária
do ternário metafísico. |
 |
|
> Número 10 - é representado pelo círculo, o símbolo
da lei do eterno; seus pontos são infinitos, como são infinitas as
manifestações de Deus na Natureza; o micro e o macrouniverso; a
realização do sagrado no Itinerário de IO (Ísis e Osíris). |
 |
6. O PRODIGIOSO
NÚMERO 4
O número 4 era
chamado pelos pitagóricos de o maior milagre e era tido
como a própria Divindade na Terra. Era a Tétrade Sagrada, considerada a
chave do Universo, profundamente velada em sua forma, e delineada sob o
reflexo do Sagrado Ternário da divina manifestação e da Imutável e
Imperecível Unidade.
Pode-se perceber que
na tradição religiosa de quase todos os povos o nome da Divindade foi
escrito com 4 letras: IHVH em hebraico, DEUS em latim, GOTT em alemão,
DIEU em francês, ESAR para os turcos, ALAH para os árabes, TEOS dos
gregos, etc.
Também o velho e o
novo testamentos bíblicos trazem diversas referências ao número da
estabilidade quaternária, expressos através do simbólico 40. É bom
lembrar que este número é o peso cabalístico do Arcano 13 do Tarô, que
dá sentido à vida, propiciando a existência do sentido oculto da morte,
por trás da qual podemos vislumbrar o nascimento de algo novo. O próprio
Arcano 13 soma 4 (1 + 3 =4), interligando-se ao Imperador do Arcano 4
que conquista e governa os mundos manifestados. Vamos encontrar as
seguintes referências ao número 40:
·40 dias e noites de
chuvas no dilúvio universal;
·40
dias e noites, tempo em que Moisés permaneceu no Monte Sinai;
·40
anos, durante os quais vagaram os filhos de Israel pelo deserto;
·40 dias, período em
que jejuou Elias no deserto;
·40
dias, época em que Jesus também jejuou e foi colocado à prova no
deserto, etc.
No quadro abaixo,
procuraremos demonstrar a transcendência do número 4, do qual podemos
extrair a síntese da perfeição (1 + 2 + 3 + 4 = 10), que nos leva de
volta à Unidade sempre ativa.
|
1 (UM) |
2
(DOIS) |
3
(TRÊS) |
4
(QUATRO) |
|
a
Religião |
a
Filosofia |
a
Ciência |
a Arte |
|
a Unidade |
o Binário |
o Ternário |
o Quaternário |
|
o Começo |
a Oposição |
a Manifestação |
a Estabilidade |
|
o Ponto |
a Linha |
o Triângulo |
o Quadrado |
|
a Tintuta dos
Alquimistas |
o Sol e a Lua |
o Enxofre, o Sal e o Mercúrio
|
O Fogo, o Ar, a Água e a
Terra |
|
o Andrógino
Perfeito |
o Masculino e o Feminino |
o Espírito, a Alma e o Corpo |
o Leão, a Á-guia, o Homem e o
Touro |
|
O Ser |
o Sábio |
o Alquimista |
o Grande Artista |
|
Pode-se ver através
destas correlações quaternárias que da Unidade procedem todas as coisas
e que um se
origina do outro, levando à confirmação da arte alquímica.
Existe um só
princípio que se polariza em dois aspectos opostos entre si, surgindo a
criação e o Universo. Deste binário expande-se a força criativa, dando
nascimento a um terceiro elemento, a manifestação de “algo” que
identifica uma primeira imagem criada, possibilitando o equilíbrio entre
os dois opostos.
Deste equilíbrio se
configura a forma, a base de toda a evolução do Universo, na qual
Pitágoras se baseou para estabelecer seu sistema de ensino filosófico
matemático. Para ele seus discípulos eram considerados os matemáticos,
pois toda sua doutrina ele fundamentou nos números e na sua
transcendência, diferentemente da utilização profana dos algarismos.
Para ele o Número era uma virtude do UNO, uma fonte de harmonia do
Universo e, seu estudo, dava ao estudante uma noção viva das faculdades
superiores do ser humano e de sua condição microcósmica.
|
A Tetraktys ou
Tétrade era, segundo seus ensinamentos, o Quatro Sagrado e tem o
mesmo sentido do Tetragramaton, o Nome Divino IHVH
.
Sua representação é a própria Unidade, apresentada sob quatro
aspectos diferentes, em cujo contexto encontramos o binário, o
ternário, o quaternário e a Década, que simboliza a perfeição.
|
 |
*
J.A.Fonseca
é economista, aposentado, escritor, conferencista, estudioso de
filosofia esotérica e pesquisador arqueológico, já tendo visitado
diversas regiões do Brasil. É presidente da associação Fraternidade
Teúrgica do Sol em Barra do Garças–MT. É
articulista do jornal
eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br)
e
membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.
- Reproduções: J.A. Fonseca/Arquivo Via Fanzine.
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