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Nicho humano:
Será nosso esse planeta?
Temos lançado naves para além dos
planetas desse sistema solar,
mas só chegamos uma única vez à parte
mais profunda da superfície terrestre.
Por Isaac Bigio*
ESPECIAL, de Londres
Para
Via Fanzine
Tradução: Pepe Chaves
15/12/2011

Depois do anúncio que já temos mais de 7 bilhões de seres
humanos, surgem comentários que nosso orbe está superpovoado e que isso
seja um indicativo de como temos conseguido dominar o planeta.
Ambas as afirmações não são exatas. A Terra existe faz mais
de 4,5 bilhões de anos. No entanto, nossa espécie só apareceu no último
0,005% desse tempo (faz 200 mil anos). Somente há meio milênio
conseguimos circunavegar o globo e faz só meio século conseguimos por os
pés na montanha mais alta, no abismo mais profundo e na Lua.
Até hoje não conseguimos colonizar o subsolo e todas as
nossas minas mal se adentram algumas centenas de metros à terra. A
perfuração mais profunda já realizada mede poucos quilômetros, enquanto
o diâmetro de nosso planeta é superior a 13 mil quilômetros.
Nós mal povoamos a camada superior que está acima da
litosfera (a ‘casca’ que envolve a Terra), enquanto a ciência demonstra
que existe mais água, oxigênio e vida embaixo da superfície onde se
encontra mais de 99% da massa planetária e onde pode se ter havido a
gestação da vida.
Temos lançado naves para além dos planetas desse sistema
solar, mas só chegamos uma única vez à parte mais profunda da superfície
terrestre (a fossa das Marianas). Não conseguimos ultrapassar a crosta
terrestre e menos ainda, adentrarmos o manto superior e os núcleos
externos e internos da nossa esfera (mais quente e mais inacessível que
a superfície solar).
Sequer sabemos exatamente como é o interior da Terra,
composto por mais de 99% de seu total. Também não conseguimos
classificar a maioria das espécies.
Nesses menos de 1% da Terra que habitamos, ainda não
conseguimos colonizar os mares, que compõem mais de 70% da superfície
planetária. Acabamos de descobrir que sob os oceanos estão as maiores
cordilheiras, desertos e vulcões de nossa esfera.
Desses 30%, em menos de 1% da superfície da Terra há muitas
regiões inacessíveis. Estas zonas, ultrapassam os cinco quilômetros
de altura ou são compostas por desertos ou ainda, estão próximas aos
pólos, incluindo a Antártida, um continente maior que a Oceania e a
Europa, mas que nunca teve cidade alguma.
As espécies que têm dominado e dominarão a maior parte da
história e a superfície terrestre são as bactérias. Elas sobreviveram ao
homo sapiens, o mesmo que estamos obrigados a superá-lo neste milênio,
se desejarmos sobreviver ou conquistar novos nichos ecológicos,
neste ou noutros mundos.
* Isaac Bigio é professor e analista
internacional em Londres.
- Leia outros artigos de Isaac Bigio em
português:
www.viafanzine.jor.br/bigio.htm.
- Imagem: divulgação.
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