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 Crônicas do Osnofa

 

 

Nos tempos do trem de passageiros:

Porque a mala do Juca engastalhou na

Estação Ferroviária de Itaúna por três dias

Itaúna tem três estações ferroviárias, uma em Santanense, outra em Angicos

e a estação principal, bem no centro da cidade, local conhecido como Praça da Estação.

 

Por Afonso Silva*

De Itaúna-MG

Para Via Fanzine

16/05/2012

 

A principal estação ferroviária de Itaúna, hoje Museu Municipal.

 

O Juca andava ali pelas bandas da Praça da Dr. Augusto Gonçalves e resolveu dar uma paradinha na porta da Loja Adolfo Mendes pra espiar e ouvir as notícias do dia. É que a Loja Adolfo Mendes mantém sempre uma TV ligada na programação nacional e era hora do noticiário, o repórter da Globo falava sobre a inauguração da Zona Franca de Manaus; onde o brasileiro pode fazer suas compras de importados livre do imposto devido. Dono de uma loja de ferramentas e artigos variados ali na Praça do Capeta, o Juca não pensou duas vezes: lá vou eu fazer minhas comprinhas, rapidamente foi ao Banco da Lavoura e sacou suas economias e em seguida foi pra casa bem depressa. Fez sua mala, pegou carona no taxi do Baiano que vinha descendo ali da Zona Boemia e mandou seguir para a Praça da Estação, embarcou no primeiro trem de passageiros de Itaúna a Belo Horizonte. Chegando à capital foi direto pra rodoviária e embarcou no primeiro ônibus rumo a Manaus, mais ou menos cinco dias de viagem.

 

O osnofa não pode deixar de fazer o seu comentário sobre a Estação Ferroviária de Itaúna. Segundo informações corretíssimas do amigo Mossias que trabalhou até aposentar-se na rede ferroviária. Itaúna tem três estações ferroviárias, uma em Santanense, outra em Angicos e a estação principal, bem no centro da cidade, local conhecido como Praça da Estação. Um conjunto arquitetônico da maior importância foi construído em nossa cidade, o complexo de casas abrigava gente ilustre como engenheiros da rede e funcionários, no local também tem um enorme galpão onde era feito a manutenção de locomotivas e vagões.

 

Do centro de Itaúna você viajava até Santanense, Angico, Cajuru, Divinópolis e de Divinópolis você viajava até o Triangulo Mineiro, ou você ia de Itaúna, para Azurita, Mateus Leme, Belo Horizonte e de lá o trem seguia até Vitória no Espírito Santo, a viagem prometia uma aventura, era um passeio inesquecível. Nos dias de hoje podemos ir de trem de Bh até Vitória, no trem da Vale. Nunca fiz esta viagem, mas tenho conhecimento que é mesmo uma viagem inesquecível, este bom tempo se foi e a Estação desativada virou museu, informações da época podem ser encontradas por lá e se você deseja conhecer melhor nossa Itaúna visite a Fundação Maria de Castro Nogueira, onde o pesquisador Dr. Guaracy de Castro Nogueira garimpou por longos anos e registrou em suas valiosas pesquisas uma serie de informações imperdíveis sobre nossa cidade, nosso povo e nossos costumes.

 

Agora você vai ficar sabendo tim... por tim... , porque a mala do Juca engastalhou na estação Ferroviária de Itaúna por três dias e  como foi retirada de lá. Assim que o trem parou na estação a banda de música começou a tocar, era o “Dia do Itaunense Ausente”, um dia de festa para que os conterrâneos pudessem se encontrar e hoje não tem mais esta comemoração. Assim que desceu do trem, o Juca foi informado pelo funcionário da estação, que sua mala ficaria retida até que fosse providenciado um veiculo para transportá-la, pois a mesma estava com excesso de peso mais ou menos uns quatro mil quilos, foi preciso de um guincho para retirá-la do compartimento de cargas. O Juca, como esteve ausente, tranquilamente aproveitou dos festejos sobre o dia do itaunense e mais tarde foi embora descansar da longa viagem.

 

No outro dia, bem cedo, antes de abrir a Loja de Ferramentas o Juca foi até a estação buscar sua mala, ali bem perto havia a Casa da Banha do amigo Tim Tavares que possuía um caminhão, que poderia realizar este transporte. Explicando a situação para o amigo, se deu conta que seria impossível fazer o transporte pois o caminhão do Tim Tavares comerciante famoso em Itaúna, ainda a pouco partiu com destino a Belo Horizonte para buscar mercadorias e a solução seria a carrocinha do Correio. O Juca sem titubear partiu logo rumo ao correio, lá conversou com a dona Margarida, que era a chefe da repartição dos correios em Itaúna que prontamente autorizou o uso da carrocinha para desempenhar a devida função. A mala foi dividida em três cargas e somente depois de três dias  a mercadoria chegou a Loja de Ferramentas  do Juca, isto só foi possível graças  à valiosa ajuda dos chapas que ficavam ali na estação, assim a situação foi resolvida.

 

Você pode não acreditar, foram mais de cinquenta itens que o Juca comprou na Zona Franca de Manaus para a sua loja. Novidades de todos os tipos, pés de cabras de puro aço alemão, vieram cem peças; era mesmo uma variedade enorme de mercadorias impossível citar todas, mas duas coisas me chamaram atenção, o famoso canivete MacGyver importado da Suíça o Juca trouxe mil unidades e a famosa pomada japonesa que era o Viagra da época, trouxe duas mil latinhas.

 

Assim que o Juca colocou as mercadorias em ordem nas prateleiras já era tarde, então antes de ir para casa foi tomar umas e outras com os amigos Dr. Valter e Zé Nogueira ali no Bar Tip Top, propriedade do conhecido Sr. Antônio Leiteiro, pai do famoso violeiro e seresteiro  Juraci. O Bar ficava na Praça do Capeta, pé da zona, contando as novidades para os amigos presenteou os amigos com o canivete MacGyver e deu para o Juraci que estava atendendo no balcão, uma latinha da pomada japonesa, com as devidas recomendações de uso. Mais tarde cada um foi embora para o seu canto e o Juraci foi testar a pomada japonesa lá na zona.

 

No dia seguinte, assim que a Loja de Ferramentas abriu as portas, as pessoas começaram a chegar e comprar canivete MacGyver e pomada japonesa. Foi aí que a Loja de Ferramentas do Juca ficou famosa. Foram muitas as viagens que o Juca fez a Manaus para fazer suas comprinhas e nunca pode esquecer de trazer as encomendas: canivete MacGyver e a pomada japonesa.

 

A Estação Ferroviária de Itaúna fora palco de várias histórias interessantes como esta da mala que ficou engastalhada por lá durante três dias por causa do excesso de peso. O osnofa conta com carinho esta lembrança imaginável, mas sabe que na nossa Estação Ferroviária o povo itaunense viveu grandes momentos que marcaram suas vidas e alimentaram tantos sonhos, viajando de trem ou de Maria Fumaça que nos levavam e nos traziam de volta tantas vezes.  A Loja do Juca, o canivete  MacGyver e a pomada japonesa me serviram de fonte inspiradora para lembrar esses bons tempos de Itaúna.

 

* Afonso Silva é cronista itaunense.

 

- Foto: Arquivo Osnofa.

 

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São Meinha que nos proteja,

vem aí a eleição,

não vote no Pedro Sapo

 

Por Afonso Silva*

De Itaúna-MG

Para Via Fanzine

14/04/2012


Pedro Sapo, se tivesse se candidatado teria sido eleito.

 

São Meinha ficou famoso nos anos oitenta, quando da criação do Jornal Brexó e até os dias de hoje tem realizado grandes milagres em nossa Santana de São João Acima, a Itaúna comuna brilhante. Depois de duas costelas quebradas, pela invasão ao Jornal Brexó foi reconhecido pelo povo como milagreiro, e daí virou São Meinha nas bocas pequenas, que nem o Padrinho Padre Cícero em Juazeiro e até os dias de hoje São Meinha continua usando suas interjeições em prol do desenvolvimento da cidade.

 

Santo que é santo não desmerece um pedido. Quarta-feira por volta das 16 horas, alguém tocou campainha na sede do Jornal Brexó, São Meinha foi atender e surpreso ficou quando se deparou com uma velhinha, apavorada e com ar de cansaço, que foi logo dizendo: São Meinha que me proteja, acho que estou nas ultimas! São Meinha tratou logo de conduzir a velhinha para a sala de reportagem e deu-lhe um copo d’água fresca. Assim que a senhora acalmou, começou a indagá-la. Quem é a senhora e o que está acontecendo, em que posso ajudar? São Meinha ficou mais surpreso quando a velhinha disse que se chama Itaúna e que literalmente gostaria de contar com sua ajuda, pois no momento não posso contar com os políticos e peço ao povo que nas próximas eleições não vote no Pedro Sapo, famoso tipo popular itaunense.

 

São Meinha que nos proteja, segundo o Osnofa, o mérito da questão é política e nestes trinta e três anos o Jornal Brexó tem contribuído para que a nossa querida Itaúna se encontre no desenvolvimento e as críticas apontadas tem dado resultado, “assim caminha a humanidade”.

 

São Meinha acalmou Itaúna dizendo: em breve teremos eleições! Itaúna foi pra casa confiante e o Osnofa ficou imaginando com seus botões, o que podemos fazer neste ano eleitoral. Esta pode ser a maior dúvida do Osnofa, mas democraticamente não será a mais difícil de resolver, pois o ano eleitoral está de volta e neste período com certeza, vamos ganhar muitos tapinhas nas costas e muitas promessas políticas. São Meinha nos proteja!

 

Lembrei-me de um fato interessante, que sucedeu em Itaúna e neste tempo o osnofa nem era nascido. Foi bem antes da inauguração da barragem velha, que se deu em 1949, o Pedro Sapo, conhecida figura popular foi sufragado nas urnas como o mais votado dos candidatos, fato inusitado reconhecido pelo povo e juridicamente sem valor eleitoral.

 

São Meinha que nos proteja, que neste ano eleitoral o eleitor não vote no Pedro Sapo, estas pessoas nunca irão contribuir politicamente para o desenvolvimento de Itaúna. Esta é a sugestão do Osnofa para a próxima eleição. Para a Justiça Eleitoral, basta o cidadão ter ficha limpa, ser filiado a um partido político e atender as exigências da legislação eleitoral que ele pode ser candidato. E sem desmerecer o famoso cidadão Pedro Sapo, figura popular altamente reconhecida pela história, mesmo assim, eu jamais votaria nele.

 

O Osnofa lembra que dentro de uns trezentos anos, São Meinha pode virar Santo de fato, reconhecido pela Igreja Católica Apostólica Romana, eu e o meu amigo jornalista João Gabriel com as bênçãos do amigo Padre Bechelaine vamos cuidar da papelada. Valeu irmão Meinha!

 

Você merece ser reconhecido como Santo!

 

* Afonso Silva é cronista itaunense.

 

- Foto: Arquivo Osnofa.

 

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Praça da Matriz:

A mesma praça, o mesmo banco,

o Dico Pipoqueiro e seu carrinho de pipoca

Então vou contar a saga do mini ônibus que virou carrinho de pipoca:

o carrinho de pipoca, de tão importante teve patrocinadores.

 

Por Afonso Silva*

De Itaúna-MG

Para Via Fanzine

25/03/2012

 

Dico Pipoqueiro e o seu mais tradicional carrinho: o mini ônibus.

 

São quarenta e seis anos de muitas histórias, vou contar duas e podem ser diferentes, mas de uma coisa eu tenho certeza, o carrinho de pipoca do Dico Pipoqueiro teve várias fases em Itaúna. Primeiro ele começou a ser construído em Betim e veio para Itaúna no chassi e rodas, quem gostou foi a criançada, na época brincavam com ele ali nos arredores da fonte luminosa e com o tempo o carrinho foi levado para uma oficina de lanternagem e deram nele a forma de mini ônibus, e não é que ficou legal! O povo da cidade gostou e o Dico fez do mini ônibus um carrinho de pipoca. Com aprovação geral, o Dico Pipoqueiro foi pra Praça Dr. Augusto vender a sua pipoca, além de doces, balas, pé de moleque, cajuzinhos, amendoim torrado com casca e sem casca; feitos pelo conhecido Marta Roxa e também vendia laranjas cascadas e geladas, tudo caprichado e feito com muito gosto.

 

Então vou contar a saga do mini ônibus que virou carrinho de pipoca: o carrinho de pipoca, de tão importante teve patrocinadores, o primeiro foi a Unatur, uma empresa de turismo  conceituada em Itaúna, outras cidades e estados; depois foi a Viação Itaúna, empresa que faz a linha Itaúna/Belo Horizonte, também muito conceituada a ponto do amigo Marcos Elias, diretor da Itambé, me fazer este comentário: “Há 27 anos uso os serviços da viação Itaúna, de manhã e à tarde de segunda a sexta-feira, a qualidade do serviço que a Viação presta ao município gera conforto e segurança para os passageiros, viajo todos os dias com tranquilidade pela Viação Itaúna”. Meu caro leitor, eu sinto informá-lo que o mini ônibus, carrinho de pipoca do Dico finalmente aposentou e seu ultimo patrocinador foi a Redendor, empresa que faz em Itaúna o transporte coletivo. Esta foi a trajetória de vida que o carrinho de pipocas do Dico Pipoqueiro seguiu até se aposentar.

 

Eu disse há pouco, o carrinho de pipocas do Dico aposentou, mas ainda se encontra em perfeitas condições de uso, caso for solicitado pode voltar ao trabalho, pois ainda aguenta o tranco e como aposentado nos dias de hoje é zelado pela família com muito carinho. Antônio Oliveira Pinto, o Dico Pipoqueiro ficou conhecido e famoso na cidade de Itaúna com seu mini ônibus que virou carrinho de pipoca, o Dico fez outro carrinho e continua lá na praça vendendo suas pipocas.

 

Até agora o osnofa não tinha ainda metido o bico nesta história, olha ele chegando aí com uma grande novidade e vem anunciar aqui nas paginas do semanário e reconhecido Jornal Brexó: o Dico Pipoqueiro quer vender o mini ônibus, aquele carrinho de pipocas que você sempre viu ali na praça próximo a fonte luminosa. Como a credibilidade do osnofa anda em alta devido o tamanho sucesso dos seus causos, acredito que em breve vá aparecer um ou mais interessados em comprar o carrinho de Pipocas do Dico Pipoqueiro.

 

Antes porem o osnofa quer contar duas histórias, uma história que ele inventou e outra que escutou do Dico Pipoqueiro, preste bem atenção nas histórias, a que o osnofa inventou e a história que o Dico Pipoqueiro contou, todas tem a sua verdade.

 

Primeiro vamos começar pela história do Dico, que acabava de chegar à Praça e logo apareceu por lá o Aziz Saliba, um dos donos da Viação Itaúna, com um ônibus zerado, saído da fabrica a poucas horas. O Aziz foi buscá-lo em BH  e antes de levá-lo para a garagem da Viação  estacionou o ônibus na praça próximo a Igreja Matriz de Santana, a Praça sempre foi a grande vitrine do povo itaunense, então o Aziz estacionou bem ao lado do mini ônibus do Dico Pipoqueiro e este fato é mesmo verdadeiro, existe uma foto deles ali na praça e o fotografo que registrou este glorioso momento foi o conhecido Benevides. Ele, além de fotografo era taxista nas horas vagas e estava sempre de prosa nos arredores, nas proximidades da Igreja, onde existia uma banca de revista do conhecido Nino, que vendia jornais e revistas e naturalmente muitas pessoas ficavam de conversa por lá. Assim, o Dico vendia pipocas, balas, doces e laranjas geladas e o Nino vendia revistas e jornais; o movimento cresceu tanto, que o Ibirité veio passear em Itaúna e acabou ficando por aqui longos anos, cuidando da venda das laranjas, esta parte da história quem me contou foi o Dico Pipoqueiro e é literalmente verdadeira, a foto tirada pelo fotografo Benevides será publicada juntamente com este causo.

 

Agora vem aí a história imaginável do osnofa, com certeza será bem convincente. Alguém que tenha a minha idade ou mais velho do que eu e pode confirmar parte do que o osnofa vai contar a partir de agora. Muitos foram os pais que levaram seus filhos à Praça da Matriz, durante o dia ou à noite pra comprar pipoca do Dico Pipoqueiro e quando era noite as crianças tiveram o privilégio de ver a fonte luminosa funcionando, era uma maravilha e com isto o Dico Pipoqueiro vendia mais pipocas. Mas vender pipocas mesmo foi aquela semana que ficou eternizada na minha cabeça, quando chegou em Itaúna um homem com uma bicicleta destas Olé 70, que vendeu demais nas lojas de Itaúna e no Brasil, devido a Copa de 70 no México. O homem prometia ficar andando de bicicleta uma semana  ao redor da fonte, parava apenas pra comer e fazer as necessidades fisiológicas no Bar e Lanchonete Itaúna do conhecido Mizirico e prometia, andar em um pé, de lado e até fazer um lanchinho andando de bicicleta e assim foi. Isto acabou virando um show imperdível, a praça dia e noite ficava lotada. Meu amigo Nain também conhecido como "Deus" era o fiscal e não arredava pé, sempre ali de olho. Tinha torcida para o homem cair e torcida organizada por minha amiga, a conceituada Professora Dona Edmeia Beghini e alunos da Escola Normal vinham todos os dias torcer pela bicicleta imperar e ver o homem se esborrachar no chão; o Padre José Neto celebrou uma missa para que o homem não caísse, pois o vigário temia que ele se machucasse.

 

O Dico Pipoqueiro nunca vendeu tanta pipoca, tudo terminou bem e o homem da bicicleta cumpriu o prometido, o amigo Nain Deus ajudou recolher as gorjetas que foram tantas. O Aziz da Viação Itaúna estava na praça pra ver a finalização do acontecimento e o mini ônibus pintado com as cores e logomarca da Viação Itaúna estava brilhando de novo, ficou mais famoso com tantas fotos que foram tiradas quando do encerramento deste grandioso show. Depois que o homem da bicicleta foi embora, emocionado com todo aquele movimento, o Aziz aproximou do Dico Pipoqueiro e disse: "olha, amigo Dico, com todo este furor, eu fiquei mesmo apaixonado por este mini ônibus, o carrinho de Pipoca, se um dia o Sr. quiser vendê-lo me procure, eu tenho interesse em comprá-lo. O tempo passou, o carrinho de Pipoca do Dico Pipoqueiro encontra-se aposentado. Sei que o Aziz gosta tanto deste mini ônibus, tem até uma foto dele na mesa de seu escritório. Se tudo isto não for invenção do osnofa, chegou a hora do Aziz comprar o carrinho de Pipoca do Dico Pipoqueiro.

 

* Afonso Silva é cronista itaunense.

 

- Foto: Arquivo Osnofa.

 

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Praça da Lagoinha:

Aconteceu no Bar do Sandoval 24 horas

O freguês ficou sem comer, sem beber e naturalmente foi embora sem nada pra pagar.

 

 

Por Afonso Silva*

De Itaúna-MG

Para Via Fanzine

15/03/2012

 

O Bar ao fundo e nos detalhes: o Sandoval e o seu freguês 24 horas.

 

Veja acima, a foto do inusitado freguês que passou 24 horas no Bar do Sandoval, sem comer, sem beber e, naturalmente, foi embora sem nada para pagar. O Bar do Sandoval, em Itaúna, de tão famoso já foi enredo de carnaval, homenagem justa do bloco carnavalesco Pau de Gaiola, que é outro famoso no pedaço e foi a primeira vez que um causo deste quilate aconteceu no Sandoval.

 

E o danado chegou à meia noite e só saiu na outra meia noite, isto é incrível e foi  o que aconteceu no bar do Sandoval neste fim de semana. O inusitado freguês passou 24 horas no bar, até então, os sócios Odilon e Sandoval nunca haviam observado uma situação desta envergadura.

 

Segundo o Sandoval, “é comum o freguês ficar cinco ou seis horas aqui no bar, comer e beber todas, pagar a conta e ir embora pingando de tonto, mas ficar 24 horas, sem beber e sem comer, este foi o primeiro”.

 

O bar do Sandoval é uma tradição em Itaúna, é uma referência para quem quer almoçar e jantar a qualquer hora do dia e da noite, uma comida caseira da melhor qualidade. Tomar cerveja bem gelada, encontrar com os amigos, levar a namorada pra tomar umas e outras com aquele tira gosto todo especial que só o bar do Sandoval pode oferecer. Num fim de tarde ou num fim da noite; de madrugada é comum você encontrar alguém de pijama comprando leite, fósforo, maço de cigarros e folheando o jornal Super, que fica exposto no balcão enquanto espera ser atendido, coisa que não demora.

 

Enumerar todos os fregueses que frequentam o bar do Sandoval, seria extremamente impossível. Sei que autoridades e pessoas comuns frequentam diariamente o bar para almoçar e jantar. É assim a vida cotidiana do bar 24 horas, não fecha e pessoas que vem de fora, assim que chegam à cidade no primeiro contato vão logo perguntando, onde fica o bar do Sandoval? Isto ocorre a qualquer hora do dia e da noite. Como eu disse o bar do Sandoval é mesmo uma referencia pra nossa cidade.

 

Mais interessante que comer bem é ter um bom lugar para comer, um cardápio variado, uma comida caseira, um preço acessível, tudo isto e muito mais o bar do Sandoval oferece ao cliente, seja ele quem for e de onde vier. Todos são bem vindos; até mesmo um inusitado cliente que queira passar 24 horas no bar do Sandoval, sem beber, sem comer e sem gastar nada. O osnofa não poderia deixar de fora dos seus causos este tradicional bar que hoje é referência em nossa cidade.

 

O inusitado freguês passou 24 horas no Bar do Sandoval, sem comer, sem beber e foi embora sem nada para pagar. O osnofa fica na net até tarde da noite, pesquisando e fez esta valiosa descoberta no Guinness Book, o livro dos recordes,  edição de lançamento 2012, a palavra “cururu” é originário da língua Tupi. E cururu, uma espécie de sapo conhecida aqui no Brasil, é este o inusitado freguês que ficou 24 horas no Bar do Sandoval, sem beber, sem comer e foi embora sem conta pra pagar.

 

O sapo cururu só foi embora depois de completar as 24 horas de presença no bar do Sandoval, muitos foram os fregueses que viram o sapo cururu e tiraram fotos dele curtindo o bar do Sandoval. Pena que o bar não está no livro dos recordes, bem que merecia pelo bom atendimento também a este inusitado freguês.

 

Na hora de ir embora, o sapo Cururu ganhou um tchauzinho do Sandoval.

 

* Afonso Silva é cronista itaunense.

 

- Foto: Google Earth/Fotomontagem VF.

 

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Na Praça da Matriz:

Pepe Chaves, o disco voador sumiu!

Um disco voador ali na Praça Dr. Augusto Gonçalves bem próximo a banca de revista do Geraldo Turruca

aos olhos de toda a cidade, foi uma desinquietação só, em poucos segundos tudo mudou em Itaúna...

 

Por Afonso Silva*

De Itaúna-MG

Para Via Fanzine

23/02/2012

 

Funcionários tentaram cercar o disco voador que pousou na Praça da Matriz, porém,

após varredura feita pelos HDP, o objeto voador desapareceu sem as próprias chaves.

 

O Pepe Chaves do Via Fanzine, recebeu das mãos do extraterrestre a chave da nave espacial, melhor dizendo a chave do disco voador, que acabou de pousar em Itaúna na Praça Dr. Augusto Gonçalves, próximo a Banca de Revista do Geraldo Turruca, em Itaúna-MG. O Osnofa estava lá e testemunhou de perto este acontecimento. O ET estava trajando uma forma humana, era idêntico a nós terráqueos e falava o português legal; pra surpresa de todos desceu cantando a música do Michel Tolé, “ai se eu te pego, assim você me mata” e fez uma recomendação ao meu amigo Pepe Chaves que estava ali na porta da banca, por favor: guarde esta chave, do meu disco voador, mas nem você e nenhum engraçadinho tente dar uma voltinha, vou fazer algumas visitas, vou ao Brejo Alegre, Garcia e Angu Seco e volto breve! 

 

Num instante lá se foi o extraterrestre. Daí o Pepe Chaves guardou a chave no bolso e foi lá no Cepex chamar o Marquinho do Xadrez pra ver o disco voador.

 

Um disco voador ali na Praça Dr. Augusto Gonçalves bem próximo a banca de revista do Geraldo Turruca aos olhos de toda a cidade, foi uma desinquietação só, em poucos segundos tudo mudou em Itaúna, a imprensa local: Jornal Folha do Povo, Jornal Brexó, Rádio Santana FM, Rádio Alternativa FM, TV Cidade e todos os meios de comunicação de Itaúna imediatamente apareceram na praça para fazer o registro deste grandioso fato, a imprensa nacional e internacional, Rede Globo, jornais e revistas e TVs do mundo inteiro, até a famosa rede de TV Aljazira já estava presente transmitindo ao vivo para o mundo via satélite e via internet imagens deste disco voador, como disse o meu amigo Matheus Reis jornalista da Rádio Santana FM, tentando explicar: “é a primeira vez que temos um contato imediato deste quilate”.

 

Foram seis horas de intensa loucura, discussões e decisões o que estava acontecendo deixava todos nós perplexos diante da situação inusitada, tropa de choque vinda de Belo Horizonte, Rio e São Paulo, e de Brasília veio o exército para tranqüilizar a cidade de Itaúna, que foi decretado pela presidenta Dilma como área de segurança Nacional e até os Homens de Preto agentes americanos estavam ali bem na porta da banca de revista, de prosa com meu primo Adolfo Ozório, neto do Coronel Ozório Penido e colunista social do Jornal Folha do Povo.

 

Era tanta gente chegando e querendo chegar que o Pepe Chaves mais o Marquinho do Xadrez não conseguiam aproximar da área isolada. Diante da situação, que no momento deixava o mundo de cabeça para baixo alguém tinha que preocupar com a fome de todo este povo e o conhecido barraqueiro Prosa as pressas montou lá no coreto uma praça de alimentação, vendendo sanduíches terceirizados diretamente do Cajuru Lanches e do Xará Lanches e o famoso espetinho de gato, que veio não sei de onde.

 

O repórter da TV Aljazira de amizade com o meu amigo marqueteiro Manoel Alegria, conseguiram desbloquear o caminho para que o Pepe Chaves e o Marquinho do Xadrez se aproximassem do centro das atenções ali na porta da Banca de revista onde as coisas começaram acontecer; aí o Pepe Chaves chegou sorridente de óculos escuro, balançado a chave do disco voador e no momento foi fotografado e filmado que nem um Pop Star, em entrevista a TV Aljazira, comentou: “com tudo isto acontecendo aqui na praça, aqui esta a chave do Disco Voador, estou preocupado com o extraterrestre que não voltou até agora dos lugarejos que foi visitar, não sei por que!”

 

No pé que lá vai este causo do Osnofa vai gastar três edições do Jornal Brexó pra ser editado, é preciso ouvir o conselho do amigo Renilton Pacheco do Jornal Folha do Povo: “acabe logo com esta lenga, lenga, Osnofa, conta aí o que os Homens de Preto vão fazer, vão mandar o povo pousar para umas fotos que servirão como registro para a MIB, Organização Secreta de Agentes Americanos, que cuida destes casos e assim que tudo for fotografado este acontecimento vai desaparecer da memória de todos e o disco voador também”. Dito e feito, assim que os Homens de Preto fizeram a varredura, num instante o disco voador desapareceu e aos poucos as coisas foram chegando no lugar e tudo voltou ao normal em Itaúna.

 

Enquanto o Pepe Chaves guardava a chave no bolso da calça sem saber que chave era aquela e proseava com o Marquinho do Xadrez sobre o Pontinho de Cultura, premiação que o Cepex recebeu do Ministério da Cultura como reconhecimento. O Geraldo Turruca, que até então estava lá dentro da banca controlando o movimento financeiro, saiu lá fora, olhou de um lado pro outro e não viu o disco voador, espantado com a situação que acabou de vivenciar, aproximou-se dos amigos e falou bem baixinho para os ouvidos do Pepe Chaves, o Disco Voador sumiu!    

 

* Afonso Silva é cronista itaunense.

 

- Fotos: Portal Itaúna / Câmara Municipal de Itaúna / Fotomontagem VF.

 

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Em Itaúna:

O taxista baiano era o Baiano do Táxi

O freguês que o Baiano levou para a zona era de outra cidade e estava abonado,

a burra estava cheia de dinheiro e prometeu dar uma gorjeta para

o Baiano assim que o pegasse de volta lá para as cinco horas da matina.

 

Por Afonso Silva*

De Itaúna-MG

Para Via Fanzine

07/02/2012

 

A rua Gonçalves da Guia foi o berço da boemia itaunense.

Jane, Paraguai e Cici eram proprietários das mais badaladas casas noturnas da zona local.

 

O Baiano era o taxista mais requisitado de toda Itaúna, certo dia chegou um freguês lá no ponto e pediu para que o Baiano o levasse na zona boemia, sem conhecer o freguês ele foi logo falando: moço, esta é a corrida que eu mais gosto de fazer, se o freguês vai pra zona e não tem dinheiro eu levo de graça, pode entrar aí que vamos subir agora, dito e feito lá foram eles para o Cici o melhor bordel, que tivemos em todos os tempos em nossa cidade, uma referencia inconfundível, só não era melhor que o Automóvel Clube, porque o Clube era um ambiente familiar, mas quem ia pra zona não queria saber de ambiente familiar.

 

O freguês que o Baiano levou para a zona era de outra cidade e estava abonado, a burra estava cheia de dinheiro e prometeu dar uma gorjeta para o Baiano assim que o pegasse de volta lá para as cinco horas da matina. Da Praça na zona era menos de cinco minutos era só subir o morro e assim que chegaram, o Baiano fez questão de levar seu freguês até o balcão do bar, para fazer uma média, antes que o Baiano falasse alguma coisa o Cici foi logo mostrando aquele sorriso e dizendo, olá meu amigo Lau, quanto tempo você não da as cara, a ultima vinda sua aqui já faz quatro meses, mais vamos acomodar, pode ficar nesta mesa aqui de lado vou pedir a Loirinha para te acompanhar, já, já eu te levo o aperitivo, vou preparar aquele que você gosta. O Baiano do táxi vendo que o desconhecido era um ilustre amigo do dono da zona se despediu e foi embora dizendo para o Lau: eu te busco as cinco da matina, como combinado.

 

O Lau este ilustre cliente era de Teófilo Otoni, cidade conhecidíssima como o paraíso das pedras preciosas, tem razão ele ter sido recebido com um tratamento todo especial pelo dono do Bordel. Enquanto o cliente tomava um aperitivo acompanhado de uma loirinha muito linda e dona de outros atributos que lhe fazia mais sugestiva ainda o Cici foi até uma sala reservada e deu alguns telefonemas para velhos amigos do Lau e a noticia espalhou de ponta a ponta. Você agora vai ficar sabendo a principal característica do Lau, ele era um cidadão festeiro e era capaz de ficar de três dias na zona, coitado do Baiano do Táxi pensava que lá pelas cinco da matina já receberia acorrida e também a gorjeta que lhe foi prometida, mais isto não vai ficar assim...          

 

Depois de meia hora que o Baiano já estava no seu ponto de táxi, o próprio notou um movimento diferente lá no pé da zona, que da Praça era bem visto a olho nu, um sobe, sobe danado de carros rumo ao bordel do Cici. O taxista ficou intrigado e não se conteve de curiosidade, tratou logo de entrar no seu Opala vermelho, seis canecos e deu logo a partida acelerou e arrancou rumo a zona para conferir de perto o que estava sucedendo, ainda a luz do dia lá no alto da zona.

 

Assim que o Baiano desligou seu opala, deparou com os irmãos do Cici o Gabiru e o Clésio na entrada da zona cobrando estacionamento e a radiola em bom tom tocava a  seguinte música, “garçom olha para o espelho a dama de vermelho que vai se levantar...” este era o sinal que a festa já estava bem adiantada e com muita presença, aí o Baiano arregaçou as mangas da camisa e adentrou no salão, uma roda de mais de trinta homens e mulheres e uma mesa no centro recheada de bebidas e tiragostos, frios e enlatados, todos bebendo e comendo as mais finas iguarias vindas direto da Casa do Whisky em BH, no salão todos cantando a música do momento, “esta dama já me pertenceu”. Assim que o Baiano viu o seu cliente todo entusiasmado dançando com uma loirinha gostosa exalando perfume no salão, então se deu conta, que o Lau não estava com pressa e ouviu do próprio o seu nome sendo sussurrado, e aí Baiano este fim de semana é todo nosso, fique à vontade.

 

Meu personagem o Baiano do Táxi, é aficionado em zona, não pensou duas vezes, pediu logo a Dona Lourdes um cuba-libre no balcão e se juntou aos amigos. Assim que a música terminou, alguém incumbido de tocar ficha na radiola, soltou esta música em homenagem a loirinha da zona “boneca cobiçada, das noites de sereno, seus olhos são azuis, seus lábios têm veneno”. A cada instante o salão ficava mais festivo e a esta altura do campeonato, tudo estava certo como dois e dois são cinco.

 

Quando o relógio da matriz de Santana deu a décima segunda badalada o Cici mandou parar a música o motivo não foi o código de postura que diz “depois da meia noite é proibido tocar som alto”, o motivo foi outro, por qual o salão ficou em absoluto silencio por um breve momento. Uma roda se formou ao redor da grande mesa, o Lau e a Loirinha da Zona se levantaram e num breve discurso o próprio avisou aos companheiros presente, que mulheres, bebida e comida estava liberado por três dias e que na segunda-feira ele e a Loirinha iriam embora de Itaúna e se casariam em Teófilo Otoni, era a sua despedida de solteiro.

 

Novamente a radiola voltou a tocar e desta vez só parou as seis da manhã na segunda-feira e o Baiano do Táxi já estava pronto aguardando o seu cliente. Acompanhado da Loirinha o Lau, pagou a conta com um saquinho de pedras preciosas, se despediu do Cici e de alguns amigos que ainda se encontrava por lá e entraram no Táxi do Baiano, que desceu a rua da zona, rumo a Praça da Matriz onde iriam pegar o ônibus de Itaúna para Belo Horizonte. Assim que despediu do Baiano o Lau deixou com ele um saquinho de pedras preciosas para pagar a corrida e a gorjeta e foram embora. Uma semana depois o Baiano apareceu de Comodoro na Praça e virou atração da cidade como taxista.

 

* Afonso Silva é cronista itaunense.

 

- Foto: Blog Vergonhas de Itaúna.

 

*  *  *

 

 

Da série 'Cultura Popular':

Dr. da Mula Russa, o caçador de indacas  

O Dr. da Mula Russa era indaqueiro mesmo e gostava de pitar um cigarrinho

enrolado no papel de embrulhar pão, finos tabacos enrolados pelo amigo Pedro Sapo.

 

Por Afonso Silva*

De Itaúna-MG

Para Via Fanzine

27/01/2012

 

Dr. da Mula Russa

 

O Dr. da Mula Russa, como era conhecido, gostava de estar sempre trajado com um bom terno preto, gravata vermelha, lenço no bolso do paletó e sapatos finos; sempre andava na companhia de seu amigo fiel, o cachorro Lulu, e com ele dividia a alimentação. Dr. da Mula Russa  foi o maior caçador de indaca que Itaúna já teve por estas bandas, amigo da família do Margarido, que morava na rua Tiradentes, os maiores consumidores da pinga do Varistinho da Rua da Ponte.

 

O historiador e pesquisador, Dr. Guaracy de Castro Nogueira, confirma que o Dr. da Mula Russa é descendente do povoado de Pedras, da vizinha cidade de Itatiaiuçu e se aportou nas Barrancas do Rio São João Acima, Freguesia de Sant’Ana, devido às proximidades dos povoados e por ser um lugar mais progressista. Aqui fez amizades importantes, como a família do Margarido, o famoso Pedro Sapo, o Mágico Baratinha e a conceituada Maria Poeira.

 

Era fácil, extremamente fácil, para o Dr. da Mula Russa, caçar uma indaca, bastava se aproximar dele, que a coisa ficava feia, já vinha ele dizendo:

 

- Eu não sou de Itaúna e nem posso ser, pois nasci nas Pedras de Itatiaiuçu e tome nota no que vou dizer: estou aqui de passagem, nem eu mesmo sei porque, meu livro de medicina pode te ajudar a viver.

 

Como se vê, o Dr. da Mula Russa era indaqueiro mesmo e gostava de pitar um cigarrinho enrolado no papel de embrulhar pão, finos tabacos enrolados pelo amigo Pedro Sapo. De poeta, louco e médico tinha um pouco. Sabereta como ele só, era comum, num só dia, ele se "indacar" duas vezes com a mesma pessoa.

 

Quando ia para a casa do amigo Margarido, também tomava da pinga do Varistinho, tomava apenas umas e outras, apenas para espairecer e nunca chegava a ficar bêbado, tinha lá seus cuidados, pois era um homem de bem e tinha que resguardar seus princípios e reputação.

 

Um dia, a cidade de Itaúna, que ainda nem sonhava ser Cidade Educativa, Cidade Universitária, com curso de medicina, mas já era famosa, estava para receber a visita de um famoso médico, doutor de fato, um acadêmico da medicina. E os comentários, na cidade, faziam a cada dia crescer mais a ansiedade do povo que ia receber este famoso doutor que, a qualquer momento, ia se aportar em nossas terras, por uns dias, para conhecer o famoso Hospital Manoel Gonçalves de Sousa, que sempre atende os pacientes antes de fazer a ficha. Assim ninguém corre o risco de morrer na sala de espera.

 

Então os políticos da cidade, prepararam uma recepção bem à altura do visitante. Convites foram confeccionados com o requinte da época. Doutores, senhores e senhoras da cidade mandaram confeccionar, na capital, trajes sociais de alto nível para a recepção que aconteceria no dia de Nossa Senhora Aparecida, às 14 horas, depois do foguetório do meio-dia.

 

Com todo esse zum, zum, zum, Doutor da Mula Russa tomou conhecimento do fato e começou  a mexer os seus pauzinhos com os poucos amigos que possuía na cidade. O que ninguém sabia é que o Doutor da Mula Russa tinha lá  sua influência e começou a agir por debaixo dos panos, sem levantar nenhuma suspeita, para o chefe da segurança, o famoso investigador Tião Secreto que, na sua intelectualidade investigativa, tudo estava transcorrendo dentro da absoluta normalidade.

 

Dr. Seixas, como era conhecido o médico esperado, chegaria à Itaúna no trem das 11 horas, do dia anterior à sua visita ao Hospital Manoel Gonçalves de Sousa. O fotógrafo, Benevides Garcias, registraria a chegada do ilustre visitante e o Táxi do Baiano estaria a postos para levá-lo ao Grande Hotel, aonde ele iria se hospedar. Como se vê, tudo estava pronto para o grande dia, mas nem tudo nesta vida é como a gente planeja, às vezes, por um motivo fútil, a coisa foge do controle.

 

Neste dia, o Tião Secreto foi assistir a um filme no Cine Rex que ele não queria perder por motivo algum e então levou consigo o fotógrafo Benevides e o Baiano do Táxi, que também gostavam de uma sessão de cinema. Mesmo tendo assistido ao Dólar Furado, por duas vezes, eles toparam o convite do Secreto e foram assistir ao filme.

 

O Pedro Sapo, passando na porta do cinema, naquela hora, dez horas da noite, os viu; entrando no cinema, aí começou a conspiração. Pedro Sapo correu no Bar Século XX, onde estava o amigo Dr. da Mula Russa, de prosa com um conhecido cidadão, que tinha uma jardineira pequena e fazia lá suas viagens. Os três saíram do bar e entraram na jardineira do conhecido Butão, que gostava de um fuá.

 

Era hora da vingança, o que este povo pensa que é, não convidaram o doutor da Mula Russa para esta recepção importante, foi a gota d’água. Ali mesmo, na jardineira, planejaram tudo, dr. Seixas seria sequestrado e levado para a casa do Margarido. Suas roupas seriam trocadas pelas roupas do dr. da Mula Russa. E assim aconteceu. Às 11 horas, lá estavam eles, o Butão na porta da estação esperando pela chegada do dr. Seixas. Quando o trem chegou, Butão todo bem vestido, assim que botou os olhos no doutor que estava vestido a caráter, suavemente se aproximou e disse:

 

- Dr. Seixas, por favor me acompanhe,  fui contratado para levá-lo ao hotel.

 

Pegou a mala do médico, encaminhou-se até a jardineira. O doutor que não conhecia Itaúna, nem se incomodou com o percurso. Enquanto isso dr. da Mula Russa e seus amigos esperavam na casa do Margarido onde seria o cativeiro do doutor acadêmico.

 

Quando o médico deu por conta que alguma coisa estava errada, já era tarde, pois o motorista da jardineira acabava de anunciar aos ouvidos do doutor que havia chegado ao destino e que aquele momento mudaria a vida de um grande amigo que também era doutor.

 

Rapidamente os amigos do Dr. da Mula Russa invadiram a pequena jardineira e conduziram o doutor para dentro da casa do Margarido, que havia “tomado todas”, mas  não deixou de ser elegante nas boas vindas, com seu litro de pingado Varistinho na mão disse em bom tom:

 

- Bem-vindo ao cativeiro, Dr. Seixas, e aí anunciou o sequestro.

 

Daí, em pouco tempo, Dr. da Mula Russa e sua comitiva já estavam se hospedando no Grande Hotel Itaúna.

 

Nessas alturas, o Tião Secreto, mais o amigo Baiano do Táxi e o fotógrafo Benevides, que chegaram mais do que atrasados lá na Estação, ficaram sabendo, por  intermédio do mágico Baratinha, que estava ali, de tocaia, esperando por eles, que o Doutor desembarcou e seguiu com sua comitiva para o hotel.

 

- Vocês não estavam aqui e como o hotel é ali na esquina, eu mesmo expliquei a eles onde era. Faz uma hora que seguiram para lá. Pela hora, já devem estar dormindo, mas vão lá confirmar a chegada deles ao hotel.

 

E assim foram, e confirmaram a chegada. Com a noite, bem tarde, foram embora, dando graças a Deus, que estava tudo certo.

 

No outro dia, o Dr. da Mula Russa e os amigos se prepararam com as roupagens do Dr. Seixas e, em duas viagens, o Baiano do táxi, o fotógrafo Benevides, acompanhados pelo investigador Tião Secreto os levaram até o Hospital... Muita gente na recepção do Dr. Seixas, todos prontos para as boas vindas, a banda de música de Itaúna tocou e o povo cantou o nosso hino. O jornalista Sebastião Nogueira Gomide, de prosa com o amigo e médico Dr. Artur. Assim que terminou o hino de Itaúna e foi anunciada a presença do importante Dr. Seixas à cidade, o Dr. Artur foi indagado pelo jornalista da Folha do Oeste:

 

- Olha lá, aquele não é o médico seu amigo, este cidadão está parecendo com o Dr. da Mula Russa, é impossível, mas é ele mesmo.

 

Aí, o Dr. Artur pediu a palavra e anunciou para as autoridades, que alguma coisa de muito estranho estava acontecendo. Foi então que Dr. da Mula Russa, seus amigos e o cachorrinho Lulu começaram a correr. Como, naquele tempo, a viatura policial de Itaúna para ligar tinha que pegar no toque da manivela e apenas um soldado se encontrava no recinto, a turma do Dr. da Mula Russa deu no pé. Mesmo assim, o Tião Secreto partiu em diligência, a pé, para tentar prendê-los. Mas, assim que chegou à portaria do Hospital, teve que socorrer um senhor mal vestido que dizia ser o tal Dr. Seixas e que tinha sido sequestrado e ficara num cativeiro na casa do Margarido, de onde conseguiu fugir, pois a família tinha “bebido todas” e caíram no sono.

 

Este é o fim de uma história, onde tudo acabou bem... Depois de tudo isso, a recepção transcorreu normal, o hino de Itaúna foi tocado novamente e o Dr. Seixas, já refeito, foi recebido com todas as honras da casa.

 

No outro dia, a turma do Dr. da Mula Russa tomou uma boa lição do investigador Tião Secreto, e o caso foi arquivado.

 

Assim, Dr. da Mula Russa ficou mais famoso em Itaúna das Barrancas do Rio São João Acima, Freguesia de Sant’Ana, e primeira cidade Educativa do Mundo, título concedido pela UNESCO & OEA. O Dr. da Mula Russa, além da vida terrena, continua  indacando com tudo e com todos.

 

Assim é a vida: “pau torto, nasce torto, morre torto e até a cinza é torta”.

 

Quem quiser conhecer a foto do Dr. da Mula Russa e seus fiéis amigos, faça uma visita ao Museu Municipal de Itaúna, na Praça da Estação ou confira a reprodução da imagem acima.

 

* Afonso Silva é cronista itaunense.

 

- Foto: Osvaldo Fotógrafo /Museu Municipal de Itaúna / Cortesia de Lucas Lima.

 

- Produção:

© Copyright 2004-2012, Pepe Arte Viva Ltda.

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