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Por Isaac Bigio*
ESPECIAL, de Londres
Para
Via Fanzine
Tradução: Pepe Chaves
1º/01/2012

O gelo que ainda está por derreter
deverá elevar rapidamente o nível dos oceanos.
Um dos problemas mais graves que deverá confrontar a nossa civilização
num futuro breve é o rápido derretimento dos glaciais e icebergs de
gelo, o que fará subir acentuadamente o nível do mar, inundando
numerosas cidades e afetando à maioria dos bilhões de seres humanos que
vivem próximos aos litorais.
A tendência para esse aquecimento global se iniciou faz 10 mil anos,
quando saímos da chamada idade do gelo. Contudo, o problema é que a
poluição industrial está acelerando esse processo natural.
Faz 10 milênios a maioria dos continentes estava unida por terra.
Podia-se, por exemplo, andar desde o sul da África até à Terra do Fogo
ou desde a Grã-Bretanha até às Filipinas, pois o nível do mar era pelo
menos 100 metros mais baixo que o atual. Era assim, porque as maiores
partes da Europa, Sibéria e América do Norte ainda se encontravam
cobertas por longas camadas de gelo de dois até quatro quilômetros de
altura.
Graças a essas características, os primeiros seres humanos conseguiram
caminhar desde o leste africano à Indonésia. Dali, mais tarde, eles
navegaram pouco até o continente que unia a Austrália com a Nova Guiné,
e depois traspassaram o leste asiático para povoar a América - que então
mantinha um amplo corredor terrestre, onde hoje se situa o estreito de
Bering.
As mudanças climáticas transformaram a região do Saara num deserto e
inundaram enormes países como a Doggerlândia (situado entre a
Inglaterra, França e Escandinavia) e dois centros civilizatórios. Um
deles se encontrava entre a Índia e o Sri Lanka e outro, a Sundelândia,
unia o sudeste asiático, onde Stephen Oppenheimer diz ter sido o berço
da agricultura.
O derretimento das 68 mil trilhões de toneladas de gelo que cobriam dois
terços da América Norte elevou o mar a uma quantidade ao menos 100 vezes
maior que a de toda a água doce hoje contida nos rios e lagos do globo.
O efeito disso produziu a inundação de dois terços da Flórida e de
outras baixas regiões planetárias. O derretimento atingiu uma grande
região ao norte de Eurásia e da América, onde, muitos anos depois,
brotariam as potências anglosaxônicas, germânica, os EUA e a Rússia, as
quais dominam o mundo nestes dois últimos séculos.
O gelo esculpiu a geografia dessas regiões, incluindo as formosas
montanhas, lagos e riachos escoceses ou escandinavos, o colossal rio
Mississipi, as cataratas do Niágara e os cinco lagos (a maior reserva de
água doce do planeta).
No entanto, com o derretimento dos atuais glaciais e icebergs serão
poucos os terrenos a serem ganhos nas zonas polares, enquanto será
inundada a maioria das grandes metrópoles e até nações inteiras, tão
densamente povoadas, como os Países Baixos ou Bengala.
Se o super continente da idade do gelo contribuiu com a expansão e
conquista humana da Terra, o surgimento de um novo super oceano nessa
idade do degelo poderia culminar na maior tragédia da história humana.
* Isaac Bigio é professor e analista
internacional em Londres.
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português:
www.viafanzine.jor.br/bigio.htm.
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Desafios de uma nova
república - Por Isaac Bigio
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Guaíra-PR:
Conflito na fronteira com o Paraguai
Tráfico e contrabando usam a Marinha
paraguaia para combater a Polícia Federal na fronteira.*

Violência em Guaíra: trecho do caderno que registra os plantões da
Polícia Federal descreve o tiroteio no Rio Paraná.
Em e-mails aos quais o site de VEJA teve acesso, agentes da
Delegacia Especial de Polícia Marítima de Guaíra denunciam ataques
sofridos nos últimos meses. Policiais brasileiros chegaram a disparar 60
tiros de fuzil HK G36, mas tiveram de recuar.
Às 17h14 da sexta-feira, 18 de março, um agente da Polícia
Federal que atua na cidade paranaense de Guaíra, fronteira com o
Paraguai, enviou um e-mail pedindo socorro à Federação Nacional dos
Policiais Federais (Fenapef) em Brasília. Ele informou que, em pelo
menos três ocasiões recentes, oficiais da Marinha paraguaia trocaram
tiros com policiais brasileiros – segundo ele, para acobertar
traficantes e contrabandistas no Rio Paraná, que marca a divisa com a
cidade paraguaia de Salto del Guaira.
Nesta quarta-feira, o presidente da Fenapef, Marcos Wink,
decidiu agir. “A Marinha do Paraguai está atirando contra agentes
brasileiros e ninguém faz nada”, diz ele. Wink procurou o deputado Paulo
Pimenta (PT-RS). Relator da CPI que investigou, em 2006, o tráfico de
armas no Brasil, Pimenta poderia servir de ponte até o ministro da
Justiça José Eduardo Cardozo. “Queremos espalhar para o mundo a
realidade na fronteira”, afirma Wink, indignado.
Em e-mails aos quais o site de VEJA teve acesso, agentes da
Delegacia Especial de Polícia Marítima (DEPOM) de Guaíra informam que a
Marinha paraguaia tem recebido propina de traficantes e contrabandistas
para disparar armas de grosso calibre contra policiais brasileiros. O
objetivo seria permitir – em troca de propina – que o tráfico de drogas
continue a agir impunemente na região.
Um dos ataques registrados pela Fenapef aconteceu por volta
das 12h do dia 17 de março, uma quinta-feira: dois agentes da PF em
Guaíra embarcaram numa lancha para iniciar a patrulha rotineira no Rio
Paraná quando avistaram um bote de alumínio, pintado de verde e equipado
com um motor, deslizando rumo ao Paraguai. Imediatamente, exigiram ao
piloto que parasse e, durante a revista, flagraram uma carga de pneus
contrabandeados. Como de praxe, apreenderam o bote e seguiram para a
delegacia em Guaira para registrar a ocorrência.
A 200 metros do atracadouro, em águas brasileiras, os
agentes perceberam que uma lancha da Marinha do Paraguai, com cabine
fechada, acelerava na direção do barco apreendido, que era escoltado
pela PF. Quando os paraguaios chegaram a cem metros de distância,
começaram a disparar com uma metralhadora calibre ponto 30, própria para
derrubar helicópteros, instalada na proa e apontada na direção dos
policiais brasileiros. Eles revidaram com 60 tiros de fuzil HK G36, arma
muito menos potente, e acabaram rapidamente com a munição. Tiveram de
recuar. A lancha da Marinha paraguaia se aproximou e levou de volta o
bote criminoso.
Num e-mail enviado em 21 de março, um dos agentes de Guaíra
afirma que nos últimos dois anos houve no mínimo cinco confrontos entre
a Marinha paraguaia e a PF, reclama das condições precárias das
embarcações brasileiras e revela que integrantes da Polícia Federal
recomendaram o abafamento da ocorrência do tiroteio no Rio Paraná.
Também conta que uma licitação, aberta para a compra de uma lancha
blindada para a PF de Guaíra, foi interrompida sem motivos aparentes.
Uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo publicada em
maio de 2010 confirma que não foi a primeira vez que forças brasileiras
e paraguaias protagonizaram um tiroteio na região. Nela, um delegado da
PF afirmou terem ocorrido, desde março daquele ano, mais de 20
confrontos entre a Marinha paraguaia e agentes federais brasileiros em
Foz do Iguaçu. Em um só dia três tiroteios foram registrados.
Em 16 de agosto de 2010, num documento de circulação
interna da Polícia Federal ao qual o site de VEJA teve acesso, um
policial federal de Guaíra avisou ao chefe da delegacia da PF na cidade
que a Marinha paraguaia havia ganhado dos traficantes um motor de popa
de 300 hp com o objetivo de perseguir a lancha da polícia brasileira.
A Marinha paraguaia passou a vigiar a fronteira com o
Brasil em março de 2005, depois que um advogado avisou o Ministério
Público do Paraguai que a polícia facilitava o contrabando feito por
embarcações na região. A Fenapef informou que os tiroteios estão cada
vez mais frequentes porque os policiais brasileiros estão frustrando
muitas travessias de barcos criminosos pelo Rio Paraná. De 2007 a 2011,
163 embarcações foram apreendidas pela Polícia Federal na fronteira
paranaense. Falta agora descobrir a identidade dos bandidos escondidos
dentro de fardas e camuflados em embarcações oficiais das Forças Armadas
do Paraguai.
* Informações de
Bruno Abbud/Veja.
- Imagem:
Reprodução/Veja.
- Post. VF:
27/03/2011.
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