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Aerotrópolis:
Governo quer viabilizar complexo
aeronáutico
A proposta é desenvolver polos em regiões
distintas, que sejam
capazes de se comunicar, capacitar,
produzir aeronaves.*

Uma nova história na indústria aeronáutica começa a ser
construída em Minas Gerais. A proposta de diversificação da economia --
tendo o Complexo Aeronáutico como uma das vertentes -- ganhou força
dentro do governo e vai integrar pelo menos três secretarias de Estado:
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), Desenvolvimento
Econômico (Sede) e Educação (SEE). O projeto vem em boa hora, em razão
do crescimento da aviação civil no Brasil e no mundo, e tem a parceria
do governo federal, por meio de ministérios, universidades, agências de
desenvolvimento e centros de pesquisa.
Em meio a discussões e elaboração estratégica de projetos
dos cinco polos aeronáuticos e a inclusão de emendas no orçamento da
União, a Embraer confirmou a instalação do seu escritório de engenharia
e desenvolvimento aeronáutico em Belo Horizonte. Cerca de 100
engenheiros serão contratados até o final de 2012 pela líder na
fabricação de jatos comerciais de até 120 assentos. Posteriormente, o
escritório da Embraer será transferido para Lagoa Santa, próximo ao
Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN), e junto ao Centro de
Capacitação e Tecnologia Aeroespacial de Minas Gerais (CCAE), onde
também haverá uma escola técnica do programa Brasil Profissionalizado,
do Ministério da Educação.
Em relação à Lagoa Santa, o Governo de Minas faz um resgate
histórico, pois a cidade já sediou a primeira montadora de aviões do
Brasil no governo de Getúlio Vargas, antes mesmo da criação da Embraer.
A empresa operou por poucos anos e fechou as portas numa época em que o
país não tinha nenhuma montadora de carros. Hoje, o local abriga o
centro de manutenção dos aviões da Força Aérea Brasileira.
Segundo o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e
Ensino Superior, Narcio Rodrigues, Minas tem vocação desde Santos Dumont
e hoje possui uma condição especial com escolas de engenharia
aeronáutica, centros de manutenção da FAB e de grandes empresas da
aviação comercial, além de indústrias já instaladas.Rodrigues disse que
o Governo de Minas lidera a discussão, mas considerou as parcerias do
governo federal, prefeituras, empresas, universidades e institutos como
IEAv, imprescindíveis ao Complexo Aeronáutico.
Durante o ano de 2011, pelo menos uma dezena de reuniões
colocou em pauta o Complexo Aeronáutico e chegou-se à conclusão de que o
projeto deve ser integrado por cinco polos: AITN como a primeira
aerotrópolis (cidade-aeroporto) da América do Sul, compreendendo os
municípios do entorno de Confins; Itajubá (sul de Minas), com a
ampliação da Helibras, que fabrica helicópteros; Tupaciguara (Triângulo
Mineiro) com a chegada da Axis Aerospace, empresa que está concluindo o
projeto do Tupã – aeronave civil de seis e oito lugares para o mercado
nacional e internacional; Lagoa Santa com o Centro de Capacitação de
profissionais técnicos, graduados e pós-graduados e Goianá com o
Aeroporto Regional da Zona da Mata, recém inaugurado pelo governo
mineiro e que poderá ser utilizado pela Petrobras na logística do
Pré-Sal. Esse aeroporto tem uma pista de 2.500 metros de extensão,
adequado para receber aviões de grande porte.
Aerotrópolis como maior polo do Complexo
A primeira aerotrópolis da América do Sul está dentro do
Projeto de Desenvolvimento do Vetor Norte, que se inspira em modelos de
sucesso como Cingapura, Hong Kong, Frankfurt e Miami, entre outros. A
idéia passa pela ocupação do aeroporto e de seu entorno com empresas de
alta tecnologia, e com a atração de profissionais de classe mundial de
diversas áreas. Com voos para todo o Brasil, o AITN deve fechar 2011 com
9 milhões de passageiros, tornando-se o quinto maior aeroporto público
do país. O Governo de Minas — em parceria com a Infraero — é responsável
pelo projeto executivo do Terminal 2 de passageiros e das obras do
aeroporto industrial, bem como a escolha do apoio logístico. Esses
processos licitatórios estão em andamento, e tem a Secretaria de
Desenvolvimento Econômico na coordenação e articulação.
Além do entorno do aeroporto de Confins, a proposta do
Governo de Minas também pretende criar três rotas tecnológicas no sul,
triângulo e rio doce/vale do aço, a fim de atrair empreendimentos para
fabricação de produtos de ponta em segmentos como eletroeletrônicos,
aeroespaciais, software, biotecnologia, nanotecnologia e outros.
Formação de mão de obra qualificada
Minas se posiciona bem na formação profissional com uma
rede de instituições públicas de ensino e pesquisa de excelência. São 14
universidades públicas estaduais e federais, formando profissionais de
reconhecida competência. Existem ainda seis institutos federais e uma
rede privada de universidades que apresenta qualidade no ensino. Entre
as várias escolas que estão trabalhando com o setor aéreo estão
Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Uberlândia (UFU). A Sectes --
por meio da Rede de Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) e com a SEE
– tem projeto de criar 100 polos de educação a distância, o que vai
facilitar o ingresso de cidadãos de todas as regiões em diferentes
cursos, inclusive os superiores mais demandados pelo mercado.
2012 é considerado um ano importante pelo Governo de Minas,
principalmente pela consolidação dos projetos que integram o Complexo
Aeronáutico de Minas Gerais. A expectativa é de que haja avanços
significativos no caminho traçado pelo Estado de fazer a diversificação
econômica se transformar em realidade.
* Informações de
Reginaldo Fernandes Cangussu/SEGS
-
http://www.segs.com.br.
12/01/2012
- Ilustração: Lucas Varella. |