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Arquivo Vivo MPB
Recordando os eternos artistas que passaram pela MPB.
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Belo Horizonte: A eterna canção de Marco Antônio Araújo Poucas pessoas no Brasil conheceram verdadeiramente a essência musical de Marco Antônio Araújo, o saudoso músico mineiro que morreu aos 37 anos, no auge de sua carreira, antes de ser reconhecido nacionalmente como um dos maiores prodígios de toda a história musical brasileira. Por Pepe Chaves* Belo Horizonte-MG Para Via Fanzine ATUALIZADO EM 18/11/2011
Marco Antônio Araújo: as muitas faces de um gênio musical.
Um raro prazer de se ouvir
Ele nasceu em 28 de agosto de 1949 na cidade de Belo Horizonte e nela faleceu em 07 de janeiro de 1986, vitimado por um aneurisma cerebral. Sua morte ocorreu, justamente, um dia antes de receber o prêmio de "Melhor Instrumentista do Ano de 1985", oferecido pela Revista Veja e ter, naquele mesmo ano, uma de suas canções inclusas na trilha sonora de uma novela da Rede Globo.
Como músico, Marco Antônio Araújo está assegurado na galeria eterna da Música Popular Brasileira, seja por seu talento musical nato, sua atuação inovadora ou pela alma batalhadora, que fez da música uma profissão para o seu corpo.
Pude assistir a três grandes apresentações de Marco Antônio Araújo, nos idos da década de 80. Duas delas em Itaúna (80 km de BH) e, sem dúvida, todas três foram memoráveis e bastante distintas entre si. Eu já tinha ouvido falar de Marco Antônio Araújo em 1979, quando ele participou de um festival chamado “Rock Horizonte”, realizado no estádio Independência, em BH e que reuniu várias bandas de Minas e do Brasil.
Em 1980, pouco antes de lançar seu primeiro álbum (Influências), Marco Antônio Araújo esteve apresentando o seu show “alternativo” no ginásio poliesportivo de Itaúna, que, em verdade, se tratou de um dos maiores shows de rock – ainda que fosse uma apresentação cover - que já vi em toda minha vida. Intitulado “Rock N’ Rolling Stones”, foi um show altamente rock n’ roll, remontando com uma fidelidade impecável, o melhor do repertório dos Rolling Stones, além de muita energia e altas performances desprendidas pelos músicos. Nesta apresentação, ele tocou viola de 10 e guitarra e esteve acompanhado de outros ícones da música mineira, como o baterista Mário Castelo e o baixista Ivan Correa, entre outros.
Na segunda apresentação, em 1983, também em Itaúna, foram executadas canções de seu primeiro álbum “Influências” (1980), que gravou com grandes músicos mineiros, inclusive, com seu irmão, o guitarrista Alexandre Araújo, integrante do grupo Mantra, que o acompanhou em estúdio e ao vivo. Neste denodado álbum instrumental, a canção de destaque foi a magnífica “Abertura nº 2”, que se tornou marca registrada do Grupo Corpo. Neste álbum de estréia, Araújo mesclava o peso de instrumentos eletrônicos, com a sutileza da música de câmara, utilizando-se de instrumentos acústicos como flauta e violoncelo, contrastados por contrabaixo eletrônico, guitarras e bateria. Foi um inovador na música brasileira.
A terceira apresentação que assisti deste magnífico músico, foi no grande teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, num show intitulado “Os Três Marcos”, creio, em 1984, reunindo numa mesma noite nada menos que, Marco Antônio Araújo, Marco Antônio Guimarães (Grupo Uakti) e Marcus Vianna (Sagrado Coração da Terra). Numa apresentação memorável, ele executou músicas de seu mais recente álbum Quando a sorte te solta um cisne na noite, além do Influências.
Apesar de sua destacada tendência para o rock inglês, Marco Antônio Araújo era altamente antenado no barroco mineiro, na música clássica erudita e também na música progressiva em geral. Além da diversidade sonora que criou, indo do acústico ao eletrônico; do rústico ao elaborado, todos os quatro álbuns autorais gravados em vida, foram essencialmente instrumentais.
Marco Antônio Araújo também era músico da Orquestra Sinfônica Mineira, da qual se tornou "tradicional" violoncelista. Em meados dos anos de 1980, ele era uma figura fácil de ser avistada caminhando pelas ruas do centro de BH – enorme, sempre carregando o seu (também enorme) violoncelo.
Foi com muita tristeza que soubemos de sua morte repentina, no início de 1986, quando deixava Minas para levar seu som ao restante do Brasil. Sua perda veio colocar fim numa promissora e recém-aprumada carreira que acabara de romper as fronteiras locais e, certamente, ganharia o mundo, não fosse a morte precoce e súbita em seu destino.
No entanto, sua partida não o impediu de antes gravar para a posteridade, seus tão autênticos e esmerados álbuns de estúdio: Influências (1980), Quando a Sorte te Solta um Cisne na Noite (1982), Entre um Silêncio e Outro (1983) e Lucas (1984) – este último em homenagem ao seu segundo filho, recém-nascido na época.
A orquestra celestial tem agora um excelente violoncelista.
A trajetória musical de Marco Antônio Araújo**
Marco Antônio Araújo e o grupo Mantra.
Marco Antônio Araújo cresceu ouvindo Beatles, Stones e grandes bandas do rock inglês. Em 1968 tocou guitarra num grupo chamado Vox Populi, que foi um dos embriões do Som Imaginário, banda que, acompanharia o cantor e compositor Milton Nascimento e seria o “estopim” do movimento musical belorizontino conhecido como Clube da Esquina.
Em 1969, gravou um compacto simples pelo selo regional Bemol, em parceria com o maestro e tecladista Zé Rodrix e os guitarristas Frederyco e Tavito, todos integrantes do Som Imaginário. Participou, como músico convidado, da gravação da música Poison, de co-autoria com Zé Rodrix. Abandonou o curso de Economia e o emprego de bancário para se dedicar à música, indo no ano seguinte viver alguns meses na cidade de Ouro Preto, com a comunidade do diretor de teatro Julien Beck, do célebre grupo novaiorquino "Living Theatre". Em 1970, se mudou para a Inglaterra, onde morou por dois anos, trabalhando como carregador de móveis e tocando música "folk" no "Troubador" de "Earls Court Rd", época em que conheceu, no exílio, Caetano Veloso e Gilberto Gil, além de assistir a shows de grupos como Pink Floyd, Led Zeppelin, Deep Purple, Gênesis e Supertramp.
Retornou ao Brasil em 1973, vivendo no Rio de Janeiro e descobrindo o fascínio da música erudita. Passou a estudar forma musical e composição com Esther Scliar (para quem dedicaria posteriormente um de seus discos). Estudou ainda violão clássico com Léo Soares e violoncelo com Eugene Ranewsky e Jaques Morelembaun, na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi nessa época que compôs trilhas para cinema, teatro e balé, destacando-se desse período a trilha da peça Rudá, dirigida por José Wilker e Cantares, um balé apresentado pelo grupo belorizontino Corpo, tendo se casado com Déa Marcia de Souza, uma das bailarinas do grupo.
De volta a Belo Horizonte em 1977, prestou concurso para violoncelista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, tendo sido aprovado e contratado como o seu primeiro músico. Em paralelo com as atividades da orquestra, continuou com a sua produção independente, realizando shows em pequenos teatros, dando início à formação de um público atento e fiel.
Em 1979 passou a trabalhar com o grupo Mantra, do qual faziam parte o seu irmão e guitarrista Alexandre Araújo, Ivan Correa (baixo) e Sérgio Matos (bateria). Naquela época deixou de tocar guitarra com o grupo, passando a tocar apenas violão. Desse momento em diante, o grupo tornou-se a base do seu trabalho musical e a sua sonoridade fundia os elementos das músicas sinfônica e barroca mineira com o rock progressivo. O Mantra passou a acompanhá-lo em seus shows e novos músicos foram incorporados, como o flautista Eduardo Delgado e o violoncelista Antônio Viola.
Através do projeto "Acorde Minas", elaborado pela Strawberry Fields, sua gravadora, em parceria com a Rede Globo Minas, a Coordenadoria de Cultura de Minas Gerais e a TURISMINAS, no ano de 1983, Marco Antônio Araújo viajou por diversas cidades mineiras, conquistando um público crescente. Ele costumava virar as noites compondo e era considerado “louco”, um obcecado pelo seu trabalho e um viciado pela necessidade extrema de criar.
Discografia:
* Pepe Chaves é editor do jornal Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br). ** Informações fornecidas por Wikipedia. - Fotos: Wikipedia/divulgação - fotomontagem: Pepe Chaves. - Clique aqui para ler mais sobre Marco Antônio Araújo
- Produção: Pepe Chaves. © Copyright 2004-2011, Pepe Arte Viva Ltda.
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São Paulo: Luiz Guedes & Thomas Roth A dupla se encontrou por acaso em São Paulo, pouco depois assinavam contrato e lançariam dois legendários álbuns pela multinacional EMI.
Por Pepe Chaves* de Contagem-MG Para Via Fanzine
Luiz Guedes e Thomas Roth
ETERNA PARCERIA - Luiz Guedes, nasceu em Montes Claros-MG, era primo de Beto Guedes, consagrado compositor, instrumentista e cantor brasileiro, também natural daquela cidade norte-mineira, que por vários anos reside em Belo Horizonte. Thomas Roth, natural do Rio de Janeiro, teve formação paulista, por residir vários anos naquela capital.
Em entrevista concedida por Thomas Roth ao consultor de Via Fanzine Guilherme de Almeida (www.viafanzine.jor.br/entrevistas) em São Paulo, ele conta que conheceu Luiz Guedes quando este já residia naquela cidade e foi comprar uma fita magnética na loja em que trabalhava, mas já havia o visto nos bastidores de um programa musical da época.
O papo de música surgiu entre os dois e nascera ali uma amizade que se transformou em parceria musical. Logo que se conheceram, Luiz mostrou para Thomas, a gravação de uma canção do álbum Sol de Primavera, o segundo que seria lançado por seu primo, Beto Guedes e estava sendo gravado pela EMI. A música que Luiz mostrou a Thomas era Norwegian Wood (Lennon/MacCartney), com participação especial de Milton Nascimento nos vocais.
Mal sabiam ambos que, neste mesmo álbum de Beto Guedes, ainda seria inclusa uma canção de autoria da dupla com o letrista Murilo Antunes. Trata-se da faixa Como Nunca, que contou com a participação especial de Luiz Guedes nos vocais.
Pouco tempo depois, estavam contratados pela EMI e fazendo shows em diversas cidades do país. Pela EMI, lançaram os álbuns “Extra” (1981) e “Jornal do Planeta” (1982), além de discos compactos promocionais.
Apresentando elaborados arranjos instrumentais, poesia inteligente e requintada, a principal interface da música de Luiz Guedes & Thomas Roth, ora acústica, ora eletrônica, trazia como marca registrada, o protesto. Seja este, contra às agressões humanas à natureza, seja contra o próprio homem e o mundo confuso que o abriga. Em diversas de suas composições, notadamente, os músicos bradavam em prol de questões de cunhos sociais ou ambientalistas.
Dentro da MPB a dupla mostrou preocupação acentuada com a temática da preservação do meio ambiente terrestre e a ameaça nuclear ao nosso redor.
CANÇÕES DE PAZ, AMOR E PRESERVAÇÃO - Pregavam também a paz na Terra, como na otimista canção Milagre do Amor, que profetizava, “Quando a luz da esperança acender para sempre o amor vai guiar a nova geração, quando a força da mente for maior que a da fera a paz vai reinar em nossos corações”. A letra de Longe Demais, uma parceria de ambos com Paulo Flexa, aborda um provável esgotamento energético e o abuso do consumismo global, ainda naqueles longínquos anos de 1980, ao vir afirmar que, “Por toda Terra, jardins sem defesa, ferimos a natureza e amargo será provar os frutos da ambição. (...) Por quanto tempo mais? Se o tempo está contra nós? Já fomos longe demais...”.
No mesmo tom, corajosamente protestavam contra a utilização dos projetos nucleares, “Extra, deu no jornal da manhã outra manchete nuclear, traindo nossa esperança de ter um mundo novo, onde o amor será lei”, em frase da canção Extra. A composição Angra, cuja letra é curta e grossa, é um verdadeiro manifesto contra uma herança "suja" deixada pela ditadura militar brasileira: a criação das usinas nucleares de Angra dos Reis, instaladas no litoral do Estado do Rio de Janeiro. A canção questiona o futuro incerto, ao afirmar, “Angra, mistério do futuro, teu poder semeia novos medos, novos ventos sinais de tempestade, trindade nuclear, oh, Angra dos Reis”.
Em sua entrevista a Via Fanzine, Thomas Roth afirmou sobre a canção Angra, “Tomara a Deus, que esta música, na verdade, tenha sido uma previsão errada, porque a gente sabe que Angra é um paraíso... Aquilo é maravilhoso! Uma usina nuclear ali no meio é uma aberração total. É uma verruga enorme na ponta do nariz da Gisele Bündchen”.
As letras e melodias eram inseridas em meio a elaborados lençóis instrumentais, sobressaindo os apurados vocais de Luiz Guedes & Thomas Roth. Contudo, além dos temas de protesto, preservação e esperança, em sua carreira, a dupla espalhou muitas canções de amor e também sobre outras temáticas aleatórias e bastante originais.
Apesar de se tratar de uma dupla musical formada por um mineiro e um carioca que residiam em São Paulo, os trabalhos de Luiz Guedes & Thomas Roth trazem uma sonoridade própria, porém, transparece determinadas influências da música mineira daquela época. Tais influências podem ter surgido pelo contato e amizade mantidas com músicos integrantes do movimento musical mineiro conhecido como Clube da Esquina. Contudo, a dupla, por sua vez, veio também a influenciar, posteriormente, outros talentosos valores que viriam surgir na MPB.
Luiz Guedes & Thomas Roth tiveram inúmeras de suas canções gravadas por alguns consagrados intérpretes da MPB, entre eles, a “imortal” Elis Regina, que gravou Nova Estação, eternizando em sua voz, encorajadores versos que dizem, “Nova esperança, bate coração, renascer cada dia, com a luz da manhã. Despertar sem medo, enganar a dor, disfarçar esta mágoa que anda solta no ar”.
* Pepe Chaves é editor do jornal Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br).
- Colaborou: Guilherme de Almeida (São Paulo/SP).
- Fotos: Lua Records / EMI / Arquivo Via Fanzine.
+ sobre Luiz Guedes & Thomas Roth: www.luamusic.com.br/luizthomas.htm
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- Produção: Pepe Chaves. © Copyright 2004-2006, Pepe Arte Viva Ltda.
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