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 NASA

 

Telescópio Kepler:

Um mundo e dois sóis

Missão Kepler detecta astro parecido com Tatooine, lar de Luke Skywalker.*

 

Situação do novo planeta descoberto entre os dois astros solares.

 

Foi assim, usando o seu já tradicional marketing, que a Nasa (agência espacial americana) divulgou, nesta quinta-feira, a descoberta de um planeta que orbita ao redor de duas estrelas ao mesmo tempo, algo semelhante ao planeta imaginário Tatooine, presente na saga de ficção científica "Guerra nas Estrelas".

 

A apresentação aconteceu poucos dias depois da notícia do Observatório Europeu sobre a descoberta um planeta que potencialmente pode abrigar a vida.

 

Até aí tudo bem, mas para reforçar o marketing desta notícia a NASA convidou representantes do Instituto SETI, Laurance Doyle, e da empresa Industrial Light & Magic (ILM), uma divisão do Lucasfilm Ltd, John Knoll, que estiveram presentes no evento.

 

Os cientistas conheciam a existência de planetas circumbinários (que orbita duas estrelas), porém, esta é a primeira vez que conseguiram captar o movimento do planeta ao redor de seus dois sóis. A descoberta foi alcançada graças às imagens do observatório espacial Kepler.

 

A equipe liderada por Laurance Doyle - do Instituto SETI, da Califórnia - anunciou nesta quinta o novo planeta, que se chamará Kepler 16-B. Durante o anuncio, em entrevista coletiva, os cientistas intercalaram imagens reais com trechos do filme de George Lucas.

 

O novo planeta Kepler 16-B orbita em ambas as estrelas à vista do telescópio espacial Kepler. Os dois sóis também ofuscam um ao outro, o que permite medições bem precisas da massa e das trajetórias dos três corpos.

 

"Mais uma vez, o que costumava ser ficção científica se tornou realidade", declarou Alan Boss, um dos cientistas que participa do projeto, à revista "Science", que publicou a descoberta.

 

Kepler-16b, porém, teria uma atmosfera muito mais espessa e escura do que a de seu companheiro imaginário, e temperaturas gélidas que chegam a -100 ºC. Provavelmente incapaz de abrigar vida e em nada parecido com o deserto ensolarado de Tatooine.

 

Embora apresente uma densidade superior a média e viaje em uma órbita quase circular de 229 dias ao redor de suas duas estrelas, o novo planeta se parece com Saturno. Klepler 16-B foi detectado a cerca de 200 anos luz da Terra e demonstra a diversidade dos planetas existentes na Via Láctea, considerou Nick Gautier, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa em Pasadena, na Califórnia.

 

As duas estrelas representam 20% e 69% da massa do Sol, respectivamente, e seguem uma órbita original de 41 dias uma ao redor da outra, aponta o estudo.

 

O novo planeta foi observado em todo o seu "ano" e cientistas conseguiram determinar que o raio médio de sua órbita é de aproximadamente 100 milhões de quilômetros, dois terços da distância entre o Sol e a Terra.

 

Para confirmar a descoberta, porém, astrônomos precisaram encarar um desafio bem mais complexo, pois não tiveram de estudar apenas a órbita do novo planeta, que dura 229 dias.

 

As estrelas A e B também exercem força gravitacional entre si e mudam de posição o tempo todo em relação ao centro do sistema. Isso fez com que os períodos de órbita detectados pelos cientistas em um primeiro momento variassem entre 221 dias e 230 dias, um dado difícil de interpretar.

 

"Problema dos três corpos"

 

A relação gravitacional entre três objetos celestes – desafio conhecido pelos físicos como o "problema dos três corpos" – ainda é um problema para o qual não existe solução geral. Quando se estudam apenas dois objetos interagindo no espaço, a exata posição de cada um deles pode ser prevista no futuro simplesmente por meio da medição de sua trajetória e aplicação de uma fórmula. A inclusão de um terceiro corpo na equação, porém, torna tudo imprevisível.

 

"A atração gravitacional de cada estrela ao terceiro corpo varia com o tempo em razão das mudanças de posição dos três corpos", escrevem os cientistas em estudo na edição de hoje da revista "Science". O trabalho foi coordenado pelo astrônomo Laurance Doyle, do Centro Carl Sagan para Estudos da Vida no Universo.

 

Para lidar com o problema de medir a configuração orbital de um planeta mais duas estrelas, os cientistas tiveram de criar uma simulação do movimento dos astros. Usando um computador e um modelo matemático complexo para prever o comportamento do sistema de maneira aproximada, os pesquisadores conseguiram reproduzir a dança celeste em Kepler-16 com grande precisão.

 

O cenário que inicialmente se apresentou como desafio aos cientistas, afinal, acabou se apresentando como vantagem: um número maior de interações gravitacionais permitiu aos pesquisadores calcular com grande precisão a massa e o tamanho das estrelas, algo que nem sempre é possível em sistemas binários sem planetas.

 

Os astrônomos, por fim, conseguiram determinar a massa do planeta como sendo similar à de Saturno. Kepler-16b, porém, é um pouco mais denso, sendo composto provavelmente metade de gás e metade de elementos em forma sólida. (Saturno tem 2/3 de sua massa na forma de gás).

 

Dada a relação do planeta com suas estrelas, Doyle e sua equipe também levantaram a hipótese que o planeta tenha se formado no próprio disco de pó e gás que originou ambos os sóis.

 

Kepler é a primeira missão da Nasa capaz de encontrar planetas do tamanho da Terra na chamada "zona habitável", região em um sistema planetário onde pode existir água em estado líquido na superfície do planeta em órbita.

 

Mesmo com a necessidade de novas observações para atingir o objetivo proposto, Kepler já detectou planetas e candidatos a planetas de inúmeros tamanhos e distâncias orbitais. Segundo a Nasa, esse experimento pode ajudar a compreender melhor nosso lugar na galáxia.

 

Participaram do painel de cientistas para discutir a descoberta:

 

Charlie Sobeck, Kepler vice-gerente de projeto, Ames Research Center da NASA, em Moffett Field, Califórnia;

 

Nick Gautier, Kepler cientista do projeto, Jet Propulsion Laboratory da NASA, Pasadena, Califórnia;

 

Laurance Doyle, autor principal , SETI Institute, Mountain View, Califórnia;

 

John Knoll, supervisor de efeitos visuais, ILM, em San Francisco;

 

Greg Laughlin, professor de Astrofísica e Ciências Planetárias da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, Califórnia.

 

* Informações do blog Entro non Entro.

- Imagem: Nasa.

 

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