| |
CLIQUE AQUI
para saber mais sobre o trabalho do historiador
João Dornas Filho.
Belo Horizonte:
Bienal
do Livro de Minas 2010
A
segunda Bienal do Livro de Minas foi desenvolvida
pensando na qualidade e diversidade do
conteúdo.

Uma programação cultural rica e diversificada espera pelos
250 mil visitantes estimados para a segunda edição da Bienal do Livro de
Minas, que acontece entre os dias 14 e 23 de maio de 2010, no Expominas,
em Belo Horizonte, MG. Este ano, a organização do evento se concentrou em
oferecer ao público uma grade ainda mais dinâmica e especialmente
desenvolvida para atender a todas as faixas etárias e perfis. Para isso,
contará com a participação de um maior número de autores em áreas como o
Café Literário e Arena Jovem, aumento das atividades do Circo das Letras,
além da inclusão de novos espaços, a Goleada Literária e Vibrações
Poéticas.
O crescimento das vagas destinadas à Visitação Escolar é
outro destaque. O programa, que tem como premissa a aproximação entre os
estudantes e a leitura, receberá neste ano 42 mil alunos, contra 28 mil
estudantes em relação a 2008. "Estamos prevendo um crescimento de 50% de
estudantes que poderão participar da Bienal por meio deste programa”,
explica a gerente do evento, Tatiana Zaccaro. Haverá ainda a ampliação das
áreas de lazer e conforto para os visitantes; além da expansão de 50% da
área física ocupada no Expominas.
De acordo a Fagga Eventos/GL events Brasil e a Câmara
Mineira do Livro, organizadores do evento, a segunda Bienal do Livro de
Minas foi desenvolvida pensando na qualidade e diversidade do conteúdo. “A
cada edição buscamos novas formas para estimular ainda mais o hábito da
leitura. Vamos apresentar propostas diferentes, que vão aproximar ainda
mais os leitores do universo literário”, conta a vice-presidente da Fagga,
Andréia Repsold.
Ampliação
Este ano, a Bienal do Livro de Minas contará com um número
maior de sessões no Café Literário na Arena Jovem, o que resultará em um
total de aproximadamente 90 autores. De acordo com a escritora Guiomar de
Grammont, responsável mais uma vez pela curadoria destes espaços, a
intenção é promover o encontro entre leitores e escritores, despertando a
curiosidade pelo universo literário. Guiomar também é idealizadora do
Fórum das Letras de Ouro Preto e diretora do Instituto de Filosofia, Artes
e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP.
Além do aumento do número de sessões, a gerente de projetos
da Fagga Eventos, Tatiana Zaccaro, ressalta que o espaço físico do Café
Literário será ampliado para comportar, com mais conforto, um público
ainda maior. “Estamos investindo na infraestrutura de todo o evento para
garantir o bem-estar dos cerca de 250 mil visitantes que esperamos receber
nos 10 dias de evento. Esse número representa um aumento de mais de 10% no
número de visitantes em relação a 2008, quando a Bienal recebeu 225 mil
pessoas”, afirma a gerente. Para isso, serão investidos R$ 3,6 milhões,
25% a mais que em 2008.
Espaços
Café Literário
Ponto de encontro de autores e personalidades do meio
literário, no qual acontecem debates em sessões com temas variados, que
vão desde os desafios da criação literária até literatura e mitologias
ancestrais. Para o espaço, que tem capacidade para 168 pessoas, já estão
confirmados encontros com Alberto Mussa, Arthur Dapieve, Menalton Braff,
Paulo Markun, Ruy Castro, Zuenir Ventura, Mauro Ventura, Rubem Alves, Mary
Del Priore, Luiz Ruffato e Tatiana Salem Levy, além dos mineiros Jacyntho
Lins Brandão, Ronaldo Werneck, Joaquim Branco, Carlos Herculano Lopes,
Jaime Prado Gouvea, Pedro Maciel, entre outros. Entre as sessões
programadas, destaca-se a "Amigos para sempre", que vai homenagear
Tancredo Neves. O encontro vai acontecer no dia 14 de maio, na
inauguração do Café Literário, às 12h30.
Arena Jovem
Um espaço bem-humorado e descontraído, voltado
especialmente para adolescentes e jovens adultos. Escritores e
personalidades de diferentes áreas – artistas, músicos, jornalistas e
educadores – conversam sobre comportamento, educação, redes sociais,
futebol, música, entre outros temas. Para a Arena Jovem, estão confirmadas
as participações de Marcelino Freire, Dado Villa-Lobos, João Gabriel Lima,
João Alegria, Rosana Hermann e Paulo Cesar Araújo, entre outros.
Circo das Letras
O Circo das Letras é o espaço infanto-juvenil onde os
visitantes terão contato direto com o universo mágico dos livros. Em
formato de circo com picadeiro, luzes e cores, tudo com fácil acesso para
as crianças. As apresentações têm duração de cerca de vinte minutos e a
coordenação do projeto é da contadora de histórias e escritora Daniela
Schindler. “Era uma vez... Em um tempo distante... Assim começa a
narrativa, aquele que está a ouvir esse relato se prepara para abrir a
porta mágica. Para que a história se desenrole, faz-se de conta. Bem vindo
ao palco do Circo das Letras. Aqui serão encenados contos extraídos da
literatura oral. Máscaras, música, mímica, origami são algumas dos
recursos utilizados em cena”, ela recita.
Goleada Literária
Um espaço dedicado ao tema mais comentado na véspera da
Copa do Mundo, assim será esta nova área da Bienal do Livro de Minas. Em
forma de “reunião de concentração“, a Goleada Literária oferecerá uma
grade de palestras sobre o tema, nos finais de semana do evento. Ao todo,
serão quatro bate-papos com jogadores, técnicos de futebol, jornalistas
esportivos, escritores e/ou personalidades. Além das sessões oficiais,
organizadas pela Bienal, as editoras expositoras desta área poderão
organizar sessões de autógrafos, debates e outras atividades ligadas ao
mundo do futebol.
Vibrações Poéticas
Em 2010, fazendo justa homenagem à vocação natural de Minas
Gerais para a poesia, a Bienal de Minas cria o espaço "Vibrações
Poéticas", onde o visitante poderá ter o prazer de ouvir poetas
contemporâneos de Minas e de outras paragens lendo seus próprios poemas.
Será nos sábados e domingos (15/16/22/23 de maio) a partir das 14h, e
contará com a participação de Fabrício Carpinejar, Marcelino Freire,
Claufe Rodrigues, Marcelo Dolabela, Fernanda Melo, entre outros.
Coordenação de Mario Alex Rosa, Wilmar Silva e José Aloise Bahia. A poesia
faz parte da vida dos mineiros, tanto no quotidiano quanto na música. A
invenção poética é praticada com naturalidade, na cidade e nas regiões
mais longínquas do estado. Essas paisagens, em que a natureza e a história
se encontram, estão na origem da obra de poetas como Carlos Drummond de
Andrade, Murilo Mendes e Affonso Ávila, entre outros, e inspiraram muitos
poetas que por aqui passaram.
Auditório José
Mindlin
Com capacidade para 120 pessoas, o Auditório José Mindlin
contará com a sessão “O que é qualidade em Literatura Infantil e Juvenil?
Com a palavra, escritores, ilustradores e educadores”. Com curadoria e
mediação de Ieda Oliveira, o debate acontecerá no dia 20 de maio, das 14h
às 16h, e contará com a participação de Bartolomeu Campos de Queirós, Leo
Cunha, Marilda Castanha e Rosa Helena Mendonça.
Bienal na Web 2.0
Em 2010, a Bienal do Livro de Minas gerais ganha presença
forte na internet. Já estão no ar o site oficial (www.bienaldolivrominas.com.br),
um blog (www.bienaldolivrominas.com.br\blog)
e o Twitter (@bienaldolivromg). Os visitantes também serão criadores
ativos das páginas através da inclusão de fotos, vídeos e comentários. Em
paralelo, haverá a cobertura do evento pelo Twitter, com dicas,
promoções-relâmpago e divulgação de novidades e atrações, além de ações de
relacionamento no Orkut e Facebook. “A Bienal por si só já é fomentadora
de conteúdo. O nosso objetivo é nos aproximar cada vez mais do público
leitor que está online”, revela a vice-presidente da Fagga Eventos,
Andreia Repsold.
- Mais
informações com a programação completa:
www.bienaldolivrominas.com.br
-
Colaborou: José Aloise Bahia (BH).
* * *
Lançamentos:
2008: três livros e uma revista
Por
José Aloise Bahia*
De
Belo Horizonte-MG
Para
Via
Fanzine
1
Aleijadinho e o Aeroplano: o paraíso barroco e a
construção do herói colonial (Guiomar de Grammont, Civilização
Brasileira/Editora Record, Rio de Janeiro, RJ, 2008, 322 Páginas, R$ 45):
seria simplesmente uma tese!? Um longo ensaio!? Uma ficção!? Uma
biografia!? O grande exercício intelectual e estético são as interconexões
na leitura, reunión de gêneros literários, em mais de três centenas
páginas e dezenas de referências bibliográficas nacionais e estrangeiras,
numa temática instigante. Polêmica magnífica. A filósofa, historiadora,
professora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), doutora em
Literatura Brasileira (USP) e premiada escritora mineira Guiomar de
Grammont, numa linguagem envolvente, análise profunda e rica em
informações, estuda com inteligência a construção do mito, a vida e a obra
de Antônio Francisco Lisboa, natural de Vila Rica, MG, o Aleijadinho
(1730-1814), artista plástico mais importante do Brasil de todos os
tempos. A pesquisadora transita minuciosamente à procura de verdades ou
verossimilhanças: a autoria ou não de determinadas obras atribuídas a
Antônio Francisco Lisboa, a sua formação como entalhador, arquiteto, a
origem familiar e o seu estilo escultural.
Destaque especial para o capítulo 1 (A gênese do “herói
barroco”), ao entrecruzar e refletir com lucidez os conceitos do “homem
barroco” em Affonso Ávila e José Lezama Lima, para conceber uma visão
admirável sobre o barroco mineiro. Outro capítulo que merece uma leitura
mais atenta é o 4 (Aleijadinho, estilo e autoria). A partir das idéias de
Michel Foucault e Roger Chartier, vai além e demonstra uma das questões
centrais levantadas, controvérsia entre muitos historiadores
contemporâneos: a ubiqüidade de Aleijadinho. E analisa as críticas,
estudos estilísticos e ambigüidades que perpassam as várias teorias
levantadas, sem jamais descaracterizar e refutar, por parte da autora, a
genialidade do artista. Um dos melhores livros do ano - com ilustrações,
digno de uma leitura atenciosa, calma e reflexiva -, que afirma e
interroga o processo de formação do mito Aleijadinho através da História
do Brasil, sem ficar preso aos discursos históricos oficiais e fórmulas
herdadas.
2
Sortilégio (Edson Cruz, Editora Demônio Negro,
São Paulo, SP, 2007, 92 Páginas, R$ 20): livro bilíngüe
(português/espanhol) de estréia, repleto de artifícios poéticos sonoros.
Enviesado por composições curtas, longas e singulares. Os limites
invisíveis são enfeitiçados pela linguagem Sambaquis de signos em
movimentos. Caieiras. Edson Cruz ferve a boa poesia, tal qual o “forno
onde se calcina/ a cal da memória”. Como observa o professor da
Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e escritor uruguaio
Eduardo Milán, “mescla a uma ironia controlada que a veces, saludamente,
desbarra em ira”. Na seção Parabolês - a melhor e mais consistente de
todas - temos suítes longas e afiadas.
Em Cidade imaginária, a rima desconcertante nutre a busca
indignada, incessante, em meio às tempestades e o sol tórrido. O poema
transcendental, em transe, diálogo com o Oriente e stand-by
existencialista, reflete a roda do mundo, na qual “a cidade é imaginária,
pura névoa cármica”. Ao Multiplicar-se em partituras preciosas, processo
sólido da escrita, Edson Cruz, editor-fundador do Portal de Literatura &
Arte Cronópios, apresenta-nos uma antologia - o livro lembra uma antologia
- afirmativa/reafirmativa, com vôos prodigiosos para o futuro. Intrépido
“feito gato no cio” é um quelônio pertinaz “na contingente luz verde que
se revela”, e antevê/vê com maestria “o sândalo na onda indo noutra
direção”.
3
Um dia, o trem (Fernando Fiorese, Nankin
Editorial, São Paulo, SP, 2008, 48 Páginas, R$ 15): poesia da mais
alta qualidade, impactante, com imagens engenhosas, sem jamais cair no
excesso de sentimentos. Na realidade, o livro tem um lirismo com requintes
grandiosos. Metafísico. Caminhos, ir e vir - um devir - que pulsa na
tensão pai-filho-pai-filho, enlace com ternura, articulados num ritmo
extraordinário; a sagrada confluência, ou encruzilhada, de versos, prosas,
ressonâncias e enigmas silenciosos. Híbrido. Lembra uma Maria Fumaça
percorrendo seus trilhos numa viagem reflexiva, sinuosa, sem perder o tom
e flashes poéticos, indagando quem é ela/ele na travessia e para onde vai
- o menino, o pai, por extensão, quem somos nós e para onde vamos.
Fernando Fiorese, jornalista, escritor e professor da
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que comemora com Um dia, o
trem 25 anos de publicação do seu primeiro livro, sussurra
paisagens/passagens em bitolas amplas de letra, forma e ferro, banhados
pelo despertar do carvão e da fumaça, de uma maneira bem mineira.
Cinematográfico. Murilamendes falando, telegrafa e desloca o tempo, a
temperatura e as estações: "as pessoas são frases, fases". A sua bagagem é
um trem-metáfora, um parêntese que apita eternamente. "A infância é
ferroviária".
4
Não poderia deixar de mencionar a excelente revista
comemorativa dos dois anos da Confraria do Vento (Editores Márcio-André,
Ronaldo Ferrito e Victor Paes, Editora Confraria do Vento, Rio de Janeiro,
RJ, 2007, 140 Páginas, R$ 27). Recebi o exemplar em 2008 - assim como o
livro mencionado acima do escritor Edson Cruz. O projeto gráfico, visual,
ensaios (distinção para Poesia e Imagem, de autoria do argentino Raul
Antelo), poesias, contos, traduções e imagens (Jean Baudrillard e Fernando
Figueiredo, exímios) são “Make it new”. 71 autores. Renovação, qualidade e
pluralidade. Vamos aguardar o próximo número...
* José
Aloise Bahia (Belo Horizonte/MG). Jornalista, escritor, pesquisador,
ensaísta e colecionador de artes plásticas. Estudou economia (UFMG).
Graduado em comunicação social e pós-graduado em jornalismo contemporâneo
(UNI-BH). Autor de Pavios Curtos (Anomelivros, BH, MG, 2004). Participa da
antologia O Achamento de Portugal (Fundação Camões, Lisboa, Portugal e
Anomelivros, 2005) e dos livros Pequenos Milagres e Outras Histórias
(Grupo Galpão, Editoras Autêntica e PUC-Minas, BH, MG, 2007) e Folhas
Verdes (Edições A Tela e o Texto, FALE/UFMG, BH, MG, 2008).
josealoise@terra.com.br.
* * *
Lançamento:
‘O Grande Livro dos Portugueses Esquecidos’
Livro de Joaquim Fernandes resgata vida e
obra
de eminentes portugueses esquecidos pelo
tempo.
Da
Redação
Via Fanzine*

O professor Joaquim Fernandes, historiador e docente da
Universidade Fernando Pessoa, no Porto, em Portugal, está lançando “O
Grande Livro dos Portugueses Esquecidos” (Temas&Debates&Círculo de
Leitores, 2009).
O prefácio é assinado por Carlos Fiolhais, que aponta,
sobre os portugueses esquecidos, “Cientistas,
escritores, matemáticos e inventores que deixaram um importante contributo
em áreas como a química, a lógica, a física, a medicina. Resgatando muitas
dessas figuras ao esquecimento, o historiador Joaquim Fernandes
concretizou uma inédita pesquisa sobre os homens e mulheres que deixaram
uma inquestionável marca na História”.
Também a crítica portuguesa opinou sobre a nova obra do
professor Fernandes, “Deveria ser um manual
escolar”, afirmou Tiago Cavaco, para a Revista Ler. Para Cavaco, “É
revelador que O Grande Livro dos Portugueses Esquecidos seja também e em
grande medida uma coleção dos mais nobres traidores da Pátria. Traição
aqui como a mais sublime devoção possível a um país. Boa parte desses
valorosos concidadãos foi em vida apelidada de Judas pela sua própria
terra. O mínimo que se espera é postumamente fazer justiça às suas
memórias”.
Tiago Cavaco destacou também alguns inventivos portugueses,
incompreendidos e injustiçados pela história, “Sabia
que na corte de Catarina, a Grande, existia um médico português? Próximo
da czarina, Ribeiro Sanches serviu a soberana russa sendo considerado um
dos grandes precursores da reforma pombalina. Em Londres ardeu em praça
pública Cavaleiro de Oliveira, escritor e diplomata que não se quis calar
editando polêmicos escritos. Encarcerado na Junqueira morreu aquele a que
os alemães chamaram de ‘Newton português’ – Bento de Moura, físico e
inventor. Herói da independência do Brasil, Andrade da Silva descobriu o
terceiro elemento químico, o lítio”.
Nesta sua nova obra, o professor Fernandes, faz jus a
portugueses talentosos, lutadores e, por vezes, ignorados em vida. São
destacados os atribulados percursos de vida de homens e mulheres que,
dentro ou fora do país, deixaram um inquestionáveis contribuições. “Esquecidos,
mas de extraordinárias vidas, é na verdade uma aventura a descoberta
destes portugueses pelo mundo...”, afirma Fernandes.
No prefácio, Carlos Fiolhais, destaca o valor histórico do
presente documentário, “A identidade nacional faz-se
a partir da memória, mas a memória portuguesa é estranhamente seletiva. O
historiador Joaquim Fernandes, neste seu livro bem documentado sobre os
‘portugueses esquecidos’, vem lembrar-nos muitos nomes que, apesar de o
merecerem, não têm conseguido passar no crivo da nossa memória coletiva.
As razões serão as mais variadas. Mas talvez a mais comum seja o fato de
grande parte desses notáveis se terem ausentado do seu país natal (ou
permanecido ausentes do país natal de seus pais). Muitos deles perseguidos
na sua própria terra foram para longe e ficaram longe na nossa memória.
Outros ficaram por cá, desafiando condições difíceis, mas foi como se
tivessem ido para longe. Também foram injustamente ignorados”.
Na introdução da obra, justiça o autor, “Invocamos
neste inventário – que não poderia ser definitivo, antes ilustrativo – o
tríptico em que assenta o afrontamento e a incompreensão da sociedade
portuguesa perante muitos criadores e pensadores da diversidade científica
e cultural, das heterodoxias ideológicas e religiosas: errância,
ignorância, intolerância, definem, a nosso ver, os nódulos conflituais que
resulta(ra)m do cruzamento entre as minorias mais inconformistas e o corpo
maioritário da nação”.
Sobre a pretensão de resgatar e também resguardar o nome e
trajetórias de eminentes portugueses que deixaram valorosos legados não
somente a Portugal, mas a todo mundo, afirma Fernandes que, “Pretende-se
com esta divulgação histórica recuperar a memória de um longo cortejo de
portugueses cuja obra, vilipendiada ou cerceada por obstáculos ideológicos
vários, se diluiu nas ruínas de uma injusta amnésia coletiva. De uma forma
didática, este espaço visa ajudar à formação de uma opinião leitora mais
crítica que propicie novos espaços para a tolerância, incentive o reforço
da nossa auto-estima comum e incorpore um conhecimento mais justo dos
préstimos da cultura científica portuguesa para a constituição do saber
universal”.
* Com informações e
imagem fornecidas pelo autor.
* * *
Lançamento:
‘Memória da imprensa
contemporânea da Bahia’
Livro organizado pelo professor Sérgio
Mattos é lançado pelo Instituto Geográfico da Bahia.

O Instituto Geográfico da Bahia lança o livro “Memória da
imprensa contemporânea da Bahia”. A obra é organizada pelo professor
doutor Sérgio Mattos, que é também colunista do jornal A Tarde, de
Salvador e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Falando conosco, o professor Mattos afirmou que, “o
objetivo é resgatar parte da historia contemporânea do jornalismo local
contada a partir de depoimentos dos próprios jornalistas”.
O livro “Memória da imprensa contemporânea da Bahia” tem
lançamento no dia 15 de julho de 2008, das 18 às 21h, no Panteon do
Instituto Geográfico da Bahia.
* * *
Rio de Janeiro:
A Festa Literária
Internacional de Paraty
Evento reúne escritores na cidade histórica
carioca.

Luís Melodia
Em agosto de 2003, a Festa Literária Internacional de
Paraty (FLIP) tornou-se a caçula da família de importantes festivais
literários como Hay-on-Wye, Adelaide, Harbourfront de Toronto, Festival de
Berlim, Edimburgo e Mântua. Com a presença de autores mundialmente
respeitados, como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm e Hanif
Kureishi, a primeira FLIP estabeleceu um padrão de excelência às edições
seguintes. Em um curto período, ficou conhecida como uma das principais
festas literárias internacionais, sendo reconhecida pela qualidade dos
autores convidados, pelo irresistível entusiasmo de seu público e pela
descontraída hospitalidade da cidade.
A FLIP já recebeu alguns dos grandes nomes da literatura
mundial, como Salman Rushdie, Ian McEwan, Martin Amis, Margaret Atwood,
Paul Auster, Anthony Bourdain, Jonathan Coe, Jeffrey Eugenides, David
Grossman, Lidia Jorge, Pierre Michon, Rosa Montero, Michael Ondaatje,
Orhan Pamuk, Colm Toíbín, Enrique Vila-Matas, Jeanette Winterson, J. M.
Coetzee e Marcello Fois.
Dos brasileiros, alguns dos autores mais talentosos já
estiveram na FLIP, como Ariano Suassuna, Ana Maria Machado, Milton Hatoum,
Millôr Fernandes, Ruy Castro, Ferreira Gullar, Luis Fernando Verissimo,
Zuenir Ventura, Barbara Heliodora, Ruy Castro e Lygia Fagundes Telles,
além de ícones da cultura brasileira como Chico Buarque e Caetano Veloso.
Com um repertório eclético de convidados – do dramaturgo
inglês Tom Stoppard à psicanalista Elisabeth Roudinesco, do quadrinhista
Neil Gaiman à roteirista argentina Lucrecia Martel –, a sexta edição da
FLIP confirma mais que nunca sua vocação a mercado cosmopolita de todo
tipo de idéias manifestadas através da palavra escrita.
A cada ano a FLIP homenageia um expoente das letras
brasileiras. No primeiro ano, em 2003, celebrou-se o poeta e compositor
Vinicius de Moraes (1917-1980). João Guimarães Rosa (1908-1967) foi o
homenageado no ano seguinte. Em 2005 foi a vez de Clarice Lispector
(1920-1977), em 2006, do baiano Jorge Amado (1912-2001), e, em 2007, do
jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Em 2008, ano do
centenário da morte de Machado de Assis (1839-1908), a FLIP presta
homenagem ao grande escritor carioca.
A música brasileira, uma das maiores riquezas da nossa vida
cultural, não poderia estar ausente da FLIP. Os shows de abertura, que já
valeriam a ida a Paraty, ofereceram aos convidados a chance de assistir
Chico Buarque, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mônica
Salmaso, Adriana Calcanhoto e José Miguel Wisnik, Orquestra Imperial e
Maria Bethânia darem as boas-vindas aos visitantes da FLIP.
Enquanto a programação principal acontece na Tenda dos
Autores e é transmitida ao vivo na Tenda do Telão, vários outros eventos
ocorrem simultaneamente em diversos locais. A Oficina Literária, destinada
a jovens aspirantes a escritor, é realizada por grandes autores
brasileiros e internacionais. Há também uma programação exclusiva para as
crianças – a FLIPINHA –, em que jovens estudantes de Paraty apresentam o
resultado de seus trabalhos inspirados no universo literário e participam
de palestras com autores convidados. O sucesso da Festa também estimulou o
desenvolvimento de uma programação de leituras, shows e lançamentos de
livros, batizada de Off-FLIP.
Paraty é uma cidade litorânea contornada pelo mar
azul-turquesa da baía da Ilha Grande e por grandes faixas intactas de mata
atlântica. Localizada a aproximadamente quatro horas de carro do Rio de
Janeiro e de São Paulo, esse antigo porto, de onde se enviava a maior
parte do ouro do Brasil ao Velho Mundo, é uma cidade histórica que atrai
muitos eventos culturais. Poucos locais poderiam ser mais agradáveis para
sediar a FLIP que esta charmosa cidade. Suas ruas de pedra propiciam
encontros casuais proveitosos, enquanto restaurantes e bares convidam a um
bate-papo descontraído. As pousadas e os serviços oferecem excelente
padrão de qualidade.
Desde a primeira edição, o crescimento da Festa Literária
está intimamente ligado à vida e às necessidades de Paraty. Artistas
locais, comerciantes, hoteleiros e donos de restaurantes acolhem a FLIP,
que, por sua vez, mantém os habitantes locais ativamente envolvidos. Por
tudo isso, a FLIP se destaca de outros encontros literários contribuindo
para a atmosfera alegre e calorosa que tem caracterizado esse grande
evento.
*
Informações e foto do site do evento:
www.flip.org.br.
* * *
Amazônia, ainda há solução
Amazônia, a floresta
assassinada: falta muito pouco para matá-la de vez.
Por
José Aloise Bahia*
De
Belo Horizonte-MG
Para
Via Fanzine
www.viafanzine.jor.br

Coleção Repórter Especial
Editoras Terceiro Nome e
Mostarda (São Paulo, SP)
86 páginas R$ 16,00.
Não são
somente os pólos que estão derretendo por causa do efeito estufa. Também
outros lugares grandes e importantes da natureza sofrem de maneira
impiedosa a marca do homem e seu desatinado senso de progresso. Imaginem a
Terra sem a Amazônia. É esse o cenário a longo prazo das pesquisas
mundiais, com previsões impactantes sobre o destino da floresta. Todavia,
ainda há tempo a curto e médio prazo para refletir, agir com sensatez e
mudar o destino da maior área verde do planeta, como veremos na parte
final do texto.
No
livro-reportagem Amazônia, a floresta assassinada: falta muito pouco
para matá-la de vez (Editoras Terceiro Nome e Mostarda, São Paulo, SP,
2007), de autoria do jornalista Sérgio Adeodato - prêmio Ethos de
Jornalismo Ambiental 2005 pelo trabalho de pesquisa sobre o tema -
observamos que a maior floresta tropical do planeta já perdeu 17% de sua
área. Os cálculos dos cientistas do programa Cenários Para a Amazônia,
coordenado pela organização norte-america Woods Hole Research Center
e pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (IPAM), com
sede em Belém, PA, indicam que, se os índices de desmatamento continuarem
como os atuais, na melhor das hipóteses os números pulariam dos cerca de
28 mil quilômetros quadrados para 48 mil quilômetros quadrados de
florestas destruídas por ano, a partir de 2030.
São dados
alarmantes. Isso significa que, se nada for feito para conter a
devastação, até o final do século 21 os atuais 3,3 milhões de quilômetros
quadrados que restaram da floresta brasileira poderão diminuir 50%.
Se o ritmo destruidor não for contido com
programas objetivos, a grande floresta nativa vai desaparecer entre 2050 e
2070, sendo substituído por pedaços isolados de matas cercadas por
pastagens, agricultura mecanizada e vegetação secundária. De acordo com o
biólogo Enrico Bernard, da Conservação Internacional, a floresta
ficará fragmentada em pedaços cada vez menores, reduzindo o tamanho mínimo
de área indispensável para a sobrevivência das espécies de animais, o que
compromete a biodiversidade e o cruzamento genético entre elas, levando-as
à extinção.
Até quando a Amazônia resistirá? Eis a questão
central que preocupa principalmente os moradores dos vários estados da
região Norte do país. Principalmente, em conseqüência da abertura de
estradas, da mineração desenfreada, do desmatamento galopante e da
urbanização contínua. Uma corrente de cientistas sustenta que a Amazônia
poderá se transformar numa grande savana, de vegetação bem mais seca e
rasteira, como o cerrado, e pode até virar um deserto. Parece ficção, mas
não é. Vejam o destino da mata atlântica brasileira, que no passado tinha
dimensões continentais, ocupando toda a faixa litorânea do país, e hoje
está reduzida a menos de 8% do seu tamanho original.
Estima-se que as rodovias, estradas secundárias
e ramais de acesso a povoados amazônicos construídos até o momento foram
responsáveis pelo desmatamento de 250 mil quilômetros quadrados de
florestas - mais do que uma década de derrubada de árvores na região,
considerando as taxas anuais. As rodovias desenham o mapa da região. Além
da atividade dos madeireiros e o aumento das pastagens, outro fator que
perturba é o avanço da monocultura da soja e algodão na borda da floresta.
Pois o cultivo da soja atrai estradas. E quanto mais estradas, mais
migrantes chegam para queimar e cortar árvores.
Todavia, ainda há soluções. O elenco de
reflexões e ações incluem uma maior presença do poder público, mobilização
social e valorização econômica da floresta em pé. O livro de Sérgio
Adeodato apresenta uma série de propostas fundamentais que devem ser
adotadas a curto e médio prazo: implementar com maior ênfase o Plano
Nacional de Combate ao Desmatamento e regularizar a posse da
terra, a taxação de impostos pesados para as atividades econômicas
destrutivas, corte de incentivos fiscais, restrições para a abertura de
novas estradas e a exigência de relatórios ambientais prévios para
projetos alternativos de emprego e o zoneamento agro-ecológico com
definição sobre os vários usos do território pelos estados e municípios.
Outra sugestão é criar mais parques nacionais e
reservas ecológicas em áreas protegidas por lei como estratégia para
preservar a biodiversidade. Na Amazônia, as áreas de proteção integral
ocupam somente 5% da região – a proposta dos pesquisadores e
ambientalistas é que sejam ampliadas para 10%. No caso das unidades de
conservação abertas para a exploração sustentável da floresta, a meta é
elevar dos atuais 9% para 40% da Amazônia, aumentando a geração de renda e
reduzindo as ameaças de destruição das áreas mais sensíveis.
A região amazônica tem hoje mais de 1,2 mil
cientistas com títulos de doutor e concentra 3% dos investimentos
nacionais em ciência e tecnologia. Muito pouco. Precisaria duplicar esses
números, nos próximos 10 anos para que o volume de investimentos por
habitante acompanhe a média brasileira. A partir das pesquisas, a idéia é
formar parcerias entre ONGS e o governo federal (Ministério do Meio
Ambiente) e construir um grande banco de dados e informações como suporte
para a definição de políticas de governo e para o desenvolvimento
regional.
*
José Aloise Bahia
(Belo Horizonte/MG). Jornalista, pesquisador, ensaísta e escritor. Estudou
economia (UFMG). Graduado em comunicação social e pós-graduado em
jornalismo contemporâneo (UNI-BH). Autor de Pavios Curtos (Anomelivros,
Belo Horizonte, MG, 2004). Participa da antologia O Achamento de
Portugal (Fundação Camões, Lisboa, Portugal e Anomelivros, 2005) e do
livro Pequenos Milagres e Outras Histórias (Grupo Galpão, Editoras
Autêntica e PUC-Minas, 2007).
josealoise@terra.com.br.
* * *
São Paulo:
Zil
Miranda aborda desempenho da Embraer
Empresa brasileira é destaque no mundo dos negócios
aeronáuticos.
Da Redação
Via Fanzine
www.viafanzine.jor.br

A escritora Zil Miranda lançou nesse dia 17/12,
seu livro O vôo da Embraer (Editora Papagaio), obra que aborda a
competitividade brasileira na indústria de alta tecnologia aérea.
A Embraer, empresa de capital nacional tem se
destacado no mundo dos negócios aéreos ao exportar para diversos países
suas aeronaves para uso comercial fabricadas no Brasil.
O lançamento do livro O vôo da Embraer,
aconteceu no Bar Balcão (rua Mello Alves, 150, São Paulo-SP), a partir das
19h do dia 17/12/2207. A produção do livro é uma iniciativa da Editora
Papagaio e do Departamento de Sociologia da USP, com apoio da FAPESP.
- Para adquirir peça para
livros@editorapapagaio.com.br.
* * *
Rio de Janeiro:
Kneipp
na Bienal do Livro
Articulista de Via Fanzine estará autografando sua obra
“A Teia do Caracol”, ao lado do co-autor, Pedro Toledo.

O cronista e autor Márcio Kneipp, articulista de
Via Fanzine estará participando da XIII Bienal do Livro no Rio
de Janeiro. Kneipp estará acompanhado de seu parceiro Pedro Toledo. Ambos
são autores do livro “A Teia do Caracol” (Nitpress), lançado em
2006.
O livro aborda a criminalidade no Brasil, com
ênfase para o Rio de Janeiro. Na obra, os autores, cobram soluções das
autoridades que, passivas ou coniventes com o mundo do crime, não têm
desempenhado com êxito suas funções, o que faz da vida do povo brasileiro
um verdadeiro terror.
A bienal estará aberta ao público de 13 a 23 de
setembro. Kneipp e Toledo estarão autografando o livro “A
Teia do Caracol” no estande da editora Nitpress, no dia 16/09, a
partir das 17h, no Rio Centro (avenida Castro Alves, Pavilhão Laranja).
+ sobre Márcio Kneipp:
Pagina oficial:
http://www.viafanzine.jor.br/kneipp
Entrevista exclusiva com Kneipp e Toledo:
http://www.viafanzine.jor.br/entrevistas7.htm
+ sobre
“A Teia do Caracol”:
http://www.viafanzine.jor.br/caracol.htm
* * *
Mídia
Controlada:
Livro acende o necessário
debate em torno da censura
Carlos
Eduardo Lins da Silva*
Especial
para a
Folha de S.Paulo

Mídia Controlada - livro
de Sérgio Mattos
A liberdade de expressão é uma das mais
importantes conquistas democráticas da história. Todos os países do mundo
passaram a maior parte de sua história sem desfrutar desse bem, atualmente
considerado indispensável para o convívio social construtivo.
Os brasileiros conquistaram esse direito há
muito pouco tempo. Mesmo assim, ele ainda sofre ameaças graves, como se
percebe em diversas iniciativas de poderes políticos diversos com o
objetivo de restringi-lo ou mesmo eliminá-lo simplesmente.
O jornalista e professor Sérgio Mattos acaba de
lançar um livro de extrema utilidade para a preservação dessa
prerrogativa. Com extraordinário poder de concisão, ele traça em "Mídia
Controlada" um histórico abrangente da censura no Brasil e no mundo.
Para demonstrar como é atual e necessário esse
tipo de debate, Mattos abre o seu trabalho com exemplos muito recentes de
tentativas de atentar contra a liberdade de expressão neste país por parte
de instrumentos de Estado.
Para não se ater ao Poder Executivo, origem das
três situações citadas, Mattos talvez devesse ter incluído a ação de
juízes, que têm determinado apreensão de livros e proibido a veiculação de
informações sobre determinados temas em veículos jornalísticos.
'O problema principal desse tema deriva do fato constatável
e bastante humano de que todos são a favor da liberdade
de expressão quando fazem o papel de estilingue'
Mas isso, de modo algum, diminui a importância e
a abrangência do estudo de Mattos, que analisa diversos países, inclusive
os Estados Unidos, sociedade onde a liberdade de expressão talvez esteja
mais enraizada e, mesmo assim, como mostra o autor, ainda sofre
intimidações, como se observa desde o 11 de Setembro de 2001.
No Brasil, apesar do artigo 220 da Constituição
de 1988, formalmente continua a viger a Lei de Imprensa (a 5.520, de 1967)
do regime militar.
Embora tenha sido relegada à irrelevância, ela
sobrevive e pode ser usada se alguém desejar fazer assim - como o
presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) no processo que moveu
contra Otavio Frias Filho, diretor de Redação da Folha, em 1991. Essa é
uma das inúmeras demonstrações absurdas de como o emaranhado de leis cria
obstáculos para a consolidação das instituições no país. É essa rede de
conflitos e inoperância que permite a ocorrência de abusos desmedidos
contra a liberdade de expressão, apesar do claro desejo dos
constitucionalistas para que isso não acontecesse.
Mattos discute se deve haver uma nova lei de
imprensa. Cita os que alertam para o perigo de criar uma "indústria das
indenizações" se o anteprojeto em debate no Congresso vier a ser aprovado
com o texto atual.
Talvez o mais recomendável seja simplesmente não
haver nenhuma lei de imprensa. Que os excessos do usufruto da liberdade de
expressão sejam punidos pela lei penal comum, que já prevê sanções a quem
cometa calúnia, injúria e difamação.
A experiência nacional é que a fartura de
instrumentos legais, longe de auxiliar a sociedade, com freqüência a
prejudica. Mattos se restringe em seu livro à ação do Estado no
cerceamento (ou tentativa de) à liberdade de expressão.
Poderia, se o quisesse, ampliar o espectro e
analisar como a criação de oligopólios econômicos da iniciativa privada
também coloca em risco esse direito.
A convergência de meios de comunicação e a
concentração setorial na economia se constituem em poderosos instrumentos
capazes de ferir aos interesses da cidadania, como se tem visto em
diversos incidentes nos EUA e em outros países.
É legítimo, porém, o objetivo do autor de se
ater apenas à relação entre Estado e meios de comunicação. Afinal, é ele
quem tem o monopólio do poder de censura formal e é dele que, com
freqüência, emanam os principais atentados à liberdade de expressão.
O problema principal desse tema deriva do fato
constatável e bastante humano de que todos são a favor da liberdade de
expressão quando fazem o papel de estilingue, mas se sentem tentados a
impedi-la quando passam à condição de vidraça.
Raros são os que mantêm a coerência de
princípios quando se sentem prejudicados pelo uso da liberdade de
expressão. Esses, especialmente quando chegam à condição de governantes,
são os grandes heróis desse direito.
Felizmente, a sociedade brasileira teve a sorte
e o engenho de ter contado com pessoas capazes desse prodígio no período
em que os alicerces da democracia foram erguidos no fim da década de 80.
Ainda há muito a ser feito para que todo o
edifício democrático se consolide. Manter, expandir e garantir a liberdade
de expressão é uma das tarefas mais fundamentais para tanto.
Livros como o de Sérgio Mattos, capazes de
motivar e ampliar o debate sobre esse tema, são instrumentos importantes
para que isso ocorra.
*
Carlos Eduardo Lins da Silva é jornalista e diretor da Patri Relações Governamentais e
Políticas Públicas.
- Crítica
publicada pela Folha de S.Paulo no dia 02/01/2006.
O livro Mídia Controlada: a história da censura no
Brasil e no mundo (232 páginas, R$ 30,00) de Sérgio Mattos, pode ser
adquirido nas principais livrarias do Brasil ou através da
Editora
Paulus
pelo e-mail: editorial@paulus.com.br
ou telefone (11) 5084-3066 e fax (011) 5579-3627. O endereço postal da
Editora Paulus é: Rua Francisco Cruz, 229 – Cep 04117-091 – São Paulo -
SP- Brasil. Web site:
www.paulus.com.br.
-
Para saber mais sobre
Sérgio
Mattos:
Entrevista ao portal Via Fanzine:
http://www.viafanzine.yan.com.br/entrevistas3.htm
Home
page oficial:
www.sergiomattos.com.br
Blog:
http://smattos.blog.com e
http://metasigma.multiply.com
* * *
'Cinema dos anos 90'
novo livro de Denilson Lopes*
O
cinema está hoje no lugar em que a pintura e a literatura estavam no
século XIX.

Novo livro
de Denílson Lopes reúne coletânea com 23 artigos
sobre filmes de longa metragem lançados no Brasil dos anos
90.
A década de 90 talvez seja lembrada no campo da
cultura pelas discussões da Pós-Modernidade e da globalização, em especial
pelas marcas dos produtos culturais criados. O cinema, pensado como
resultado das idéias e das condições sociais, econômicas e culturais que
estimulam e delimitam sua produção, é uma reflexão sobre os traços
deixados pelas relações entre o estético e o cultural daquela época “Creio
que ainda vivemos um longo período iniciado nos anos 70, quando os
movimentos de vanguardas entraram em declínio, os valores do novo e da
ruptura passaram a ser mais um item a ser vendido na indústria cultural.
Creio que ha mais continuidade do que descontinuidade em relação as duas
décadas do século passado”, diz Denilson Lopes, Professor da Faculdade de
Comunicação da Universidade de Brasilia, que organiza o livro Cinema nos
anos 90. O livro, publicado pela Editora Argos, é referência sobre o
cinema desta época, vista por 26 críticos brasileiros.
Ao contrário daqueles que apostavam na morte do
cinema nos anos 70, o livro mostra que o cinema “vai muito bem obrigado”.
O que aconteceu foram transformações que atingiram a todas as linguagens
e expressões artísticas. A obra reúne uma coletânea com 23 artigos sobre
filmes de longa metragem lançados no Brasil. Os autores que participam da
obra, em sua grande maioria professores universitários ligados a área de
cinema, puderam escolher seu próprio filme para comentar.
Nas 381 páginas, há um predomínio de filmes
autorais, mas existe uma amplitude na escolha. O livro não traz os
melhores filmes da década; é um levantamento mais afetivo do que
totalizante, indo desde cineastas que aparecem com toda força neste
período como Hal Hartley, Jane Campion, Kiarostami, John Sayles, Lars von
Triers, Tim Burton, Paul Thomas Anderson, Julio Medem, Tarantino, Tsai
Ming Liang, Wong Kar Wai e Alejandro González Iñarritu, a cineastas que
vindos dos anos 80 que produzem obras significativas como Greenaway, Lynch,
Almodovar ou Cronenberg, a veteranos como Kieslowski, Manoel de Oliveira,
Altman e Kubrick.
O livro traz uma nova geração de críticos que
produzem reflexões sobre arte e cultura contemporanêas, interessando não
só professores e críticos, mas também a estudantes podendo atingir um
público mais amplo. Denilson já tem dois livros publicados: “Nos os
mortos: melancolia e neo-barroco” (RJ,7Letras, 1999) e “O homem que amava
rapazes e outros ensaios” (RJ, Aeroplano, 2002). No momento, está
preparando um novo livro que propõe uma estética para contemporaneidade,
bem como a defesa de valores como os da delicadeza e da leveza.
*
Release enviado pela Editora Argos.
-
Foto:
Divulgação.
'Cinema dos anos 90'- 381 páginas (16x23). Preço de capa: R$ 44,00.
-
Mais informações e pedidos:
Editora Argos -
pedidos@unochapeco.edu.br
* *
*
|
Gustavo Dourado:
Sob o signo da invenção*
Sob o signo da invenção, o baiano oriundo de Ibititá (região de
Irecê), Chapada Diamantina, Bahia, mas residente há 29 anos em
Brasília, Gustavo Dourado, de pseudônimo Amargedom, propõe-se a
reinventar e, com tal intenção, envereda sua poesia pelos campos da
ecologia, da informática, da política, da economia, do cinema, das
artes gráficas, da semiótica, da crítica e da sátira, da ironia, da
denúncia, da literatura de cordel, de muito mais e de tudo enfim
procurando abrir brechas na vastidão de possibilidades que lhe
oferecem as palavras e uma prole numerosa de signos icônicos e
indiciais. |

Gustavo Dourado |
Trata-se de um criador multimídia, a movimentar um poderoso arsenal
de recursos poéticos e transpoéticos, de inesgotável utilização dentro de
sua determinação em desvendar os segredos do mundo e denunciar suas
mazelas, fazer apologias e proferir julgamentos, inventando linguagens e
postando-se em estado permanente de criar. Não recua diante da necessidade
de criação de novas palavras, por fusão, aglutinação ou justaposição, nem
diante do caos em que porventura essa fertilidade resulte. Quanto a isto,
a terra é fecunda, por vezes apocalíptica.
Glauberrando, cinemagia, Rimbaudelaire, fonemastigando, termos
colhidos a esmo, são apenas alguns exemplos, de que o verbo volpintar,
usando o sobrenome do pintor italiano-paulista, impressionou o crítico de
arte Olívio Tavares de Araújo. Poundiano, concreto, expressionista, pop,
rótulos por certo não faltarão para pregar na testa de Amargedom, em quem
Darcy Ribeiro viu "o faro, o ritmo, a vibração, a energia e a criatividade
dos grandes poetas", e Affonso Romano de Sant'Anna, uma poesia a
estilhaçar "ironias em granadas a granel, infinita e iluminada". Moacyr
Scliar o qualificou como "expressão maior da cultura brasiliense".
* Texto de autoria da Comissão Editorial Selo Letras da
Bahia.
- Foto: Divulgação.
| |
Torquatian@
(Gustavo Dourado)

Anjo louco renascente
Anjo barroco cigano
Netuno do oceano
Sertanejo universol
Torquato fenomenal
És poeta soberano
Desfolhaste a bandeira
Da manhã luz tropical
Estrela d'alva serena
Vespertina musical
Ritmaste a nova era
Iluminando o carnaval
Combateste o arcaísmo
O modismo, a opressão,
Ao morrer eternizou-se
Sem medo da repressão
Foste vítima da tortura
Da angústia da razão
Antropófago criativo
MultiArtista criador
Mago do tropicalismo
Morreu de arte e amor
Morreste abandonado
Pelo sistema jogado
No precipício da dor...
ILUSTRAÇÃO:
AMORIM |
|
- Gustavo Dourado na Internet:
www.gustavodourado.com.br
www.gustavodourado.ebooknet.com.br |
Literatura de Cordel*
No Brasil, o cordel ganhou estatura poética no Nordeste do Brasil,
pelas bandas do Sertão do Cariri e diversas paragens do Nordeste
brasileiro.
As influências são multidiversas:desde a poesia árabe, mediterrânea, hindu
e persa à poética egípcio-hebréia- greco-latina e afro - indígena...
Entretanto, a Poesia de Cordel tem a sua força na expressão ibero-lusitana
- brasilíndia e galego-castelã...
Foi na Espanha e em Portugal, que a poesia de cordel ganhou feição e
postura literária.
É na poesia cavalheiresca e trovadoresca que o cordel se inicia de forma
pungente e pujante, principalmente a partir dos 12 pares da França, de El
Cid, O Campeador e da obra monumental de Camões e Cervantes, ambos
influenciados por Dante Alighieri.
Os reis trovadores Dom Diniz e Dom Duarte foram nossos precursores
ibéricos.
A Literatura de Cordel foi enriquecida pela criatividade e maestria de Gil
Vicente, Camões, Gregório de Matos, Bocaje, Castro Alves, Rabelais,
Cervantes, Catulo da Paixão Cearense, Ascenso Ferreira e dos mestres e
pesquisadores da cultura popular: Leonardo Mota, Luiz da Câmara Cascudo,
Ariano Suassuna, Jorge Amado, Glauber Rocha, João Cabral de Melo Neto,
Rachel de Queiroz, José Américo de Almeida, Sebastião Nunes Batista,
Sílvio Romero, Cavalcanti Proença,Vicente Salles, Téo Azevedo, Orígenes
Lessa, Mário Lago, Jerusa Pires Ferreira, Joseph Luyten, Mark Curran,
Silvie Raynal, Raymond Cantel, Zé Ramalho e tantos outros nomes de
destaque.
'O cordel continua e sobrevive, apesar das idiossincrasias,
intempéries e dificuldades e das antropofagias
da Indústria cultural midiática e globalizante...'
No Brasil, o cordel ganhou estatura poética no Nordeste do Brasil, pelas
bandas do Sertão do Cariri, do Pajeú, da Serra do Teixeira, Campina
Grande, João Pessoa, Caruaru, Juazeiro do Norte, Crato, Recife, Fortaleza,
Salvador, Serra Talhada, Mossoró, Caicó, Paulo Afonso, Feira de Santana,
Juazeiro, Petrolina, Irecê, Chapada do Apodi, Serra da Borborema, Chapada
Diamantina, Rio, São Paulo, Brasília e pela vastidão dos
lugarejos,arraiais, vilas e cidadelas da caatinga e do agreste, com os
vates - poetas Leandro Gomes de Barros, Rodolfo Coelho Cavalcante,
Francisco Chagas Batista, Francisco Sales Areda, Manoel Camilo dos Santos,
Minelvino Francisco da Silva, Caetano Cosme da Silva, João Melquíades
Ferreira da Silva, José Camelo de Rezende,Teodoro Ferraz da Câmara, João
Ferereira de Lima, José Pacheco, Severino Gonçalves de Oliveira, Galdino
Silva, João de Cristo Rei, João Ferreira de Lima, Antônio Batista,
Laurindo Gomes Maciel, Manuel Pereira Sobrinho, Antônio Eugênio da Silva,
Augusto Laurindo Alves( Cotinguiba), Moisé Matias de Moura, Pacífico
Pacato Cordeiro Manso, José Bernardo da Silva, Cuíca de Santo Amaro e João
Martins de Athaide, Francisco Gustavo de Castro Dourado( Amargedom), João
Lucas Evangelista, Zé de Duquinha, Audifax Rios e Rubênio Marcelo, entre
outros nomes significativos do passado e da atualidade, entre tantos
baluartes da Poesia Popular e do Romanceiro do Cordel..
Convém ressaltar figuras de destaque, mistura de cordelistas e cantadores
como Zé Limeira, lendário Poeta do Absurdo, de Orlando Tejo e Patativa do
Assaré, da Triste Partida,Zé da Luz, Raimundo Santa Helena e Franklin
Machado Nordestino. Além de centenas de cordelistas que divulgam os seus
trabalhos na Internet. Temos até a Academia Brasileira de Literatura de
Cordel.
O cordel continua e sobrevive, apesar das idiossincrasias, intempéries e
dificuldades e das antropofagias da Indústria cultural midiática e
globalizante...
São imprescindíveis a abertura de espaços e fóruns de discussão e de
publicação de textos de cordel, de autores tradicionais e contemporâneos
para dinamização do movimento da Poesia Popular Universal...A Internet é
um espaço primordial...
-
Colaborou:
Gustavo Dourado.
* * *
Literatura brasileira:
Plínio, o maldito
literário
'Eu
nunca fui um escritor profissional.
Morreria de fome se fosse viver dos meus livros.
Teria de acabar fazendo milhares de concessões. Mas
camelô, ah!, isso eu sou bom; vendo meus livros,
dou
autógrafos e prometo morrer logo para valorizá-los'
Plínio Marcos
Por
Pepe CHAVES
EDITOR DE Via
Fanzine
|
Plínio Marcos
nasceu em Santos/SP e se consagrou como dramaturgo no Brasil, ao ter
seus textos representados por grandes nomes do teatro e da televisão
brasileira. Apelidado de o “Maldito”, Marcos é autor de textos sobre
temas polêmicos acerca do relacionamento humano, dentre eles, a
prostituição, o homossexualismo e o submundo das drogas, da
malandragem e das contravenções. Protagonizou, na vida real, o típico
personagem do underground paulista dos anos 60 e 70. |
 |
Plínio Marcos
trabalhou também como ator e jornalista, desempenhando ainda a função de
técnico da antiga TV Tupi de São Paulo. Antes, porém, tentou sua fama como
jogador de futebol, sendo mal sucedido no esporte, buscou a seguir suas
primeiras encenações: trabalhando como palhaço de circo por cinco anos.
Aos 22 anos escreveu seu primeiro texto que encaminhado por sua amiga
Patrícia Galvão, se tornou a sua primeira montagem teatral, Barrela.
A partir daí, Plínio Marcos seguiu pelo mundo teatral, como ator, ou como
autor, sempre buscando inspiração em suas vivências passadas, nada fáceis,
e na sua experiência de profissional polivalente das artes.
De 1968 a 1969,
Marcos trabalhou como ator na novela Beto Rockfeller, da Rede Tupi,
estrelada pelo ator global Luiz Gustavo. Naquela época, Plínio Marcos
ascendeu como pensador no cenário brasileiro, despertando a atenção dos
militares que governavam o país. Alguns de seus escritos, sobretudo, a
peça "Navalha na Carne", era uma afronta aos generais que dominavam o
Brasil. Para fugir da perseguição, segundo ele, o melhor foi ficar em
evidência, como, por exemplo, fazendo pontas em programas de televisão.
Na mira da Censura,
Barrela foi proibida durante o governo militar e, em 1970,
Abajur Lilás foi censurada, sendo que ambas as peças só foram
liberadas partir de 1980. Chegou-se ao ponto, durante o regime militar,
de se ter todos os seus textos proibidos e o autor sentir a frustração de
não poder trabalhar. Porém, com o fim da Ditadura na década de 80, seus
textos foram liberados e muitas outras pessoas vieram a conhecer o
trabalho de Plínio Marcos. Com o fim da censura, literalmente mais maduro,
passou a abordar o universo espiritual, escrevendo, dentre outros
trabalhos, Jesus Homem e Madame Blavatsky.
Plínio Marcos
possuía o dom da escrita e pôde casar de forma literalmente correta, a
gíria dos subúrbios com a linguagem formal, seduzindo e encantando
leitores de todas as classes sociais. Fez escola no teatro brasileiro e
sua memória permanece viva, através inúmeros trabalhos que ele legou à
dramaturgia brasileira e hoje se encontram são apresentados em diversas
cidades do país.
Seus
clássicos no Teatro:
"Barrela" (1958), "Dois Perdidos Numa Noite Suja" (1966), "Navalha na
Carne" (1967), "Quando as Máquinas Param" (1972), "Madame Blavatsky"
(1985).
Livros: "Malagueta, Perus e Bacanaço",
"A Dama do Encantado", "Abraçado ao meu Rancor", ''Leão-de-Chácara'' e ''A
Dama do Encantado'', entre outros.
Fotos:
www.pliniomarcos.com /Arquivo Via Fanzine.
* * *
O encontro adiado
|
 |
Fernando Sabino foi o sobrevivente de uma geração. Ao lado de Helio
Pellegrino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende formou uma curiosa
confraria, celebrizada pela literatura mas cimentada na profunda
cumplicidade existencial. |
Por
Leo Martins
Os Quatro Mineiros
entraram para a história da literatura por acaso, pois o que os manteve
unidos foi, acima de tudo, os vínculos de fogo da amizade, vínculos
partidos sucessivamente pela morte precoce dos três e jamais cicatrizados
num Fernando que passou seus últimos anos distante de entrevistas e
aparições públicas, revirando gavetas, publicando inéditos e desenterrando
correspondências, cioso de uma posteridade digna, livre de qualquer tipo
de oportunismo ou apropriação. Morreu nesta cinzenta segunda-feira, em
casa, cercado pelos filhos, na véspera de completar 81 anos.
Nas bibliografias,
constam mais de 30 títulos publicados, entre romances, contos, novelas,
relatos de viagens e correspondência. Escreveu muito e para muitos, tinha
entre seus leitores uma impressionante diversidade de perfis e idades,
sendo a única constante os jovens, que sempre passavam por suas deliciosas
crônicas ou por romances como “O grande mentecapto”. Era, mais do que
tudo, um raro escritor formador de leitores - e não apenas para seus
livros. Como poucos, fez jus ao título da antológica série de crônicas
publicada nos anos 70: “Para gostar de ler”.
Seu estilo límpido e
fluente só teve a leveza como marca porque esta era resultado de uma lenta
depuração dos volteios da barroca alma mineira, torturada entre os
impulsos da vitalidade e os interditos da moral. A graça de, por exemplo,
“O homem nu” só seria possível com a penosa gestação de “O encontro
marcado”, um dos dez melhores romances brasileiros do século XX e um dos
retratos mais lúcidos e emocionados daquele momento na vida em que é
preciso decidir: amadurecer é transformar a convulsão em experiência ou
administrar as frustrações de uma vida conforme?
Em 1956, quando o
romance foi publicado, Antonio Candido definiu-o como “o moto contínuo da
alma ofegante”. Não conheço síntese melhor para a história dos três amigos
que, na Belo Horizonte opressiva dos anos 40, flertavam com a literatura e
consumiam-se em dúvidas, reunindo-se na praça para “puxar angústia”.
Aprendiam, na marra, que viver seria eternamente encontrar-se com o Outro,
fosse ele um amigo, um amor ou Deus. Ignorá-lo é consumir-se em egoísmo e
limitação; transformá-lo em tábua de salvação é diminuir sua própria
responsabilidade e importância na vida, deixando-a passar em branco.
A primeira leitura
de “O encontro marcado” – só aos 29 anos, muito mais tarde do que em geral
lê-se este livro - deu-me um personagem e uma convicção. O personagem foi
Hélio Pellegrino, tema de um dos Perfis do Rio, do recente Arquivinho
publicado pela editora Bemtevi e elo de união com pellegrinos que
transformaram-se em amigos queridos. Com este livro veio ainda a convicção
de que é melhor saber puxar a angústia antes que ela te puxe e de que a
amizade, o dedicar-se de alguma forma ao Outro, é um dos pouco valores que
valem a pena serem cultivados.
Quando estava
tentando decifrar meu personagem, pedi muitas vezes uma entrevista a
Sabino. A mais doce das recusas era sempre acompanhada por um livro
autografado, o mais querido deles uma edição especial de “O menino no
espelho”. Livro publicado, recebo um dia na redação do “Globo” um
telefonema: “Aqui é o Fernando Sabino”. E aquela voz, para mim inacessível
e um tanto irreal, me contou o quanto gostou do retrato do Helio, de sua
preocupação de que o enfático amigo se transformasse numa caricatura e
ainda arrematou, bem ao seu jeito: “Viu como não precisava da minha
entrevista?” Daí para frente foram outros telefonemas esparsos, recados
que deixei na secretária eletrônica quando, fascinado, vi que a
correspondência “Cartas na mesa” era uma espécie de making of do “Encontro
marcado”.
Em junho passado, a
publicação de “Movimentos simulados” me levou a escrever, aqui em No
Mínimo, uma carta-aberta a ele, falando da importância para os jovens
escritores de um livro que ele já dispunha muito bem no escaninho da
posteridade. A resposta veio, semanas depois, num recado enviado através
do jornalista Mauro Ventura, amigo em comum: “Fernando adorou o texto,
quer falar com você”. Nenhum dos dois ligou para o outro, mas ambos
sabíamos o que teria sido dito.
Como se pode
homenagear adequadamente alguém que escreveu o livro que você gostaria de
ter escrito e que, através dele, mudou de muitas formas a tua vida? Nada
disso cabe entre as duas datas do obituário. A única resposta possível,
pelo menos agora, é esta, puxar a angústia da morte para mais rápido
libertar-se dela, sentir a perda de um amigo que nunca o foi pessoalmente
mas que sempre consolou e esteve por perto - como só o mais fraterno dos
companheiros pode conseguir fazer.
* Fonte e fotos:
http://nominimo.ibest.com.br
²²²
Pepe Chaves lança seu terceiro livro

"Memórias de uma rua", autobiográfico,
é o terceiro livro de Pepe Chaves.
Pepe Chaves/Arquivo Via Fanzine.
- MEMÓRIAS DE UMA RUA,
crônicas, de Pepe Chaves, 2004, (Pepe Arte Viva,
Itaúna-MG).
Se recordar é viver, vivo bem, obrigado.
E digo que vivo bem não somente porque tenho o hábito de recordar, mas
porque as recordações sempre me são boas, exorcizando toda a tristeza
que por vezes, pairou em minha vida. Creio que todo itaunense é um
saudosista nato, gostamos de relembrar, contar causos, rir do que
passou e registrar fatos que por algum motivo se tornaram memoráveis.
Salutar este comportamento, pois deixa explícito o quanto nós
aprendemos e crescemos com aquilo que vivenciamos, tanto que levamos
tais episódios conosco para o resto de nossas vidas. Creio que esta
mania não é exclusividade dos itaunenses, mas sim uma das
características mais marcantes do humanismo do povo mineiro em geral.
Dez vezes mais que o
conteúdo destas folhas poderia ter sido escrito sobre a rua Godofredo
Gonçalves e seus ilustres “personagens reais”, figurados aqui em
modestas facetas esboçadas pela mão de meu coração. Muito além do que
transparece aqui de cada um deles, é cada pessoa que cito, com seu
estilo de vida próprio, manias e comportamentos legítimos. Muito mais
poderia prolongar sobre cada personagem real desse pequeno livro, mas
o objetivo maior é apenas sintetizar um tempo em comum, onde curiosas
e boas lembranças foram perdidas numa Itaúna que ficou para trás... No
entanto, outras destas lembranças foram encontradas naquela Itaúna
sonolenta e até poeirenta dos anos 70 e aqui estão como prova de um
tempo, de um povo que amadurece!
O universo continuou se
expandindo e assim, o tempo não parou e nós continuamos... Continuamos
passando por aquela rua hoje em dia, vendo-a mudar um pouco a cada
hora registrada no relógio... Mas a casa que morei, creio que a mais
antiga da rua, ainda está lá, por incrível que pareça... Pelo menos
até então! Mas quantas pessoas já não mais estão por ali? Um bocado,
eu diria, mas aqui nestas páginas, eternamente estarão naquela rua,
pois ela não seria a mesma hoje sem elas lá um dia. Então, mesmo com o
Tempo os levando dali, ou mesmo dessa vida, creio que o espírito
daquela rua ainda está impregnado pela energia dessas pessoas.
Quando escrevi estas
crônicas, me espantei com a reação positiva dos leitores quando foram
publicadas em Via Fanzine, de 1997 a 1999. Muitas pessoas me
paravam nas ruas ou em locais diversos para comentarem sobre “as
memórias da rua”; e olhe que a maioria nunca morou por aquelas bandas!
Daí, digo que o itaunense gosta mesmo de causos! Na verdade, mais
que saudosista, o itaunense em geral parece-me um “trocador de
experiências”; um “buscador de novidades”; sejam elas ‘novas ou
velhas’... E dependendo do caso, quanto mais velha a novidade, melhor!
Ele a considera rara! E como toda raridade, ele a guarda com carinho,
sempre num local muito especial, por tempo indeterminado...
Na verdade, “a rua” foi uma
extensão para que eu pudesse conhecer outros locais e pessoas da
cidade. Ali foi meu trampolim para o mundo, para a vida além das
portas de e janelas de minha casa. Então, diria que outros locais e
pessoas sempre estiveram associados à rua Godofredo Gonçalves, pelo
menos para mim.
Sei que não estarei mais aqui
fisicamente, quando daqui a algumas dezenas de anos certas pessoas
tiverem acesso a estas modestas memórias. E para estes leitores que
ainda virão, eu digo: estou aqui ainda! Estou de alguma forma e sempre
estarei presente no clima desta cidade, ela não seria a mesma se eu
não tivesse passado por aqui um dia... Da mesma forma que não seria a
mesma, se cada pessoa (itaunense ou não) não tivesse aqui residido,
trabalhado e feito esta cidade tomar sua forma atual, em todos os seus
aspectos físicos e humanísticos. Para estes leitores do futuro, digo:
meu espírito pedranegrense está por aí sim... Talvez nos quintais das
casas daquela rua, ou de outra rua que morei; ou nos estúdios da Rádio
Clube, na rua São José, no princípio dos anos 70 (já que, creio,
espírito pode regredir e progredir no Tempo); ou posso estar ainda
batendo uma pelada no campinho, ouvindo o César me xingar porque
chutei uma bola errada ou deixei de dar um passe fatal num treino ou
jogo do Granada... Posso estar soltando papagaio com meu irmão Joel
ou pajeando o Marco para minha mãe... Posso estar “caçando pombos”, na
Rua da Ponte ou na Vila Mozart, na casa do Fico com o Láu e o Cuia,
columbófilos da vila, negociando preços de pombos... Posso estar na
quadra do Colégio Estadual ou no pátio do Grupo Escolar “Dr. Augusto
Gonçalves”, numa aula de redação com a Dª Maria Lúcia ou de Matemárica
com a Dª Jovita... Quem sabe estarei no sótão da casa do Dr. Dario com
o Del, fuçando ninhos de pombos... Ou estaria na rua Santana jogando
no time dos meninos do Zé da Iara? Poderia estar na casa do Joacy, com
o Cabeça me ensinando a fazer tabela de campeonatos de futebol... Quem
sabe comendo uma das guloseimas feitas pela Cica? Não da “Cica” (do
elefante), mas da Itajacy... Enfim, só Deus sabe! Mas sempre estarei
por aí...
Nestas páginas trago-lhes
uma realidade nua e crua, não uma ficção, ou fatos bordados em cima de
uma vivência que tive. Estes personagens são reais, alguns, me tocaram
profundamente e fizeram parte da minha educação e formação
humanística, colaborando por me propiciar uma concepção própria da
vida humana na Terra. E justamente, toda essa troca de experiência e
aprendizado, nada mais é do que uma grande porção daquilo que me
transformou no ser humano que hoje sou, não um anjo, nem demônio,
diria que apenas um itaunense, bem comum... Graças a Deus!
O
Autor.
Clique aqui
para ler o prefácio do Prof. Cláudio
Tsuyoshi Suenaga.
Clique aqui
para ver outras produções de Pepe Chaves.
|
|