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Tributo musical
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Tributo a Karen Carpenter: Saudades de uma voz inconfundível A história da menina americana que queria tocar bateria e acabou por se tornar uma das maiores cantoras de todos os tempos.
Por Pepe Chaves* Para Via FanzineMarço/2020 ATUALIZADO EM 04/02/2026
As muitas faces de uma extensa musicista, numa breve carreira. Karen Anne Carpenter nasceu em New Haven, Estado de Connecticut (EUA) em 2 de março de 1950 e faleceu em 4 de fevereiro de 1983. Ao lado de seu irmão, Richard Carpenter, se tornaram conhecidos em todo o mundo, depois que formaram o duo The Carpenters. Leia também: Outros destaques em Via Fanzine
Karen e Richard Carpenter
O ano de 2020 marca os 70 anos de uma das mais destacadas cantoras da música popular do século 20. A menina que saiu do interior dos Estados Unidos, com o sonho de se tornar uma baterista, acabou por se tornar, na realidade, numa das mais bem sucedidas intérpretes do mundo.
Karen Anne Carpenter nasceu em New Haven, Estado de Connecticut, nordeste dos Estados Unidos, em 2 de março de 1950. Ao lado de seu irmão, Richard Carpenter, se tornaram conhecidos em todo o mundo, depois que formaram o duo The Carpenters.
Eles eram filhos de Harold Bertram Carpenter (1908-1988) e Agnes Reuwer Tatum (1915-1996). Desde cedo, o menino Richard desenvolveu um grande interesse pela música, se tornando um virtuose no piano. Por causa dessas habilidades, a família se mudou em 1963 para Downey, subúrbio de Los Angeles, Califórnia. O local era conhecido como sede de várias gravadoras e o objetivo da família era facilitar o início de Richard em sua carreira musical.
Conta-se que, quando Karen passou a frequentar o colégio em Downey, não gostava das aulas de educação física. Assim, pediu ajuda a Richard para participar da banda do colégio. O condutor da banda atendera ao pedido de Richard e entregou a Karen um metalofone. Mas, a menina não gostou do instrumento e passou a admirar um colega que tocava na percussão. Karen então pediu ao condutor para tocar na percussão também. E assim, a bateria veio de forma natural para ela que, praticava intensamente o instrumento. Quase todas as músicas gravadas pelo duo têm a bateria tocada por Karen Carpenter.
Aos 17 anos, em 1967, Karen fez uma dieta sob supervisão médica e perdeu entre 9 e 11 kg. Em 1968, ninguém menos que John Wayne encontrou os Carpenters em um show de talentos chamado "Your All American College Show." Wayne pediu a Karen que tentasse um papel em seu filme,"True Grit." Karen fez o teste, mas foi Kim Darby quem recebeu o papel.
A carreira musical de Karen Carpenter teve início aos seus 15 anos, quando em 1965 passou a integrar o Richard Carpenter Trio, com Richard, o amigo Wes Jacobs, um baixista e tocador de tuba. O trio, que permaneceu em atividade até 1968, tocava jazz em casas noturnas e no programa de TV "Your All American College Show", embora quem tocasse o baixo nas aparições televisivas fosse Bill Sissyoev e não Wes Jacobs.
Além desse trio, Karen, Richard, juntamente com outros músicos, inclusive o letrista John Bettis, participaram do conjunto Spectrum, que se apresentou entre 1967 e 1968.
The Carpenters
No início de 1969, Karen e Richard Carpenter assinaram seu primeiro contrato como “The Carpenters”. Ela cantou a maioria das músicas no primeiro álbum, “Offering”, que mais tarde seria renomeado para “Ticket to Ride”. E justamente a canção “Ticket to Ride” (Lennon/McCartney), dos Beatles, que já explodiam em todo o mundo, viria a ser o maior sucesso desse álbum. A canção dos Beatles, na voz de Karen, prontamente, atingiu a posição 54 nas paradas dos EUA.
Mas somente o álbum seguinte do duo, “Close To You”, levaria os Carpenters ao estrelato, após emplacarem duas canções na posição 1: “They Long to Be - Close To You” e “We've Only Just Begun”.
O caminho estava aberto, e a banda se tornou tão popular que, de 1970 a 1975, realizou turnês em praticamente todos os continentes. Em pouco tempo, as canções dos Carpenters, apresentando a diferenciada voz de Karen, caíram no carisma popular de todo o mundo. E assim, aquela suave voz de mulher americana poderia ser ouvida, tanto numa rádio de um país do Oriente, quanto da América do Sul.
Baterista e cantora
A habilidade de Karen em tocar bateria foi elogiada pelos amigos bateristas Hal Blaine, Cubby O'Brian, Buddy Rich e pela revista Modern Drummer.
Ela se iniciou profissionalmente como cantora e baterista, mas foi pressionada a deixar a bateria, sua grande paixão. E assim, foi feito então um acordo com a gravadora: ela cantaria em pé as baladas românticas e assumiria a bateria somente nas outras músicas.
Karen se sentia aborrecida porque raramente escolhia as canções cantadas por ela. Frequentemente sentia ter pouco controle sobre sua própria vida. A imprensa especializada também acabava por escrever resenhas desfavoráveis ao duo, o que colaborou para aumentar sua constante tensão.
Karen e Richard: The Carpenters.
Duo faz pausa
Mas, Karen e Richard viriam a sentir o peso da fama, dos compromissos e até mesmo, da saúde, envolvidos que estavam com o mundo musical.
E assim, em meados dos anos 70, o excesso de turnês e as longas sessões de gravação começaram a afetar a saúde de ambos. Isso contribuiu para as crescentes dificuldades enfrentadas pelos irmãos na segunda metade daquela década.
O excesso de trabalho e a pressão das pessoas eram intensos para Karen, que foi levada a fazer dietas obsessivamente. Por efeito disso, desenvolveu anorexia nervosa, cuja primeira manifestação foi em 1975, quando uma exausta e enfraquecida Karen Carpenter foi forçada a cancelar apresentações na Inglaterra e no Japão.
Simultaneamente, Richard desenvolveu dependência por soníferos e, em 1979, resolveu se afastar da carreira durante um ano para se curar. Richard quis que sua irmã também fosse se consultar com algum médico sobre sua desordem alimentar, mas Karen recusou. Com isso, as apresentações públicas do duo foram interrompidas entre 1978 e 1981.
O polêmico disco solo
Durante a pausa de Richard, Karen então decidiu fazer um álbum-solo com o produtor Phil Ramone. Em seu trabalho solo, a escolha do repertório de Karen, voltado para letras mais adultas e com ritmos diferentes dos Carpenters - voltado para o estilo disco, em voga na época -, representou um esforço de reconstrução de sua imagem.
Outras canções dessa época surgiram depois, como “Something's Missing (In My Life)”, que não entrou no álbum, ainda permanece sem mixagem e sem os instrumentos de cordas. Outras músicas, que agora estão disponíveis na internet, mesmo não tendo sido lançadas oficialmente, como “Love Making Love To You” e “Truly You”, são marcadamente diferentes do estilo dos Carpenters, com letras mais sexualizadas e a voz de Karen em um registro mais agudo.
O resultado do trabalho teve uma resposta fria de Richard e dos executivos da A&M Records no início de 1980. Isso deixou Karen deprimida em função do esforço dedicado ao projeto. E para piorar, Herb Alpert, o presidente da A&M Records, engavetou o disco.
O produtor Quincy Jones tentou mudar a ideia do executivo, pedindo a ele que lançasse o disco. Mas foi em vão, Karen teve de pagar o custo de produção do disco não lançado, no valor de US$ 400 mil.
Os fãs do duo tiveram a chance de conhecer parte desse repertório somente em 1989, quando algumas das faixas (remixadas por Richard) vieram no álbum coletânea “Lovelines”. E sete anos mais tarde, em 1996, o álbum inteiro, apresentando as faixas escolhidas por Karen antes de sua morte, ocorrida 13 anos antes, incluindo uma faixa-bônus, seria finalmente lançado. Há nove faixas não lançadas desse álbum que ainda podem ser encontradas na Internet.
Karen e a bateria: uma paixão registrada pelos álbuns do duo.
O pequeno e grande mundo de Karen
Karen viveu com seus pais até os 25 anos, aproximadamente. Após o sucesso do duo no início dos anos 70, ela e seu irmão compraram dois imóveis em Downey. Chamados com nomes de músicas do duo, eles ainda existem e estão localizados na 8356 East 5th, Downey, Califórnia. Em 1976, ela comprou dois apartamentos, juntou-os e fez um só, localizado na 2222 Avenue of the Stars, a campainha tocava as seis primeiras notas de “We've only just begun”.
Karen colecionava objetos da Disney, jogava softball e beisebol, e tinha Petula Clark, Olivia Newton-John e Dionne Warwick como amigas.
Após um romance rápido, Karen casou-se com o corretor de imóveis Thomas James Burris, em 31 de agosto de 1980. Tom era um homem de 39 anos, estava divorciado e com um filho de 18 anos e Karen estava com 30 anos.
Eles se casaram em um hotel em Beverly Hills fizeram a lua-de-mel em Bora Bora, embora Karen não tenha gostado do lugar, fazendo o trocadilho “Boring Boring” (aborrecido).
Rapidamente, a vida a dois entrou em colapso e o casamento com Tom Burris foi desfeito em setembro de 1981, após uma áspera briga na qual Burris teria dito, “fiquem com ela!”. Eles nunca mais se viram depois daquele dia.
A música “Now”, gravada em abril de 1982, foi a última canção registrada por Karen Carpenter. Foi gravada na Califórnia enquanto ela fez um intervalo em seu tratamento da anorexia com o psicoterapeuta Steven Levenkron em Nova Iorque.
Àquele tempo, a anorexia nervosa era uma doença pouco conhecida. Após a recuperação, ela pretendia tornar pública sua luta contra a doença.
Richard Carpenter em 2004.
Karen voltou à Califórnia ainda naquele ano, determinada a recuperar sua carreira, concluir seu divórcio e começar a gravar um novo álbum com Richard. Bastante magra por causa da doença, Karen conseguiu engordar 14kg durante sua permanência em Nova Iorque. No entanto, o peso rapidamente ganho (muito dele de forma intravenosa) viria a enfraquecer seu coração, que já estava comprometido em função de anos fazendo dietas. No auge da doença, Karen, que tinha uma tireoide normal, tomava um remédio em dose 10 vezes superior à recomendada para acelerar o metabolismo, combinando isso com laxantes, o que enfraqueceu também os sistemas digestivo e nervoso.
Em 17 de dezembro de 1982, Karen fez sua última aparição em público. Poucas semanas antes de sua morte, o irmão Richard tentou fazê-la dar entrada em um hospital para tratamento, porque, segundo disse, “ela não parecia bem... Não havia vivacidade em seus olhos”. Consta que, duas semanas antes, em uma reunião com Werner Wolfen, conselheiro financeiro dos Carpenters, Karen teria dito a Richard que aquilo não era da conta dele e que o problema dela estava sob controle.
Em 4 de fevereiro de 1983, menos de um mês antes de seu 33° aniversário, Karen Carpenter teve uma parada cardíaca na casa de seus pais, em Downey. Ela foi levada a um hospital próximo, falecendo 20 minutos depois. Naquele dia, Karen iria concluir oficialmente o seu divórcio.
A autópsia declarou que sua morte foi resultado de uma cardiotoxicidade (em função dos eméticos, como o xarope de ipecac) por causa da anorexia nervosa. No sumário anatômico, o primeiro item foi parada cardíaca, seguido de anorexia. O terceiro foi a caquexia, em função de seu baixo peso e fraqueza corporal, associadas a uma doença crônica. Richard e a mãe de Karen discordam do uso de eméticos, mas não dos laxantes.
Seu funeral foi realizado em 8 de fevereiro de 1983, na igreja metodista de Downey. Karen, colocada com uma roupa rosa, foi levada em caixão aberto. Mais de mil pessoas foram às exéquias, inclusive, suas amigas. Seu ex-marido esteve no funeral, num gesto de despedida, retirou sua aliança e lançou-a sobre o caixão.
Uma estrela no céu e outra na Terra...
Depois de Karen
A morte de Karen Carpenter trouxe ao público a problemática da anorexia nervosa e da bulimia. Também encorajou outras celebridades a tornarem públicas suas desordens alimentares, dentre elas, Diana, a princesa de Gales. Centros médicos e hospitais começaram a receber cada vez mais casos de pessoas com essas desordens. O público em geral, antes da morte de Karen, tinha pouquíssimo conhecimento dessas doenças, tornando-as difíceis de identificar e tratar.
Após a morte de Karen Carpenter, sua família deu início a uma fundação com o nome da cantora, para levantar dinheiro em auxílio às pesquisas sobre desordens alimentares. Hoje, a fundação tem o nome da família, e além de seu objetivo inicial, também patrocina as artes, entretenimento e educação.
Em 12 de outubro de 1983, os Carpenters receberam uma estrela na Calçada da Fama (Hollywood Walk of Fame), localizada, na 6931 Hollywood Blvd. Richard, o pai e a mãe foram à inauguração, assim como muitos fãs.
Vinte anos depois, em 11 de dezembro de 2003, os caixões de Karen, Agnes (a mãe falecida em 1996) e Harold (o pai falecido em 1988) foram exumados e realocados para outro cemitério, no Pierce Brothers Valley Oaks Memorial Park, em Westlake Village, Califórnia.
“A Star on Earth - A Star in Heaven” (Uma estrela na Terra - uma estrela no Céu) é o epitáfio de Karen Anne Carpenter.
A rápida e marcante passagem de Karen Carpenter pelo mundo musical, bem como a essencial participação de seu irmão Richard, no trabalho desse famoso duo que se tornara legenda nos anos 70, viria a influenciar muitos milhares de músicos e jovens intérpretes mundo afora. Muitas cantoras que se consagrariam posteriormente - como Madonna - apontam Karen Carpenter entre suas maiores influências.
A morte precoce de Karen chocou os fãs e todos os amantes da música popular naqueles princípios da década de 1980. Mas aquela voz inconfundível e única, bem como seus precisos ritmos executado na bateria, felizmente estão, em grande parte, imortalizados. E não restam dúvidas de que ainda continuarão sendo apreciados em várias partes do globo, por anos e anos a fio...
Sobre a Anorexia Nervosa
A anorexia nervosa é uma disfunção alimentar, caracterizada por uma rígida e insuficiente dieta alimentar (caracterizando em baixo peso corporal) e estresse físico. A anorexia nervosa é uma doença complexa, envolvendo componentes psicológicos, fisiológicos e sociais. Uma pessoa com anorexia nervosa é chamada de anoréxica. Uma pessoa anoréxica pode ser também bulímica. A anorexia nervosa afeta primariamente adolescentes do sexo feminino e jovens mulheres do Hemisfério Ocidental, mas também afeta alguns rapazes. O caso dos jovens adolescentes de ambos os sexos, poderá estar ligado a problemas de auto-imagem, dismorfia, dificuldade em ser aceito pelo grupo, ou em lidar com a sexualidade genital emergente, especialmente se houver um quadro neurótico (particularmente do tipo obsessivo-compulsivo) ou história de abuso sexual ou de bullying. A taxa de mortalidade da anorexia nervosa é de aproximadamente 10%, uma das maiores entre qualquer transtorno psicológico.
Saiba mais sobre a Anorexia e Bulimia Nervosa
* Pepe Chaves é jornalista e editor de Via Fanzine e da Zinefera - Rede de Portais Integrados.
- Com informações de do site oficial de The Carpenters.
- Fotos: Arquivo Carpenters.
- Referências:
- Site oficial de The Carpenters: http://www.richardandkarencarpenter.com/
- Álbuns de estúdio dos Carpenters
1969 - Ticket to Ride (originalmente lançado como Offering) 1970 - Close to You 1971 - Carpenters 1972 - A Song For You 1973 - Now & Then 1975 - Horizon 1976 - A Kind of Hush 1977 - Passage 1978 - Christmas Portrait 1981 - Made in America 1983 - Voice of the Heart 1984 - An Old-Fashioned Christmas 1989 - Lovelines 2004 - As Time Goes By - Veja capas de todos os álbuns.
- Vídeos selecionados com Karen Carpenter:
Vídeo - “A Song for you”, com imagens de Karen Carpenter Vídeo - “Close to you”, Karen canta e toca bateria Vídeos - Karen toca bateria (vários trechos): Vídeo – The Carpenters – “Only yesterday” Vídeo – The Carpenters – “Top Of The World”
- Produção: Pepe Chaves.
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