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Marcelo Sguassábia

 

Marcelo Sguassábia, reside em Campinas-SP. É redator publicitário e colunista

para diversos jornais e revistas eletrônicas. É colaborador de Via Fanzine.

© Direitos Reservados, Marcelo Sguassábia, 2018.

 

 

Ministério da Solidariedade

O governo da Inglaterra acaba de criar o Ministério da Solidão. Tido como epidemia oculta, o problema afeta mais de 9 milhões de britânicos, que trocariam o saldo bancário por um dedinho de prosa.

 

Mas se os ingleses são solitários, os brasileiros são por natureza solidários. Talvez aí resida a principal diferença entre os súditos da rainha, aparentemente tão tristes e cabisbaixos em sua nublada rotina, e nós, solares, extrovertidos e sempre sorrindo para a vida ou dando de ombro aos revezes. Um povo prestativo e solícito, pronto a ajudar por vocação, não por obrigação.

 

O fato é que, da cinzenta ideia do Ministério da Solidão, surgiu ao Governo Federal a simpática iniciativa de instituir o Ministério da Solidariedade.

 

Como disse John Kennedy, com raro senso patriótico: "Não pergunte o que seu país pode fazer por você, e sim o que você pode fazer pelo seu país". Nosso Brasil não suporta mais tamanha carga tributária, que tanto onera o preço final dos produtos e o orçamento dos mais necessitados. Assim, ao invés de criarmos novos e impopulares impostos, incentivaremos a solidariedade de nossos cidadãos, para que espontaneamente doem recursos aos cofres públicos - o que é bem diferente da taxação compulsória.

 

Sabe-se que todo o alto escalão do Ministério da Economia estará reunido hoje e nos próximos dias, em caráter de urgência, debruçando-se sobre as logísticas de arrecadação e os incentivos necessários a atrair o contribuinte. Uma das ideias em pauta é a emissão, em papel moeda marcado com brasão holográfico da República, do certificado "Cidadão Solidário", a ser entregue a todos os doadores de quantias superiores a R$1.500,00. Nele, o governo compromete-se a ser tolerante em demandas de fiscalização que não envolvam estelionato e outros delitos graves, como forma de recompensar a ajuda extra desembolsada pelo cidadão que aderir às doações. Obriga-se, ainda, a destinar os recursos provenientes da receita solidária exclusivamente à saúde, à educação e à segurança pública, com prestações de contas periódicas no Portal da Transparência.

 

- Imagem: Divulgação.

 

Marcelo Sguassábia© - 11/02/2018.

 

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Grande Muralha

 

 

Os chineses fazem qualquer negócio. Sabem comprar e sabem vender. Arrematam na bacia das almas, passam pra frente a peso de ouro. Têm a manha de copiar o que o mundo faz de melhor, aperfeiçoar e exportar para a Via Láctea inteira por uma décima parte do preço de mercado.

 

Um dos desafios atuais do gigante vermelho é como fazer dinheiro do seu maior e mais valioso patrimônio - a Grande Muralha da China. Construída ao longo de vinte séculos, estende-se ao longo de inacreditáveis 21.196 km e tinha como finalidade original defender as divisas do país contra as invasões de outros povos, especialmente os mongóis.

 

Com os mongóis deixando de ser ameaça, essa maravilha da humanidade passou a não ter utilidade alguma além de servir de cenário para fotos turísticas. A lenda arquitetada em torno dela, de que seria a única obra feita pelo homem visível da lua a olho nu, caiu por terra em 2004, quando um astronauta chinês afirmou que do espaço não se enxergava muralha nenhuma. Aliás, é de se supor que quem concebeu tal idiotice viajou na maionese, pois nunca esteve na lua para vir com uma história dessas.

 

A primeira ideia ocorrida aos neocapitalistas foi bater a marreta em tudo e exportar nacos a preço de banana para cada terráqueo vivente. Mas um chinês de visão dividiu sete bilhões de possíveis compradores pela gigantesca área da muralha e chegou à conclusão de que o souvenir seria maior do que a casa que o abrigaria, mesmo que fosse uma mansão de príncipe saudita. Ainda iria sobrar muita muralha, uma outra solução teria que ser encontrada.

 

Hoje, duas alternativas despontam como as mais viáveis para fazer dinheiro da imensa e inútil tripa de pedra.

 

Reformatório para pichadores brasileiros.

Um inédito acordo de cooperação entre Brasil e China preveria o seguinte estratagema, vantajoso às letras B e C do BRICS:

1) Venda de tinta spray chinesa a preços módicos para o Brasil.

2) Espetacular crescimento de vendas da tinta no mercado interno, pelo custo inacreditavelmente baixo, atraindo pichadores e aspirantes à prática.

3) Aplicação de multas extorsivas aos meliantes pegos com a mão no spray, com arrecadação extra para Estados e municípios.

4) Deportação dos contraventores tupiniquins para os domínios de Mao-Tsé. Lá, se debruçarão à vontade sobre os 21.960 km de muralha e gastarão 50 latas de spray cada um para escreverem repetidamente a seguinte frase: " A pichação não compensa". Em seguida, receberão do governo chinês latas de removedor e palhas de aço para apagarem da muralha a merda que fizeram. Os removedores serão comprados pelos brasileiros, com vantagens para a China em duas frentes - venda de removedor e limpeza da muralha, que há séculos vem pedindo por uma boa manutenção.

 

A outra alternativa em estudo consiste na venda de parte da muralha para Donald Trump edificar o muro na divisa com o México. Essa opção esbarra no problema, até o momento incontornável, da entrega da mercadoria. A parte vendida da muralha teria que ser fatiada em milhares de pedaços, transportada em imensos navios e reunificada no local de destino. A manobra levaria décadas ou mesmo séculos. Até lá, Trump já teria concluído seu mandato e o presidente que o substituísse poderia muito bem mudar de ideia, tornando inútil todo o esforço.

 

- Imagem: Divulgação.

 

Marcelo Sguassábia© - 11/02/2018.

 

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Coca-Cola em Pessoa 

Pouca gente sabe, mas o grande Fernando Pessoa já fez free-lance para a Coca-Cola nos anos 20, quando da entrada da bebida no mercado português.

- E então, senhor Fernando? Já temos o nosso slogan?

- Aqui está. “Coca-Cola. Primeiro, estranha-se. Depois, entranha-se”. Que me diz?

- Bem... eu entendi o jogo de palavras, muito engenhoso, diga-se. Mas...

- Mas?

- Eu não gostei da primeira parte da mensagem, a impressão que se tem é que o nosso produto causa uma reação negativa. Senhor Fernando Pessoa, se estivesse em meu lugar, precisando de resultados e vendas, sendo cobrado pela matriz e necessitando consolidar a Coca-Cola no mercado lusitano, iria aprovar uma barbaridade dessas?

- Ora pois, que há de errado com o reclame?

- Ao usar o termo "estranhar", o nobre escritor já levanta a lebre que a bebida pode parecer a princípio repulsiva.

- Mas só a princípio. A segunda parte do slogan já rebate essa estranheza.

- Eu entendi o seu raciocínio. Na sequência, temos o "depois entranha-se", querendo dizer que, logo em seguida, o refrigerante passa a ser apreciado. Mas, olha, serei sincero: esse "entranha-se" também não me agrada de forma alguma. Entranha me lembra víscera, tripa, o que não combina nem um pouco com a sensação de sabor e refrescância prometidos pela nossa deliciosa Coca-Cola.

- Devo entender então que a minha frase foi reprovada por completo? O senhor está fazendo pouco do grande Fernando Pessoa, um gigante à altura de Camões? Um gênio tão inspirado que, não se bastando, teve de criar heterônimos para dar vazão a tudo o que tem a dizer?

- Heterônimos?

- Sim. Tenho dezenas deles, mas quatro são mais famosos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares.

- Entendi. Eu tenho uma sugestão a fazer: por que você não passa a criação do slogan para esses quatro amigos seus? Vai que sai alguma coisa que preste...

- O senhor não entendeu coisíssima nenhuma. Os quatro são eu mesmo. Eu os criei, cada qual com um estilo peculiar.

- Então! Mais um motivo para passar esse trabalho a eles. Serão quatro estilos diferentes pensando no nosso slogan. Isso é até bom, pois as opções serão provavelmente bem diversificadas. Vocês fazem uma concorrência entre si, e quem fizer o melhor fica com o dinheiro do freela.

- Mas todos eles são uma única pessoa. O senhor sabe o que são heterônimos?

- Olha, não me interessa se é heterônimo, se é Jerônimo, se é Antônimo, se é Anônimo, o que eu quero é o meu slogan. E que seja único e original, como é a Coca-Cola!

- Bem, eu tenho aqui comigo uma segunda opção. Algo assim: "Tudo vale a pena se a Coca não é pequena". Profundo, heim?

- Então, mas aí o senhor valoriza demais os outros tamanhos do refrigerante, e ao mesmo tempo diz que a Coca pequena não presta. E é das pequenas que vendemos mais! Por favor, senhor Pessoa. Admita que as opções não está lá essas coisas e bote novamente essa sua privilegiada cabeça pra funcionar. A sua e a dos seus amigos, esse Jerônimo e tudo mais. Boa sorte, nos falamos na próxima semana.

 

- Imagem: Divulgação.

 

Marcelo Sguassábia© - 03/02/2018.

 

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Affair virtuoso

 

 

Cada um na sua webcam. No começo, uma gracinha aqui e outra ali. Não demorou muito, amantes remotos.

 

- Bota o cachecol... bota o cachecol que eu enlouqueço logo de uma vez!

 

- Só se você colocar antes um gorro de lã. Mas tem que ser tipo capuz de bandido, daqueles que só ficam os olhos descobertos.

 

- Tá, mas depois você promete que veste um casaco? Sobretudo é meu fetiche, sabia? Já te falei isso? Então. Quero três casacões bem grossos e felpudos, um em cima do outro, até você ficar curvado de tanto peso, sem poder mexer os braços e sem nenhum poro do corpo descoberto! Ui, só de pensar eu fico doidinha, doidinha. Megaexcitante!!!

 

- Mas como você é safada, heim?

 

- Então, aí você faz uma dança sensual em frente à câmera e aos poucos, bem devagarinho, vai abotoando os casacos no ritmo da música, até ficar tudo bem fechadinho até o pescoço.

 

- Ai, mas e se alguém resolve entrar aqui no quarto e me pega assim, vestidão - do jeito que não vim ao mundo? O que que eu vou dizer? Imagina a situação, vestido dos pés à cabeça!

 

- Isso é problema seu, quem mandou me provocar? Reconheça: você também está gostando...

 

- Sabe, um negócio que me tira do sério é marquinha de biquíni... Você bem que podia arrumar uma mala cheia deles, e ir mostrando, com essa sua carinha de sem vergonha, as etiquetas com as marcas de todos os biquínis que existem no mercado. Uau! Isso ia ser demais. Podemos fazer isso amanhã, né? Por enquanto manda uma selfie pra mim, todinha vestida. Por favor, só uma, vai...

 

- Esse negócio de tirar foto vestida e enviar pela net é um perigo. Aliás, dois perigos. Um hacker pode entrar nos arquivos do meu computador, achar as fotos comprometedoras e publicar. E você também, caso a gente brigue e pare com essa brincadeira, pode se vingar jogando as fotos na web.

 

- Então faz o seguinte, tira a foto do pescoço pra baixo, sem enquadrar o rosto... aí não vai ter jeito de alguém reconhecer você como dona do corpo cheinho de roupas. Concorda?

 

- Não sei, não. Vou pensar. Mesmo não mostrando o rosto, acho muito perigoso. Ainda se fosse um nudezinho inocente, mas de roupa... se algum conhecido vê, com que cara eu vou sair na rua?

 

- Tudo bem, então vamos parar por aqui.

 

- Mas logo agora que está ficando bom? Investi o que tinha e o que não tinha nessa relação, entrei em tudo que é crediário de loja, pedi dinheiro emprestado...

 

- Bom, então resolve o que você quer fazer. Mas uma coisa é certa: nua assim ninguém vai reparar em você. Nem na rua, nem na internet, nem em lugar nenhum.

 

- Tô indo. Preciso de um tempo pra refletir sobre nosso caso.

 

- Tá, mas e a burca? Você prometeu.

 

- Imagem: Divulgação.

 

Marcelo Sguassábia© - 27/01/2018.

 

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O dia em que o Rubão explodiu

 

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Eram onze e meia da manhã quando o Rubão foi pelos ares.

 

O chefe o chamou em sua sala e começou a esculhambação. Metas, metas e mais metas não atingidas. Relatórios, gráficos de vendas, queda nos lucros. Cobrança de resultados, avanço dos concorrentes, vermelho inevitável no balanço do fim do mês.

 

– Então, seu Rubens, como é que fica?

 

O Rubão, do alto de um metro e noventa e quatro revestidos por largo invólucro adiposo, ia escutando calado, os braços cruzados e os olhos no chão. Foi quando começou a inchar. Os globos oculares querendo saltar do rosto. As mãos tremendo incontrolavelmente, os lábios arroxeando e dobrando de tamanho. No início ainda teve a consciência de afrouxar o nó da gravata e desapertar o cinto. Depois foi perdendo os sentidos e entregando-se resignado ao estouro iminente. O coração pulsava na altura do pescoço, veias e artérias iam rebentando como pipocas no microondas.

 

O chefe, agora acuado diante do quadro calamitoso, tentava uma remissão.

– Calma, Rubão, calma, esquece o que eu disse. Mês que vem a gente recupera essa situação, agora volta ao normal…

 

Três segundos depois, Rubão era carne moída. Explodira silenciosamente, low-profile, bem ao seu estilo. Talvez a banha abundante tivesse abafado o estrondo. O fato é que não havia centímetro de mármore, vidro temperado e madeira nobre da sala do diretor que não estivesse coberto com as vísceras do dedicado supervisor de vendas. Embora quase inaudível, a força daquele big-bang humano foi avassaladora. Alguns ossos encravaram-se, como que fossilizados, nas paredes do escritório, formando um curioso mosaico.

 

O diretor, tirando um fiapo de pâncreas preso aos seus óculos junto com o “R.J.T.” da camisa do Rubão (chamava-se Rubens José Tavares), tinha que pensar rápido. A situação era insólita, poderia ser acusado de assassinato.

 

Interfonou para a secretária e pediu que providenciasse um cão faminto, em pele e osso, imediatamente. Antes de tudo, limpar a área.

 

Refestelado do presunto e sua gordura, o cão começou a agonizar. O diretor decidiu levá-lo a um veterinário para uma injeção letal. Sacrificado o bicho, não haveria indício do ocorrido.

 

Não foi preciso. O cachorro chegou morto ao consultório. Sem a permissão do diretor, o doutor foi logo abrindo sua barrigada.

 

Após autopsiar o bicho, o veterinário foi categórico:

 

– Macacos me mordam, isso é carne de Rubão!

 

– Como assim? , disfarçou o diretor.

 

– Como assim digo eu, quem tem que se explicar é o senhor. Conheço carne de Rubão a léguas de distância. Além do mais…

 

Não chegou a concluir o raciocínio. Três tiros nos miolos o calaram para sempre. Sabia de tudo, era preciso eliminá-lo, pensou o diretor ao sacar a arma e mandar pro inferno o segundo num dia só.

 

Fugiu em disparada com o Rubão moído num saco de lixo, e se deu conta de que as placas dos carros todos tinham prefixo RJT. Pelas ruas em que passava via a Borracharia do Rubão, rubancas de jornal, a agência do Rubanco do Brasil, outdoors de Vick Vaporubão, concessionárias Mercedes-Rubenz.

 

Corria. E quanto mais corria, mais o espectro do Rubão ganhava fôlego para alcançá-lo. Ele com o pacote de carne já marrom, sem ter como livrar-se do finado a decompor. Entrou num beco, olhou para o céu e viu uma nuvem com o perfil exato do defunto. Exausto, cambaleou até chocar-se com a vitrine de uma loja de perfumes. O alarme soou: ru-bão, ru-bão, ru-bão, ru-bão…

 

Antes que a polícia viesse, chegou sua vez de explodir. Ruidosamente, gloriosamente, solenemente, como convinha a um executivo do seu porte.

 

No dia seguinte, os jornais noticiaram terem sido finalmente encontrados os restos mortais de Rubão, junto aos destroços de um desconhecido, enterrado como indigente.

 

- Imagem: Divulgação.

 

Marcelo Sguassábia© - 20/01/2018.

 

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Cachorro engarrafado

"O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado"

Vinícius de Moraes

 

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Ele chegou filhotinho, uma coisinha de nada, só 200ml de suave fofura e inocência. No rótulo se lia "12 years old", mas, para um exemplar daquele pedigree, doze anos era só o começo de uma longa e proveitosa vida.

 

E como foi saboreada a vida que me deu, enquanto durou. Não exigia nada em troca e não dava trabalho nenhum. Não pegava pulga, nem carrapato, banho não carecia, nem latir ele latia. Manso como só ele, deixava-se ficar ali na estante, entre livros e porta-retratos.

 

A intimidade e o zelo foram se achegando aos poucos, em goles discretos. Sabia o momento do seu reinado a cada fim de tarde, à hora certa e boa. Era quando trocávamos colos. Eu lhe dava o meu e ele me dava o dele. Sem gelo, reconfortante e amigo. Cicatrizante de mágoas e refazedor de ânimos, punha-me a alma pulando doida feito um cãozinho dançante de circo. Em sua irracionalidade, parecia conhecer a magia do seu caramelo com gosto e cheiro de envelhecido, levando como recompensa de sua travessura um biscrock ou coisa assim.

 

E quantas vezes eu ali quieto, no divã da sala, livro ou jornal nas mãos, e lá vinha ele com aquela cara de pidoncho, abanando o rabinho. Me ganhando com seu blend de cocker spaniel, poodle e yorkshire, um malte (ou seria maltês?) de aroma inconfundível e traços amadeirados de marcante personalidade, que só o repouso sem pressa em carvalhos escolhidos pode trazer.

 

Nessa toada, o tempo voou e ele espichou. De garrafa de bolso para 500ml, daí para 750 até chegar a um litro. Ou seja, se eu o entornava aos poucos, o seu crescer forte e saudável recuperava o consumido. Na cruza, rendeu oito filhotinhos. Todos com a sua cara e com os mesmos 200ml, o tamanho que tinha quando entrou em casa pela primeira vez.

 

- Imagem: Divulgação.

 

Marcelo Sguassábia© - 13/01/2018.

 

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* Marcelo Sguassábia, reside em Campinas-SP. É redator publicitário e colunista

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© Direitos Reservados, Marcelo Sguassábia, 2018.

 

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