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De olho na guerra:
Veículos aéreos secretos e projetos negros
A empresa aeroespacial Lockheed Martin
lançou o VANT RQ-170 Sentinel, uma aeronave de
reconhecimento não tripulada, que pode
ser a mais recente criação do “orçamento negro” dos EUA.
A
evolução não fica somente em aeronaves,
satélites de última geração também estão sendo adaptados.
Por
Pepe Chaves*
de
Contagem-MG
Para
Via Fanzine

O VANT RQ-170 Sentinel, que se aparenta a
um disco voador, mas é um veículo bem terrestre.
Orçamento negro e
aeronaves secretas
Com o título de “A tecnologia militar secreta na idade do
terrorismo” a revista americana ‘Popular Science’ do mês de setembro
desse ano, destaca, entre outros, um dos mais recentes e ousados
projetos secretos dos Estados Unidos, o RQ-170 Sentinel [imagem
ilustrativa acima], produzido pela
gigante aeroespacial Lockheed Martin. A fabricante, já faz décadas,
presta serviços para a Nasa e diversos departamentos do governo dos EUA.
Mas o artigo mantém seu foco nas grandes somas de dinheiro
do orçamento dos EUA, dedicadas aos projetos voltados para a produção de
veículos aéreos secretos. De acordo com a publicação, os projetos
secretos envolvendo aeronaves desconhecidas e promovidos pelo Pentágono
contam com um “orçamento negro” superior ao dos tempos da Guerra Fria.
No entanto, destaca que “o campo de batalha mudou completamente”.
O artigo é assinado pela jornalista Sharon Weinberger, e
aponta, “Todo ano, dezenas de bilhões de dólares do orçamento do
Pentágono vão faltar. O dinheiro não desaparece por causa de fraudes,
desperdício ou abuso, mas porque os planejadores militares dos EUA usam
tais verbas para desenvolver secretamente armas avançadas e financiar
operações clandestinas”.
Ela afirma que no próximo ano, este orçamento “negro” será
ainda maior do que era nos tempos da Guerra Fria, como em 1987, quando a
fiscalização do orçamento negro, pelo Centro de Avaliação Estratégica e
Orçamentária (CSBA), começou a recolher as estimativas fiáveis. “O total
atual é impressionante: US$ 58 milhões, o suficiente para pagar dois
projetos Manhattan completo”, afirma a autora.
Mas para onde vai tanto dinheiro?
Sharon Weinberger
afirma que o acompanhamento do orçamento negro sempre foi
um grande desafio. Constantemente mudam-se os nomes de projetos que
parecem ser gerados aleatoriamente por computadores, tais como, Tractor
Cage, Tractor Dirt e Hip Tractor são alguns exemplos reais desses
projetos.
A autora cita Todd Harrison, um analista do CSBA, para
quem, as dotações destinadas às operações classificadas no orçamento federal
de 2011, inclui US$ 19,4 milhões para pesquisa e desenvolvimento nos
quatro ramos das Forças Armadas (inclusive, financiamento à CIA, para os
seus ataques de drones ou VANTs [Veículos Aéreos Não Tripulados] no
Afeganistão e no Paquistão), além de outros US$ 16,9 milhões destinados
à aquisição de materiais, e US$ 14,6 milhões para “operação e manutenção”. Esta
última categoria, observa Harrison, tem se expandido rapidamente. Isto
pode sugerir que muitas tecnologias estão migrando diretamente dos
laboratórios para os campos de batalha.
Mudança de
estratégia
Para Weinberger, na verdade, o aumento nos gastos de defesa
acompanha uma mudança fundamental na estratégia militar norte-americana.
Após os atentados de 11 de setembro, o Pentágono iniciou uma mudança
desde a Guerra Fria, como premissa à manutenção da capacidade de
realizar duas grandes operações militares simultâneas, com o intuito de
se concentrar na guerra irregular contra indivíduos e grupos.
Essa mudança estratégica aponta que os investimentos não
estão mais voltados contra uma nação em si, mas contra grupos armados e
para tanto, os gastos se voltam às tecnologias que apóiem os
planejamentos dessa modalidade de guerra.
Weinberger afirma que cada ramo das forças armadas usa uma
linguagem diferente para descrever este processo e, mesmo dentro do
Pentágono, poucos conhecem os detalhes precisos do orçamento negro. Mas,
combinando o que é conhecido sobre os objetivos do Pentágono com os mais
recentes avanços em tecnologia militar, nasce um esboço de seus
contornos gerais.
Satélites espiões
e caçadas
pessoais
"Os satélites On Demand são hoje o sonho de consumo
do Pentágono para a vigilância no campo de batalha, que não termina com
os conhecidos drones", alega Weinberger. Outro objetivo é que satélites de reconhecimento possam ser
lançados dentro de poucos dias, numa abreviação drástica de um processo
que hoje levaria de um a dois anos. Os satélites têm pelo menos duas
vantagens significativas sobre os drones: eles podem ficar no ar, 365
dias por ano e podem trafegar livremente, pois estão isentos de preocupações legais acerca do espaço
aéreo internacional.
Realizar vigilância com drone mantendo a qualidade de um
satélite exige uma tecnologia avançada de imagem como aquela encontrada
em um satélite experimental lançado pela Força Aérea dos EUA no ano
passado, o TacSat-3. O satélite TacSat-3 está equipado com sensores
hiperespectrais, que captam a radiação eletromagnética em um espectro
tão amplo que pode detectar até uma bomba enterrada. É um passo inicial
para que os satélites passem a localizar e identificar pessoas individuais
na superfície da Terra.
O primeiro elo do plano mortal seria encontrar a pessoa
caçada. Particularmente, no Afeganistão e no Paquistão, esse tipo de
espionagem é cada vez mais utilizada com os Veículos Aéreos não
Tripulados (VANTs ou do inglês, UAVs). De acordo com a New America
Foundation, uma organização americana sem fins lucrativo, os EUA
realizaram 45 ataques de drones no Paquistão, somente nos seis primeiros
meses de 2010. Tomando por base o uso de aeronaves não tripuladas para
missões, como sugere o orçamento negro, é quase certo que os drones de
uma próxima geração já tenham recebido financiamentos.

Capa da revista Popular Science, de
setembro/2010.
The Lockheed
Martin RQ-170 Sentinel
Em abril de 2009, uma revista francesa publicou a
fotografia de uma aeronave desconhecida e com asas finas, a qual já
havia sido detectada também no sul do Afeganistão e que especialistas
aeroespaciais designaram de a “Besta de Kandahar”. Depois surgiu uma
outra fotografia, à qual, a Força Aérea emitiu um comunicado e
finalmente forneceu sua identidade formal: era o The Lockheed Martin RQ-170
Sentinel.
Fabricado pela Lockheed Martin, o RQ-170, consiste numa asa
tailless, que possui contornos superficiais de uma aeronave
equipada com sistema stealth
[o que a torna invisível aos radares].
Foram notadas as semelhanças entre o RQ-170 e as aeronaves Lockheed
Polecat não tripuladas, que os observadores de VANTs, faz muito tempo,
já especulavam que estariam sendo desenvolvidas em segredo, até que foi
finalmente tornada pública na Farnborough International Airshow, uma
feira na Inglaterra, em 2006.
A Força Aérea diz que o Sentinel se trata apenas de um
avião de reconhecimento, mas para Weinberger, muita coisa sobre o RQ-170
ainda é intrigante. Ela indaga sobre o porquê de a Força Aérea americana
necessitar de uma aeronave stealth no Afeganistão, um país sem
sistema de defesa por radar. Para a autora, o QR-170 foi desenvolvido
tendo em mente um inimigo mais sofisticado, talvez, a China. No entanto,
argumenta, "isso não significa que ela não poderia ser adaptada para os
conflitos atuais".
Para
Sharon Weinberger,
ao contrário do Predator, relativamente fácil de detectar,
assim como os drones Reaper, o QR-170 em stealth poderia permitir
a realização de missões que os aviões são limitados. Entre elas, o
monitoramento clandestino, ou mesmo, navegar despercebidamente para além
das fronteiras do Afeganistão, em direção ao Irã ou ao Paquistão, por
exemplo, para espionar seus programas nucleares.
Aeronaves como o RQ-170, o Predator e o Reaper podem estar
perto do fim de suas jornadas. Por esta razão, afirma
Weinberger,
o Pentágono estaria a desenvolver
micro-aviões projetados para investigações perigosas em terreno inimigo.
Em abril, o jornal ‘Washington Post’ relatou que a CIA estava usando
micro-aviões do tamanho de pratos de pizza para localizar insurgentes no
Paquistão.
O orçamento do Pentágono em 2010 contém uma breve
referência ao projeto (não classificado) Anubis, que leva o nome do
antigo deus egípcio dos mortos. O Anubis se trata de um micro-robô
desenvolvido pelos laboratórios de pesquisa da Força Aérea. De acordo
com Weinberger, a Força Aérea não vai se pronunciar sobre tal veículo
específico, mas um vídeo de marketing feito em 2008 e divulgado pelo
laboratório, sugere que no futuro os micro-VANTs possam ser equipados
com uma infinidade de produtos químicos, cargas inflamáveis, explosivos
ou mesmo artilharia de precisão, de acordo com a capacidade de cada
segmentação desses veículos.
O vídeo mostra uma aeronave drone carregada de explosivos,
trabalhando durante um bombardeio. Documentos do Orçamento indicam que o
Anubis Project agora está completo, e isso significa pelo menos um micro-drone já poderia estar
atuando em campo.
OVNIs e VANTs
Temos alertado há muito que o aparecimento de aeronaves
desconhecidas nos céus do planeta pode estar relacionado com projetos
secretos, tantos dos EUA, quanto de outros países. Enquanto apressados
pesquisadores da ufologia correm para taxar de natureza ET a tudo o que é
desconhecido, temos alertado para o surgimento desses veículos aéreos
desconhecidos que, por isso mesmo, se configuram como OVNI (Objeto
Voador Não Identificado). Eles são antigos e estão de fato, sendo cada
vez mais aperfeiçoados e em breve, poderão portar - pelo bem ou pelo mal
- tecnologias imagináveis.
Este é um exemplo real e vem a calhar ao que citamos faz
pouco tempo, num
editorial sobre OVNIs, dissertando o quanto é errôneo afirmar ou sugerir
que qualquer OVNI se trate de um veículo voador pilotado por ETs ou vindo de um outro
planeta cujas civilizações seriam mais avançadas que a nossa. Por mais surreais que
sejam seu desenho ou suas manobras de navegação, não é correto ou
prudente afirmar que um objeto voador desconhecido provenha de uma fonte
extraterrestre inteligente.
Certo é que a popularização dos VANTs, bem como o
crescimento da indústria de aeromodelos motorizados deverão agravar
ainda mais a confusão feita por leigos ou entusiastas dos discos
voadores, que insistem em taxar de “extraterrestre” tudo o que lhe é
desconhecido.
Dilma quer VANT
No Brasil, alguns VANTs já estão em operações e
treinamentos militares. Curiosamente, dois dias após publicarmos no
diário
Via Fanzine o citado
editorial
e a matéria
Yes, nós temos drones, do pesquisador e co-editor do portal
UFOVIA, Fábio
Bettinassi, sobre drones e VANTs - coincidência, ou não - a candidata à presidência da Republica
do Brasil pelo PT, Dilma Rousseff, que jamais havia tocado nesse
assunto, destacou sobre o uso de Veiculo Aéreo Não Tripulado em seu
governo.
Falando ao público de um comício realizado no
domingo, 22/08, Dilma Rousseff prometeu,
se for eleita, colocar VANTs pairando sobre as grandes cidades
brasileiras com o intuito de aumentar a segurança e coibir a violência
nessas metrópoles. Também salientamos que algumas unidades militares
e, sobretudo ligados à Defesa do Brasil já realizam operações utilizando VANTs, inclusive, há segmentos
militares que também trabalham na produção e aperfeiçoamento desses veículos.
Finalidades
Como vimos, as finalidades dessas aeronaves
não tripuladas podem ser ilimitadas, dependendo, evidentemente, das
intenções e interesses de quem as controla. Os VANTs podem servir desde para
monitoramento e segurança urbana (como sugere Dilma), até mesmo para
ataques bélicos, envio de materiais, prospecção mineral e em breve,
também para encontrar pessoas refugiadas.
E enquanto isso, os "mistérios" transitam entre a terra e o céu.
* Pepe Chaves é editor do diário
digital Via Fanzine e dos
portais UFOVIA,
AEROVIA e
ASTROVIA.
- Com informações da revista
Popular Science (EUA), com tradução do autor.
- Colaborou: Luis Gago (BA).
- Fotos: Popular Science.
- Leia também:
Um VANT britânico em resposta aos EUA
- Por Pepe Chaves, para VIA FANZINE.
Yes, nós temos drones - Por Fábio Bettinassi, para UFOVIA.
FAB regulamenta
notificações de OVNIs e fala com VF -
AEROVIA
'Fantástico'
diz que 'desvendou discos voadores' - editorial UFOVIA.
- Produção: Pepe
Chaves.
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