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 Crônicas do Manoel

 

 

Precatórios:

Honestidade e desonestidade

É 'Fantástico': denunciado esquema milionário de desvio de

dinheiro por ex-funcionária e ex-presidentes do TJ do RN.

 

Por Manoel F. Amaral*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

16/05/2012

 

Sombra e água fresca no Rio Grande do Norte.

 

Tudo começou em 2007, quando a funcionária de carreira no tribunal, Carla Ubarana, foi convocada para uma missão especial, pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio Grande do Norte. Ela assumiu um cargo na Divisão de Precatórios e esta  fez um levantamento de uma verba no valor de R$ 1,6 milhão, dinheiro este que ficava “parado”. Este dinheiro vinha dos precatórios, dívida recebida pelo Estado em ações na Justiça.

 

“Como o dinheiro não tem dono, o que a gente pode fazer para trabalhar o dinheiro?” – perguntou um dos ex-presidentes do TJ. Emtão, o esquema foi montado com a ajuda de laranjas. Calcula-se que tenha havido um desvio de mais de R$ 20 milhões.

 

Na casa do casal, que se gabava do esquema montado, a polícia encontrou:

- Papel higiênico importado;

- Dois celulares que custaram R$ 33 mil;

- Seis carros de luxo, uma Mercedes que custou R$ 650 mil;

 

Gastaram mais de R$ 1,25 milhões, em viagens ao exterior, ficando nos melhores hotéis. Compraram imóveis; uma casa na beira de praia, com piscina aquecida, no valor de R$ 3 milhões.

 

O pior é que o casal, que se encontra em prisão domiciliar, parece se orgulhar das viagens que fizeram com o dinheiro do erário.

 

Do lado, lá na ponta da linha, no mesmo Rio Grande do Norte, na cidade de Caicó, o catador de lixo José da Silva Fernandes, encontrou R$ 100 mil num lixão.

 

Neste caso a honestidade falou mais alto e José devolveu o dinheiro para o dono.

 

Não vou nem entrar em mais detalhes...

 

*  *  *

 

Menor de idade:

O pequeno grande bandido

O Brasil precisa rever urgentemente a sua moderníssima legislação.

Do jeito que vai, brevemente até criancinhas de 5 anos estarão assaltando nas ruas.

 

Por Manoel F. Amaral*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

28/04/2012

 

Salvem-se ou morram afogados!

 

Começou a roubar quando tinha apenas 10 anos, hoje com 16 já é um grande bandido, com uma ficha policial quilométrica.

 

Continua beneficiando-se de nossa retrógrada lei. Alguns dizem que em matéria “di menor” temos as melhores leis do mundo.

 

No entanto alguma coisa não está funcionando, os menores estão cada vez mais envolvidos nos crimes: desde roubo de carros até assassinatos.

 

Muitos milhões de reais envolvidos e eles entram na cadeia num dia e saem no outro como se nada tivessem acontecido.

 

Não são crianças, não são jovens, são marmanjos travestidos “di menor”.

 

Sabem roubar, matar, esconder, atirar, espalhar o terror em qualquer lugar. Sabem muito bem o que estão fazendo. Poderiam ser julgados como em outros países como a França (a partir dos 13 anos), Itália, Japão e Alemanha (14 anos), Egito (15 anos) e Argentina (16 anos).

 

O Brasil precisa rever urgentemente a sua moderníssima legislação. Do jeito que vai, brevemente até criancinhas de 5 anos estarão assaltando nas ruas.

 

Os menores estão todos com barbas na cara, sabem estuprar, sabem até explodir caixa de bancos e roubar o dinheiro. Ultimamente calcularam mal, derrubando até o prédio. Se sabem tudo isso podem sim ser processados,  julgados e ficar na cadeia para “curtir” (não é assim que dizem?) seus crimes. Nada de redução de pena, nada de privilégios, nada de benefícios. Se fosse fácil, até trabalho forçado seria bom para aprenderem mais cedo que a vida vale mais do que imaginam.

 

É a Revista Veja que confirma: um em cada dez homicídios é cometido por menor.

 

Agora eles estão se especializando até em sequestro relâmpago. Aquela modalidade em que pegam o motorista, rodam a cidade inteira passando nas melhores lojas e fazendo compras com o cartão do sequestrado. Ou então exigem a senha e sacam todo o dinheiro do coitado. E eles não perdoam nem os idosos. (E ainda vem um inteligente Deputado querendo que os carros que transportem idosos tenha um adesivo alusivo (êpa!)). Aí que todos nós iremos para o beleléu, para a cidade dos pés juntos, passando desta para melhor (?).

 

Assalto à mão armada já praticam há muito tempo. Entram em bancos, mercearias, shopping e até em joalheria, levam tudo e ainda prendem os proprietários. Se o dinheiro for pouco, atiram e matam as pessoas, como se elas fossem animais de caça (que hoje até é proibido). Não perdoam nem a Zona Rural.

 

As mães, os pais e os parentes ficam calados porque também podem morrer ou por um lado ou por outro.

 

As meninas também estão entrando no crime, vão de 12 a 18 e entraram para competir com os meninos. Começam na escola, brigando com todo mundo. Filmam, colocam no ar, pela internet. Alguns pais incentivam, acham graça:

--Que menina danada, sabe lutar bem. – Depois começam a usar drogas, aí vem o inferno familiar, os pais não podem fazer nada. Se podem, não fazem.

 

Os drogados sempre dizem que podem parar quando querem, mas na realidade eles mesmos sabem que não é verdade.

 

Se preparem Senhores pais: vem aí uma droga muito pior que o Crack. Mais possante, efeito instantâneo, arrasador, mais barata e fabricada em laboratório, em grande escala.

 

Ninguém tem interesse real em mudar nada disto. Envolvem muitos bilhões de dólares. É uma teia, uma coisa puxa a outra. E ainda temos internet para divulgar tudo, não é mesmo?

 

Salvem-se ou morram afogados!

 

*  *  *

 

O futuro sem escola:

Os professores do futuro

Não tinha mais Professor, nem aluno, nem escola, nem livro em papel,

nem muitos dos aparelhos eletrônicos do passado recente.

 

Por Manoel F. Amaral*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

16/04/2012

 

As tecnologias do futuro vão estar dentro da cabeça de cada um.

 

Estamos em 2062, pelo programa inventado por um brasileiro, hoje trilionário, um tal de Osvanir, filho de Osvandir, denominado “Lei do menor esforço”; os estudantes não precisavam mais ir as escolas.

 

Para formar-se em qualquer curso, basta apenas ir a um dos milhares de laboratórios de Brasileia e solicitar a implantação de um minúsculo (e põe minúsculo nisso, menor que um pontinho final) chip no cérebro na região específica.

 

“Vai um curso de Matemática Avançada aí? Passe em nosso Curso Espacial do Professor Osvanir e implante o seu”, dizia a propaganda.

 

“Quer ser um cientista completo? Só demora um segundo e clic, está instalado o seu Curso Completo de Medicina Nuclear”, dizia outro texto que passava em várias telas por todo lado.

 

Não tinha mais Professor, nem aluno, nem escola, nem livro em papel, nem muitos dos aparelhos eletrônicos do passado recente.

 

O maldito celular foi banido de todos os países, agora foi criado um simples dispositivo implantado na orelha de cada cidadão, para comunicação. Óculos não existem mais, apenas uma membrana colorida abre e fecha conforme a necessidade de proteger-se da luz.

 

Osvanir, PHD em vários assuntos, havia estudado eletrônica, mecatrônica e nanoeletrônica e resolvera, num golpe de sorte, criar a ONG (Osvandir Nova Geração), em homenagem a seu pai.

 

A empresa espacial, (as minúsculas peças eram criadas no espaço) ia de vento em popa. Tudo estava dando muito certo. Até criara o Museu Universal, onde você poderia aprender sobre o passado da humanidade, desde o homem das cavernas até a era da conquista espacial.

 

Na década de 15 (2015), os alunos violentos estavam assassinando os professores em sala de aula. Brigas, bullyngs, guerras de torcidas de futebol, políticos corruptos tomaram conta de tudo.

 

Veio a 4ª Guerra Total, os EUA, Inglaterra e Israel ficaram destroçados. Em 2050 tudo foi recuperado, os campos de guerra viraram campos de produção.

 

Onde outrora existia a bela cidade de New York, hoje verdeja uma enorme plantação de milho americano.

 

A minúscula ilha inglesa hoje só tem batata, as cidades foram todas destruídas. O Big Bem há muito parou de dar as suas badaladas. Dos palácios chiques só sobrou as lindas fotos tridimensionais.

 

Em Brasileia, tudo ficou diferente, mas para melhor. As cidades não eram mais exageradas, tinham um tamanho padronizado: Grande, média, pequena e não cresciam além da conta. Tudo era planejado eletronicamente.

 

Numa das visitas ao Museu Universal os alunos (não arranjaram palavra melhor) viram como era as aulas em 2020: O Professor ficava numa redoma de vidro, à prova de bala, para evitar assassinatos. Depois criaram o Professor Holográfico, apenas uma projeção, mas as guerras entre os alunos continuavam. Até que o nosso brilhante Professor Osvanir teve a ideia de criar a ONG (Osvandir Nova Geração).

 

A partir daí tudo se tornou mais fácil, não existia mais nem alunos e nem professores, apenas um laboratório fazia tudo.

 

Agora já estão projetando para o futuro, o nascimento de crianças com os Chips do Saber implantados em seus cérebros. Há muito que as mulheres não tem mais este incômodo de gerar crianças, são todas produzidas nos laboratórios das Centrais de Reprodução Humana.

 

Engraçado, uma coisa a ONG não conseguiram mudar, a maneira de pensar e viver do brasileiro. O mineiro, o carioca, o paulista, o baiano, o nordestino, os do sul; tudo no mesmo estilo. Foi até bom esta diversidade, aí reside a alegria de nosso povo: a diversificação.

 

Atualmente estão até estudando este assunto para implantá-lo em outros países.

 

Não havia mais guerras, aprenderam finalmente, a lição.

 

E SALVE A PAZ, invenção de um brasileiro!

 

* Manoel Ferreira do Amaral é escritor e editor do blog http://osvandir.blogspot.com.

 

- Imagem: Divulgação.

 

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Quem vai querer bacalhau?

Salva-ti peixe ou morre afogado

E a ONG que passou a mão na dinheirama? Não dá notícia. Foi viajar,

e passar o fim da semana na praia, como todo brasileiro gosta de fazer.

 

Por Manoel F. Amaral*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

05/04/2012

 

Apesar do "incansável" trabalho do Ministério da Pesca, o bacalhau

continua sendo um dos pratos mais caros na mesa do brasileiro.

Será preciso criar o Ministério do Bacalhau?

 

E vejam só: o Ministério da Pesca deu R$ 770 mil para ONG Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Integral da Natureza - Pró-Natureza, do Distrito Federal para criar peixes.

 

Mas até hoje não apareceu nenhuma tilápia por lá. Nem tanques, nem terreno, nem fazendeiro, nenhum criando peixes. Nem curso para este tipo de empreendimento. Este projeto para criação de peixes no entorno de Brasília não saiu do papel.

 

E o povo de Brasília doidinho para traçar uma tilápia frita com cerveja, naquele calorão insuportável do Planalto Central.

 

E aí vem o Google dizendo que não é tilápia e sim tilaria... Assim não dá para escrever sobre peixe em plena Semana Santa. E o que é mesmo tilaria? Esta palavra não existe segundo o próprio Google. Vocês entenderam? Nem eu!

 

Mas vamos ao peixe podre: Esta notícia estourou em plena semana quando o brasileiro mais consome peixe.

 

Mas, cadê o dito cujo? Lá no local onde deveria estar os tanques de criação, só tem um mandiocal: Núcleo Rural Rajadinha, em Planaltina (DF).

 

E a ONG que passou a mão na dinheirama? Não dá notícia. Foi viajar, e passar o fim da semana na praia, como todo brasileiro gosta de fazer.

 

A coisa anda tão suspeita que mesmo antes de receber qualquer recurso, a entidade (ONG) pagou R$ 75,9 mil para a Rover Consultoria Empresarial Ltda. para elaborar um diagnóstico sobre a pesca no entorno.

 

Esta tal de Pró-Natureza (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Integral da Natureza) teve ainda a cara de pau de solicitar no ano passado (28/10), ao Ministro Luiz Sérgio, um aditivo de 16 meses e mais R$ 224,7 mil. Só mesmo no Brasil.

 

O Bacalhau apodreceu mesmo

 

E nossa querida Ministra Ideli afirmou que o convênio com a ONG não foi firmado durante sua gestão. A execução e a liberação dos recursos foram feitas pela ministra em cumprimento ao cargo que ocupava. “Uma vez que não havia qualquer suspeição, a ministra não poderia se negar a pagar o convênio, correndo o risco de responder por não cumprir os compromissos firmados na gestão anterior”, diz sua assessoria.

 

Salva-ti Ministra.

 

* Manoel Ferreira do Amaral é escritor e editor do blog http://osvandir.blogspot.com.

 

- Imagem: Divulgação.

 

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O Pastor:

Igreja dos Escolhidos de Deus

“Aquele que sabe pedir, achará sempre idiotas para contribuir”.

(Osamir, primo do Osvandir)

 

Por Manoel F. Amaral*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

30/03/2012

 

Alguns pastores acreditam deter a arte de tirar o diabo do couro.

 

Ele se instalou na poltrona para ser entrevistado por Osvandir. Várias perguntas por fazer e as palavras foram saindo daquela boca que todos consideravam como “santa”. Santo homem aquele, tinha 50 igrejas-empresas, que esparramavam amor, caridade, milagres, fé e alegria para todos onde passava.

 

Estavam nos EUA. Aquilo tudo parecia um parque de diversões, mas era uma igreja, a Igreja dos Escolhidos de Deus.

 

No início Osvandir até achou que tinha entrado no local errado. A entrada era como num shopping, grandes lojas, praça de alimentação, brinquedos para as crianças, cinemas dos dois lados, livrarias, roupas, calçados e diversão. Muita diversão para todos.

 

Vocês acham que eram como os bancos duros, de madeira, das igrejas pobres? Não, aquilo ali era um luxo só. Cadeiras cobertas com couro legítimo e estofamento de material de primeira qualidade.

 

Sem contar as caríssimas caixas e instrumental para o apurado som.

 

Osvandir sentiu-se um pouco descontrolado, mas preparou-se para fazer a primeira pergunta:

 

-- Quantas pessoas trabalham para a igreja?

-- Dez mil pessoas só aqui em Nova Iorque, no país todo seria necessário consultar o meu tablet.

-- De onde vem tanto dinheiro, para construir tudo isso?

-- Das doações dos fiéis, a maioria espontânea, independente de qualquer campanha de nossa igreja – frisou o Pastor.

-- Mas e as terras, que os jornais estão dizendo ter comprado lá no Brasil, na Amazônia? – quis saber Osvandir.

-- Olha, isso tudo é fofoca dos jornalistas que querem destruir a Igreja dos Escolhidos de Deus. – Respondeu, meio nervoso, o Pastor.

-- E os 50 milhões de dólares, pago a vista, na compra de imóveis aqui mesmo nos Estados Unidos?

-- Outra invenção de quem pretende nos atingir. Nós alugamos a maioria dos galpões onde celebramos os nossos cultos.

-- Li nos jornais que tem comprado terras onde tem minérios como nióbio, terras raras, ouro, pedras e metais preciosos...

-- Quem pode comprovar isso...

-- Está na mídia... – afirmou Osvandir.

-- É preciso muita paciência para aguentar estes infiéis. Hoje estou sem tempo para continuar esta entrevista. Ligue-me para marcar noutro dia.

-- Sim, Senhor Pastor, ligarei. – respondeu meio receoso Osvandir.

Saindo daquele palácio, onde estava, foi para o hotel e juntou todo o material que já havia coletado e vejam só no que deu.

A maioria dos jornais noticiava a mesma coisa:

 - Essas pequenas igrejas são grandes negócios.

- Uma guerra nada santa.

- Ficou milionário surrupiando o dinheiro dos fiéis de sua igreja.

- O templo é espaçoso e moderno, equipado com três grandes telões e os mais modernos sistemas de som e iluminação para a apresentação de peças de teatro e musicais.

- Usa jatinho e coleciona fazendas. 

- Promessa de visão para os cegos e voz para os mudos.

- Pessoas vão à igreja na esperança de enriquecerem ou de serem curados ou de se tornarem “vitoriosos.”

- Pedem para fazer o depósito direto na conta da Igreja.

- Outros jornais alegam enriquecimento ilícito do Pastor.

- Tem recrutado ex-pastores de outras igrejas.

- Pistas de pouso, helicóptero, carros importados e mansão com piscina nas fazendas.

- Se beneficiando da fé alheia para proveito próprio.

 

Mediante esta quantidade de acusações o melhor seria investigar mais para trazer ao público as informações corretas.

 

* Manoel Ferreira do Amaral é escritor e editor do blog http://osvandir.blogspot.com.

 

- Imagem: Divulgação.

 

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Os idosos:

Abandonados, maltratados, roubados e assassinados

Foi assaltado e nem percebeu. Deve ter sido aquele elegante Senhor,

engravatado, acima de qualquer suspeita, que ofereceu-lhe um sorvete na esquina.

 

Por Manoel F. Amaral*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

12/03/2012

 

 

Os filhos, para agradar, usam uma infinidade de nomes para os seus velhos: Terceira idade, melhor idade, idade especial ou idoso; pura bobagem. Velho é velho, aqui ou em qualquer lugar do mundo.

 

Tem as suas deficiências: está ouvindo pouco, comendo menos, andando emborcado, desequilibrado, nem consegue raciocinar direito.

 

Outro dia vejo pela TV mais um, entre os milhares de casos, de um velhinho de mais de oitenta anos que foi ludibriado por um mau caráter, bem vestido, se dizendo tratar de um representante de banco. É bom frisar que banco não envia ninguém a sua casa.

 

Chegou, pediu para entrar, falou que o cartão da vítima estava com problemas, que iria providenciar a troca para que tudo ficasse bem.

 

O inocente, de cabeça branca, com o peso da idade nas costas, entregou o seu cartão, sem pestanejar e ainda agradeceu ao malandro.

 

Alguns dias depois recebeu a péssima notícia que o  pagamento da sua aposentadoria, estava faltando alguns reais, para ele muito dinheiro.

 

Procurou logo a família, gente simples, que nem sabia o que fazer. O advogado orientou para que procurassem o banco, que não deu muita atenção ao assunto.

 

Voltaram ao advogado, que novamente foi parar naquele banco, exigiu o cancelamento do cartão e emissão de outro.

 

Houve então, como o velho não tinha assinado nada, o cancelamento daquele empréstimo.

 

O velhaco senhor, todo engravatado foi avisado pela financeira que o negócio não deu em nada. Que tratasse de pagar do seu bolso o gordo financiamento. Ele escorregou por entre as linhas daquele contrato e devolveu o que tinha recebido.

Mas nem sempre é assim e estes vagabundos, estão por aí, a cada dia aplicando novos golpes, difíceis de serem acompanhados e resolvidos pela polícia. A cada dia eles inventam uma nova maneira de assaltar a quem trabalhou a vida inteira e agora acha que pode descansar.

 

Se pensam que os velhinhos, os de melhor idade, estão a salvo da família, estão muito enganados. Volta e meia estão enrascados com parentes que querem por a mão na sua grana.

 

Outro dia mesmo foi um neto que no descuido do idoso, passou a mão na dinheirama e foi gastar com drogas.

 

Outro caso comum é o procurador que recebe uma quantia e repassa apenas a metade e estamos conversados...

 

Tem gente que fica de olho e na saída do banco, conversa vai, conversa vem e quando o coitado chega em casa, suado, cansado, pernas doendo, cabeça girando e sua filha pergunta:

 

-- Pai cadê o dinheiro?

-- Ele bate a mão no bolso e nada por ali.

 

Foi assaltado e nem percebeu. Deve ter sido aquele elegante Senhor, engravatado, acima de qualquer suspeita, que ofereceu-lhe um sorvete na esquina.

 

Agora a comida ia diminuir, o cigarro também e o amor de filha, irritada, estaria comprometido.

 

O Governo Federal e os Estaduais abriram as pernas e permitiram os mais variados descontos em folha, inclusive destes empréstimos, até por telefone; onde já se viu uma coisa dessas. O cidadão não assina documento nenhum e no noutro dia lá está o dinheiro em sua conta.

 

E se o indivíduo que ligou não for a pessoa que está dizendo ser? Apenas pegou os seus dados em qualquer lugar, na internet, achou na rua ou roubou pura e simplesmente.

 

As financeiras estão por aí, em todas as esquinas, nos melhores pontos, competindo com os grandes bancos. São muitas, fervilham nas grandes cidades e anunciam em todos jornais, rádios e televisão: Dinheiro a juros baixíssimos, escondem no pacote as altas taxas administrativas cobradas do idiota que pega um empréstimo para pagar outro.

 

A moda agora é juntar todos os seus empréstimos e pagar tudo num só. A vantagem? Só das Financeiras! Você por acaso já viu Bancos e grandes empresas fazer alguma coisa vantajosa para o cliente? Enfiam a faca de qualquer jeito, querem é arrecadar ou vender.

 

Haja vista os altíssimos lucros, só no Brasil, dos quatro maiores bancos. Nem vou citar nomes, isso não adianta, só serve de propaganda para eles.

 

Para que falar mais? Não vamos fugir do assunto. Velho é velho e pronto!

 

* Manoel Ferreira do Amaral é escritor e editor do blog http://osvandir.blogspot.com.

 

- Imagem: Divulgação.

 

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Eleições 2012:

Urna Eletrônica Brasileira

"Parodiando Collor: a urna eletrônica brasileira é uma carroça" 
Raul Takahashi

 

Por Manoel F. Amaral*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

17/02/2012

 

Esta semana fiquei muito preocupado com uma notícia que recebi sobre a nossa tão badalada urna eletrônica.

 

Na realidade ela  não é tão boa como a propaganda diz.

 

Tem vários pontos vulneráveis e além do mais não fornece o registro digital do seu voto, caso queira.

 

Li um relatório 2º Relatório do Comitê Multidisciplinar Independente  sobre as urnas eletrônicas argentinas de 2ª geração – 2011. Aí foi que cheguei a conclusão que a  nossa é mesmo uma carroça como disse o Raul, da frase acima.

 

Não tenho mais confiança no sistema eleitoral informatizado. Fico imaginando a quantidade de fraudes que já houve sem nenhuma condição de constatação. A urna é uma caixa preta, apesar de não ser desta cor, como a dos aviões que na realidade é laranjada.

 

Não tem como o Fiscal de Partido fiscalizar a votação, a apuração; pois tudo é eletrônico. Imaginem com estes hackers que invadem tudo. Não tem mesmo segurança nenhuma, apesar dos tribunais dizerem o contrário, eu não acredito nisso.

 

Acho que o título eleitoral deveria ser com chip com todos os dados do eleitor e um dispositivo para evitar mais de uma votação no mesmo dia. Seria mais garantido. Tem em estudos um sistema que está sendo implantado de identificação pela digital, mas este já outro assunto.

 

A nossa urna não saiu da primeira geração. Tem muitos países que já aperfeiçoaram as suas, razão pela qual nunca confiaram na nossa.

 

A Argentina já produziu uma muito melhor que a nossa, bem mais moderna e com muitos recursos, como nos celulares de última geração. O cidadão não precisa teclar, apenas correr o dedo na tela, como fazem também nos tablets.

 

Segundo os técnicos em computação as fraudes em  nossas urnas são de difícil detecção e não é confiável.

 

As da Argentina já possuem o registro material do voto, procedem auditoria automática do sistema e só utilizem programas de computador abertos, com esse Projeto de Lei do Voto Virtual, o Brasil vai na contramão da história.

 

 eleitor argentino pode conferir se o registro digital do seu voto contém de fato o seu voto. O eleitor brasileiro não pode.”

 

“Nenhum sistema informatizado é imune à fraude,” não sou eu que estou afirmando isto, são os técnicos em computação.

 

Uma comparação da argentina com a brasileira

 

1.      O eleitor argentino pode conferir e até refutar o registro digital do seu voto, antes de deixar o local de votação e de forma simples e direta.
O eleitor brasileiro não pode - no Brasil, o conteúdo do registro digital do voto é secreto até para o próprio eleitor, pois não lhe é permitido ver ou conferir o que nele foi gravado.

 

2.      Os fiscais de partido na Argentina podem conferir a apuração do voto eletrônico, verificando a integridade de cada registro de voto e assistindo sua contagem. O fiscal eleitoral brasileiro não pode - no Brasil, a apuração dos votos eletrônicos é secreta para o fiscal brasileiro, já que não lhe é permitido acompanhar e conferir a contagem dos votos.

 

 

3.      É plena a colaboração das autoridades eleitorais argentinas de todos os níveis para com a fiscalização, agregando segurança e confiabilidade ao processo eleitoral.

 

Tem mais uma coisinha, muito importante, que não falei: a apuração na Argentina é muito mais rápida que no Brasil.

 

 tela é maior e possui touch-screen, em vez do teclado fixo, bem mais prático.

“ Na Argentina, após votar, o eleitor recebe seu voto na chamada cédula eletrônica e em papel impresso.”

 

“A urna argentina é mais rápida e "mais transparente" que a brasileira, por permitir que tanto o eleitor como o mesário possam conferir a "integridade do registro do voto".  

 

* Manoel Ferreira do Amaral é escritor e editor do blog http://osvandir.blogspot.com.

 

- Imagem: Divulgação.

 

- Extra: 

Clique aqui e confira demais dados na fonte.

 

 

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Literatura:

O livro impresso não vai acabar 

A colônia digital

“No passado, os guerreiros hábeis tornavam-se, eles próprios, invencíveis.

Depois, esperavam as oportunidades para destruir o inimigo.”

A Arte da Guerra de Sun Tzu, 500 A.C.

 

Por Manoel F. Amaral*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

07/02/2012

 

Antologia impressa do Blog do Osvandir.

 

Já fazia anos que eles estavam no espaço. Eram jovens, não conheciam o seu planeta de origem.

 

Tudo ali era digital. Não tinha jornais, revistas, livros impressos. Grandes telões davam as notícias do dia. Escolas adaptaram o antigo quadro negro, do planeta mãe, para enormes telas brancas que funcionavam ao toque das mãos.

 

O ensino também era implantado no cérebro, em chips, por blocos: geografia, história, matemática, química, biologia, línguas e ciências espaciais.

 

Naquela Colônia cada um fazia o seu trabalho previamente estabelecido por computadores e ninguém reclamava.

 

Um dia um jovem rebelde veio mostrando a todos os colegas um livrinho em papel antigo e todos da turma ficaram curiosos. Tinha muitas palavras que eles desconheciam, mas era curioso pegar aquelas páginas amareladas pelo tempo e descobrir o que continham.

 

O primeiro livro que conheceram chamava-se A Arte da Guerra de Sun Tzu, escrito na China há séculos. Depois apareceram livros de poesia e ninguém sabia para que serviam. Uma garotinha apaixonada foi quem descobriu: copiou um texto e enviou para o namorado. Aquilo dali para frente virou uma febre. Queriam mais e mais livros de poesias.

 

O fornecedor, aquele jovem rebelde, os descobrira numa velha biblioteca do planeta Terra. Como era um dos únicos que estavam sempre viajando pelo espaço, teve oportunidade de conhecer os livros em papel.

 

Mas o Olho Mágico, não gostara nada disso. Dizia que os livros em papel estariam disseminando ideias loucas, provocativas e contra o Regime Central. Queriam implantar outro regime de governo na Colônia.

 

Todos os livros recolhidos, entre eles muitos clássicos da antiguidade, foram para a fogueira eletrônica.

 

Os robôs que serviam de guarda ao Sistema estavam agora aparelhados para recolher todo tipo de livro impresso que encontrassem.

 

Para sanar este problema os espertos jovens digitalizavam a maioria dos livros que recebiam. Mas o legal mesmo, eles diziam, era ler no livro em papel. E desafiavam os robôs colocando capas coloridas que os qualificavam como produtos eletrônicos. Alguns até liam à noite para não serem surpreendidos.

 

A maioria dos livros já estava lançada na rede de comunicação extranet, onde todos ficavam plugados dia e noite.

 

Cada dia novas maneiras de ler o livro em papel era repassadas, ao pé do ouvido, para todos. Os guardas eram enganados de todas as maneiras. Até na hora das aulas eles conseguiam passar pequenas listas com textos, indicando outros livros interessantes.

 

Tudo estava indo muito bem, até que aquele jovem rebelde resolveu por em prática o que leu no primeiro livro que circulou na Colônia: A Arte da Guerra de Sun Tzu.

 

Armou uma torre de livros bem na praça central e no meio daquela confusão, todos querendo apanhar o seu, foi aí que ele  conseguiu desativar vários robôs.

 

Criou uma equipe e começaram a desmontar todos eles, não tinham armas, mas tinham inteligência e armavam emboscados para as máquinas que não sabiam raciocinar como eles.

 

Numa daquelas emboscadas descobriram uma grande nave espacial escondida num enorme galpão.

 

O jovem rebelde elaborou um plano de fuga daquela Colônia. Um grupo, muito maior do que os androides, furaram o cerco e embarcaram naquela nave. Já sabia navegar pelo espaço devido as suas experiências anteriores.

 

Dirigiram para o Planeta Azul, demorou dois dias, mas foram dias felizes e todos vinham com um livro nas mãos.

 

No planeta puderam conhecer várias bibliotecas reais e livros por todos os lados, sem o perigo de serem molestados. Ao contrário, eram incentivados a ler.

 

* Manoel Ferreira do Amaral é escritor e editor do blog http://osvandir.blogspot.com.

 

- Imagem: Divulgação.

 

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Inusitado:

Cachaceiro comeu taturana como tira gosto

A palavra taturana (ou tatarana) vem da língua tupi e significa

“semelhante ao fogo" (tata = "fogo"; rana = "semelhante"). Wikipédia.

  

Por Manoel F. Amaral*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

27/01/2012

 

Taturana mineira

 

Estavam os dois na rua, na porta de suas casas, sem nada para fazer, olharam aqueles insetos subindo e descendo as paredes do muro.

 

Foi aí que o Zé teve a grande (ou péssima) ideia de proposta: quem comesse mais tataranha venceria o jogo e levaria a bolada.

 

A bolada era apenas uns míseros dez reais, restinho que sobrou da aposentadoria de cada um. Final de mês sabe como é, falta tudo!

 

Comer taturana, ora pois, pois! Que coisa mais idiota,  só poderia ter saído da cabeça daqueles dois. Onde já se viu uma coisa dessas?

 

Aquilo queimava como pimenta malagueta, era fogo puro.

 

Foram comendo, comendo, as barrigas inchando cada vez mais. Pareciam até mulher grávida. A cerveja não descia mais. A garganta inflamou. Água só bebiam na bacia.

 

E aqueles dois foram parar no hospital, quase morreram.

 

Receberam alta e fugiram do local, foram para zona rural para evitar a gozação do povo.

 

Tudo isso se passou na data de 26 de janeiro de 2012, do Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo (Anno Domini Nostri Iesu Christi).

 

* Manoel Ferreira do Amaral é escritor e editor do blog http://osvandir.blogspot.com.

 

- Imagem: Divulgação.

 

*  *  *

 

Análises da demanda:

São Paulo aos Corinthianos

Não escrevo estas coisas para vos envergonhar;

mas admoesto-vos como meus colegas amados.

 

Por Manoel F. Amaral*

De Divinópolis-MG

Para Via Fanzine

 

 

Lá pelos idos de 67 d.C., estavam reunidos naquele grande estádio os principais sábios: Urubu, Mosquetinho, Periquito, Português, Mosqueteiro, Raposa, Saci Pererê, Baleia, Galo, Coelho, Pantera, Moleque, Macaca e Zebra.

 

Foi aí que São Paulo de Tarso resolveu  falar:

 

Corinthianos,

 

“Combati o bom combate”, não adiantou, hoje estou aqui numa situação desagradável, não posso sair às ruas e todos gritam:

 

― É freguês!

 

Bem sei que são “néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia. Estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade”.

 

“Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães”.

 

Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus colegas amados.

 

“Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre nós dissensões; antes sejamos unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer”.

 

“Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade”.

 

Não estamos preocupados quem vença ou perca, o importante é que marchemos todos juntos neste campeonato, com times bem treinados e jogos bem equilibrados em todos sentidos.

 

Que “ninguém se engane a si mesmo”, hoje estão por cima amanhã poderão estar por baixo, é a roda da vida e deste campeonato.

 

É muito cedo para definir a situação de todos os times.

 

“Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que” muitas vezes  o juiz rouba mesmo!  “Há coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu”.

 

“Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais”.

 

“Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano?”.

 

Cá estou eu amargurado, abatido, arrasado, perdi de 5 x 0 e não tenho justificativa para este povo que me acompanha.  Sem contar que sou obrigado a ouvir estas palavras torturantes:

 

― O freguês voltou, olé!

 

* Manoel Ferreira do Amaral é escritor e editor do blog http://osvandir.blogspot.com.

 

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