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 Entrevista

 

 

 

Entrevista exclusiva com

Márcio Rodrigues Mendes

Físico, professor e astrônomo.

 

Por Pepe Chaves*

Para ASTROVIA

 

Márcio Rodrigues Mendes e o filho Daniel.

 

Márcio Rodrigues Mendes é formado em Física, professor em Dois Córregos-SP, membro da REA (Rede de Astronômica Observacional) e se trata de um dos maiores difusores da Astronomia e da Astronáutica no Brasil, seja através das feiras de Ciências que promove, como também dos muitos artigos e reportagens que escreveu sobre estes assuntos. Faz alguns anos, está construindo em sua residência, um moderno observatório espacial. Foi através de seus equipamentos, sobretudo, uma fotografia celestial feita por ele, que participou do descobrimento da V382 Vel, a Nova Velurum (reconhecida pela IAU como a segunda Nova de maior brilho descoberta no século passado), ao lado de outros brilhantes astrônomos amadores brasileiros. Desde a infância Mendes é colecionador (e já teve uma loja) de maquetes de foguetes, cápsulas e espaçonaves terrestres. Por duas oportunidades visitou o Centro Espacial Kennedy, na base militar dos Estados Unidos, em Cabo Canaveral, Flórida. Márcio Mendes, é colaborador de Via Fanzine desde 2005, onde tem sua página exclusiva: www.viafanzine.jor.br/mmendes.htm. Nascido na década de 50, Mendes acompanha todo o processo evolutivo que culminou nas viagens lunares - como também os atuais projetos que pretendem retornar com o homem ao ambiente lunar, como o Constellation, da Nasa. Desde sua infância já era um “apaixonado” pelo espaço, em especial, pelas viagens lunares e as histórias de Arthur C. Clarke. Ele tinha apenas 11 anos quando, faz quatro décadas, repleto de adrenalina, assistiu em 1969, pela tevê, “via satélite”, a chegada do homem à Lua. De lá para cá, ele acompanhou de várias maneiras, todo o desenrolar das viagens tripuladas à Lua, até chegarmos aos dias atuais, quando a sonda LRO, da Nasa, em órbita lunar, nos envia imagens de alta definição que mostram os vestígios deixados pelas missões Apollo na superfície da Lua. Márcio Mendes é autor da série "Do Vale do Antílope ao solo lunar", sobre a conquista lunar, publicada em capítulos pelo portal Astrovia.

 

Via Fanzine: Professor Márcio, como se iniciou seu fascínio pela Astronomia, Astronáutica e, em especial, pelas viagens lunares?

Márcio Rodrigues Mendes: Algumas vezes já parei para pensar nisto e simplesmente não consigo definir um período ou um fato que tenha me chamado a atenção para assuntos do tipo. Desde tenra infância, o céu noturno me fascinou. Meu pai nunca soube muito sobre estrelas e planetas, mas recordo-me vividamente de uma noite, em uma propriedade rural, ele me mostrou o Cruzeiro do Sul. Aquilo me encantou. Mais tarde, mesmo com as limitações da tevê na época, lembro-me de ter visto alguns astronautas se acomodarem em cápsulas muito apertadas, em seus trajes prateados. Muito provavelmente era o começo do Programa Gemini, da Nasa, anterior ao Apollo e que levava somente dois astronautas. Fiquei fascinado ao saber de meus pais que aqueles homens estavam tentando chegar na Lua. Ao longo de toda a minha infância não posso deixar de considerar também a influência dos seriados da televisão e os poucos filmes no cinema. Nos meus primeiros anos na escola, não fui um aluno exemplar, contudo, minha mãe, sendo professora do Ensino Fundamental, argumentava que os astronautas eram pessoas que se dedicavam muito aos estudos. Foi ouvir aquilo dela e a minha vida escolar mudou. Passei a me dedicar muito e tomar gosto pelo estudo, em especial, as Ciências exatas.

 

VF: E exatamente hoje, 20 de julho de 2009 faz 40 anos que o homem chegava à Lua pela primeira das seis visitas que faria à superfície do satélite terrestre. Qual sua idade naquele 20 de julho de 1969 e quais as lembranças que guarda daqueles dias que ficariam marcados por toda a história humana?

MRM: Acredite, foram dias magníficos. Acompanhei tudo da melhor maneira possível. Comprava todas as revistas e jornais sobre as viagens espaciais. Havia muita expectativa quanto ao objetivo em atingir à Lua. Havia também muitas dúvidas se tudo fora, de fato, bem planejado. Quando a missão Apollo 11 desceu na Lua, eu estava com exatos 11 anos, completos no mês anterior. Lembro-me que no dia 20 de julho de 1969, estava com um primo e meus tios em casa, e a tevê anunciava programas especiais durante o dia. Era um preparativo para o grande acontecimento daquela noite. Por estarmos com visitas, meus pais resolveram sair para almoçar em um restaurante da cidade vizinha. Não podendo assistir os documentários exibidos durante o dia, fiquei muito bravo. Em protesto, praticamente não almocei e permaneci o dia todo de forma bastante anti-social. Dias atrás combinei com minha esposa que iríamos almoçar neste mesmo restaurante e fomos hoje (18/Julho). Confesso que me senti estranho ao levar meu filho (agora com sete anos) e contar-lhe os fatos de 40 anos atrás. Numa enorme coincidência, bem ao lado de nossa mesa, havia um garotinho, extremamente insatisfeito com alguma coisa. Minha esposa perguntou-me se minha condição, 40 anos atrás era parecida com a do garoto, ao que respondi, “não, era bem pior”, (risos). Mas a experiência em ter vivenciado a descida do homem na Lua, naquela noite, tendo uma boa consciência do que acontecia, superou tudo.

 

VF: Como o senhor vê hoje, depois de quatro décadas, estas recentes imagens disponibilizadas pela Nasa faz poucos dias, colhidas através da câmera da sonda LRO (em orbitar lunar) mostrando materiais deixados pelas missões Apollo na superfície da Lua?

MRM: Vejo como uma grande evolução na capacidade de executar a tarefa de explorar nosso satélite natural. Evoluímos de um período onde a Lua inteira era um “alvo” – pois, a princípio, muitas sondas simplesmente erraram o alvo, passando longe dele - para uma situação onde podemos buscar um detalhe de apenas alguns metros na (já) conhecida superfície lunar. No início, contentávamos com algumas imagens borradas, fotografias comuns, sem grande definição, obtidas pelas primeiras sondas lunares. Com a LRO temos imagens de alta definição, além da capacidade de elaborar um mapa global em 3D, com uma boa idéia do potencial mineralógico de determinadas regiões, bem como a capacidade de “cheirar” traços de água nas proximidades dos pólos lunares. Contudo, a LRO tem como principal incumbência, proporcionar a escolha dos pontos de interesse para futuras missões tripuladas ou não. Por fim, há um lado saudosista envolvido ou mesmo entusiasta, ao poder (re)ver, de outros ângulos, as primeiras sondas e artefatos das missões Apollo, lá deixados pelos astronautas. Sem dúvida, houve um progresso considerável em nossa capacidade de explorar o satélite natural da Terra.   

 

Márcio Mendes e seu telescópio.

 

VF: Recentemente uma pesquisa feita nos EUA mostrou que 6% da população daquele país não acreditam nas viagens lunares. O senhor acredita que estas novas imagens da sonda lunar da Nasa exibidas recentemente ao mundo podem mudar este conceito?

MRM: Sinceramente, não acredito que mude muita coisa. Caso eu esteja errado (em crer nas viagens lunares), posso adiantar que a surpresa será toda minha, assim como foi descobrir ao longo do tempo pessoas com alguma formação que também não acreditam. Fiquei pasmo em conhecer publicações seriadas que se ocupavam do assunto, mostrando “provas” absurdas, construídas com grande desinformação e até como uma predisposição, pelo simples fato da “conquista” ter sido feita pelos EUA. Não creio que haja argumento suficiente para satisfazer esses 6% de lá, bem como a qualquer outra cota nos outros países. As fotos ora disponibilizadas, com certeza serão tachadas de “manipuladas” e coisas assim. Há pessoas que conseguem acreditar, sem problema, numa foto com um borrão ou com uma luz qualquer, sem maiores referências, como sendo “provas concretas” de artefatos de uma civilização fantástica e ultra-avançada que nos visita; mas não conseguem acreditar que as fotos do solo lunar modificado pela presença de artefatos humanos ali deixados que foram, de fato, levados até lá. Para essas pessoas, mudar de opinião é dificílimo. O feito da chegada do homem à Lua foi - de certa forma - um produto da Guerra Fria e teve os maiores interessados em comprovar o chamado “hoax”, países como a Rússia. Eles jamais contestaram e aceitaram o feito. Creio que seria uma impossibilidade manter milhares de pessoas que trabalharam diretamente na suposta “farsa”, caladas por tanto tempo. Enfim, creio que não haverá mais tempo nem necessidade, nem sentido em trabalhar a fim de convencer a alguns quanto ao feito, afinal, isso não mudará uma realidade e as pessoas são livres para escolherem como querem ver o mundo. Insistir em querer acreditar no fato como sendo hoax, só depende da grande ingenuidade ou, antagonicamente, do fato de tratar-se de pessoa extremamente bem informada. As pessoas devem fazer uma auto-análise e ver em que caso se encaixa. Ainda há quem não acredite que a Terra seja redonda, mas isso não evitou que ela continuasse girando... (risos).   

 

VF: Segundo a Nasa, a sonda LRO representa a retomada das viagens lunares. Quais são os novos projetos da Agência Espacial Americana para retornar com o homem à Lua?

MRM: A promessa de colocar o homem na Lua foi um fato político, militar e na ocasião haveria muito mais a ser respondido e melhorado para uma continuidade do programa. Além disso, como já foi dito, é como se fosse construído um transatlântico só para três pessoas usarem e, a cada viagem, ele fosse afundado, para depois se construir uma nova embarcação para os próximos passageiros. Nem a poderosa economia norte-americana pode arcar com tamanhos custos. As viagens à Lua chegaram a durar quase duas semanas e a autonomia de cada missão Apollo não era para muito mais que isso. Não havia tecnologia para uma permanência de meses, nem estavam claras as implicações no organismo humano, destas estadias prolongadas em ambientes de baixa gravidade. Havia, na verdade, muitas perguntas para serem respondidas, além da preocupação em se desenvolver sistemas reutilizáveis. Uma vez encerrado o programa Apollo, os russos passaram a investir pesado nos avanços para estadias prolongadas, enquanto os norte-americanos investiram em sistemas reutilizáveis, como os ônibus espaciais (shutles). E assim, ambos, juntamente com outros países iniciaram uma era de cooperações que culminou na construção da Estação Espacial Internacional (ISS). Uma vez que os interesses políticos e militares tenham - como se imagina - alcançados os seus objetivos, o futuro imediato da Astronáutica passou a ter um caráter mais científico. Como por exemplo, o envio de sondas não tripuladas aos confins do Sistema Solar e com a proposta de ocupação permanente da Lua. Tal ocupação tem como objetivo a exploração de recursos minerais, bem como a de dar apoio para que futuras missões possam ir além da Lua. Para tanto, o Projeto Constellation, da Nasa, que envolve o casamento de diversas novos equipamentos (alguns que lembram muito as missões Apollo), apresentará, de imediato um substituto para os ônibus espaciais. Mais adiante, por volta de 2020, o Constellation será o novo meio para novas incursões tripuladas à Lua. O projeto já está saindo do papel, com diversos segmentos em fase de testes, alguns dos mais essenciais já estão ocorrendo ainda este ano, como projeção e os testes em campo dos novos veículos lunares.     

 

VF: Temos visto também um crescente interesse de outros países, sobretudo, os asiáticos, pela exploração lunar. China, Japão e até a Índia já têm sondas em órbita da Lua. O que desperta o interesse desses países para a exploração lunar?

MRM: Uma viagem exploratória do nosso satélite natural não é um empreendimento barato e a sonda indiana, por exemplo, tem capacidades para exploração dos potenciais mineralógicos lunares. Acredito que de forma, independente ou na forma de cooperação, esses países já esboçam intenções de conhecer melhor o ambiente para explorações “in loco”, num futuro próximo. Os feitos das agências espaciais japonesa e indiana (de enviarem e manter sondas em órbita lunar) mostram independência e domínio de uma tecnologia espacial. Contudo, desde já, esboça-se alguma cooperação entre esses países no esforço em explorar conjuntamente o espaço e o nosso satélite natural. A Índia manteve alguma relação com a Nasa nesta empreitada, assim como o Japão mantém atualmente, compartilhando os ônibus espaciais para complementar seu módulo Kibo, um moderno laboratório anexado à ISS.  

 

 

Turma da "II Reunião de Astronomia Extragaláctica" realizada em Córdoba, Argentina (1988), quando Mendes fazia mestrado no Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE). Esta é a foto oficial que consta no resumo de trabalhos apresentados na Academia Nacional de Ciências de Córdoba. 

1 - Márcio R. Mendes (Brasil) - INPE

2 - Carlos Rabaça (Brasil) - INPE

3 - Duília de Mello (Brasil) – INPE (hoje, na Nasa)

4 - Fernando Kokubun (Brasil) - INPE

5 - J. L. Sérsic (Argentina) - Observatório Astronômico Córdoba

6 - Sverre Aarseth (Inglaterra) - University of Cambridge

7 - Simon White (EUA) - Steward Observatory

8 - Jean Luc Nieto (França) - Observatório du Pic du Midi

9 - Massimo Capaccioli (Itália) - Observatório di Padova

10 - S.O. Kepler (Brasil) - Inst. de Física de Porto Alegre

11 - Márcio A. G. Maia (Brasil) – Observatório Nac. do Rio de Janeiro

12 - Victor Blanco (Chile) - Cerro Tololo

13 - Jesus H. Calderon (Arg) – Observatório Astronômico de Córdoba

14 - M. de Fatima Schroder (Brasil) - Inst. de Física de Porto Alegre

15 - Thaisa S. Bergmann (Brasil) - Inst. de Física de Porto Alegre

16 - Christopher Willmer (Brasil) – Observatório Nac. do Rio de Janeiro

 

 

VF: Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin Aldrin, os primeiros astronautas que chegaram à Lua ainda estão vivos e comemorando os 40 anos do grande feito. Qual a sua impressão sobre estes homens?

MRM: Os três, por coincidência, tinham 38 anos quando voaram na Apollo 11 e estão atualmente revivendo, aos 78 anos, sua maior aventura, com o LRO enviando essas recentes imagens da superfície lunar em alta definição. Tendo cumprido seus trabalhos, um antes que o outro desligou-se do Programa Espacial, mas ainda continuaram atuando em áreas correlatas. Trata-se de pessoas íntegras que tiveram, sem dúvida, um treinamento intenso para cumprir a tarefa, porém, nenhum para continuar uma vida normal, após terem pisado em outro mundo. Armstrong enveredou-se por áreas de ensino superior relacionadas às ciências espaciais. Collins também manteve-se ligado à preservação das memórias desses feitos como diretor de Museu. Aldrin, embora tenha enfrentado problemas de alcoolismo, conseguiu superar e mantém alguma atividade no ramo de consultoria. Particularmente, toda vez que vejo fotos deles, da época ou as atuais, já com as marcas dos tempos, sinto alguma satisfação em tê-los tido como “heróis” de infância. Atualmente vejo-os como pessoas normais, com seus problemas e com suas virtudes, mas com a diferença de terem tido a oportunidade de fazer algo pela humanidade. Se eles fossem palestinos, russos ou de qualquer outra nacionalidade, minha admiração seria a mesma, com certeza.

 

VF: Em recente entrevista Edwin Aldrin declarou que a Nasa deveria investir na exploração de Marte e não da Lua. Como o senhor vê estas declarações?

MRM: Há diversas idéias de como se chegar a Marte, que é um objetivo bem mais difícil. Começando pela distância, o que irá acarretar em uma permanência muito maior fora da Terra. Nesse caso, a Lua é vista por alguns como um “trampolim” essencial para ir além ou também como fonte de recursos (matéria-prima). Contudo, embora próximo, a Lua trata-se de um ambiente hostil e perigoso. Não que seja diferente em Marte, mas neste caso, as semelhanças deste com a Terra se acentuam. Tanto a exploração como a permanência na Lua ou em Marte, gira em torno da descoberta de água nesses mundos. Atualmente vejo estes esforços sendo realizados tanto na Lua como em Marte. E os seus resultados deverão definir as prioridades a serem traçadas.

 

VF: O senhor já esteve por duas oportunidades visitando o Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, na Flórida, EUA. No local estão expostos diversos equipamentos usados nas missões Apollo. O que mais lhe impressionou vendo de perto aqueles objetos usados nas viagens lunares?

MRM: Praticamente tudo! É fascinante ver as dimensões, a abrangência da infra-estrutura e o nível da tecnologia empregada. Não é fácil ter a noção completa de todas as ramificações da Nasa. Contudo, o que vi restrito ao Cabo Canaveral foi mais que suficiente para me convencer da grandiosidade do empreendimento. Descrever os detalhes de cada item visitado não é tarefa fácil, embora sinta enorme satisfação em fazê-lo. Conhecer o Rocket Garden, o monstruoso VAB, as réplicas em tamanho original dos atuais ônibus espaciais e seu tanque externo, os complexos de lançamento, casamatas, os laboratórios onde se desenvolvem componentes da ISS e toda estrutura para visitantes; o gigantesco foguete Saturno V, o Módulo Lunar, as inúmeras simulações... Foram, cada uma, preenchendo e construindo uma idéia de tudo o que foi e representa hoje o Programa Espacial dos EUA. Mas, emocionei-me muito diante da enorme lápide preta, com alguns nomes dos astronautas que deram suas vidas para que pudéssemos ter os benefícios de hoje, assim como a profundidade com que conseguimos olhar para o Cosmo atualmente A tevê que assistimos, os computadores que usamos, as roupas que vestimos, os medicamentos dos quais dependemos e até utensílios de cozinha tiveram uma parcela de sua evolução, graças a esse homens que tiveram a coragem de ir pela primeira vez, sem conhecer ao certo onde estavam indo. Talvez, então, minha admiração não esteja tanto em veículos e em construções espaciais, mas na ousadia do ser humano, ali, tão bem representada.

 

O professor Márcio Mendes, a esposa Doralice e o filho Daniel,

comemoram os 40 anos da Apollo 11 com um bolo temático.

 

VF: Quais são as perspectivas com relação às próximas viagens espaciais tripuladas, para além da Estação Espacial Internacional?

MRM: Assim como qualquer empreendimento, elas estão se tornando cada vez mais seguras, cada vez mais práticas, viáveis e cada vez mais ao alcance de pessoas comuns - embora isso ainda seja um tanto difícil atualmente. Aprendemos a viver no espaço por longos períodos, aprendemos a nos orientar, temos alguma consciência dos perigos lá fora e de como evitá-los. Creio que o caminho esteja aberto. Doravante, ouviremos muito do Projeto Constellation e acredito que em pouco tempo o mesmo será uma realidade tão certa e comum como a dos atuais ônibus espaciais. Mais que isso, acredito também que, de forma crescente, a cooperação entre nações seja acentuada cada vez mais. Novas e inovadoras tecnologias serão usadas e divulgadas em breve e, por fim, acredito que possamos também vislumbrar algum benefício maior ao nosso planeta no sentido de suprir-lhe as reservas esgotadas, assim como diversas melhorias no controle ambiental com a expansão aos domínios mais imediatos, como a Lua e Marte. Sei que se trata de uma visão um tanto otimista, mas é nela que quero acreditar e é neste sentido que vejo as coisas evoluírem... Num compasso próprio.

 

VF: Qual a mensagem que o senhor nos deixa, nesta data comemorativa dos 40 anos da viagem da Apollo 11?

MRM: Igualmente aos desbravadores Marco Pólo, Colombo e tantos outros; temos agora os desbravadores da Era Moderna. A Apollo 11 foi um divisor de águas entre nossa condição como uma raça presa ao seu mundo de origem e outra, que poderá se tornar livre para expandir-se. Gostaria muito de aproveitar a ocasião e ceder meu espaço, nestas últimas linhas, para uma mensagem do cientista e escritor que tanto admirei e já não está mais entre nós, Arthur C. Clarke. Confesso que não consigo imaginar mensagem melhor que esta, referindo-se às futuras viagens espaciais: “Para um ser humano, ‘moradia’ é o lugar onde nasceu e passou sua infância, seja ela nas estepes da Sibéria, uma ilha de coral, o vale dos Alpes, o cortiço do Brooklyn, um deserto marciano, uma cratera lunar ou uma arca interestelar de milhas de comprimento. Mas para o Homem, moradia nunca pode ser um simples país, um simples mundo, um simples Sistema Solar, um simples agrupamento de estrelas. Enquanto resiste e sofre pacientemente numa forma identificavelmente humana, a raça não pode ter nenhum lugar duradouro e permanente a não ser o Universo com tal. Esta insatisfação divina faz parte do nosso destino. É um dos maiores e, talvez, o maior dom que herdamos do mar que se revolve tão impacientemente em redor do mundo. Será um descontentamento de espírito que acompanhará os nossos descendentes que rumam para miríades de términos inimagináveis de viagem até quando o mar estiver aplacado eternamente e a Terra em si não passar de uma lenda que se esfuma e se perde no meio das estrelas”.  

 

* Pepe Chaves é editor do diário digital Via Fanzine (Brasil).

 

- Fotos: Doralice Mendes/Daniel Mendes/Arquivo M. Mendes/Arquivo VF.

 

- Links indicados:

Página exclusiva do professor Márcio Rodrigues Mendes

Entre os Homens e os Astros - visita de Márcio Mendes ao Centro Espacial Kennedy.

Projeto Constellation - Nasa - matéria de Márcio Mendes.

Arthur C. Clarke - matéria de Márcio Mendes.

Sonda LRO, da Nasa envia imagens da superfície lunar

Do Vale do Antílope ao solo lunar - matéria especial de Márcio Mendes, em capítulos.

Estação Espacial Internacional (ISS) - artigos exclusivos em Astrovia.

Kaguya: sonda japonesa em órbita lunar

Índia crava sua bandeira em solo lunar

A descoberta da Nova Velurum

 

- Produção: Pepe Chaves

© Copyright 2004-2009, Pepe Arte Viva Ltda. 

 

 

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