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Presente de Natal: Lovejoy dá show para astrônomos brasileiros Em Dois Córregos, no interior de São Paulo, o físico e astrônomo amador, nosso consultor, professor Márcio Rodrigues Mendes, registra o evento.
Por Pepe Chaves* De Belo Horizonte-MG Para Via Fanzine 26/12/2011
Imagens registradas em 24 e 25/12 no interior de São Paulo, Brasil, mostram o cometa Lovejoy. Clique aqui para ver as imagens ampliadas Leia também: Europeus observam rastro luminoso no Natal
Sobrevida surpreendente
Nas madrugadas da véspera e do Natal aqui no Brasil, moradores de distintas regiões do país onde o tempo permaneceu aberto puderam observar um belo e diferenciando espetáculo celeste.
Privilegiados foram os que se encontravam quanto mais ao sul do continente, que puderam observar mais nítida e incisivamente, um longo rastro esbranquiçado despencando em direção à linha do horizonte.
Contrariando as expectativas da maioria dos astrônomos que o monitorou, o Lovejoy conseguiu sobreviver ao periélio e assim, não se dissolveu - como era previsto - ao contornar o astro-rei e se voltar ainda robusto à direção contrária.
O próprio descobridor do cometa, o astrônomo amador australiano Terry Lovejoy, não acreditava que ele sobreviveria - apesar de torcer para isso -, pois afirmou se fosse apostar dinheiro não apostaria na sobrevivência do seu homônimo.
Lovejoy no Brasil
Em terras brasileiras, diversos astrônomos se prepararam para registrar a passagem natalina do Lovejoy, algo inusitado e sem registros similares nos últimos tempos.
No município de Dois Córregos, no interior do Estado de São Paulo, o físico e astrônomo amador, consultor para Via Fanzine, professor Márcio Rodrigues Mendes, registra o evento. Ele já nos disponibilizou algumas imagens exclusivas do cometa Lovejoy [veja nesta página] que conseguiu tomar em sua cidade e nos falou sobre o “espetáculo sideral” que presenciou.
Para Mendes, foi gratificante o surgimento do Lovejoy na véspera e na madrugada desse Natal de 2011, “Tive a grata surpresa do belo cometa Lovejoy que, após driblar as expectativas dos astrônomos, sobreviveu à passagem pelo Sol. Seu núcleo passou ‘raspando’ nos domínios da coroa solar. Praticamente ninguém esperava tornar a vê-lo após a passagem periélica, mas, aí está ele... Deu um show nos céus em pleno período natalino. Mais ainda: está muito mais favorável a nós do Hemisfério Sul do que para os astrônomos do Hemisfério Norte”, afirmou o professor.
Mendes também recomenda, “Para quem não se ‘aventurou’ ainda, aconselho tentativa, pois o cometa é facilmente observável, à partir de 4:30h da matina. Basta procurar um local escuro, longe de iluminação artificial e olhar ‘para o Sul’. Não tem erro, pois a cauda está com uns 30 graus de extensão, indo da cauda do Escorpião até a constelação do Centauro, quase paralela ao alinhamento de Alfa e Beta Centauro. Mais fácil ainda: olhando para o Sul, não tem como errar o Cruzeiro do Sul. O cometa é uma estrutura enorme, à esquerda do Cruzeiro; porém nos próximos dias deverá estar ‘tocando’ o Cruzeiro com a extensa cauda”, explicou.
A cúpula do observatório de Márcio Mendes e a cauda do Lovejoy ao fundo. Clique aqui para ver as imagens ampliadas Leia também: Europeus observam rastro luminoso no Natal
Presente de Natal
Para Márcio Mendes, que registra a passagem de cometas e astros errantes desde a sua infância, “Essa lenta passagem do Lovejoy tem sido um presentão de Natal”.
Mendes tomou as primeiras fotografias na madrugada de 24/12 e depois na madrugada de 25/12. É fácil notar que nas primeiras imagens, o astro aparece mais nítido que nas fotos da madrugada seguinte. Com os próximos dias, a tendência é que as imagens se tornem menos tênue por conta do afastamento do Lovejoy.
Mendes comentou sobre isso, “Achei que o cometa nas imagens posteriores estava mais esmaecido, um pouco mais apagado. No entanto, nos próximos dias, se o tempo melhorar, o Lovejoy vai ganhando mais altura, e dirigindo-se para uma região do céu onde, geralmente, existe menos influência de iluminação pública na observação. Portanto, é provável que ainda tenhamos chances de melhorias na sua visualização”, afirmou Mendes.
Rastro na Europa
Já no hemisfério Norte, o espetáculo celestial natalino ficou por conta da passagem de uma bola incandescente que surpreendeu nos Países Baixos, deixando um rastro luminoso. Mas, não era o Lovejoy, nem Papai Noel ou a estrela-guia, e sim, lixo espacial: pedaços descartados do último estágio do lançador Soyuz.
A nave russa Soyuz seguiu levando tripulação e carregamento à Estação Espacial Internacional.
* Pepe Chaves é editor do diário digital Via Fanzine e da Rede VF. - Com informações das agências internacionais
- Colaborou: Márcio Rodrigues Mendes (SP).
- Fotos: Reprodução.
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