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Paulo Roberto Xavier

 

 

 

 

 

Paulo Roberto Xavier é paisagista formado pela instituição de ensino INAP Instituto de Arte e Projeto (Belo Horizonte-MG), é pesquisador e desenvolvedor de projetos paisagísticos e botânicos. É administrador de um viveiro vegetal em Itaúna-MG. É articulista e colaborador de Via Fanzine.

 

 

 

 

 

Jardins:

Do Éden ao...?

Os jardins sempre refletiram o comportamento, a cultura, hábitos alimentares e nos contam muito sobre a religiosidade dos povos por todo mundo.

 

Por Paulo Roberto Xavier*

De Itaúna-MG

Para Via Fanzine

14/02/2019

 

Concepção artística dos Jardins do Éden, descrito no Gênesis da Bíblia.

 

Em toda a história da humanidade a presença de jardins no cotidiano dos povos é descrita em prosa, versos e versículos. Seja em pinturas rupestres, citações bíblicas, ou jardins mitológicos, a História dos Jardins caminha junto com a do homem

 

Transcrições mostram que no período Paleolítico o homem alimentava-se do que encontrava. Plantas nativas também já eram usadas como medicinais. Logo depois no Neolítico, começa o desenvolvimento da agricultura e a “domesticação” das plantas, e com isso, o período onde o homem, até então com hábitos nômades, começa a “fixar” moradia.

 

Os jardins sempre refletiram o comportamento, a cultura, hábitos alimentares e nos contam muito sobre a religiosidade dos povos por todo mundo.

 

E foi justamente devido à religiosidade, que surgem os primeiros relatos de jardins de contemplação.                                                        

 

“E Deus abençoou a Terra com a presença de vida animal e vegetal, criando, nas bandas do Oriente, um grande jardim irrigado por um rio que se dividia em quatro braços, dois deles os rios Tigre e Eufrates...”

(Gênesis 2,8-14).

                           

No hebraico Éden significa prazer, encantamento. A natureza era plena, tudo que era plantado dava fruto numa velocidade maior. A muitos, a visão do paraíso pós vida.

 

“Ora, o Senhor tinha criado desde o princípio, um paraíso de delícias, no qual colocou o homem que tinha formado.  E o Senhor Deus, tinha produzido da terra toda a casta de árvores e plantou no meio do paraíso a árvore da vida, da ciência, do bem e do mal” (Gênesis 2,8-10).

 

Físico ou espiritual, é impossível não os citar como sendo a descoberta do homem pelo prazer de contemplar e interagir com a natureza. O observador é figura essencial em um jardim!

 

Suposta localização do Éden, segundo descreve a Bíblia.

 

A Bíblia sugere que da região do Éden saía um rio que se dividia em quatro, sendo eles o Píson, o Giom, o Tigre e o Eufrates. Os dois últimos são rios bastante conhecidos, os dois primeiros nunca foram localizados e são um mistério até hoje. 

 

Nas escrituras bíblicas toda simbologia que envolve o Éden e a Natureza é usada de maneira sublime. Em diversas passagens bíblicas plantas foram citadas. Com simbologia característica, em dia maioria representava o bem!

 

 

O desaparecimento dos jardins do Éden é atribuído ao dilúvio de Noé. Muitas evidências histórico-geográficas, além de apontar a região, confirmam que o jardim tenha existido um dia, seja físico ou espiritual

                                        

Jardins da Antiguidade

 

Jardins Suspensos da Babilônia

    

Considerados uma das Sete Maravilhas do mundo antigo, segundo os historiadores, por sua grandiosidade, o motivo pelo qual foram construídos e os mistérios que os envolvem. Foram construídos pelo Rei Nabucodonosor II (605-562 a.C.) e dedicados à sua esposa, rainha Semiramis. A Rainha de origem persa, tinha saudades das montanhas cobertas dos bosques de seu país (noroeste do Irã) e esta construção tinha a intenção de amenizar este sentimento.

 

Jardins Suspensos da Babilônia: uma das maravilhas do mundo antigo.

 

Caravanas com milhares de escravos transportaram várias espécies botânicas da Pérsia a Mesopotâmia. Recriavam a ideia de oásis, sendo construídos em terraços, os inferiores ultrapassavam bastante sua área em relação aos superiores, onde eram plantadas entre outras espécies, alecrim, açafrão, jasmins, rosas, lírios, sob a sombra de palmeiras (as tamareiras eram consideradas ricas em benção divina).

         

O sistema de irrigação era algo extremamente moderno para a época. No eixo dos dois terraços superiores, havia uma grande escada entre duas séries de planos levemente inclinados, onde corria a água da irrigação. Esta água era conduzida até o terraço superior através de baldes presos a uma corrente.  Após isso era distribuída entre os vasos de plantação e o excesso era drenado dentro de um sistema complexo de canais subterrâneos.

 

Concepção artística dos Jardins Suspensos da Babilônia.

 

Jardins Egípcios

 

Os egípcios não planejavam jardins somente para o lazer. Produziam vinho, frutas, legumes e papiros, produtos destinados ao consumo da população. O plantio seguiu a tradição das atividades agrícolas desenvolvidas na planície do Nilo.

 

O traçado dos jardins era caracterizado por linhas retas e formas perfeitamente simétricas. Tudo orientado segundo os quatro pontos cardeais, expressando a importância da Astrologia.

 

Jardins Egípcios: linhas retas e formas perfeitamente simétricas.

 

Devido a topografia plana e ao pensamento religioso, não haviam muitos elementos decorativos, efeitos de água ou terraços. Nos jardins eram cavadas bacias nas beiradas do rio onde a água era captada por infiltração, e estes eram transformados em tanques retangulares, repletos de plantas aquáticas e de pássaros, com árvores dispostas em um traçado regular. As escavações revelaram que nesta época houve um grande número de jardins. Foram encontradas capelas, em cujo centro haviam recintos retangulares fechados, onde se plantavam árvores em linhas bem regulares, ao pé das quais corriam canais de irrigação.

 

No Egito, assim como na Mesopotâmia, os templos tinham seus enclausos sagrados. Nos jardins se criavam os íbis, os flamingos e os pombos que se divertiam em liberdade. No meio das folhagens apareciam acima dos pavilhões, torres em formas maciças, características da arquitetura egípcia. Seu destaque foi devido ao desenvolvimento de canais e à presença da água.

 

Exemplo de um Jardins Egípcio.

                                          

Jardins Persas

 

Datados desde 3500 a.C., os jardins persas eram de grande importância agrícola. Havia uma harmonia de plantações. O prazer de aromas refinados com cultivo de flores como tulipas, lírios, prímulas, narcisos, jacintos, jasmins, açucenas. Tudo isto para suprir as aspirações dos reis presas. O estilo dos jardins era estritamente formal.

 

Detalhes de um Jardim Persa.

 

Cortado por dois canais principais, dividindo o jardim em quatro regiões, que representavam as quatro moradas do universo: terra, fogo, água e ar. Ao centro, havia tanques com fontes, revestidos de azulejos (ladrilhos azuis) para acentuar o frescor da água. Não havia estátuas (o islamismo não permitia a reprodução de imagens humanas. Eram cultivadas frutíferas como amendoeiras e laranjeiras.

 

A intenção destes jardins era se assemelhar a um pequeno oásis: a água dividia em quatro partes, representando os quatro cantos do mundo e os quatro rios do Paraíso (Pichon, Guion, Tigre e Eufrates), à semelhança do jardim do paraíso.

 

Detalhes de um Jardim Persa.

 

Jardins Gregos

 

Devido ao solo rochoso e montanhoso, e ao clima quente e seco, a Grécia nunca foi uma região ideal para uma jardinagem organizada. Suas formas se aproximavam das formas naturais, fugindo das linhas simétricas. Há registros da presença de jardins na Grécia desde o século IV a.C.

 

Na realidade, o jardim grego eram, sobretudo, até a época clássica, um jardim sagrado, cultivado próximo a algum santuário e consagrado a uma das divindades da fecundidade. Os gregos criaram o conceito de Bosque Sagrado, um lugar natural, pomares dedicados aos deuses, com vegetação virgem e sem intervenção humana. Os gregos não procuravam a beleza nos jardins.

 

Jardim Grego: geralmente cultivado próximo a um templo sagrado.

 

Era um jardim sem pretensões de grandiosidade e destinado a uma única satisfação: a dos prazeres naturais e necessários, e oferendas aos deuses. A aridez não permitia o luxo oriental do “paraíso”.

 

Nos jardins gregos, então, se cultivavam legumes para consumo e trigo para confeccionar pão. Os gregos cultivavam também macieiras, pereiras, romãzeiras, oliveiras, vinhas e figueirais. Registros apontam cerca de 600 espécies de plantas medicinais nativas. Hoje são chamados de horto-jardins.

 

Ilustração de um Jardim Grego.

 

Jardins Romanos

 

A partir do século I d.C., o Jardim Romano se assume como jardim propriamente dito, com função de lazer, servindo de cenário às festas e despertando os sentidos, nomeadamente a visão e o olfato, através da utilização das plantas (jardins sensoriais).

 

Contam-se 73 ervas e 16 árvores de fruto entre a lista de espécies botânicas decretadas por Carlos Magno, imperador em 800 d.C., para que todas as cidades do império tivessem, nos seus jardins, as plantas necessárias à alimentação e saúde, entre as quais, salva, funcho, malvas, rosmaninho, arruda, orégão, cidreira e romãzeira.

 

Os Jardins Romanos preservavam plantas utilitárias e medicinais.

 

Era regular, ordenado e simples e desenvolvia-se em pequenos pátios e terraços (em terrenos desnivelados) com esculturas, fontes centrais, jogos de água, tanques, piscinas, termas, teatros, grutas, pavilhões, pórticos, canteiros, sebes podadas. A topiaria, arte milenar de poda artística em ciprestes e loureiro, fez com que o arbusto passasse a ser um elemento escultural de grande versatilidade e essencial em um jardim.

 

Os romanos, mesmo após tantas conquistas, jamais se esqueceram de suas propriedades familiares. Após vencerem suas batalhas, era para estes lugares que os generais retornavam. A vida política os obrigava a permanecer nas cidades e então eles começaram a adquirir suas casas de campo nos arredores de Roma (Villas).

 

Exemplo de um Jardim Romano com uma fonte.

 

Jardins Medievais (SÉC. XIII a XV)

 

Com o Jardim Medieval, assiste-se à mistura do papel utilitário do jardim, no qual se destaca o jardim com apelo farmacêutico, com a função estética proporcionada pelas plantas, e no qual a horticultura é vista como uma forma de arte. As plantas assumem igualmente um papel simbólico.

 

A prática dos jardins foi conservada  dentro dos mosteiros e foi a partir desta época que a igreja escolheu como símbolo o Jardim Secreto, ‘Hortus conclusus’. Ao contrário, príncipes e poetas preferiram o ‘Hortus deliciarum’, jardim paradisíaco, fonte de prazeres terrestres. A concepção de jardins foi bastante modificada na idade média. A cultura pagã foi renegada, pois todos os povos eram considerados pagãos: egípcios, persas, etc.

 

O uso de plantas ornamentais foi limitado, salvo o elemento flor a servir de ornamentação dos altares (Teocentrismo)

 

No entanto, a topiaria permaneceu, formando muros de verdura. Localizava-se geralmente fora das muralhas dos castelos ou em pátios interiores e abadias.

 

Até o século XI, com as cruzadas regressadas do Oriente, novas espécies de plantas são introduzidas nos jardins: lírios, narcisos, acantos, orquídeas, heras, rosas, açucenas, violetas, alecrins, gladíolos, rosmaninhos e funchos eram dispostos em canteiros alinhados. Também as árvores se alinhavam denunciando o triunfo da simetria.

 

Refletiam o Teocentrismo e o homem era proibido de expressar qualquer tipo de arte que não correspondesse aos padrões duramente estabelecidos pela Inquisição. Uma época sombria na história da Humanidade.

 

Um Jardim Medieval típico do século XII ao XV.

 

Jardins Renascentistas

 

Após o obscuro período da Idade Média, onde os jardins se resumiram ao uso doméstico ou contemplativo, dentro dos mosteiros, conventos, castelos e grandes construções, o homem começa a buscar novos horizontes.

 

Surge o período Renascentista, fase de grande desenvolvimento intelectual e científico, onde o ser humano se vê liberto das amarras do domínio da igreja, podendo criar com liberdade, valorizando suas ações e seu convívio com o meio.

 

Os jardins ganham grandes dimensões e se projetam para fora das construções, rodeando palácios, castelos e diversos monumentos. Os que mais expressaram as ideias desse movimento nascido na Europa, foram os italianos (berço cultural da época) e na sequência, os franceses.

 

Os que mais expressaram as ideias do movimento Renascentista que envolvia todas as vertentes da Arte foram os italianos (berço cultural da época) e em sequência os franceses, e depois os ingleses (já com tendências mais livres), como veremos a seguir.

 

Jardins Italianos

 

A redescoberta da ideia de que o Jardim é a celebrização do Homem sobre a natureza (Humanismo). No período renascentista, os italianos começaram a se retirar para o campo, buscando locais mais frescos e com costas agradáveis, sobretudo, durante o verão. Isto denominava-se villegiatura e assim, construíram diversas vilas próximo a Roma e Florença. Estas propriedades pertenciam a homens prósperos e cultos que apreciavam a natureza.

 

Iniciou-se neste período a intervenção dos arquitetos na arte dos jardins, cujo trabalho se caracterizou pela ordenação geral da área. O jardim se caracterizava pelos seus passeios retos, coincidindo a avenida principal com o eixo central da residência, que servia de marco da vila e se situava na parte mais alta do terreno.

 

Chegava-se à residência através de uma sucessão de escadarias, rampas, terraços, grutas e fontes. Estes elementos proporcionavam um efeito arquitetural perfeito com a paisagem, unindo a arte e a natureza. Florença, no século XV, era um centro intelectual e é desta época que datam suas mais célebres vilas, sempre rodeadas de esplêndidos jardins.

 

Um Jardim Italiano.

 

Buscavam-se os pontos de vista, sendo preferidos os locais mais acidentados para se apreciar os jardins em terraços, sendo necessário uma intervenção dos arquitetos, que passaram a comandar a construção dos jardins italianos e cuja influência foi difundida sobre todo o mundo.

 

Uma destas tendências foi o estudo das formas geométricas do jardim, em contraposição ao jardim fantasia, fruto da imaginação, criação e prazer dos poetas e filósofos.

 

Aperfeiçoaram-se os jardins formais do estilo romano, que uniam as linhas entre os espaços internos e externos, tornando os jardins parte das vilas. Os jardins deixaram de ser canteiros para cultivar e colecionar plantas e passaram a ser construídos em áreas externas para realização de atividades diversas de lazer. Nos terraços haviam fontes, estátuas, belvederes (mirantes), balaustradas, arcadas, pérgolas com trepadeiras, alamedas sombreadas. A variedade das plantas utilizadas era pequena: ciprestes (topiarias), louros, azinheiras, oliveiras. 

 

O Jardim Italiano se caracterizava pelos seus passeios retos.

 

Jardins franceses

 

"A França do século XVII teve uma verdadeira revolução na sua concepção de jardins. Houve um período da história que sempre dominou a visão e a realização dos países. A Itália teve o renascimento e a França o classicismo. O Jardim Francês do período de Luís XIV transformou a paisagem, equilibrando e controlando, expressando uma dominação total sobre a natureza" (Gabrielle Van Zuylen).

 

O jardim clássico francês era caracterizado por plantações baixas, permitindo uma maior visão das construções. No renascimento, os jardins tendiam para o informal. O jardim clássico em estilo francês se tornou uma “febre”.

 

Palácio de Versailles.

 

Neste estilo foram construídos com bastante arrogância e empregando um grande número de trabalhadores, como por exemplo, para a construção do palácio e jardim de Vaux-le-Vicomte, se arrasou com três aldeias e nele trabalharam 18.000 pessoas. Nos jardins de Versailles trabalharam 22.000 homens e 6.000 cavalos, os quais drenaram pântanos, construíram terraços e canais. Tudo por necessidade de Luís XIV em demonstrar e ostentar o poderio francês na época. Aliás, época em que os jardins assumiram papel de ostentação e demonstração de força. A corte francesa não media esforços nem gastos para externar esse sentimento.

 

Andre Le Nôtre foi o maior jardineiro do rei. Ele trabalhava com simplicidade, elegância e requinte, no entanto sem excessos. A história diz que sua origem era de uma família de jardineiros. Estudioso e viajado, Le Nôtre atendeu aos anseios do ses patrão, o rei, assim como da própria época, criando vistas com aparência de infinito, escalas imponentes, planos que inspiravam admiração e respeito dos admiradores. Le Nôtre utilizava as plantas para criar estruturas, como os pinheiros podados em forma de cone. Nos bosques que circundavam o jardim, foram criadas pequenas áreas para alívio do calor e para descanso. Este se tornou um dos modelos do jardim em estilo francês.

 

Castelo de Chambord.

 

Após a revolução francesa a maioria dos castelos do vale do Loire foi saqueada e seus jardins abandonados. Hoje várias propriedades são privadas e mantidas em sua forma original.

 

O jardim era o domínio por excelência das ilusões teatrais, e definido por leis cuidadosamente calculadas, mas a geometria e a razão não definiam em si o jardim francês, são somente servidores de uma arte, cuja finalidade era atingir a fantasia e o encantamento.

 

Jardins de Le Notre.

                                           

Jardins Ingleses

 

O jardim inglês surge com um conceito diferente em relação à Natureza: o Homem se harmoniza e admira (paisagismo). A ideia de beleza estética encontra-se no natural e livre e da simetria dos franceses. Um dos objetivos visuais, era de que as pessoas percebessem como sendo o jardim, toda a natureza que estava a sua volta.

 

São substituídos por vastos relvados e suaves ondulações no terreno, permitindo a visão de perspectivas, sempre procurando ser fiel ao natural: disposição livre das árvores e arbustos, caminhos sinuosos, água correndo naturalmente ao declive.

 

As ruínas eram a única presença arquitetônica do Homem na paisagem. Havia uma grande diversidade de plantas com arbustos floridos, plantas herbáceas e anuais, bulbosas, flores silvestres e forrações. Devido à pequena diversidade de plantas do período da Idade Média, no Renascimento houve um crescimento no interesse de se ter diversidade. Com essa proposta foram criados os primeiros Kew Gardens, estufas gigantescas, climatizadas, onde eram cultivadas plantas de várias regiões. Foram os pioneiros na criação dos chamados Jardins Botânicos. Assim, havia expedições por todo mundo, com o objetivo de se trazer espécies exóticas. Este estilo foi utilizado na Inglaterra e em alguns locais da Europa por quase dois séculos.

 

O Jardim Inglês apresenta árvores e arbustos, caminhos sinuosos, água correndo naturalmente ao declive.

 

Fica claro que as plantas sempre foram sinal de vida, e da vida do Homem. Elas foram ou são utilizadas da pré-história à atualidade, como abrigo, na criação de espaços, na alimentação e medicina alternativa, como ferramentas, e como demonstrações de amor ou poder!

 

Conhecer a história das artes proporciona dados importantes a quem projeta e concebe jardins e parques. Saber explorar o elemento vegetação assume-se papel importante na sociedade contemporânea, como visto em diversos episódios dos jardins ao longo dos tempos.

 

O contato do homem com as plantas revela-se essencial, uma vez que estas possuem um papel terapêutico, proporcionando o bem-estar físico, mental e social. Por proporcionarem o bem-estar, surge um tipo específico de jardim, o Jardim Terapêutico (situados em casas de idosos, crianças e hospitais).

 

Uma abordagem geral das características do desenho e das plantas usadas em jardins históricos revelam significados importantes nos jardins do Éden e da Babilônia envoltos em teorias e mistérios. Os da antiguidade como os Egípcios, Persas, Gregos, Romanos, e os Renascentistas Franceses e Ingleses.

 

Detalhes de um Jardim Inglês.

 

Jardins Brasileiros

 

Os jardins e cultivo de plantas no Brasil, até então de subsistência e medicinal (agricultura indígena), começou a ganhar força com a vinda da família real portuguesa, tardio aos movimentos europeus. De início copiava os estilos pré-estabelecidos do velho continente.

 

Dimensões continentais, a maior diversidade botânica do planeta chamou a atenção de outros exploradores (holandeses e espanhóis) que deixaram suas marcas na Arquitetura e construção de jardins.

 

Mestre Valentin (1745/1813), mineiro da cidade do Serro, trabalhou em escultura, com arquitetura, paisagismo, urbanismo, prataria, ourivesaria e desenho.

 

No mesmo período em que Aleijadinho era contratado para a famosa obra da igreja de São Francisco de Assis, Valentim começa a trabalhar no Rio. Dois gênios do barroco, mas, apesar de virem da mesma região, desenvolveram seus trabalhos sem influência mútua.

 

A obra de Valentim ganharia impulso em 1778. Com o vice rei  Dom Luís de Vasconcelos, Mestre Valentim foi o principal construtor das obras públicas, atuando nas áreas de saneamento, abastecimento e paisagismo urbano.

 

Em 1779 projeta e inicia as obras de construção do Passeio Público da cidade do Rio de Janeiro, concluído em 1783, onde projetou um conjunto composto por muro, portal e portão, além da Fonte dos Amores. Ainda para o Passeio, o artista projeta os dois pavilhões ornamentados por duas estátuas representando Apolo e Mercúrio.

 

Passeio Público da cidade do Rio de Janeiro - Mestre Valentim.

 

Como colônia, durante séculos, a exploração sem critérios (atual?)  foi bem maior do que foi criado em termos de proteção das terras tupiniquins.

 

Mesmo que espiritual, simbolicamente, o Éden foi o começo de tudo. A dúvida que paira é o futuro nada promissor no que se refere ao afrouxamento de questões e leis ambientais, aliado à extinção de órgãos de fiscalização competentes. E a demarcação das terras indígenas visando o chamado “agronegócio”.

 

Liberação de produtos (venenos) de uso agrícola altamente tóxicos. Em meio a tragédias anunciadas como rompimento de barragens, um crime ambiental com danos irreparáveis. 

 

Em 1785 projeta e executa o chafariz das Marrecas, ornamentado por duas estátuas representado a Ninfa Eco e o Caçador Narciso.   

 

As toneladas de lixo não reciclável que produzimos

 

A Terra demonstra sinais claros de cansaço, à beira de um colapso.        O resultado das atrocidades cometidas pelo Homem surge em sinais claros: aquecimento global, efeitos naturais catastróficos, como enchentes, oscilações na superfície, tsunamis etc.

 

A certeza é uma só: a dedicação que o Homem demonstra em preservar sua moradia e tudo que se move dentro dela, não nos trará ou levará a paraísos, como os jardins da antiguidade. Previsões de vários estudos não são nada animadores.

 

Por mais ambientalistas, amantes da natureza, visionários como Roberto Burle Marx, um dos maiores nomes do Paisagismo moderno no Brasil e no Mundo. Burle Marx foi o grande criador de um conceito de Paisagismo, que quebra todas as regras que vimos na História dos Jardins. Tamanha a grandeza de sua obra e legado, estas merecem ser apresentadas em nossas próximas colunas.

 

Pra finalizar, via aqui uma dica aos fãs do gênio e sua obra: está em cartaz no Brasil o documentário “Paisagem - Um olhar sobre Roberto Burle Marx”. Imperdível.

 

- Imagens: Divulgação.

 

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Jardinagem racional:

Os Jardins e o uso consciente da água

A vontade de ter uma planta que seja em casa é crescente. A verticalização de jardins, a variedade de plantas exóticas e híbridas tem despertado o interesse de colecionadores, botânicos e paisagistas.

 

Por Paulo Roberto Xavier*

De Itaúna-MG

Para Via Fanzine

14/01/2019

 

Suculentas, da coleção particular desse autor.

Foto: Paulo Roberto Xavier.

 

Que o contato com plantas é altamente terapêutico e relaxante, não há como duvidar. Seja caminhando em uma alameda, em uma praça pública ou no quintal de casa.

 

Essa conexão com a natureza já tem sido adotada em clínicas e hospitais. A terapia verde, onde pacientes em recuperação tem contato   com plantas e cores. Plantas purificadoras do ar! Jardins sensoriais que despertam nossos sentidos. O observador de um jardim, com um toque de sensibilidade, consegue claramente “atiçar” a visão, olfato, paladar, audição e tato.

 

A vontade de ter uma planta que seja em casa é crescente. A verticalização de jardins, a variedade de plantas exóticas e híbridas tem despertado o interesse de colecionadores, botânicos, paisagistas e principalmente de quem deseja ter um jardim, por menor que seja o espaço disponível.

 

Museu do Inhotim, 2018 - Paisagismo Luis Carlos Orsini.

Foto: Paulo Roberto Xavier.

 

Apesar do potencial hídrico que temos, a escassez de água e a consciência global de seu uso é preocupante. A falta de projetos de captação aliada ao desperdício e aos longos períodos de estiagem têm feito muitas pessoas repensarem em seus projetos de cultivar hortas, plantas ornamentais e frutíferas. Atualmente há uma falta de referência em relação as estações do ano, e o perfil climático (intensidade dos ventos, temperaturas elevadas e volume pluviométrico).

 

Na proposta do uso consciente, surgiu o Xeropaisagismo. Do grego Xeros (seco) e phytos (planta), ou seja, plantas de ambientes áridos, hostis, que resistem a longos períodos sem regas.

 

São um grupo de plantas, de diversas famílias botânicas que têm a capacidade de armazenar água em suas raízes, folhas e caules. Conhecidas popularmente como “suculentas”, muitas nativas do Brasil (mais de 100 espécies), têm sido muito procuradas por essas características, além de serem plantas com belo apelo paisagístico.

 

Coleção Parte 1 - Suculentas.

Foto: Paulo Roberto Xavier.

 

Como “verdolatra” desde a infância, agora atuando como Paisagista, coleciono mais de trezentas espécies xerófitas entre outras. Cactos nativos e exóticos, suculentas de coleção e várias espécies que não são exigentes quanto à rega.

 

Coleção Parte 2 - Cactos.

Foto: Paulo Roberto Xavier.

 

Com várias espécies nativas, a Caatinga e os Campos Rupestres são biomas berços de diversas espécies xerófitas. Os cactos no Nordeste são também fonte de alimento para o gado nas épocas de seca, além de utilizados na culinária caseira, como o doce do coroa de frade (Melocactus bahiensis).

 

Os portes são diversos, de espécies rasteiras, arbustos a grandes árvores. Sempre optando por espécies nativas, trouxemos de volta a fauna nativa e cultivamos plantas mais resistentes ambientadas ao clima local. Menos propensas a pragas e doenças.

 

Felizmente há um movimento que tenta resgatar o uso de nativas no Paisagismo e principalmente em áreas de preservação e corredores ecológicos. A dispersão de sementes e a fonte de alimentos para a fauna local é altamente benéfica para resgatar o habitat original.

 

Sítio Burle Marx, um paraíso criado por um dos grandes nomes do paisagismo modernista, resgatando o uso de plantas nativas.

Foto: Paulo Roberto Xavier.

 

Dentro do Xeropaisagismo, os jardins rochosos são um exemplo clássico de jardins temáticos com plantas suculentas.

 

Jardim Botânico do Rio de Janeiro/2017.

Foto: Paulo Roberto Xavier.

 

Com relação a hortas, o uso de irrigação adequada reduz muito o gasto excessivo. A verticalização, o reaproveitamento da água nos sistemas automatizados e a reutilização de materiais como pallets e garrafas pet, são excelentes alternativas para pequenos espaços com sol.

 

Morango plantado em pet.

Foto: SEAE Embu.

 

As frutíferas em vasos para pequenos espaços onde haja boa exposição ao sol é uma maneira de controlar melhor a umidade.

 

Tenho plantado várias jabuticabas híbridas, limão siciliano, acerola, abacate avocado que frutificam. Ervas aromáticas como lavanda (Lavandula) e o alecrim (Rosmarinus officinalis) em bacias formam belos maciços (conjunto de plantas).

 

Jabuticaba híbrida (Plinia cauliflora) - Projeto residencial - Itaúna MG.

Foto: Paulo Roberto Xavier.

 

Voltando às xerófitas (suculentas) muitos de nós conhecemos desde os jardins de nossas avós, como as Espadas-de-São Jorge (Tradescantia fasciata), os Dedos-de moça (Sedums), a Coroa-de-Cristo (Euphorbia milli) e a babosa (Aloe vera).

 

Coleção: Euphorbia millii.

Foto: Paulo Roberto Xavier.

 

Lembrando que muitas espécies são comestíveis ou têm uso medicinal. Vale o alerta sobre a toxicidade de algumas espécies e deve ser usado com cautela e conhecimento da planta.

 

Há um livro referência sobre PANC’s, “Plantas Alimentícias Não Convencionais”, de Harri Lorenzi, que resgata várias espécies da flora nativa usadas na culinária.

 

Esta foi apenas uma breve introdução sobre um assunto vasto e fascinante que é o Reino das Plantas!

 

- Seguem dois links de vídeos que fiz para o Canal de Paisagismo Vida no Jardim, sobre o cultivo de cactos e suculentas:

https://www.youtube.com/watch?v=L54X_c40MVo&t=37s

https://www.youtube.com/watch?v=2UlninWo_Ik&t=6se

 

- Site Vida no Jardim:

Clique aqui para acessar dicas de cultivo

 

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