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Humberto Pinho

 

Religião:

Há de tudo, como na botica

Passou a frequentar o culto numa Igreja Evangélica, e como verificasse que havia

membros que recebiam “regalos”, logo tentou ocupar lugar visível.

 

Por Humberto Pinho da Silva*

De Porto/Portugal

Para Via Fanzine

18/01/2018

 

Andava, então, a oferecer, a várias Igrejas, os seus serviços, na esperança que alguma

aceitasse o “grupinho”, em troca de salário, que servisse para aumentar a renda.

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Ao ouvir, na TVI, o caso das crianças adotadas por dirigentes da IURD, lembrei-me de pobre-diabo, que conheci no Café “Chave D’ouro”, no Porto. Certa tarde – já lá vão décadas, – achei-me a conversar com evangelista, que se intitulava: pastor.

 

Animado pela conversa, começou a contar-me um pouco da sua vida. Era operário da construção civil. Mais por brincadeira, do que por convicção – pois até era de esquerda, – inscreveu-se na “Legião”.

 

“Diziam que era bom, e obtinha-se vantagens…”, mas rapidamente verificou que, dessa atitude, nada ganharia… “ainda se fosse funcionário publico! Talvez…”.

 

Passou a frequentar o culto numa Igreja Evangélica, e como verificasse que havia membros que recebiam “regalos”, logo tentou ocupar lugar visível. Conseguiu ser leitor. “Pouco ou nada obti, mas ganhei experiência, e conheci gente, que me foi útil”.

 

Depois… Passou para nova Igreja, de denominação diferente, até que teve a felicidade de ser escolhido para ir a congresso, que se realizou em Londres. “Pagavam as viagens e deram-me estadia, em casa de irmão…”. Quando regressou, teve conhecimento, que havia padeiro, que fora convidado para pastor, com o vencimento de seis mil escudos!

 

Tentou ser sacerdote, mas, por escassearem-lhe dons oratórios, e sofrer de fobia, ao falar diante de grande assembleia, não foi aceito. Assentou, então, criar a “sua Igreja”. Alugou garagem e convenceu alguns membros a acompanhá-lo. “É grupinho pequeno, mas temos ranchinho de catraios. Recebo, de Londres, folhetos e livrinhos, e dou-lhos. Ficam tão contentes!”.

 

Andava, então, a oferecer, a várias Igrejas, os seus serviços, na esperança que alguma aceitasse o “grupinho”, em troca de salário, que servisse para aumentar a renda. Nunca soube se chegou a conseguir a almejada renda.

 

***

 

Estando em Roma, instalado em aposentos de Faculdade, da Católica, conheci frade franciscano, transmontano, que me contou: indo de férias, a Portugal, fora contactado para pastor de seita, oferecendo-lhe bom vencimento. Dinheiro que vinha da América. Não aceitou, porque estava na Ordem, por convicção.

 

Também, nessa ocasião, eu conheci na via Merulana, pobre monge, de hábito remendado e puído, que me foi apresentado como verdadeiro discípulo de S. Francisco.

 

Dizia-me o “fratello”, à puridade, que o apresentou: “Esse sim, é um santo! Bom era que todos nós fossemos como ele”.

 

Devo esclarecer, em abono da verdade, que há, em todas as Igrejas, mesmo nas seitas, gente boa e santa.

 

Conheço pastor, licenciado, que recusou remuneração da Igreja, porque consegue viver com o que usufrui de seu emprego. E não é caso único. Há de tudo – costuma-se dizer, – como na botica. Quem vê caras, não vê corações… Só Deus conhece o que pensa o coração de cada um.

 

Na religião, na política e também no desporto, como as portas estão abertas, entra toda a espécie de pessoa; por mais escolhas que se faça, há sempre “joio”, na rede.

 

Dizia minha prima Rosinha, quando falavam da má conduta de sacerdotes: ”Para mim, o que interessa, é o que fazem no altar! O resto é com eles!”. E tinha razão… Já Jeremias avisava: “que o Senhor aconselhava a não confiar nos homens” – Jr.17:5.

 

* Humberto Pinho da Silva é escritor e editor do blog Luso-Brasileiro "PAZ" e correspondente de Via Fanzine em Portugal.

  

- Foto: Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

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