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Matérias de J.A. Fonseca disponíveis nessa página:
- Itaúna no Circuito
Arqueológico do Brasil (MG)
- A Lendária Vila
Velha (PR)
- Mistério E Beleza Em
São Tomé Das Letras (MG)
- A Esfinge Da Gávea e
Outros Mistérios (RJ)
- A Misteriosa “Z” e o
Coronel Fawcett (MT)

Itaúna no Circuito Arqueológico do Brasil
Estudando alguns vestígios deixados pelos
‘itaunenses’ de passado remoto
e os misteriosos e indecifráveis 'muros de escravos'
de nossa região.
Por J.A. FONSECA

Trecho de um dos muros da Serra Mata da Onça em
Itaúna.
Este muro não contém argamassa.
J.A. Fonseca/Arquivo Via
Fanzine.
VALORES
QUE REMONTAM -
Pode parecer estranho o título que estamos dando a esta matéria, mas
quando colocamos Itaúna no circuito arqueológico destas terras brasilis
não o estamos fazendo por uma espécie de bairrismo estusiástico, mas para
chamar a atenção dos itaunenses para o fato de que, também nestas regiões
montanhosas, já foi registrada a presença de antigos moradores. Se
tomarmos como referência a temática arqueológica acadêmica, pouco ou nada
poderíamos levantar sobre o nosso município, a não ser em relação a alguns
achados, constituídos de peças artesanais silvícolas encontradas em
algumas regiões. Pretendemos deixar claro, que estamos falando de um tempo
passado, de um período histórico de nossa terra, não importando se têm
raízes num momento mais remoto ou mais recente. É obrigação de todos nós
preservar certos valores que remontam a um momento específico da vida
nestas terras itaunenses, antes mesmo dela existir como uma comunidade
organizada, e permitir que os que ainda estão por vir possam ter
conhecimento desta história, enriquecida pela pesquisa em torno destes
antigos habitantes. É preciso então que se faça a restauração e a guarda
de alguns remanescentes desta época passada para que estes possam ser
apresentados à comunidade como um todo.
A própria história do Brasil possui ainda uma grande
quantidade de enigmas que precisam ser convenientemente, explicados.
Apesar disto, sentimos haver um certo desinteresse neste sentido,
principalmente quanto ao verificar determinados casos mais controvertidos.
Mesmo no ensino da História de nosso país, pouco se fala de nossos
antepassados, como se eles não tivessem tanta importância e não houvesse
tantos registros fantásticos projetando-se em toda a parte, como
testemunhos mudos de um tempo longínquo. Parece-nos, que ao comentar estas
coisas, estamos incorrendo em grave erro ou cometendo uma grande heresia,
principalmente em nosso caso, que temos uma visão amadora e não acadêmica
destes fatos. Ocorre, porém, que alguém precisa tomar uma iniciativa a
este respeito, quando temos esta realidade insofismável em muitos locais,
em pleno território brasileiro e mesmo em nossas terras itaunenses, sem
que seja devidamente considerada, quando não totalmente ignorada, pela
grande maioria das pessoas.
OS CATAGUASES - Falo abertamente destas coisas,
apesar de não ter formação acadêmica neste sentido, porque já visitei
muitas regiões no Brasil observando in loco muitos destes
remanescentes pré-históricos. Nesta região central do Brasil, onde se estabeleceu o
Arraial de Santana de São João Acima, mais tarde denominado Itaúna, vamos
encontrar também marcas indeléveis, deixadas por outros moradores, antes
da chegada do invasor branco.
Os historiadores itaunenses afirmam que este Arraial
surgiu de uma primeira e modesta infra-estrutura criada pelo bandeirante
Manoel de Borba Gato no ano de 1710. Nesta época havia numerosas tribos de silvícolas em
Minas Gerais e na região de Itaúna, que em face de seu grande espírito
guerreiro eram chamados de cataguás ou cataguases. Estes temíveis
guerreiros ocupavam a região sul e oeste de nosso estado e foram
totalmente dizimados por doenças trazidas pelos colonizadores nos seus
contatos com eles e em conflitos armados com os bandeirantes.
Sobre este palco histórico hostil, onde também se
localizavam as terras que pertenceriam ao nosso município, foi se
configurando o perfil do arraial de Santana de São João Acima.
Após o estabelecimento da pequena infra-estrutura
implantada por Manoel de Borba Gato, Manuel Pinto de Madureira, já em
1750, mandou construir a capela de Santana no alto do Morro do Rosário.
NOSSOS ACHADOS - Com o crescimento da população e
após ter-se tornado município em 1901, algumas pessoas interessadas
começaram a descobrir, em muitos locais, restos de populações indígenas.
Foram encontrados objetos e utensílios diversos, como machados de pedra,
pedaços de materiais cerâmicos, especialmente da região der Santanense e
estrada de Itaúna-Divinópolis, onde foram feitas algumas escavações. Eu
mesmo cheguei a encontrar alguns pedaços de cerâmica, há cerca de 20 anos,
em um terreno de minha propriedade, localizado no Bairro Itaunense, os
quais, tenho ainda guardado. Fui informado que próximo a Itaúna existe uma
pedra com inscrições rupestres de origem desconhecida. Não consegui ainda
localizá-la, mas penso que tal hipótese pode ser verdadeira, uma vez que
em muitas outras regiões de Minas Gerais e do Brasil existem inscrições
desta natureza. Registros como estes, diga-se de passagem, não estão
relacionados às populações indígenas que aqui foram encontradas, pois tal
procedimento não fazia parte de sua cultura.
Outro trecho do mesmo muros da Serra Mata
da Onça contém uma espécie de argamassa.
J.A. Fonseca/Arquivo Via
Fanzine.
MUROS DE PEDRAS
- Um outro "mistério" que envolve
estas regiões itaunenses é o que se refere aos muros de pedra localizados
em diversos lugares e que são do conhecimento de muitos moradores. Tomei
conhecimento de sua existência há muitos anos, mas não havia ainda
encontrado nenhum deles em minhas buscas. Somente em agosto de 2.002 é que
pude ver dois destes muros e fotografá-los, quando em conversa com o Pepe
Chaves, diretor deste jornal, disse-me conhecer um destes muros,
localizado na Serra Mata da Onça. Combinamos uma ida naquela região e num
sábado pela manhã, lá estávamos nós eu, Pepe e meu filho Adriano de 12
anos, subindo a Serra. Surpreendeu-me quando encontramos o muro, pois,
trata-se, de fato, de uma construção histórica que remonta a um tempo que
pode ser tanto da época da escravidão, como dizem alguns, como de um
passado bem mais remoto.
É estranho que se tenha mandado construir um muro de
pedra subindo montanha acima, para então terminar abruptamente e ser
atravessado por outro que sobe, um pouco enviesado, rumo ao cume da
montanha. Seguimos ao lado dele até este enviesamento por cerca de 500
metros. Tiramos fotografias de várias partes dele [veja nesta página],
podendo perceber que em alguns pontos ele se tornava mais baixo (cerca de
80 cm) e em outros, chegava a alcançar uma altura considerável (cerca de
1,80 m), por causa de uma vala que o percorre em toda a sua extensão. As
pedras que o compõem variam de tamanho, algumas são de grandes proporções
e outras bem menores, ajustadas em certas partes com barro e em outras com
assentamentos diretos, sem argamassa, pedra sobre pedra.
OBRA DE QUEM? - Soubemos que existem muitos destes
muros no município de Itaúna como, por exemplo, no morro do Bonfim, alguns
pontos do Bairro Belvedere e outras localidades. Soubemos também que
muitos deles já foram totalmente destruídos. Dizem as pessoas daqui que se
tratam de muros construídos pelos escravos e se contentam com esta
explicação. Não pretendemos atribuir-lhes nenhuma conotação excepcional,
nem suscitar outras hipóteses sobre sua existência, mas ficamos pensando
qual teria sido o motivo que levou desta região, fazerem cercar com muros
grandes extensões de terra sobre montanhas e tão distantes do arraial de
Santana de São João Acima, que estava apenas nascendo.
Como o pensamento é livre, temos o direito de nos
perguntar por que tais muros de pedra, diga-se de passagem, não tão
simples de serem construídos, teriam sido erigidos em lugares tão
distantes e porque não dizer inusitados, não oferecendo qualquer serventia
aparente, se o analisarmos sob a ótica da objetividade. Pensamos que
poderiam, até mesmo, tratar-se de sinais de um tempo bem mais remoto, obra
que não poderíamos atribuir aos silvícolas que habitavam estas paragens,
pois sabemos que, historicamente, estas atitudes não se compatibilizavam,
com as destes antigos moradores.
ESCRAVOS SANTANENSES - Se optarmos para a idéia de
que tenham sido construídos pelos escravos, gostaríamos de fazer uma
pequena análise, reportando-nos ao período escravagista de nossa terra.
Temos a seguinte estatística sobre a população do Arraial de Santana de
São João Acima daquela época, segundo o historiador Miguel Augusto
Gonçalves de Souza: "A população de Santana de São João Acima, em
conformidade com o primeiro recenceamento realizado no País, ano de 1872,
era de 4.259 habitantes, assim distribuídos: homens livres, 1.718, e,
mulheres livres, 1.830, no total de 3.548. O número de escravos era de
711, sendo 341 homens e 370 mulheres. Os escravos representam, portanto,
16,69% da população" 1 .
Raciocinando sobre estes números e sem querer
tornar-nos tendenciosos, pensamos que apenas 341 escravos homens (sem
mencionar as crianças aí incluídas e não destacadas na contagem) nas
fazendas da região não poderiam estar ocupados também na construção de
tantos muros e tão distantes das sedes de seus senhores. Havia uma
infinidade de serviços a serem feitos nestas fazendas e não seria uma
idéia razoável, adquirir escravos para desviá-los de suas tarefas, ou
mesmo parte deles neste empreendimento, sem que para isto haja uma
explicação razoável.
PERÍODO ANTERIOR - Mais lógico seria pensar que sua
história estivesse relacionada a um período bem anterior ao da fase
escravocrata itaunense. Entretanto, caso tenham sido mesmo construídos
pelos escravos, e esta discussão não é a razão principal deste artigo,
temos obrigação, no mínimo cultural, para não dizer ética e moral, de
preservá-los intactos, para que possam servir inclusive de referência ao
nosso povo, à nossa história e àqueles que deles ainda não ouviram falar.
Infelizmente, tal possibilidade vem se tornando, dia a dia, mais
longínqua, uma vez que eles vêm sendo, silenciosamente desmontados, como
se nada representassem. Nossos princípios culturais e nosso ego acalentam
dentro de nós uma espécie de ânsia destruidora, que não nos permite fazer
caso de vestígios como estes, tratando-os com a mais ríspida
desconsideração, em troca de decisões imediatistas e superficiais que,
infalivelmente, giram em torno do lucro. Em várias partes do Brasil isto
vem acontecendo, como se fosse um tipo de cegueira conveniente que envolve
as pessoas locais, exploradores e memórias valiosas da história e que
acabam sendo, sistematicamente, destruídas.
DESTRUIÇÕES RECENTES - Lamentamos o fato de que
muitos destes vestígios já tenham sido totalmente demolidos em nossa
região e que nenhum sinal deles poderá jamais ser revisitado. Tais
acontecimentos repercutem, certamente, como chibatadas sobre os ombros
destes nossos antepassados, apesar da abolição tê-las proibido, como se
estivéssemos inconscientemente ou deliberadamente, empenhados em APAGAR,
definitivamente, quaisquer resquícios de sua existência. É provável que,
transcorridos mais algumas décadas, sem que sejam tomadas providências
relevantes e conscientes, não tenhamos mais nada do que falar sobre o
passado de nossa terra, assim como também de algumas regiões brasileiras,
que vêm sendo dilapidadas pelo comércio vil, pelo descaso e pela
inconsciência de alguns de seus cidadãos.
Pensamos que onde começa esta fase de negligência pela
própria história local, é onde também se dá início ao ocaso do
conhecimento, que ao alcançar sua fase de obscurecimento mais profundo,
projeta sua sombra e faz com que muitos já não mais se importem com sua
própria origem, refletindo apenas em favor de um sistema progressista,
onde o ganho tem sua tônica mais contundente, embora que destituída de
sensatez.
Nota:
1 "História de Itaúna – volume I, pag. 94, Miguel
Augusto Gonçalves de Souza, Belo Horizonte, 1986.
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Apêndice:
Chibatadas no Patrimônio
Cultural
Os ‘muros de escravos’ de Itaúna estão sumindo
porque suas
pedras estão sendo usadas em alicerces de casas
construídas
próximas a estes antigos monumentos.
Comentário de Pepe CHAVES

Estes restos de um antigo muro, que margeavam uma rodovia em Itaúna,
foram completamente destruídos no ano passado.
Foto: G. Vilela/Arquivo Via
Fanzine.
MARANATA - O primeiro "muro de escravos" que vi
existia na serra denominada Maranata, situada próxima ao bairro Belvedere,
em terreno da Companhia Tecidos Santanense. Ali, até poucos anos, havia um
enorme muro, com 80 cm de altura x 50 de altura, percorrendo centenas de
metros que dividiam a serra ao meio; descendo por Santanense de um lado e
pelo Belvedere por outro, neste, atingindo os fundos da Itaúna
Siderúrgica. Este muro foi totalmente destruído a cerca de 10 anos, quando
se construiu o bairro Belvedere e suas pedras foram usadas para se fazer o
alicerce de muitas casas que foram construídas ali. Foi lamentável quando
num certo dia subi aquela serra e não vi mais uma pedra do muro que
visitei várias vezes durante grande parte de minha infância. Tudo tinha
desaparecido completamente! Para mim, tal ato se constituiu num crime
cultural.
VEREDAS - Outro muro que conheci em minha
infância e que recentemente foi destruído, pelos mesmos motivos (suas
pedras foram usadas em construções de residências) estava situado no
bairro Veredas, pouco acima da caixa d’água daquele bairro. Com a
construção do bairro, ele foi totalmente destruído, sem deixar quaisquer
vestígios de que existiu ali um dia. Pouco abaixo dessa região,
praticamente ao lado da rodovia MG-431, próximo à entrada do local onde
está situado o sítio do Sr. Aristides Moreira, havia ao lado direito de um
mata-burro, restos de uma antiga construção. Cercada de plantas as ruínas
se tornaram um belo ornamento natural [foto acima] com cerca de
1,80m de altura por 60cm de largura. Isso até uns dois anos atrás, porque
ele foi totalmente destruído, não ficando ali uma única de suas pedras.
MATA DA ONÇA - Os dois imensos muros que cortam
a Mata da Onça - e que ainda estão sendo pesquisados por J.A. Fonseca
- devem ser tombados pelo patrimônio e preservados pela comunidade.
Hoje os muros se encontram em meio à uma imensa mata nativa, constituída
de árvores de grande porte e arbustos diversos. certamente, quando fora
construído, não havia ali tal vegetação. A julgar por isso podemos supor
que podem ser mais antigos que a época dos escravos, já que a mata daquela
serra está bem formada há bem mais de 100 anos. Tivemos recentemente a
informação de um assessor do Prefeito de Itaúna, de que a Granja Escola
(situada próxima àquele local) irá fazer uma trilha paralela a este muro,
exibindo-o para visitação. A idéia é salutar, pois mostrará ao nosso povo
os mais antigos vestígios arquitetônicos de um passado que ainda não
conseguimos desvendar e que, para tanto, é preciso preservá-los até que em
algum dia, através de alguma nova tecnologia, possamos saber a verdadeira
origem e função destas intrigantes construções itaunenses.
BARRAGEM - Outro muro que ainda persiste (pelo
menos há uns dois anos estive lá), está no loteamento de propriedade do
Sr. Giovani Salera, situado próximo à Barragem do Benfica. Este muro que
aparenta ser bastante antigo está localizado próximo à caixa d’água que
abastece aquele condomínio residencial. Com as recentes construções de
casas naquele local, este muro será também, a exemplo dos anteriores,
destruído – se já não o foi, salvo se houver naquele local uma
conscientização, por parte do poder público e mesmo dos empreendedores dos
terrenos, no sentido de preservá-lo.
OUTROS MONUMENTOS - Além destes muros citados,
há em nosso município, em locais ainda distantes das construções, um
razoável circuito de muros antigos que deviam ser valorizados
historicamente e serem tombados como patrimônio público.
Deixamos um alerta à comunidade, para que nos voltemos
à preservação destes monumentos esquecidos pelo tempo, cientes de seus
verdadeiros valores culturais.
* Pepe Chaves é editor do
jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br).
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A
lendária Vila Velha
Está
localizada a 30 km de Ponta Grossa, no Paraná e encanta pelas suas
exuberantes e monumentais
formações rochosas. Segundo a Ciência ela
é produto de erosões e movimentações dos ventos, que durante
muitos milhares de anos esculpiram a
rocha formando as diversas figuras e a fantasmagórica aparência
de uma cidade abandonada. A lenda tupi
dá-lhe o nome de “itacueretaba” (a cidade extinta de pedra),
mas seu nome mais antigo é “abaretama”, a terra dos homens, que havia sido
escolhida pelos primitivos
habitantes da região para preservar o “itainhareru”,
o precioso
tesouro, sob a proteção de Tupã.
Por J.A. FONSECA

Paisagem insólita de Vila Velha.
Arquivo Via Fanzine.
MONUMENTOS PÉTREOS -
Em
julho de 1.978, em viagem turística pelo sul do Brasil, Montevidéu e
Buenos Aires, fui envolvido de um primeiro grande impacto ao vislumbrar o
desconhecido, quando me decidi, juntamente com minha esposa, visitar Vila
Velha, no estado do Paraná. Já de início, ficamos perplexos diante da
exuberância deste monumento, constituído de dezenas de outros monumentos
menores de igual magnitude e beleza. Trata-se de um conjunto de arenitos
enormes, maciços em pedra, que inspiram as mais variadas formas, sugerindo
figuras de objetos, seres humanos e animais de tamanho colossal.
Localiza-se no município de
Ponta Grossa, a 30 km da cidade e a 120 km de Curitiba, à margem direita
do Rio Tibagi, em imensa planície verdejante. Seu conjunto
“arquitetônico”, visto da estrada, mais se parece a um gigantesco castelo
em ruínas, com seus paredões se elevando sobre um pequeno monte. Este
conglomerado é, de fato, um conjunto colossal e fascinante, e quando
observamos suas muralhas imponentes mais de perto, vem à nossa mente uma
inquirição teimosa de que a lenda que envolve aquela bela região possa ter
um fundo de verdade.
AS FORMAÇÕES -
Segundo os estudiosos os monumentos de Vila Velha são produtos de
formações rochosas naturais, esculpidas por meio de erosões e movimentação
dos ventos, que durante muitos anos dilapidaram a rocha, formando as
diversas figuras e a fantasmagórica aparência de uma cidade abandonada. O
nome que lhe foi dado é decorrente de suas figuras de caráter
diversificado e por seu aspecto semelhante a uma “cidade em ruínas”, mas
os geólogos afirmam que tudo foi “construído” pela natureza, sob a ação de
chuvas fortes e ventos da região. Conforme explica a geologia o vento é um
dos mais importantes agentes de erosão, produzindo modificações no relevo
e é também um dos responsáveis pelas magníficas esculturas de Vila Velha.
Neste caso, as formas esculpidas na rocha sugerem rostos, animais,
muralhas de castelos e outras formas curiosas, além de ruas e becos que se
entrecruzam, como se fora uma velha cidade arruinada.
Seu
conjunto megalítico se encontra a quase mil metros de altitude, e mede
cerca de 2.000 metros de comprimento e 600 metros de largura. Sua
composição geológica é constituída de arenitos silico-argilosos,
sedimentos permocarboníferos e limonita. Explicam os geólogos que devido a
não uniformidade da composição geológica de suas rochas, as precipitações
pluviométricas e os fortes ventos que assolam a região, deram-lhe suas
formas atuais e que elas continuarão sendo remodeladas permanentemente,
redefinindo novas formas.
LAGOA & CALDEIRÃO -
Bem próximo a este conglomerado rochoso existem também dois outros locais
que podem ser visitados. Um deles é a famosa Lagoa Dourada, que é rodeada
por abundante vegetação e recebe suas águas do mesmo rio subterrâneo que
alimenta as Furnas, um outro local interessante. Todos os dias, no por do
sol, suas águas tomam um aspecto dourado, o que originou o seu nome e,
segundo os geólogos tal acontecimento é devido à malacacheta (mica) que
existe em grande quantidade no fundo da lagoa, dando-lhe este aspecto
gracioso. Ela tem um perímetro de 690 m e possui muitas espécies de peixes
como traíra, tubarana e bagre, que ali se reproduzem sem qualquer tipo de
agressão exterior.
O outro local próximo é conhecido pelo nome
de Furnas ou Caldeirões do Inferno, por se tratarem de verdadeiras
crateras circulares abertas na rocha. São duas estas gigantescas aberturas
circulares e chegam a atingir até 100 m de profundidade, estando, porém,
com água até, mais ou menos, pela metade.
A ORIGEM -
Os gigantescos arenitos que compõem a “cidade abandonada” de Vila Velha,
segundo estudos feitos remontam a cerca de 340 milhões de anos, a partir
de quando os fenômenos geológicos passaram a depositar grandes quantidades
de areia naquele lugar, que se acumularam com toneladas de fragmentos
rochosos trazidos por massas de gelo que provocavam erosões. Após o degelo
estes materiais ali ficaram sofrendo erosões diversas, fraturas e
diferenciações, produzindo o que pode ser visto hoje, figuras gigantescas
de formatos variados e paredões imensos compactados.
LENDA TUPI -
Queremos, entretanto, entrar também no mérito da lenda que foi durante
milênios resguardada pelos povos indígenas da raça tupi, que habitavam
aquela região e que fazem de Vila Velha um local amaldiçoado, destruído
pela ira de Tupã.
Seu nome antigo era
Abaretama, a terra dos homens, e havia sido escolhida pelos
primitivos habitantes da região, com a divina proteção do deus Tupã,
para preservar o itainhareru, o precioso tesouro. Este sagrado
tesouro dos povos indígenas era vigiado dia e noite por um grupo de
jovens, os apiabas, que se tratavam de moços escolhidos, pois eram
selecionados dentre os rapazes de todas as tribos e treinados com a única
finalidade de vigiá-lo e guardá-lo dos olhares inimigos.
Eles tinham, portanto, muitos
privilégios, mas lhes era vedado ter qualquer contato com mulheres, tendo
que dedicar-se exclusivamente ao trabalho divino. Segundo uma lenda
mantida pela tradição indígena, se as mulheres passassem a conhecer o
segredo do Abaretama, elas o espalhariam por toda a parte e
facilitariam a tomada de seu tesouro pelos inimigos de seu povo. Se o
sagrado tesouro do Abaretama fosse perdido Tupã afastaria
sua mão protetora de cima deles e toda a forma de desgraças se abateria
sobre sua raça, que seria amaldiçoada para sempre.
DHUI E ARACÊ -
Ocorre, que certa vez fora escolhido um jovem índio de nome Dhui,
para ser o chefe dos apiabas e, para isto fora preparado, como os
outros, desde muito jovem, para exercer sua função na guarda do tesouro do
Abaretama. No entanto, ele não pretendia ser um celibatário, mas,
ao contrário, seu coração fervilhava pelos encantos femininos.
Tais notícias correram soltas
como os ventos das manhãs primaveris e logo, todos da aldeia já sabiam
disto e, o que é muito pior, vazaram as fronteiras para longe, chegando
aos ouvidos das tribos inimigas. Assim, decidiram os rivais se
aproveitarem disso para tomar posse do sagrado tesouro, planejando uma
terrível armadilha. Escolheram dentre as suas donzelas a mais bela de
todas, Aracê Poronga (Aurora Bonita) e a enviaram para
conquistar o coração do jovem acabrunhado. A bela Aurora Bonita
conquistou, pouco a pouco o jovem guerreiro Dhui, subjugando-o com
seus encantos, até que um dia ele permitiu sua entrada no Abaretama.
Entretanto, a encantadora Aracê Poronga também se
deixou levar pela beleza masculina de Dhui e apaixonou-se por ele,
traindo seu povo e esquecendo-se de sua missão. Aracê não
conseguira tirar dele o segredo para transferi-lo ao seu povo e ele,
apaixonado, permitira que ela penetrasse no lugar sagrado.
Com a quebra do compromisso o
deus Tupã fez desencadear um grande terremoto sobre a região e toda
a planície foi abalada, sendo destruída a “terra dos homens” e
transformada em pedra, juntamente com os dois amantes ao lado da taça, na
qual ambos haviam tomado o Uirucuri, o licor de butias e se
embebedaram.
Com
a queda da raça tupi, o precioso tesouro, fundido, desapareceu e ficou
representado pela lagoa que ainda se encontra entre as rochas e passou a
se chamar Lagoa Dourada. Quando o sol desce suas águas refletem uma
misteriosa cor de ouro, como se fora o tesouro derretido que se escorreu
para dentro dela, velando, para sempre, o segredo do Abaretama.
Esta, por sua vez, completamente destruída tornou-se em pedra e a terra de
Abaretama transformou-se em Itacueretaba, a cidade extinta
de pedra.
Os sobreviventes desse povo antigo, após
tão terrível acontecimento se mudaram para outras regiões, fundando outros
impérios distantes daquelas terras amaldiçoadas por Tupã e o tempo fez com
que suas ruínas se transformassem em lenda e ali permanecessem para
mostrar aos povos que viessem no transcorrer das gerações, a grandiosidade
daquele passado perdido nas brumas do tempo.

Mistério e beleza em São Thomé das Letras
São
Tomé das Letras é uma cidade mística desde seu surgimento. Lendas coroaram
sua história
e sua localização, na serra da Mantiqueira, lhe dá um aspecto
distinto de muitas cidades do interior.
Além do mais, seu traçado e suas
construções
em pedra, suas cachoeiras, inscrições rupestres
e muitos outros atrativos, reforçam a idéia
de que seja uma região muito especial.
Por J.A. FONSECA

São Tomé:
Igreja feita em pedra-sobre-pedra,
típica
construção da cidade.
Arquivo Via Fanzine.
CIDADE MÁGICA -
A cidade de São Tomé das Letras assenta-se, misticamente, no alto de uma
imensa pedreira de itacolomito e quartizito, a cerca de 1.300 metros de
altitude, já nas magníficas regiões da Serra da Mantiqueira. Tem,
aproximadamente, 7.000 habitantes e se localiza a 300 km de Itaúna, pela
BR 381 até Três Corações, tomando-se em seguida a estrada em direção a
cidade de São Bento Abade, hoje quase totalmente asfaltada. Sua história
remonta ao século XVIII, quando foi encontrada uma imagem na gruta das
inscrições, no centro da cidade e o “padre eremita” Francisco Torres disse
tratar-se da estátua de São Tomé. Esta é, sem dúvida, uma região de grande
beleza, e se encontra permeada de lendas e acontecimentos pouco comuns,
além de possuir muitos encantos naturais, como por exemplo, seus conjuntos
montanhosos, suas grutas e cavernas, diversas cachoeiras e inscrições de
natureza desconhecida e indecifrável.
É também famosa a toca do Chico
Taquara, que segundo se conta, teria sido uma figura lendária que vivia
afastada da comunidade, no meio do mato, como um ermitão. É curioso que
uma grande parte de suas casas foram construídas com as pedras da região e
também uma das igrejas, apresentando assim, um aspecto incomum e, de certa
forma, místico.
A LENDA -
Segundo a lenda, a imagem de São Tomé foi encontrada numa gruta no alto da
montanha pelo escravo João Antão, foragido da Fazenda de João Francisco
Junqueira e que ali se escondera. Quando lá chegou, o local era deserto e
procurou o escravo sobreviver à custa de caça, pesca e frutos da região,
permanecendo ali por um longo tempo. Um dia foi surpreendido pela presença
de um homem de cor clara, vestido de uma longa túnica branca, que lhe
apareceu como que surgido do nada e lhe disse para levar uma carta ao seu
senhor, pedindo a sua libertação. O escravo temia retornar à fazenda de
onde fugira, mas o homem misterioso disse-lhe que não haveria problemas e
ele foi, temeroso, levar a missiva ao seu amo. Curioso e encabulado, o
fazendeiro retornou à gruta com o escravo e uma caravana, e quando lá
chegou encontrou apenas uma imagem, que pensou ser de um santo. Além
disto, no alto, logo na entrada da gruta havia umas estranhas linhas
desenhadas na pedra, em tinta vermelha, como letras, que também fora
atribuída à estranha aparição. O escravo foi libertado e no local foi
construída uma pequena capela, que mais tarde transformou-se na igreja
matriz que lá se encontra, cujos murais foram pintados por José da
Natividade, discípulo de Aleijadinho.
Conta-se que em 1.991 a estátua de madeira
desapareceu misteriosamente do altar e nunca mais foi encontrada.
Pensou-se que teria sido furtada e tal fato foi noticiado na época, sem,
no entanto, ter-se conseguido apurar o que teria acontecido realmente. O
altar ficou vazio e o mistério de seu desaparecimento passou a aguçar a
mente de seus moradores e das pessoas que dali se aproximavam querendo
conhecer a região.
BELEZAS NATURAIS -
Em São Tomé das Letras existem muitos lugares para serem visitados, além
de paisagens lindíssimas para serem apreciadas. A gruta do Carimbado fica
a cerca de três quilômetros de distância e próximo dela, em uma pequena
elevação chamada de ladeira do Amendoim, pode-se observar um fenômeno
muito estranho. Se estivermos de carro, podemos desligá-lo no pé do morro
e notar que ele vai subindo sozinho como se estivesse sendo empurrado por
um a força invisível ou magnética.
Existem também
a gruta do Feijão, a
gruta do Sobradinho, a gruta da Bruxa, cachoeiras diversas como a do Véu
das Noivas, do Paraíso, da Lua, da Eubiose e do Flávio, uma região
lindíssima chamada de Shangri-Lá, além da gruta de São Tomé com suas
inscrições rupestres. Segundo alguns estas inscrições se referem a
conhecimentos muito antigos gravados na rocha e são como marcos secretos
do tempo, que somente podem ser decifrados por pessoas preparadas. Eles
ocultariam, segundo alguns, mistérios relacionados ao passado e ao futuro
da humanidade terrestre. Também podem ser encontradas estranhas inscrições
na região de Shangri-Lá que é um local com características exuberantes,
onde, numa extensão de alguns quilômetros, pode-se ver o rio passando
através de corredeiras sobre a rocha viva, formando piscinas naturais e
pequenas quedas d’água, num espetáculo inimaginável. Em torno, nas margens
do rio, pode ser admirada uma rica vegetação de árvores e arbustos,
perfazendo um conjunto de rara beleza.
INSCRIÇÕES -
Para alguns as inscrições de São Tomé são provas da aparição do santo e
para outros se tratam de registro da existência de primitivos habitantes
naquela região. Sabe-se que os índios cataguazes habitaram aquelas
paragens, mas não se tem nenhuma informação de que eles tenham se
utilizado de registros em pedras para preservar algum conhecimento. Sequer
eles possuíam uma linguagem escrita e fatos como este, jamais fizeram
parte de sua tradição.
No pico do leão, um conglomerado formado de
belas estruturas rochosas, pode-se encontrar também um desenho estranho de
um animal sem cabeça. Dizem tratar-se de um leão e que ele demarca o
início de uma região onde algo de importância teria acontecido, passando a
ser conhecido por este nome. Porém, fica o mistério, porque o leão é um
animal que não faz parte da fauna brasileira.
MISTÉRIOS -
Desde a sua criação, a cidade de São Tomé das Letras sempre esteve envolta
por uma aura misteriosa e por fatos estranhos. Seu próprio nome espelha os
acontecimentos que fizeram nascer o mito que se esconde por trás de suas
pedras milenares: “São Tomé”, em referência à imagem encontrada na gruta
das inscrições, que o padre Francisco Torres disse tratar-se da estátua
daquele santo e “das Letras” em referência às inscrições encontradas na
entrada da gruta, que se pensou tratar-se de uma mensagem deixada pelo
estranho visitante, ao escravo negro fugitivo.
É importante acrescentar que os
índios brasileiros veneravam uma figura mística e mítica, que se
apresentava como um homem branco, barbado, que perambulava por toda a
América. A este enigmático personagem eles davam o nome se Sumé e diziam
que ele havia vindo do mar e lhes ensinara muitas coisas, entre elas, o
plantio e o preparo da mandioca, além de novas diretrizes religiosas.
Acredita-se que o nome Tomé foi dado por causa de sua semelhança com Sumé
e porque o padre pretendia dar-lhe uma conotação religiosa.
AS LETRAS -
Com relação às suas inscrições rupestres, emitem-se teorias, segundo as
quais, elas teriam sido feitas pelos índios cataguazes ou que poderiam ser
de origem fenícia. O certo é que elas são compostas de caracteres
desconhecidos e aquelas que se encontram no centro da cidade, se acham em
destaque, no alto, como um marco secreto, de difícil acesso. Chegou-se
efetuar pesquisas geológicas na região e afirmaram os pesquisadores que as
inscrições poderiam ser derivadas de um musgo avermelhado, que quando
surge nas camadas de rochas produzem desenhos variados. Este musgo é
conhecido como lichen cladonia sanguinea e é muito encontrado nas
rochas da região. Apesar de a cor das inscrições serem também
avermelhadas, podemos observar com nitidez a diferença entre a atuação do
musgo e a lógica das “letras”, que possuem forma definida e ocupam
um espaço determinado, além de que, alguns de seus caracteres se
assemelham a outros, encontrados em outras partes do Brasil. Elas mais se
parecem com uma grafia, deliberadamente “escrita” como se tivesse sido
feita com a ponta do dedo ou um objeto desconhecido, possuindo, assim,
largura mais ou menos homogênea.
FENÔMENOS -
Muitos acontecimentos misteriosos acontecem naquela região e alguns
moradores narram que, em certas épocas aparecem estranhas bolas de fogo
que voam baixo, iluminando as casas, as árvores e o lugar por onde passam.
Muitos outros relatos de aparecimentos de objetos voadores não
identificados ou mesmo dos populares “discos voadores” têm sido coletados
em toda a cidade junto de seus moradores, que sempre afirmam terem visto
coisas diferentes na cidade e adjacências.
Em todas as regiões
semelhantes a esta, quer pela sua estranheza, quer pela sua beleza ou
características inusitadas e que não são raras em terras brasileiras,
ocasionalmente, podem ser encontrados, além destes marcos enigmáticos e
relatos excepcionais, pessoas com dotes incomuns e visitantes de origem
desconhecida. Tudo isto fazem delas pontos muito especiais que, de alguma
forma, acabam interligado-as à ânsia milenar que habita o interior de cada
ser humano na Terra, de encontrar um lugar de paz onde ele possa viver.

RIO
DE JANEIRO:
A
Esfinge da Gávea e outros mistérios
O
Estado do Rio de Janeiro, além se ser um dos mais belos do Brasil,
com suas
lindíssimas praias e uma natureza pródiga, é possuidor de muitas
características de conteúdo misterioso, que em certos casos,
carregam
aspectos de caráter até mesmo lendários.
Por J.A. FONSECA

A
paisagem rochosa do Rio de Janeiro
oculta vários mistérios. Arquivo Via
Fanzine.
TOPOGRAFIA MISTERIOSA - Estes detalhes pouco comuns, que vamos
abordar neste trabalho, colocam esta região dentre as muitas outras em
território brasileiro, que suscitam inúmeras indagações sem respostas. A
cidade do Rio de Janeiro, especificamente, apresenta um sem número de
misteriosas “coincidências” que seriam no mínimo curiosas, vistas sob a
ótica de qualquer observador mais atento, que deveriam ser exaustivamente
estudadas pelos pesquisadores da história antiga do Brasil.
O mais estranho destes lugares é
a Pedra da Gávea, muito conhecida por sua posição estratégica e situada
numa das localidades mais visitadas por turistas de todo o mundo.
Entretanto, a grande maioria destes ainda não atinou para os estranhos
registros que podem ser encontrados ali e que fazem retroceder no tempo
sua misteriosa presença nestas terras brasilis.
No alto desta pedra pode-se ver
uma perfeita esfinge, de proporções colossais, como se ela espreitasse
sobre a Baía de Guanabara com sua imponência silenciosa e vigilante. Sua
fisionomia austera, mas serena continua lá, apesar do desgaste do tempo,
olhando para o Norte, como se preservasse um tesouro precioso para toda a
humanidade. Pode-se perceber ainda seus olhos, seu nariz e sua boca, uma
espécie de elmo sobre a cabeça e uma barba volumosa que desce sobre o
penhasco. A impressão que se tem é que esta imensa cabeça esculpida em
pedra teria sido colocada lá, pois ela possui também um corpo que se
assemelha ao de um leão deitado, que teria sido construído de um outro
tipo de rocha. Afirma-se que seu corpo é de granito e que a cabeça é feita
de gneisse, um tipo de rocha metamórfica constituída de cristais de mica,
quartzo e feldspato, possuindo 286 metros de altura. Se isto for
confirmado, temos um outro grande problema a resolver, além dos muitos
outros em diversas partes do Brasil e do mundo. Quem a teria construído e
colocado naquela posição, se ela se encontra numa altura considerável
(cerca de 550 metros acima do nível do mar)? E por que meios isto teria
sido feito?
Seria muito mais cômodo afirmar-se que ela
não passa de mais um caso de erosão natural e que tudo o que se procura
levantar sobre sua estranha fisionomia, não passam de invencionices de
alguns desocupados. Vamos então avaliar alguns aspectos deste formidável
quebra-cabeças e de outros que se encontram próximos e depois, cada um que
pense no que bem entender.
CONJUNTO DE MONTANHAS -
Uma das primeiras considerações que gostaríamos de fazer é que ela faz
parte de um conjunto de montanhas com aproximadamente 20 km. de extensão,
onde se localizam sete bairros no litoral do Rio de Janeiro: Barra da
Tijuca, São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo e Urca. Este
conjunto de montanhas, quando visto da Ilha Rasa (no litoral fluminense)
mostra o perfil de um “Gigante Adormecido” e, o mais curioso, é que a
Pedra da Gávea é exatamente a sua cabeça. Seu corpo se estende por um
conjunto de morros, que veremos a seguir e seus pés se acham, finalmente,
no Pão de Açúcar. Diante da Pedra da Gávea está a Pedra Bonita, que com
ela compõe a cabeça do gigante e em seu cume de podem ver desenhados sete
círculos concêntricos, de grandes proporções.
Segundo o pesquisador Eduardo B.
Chaves a altura da cabeça da Gávea, a partir do nível do mar é de 842
metros. Esta é uma medida que pode ser desdobrada e comparada com
princípios cabalísticos e iniciáticos, fundamentados na numerologia
sagrada. Se dividirmos sua altura por 2 teremos a cifra 421 que, quando
lidos anagramaticamente, ou seja, na expressão 124, que destaca os valores
individuais dos algarismos 1, 2 e 4, podem ter as seguintes identidades: o
1 representa a unidade sempre presente, o princípio, a representação do
Criador; o 2 representa o binário cósmico, a dualidade universal,
espírito-matéria, a manifestação da Alma do Mundo; e o 4 é a representação
do quaternário sagrado, cósmico e terrestre, da realização do plano de
evolução do universo, simbolizado pela cruz, pelo quadrado e pelo cubo.
Não nos estenderemos muito neste propósito, porque a finalidade deste
trabalho é mostrar outros enigmas desta região, que muito tem a ver com o
passado mais remoto destas terras brasílicas de vera cruz.
A palavra Gávea provém do latim
cavea e gabia e significa a plataforma fixada na extremidade
do mastro principal, que servia para afastar os cabos de sustentação
lateral deste e dos demais mastros de um navio. Isto, talvez desse a
entender que a Pedra da Gávea fosse algo que deveria se posicionava no
alto, em local de destaque, se estabelecendo em posição de vigia. Fora
isto, pensamos ter sido sem propósitos o nome para tão enigmático
monumento.
Do lado esquerdo da cabeça da
esfinge da Gávea, no alto, foram encontradas algumas inscrições em baixo
relevo, que segundo A. Silva Ramos, que as traduziu, se tratam de
caracteres fenícios e possuem o seguinte significado: “Tiro, Fenícia, Badezir primogênito de Yeth-Baal.” Historicamente, o rei Badezir reinou na
Fenícia em 855 a.C. e seu pai Yeth-Baal em 887 a.C. Mistérios que estão para serem
decifrados…
Do seu lado direito pode-se ver
um imenso “portal” com 8 metros de altura e 16 metros de largura, que
segundo se sabe, surgiu após uma noite de tempestade, quando uma grande
pedra rolou da montanha deixando à mostra a imensa cavidade. Sua forma
semelhante a uma grande porta deu-lhe conotação também lendária e passou a
incorporar aos já enigmáticos caracteres do rosto do imperador. Um outro
aspecto curioso nesta “escultura milenar” é no tocante à sua face, que se
apresenta como sendo a de um velho de barbas. À medida em que o sol muda
de posição o rosto toma outras formas e isto pode ser tomado até como algo
natural. Porém, ela toma outras expressões se vista de outras localidades:
de sua vizinha de frente, a Pedra Bonita, ela tem a expressão de um velho
barbudo, com uma atitude bem severa; se vista da Barra da Tijuca, da
estrada das Furnas, ela se apresenta como se fosse um mago encoberto por
seu manto; se vista do Bairro de São Conrado, na estrada de Canoas, ela é
vista como um velho de expressão tranqüila. Na época de D.Pedro II ela foi
chamada de “Cara do Imperador”, mas os indígenas a chamavam de
“Matacaranca” ou cabeça bonita.
O Corcovado, que também faz parte do corpo
do “Gigante Adormecido” apresenta uma curiosa “escultura” na encosta da
montanha, aos pés do Cristo Redentor. Tem a aparência de uma mulher
grávida se vista do Bairro da Gávea; da Lagoa Rodrigo de Freitas,
desaparece a barriga da mãe e aparece o perfil de uma criança; do Bairro
Cosme Velho a criança aparece já crescida e parece ter as mãos presas
atrás.
CORCOVADO E PÃO DE AÇÚCAR -
O Pão de Açúcar, que compõe os pés do gigante, tem também o formato de uma
esfinge com cerca de 500 metros de altura. Ao seu lado, o morro da Urca
forma o corpo da esfinge. Seu nome deriva do tupi pau-nd-açuquã,
que significa “morro isolado e pontiagudo”, que os
portugueses resolveram traduzir por pão de açúcar. À esquerda de
onde seria a cabeçada da esfinge, pode-se ver alguns cortes no dorso da
enorme pedra, que tem aparenta a forma de um “S”. Quando o sol vai mudando
de posição, formam-se sombras nestas fendas e curiosamente, surge afigura
de um pássaro já extinto e sagrado no Egito, a ÍBIS, símbolo do deus Toth,
o Hermés para os gregos e Mercúrio, para os romanos, mensageiro dos
deuses.
DOIS IRMÃOS -
Outro ponto que traz curiosas reflexões é o Morro Dois Irmãos, localizado
no Bairro Leblon, não muito distante da Pedra da Gávea. Ele, de fato, se
apresenta como o perfil de duas cabeças, uma ao lado da outra, como se
duas pessoas ali estivessem bem juntas olhando para o alto mar,
reverenciando o sol nascente. Mas porque lhe teriam dado este estranho
nome? Talvez quisessem ligá-lo ao passado, pois segundo as antigas
tradições, o rei fenício Badezir teria aportado no Brasil com seus dois
filhos Yeth-Baal e Yeth-Baal-Bey há muitos milhares de anos e aqui
estabelecido seu império. Como eles vieram a falecer, o rei fenício
determinou que eles fossem sepultados no interior da Pedra da Gávea,
mandando gravar ali as inscrições que lá se encontram. O Morro Dois Irmãos
estaria então representando estas duas figuras míticas da antiga Fenícia…
Existem ainda muitos outras
estranhas coincidências e algumas formações rochosas de caráter estranho
nas redondezas, evidenciando que algo teria acontecido ali há muito tempo.
Tanto a terra do Gigante Adormecido, quanto outras regiões deste nosso
Brasil, têm tentado mostrar ao seu povo que uma história mais antiga ainda
está para ser contada, tendo como palco estes misteriosos “monumentos em
ruínas” que se mostram imponentes e desafiadores. Não basta, simplesmente,
ignorá-los ou imaginar que tais perspectivas se tratem de exageros ou
especulações mal fundadas a respeito de nossa terra de Vera Cruz. É
preciso ousar um pouco mais e observar nos inúmeros “documentos pétreos”
que se acham espalhados pelo país, suas inscrições rupestres – algumas das
quais, de grande complexidade – e suas lendas, ainda preservadas por
algumas tribos indígenas, para compreendermos que vem de longe o
conhecimento da terra do Brasil, assim como de seus mistérios e de sua
transcendência.
UFO NA GÁVEA -
Não podemos deixar de mencionar também que um dos mais famosos casos da
Ufologia mundial teve como palco a região da Pedra da Gávea, quando em 7
de maio de 1.952, o fotógrafo Ed Keffel da revista “O Cruzeiro”, tirou uma
seqüência de cinco fotografias de um objeto circular não identificado,
sobrevoando a região. Até hoje o assunto não foi devidamente esclarecido.
Os enigmas do Rio de Janeiro
abordados neste texto, também fazem parte de nossas buscas e dos temas que
temos enfocado em outros números deste jornal, pois representam pontos
sagrados que podem ser encontrados em diversas partes do mundo, como
registros contundentes de uma época que se perdeu na noite dos tempos.
Cremos que se tratam de marcos evolucionais da raça humana e têm muito a
ver com as mais antigas civilizações conhecidas da Terra e, outras ainda,
muito anteriores àquelas que fazem parte da história conhecida dos homens,
cujo elo se perdeu, definitivamente, no decano vórtice das eras.

A Misteriosa 'Z' e o coronel Fawcet
A cidade misteriosa procurada ardentemente pelo coronel Fawcett,
fazendo-o penetrar fundo na selva Amazônica,
não tinha um nome específico,
apesar de ele ter-se baseado nas lendas que
sempre cercaram
as regiões
desconhecidas do Novo Mundo. Nos meios
iniciáticos era conhecida como a
Misteriosa “Z”.
Por J.A. FONSECA

O lendário coronel Percy Harrison Fawcett em fotografia tirada na
Cordilheira
dos Andes em 1.911. No detalhe, a estranha estatueta de
basalto negro, ofertada
por H. Rider Haggard ao Coronel Fawcett, com suas
inscrições desconhecidas
e que se dizia originária de uma cidade perdida
no Brasil.
Arquivo J.A. Fonseca/Arquivo Via Fanzine.
ESTATUETA - O coronel Percy Harrison Fawcett era
um homem de muitos predicados, além de que, como arqueólogo independente,
se imbuía de muita coragem e determinação quanto aos seus objetivos,
lutando sempre para vencer os obstáculos que se ofereciam. Era amigo
particular dos escritores Arthur Conan Doyle e Henry Rider Haggard, e este
último lhe deu de presente uma estatueta de basalto negro com estranhas
inscrições gravadas e lhe disse ser originária de uma cidade perdida no
Brasil (foto). Ela tinha cerca de 25 cm de altura e trazia no peito uma
placa contendo as 22 letras do alfabeto sagrado, dos quais se originaram
todos os demais, e no tornozelo uma referência ao Homem de Ouro da cidade
de IBEZ, no Roncador.
É curioso, que alguns destes signos podem ser encontrados gravados
em pedra em muitas regiões brasileiras, como se estas terras fossem, de
fato, parte de uma antiga civilização, guardando em seu seio o testemunho
de tal época.
NO CORAÇÃO DO BRASIL - Fawcett estava certo de
que no centro da América do Sul, na região Amazônica, se encontrava o
segredo do mais antigo templo mencionado pelas mais antigas tradições
iniciáticas da Terra, o Templo Sagrado de IBEZ. Ele não tinha dúvidas de
que nesta região central do Brasil encontraria as pistas para este mundo
de lendas e sonhos e, finalmente, o objetivo de sua busca, situações que
na mente de exploradores como ele, se tratavam de pura realidade. Em suas
buscas, penetrou profundamente nas selvas desde os Andes até a região do
Mato Grosso, onde, finalmente, desapareceu. Quanto à misteriosa cidade
procurada por ele, disse ter-se contatado certa vez com um nativo na
Amazônia e que este lhe havia dito que conhecia um estranho local que
possuía templos magníficos, cujas casas eram iluminadas por estrelas que
jamais se apagavam.
Assim ele se cercava de convicções de que havia algo grandioso nas
regiões selváticas da Amazônia e apesar da descoberta das antigas ruínas
de Machu Pichu pelo pesquisador Hiram Bingham, no início do século, dizia
que o que procurava, se tratava de uma cidade ainda mais remota. Ele
afirmava que havia um grande elo que interligava a misteriosa “Z” e a
Atlântida, e chegou a escrever:
“Estou convencido de que lá embaixo, no coração do continente jaz
escondido os maiores tesouros do passado conservados no mundo de hoje. O
enigma da antiga Sul-América e talvez do mundo pré-histórico poderá ser
resolvido somente quando essas antigas cidades forem descobertas e
escavadas cientificamente. Estas cidades existem, estou certo…”.
RONCADOR - Fawcett imaginava que a cidade que
procurava se encontrava próximo a Serra do Roncador entre os rios Xingu e
Araguaia, no interior do Mato Grosso. Ele já havia escrito a respeito de
misteriosas ruínas encontradas em suas andanças pelas selvas brasileiras.
Em seu diário, conforme relata o livro “Coronel Fawcett”, de Hermes Leal,
pode-se ler:
“Não duvido um só instante dessas velhas cidades. Por que haveria
de duvidar? Eu mesmo vi parte de uma delas – e essa é a razão pela qual
achei que deveria fazer novas expedições. As ruínas parecem ser de um
posto adiantado de uma das grandes cidades, as quais, estou certo serão
descobertas juntamente com as outras se a expedição for bem preparada, com
uma pesquisa profunda sobre o assunto”.
E ainda:“Infelizmente não posso induzir os cientistas a aceitarem até mesmo
a hipótese de que há indícios de uma antiga civilização no Brasil. Viajei
por lugares ainda não explorados, os índios têm me falado de construções
antigas, seu povo e mais coisas estranhas existentes nestes locais”.
ÚLTIMO CONTATO - Durante muitos anos
Fawcett procurou pela misteriosa cidade atlante nas selvas brasileiras e
em 25 de maio de 1.925, escreveu uma última carta à sua esposa, dizendo
encontrar-se no Campo do Cavalo Morto, onde seu cavalo morrera, e que
estava próximo da cachoeira, de onde se determinava o rumo para seu
objetivo final. Tinha a companhia de seu filho Jack e do fotógrafo Raleigh
Rimell e na carta dizia para sua esposa Nina que nada poderia dar errado
em seu empreendimento e que a cidade que procurava era uma realidade. A
partir de então nunca mais se teve notícia do coronel Fawcett e de seus
acompanhantes, e até hoje seu desaparecimento continua sendo uma
incógnita.
MCCARTHY - A história do desaparecimento de
Fawcett nas selvas do Mato Grosso inflamaram a curiosidade de muitos e não
se sabe, de fato, o que teria acontecido. Surgiram tentativas diversas de
explicação de seu misterioso sumiço, e até mesmo uma ossada lhe foi
atribuída, dizendo-se que ele fora assassinado pelos índios. Porém, nada
ficou, efetivamente, provado.
Em 1.947 ocorreu então um outro fato, relacionado aos mistérios da
Amazônia, que também passou a fazer parte das lendas das cidades
abandonadas. O professor Hugh McCarthy ao tomar conhecimento das viagens
do coronel inglês, ficou entusiasmado com esta notícia e viajou desde a
Nova Zelândia até o Brasil, instalando-se no Rio de Janeiro, onde passou a
pesquisar os documentos de Fawcett e suas expedições, além do documento
512 (veja VF 112). Depois de algum tempo, viajou para um lugarejo chamado
Peixoto, no Mato Grosso, onde conheceu o Reverendo Jonathan Wells, que já
estava naquela região há muitos anos.
O Reverendo tentou mudar a opinião de McCarthy, alegando ser a
selva tropical cheia de perigos, animais e índios hostis, mas o professor
insistia em seguir na busca da cidade perdida. Então, percebendo que não
conseguiria dissuadi-lo de seu intento, Wells acabou por oferecer-lhe sete
pombos correio para que ele enviasse notícias, vendo-o partir em uma canoa
rio acima, para nunca mais ser visto. Muitas semanas depois, o Reverendo
recebia um dos pombos correio com uma carta dizendo que ele havia sofrido
um acidente, mas que fora acolhido por uma tribo indígena e estava sendo
bem tratado. Viu o padre que aquela era a terceira carta e que as duas
primeiras não haviam chegado até ele. Muito tempo depois chegou a quarta
carta, na qual, ele relatava que estava sozinho no meio da floresta e que
deveria escalar os picos de uma montanha onde se encontrava e que,
certamente, iria logo chegar á cidade do coronel Fawcett. Dizia que, caso
fracassasse, teria valido a pena.
O SÉTIMO POMBO - Tempos depois chegou mais uma carta
através do sétimo pombo correio. Os dois anteriores nunca chegaram ao seu
destino e nesta última MacCarthy dizia:
“Sei que a fria mão da morte virá me tocar em breve e agora tudo o
que faço é rezar para que todos os pombos que mandei cheguem a salvo.
Sinto dificuldade para escrever, pois meus momentos de lucidez são raros.
Mas, digo, que maneira gloriosa escolhi para deixar este mundo. Espero que
meu mapa chegue em segurança via pombo número seis, para que você e as
pessoas do mundo inteiro possam saber a localização dessa cidade de ouro.
É absolutamente inacreditável e maravilhosa, com uma imensa pirâmide de
ouro e estranhos templos. Com a ajuda de Deus, sei que você conseguirá
muito em breve liderar uma equipe de arqueólogos para que venham até esta
que é a mais linda de todas as cidades desde o início dos tempos, e para
que seus tesouros possam ser preservados por muitas e muitas gerações.
Minha obra está terminada e morro feliz, sabendo que minha crença em Fawcett e sua cidade perdida não foi em vão. Hugh.”
Entretanto, apesar do Reverendo ter tentado, nenhuma expedição foi
organizada para localizar a cidade de ouro e pensou-se que McCarthy havia
enlouquecido, e que tudo o que ele havia escrito não passava de delírios
febris. Misteriosamente, o mapa que trazia a localização da cidade
abandonada nas selvas do Mato Grosso, desapareceu, juntamente com a
possibilidade de encontrá-la, pois sua condição mitológica se tornou ainda
mais forte. Talvez, por obra de mãos invisíveis, a Misteriosa “Z”
permanecerá ainda por um bom tempo oculta na sanha devastadora do homem
contemporâneo, aguardando o dia em que seus segredos e tesouros possam ser
conhecidos e não venham a ser utilizados de maneira a produzir a
destruição e a segregação entre os povos.
*
J.A.Fonseca
é economista, aposentado, escritor, conferencista, estudioso de
filosofia esotérica e pesquisador arqueológico, já tendo visitado
diversas regiões do Brasil. É presidente da associação Fraternidade
Teúrgica do Sol em Barra do Garças–MT,
articulista do jornal
eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br)
e
membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.
- Fotos & reproduções: Arquivo J.A. Fonseca/Arquivo
ViaFanzine.
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