Matérias de J.A. Fonseca disponíveis nessa página:

- Itaúna no Circuito Arqueológico do Brasil (MG)

- A Lendária Vila Velha (PR)

- Mistério E Beleza Em São Tomé Das Letras (MG)

- A Esfinge Da Gávea e Outros Mistérios (RJ)

- A Misteriosa “Z” e o Coronel Fawcett (MT)

 

 

Itaúna no Circuito Arqueológico do Brasil

Estudando alguns vestígios deixados pelos ‘itaunenses’ de passado remoto

e os misteriosos e indecifráveis 'muros de escravos' de nossa região.

Por J.A. FONSECA

 

Trecho de um dos muros da Serra Mata da Onça em Itaúna.

Este muro não contém argamassa.

J.A. Fonseca/Arquivo Via Fanzine.

 

VALORES QUE REMONTAM - Pode parecer estranho o título que estamos dando a esta matéria, mas quando colocamos Itaúna no circuito arqueológico destas terras brasilis não o estamos fazendo por uma espécie de bairrismo estusiástico, mas para chamar a atenção dos itaunenses para o fato de que, também nestas regiões montanhosas, já foi registrada a presença de antigos moradores. Se tomarmos como referência a temática arqueológica acadêmica, pouco ou nada poderíamos levantar sobre o nosso município, a não ser em relação a alguns achados, constituídos de peças artesanais silvícolas encontradas em algumas regiões. Pretendemos deixar claro, que estamos falando de um tempo passado, de um período histórico de nossa terra, não importando se têm raízes num momento mais remoto ou mais recente. É obrigação de todos nós preservar certos valores que remontam a um momento específico da vida nestas terras itaunenses, antes mesmo dela existir como uma comunidade organizada, e permitir que os que ainda estão por vir possam ter conhecimento desta história, enriquecida pela pesquisa em torno destes antigos habitantes. É preciso então que se faça a restauração e a guarda de alguns remanescentes desta época passada para que estes possam ser apresentados à comunidade como um todo.

 

A própria história do Brasil possui ainda uma grande quantidade de enigmas que precisam ser convenientemente, explicados. Apesar disto, sentimos haver um certo desinteresse neste sentido, principalmente quanto ao verificar determinados casos mais controvertidos. Mesmo no ensino da História de nosso país, pouco se fala de nossos antepassados, como se eles não tivessem tanta importância e não houvesse tantos registros fantásticos projetando-se em toda a parte, como testemunhos mudos de um tempo longínquo. Parece-nos, que ao comentar estas coisas, estamos incorrendo em grave erro ou cometendo uma grande heresia, principalmente em nosso caso, que temos uma visão amadora e não acadêmica destes fatos. Ocorre, porém, que alguém precisa tomar uma iniciativa a este respeito, quando temos esta realidade insofismável em muitos locais, em pleno território brasileiro e mesmo em nossas terras itaunenses, sem que seja devidamente considerada, quando não totalmente ignorada, pela grande maioria das pessoas.

 

OS CATAGUASES - Falo abertamente destas coisas, apesar de não ter formação acadêmica neste sentido, porque já visitei muitas regiões no Brasil observando in loco muitos destes remanescentes pré-históricos. Nesta região central do Brasil, onde se estabeleceu o Arraial de Santana de São João Acima, mais tarde denominado Itaúna, vamos encontrar também marcas indeléveis, deixadas por outros moradores, antes da chegada do invasor branco.

Os historiadores itaunenses afirmam que este Arraial surgiu de uma primeira e modesta infra-estrutura criada pelo bandeirante Manoel de Borba Gato no ano de 1710. Nesta época havia numerosas tribos de silvícolas em Minas Gerais e na região de Itaúna, que em face de seu grande espírito guerreiro eram chamados de cataguás ou cataguases. Estes temíveis guerreiros ocupavam a região sul e oeste de nosso estado e foram totalmente dizimados por doenças trazidas pelos colonizadores nos seus contatos com eles e em conflitos armados com os bandeirantes.

Sobre este palco histórico hostil, onde também se localizavam as terras que pertenceriam ao nosso município, foi se configurando o perfil do arraial de Santana de São João Acima.

 

Após o estabelecimento da pequena infra-estrutura implantada por Manoel de Borba Gato, Manuel Pinto de Madureira, já em 1750, mandou construir a capela de Santana no alto do Morro do Rosário.

 

NOSSOS ACHADOS - Com o crescimento da população e após ter-se tornado município em 1901, algumas pessoas interessadas começaram a descobrir, em muitos locais, restos de populações indígenas. Foram encontrados objetos e utensílios diversos, como machados de pedra, pedaços de materiais cerâmicos, especialmente da região der Santanense e estrada de Itaúna-Divinópolis, onde foram feitas algumas escavações. Eu mesmo cheguei a encontrar alguns pedaços de cerâmica, há cerca de 20 anos, em um terreno de minha propriedade, localizado no Bairro Itaunense, os quais, tenho ainda guardado. Fui informado que próximo a Itaúna existe uma pedra com inscrições rupestres de origem desconhecida. Não consegui ainda localizá-la, mas penso que tal hipótese pode ser verdadeira, uma vez que em muitas outras regiões de Minas Gerais e do Brasil existem inscrições desta natureza. Registros como estes, diga-se de passagem, não estão relacionados às populações indígenas que aqui foram encontradas, pois tal procedimento não fazia parte de sua cultura.

 

 

 

 

 

Outro trecho do mesmo muros da Serra Mata

da Onça contém uma espécie de argamassa.

J.A. Fonseca/Arquivo Via Fanzine.

 

MUROS DE PEDRAS - Um outro "mistério" que envolve estas regiões itaunenses é o que se refere aos muros de pedra localizados em diversos lugares e que são do conhecimento de muitos moradores. Tomei conhecimento de sua existência há muitos anos, mas não havia ainda encontrado nenhum deles em minhas buscas. Somente em agosto de 2.002 é que pude ver dois destes muros e fotografá-los, quando em conversa com o Pepe Chaves, diretor deste jornal, disse-me conhecer um destes muros, localizado na Serra Mata da Onça. Combinamos uma ida naquela região e num sábado pela manhã, lá estávamos nós eu, Pepe e meu filho Adriano de 12 anos, subindo a Serra. Surpreendeu-me quando encontramos o muro, pois, trata-se, de fato, de uma construção histórica que remonta a um tempo que pode ser tanto da época da escravidão, como dizem alguns, como de um passado bem mais remoto.

 

É estranho que se tenha mandado construir um muro de pedra subindo montanha acima, para então terminar abruptamente e ser atravessado por outro que sobe, um pouco enviesado, rumo ao cume da montanha. Seguimos ao lado dele até este enviesamento por cerca de 500 metros. Tiramos fotografias de várias partes dele [veja nesta página], podendo perceber que em alguns pontos ele se tornava mais baixo (cerca de 80 cm) e em outros, chegava a alcançar uma altura considerável (cerca de 1,80 m), por causa de uma vala que o percorre em toda a sua extensão. As pedras que o compõem variam de tamanho, algumas são de grandes proporções e outras bem menores, ajustadas em certas partes com barro e em outras com assentamentos diretos, sem argamassa, pedra sobre pedra.

 

OBRA DE QUEM? - Soubemos que existem muitos destes muros no município de Itaúna como, por exemplo, no morro do Bonfim, alguns pontos do Bairro Belvedere e outras localidades. Soubemos também que muitos deles já foram totalmente destruídos. Dizem as pessoas daqui que se tratam de muros construídos pelos escravos e se contentam com esta explicação. Não pretendemos atribuir-lhes nenhuma conotação excepcional, nem suscitar outras hipóteses sobre sua existência, mas ficamos pensando qual teria sido o motivo que levou desta região, fazerem cercar com muros grandes extensões de terra sobre montanhas e tão distantes do arraial de Santana de São João Acima, que estava apenas nascendo.

Como o pensamento é livre, temos o direito de nos perguntar por que tais muros de pedra, diga-se de passagem, não tão simples de serem construídos, teriam sido erigidos em lugares tão distantes e porque não dizer inusitados, não oferecendo qualquer serventia aparente, se o analisarmos sob a ótica da objetividade. Pensamos que poderiam, até mesmo, tratar-se de sinais de um tempo bem mais remoto, obra que não poderíamos atribuir aos silvícolas que habitavam estas paragens, pois sabemos que, historicamente, estas atitudes não se compatibilizavam, com as destes antigos moradores.

 

ESCRAVOS SANTANENSES - Se optarmos para a idéia de que tenham sido construídos pelos escravos, gostaríamos de fazer uma pequena análise, reportando-nos ao período escravagista de nossa terra. Temos a seguinte estatística sobre a população do Arraial de Santana de São João Acima daquela época, segundo o historiador Miguel Augusto Gonçalves de Souza: "A população de Santana de São João Acima, em conformidade com o primeiro recenceamento realizado no País, ano de 1872, era de 4.259 habitantes, assim distribuídos: homens livres, 1.718, e, mulheres livres, 1.830, no total de 3.548. O número de escravos era de 711, sendo 341 homens e 370 mulheres. Os escravos representam, portanto, 16,69% da população" 1 .

 

Raciocinando sobre estes números e sem querer tornar-nos tendenciosos, pensamos que apenas 341 escravos homens (sem mencionar as crianças aí incluídas e não destacadas na contagem) nas fazendas da região não poderiam estar ocupados também na construção de tantos muros e tão distantes das sedes de seus senhores. Havia uma infinidade de serviços a serem feitos nestas fazendas e não seria uma idéia razoável, adquirir escravos para desviá-los de suas tarefas, ou mesmo parte deles neste empreendimento, sem que para isto haja uma explicação razoável.

 

PERÍODO ANTERIOR - Mais lógico seria pensar que sua história estivesse relacionada a um período bem anterior ao da fase escravocrata itaunense. Entretanto, caso tenham sido mesmo construídos pelos escravos, e esta discussão não é a razão principal deste artigo, temos obrigação, no mínimo cultural, para não dizer ética e moral, de preservá-los intactos, para que possam servir inclusive de referência ao nosso povo, à nossa história e àqueles que deles ainda não ouviram falar. Infelizmente, tal possibilidade vem se tornando, dia a dia, mais longínqua, uma vez que eles vêm sendo, silenciosamente desmontados, como se nada representassem. Nossos princípios culturais e nosso ego acalentam dentro de nós uma espécie de ânsia destruidora, que não nos permite fazer caso de vestígios como estes, tratando-os com a mais ríspida desconsideração, em troca de decisões imediatistas e superficiais que, infalivelmente, giram em torno do lucro. Em várias partes do Brasil isto vem acontecendo, como se fosse um tipo de cegueira conveniente que envolve as pessoas locais, exploradores e memórias valiosas da história e que acabam sendo, sistematicamente, destruídas.

 

DESTRUIÇÕES RECENTES - Lamentamos o fato de que muitos destes vestígios já tenham sido totalmente demolidos em nossa região e que nenhum sinal deles poderá jamais ser revisitado. Tais acontecimentos repercutem, certamente, como chibatadas sobre os ombros destes nossos antepassados, apesar da abolição tê-las proibido, como se estivéssemos inconscientemente ou deliberadamente, empenhados em APAGAR, definitivamente, quaisquer resquícios de sua existência. É provável que, transcorridos mais algumas décadas, sem que sejam tomadas providências relevantes e conscientes, não tenhamos mais nada do que falar sobre o passado de nossa terra, assim como também de algumas regiões brasileiras, que vêm sendo dilapidadas pelo comércio vil, pelo descaso e pela inconsciência de alguns de seus cidadãos.

 

Pensamos que onde começa esta fase de negligência pela própria história local, é onde também se dá início ao ocaso do conhecimento, que ao alcançar sua fase de obscurecimento mais profundo, projeta sua sombra e faz com que muitos já não mais se importem com sua própria origem, refletindo apenas em favor de um sistema progressista, onde o ganho tem sua tônica mais contundente, embora que destituída de sensatez.

 

Nota:

1 "História de Itaúna – volume I, pag. 94, Miguel Augusto Gonçalves de Souza, Belo Horizonte, 1986.

 

Apêndice:

Chibatadas no Patrimônio Cultural

Os ‘muros de escravos’ de Itaúna estão sumindo porque suas

pedras estão sendo usadas em alicerces de casas construídas

próximas a estes antigos monumentos.

 

Comentário de  Pepe CHAVES

 

Estes restos de um antigo muro, que margeavam uma rodovia em Itaúna,

foram completamente destruídos no ano passado.

Foto: G. Vilela/Arquivo Via Fanzine.

 

MARANATA - O primeiro "muro de escravos" que vi existia na serra denominada Maranata, situada próxima ao bairro Belvedere, em terreno da Companhia Tecidos Santanense. Ali, até poucos anos, havia um enorme muro, com 80 cm de altura x 50 de altura, percorrendo centenas de metros que dividiam a serra ao meio; descendo por Santanense de um lado e pelo Belvedere por outro, neste, atingindo os fundos da Itaúna Siderúrgica. Este muro foi totalmente destruído a cerca de 10 anos, quando se construiu o bairro Belvedere e suas pedras foram usadas para se fazer o alicerce de muitas casas que foram construídas ali. Foi lamentável quando num certo dia subi aquela serra e não vi mais uma pedra do muro que visitei várias vezes durante grande parte de minha infância. Tudo tinha desaparecido completamente! Para mim, tal ato se constituiu num crime cultural.

 

VEREDAS - Outro muro que conheci em minha infância e que recentemente foi destruído, pelos mesmos motivos (suas pedras foram usadas em construções de residências) estava situado no bairro Veredas, pouco acima da caixa d’água daquele bairro. Com a construção do bairro, ele foi totalmente destruído, sem deixar quaisquer vestígios de que existiu ali um dia. Pouco abaixo dessa região, praticamente ao lado da rodovia MG-431, próximo à entrada do local onde está situado o sítio do Sr. Aristides Moreira, havia ao lado direito de um mata-burro, restos de uma antiga construção. Cercada de plantas as ruínas se tornaram um belo ornamento natural [foto acima] com cerca de 1,80m de altura por 60cm de largura. Isso até uns dois anos atrás, porque ele foi totalmente destruído, não ficando ali uma única de suas pedras.

 

MATA DA ONÇA - Os dois imensos muros que cortam a Mata da Onça - e que ainda estão sendo pesquisados por J.A. Fonseca - devem ser tombados pelo patrimônio e preservados pela comunidade. Hoje os muros se encontram em meio à uma imensa mata nativa, constituída de árvores de grande porte e arbustos diversos. certamente, quando fora construído, não havia ali tal vegetação. A julgar por isso podemos supor que podem ser mais antigos que a época dos escravos, já que a mata daquela serra está bem formada há bem mais de 100 anos. Tivemos recentemente a informação de um assessor do Prefeito de Itaúna, de que a Granja Escola (situada próxima àquele local) irá fazer uma trilha paralela a este muro, exibindo-o para visitação. A idéia é salutar, pois mostrará ao nosso povo os mais antigos vestígios arquitetônicos de um passado que ainda não conseguimos desvendar e que, para tanto, é preciso preservá-los até que em algum dia, através de alguma nova tecnologia, possamos saber a verdadeira origem e função destas intrigantes construções itaunenses.

 

BARRAGEM - Outro muro que ainda persiste (pelo menos há uns dois anos estive lá), está no loteamento de propriedade do Sr. Giovani Salera, situado próximo à Barragem do Benfica. Este muro que aparenta ser bastante antigo está localizado próximo à caixa d’água que abastece aquele condomínio residencial. Com as recentes construções de casas naquele local, este muro será também, a exemplo dos anteriores, destruído – se já não o foi, salvo se houver naquele local uma conscientização, por parte do poder público e mesmo dos empreendedores dos terrenos, no sentido de preservá-lo.

 

OUTROS MONUMENTOS - Além destes muros citados, há em nosso município, em locais ainda distantes das construções, um razoável circuito de muros antigos que deviam ser valorizados historicamente e serem tombados como patrimônio público.

 

Deixamos um alerta à comunidade, para que nos voltemos à preservação destes monumentos esquecidos pelo tempo, cientes de seus verdadeiros valores culturais.

 

* Pepe Chaves é editor do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br).

 

 

 

  A lendária Vila Velha

 Está localizada a 30 km de Ponta Grossa, no Paraná e encanta pelas suas exuberantes e monumentais

formações rochosas. Segundo a Ciência ela é produto de erosões e movimentações dos ventos, que durante

muitos milhares de anos esculpiram a rocha formando as diversas figuras e a fantasmagórica aparência

de uma cidade abandonada. A lenda tupi dá-lhe o nome de “itacueretaba” (a cidade extinta de pedra),

mas seu nome mais antigo é “abaretama”, a terra dos homens, que havia sido escolhida pelos primitivos

habitantes da região para preservar o “itainhareru”, o precioso tesouro, sob a proteção de Tupã.

Por J.A. FONSECA

Paisagem insólita de Vila Velha.

Arquivo Via Fanzine.

 

 MONUMENTOS PÉTREOS - Em julho de 1.978, em viagem turística pelo sul do Brasil, Montevidéu e Buenos Aires, fui envolvido de um primeiro grande impacto ao vislumbrar o desconhecido, quando me decidi, juntamente com minha esposa, visitar Vila Velha, no estado do Paraná. Já de início, ficamos perplexos diante da exuberância deste monumento, constituído de dezenas de outros monumentos menores de igual magnitude e beleza. Trata-se de um conjunto de arenitos enormes, maciços em pedra, que inspiram as mais variadas formas, sugerindo figuras de objetos, seres humanos e animais de tamanho colossal.

 

Localiza-se no município de Ponta Grossa, a 30 km da cidade e a 120 km de Curitiba, à margem direita do Rio Tibagi, em imensa planície verdejante. Seu conjunto “arquitetônico”, visto da estrada, mais se parece a um gigantesco castelo em ruínas, com seus paredões se elevando sobre um pequeno monte. Este conglomerado é, de fato, um conjunto colossal e fascinante, e quando observamos suas muralhas imponentes mais de perto, vem à nossa mente uma inquirição teimosa de que a lenda que envolve aquela bela região possa ter um fundo de verdade.

 

AS FORMAÇÕES - Segundo os estudiosos os monumentos de Vila Velha são produtos de formações rochosas naturais, esculpidas por meio de erosões e movimentação dos ventos, que durante muitos anos dilapidaram a rocha, formando as diversas figuras e a fantasmagórica aparência de uma cidade abandonada. O nome que lhe foi dado é decorrente de suas figuras de caráter diversificado e por seu aspecto semelhante a uma “cidade em ruínas”, mas os geólogos afirmam que tudo foi “construído” pela natureza, sob a ação de chuvas fortes e ventos da região. Conforme explica a geologia o vento é um dos mais importantes agentes de erosão, produzindo modificações no relevo e é também um dos responsáveis pelas magníficas esculturas de Vila Velha. Neste caso, as formas esculpidas na rocha sugerem rostos, animais, muralhas de castelos e outras formas curiosas, além de ruas e becos que se entrecruzam, como se fora uma velha cidade arruinada.

 

Seu conjunto megalítico se encontra a quase mil metros de altitude, e mede cerca de 2.000 metros de comprimento e 600 metros de largura. Sua composição geológica é constituída de arenitos silico-argilosos, sedimentos permocarboníferos e limonita. Explicam os geólogos que devido a não uniformidade da composição geológica de suas rochas, as precipitações pluviométricas e os fortes ventos que assolam a região, deram-lhe suas formas atuais e que elas continuarão sendo remodeladas permanentemente, redefinindo novas formas.

 

LAGOA & CALDEIRÃO - Bem próximo a este conglomerado rochoso existem também dois outros locais que podem ser visitados. Um deles é a famosa Lagoa Dourada, que é rodeada por abundante vegetação e recebe suas águas do mesmo rio subterrâneo que alimenta as Furnas, um outro local interessante. Todos os dias, no por do sol, suas águas tomam um aspecto dourado, o que originou o seu nome e, segundo os geólogos tal acontecimento é devido à malacacheta (mica) que existe em grande quantidade no fundo da lagoa, dando-lhe este aspecto gracioso. Ela tem um perímetro de 690 m e possui muitas espécies de peixes como traíra, tubarana e bagre, que ali se reproduzem sem qualquer tipo de agressão exterior.

 

O outro local próximo é conhecido pelo nome de Furnas ou Caldeirões do Inferno, por se tratarem de verdadeiras crateras circulares abertas na rocha. São duas estas gigantescas aberturas circulares e chegam a atingir até 100 m de profundidade, estando, porém, com água até, mais ou menos, pela metade.

 

A ORIGEM - Os gigantescos arenitos que compõem a “cidade abandonada” de Vila Velha, segundo estudos feitos remontam a cerca de 340 milhões de anos, a partir de quando os fenômenos geológicos passaram a depositar grandes quantidades de areia naquele lugar, que se acumularam com toneladas de fragmentos rochosos trazidos por massas de gelo que provocavam erosões. Após o degelo estes materiais ali ficaram sofrendo erosões diversas, fraturas e diferenciações, produzindo o que pode ser visto hoje, figuras gigantescas de formatos variados e paredões imensos compactados.

 

LENDA TUPI - Queremos, entretanto, entrar também no mérito da lenda que foi durante milênios resguardada pelos povos indígenas da raça tupi, que habitavam aquela região e que fazem de Vila Velha um local amaldiçoado, destruído pela ira de Tupã.

 

Seu nome antigo era Abaretama, a terra dos homens, e havia sido escolhida pelos primitivos habitantes da região, com a divina proteção do deus Tupã, para preservar o itainhareru, o precioso tesouro. Este sagrado tesouro dos povos indígenas era vigiado dia e noite por um grupo de jovens, os apiabas, que se tratavam de moços escolhidos, pois eram selecionados dentre os rapazes de todas as tribos e treinados com a única finalidade de vigiá-lo e guardá-lo dos olhares inimigos.

 

Eles tinham, portanto, muitos privilégios, mas lhes era vedado ter qualquer contato com mulheres, tendo que dedicar-se exclusivamente ao trabalho divino. Segundo uma lenda mantida pela tradição indígena, se as mulheres passassem a conhecer o segredo do Abaretama, elas o espalhariam por toda a parte e facilitariam a tomada de seu tesouro pelos inimigos de seu povo. Se o sagrado tesouro do Abaretama fosse perdido Tupã afastaria sua mão protetora de cima deles e toda a forma de desgraças se abateria sobre sua raça, que seria amaldiçoada para sempre.

 

DHUI E ARACÊ - Ocorre, que certa vez fora escolhido um jovem índio de nome Dhui, para ser o chefe dos apiabas e, para isto fora preparado, como os outros, desde muito jovem, para exercer sua função na guarda do tesouro do Abaretama. No entanto, ele não pretendia ser um celibatário, mas, ao contrário, seu coração fervilhava pelos encantos femininos.

 

Tais notícias correram soltas como os ventos das manhãs primaveris e logo, todos da aldeia já sabiam disto e, o que é muito pior, vazaram as fronteiras para longe, chegando aos ouvidos das tribos inimigas. Assim, decidiram os rivais se aproveitarem disso para tomar posse do sagrado tesouro, planejando uma terrível armadilha. Escolheram dentre as suas donzelas a mais bela de todas, Aracê Poronga (Aurora Bonita) e a enviaram para conquistar o coração do jovem acabrunhado. A bela Aurora Bonita conquistou, pouco a pouco o jovem guerreiro Dhui, subjugando-o com seus encantos, até que um dia ele permitiu sua entrada no Abaretama.

 

Entretanto, a encantadora Aracê  Poronga  também se deixou levar pela beleza masculina de Dhui  e apaixonou-se por ele, traindo seu povo e esquecendo-se de sua missão. Aracê não conseguira tirar dele o segredo para transferi-lo ao seu povo e ele, apaixonado, permitira que ela penetrasse no lugar sagrado.

 

Com a quebra do compromisso o deus Tupã fez desencadear um grande terremoto sobre a região e toda a planície foi abalada, sendo destruída a “terra dos homens” e transformada em pedra, juntamente com os dois amantes ao lado da taça, na qual ambos haviam tomado o Uirucuri, o licor de butias e se embebedaram.

 

Com a queda da raça tupi, o precioso tesouro, fundido, desapareceu e ficou representado pela lagoa que ainda se encontra entre as rochas e passou a se chamar Lagoa Dourada. Quando o sol desce suas águas refletem uma misteriosa cor de ouro, como se fora o tesouro derretido que se escorreu para dentro dela, velando, para sempre, o segredo do Abaretama. Esta, por sua vez, completamente destruída tornou-se em pedra e a terra de Abaretama transformou-se em Itacueretaba, a cidade extinta de pedra.

 

Os sobreviventes desse povo antigo, após tão terrível acontecimento se mudaram para outras regiões, fundando outros impérios distantes daquelas terras amaldiçoadas por Tupã e o tempo fez com que suas ruínas se transformassem em lenda e ali permanecessem para mostrar aos povos que viessem no transcorrer das gerações, a grandiosidade daquele passado perdido nas brumas do tempo.

 

 

 

Mistério e beleza em São Thomé das Letras

 São Tomé das Letras é uma cidade mística desde seu surgimento. Lendas coroaram sua história

e sua localização, na serra da Mantiqueira, lhe dá um aspecto distinto de muitas cidades do interior.

Além do mais, seu traçado e suas construções em pedra, suas cachoeiras, inscrições rupestres

e muitos outros atrativos, reforçam a idéia de que seja uma região muito especial.

Por J.A. FONSECA

 

São Tomé: Igreja feita em pedra-sobre-pedra,

típica construção da cidade.

Arquivo Via Fanzine.

 

CIDADE MÁGICA - A cidade de São Tomé das Letras assenta-se, misticamente, no alto de uma imensa pedreira de itacolomito e quartizito, a cerca de 1.300 metros de altitude, já nas magníficas regiões da Serra da Mantiqueira. Tem, aproximadamente, 7.000 habitantes e se localiza a 300 km de Itaúna, pela BR 381 até Três Corações, tomando-se em seguida a estrada em direção a cidade de São Bento Abade, hoje quase totalmente asfaltada. Sua história remonta ao século XVIII, quando foi encontrada uma imagem na gruta das inscrições, no centro da cidade e o “padre eremita” Francisco Torres disse tratar-se da estátua de São Tomé. Esta é, sem dúvida, uma região de grande beleza, e se encontra permeada de lendas e acontecimentos pouco comuns, além de possuir muitos encantos naturais, como por exemplo, seus conjuntos montanhosos, suas grutas e cavernas, diversas cachoeiras e inscrições de natureza desconhecida e indecifrável.

 

É também famosa a toca do Chico Taquara, que segundo se conta, teria sido uma figura lendária que vivia afastada da comunidade, no meio do mato, como um ermitão. É curioso que uma grande parte de suas casas foram construídas com as pedras da região e também uma das igrejas, apresentando assim, um aspecto incomum e, de certa forma, místico.

 

A LENDA - Segundo a lenda, a imagem de São Tomé foi encontrada numa gruta no alto da montanha pelo escravo João Antão, foragido da Fazenda de João Francisco Junqueira e que ali se escondera. Quando lá chegou, o local era deserto e procurou o escravo sobreviver à custa de caça, pesca e frutos da região, permanecendo ali por um longo tempo. Um dia foi surpreendido pela presença de um homem de cor clara, vestido de uma longa túnica branca, que lhe apareceu como que surgido do nada e lhe disse para levar uma carta ao seu senhor, pedindo a sua libertação. O escravo temia retornar à fazenda de onde fugira, mas o homem misterioso disse-lhe que não haveria problemas e ele foi, temeroso, levar a missiva ao seu amo. Curioso e encabulado, o fazendeiro retornou à gruta com o escravo e uma caravana, e quando lá chegou encontrou apenas uma imagem, que pensou ser de um santo. Além disto, no alto, logo na entrada da gruta havia umas estranhas linhas desenhadas na pedra, em tinta vermelha, como letras, que também fora atribuída à estranha aparição. O escravo foi libertado e no local foi construída uma pequena capela, que mais tarde transformou-se na igreja matriz que lá se encontra, cujos murais foram pintados por José da Natividade, discípulo de Aleijadinho.

 

Conta-se que em 1.991 a estátua de madeira desapareceu misteriosamente do altar e nunca mais foi encontrada. Pensou-se que teria sido furtada e tal fato foi noticiado na época, sem, no entanto, ter-se conseguido apurar o que teria acontecido realmente. O altar ficou vazio e o mistério de seu desaparecimento passou a aguçar a mente de seus moradores e das pessoas que dali se aproximavam querendo conhecer a região.

 

BELEZAS NATURAIS - Em São Tomé das Letras existem muitos lugares para serem visitados, além de paisagens lindíssimas para serem apreciadas. A gruta do Carimbado fica a cerca de três quilômetros de distância e próximo dela, em uma pequena elevação chamada de ladeira do Amendoim, pode-se observar um fenômeno muito estranho. Se estivermos de carro, podemos desligá-lo no pé do morro e notar que ele vai subindo sozinho como se estivesse sendo empurrado por um a força invisível ou magnética.

 

Existem também a gruta do Feijão, a gruta do Sobradinho, a gruta da Bruxa, cachoeiras diversas como a do Véu das Noivas, do Paraíso, da Lua, da Eubiose e do Flávio, uma região lindíssima chamada de Shangri-Lá, além da gruta de São Tomé com suas inscrições rupestres. Segundo alguns estas inscrições se referem a conhecimentos muito antigos gravados na rocha e são como marcos secretos do tempo, que somente podem ser decifrados por pessoas preparadas. Eles ocultariam, segundo alguns, mistérios relacionados ao passado e ao futuro da humanidade terrestre. Também podem ser encontradas estranhas inscrições na região de Shangri-Lá que é um local com características exuberantes, onde, numa extensão de alguns quilômetros, pode-se ver o rio passando através de corredeiras sobre a rocha viva, formando piscinas naturais e pequenas quedas d’água, num espetáculo inimaginável. Em torno, nas margens do rio, pode ser admirada uma rica vegetação de árvores e arbustos, perfazendo um conjunto de rara beleza.

 

INSCRIÇÕES - Para alguns as inscrições de São Tomé são provas da aparição do santo e para outros se tratam de registro da existência de primitivos habitantes naquela região. Sabe-se que os índios cataguazes habitaram aquelas paragens, mas não se tem nenhuma informação de que eles tenham se utilizado de registros em pedras para preservar algum conhecimento. Sequer eles possuíam uma linguagem escrita e fatos como este, jamais fizeram parte de sua tradição.

 

No pico do leão, um conglomerado formado de belas estruturas rochosas, pode-se encontrar também um desenho estranho de um animal sem cabeça. Dizem tratar-se de um leão e que ele demarca o início de uma região onde algo de importância teria acontecido, passando a ser conhecido por este nome. Porém, fica o mistério, porque o leão é um animal que não faz parte da fauna brasileira.

 

MISTÉRIOS - Desde a sua criação, a cidade de São Tomé das Letras sempre esteve envolta por uma aura misteriosa e por fatos estranhos. Seu próprio nome espelha os acontecimentos que fizeram nascer o mito que se esconde por trás de suas pedras milenares: “São Tomé”, em referência à imagem encontrada na gruta das inscrições, que o padre Francisco Torres disse tratar-se da estátua daquele santo e “das Letras” em referência às inscrições encontradas na entrada da gruta, que se pensou tratar-se de uma mensagem deixada pelo estranho visitante, ao escravo negro fugitivo.

 

É importante acrescentar que os índios brasileiros veneravam uma figura mística e mítica, que se apresentava como um homem branco, barbado, que perambulava por toda a América. A este enigmático personagem eles davam o nome se Sumé e diziam que ele havia vindo do mar e lhes ensinara muitas coisas, entre elas, o plantio e o preparo da mandioca, além de novas diretrizes religiosas. Acredita-se que o nome Tomé foi dado por causa de sua semelhança com Sumé e porque o padre pretendia dar-lhe uma conotação religiosa.

 

AS LETRAS - Com relação às suas inscrições rupestres, emitem-se teorias, segundo as quais, elas teriam sido feitas pelos índios cataguazes ou que poderiam ser de origem fenícia. O certo é que elas são compostas de caracteres desconhecidos e aquelas que se encontram no centro da cidade, se acham em destaque, no alto, como um marco secreto, de difícil acesso. Chegou-se efetuar pesquisas geológicas na região e afirmaram os pesquisadores que as inscrições poderiam ser derivadas de um musgo avermelhado, que quando surge nas camadas de rochas produzem desenhos variados. Este musgo é conhecido como lichen cladonia sanguinea e é muito encontrado nas rochas da região. Apesar de a cor das inscrições serem também avermelhadas, podemos observar com nitidez a diferença entre a atuação do musgo e a lógica das “letras”, que possuem forma definida e ocupam um espaço determinado, além de que, alguns de seus caracteres se assemelham a outros, encontrados em outras partes do Brasil. Elas mais se parecem com uma grafia, deliberadamente “escrita” como se tivesse sido feita com a ponta do dedo ou um objeto desconhecido, possuindo, assim, largura mais ou menos homogênea.

 

FENÔMENOS - Muitos acontecimentos misteriosos acontecem naquela região e alguns moradores narram que, em certas épocas aparecem estranhas bolas de fogo que voam baixo, iluminando as casas, as árvores e o lugar por onde passam. Muitos outros relatos de aparecimentos de objetos voadores não identificados ou mesmo dos populares “discos voadores” têm sido coletados em toda a cidade junto de seus moradores, que sempre afirmam terem visto coisas diferentes na cidade e adjacências.

 

Em todas as regiões semelhantes a esta, quer pela sua estranheza, quer pela sua beleza ou características inusitadas e que não são raras em terras brasileiras, ocasionalmente, podem ser encontrados, além destes marcos enigmáticos e relatos excepcionais, pessoas com dotes incomuns e visitantes de origem desconhecida. Tudo isto fazem delas pontos muito especiais que, de alguma forma, acabam interligado-as à ânsia milenar que habita o interior de cada ser humano na Terra, de encontrar um lugar de paz onde ele possa viver.

 

 

RIO DE JANEIRO:

A Esfinge da Gávea e outros mistérios

 O Estado do Rio de Janeiro, além se ser um dos mais belos do Brasil,

com suas lindíssimas praias e uma natureza pródiga, é possuidor de muitas

características de conteúdo misterioso, que em certos casos,

carregam aspectos de caráter até mesmo lendários.

Por J.A. FONSECA

 

 

A paisagem rochosa do Rio de Janeiro

oculta vários mistérios. Arquivo Via Fanzine.

 

 

TOPOGRAFIA MISTERIOSA - Estes detalhes pouco comuns, que vamos abordar neste trabalho, colocam esta região dentre as muitas outras em território brasileiro, que suscitam inúmeras indagações sem respostas. A cidade do Rio de Janeiro, especificamente, apresenta um sem número de misteriosas “coincidências” que seriam no mínimo curiosas, vistas sob a ótica de qualquer observador mais atento, que deveriam ser exaustivamente estudadas pelos pesquisadores da história antiga do Brasil.

 

O mais estranho destes lugares é a Pedra da Gávea, muito conhecida por sua posição estratégica e situada numa das localidades mais visitadas por turistas de todo o mundo. Entretanto, a grande maioria destes ainda não atinou para os estranhos registros que podem ser encontrados ali e que fazem retroceder no tempo sua misteriosa presença nestas terras brasilis.

  

No alto desta pedra pode-se ver uma perfeita esfinge, de proporções colossais, como se ela espreitasse sobre a Baía de Guanabara com sua imponência silenciosa e vigilante. Sua fisionomia austera, mas serena continua lá, apesar do desgaste do tempo, olhando para o Norte, como se preservasse um tesouro precioso para toda a humanidade. Pode-se perceber ainda seus olhos, seu nariz e sua boca, uma espécie de elmo sobre a cabeça e uma barba volumosa que desce sobre o penhasco. A impressão que se tem é que esta imensa cabeça esculpida em pedra teria sido colocada lá, pois ela possui também um corpo que se assemelha ao de um leão deitado, que teria sido construído de um outro tipo de rocha. Afirma-se que seu corpo é de granito e que a cabeça é feita de gneisse, um tipo de rocha metamórfica constituída de cristais de mica, quartzo e feldspato, possuindo 286 metros de altura. Se isto for confirmado, temos um outro grande problema a resolver, além dos muitos outros em diversas partes do Brasil e do mundo. Quem a teria construído e colocado naquela posição, se ela se encontra numa altura considerável (cerca de 550 metros acima do nível do mar)? E por que meios isto teria sido feito?

 

Seria muito mais cômodo afirmar-se que ela não passa de mais um caso de erosão natural e que tudo o que se procura levantar sobre sua estranha fisionomia, não passam de invencionices de alguns desocupados. Vamos então avaliar alguns aspectos deste formidável quebra-cabeças e de outros que se encontram próximos e depois, cada um que pense no que bem entender.

 

CONJUNTO DE MONTANHAS - Uma das primeiras considerações que gostaríamos de fazer é que ela faz parte de um conjunto de montanhas com aproximadamente 20 km. de extensão, onde se localizam sete bairros no litoral do Rio de Janeiro: Barra da Tijuca, São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo e Urca. Este conjunto de montanhas, quando visto da Ilha Rasa (no litoral fluminense) mostra o perfil de um “Gigante Adormecido” e, o mais curioso, é que a Pedra da Gávea é exatamente a sua cabeça. Seu corpo se estende por um conjunto de morros, que veremos a seguir e seus pés se acham, finalmente, no Pão de Açúcar. Diante da Pedra da Gávea está a Pedra Bonita, que com ela compõe a cabeça do gigante e em seu cume de podem ver desenhados sete círculos concêntricos, de grandes proporções.

 

Segundo o pesquisador Eduardo B. Chaves a altura da cabeça da Gávea, a partir do nível do mar é de 842 metros. Esta é uma medida que pode ser desdobrada e comparada com princípios cabalísticos e iniciáticos, fundamentados na numerologia sagrada. Se dividirmos sua altura por 2 teremos a cifra 421 que, quando lidos anagramaticamente, ou seja, na expressão 124, que destaca os valores individuais dos algarismos 1, 2 e 4, podem ter as seguintes identidades: o 1 representa a unidade sempre presente, o princípio, a representação do Criador; o 2 representa o binário cósmico, a dualidade universal, espírito-matéria, a manifestação da Alma do Mundo; e o 4 é a representação do quaternário sagrado, cósmico e terrestre, da realização do plano de evolução do universo, simbolizado pela cruz, pelo quadrado e pelo cubo. Não nos estenderemos muito neste propósito, porque a finalidade deste trabalho é mostrar outros enigmas desta região, que muito tem a ver com o passado mais remoto destas terras brasílicas de vera cruz.

  

A palavra Gávea provém do latim cavea e gabia e significa a plataforma fixada na extremidade do mastro principal, que servia para afastar os cabos de sustentação lateral deste e dos demais mastros de um navio. Isto, talvez desse a entender que a Pedra da Gávea fosse algo que deveria se posicionava no alto, em local de destaque, se estabelecendo em posição de vigia. Fora isto, pensamos ter sido sem propósitos o nome para tão enigmático monumento.

 

Do lado esquerdo da cabeça da esfinge da Gávea, no alto, foram encontradas algumas inscrições em baixo relevo, que segundo A. Silva Ramos, que as traduziu, se tratam de caracteres fenícios e possuem o seguinte significado: “Tiro, Fenícia, Badezir primogênito de Yeth-Baal.” Historicamente, o rei Badezir reinou na Fenícia em 855 a.C. e seu pai Yeth-Baal em 887 a.C. Mistérios que estão para serem decifrados…

 

Do seu lado direito pode-se ver um imenso “portal” com 8 metros de altura e 16 metros de largura, que segundo se sabe, surgiu após uma noite de tempestade, quando uma grande pedra rolou da montanha deixando à mostra a imensa cavidade. Sua forma semelhante a uma grande porta deu-lhe conotação também lendária e passou a incorporar aos já enigmáticos caracteres do rosto do imperador. Um outro aspecto curioso nesta “escultura milenar” é no tocante à sua face, que se apresenta como sendo a de um velho de barbas. À medida em que o sol muda de posição o rosto toma outras formas e isto pode ser tomado até como algo natural. Porém, ela toma outras expressões se vista de outras localidades: de sua vizinha de frente, a Pedra Bonita, ela tem a expressão de um velho barbudo, com uma atitude bem severa; se vista da Barra da Tijuca, da estrada das Furnas, ela se apresenta como se fosse um mago encoberto por seu manto; se vista do Bairro de São Conrado, na estrada de Canoas, ela é vista como um velho de expressão tranqüila. Na época de D.Pedro II ela foi chamada de “Cara do Imperador”, mas os indígenas a chamavam de “Matacaranca” ou cabeça bonita.

 

O Corcovado, que também faz parte do corpo do “Gigante Adormecido” apresenta uma curiosa “escultura” na encosta da montanha, aos pés do Cristo Redentor. Tem a aparência de uma mulher grávida se vista do Bairro da Gávea; da Lagoa Rodrigo de Freitas, desaparece a barriga da mãe e aparece o perfil de uma criança; do Bairro Cosme Velho a criança aparece já crescida e parece ter as mãos presas atrás.

 

CORCOVADO E PÃO DE AÇÚCAR - O Pão de Açúcar, que compõe os pés do gigante, tem também o formato de uma esfinge com cerca de 500 metros de altura. Ao seu lado, o morro da Urca forma o corpo da esfinge. Seu nome deriva do tupi pau-nd-açuquã, que significa “morro isolado e pontiagudo”, que os portugueses resolveram traduzir por pão de açúcar. À esquerda de onde seria a cabeçada da esfinge, pode-se ver alguns cortes no dorso da enorme pedra, que tem aparenta a forma de um “S”. Quando o sol vai mudando de posição, formam-se sombras nestas fendas e curiosamente, surge afigura de um pássaro já extinto e sagrado no Egito, a ÍBIS, símbolo do deus Toth, o Hermés para os gregos e Mercúrio, para os romanos, mensageiro dos deuses.

 

DOIS IRMÃOS - Outro ponto que traz curiosas reflexões é o Morro Dois Irmãos, localizado no Bairro Leblon, não muito distante da Pedra da Gávea. Ele, de fato, se apresenta como o perfil de duas cabeças, uma ao lado da outra, como se duas pessoas ali estivessem bem juntas olhando para o alto mar, reverenciando o sol nascente. Mas porque lhe teriam dado este estranho nome? Talvez quisessem ligá-lo ao passado, pois segundo as antigas tradições, o rei fenício Badezir teria aportado no Brasil com seus dois filhos Yeth-Baal e Yeth-Baal-Bey há muitos milhares de anos e aqui estabelecido seu império. Como eles vieram a falecer, o rei fenício determinou que eles fossem sepultados no interior da Pedra da Gávea, mandando gravar ali as inscrições que lá se encontram. O Morro Dois Irmãos estaria então representando estas duas figuras míticas da antiga Fenícia…

 

Existem ainda muitos outras estranhas coincidências e algumas formações rochosas de caráter estranho nas redondezas, evidenciando que algo teria acontecido ali há muito tempo. Tanto a terra do Gigante Adormecido, quanto outras regiões deste nosso Brasil, têm tentado mostrar ao seu povo que uma história mais antiga ainda está para ser contada, tendo como palco estes misteriosos “monumentos em ruínas” que se mostram imponentes e desafiadores. Não basta, simplesmente, ignorá-los ou imaginar que tais perspectivas se tratem de exageros ou especulações mal fundadas a respeito de nossa terra de Vera Cruz. É preciso ousar um pouco mais e observar nos inúmeros “documentos pétreos” que se acham espalhados pelo país, suas inscrições rupestres – algumas das quais, de grande complexidade – e suas lendas, ainda preservadas por algumas tribos indígenas, para compreendermos que vem de longe o conhecimento da terra do Brasil, assim como de seus mistérios e de sua transcendência.

 

UFO NA GÁVEA - Não podemos deixar de mencionar também que um dos mais famosos casos da Ufologia mundial teve como palco a região da Pedra da Gávea, quando em 7 de maio de 1.952, o fotógrafo Ed Keffel da revista “O Cruzeiro”, tirou uma seqüência de cinco fotografias de um objeto circular não identificado, sobrevoando a região. Até hoje o assunto não foi devidamente esclarecido.

Os enigmas do Rio de Janeiro abordados neste texto, também fazem parte de nossas buscas e dos temas que temos enfocado em outros números deste jornal, pois representam pontos sagrados que podem ser encontrados em diversas partes do mundo, como registros contundentes de uma época que se perdeu na noite dos tempos. Cremos que se tratam de marcos evolucionais da raça humana e têm muito a ver com as mais antigas civilizações conhecidas da Terra e, outras ainda, muito anteriores àquelas que fazem parte da história conhecida dos homens, cujo elo se perdeu, definitivamente, no decano vórtice das eras.

 

 

A Misteriosa 'Z' e o coronel Fawcet

 A cidade misteriosa procurada ardentemente pelo coronel Fawcett,

fazendo-o penetrar fundo na selva Amazônica, não tinha um nome específico,

apesar de ele ter-se baseado nas lendas que sempre cercaram

as regiões desconhecidas do Novo Mundo. Nos meios

 iniciáticos era conhecida como a Misteriosa “Z”.

Por J.A. FONSECA

 

O lendário coronel Percy Harrison Fawcett em fotografia tirada na Cordilheira

dos Andes em 1.911. No detalhe, a estranha estatueta de basalto negro, ofertada

por H. Rider Haggard ao Coronel Fawcett, com suas inscrições desconhecidas

e que se dizia originária de uma cidade perdida no Brasil.

Arquivo J.A. Fonseca/Arquivo Via Fanzine.

 

ESTATUETA - O coronel Percy Harrison Fawcett era um homem de muitos predicados, além de que, como arqueólogo independente, se imbuía de muita coragem e determinação quanto aos seus objetivos, lutando sempre para vencer os obstáculos que se ofereciam. Era amigo particular dos escritores Arthur Conan Doyle e Henry Rider Haggard, e este último lhe deu de presente uma estatueta de basalto negro com estranhas inscrições gravadas e lhe disse ser originária de uma cidade perdida no Brasil (foto). Ela tinha cerca de 25 cm de altura e trazia no peito uma placa contendo as 22 letras do alfabeto sagrado, dos quais se originaram todos os demais, e no tornozelo uma referência ao Homem de Ouro da cidade de IBEZ, no Roncador.

 

É curioso, que alguns destes signos podem ser encontrados gravados em pedra em muitas regiões brasileiras, como se estas terras fossem, de fato, parte de uma antiga civilização, guardando em seu seio o testemunho de tal época.

 

NO CORAÇÃO DO BRASIL - Fawcett estava certo de que no centro da América do Sul, na região Amazônica, se encontrava o segredo do mais antigo templo mencionado pelas mais antigas tradições iniciáticas da Terra, o Templo Sagrado de IBEZ. Ele não tinha dúvidas de que nesta região central do Brasil encontraria as pistas para este mundo de lendas e sonhos e, finalmente, o objetivo de sua busca, situações que na mente de exploradores como ele, se tratavam de pura realidade. Em suas buscas, penetrou profundamente nas selvas desde os Andes até a região do Mato Grosso, onde, finalmente, desapareceu. Quanto à misteriosa cidade procurada por ele, disse ter-se contatado certa vez com um nativo na Amazônia e que este lhe havia dito que conhecia um estranho local que possuía templos magníficos, cujas casas eram iluminadas por estrelas que jamais se apagavam.

 

Assim ele se cercava de convicções de que havia algo grandioso nas regiões selváticas da Amazônia e apesar da descoberta das antigas ruínas de Machu Pichu pelo pesquisador Hiram Bingham, no início do século, dizia que o que procurava, se tratava de uma cidade ainda mais remota. Ele afirmava que havia um grande elo que interligava a misteriosa “Z” e a Atlântida, e chegou a escrever:

 

“Estou convencido de que lá embaixo, no coração do continente jaz escondido os maiores tesouros do passado conservados no mundo de hoje. O enigma da antiga Sul-América e talvez do mundo pré-histórico poderá ser resolvido somente quando essas antigas cidades forem descobertas e escavadas cientificamente. Estas cidades existem, estou certo…”.

 

RONCADOR - Fawcett imaginava que a cidade que procurava se encontrava próximo a Serra do Roncador entre os rios Xingu e Araguaia, no interior do Mato Grosso. Ele já havia escrito a respeito de misteriosas ruínas encontradas em suas andanças pelas selvas brasileiras. Em seu diário, conforme relata o livro “Coronel Fawcett”, de Hermes Leal, pode-se ler: “Não duvido um só instante dessas velhas cidades. Por que haveria de duvidar? Eu mesmo vi parte de uma delas – e essa é a razão pela qual achei que deveria fazer novas expedições. As ruínas parecem ser de um posto adiantado de uma das grandes cidades, as quais, estou certo serão descobertas juntamente com as outras se a expedição for bem preparada, com uma pesquisa profunda sobre o assunto”.

 

E ainda:“Infelizmente não posso induzir os cientistas a aceitarem até mesmo a hipótese de que há indícios de uma antiga civilização no Brasil. Viajei por lugares ainda não explorados, os índios têm me falado de construções antigas, seu povo e mais coisas estranhas existentes nestes locais”.

 

ÚLTIMO CONTATO - Durante muitos anos Fawcett procurou pela misteriosa cidade atlante nas selvas brasileiras e em 25 de maio de 1.925, escreveu uma última carta à sua esposa, dizendo encontrar-se no Campo do Cavalo Morto, onde seu cavalo morrera, e que estava próximo da cachoeira, de onde se determinava o rumo para seu objetivo final. Tinha a companhia de seu filho Jack e do fotógrafo Raleigh Rimell e na carta dizia para sua esposa Nina que nada poderia dar errado em seu empreendimento e que a cidade que procurava era uma realidade. A partir de então nunca mais se teve notícia do coronel Fawcett e de seus acompanhantes, e até hoje seu desaparecimento continua sendo uma incógnita.

 

MCCARTHY - A história do desaparecimento de Fawcett nas selvas do Mato Grosso inflamaram a curiosidade de muitos e não se sabe, de fato, o que teria acontecido. Surgiram tentativas diversas de explicação de seu misterioso sumiço, e até mesmo uma ossada lhe foi atribuída, dizendo-se que ele fora assassinado pelos índios. Porém, nada ficou, efetivamente, provado.

 

Em 1.947 ocorreu então um outro fato, relacionado aos mistérios da Amazônia, que também passou a fazer parte das lendas das cidades abandonadas. O professor Hugh McCarthy ao tomar conhecimento das viagens do coronel inglês, ficou entusiasmado com esta notícia e viajou desde a Nova Zelândia até o Brasil, instalando-se no Rio de Janeiro, onde passou a pesquisar os documentos de Fawcett e suas expedições, além do documento 512 (veja VF 112). Depois de algum tempo, viajou para um lugarejo chamado Peixoto, no Mato Grosso, onde conheceu o Reverendo Jonathan Wells, que já estava naquela região há muitos anos.

 

O Reverendo tentou mudar a opinião de McCarthy, alegando ser a selva tropical cheia de perigos, animais e índios hostis, mas o professor insistia em seguir na busca da cidade perdida. Então, percebendo que não conseguiria dissuadi-lo de seu intento, Wells acabou por oferecer-lhe sete pombos correio para que ele enviasse notícias, vendo-o partir em uma canoa rio acima, para nunca mais ser visto. Muitas semanas depois, o Reverendo recebia um dos pombos correio com uma carta dizendo que ele havia sofrido um acidente, mas que fora acolhido por uma tribo indígena e estava sendo bem tratado. Viu o padre que aquela era a terceira carta e que as duas primeiras não haviam chegado até ele. Muito tempo depois chegou a quarta carta, na qual, ele relatava que estava sozinho no meio da floresta e que deveria escalar os picos de uma montanha onde se encontrava e que, certamente, iria logo chegar á cidade do coronel Fawcett. Dizia que, caso fracassasse, teria valido a pena.

 

O SÉTIMO POMBO - Tempos depois chegou mais uma carta através do sétimo pombo correio. Os dois anteriores nunca chegaram ao seu destino e nesta última MacCarthy dizia: “Sei que a fria mão da morte virá me tocar em breve e agora tudo o que faço é rezar para que todos os pombos que mandei cheguem a salvo. Sinto dificuldade para escrever, pois meus momentos de lucidez são raros. Mas, digo, que maneira gloriosa escolhi para deixar este mundo. Espero que meu mapa chegue em segurança via pombo número seis, para que você e as pessoas do mundo inteiro possam saber a localização dessa cidade de ouro. É absolutamente inacreditável e maravilhosa, com uma imensa pirâmide de ouro e estranhos templos. Com a ajuda de Deus, sei que você conseguirá muito em breve liderar uma equipe de arqueólogos para que venham até esta que é a mais linda de todas as cidades desde o início dos tempos, e para que seus tesouros possam ser preservados por muitas e muitas gerações. Minha obra está terminada e morro feliz, sabendo que minha crença em Fawcett e sua cidade perdida não foi em vão. Hugh.”

 

Entretanto, apesar do Reverendo ter tentado, nenhuma expedição foi organizada para localizar a cidade de ouro e pensou-se que McCarthy havia enlouquecido, e que tudo o que ele havia escrito não passava de delírios febris. Misteriosamente, o mapa que trazia a localização da cidade abandonada nas selvas do Mato Grosso, desapareceu, juntamente com a possibilidade de encontrá-la, pois sua condição mitológica se tornou ainda mais forte. Talvez, por obra de mãos invisíveis, a Misteriosa “Z” permanecerá ainda por um bom tempo oculta na sanha devastadora do homem contemporâneo, aguardando o dia em que seus segredos e tesouros possam ser conhecidos e não venham a ser utilizados de maneira a produzir a destruição e a segregação entre os povos.

 

* J.A.Fonseca é economista, aposentado, escritor, conferencista, estudioso de filosofia esotérica e pesquisador arqueológico, já tendo visitado diversas regiões do Brasil. É presidente da associação Fraternidade Teúrgica do Sol em Barra do Garças–MT, articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.

 

- Fotos & reproduções: Arquivo J.A. Fonseca/Arquivo ViaFanzine.

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2007, Pepe Arte Viva Ltda.

 

 

 

© Copyright 2007, J.A. Fonseca.

© Copyright 2004-2007, Pepe Arte Viva Ltda.

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