Matérias de J.A. Fonseca disponíveis nessa página:

- Itaúna no Circuito Arqueológico do Brasil (MG)

- A Esfinge Da Gávea e Outros Mistérios (RJ)

Leia também:

Mistério e beleza em São Thomé das Letras

Vila Velha, uma lendária cidade de pedra

 

 

Minas Gerais:

Itaúna no Circuito Arqueológico do Brasil

Estudando alguns vestígios deixados pelos ‘itaunenses’ de passado remoto

e os misteriosos e indecifráveis 'muros de escravos' de nossa região.

Por J.A. FONSECA

 

Trecho de um dos muros da Serra Mata da Onça em Itaúna.

Este muro não contém argamassa.

J.A. Fonseca/Arquivo Via Fanzine.

 

VALORES QUE REMONTAM - Pode parecer estranho o título que estamos dando a esta matéria, mas quando colocamos Itaúna no circuito arqueológico destas terras brasilis não o estamos fazendo por uma espécie de bairrismo estusiástico, mas para chamar a atenção dos itaunenses para o fato de que, também nestas regiões montanhosas, já foi registrada a presença de antigos moradores. Se tomarmos como referência a temática arqueológica acadêmica, pouco ou nada poderíamos levantar sobre o nosso município, a não ser em relação a alguns achados, constituídos de peças artesanais silvícolas encontradas em algumas regiões. Pretendemos deixar claro, que estamos falando de um tempo passado, de um período histórico de nossa terra, não importando se têm raízes num momento mais remoto ou mais recente. É obrigação de todos nós preservar certos valores que remontam a um momento específico da vida nestas terras itaunenses, antes mesmo dela existir como uma comunidade organizada, e permitir que os que ainda estão por vir possam ter conhecimento desta história, enriquecida pela pesquisa em torno destes antigos habitantes. É preciso então que se faça a restauração e a guarda de alguns remanescentes desta época passada para que estes possam ser apresentados à comunidade como um todo.

 

A própria história do Brasil possui ainda uma grande quantidade de enigmas que precisam ser convenientemente, explicados. Apesar disto, sentimos haver um certo desinteresse neste sentido, principalmente quanto ao verificar determinados casos mais controvertidos. Mesmo no ensino da História de nosso país, pouco se fala de nossos antepassados, como se eles não tivessem tanta importância e não houvesse tantos registros fantásticos projetando-se em toda a parte, como testemunhos mudos de um tempo longínquo. Parece-nos, que ao comentar estas coisas, estamos incorrendo em grave erro ou cometendo uma grande heresia, principalmente em nosso caso, que temos uma visão amadora e não acadêmica destes fatos. Ocorre, porém, que alguém precisa tomar uma iniciativa a este respeito, quando temos esta realidade insofismável em muitos locais, em pleno território brasileiro e mesmo em nossas terras itaunenses, sem que seja devidamente considerada, quando não totalmente ignorada, pela grande maioria das pessoas.

 

OS CATAGUASES - Falo abertamente destas coisas, apesar de não ter formação acadêmica neste sentido, porque já visitei muitas regiões no Brasil observando in loco muitos destes remanescentes pré-históricos. Nesta região central do Brasil, onde se estabeleceu o Arraial de Santana de São João Acima, mais tarde denominado Itaúna, vamos encontrar também marcas indeléveis, deixadas por outros moradores, antes da chegada do invasor branco.

Os historiadores itaunenses afirmam que este Arraial surgiu de uma primeira e modesta infra-estrutura criada pelo bandeirante Manoel de Borba Gato no ano de 1710. Nesta época havia numerosas tribos de silvícolas em Minas Gerais e na região de Itaúna, que em face de seu grande espírito guerreiro eram chamados de cataguás ou cataguases. Estes temíveis guerreiros ocupavam a região sul e oeste de nosso estado e foram totalmente dizimados por doenças trazidas pelos colonizadores nos seus contatos com eles e em conflitos armados com os bandeirantes.

 

Sobre este palco histórico hostil, onde também se localizavam as terras que pertenceriam ao nosso município, foi se configurando o perfil do arraial de Santana de São João Acima.

 

Após o estabelecimento da pequena infra-estrutura implantada por Manoel de Borba Gato, Manuel Pinto de Madureira, já em 1750, mandou construir a capela de Santana no alto do Morro do Rosário.

 

NOSSOS ACHADOS - Com o crescimento da população e após ter-se tornado município em 1901, algumas pessoas interessadas começaram a descobrir, em muitos locais, restos de populações indígenas. Foram encontrados objetos e utensílios diversos, como machados de pedra, pedaços de materiais cerâmicos, especialmente da região der Santanense e estrada de Itaúna-Divinópolis, onde foram feitas algumas escavações. Eu mesmo cheguei a encontrar alguns pedaços de cerâmica, há cerca de 20 anos, em um terreno de minha propriedade, localizado no Bairro Itaunense, os quais, tenho ainda guardado. Fui informado que próximo a Itaúna existe uma pedra com inscrições rupestres de origem desconhecida. Não consegui ainda localizá-la, mas penso que tal hipótese pode ser verdadeira, uma vez que em muitas outras regiões de Minas Gerais e do Brasil existem inscrições desta natureza. Registros como estes, diga-se de passagem, não estão relacionados às populações indígenas que aqui foram encontradas, pois tal procedimento não fazia parte de sua cultura.

 

 

 

 

 

Outro trecho do mesmo muros da Serra Mata

da Onça contém uma espécie de argamassa.

J.A. Fonseca/Arquivo Via Fanzine.

 

MUROS DE PEDRAS - Um outro "mistério" que envolve estas regiões itaunenses é o que se refere aos muros de pedra localizados em diversos lugares e que são do conhecimento de muitos moradores. Tomei conhecimento de sua existência há muitos anos, mas não havia ainda encontrado nenhum deles em minhas buscas. Somente em agosto de 2.002 é que pude ver dois destes muros e fotografá-los, quando em conversa com o Pepe Chaves, diretor deste jornal, disse-me conhecer um destes muros, localizado na Serra Mata da Onça. Combinamos uma ida naquela região e num sábado pela manhã, lá estávamos nós eu, Pepe e meu filho Adriano de 12 anos, subindo a Serra. Surpreendeu-me quando encontramos o muro, pois, trata-se, de fato, de uma construção histórica que remonta a um tempo que pode ser tanto da época da escravidão, como dizem alguns, como de um passado bem mais remoto.

 

É estranho que se tenha mandado construir um muro de pedra subindo montanha acima, para então terminar abruptamente e ser atravessado por outro que sobe, um pouco enviesado, rumo ao cume da montanha. Seguimos ao lado dele até este enviesamento por cerca de 500 metros. Tiramos fotografias de várias partes dele [veja nesta página], podendo perceber que em alguns pontos ele se tornava mais baixo (cerca de 80 cm) e em outros, chegava a alcançar uma altura considerável (cerca de 1,80 m), por causa de uma vala que o percorre em toda a sua extensão. As pedras que o compõem variam de tamanho, algumas são de grandes proporções e outras bem menores, ajustadas em certas partes com barro e em outras com assentamentos diretos, sem argamassa, pedra sobre pedra.

 

OBRA DE QUEM? - Soubemos que existem muitos destes muros no município de Itaúna como, por exemplo, no morro do Bonfim, alguns pontos do Bairro Belvedere e outras localidades. Soubemos também que muitos deles já foram totalmente destruídos. Dizem as pessoas daqui que se tratam de muros construídos pelos escravos e se contentam com esta explicação. Não pretendemos atribuir-lhes nenhuma conotação excepcional, nem suscitar outras hipóteses sobre sua existência, mas ficamos pensando qual teria sido o motivo que levou desta região, fazerem cercar com muros grandes extensões de terra sobre montanhas e tão distantes do arraial de Santana de São João Acima, que estava apenas nascendo.

Como o pensamento é livre, temos o direito de nos perguntar por que tais muros de pedra, diga-se de passagem, não tão simples de serem construídos, teriam sido erigidos em lugares tão distantes e porque não dizer inusitados, não oferecendo qualquer serventia aparente, se o analisarmos sob a ótica da objetividade. Pensamos que poderiam, até mesmo, tratar-se de sinais de um tempo bem mais remoto, obra que não poderíamos atribuir aos silvícolas que habitavam estas paragens, pois sabemos que, historicamente, estas atitudes não se compatibilizavam, com as destes antigos moradores.

 

ESCRAVOS SANTANENSES - Se optarmos para a idéia de que tenham sido construídos pelos escravos, gostaríamos de fazer uma pequena análise, reportando-nos ao período escravagista de nossa terra. Temos a seguinte estatística sobre a população do Arraial de Santana de São João Acima daquela época, segundo o historiador Miguel Augusto Gonçalves de Souza: "A população de Santana de São João Acima, em conformidade com o primeiro recenceamento realizado no País, ano de 1872, era de 4.259 habitantes, assim distribuídos: homens livres, 1.718, e, mulheres livres, 1.830, no total de 3.548. O número de escravos era de 711, sendo 341 homens e 370 mulheres. Os escravos representam, portanto, 16,69% da população" 1 .

 

Raciocinando sobre estes números e sem querer tornar-nos tendenciosos, pensamos que apenas 341 escravos homens (sem mencionar as crianças aí incluídas e não destacadas na contagem) nas fazendas da região não poderiam estar ocupados também na construção de tantos muros e tão distantes das sedes de seus senhores. Havia uma infinidade de serviços a serem feitos nestas fazendas e não seria uma idéia razoável, adquirir escravos para desviá-los de suas tarefas, ou mesmo parte deles neste empreendimento, sem que para isto haja uma explicação razoável.

 

PERÍODO ANTERIOR - Mais lógico seria pensar que sua história estivesse relacionada a um período bem anterior ao da fase escravocrata itaunense. Entretanto, caso tenham sido mesmo construídos pelos escravos, e esta discussão não é a razão principal deste artigo, temos obrigação, no mínimo cultural, para não dizer ética e moral, de preservá-los intactos, para que possam servir inclusive de referência ao nosso povo, à nossa história e àqueles que deles ainda não ouviram falar. Infelizmente, tal possibilidade vem se tornando, dia a dia, mais longínqua, uma vez que eles vêm sendo, silenciosamente desmontados, como se nada representassem. Nossos princípios culturais e nosso ego acalentam dentro de nós uma espécie de ânsia destruidora, que não nos permite fazer caso de vestígios como estes, tratando-os com a mais ríspida desconsideração, em troca de decisões imediatistas e superficiais que, infalivelmente, giram em torno do lucro. Em várias partes do Brasil isto vem acontecendo, como se fosse um tipo de cegueira conveniente que envolve as pessoas locais, exploradores e memórias valiosas da história e que acabam sendo, sistematicamente, destruídas.

 

DESTRUIÇÕES RECENTES - Lamentamos o fato de que muitos destes vestígios já tenham sido totalmente demolidos em nossa região e que nenhum sinal deles poderá jamais ser revisitado. Tais acontecimentos repercutem, certamente, como chibatadas sobre os ombros destes nossos antepassados, apesar da abolição tê-las proibido, como se estivéssemos inconscientemente ou deliberadamente, empenhados em APAGAR, definitivamente, quaisquer resquícios de sua existência. É provável que, transcorridos mais algumas décadas, sem que sejam tomadas providências relevantes e conscientes, não tenhamos mais nada do que falar sobre o passado de nossa terra, assim como também de algumas regiões brasileiras, que vêm sendo dilapidadas pelo comércio vil, pelo descaso e pela inconsciência de alguns de seus cidadãos.

 

Pensamos que onde começa esta fase de negligência pela própria história local, é onde também se dá início ao ocaso do conhecimento, que ao alcançar sua fase de obscurecimento mais profundo, projeta sua sombra e faz com que muitos já não mais se importem com sua própria origem, refletindo apenas em favor de um sistema progressista, onde o ganho tem sua tônica mais contundente, embora que destituída de sensatez.

 

Nota:

1 "História de Itaúna – volume I, pag. 94, Miguel Augusto Gonçalves de Souza, Belo Horizonte, 1986.

 

Apêndice:

Chibatadas no Patrimônio Cultural

Os ‘muros de escravos’ de Itaúna estão sumindo porque suas

pedras estão sendo usadas em alicerces de casas construídas

próximas a estes antigos monumentos.

 

Comentário de  Pepe CHAVES

 

Estes restos de um antigo muro, que margeavam uma rodovia em Itaúna,

foram completamente destruídos no ano passado.

Foto: G. Vilela/Arquivo Via Fanzine.

 

MARANATA - O primeiro "muro de escravos" que vi existia na serra denominada Maranata, situada próxima ao bairro Belvedere, em terreno da Companhia Tecidos Santanense. Ali, até poucos anos, havia um enorme muro, com 80 cm de altura x 50 de altura, percorrendo centenas de metros que dividiam a serra ao meio; descendo por Santanense de um lado e pelo Belvedere por outro, neste, atingindo os fundos da Itaúna Siderúrgica. Este muro foi totalmente destruído a cerca de 10 anos, quando se construiu o bairro Belvedere e suas pedras foram usadas para se fazer o alicerce de muitas casas que foram construídas ali. Foi lamentável quando num certo dia subi aquela serra e não vi mais uma pedra do muro que visitei várias vezes durante grande parte de minha infância. Tudo tinha desaparecido completamente! Para mim, tal ato se constituiu num crime cultural.

 

VEREDAS - Outro muro que conheci em minha infância e que recentemente foi destruído, pelos mesmos motivos (suas pedras foram usadas em construções de residências) estava situado no bairro Veredas, pouco acima da caixa d’água daquele bairro. Com a construção do bairro, ele foi totalmente destruído, sem deixar quaisquer vestígios de que existiu ali um dia. Pouco abaixo dessa região, praticamente ao lado da rodovia MG-431, próximo à entrada do local onde está situado o sítio do Sr. Aristides Moreira, havia ao lado direito de um mata-burro, restos de uma antiga construção. Cercada de plantas as ruínas se tornaram um belo ornamento natural [foto acima] com cerca de 1,80m de altura por 60cm de largura. Isso até uns dois anos atrás, porque ele foi totalmente destruído, não ficando ali uma única de suas pedras.

 

MATA DA ONÇA - Os dois imensos muros que cortam a Mata da Onça - e que ainda estão sendo pesquisados por J.A. Fonseca - devem ser tombados pelo patrimônio e preservados pela comunidade. Hoje os muros se encontram em meio à uma imensa mata nativa, constituída de árvores de grande porte e arbustos diversos. certamente, quando fora construído, não havia ali tal vegetação. A julgar por isso podemos supor que podem ser mais antigos que a época dos escravos, já que a mata daquela serra está bem formada há bem mais de 100 anos. Tivemos recentemente a informação de um assessor do Prefeito de Itaúna, de que a Granja Escola (situada próxima àquele local) irá fazer uma trilha paralela a este muro, exibindo-o para visitação. A idéia é salutar, pois mostrará ao nosso povo os mais antigos vestígios arquitetônicos de um passado que ainda não conseguimos desvendar e que, para tanto, é preciso preservá-los até que em algum dia, através de alguma nova tecnologia, possamos saber a verdadeira origem e função destas intrigantes construções itaunenses.

 

BARRAGEM - Outro muro que ainda persiste (pelo menos há uns dois anos estive lá), está no loteamento de propriedade do Sr. Giovani Salera, situado próximo à Barragem do Benfica. Este muro que aparenta ser bastante antigo está localizado próximo à caixa d’água que abastece aquele condomínio residencial. Com as recentes construções de casas naquele local, este muro será também, a exemplo dos anteriores, destruído – se já não o foi, salvo se houver naquele local uma conscientização, por parte do poder público e mesmo dos empreendedores dos terrenos, no sentido de preservá-lo.

 

OUTROS MONUMENTOS - Além destes muros citados, há em nosso município, em locais ainda distantes das construções, um razoável circuito de muros antigos que deviam ser valorizados historicamente e serem tombados como patrimônio público.

 

Deixamos um alerta à comunidade, para que nos voltemos à preservação destes monumentos esquecidos pelo tempo, cientes de seus verdadeiros valores culturais.

 

* Pepe Chaves é editor do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br).

 

 

 

RIO DE JANEIRO:

A Esfinge da Gávea e outros mistérios

 O Estado do Rio de Janeiro, além se ser um dos mais belos do Brasil,

com suas lindíssimas praias e uma natureza pródiga, é possuidor de muitas

características de conteúdo misterioso, que em certos casos,

carregam aspectos de caráter até mesmo lendários.

Por J.A. FONSECA

 

 

A paisagem rochosa do Rio de Janeiro

oculta vários mistérios. Arquivo Via Fanzine.

 

TOPOGRAFIA MISTERIOSA - Estes detalhes pouco comuns, que vamos abordar neste trabalho, colocam esta região dentre as muitas outras em território brasileiro, que suscitam inúmeras indagações sem respostas. A cidade do Rio de Janeiro, especificamente, apresenta um sem número de misteriosas “coincidências” que seriam no mínimo curiosas, vistas sob a ótica de qualquer observador mais atento, que deveriam ser exaustivamente estudadas pelos pesquisadores da história antiga do Brasil.

 

O mais estranho destes lugares é a Pedra da Gávea, muito conhecida por sua posição estratégica e situada numa das localidades mais visitadas por turistas de todo o mundo. Entretanto, a grande maioria destes ainda não atinou para os estranhos registros que podem ser encontrados ali e que fazem retroceder no tempo sua misteriosa presença nestas terras brasilis.

  

No alto desta pedra pode-se ver uma perfeita esfinge, de proporções colossais, como se ela espreitasse sobre a Baía de Guanabara com sua imponência silenciosa e vigilante. Sua fisionomia austera, mas serena continua lá, apesar do desgaste do tempo, olhando para o Norte, como se preservasse um tesouro precioso para toda a humanidade. Pode-se perceber ainda seus olhos, seu nariz e sua boca, uma espécie de elmo sobre a cabeça e uma barba volumosa que desce sobre o penhasco. A impressão que se tem é que esta imensa cabeça esculpida em pedra teria sido colocada lá, pois ela possui também um corpo que se assemelha ao de um leão deitado, que teria sido construído de um outro tipo de rocha. Afirma-se que seu corpo é de granito e que a cabeça é feita de gneisse, um tipo de rocha metamórfica constituída de cristais de mica, quartzo e feldspato, possuindo 286 metros de altura. Se isto for confirmado, temos um outro grande problema a resolver, além dos muitos outros em diversas partes do Brasil e do mundo. Quem a teria construído e colocado naquela posição, se ela se encontra numa altura considerável (cerca de 550 metros acima do nível do mar)? E por que meios isto teria sido feito?

 

Seria muito mais cômodo afirmar-se que ela não passa de mais um caso de erosão natural e que tudo o que se procura levantar sobre sua estranha fisionomia, não passam de invencionices de alguns desocupados. Vamos então avaliar alguns aspectos deste formidável quebra-cabeças e de outros que se encontram próximos e depois, cada um que pense no que bem entender.

 

CONJUNTO DE MONTANHAS - Uma das primeiras considerações que gostaríamos de fazer é que ela faz parte de um conjunto de montanhas com aproximadamente 20 km. de extensão, onde se localizam sete bairros no litoral do Rio de Janeiro: Barra da Tijuca, São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo e Urca. Este conjunto de montanhas, quando visto da Ilha Rasa (no litoral fluminense) mostra o perfil de um “Gigante Adormecido” e, o mais curioso, é que a Pedra da Gávea é exatamente a sua cabeça. Seu corpo se estende por um conjunto de morros, que veremos a seguir e seus pés se acham, finalmente, no Pão de Açúcar. Diante da Pedra da Gávea está a Pedra Bonita, que com ela compõe a cabeça do gigante e em seu cume de podem ver desenhados sete círculos concêntricos, de grandes proporções.

 

Segundo o pesquisador Eduardo B. Chaves a altura da cabeça da Gávea, a partir do nível do mar é de 842 metros. Esta é uma medida que pode ser desdobrada e comparada com princípios cabalísticos e iniciáticos, fundamentados na numerologia sagrada. Se dividirmos sua altura por 2 teremos a cifra 421 que, quando lidos anagramaticamente, ou seja, na expressão 124, que destaca os valores individuais dos algarismos 1, 2 e 4, podem ter as seguintes identidades: o 1 representa a unidade sempre presente, o princípio, a representação do Criador; o 2 representa o binário cósmico, a dualidade universal, espírito-matéria, a manifestação da Alma do Mundo; e o 4 é a representação do quaternário sagrado, cósmico e terrestre, da realização do plano de evolução do universo, simbolizado pela cruz, pelo quadrado e pelo cubo. Não nos estenderemos muito neste propósito, porque a finalidade deste trabalho é mostrar outros enigmas desta região, que muito tem a ver com o passado mais remoto destas terras brasílicas de vera cruz.

  

A palavra Gávea provém do latim cavea e gabia e significa a plataforma fixada na extremidade do mastro principal, que servia para afastar os cabos de sustentação lateral deste e dos demais mastros de um navio. Isto, talvez desse a entender que a Pedra da Gávea fosse algo que deveria se posicionava no alto, em local de destaque, se estabelecendo em posição de vigia. Fora isto, pensamos ter sido sem propósitos o nome para tão enigmático monumento.

 

Do lado esquerdo da cabeça da esfinge da Gávea, no alto, foram encontradas algumas inscrições em baixo relevo, que segundo A. Silva Ramos, que as traduziu, se tratam de caracteres fenícios e possuem o seguinte significado: “Tiro, Fenícia, Badezir primogênito de Yeth-Baal.” Historicamente, o rei Badezir reinou na Fenícia em 855 a.C. e seu pai Yeth-Baal em 887 a.C. Mistérios que estão para serem decifrados…

 

Do seu lado direito pode-se ver um imenso “portal” com 8 metros de altura e 16 metros de largura, que segundo se sabe, surgiu após uma noite de tempestade, quando uma grande pedra rolou da montanha deixando à mostra a imensa cavidade. Sua forma semelhante a uma grande porta deu-lhe conotação também lendária e passou a incorporar aos já enigmáticos caracteres do rosto do imperador. Um outro aspecto curioso nesta “escultura milenar” é no tocante à sua face, que se apresenta como sendo a de um velho de barbas. À medida em que o sol muda de posição o rosto toma outras formas e isto pode ser tomado até como algo natural. Porém, ela toma outras expressões se vista de outras localidades: de sua vizinha de frente, a Pedra Bonita, ela tem a expressão de um velho barbudo, com uma atitude bem severa; se vista da Barra da Tijuca, da estrada das Furnas, ela se apresenta como se fosse um mago encoberto por seu manto; se vista do Bairro de São Conrado, na estrada de Canoas, ela é vista como um velho de expressão tranqüila. Na época de D.Pedro II ela foi chamada de “Cara do Imperador”, mas os indígenas a chamavam de “Matacaranca” ou cabeça bonita.

 

O Corcovado, que também faz parte do corpo do “Gigante Adormecido” apresenta uma curiosa “escultura” na encosta da montanha, aos pés do Cristo Redentor. Tem a aparência de uma mulher grávida se vista do Bairro da Gávea; da Lagoa Rodrigo de Freitas, desaparece a barriga da mãe e aparece o perfil de uma criança; do Bairro Cosme Velho a criança aparece já crescida e parece ter as mãos presas atrás.

 

CORCOVADO E PÃO DE AÇÚCAR - O Pão de Açúcar, que compõe os pés do gigante, tem também o formato de uma esfinge com cerca de 500 metros de altura. Ao seu lado, o morro da Urca forma o corpo da esfinge. Seu nome deriva do tupi pau-nd-açuquã, que significa “morro isolado e pontiagudo”, que os portugueses resolveram traduzir por pão de açúcar. À esquerda de onde seria a cabeçada da esfinge, pode-se ver alguns cortes no dorso da enorme pedra, que tem aparenta a forma de um “S”. Quando o sol vai mudando de posição, formam-se sombras nestas fendas e curiosamente, surge afigura de um pássaro já extinto e sagrado no Egito, a ÍBIS, símbolo do deus Toth, o Hermés para os gregos e Mercúrio, para os romanos, mensageiro dos deuses.

 

DOIS IRMÃOS - Outro ponto que traz curiosas reflexões é o Morro Dois Irmãos, localizado no Bairro Leblon, não muito distante da Pedra da Gávea. Ele, de fato, se apresenta como o perfil de duas cabeças, uma ao lado da outra, como se duas pessoas ali estivessem bem juntas olhando para o alto mar, reverenciando o sol nascente. Mas porque lhe teriam dado este estranho nome? Talvez quisessem ligá-lo ao passado, pois segundo as antigas tradições, o rei fenício Badezir teria aportado no Brasil com seus dois filhos Yeth-Baal e Yeth-Baal-Bey há muitos milhares de anos e aqui estabelecido seu império. Como eles vieram a falecer, o rei fenício determinou que eles fossem sepultados no interior da Pedra da Gávea, mandando gravar ali as inscrições que lá se encontram. O Morro Dois Irmãos estaria então representando estas duas figuras míticas da antiga Fenícia…

 

Existem ainda muitos outras estranhas coincidências e algumas formações rochosas de caráter estranho nas redondezas, evidenciando que algo teria acontecido ali há muito tempo. Tanto a terra do Gigante Adormecido, quanto outras regiões deste nosso Brasil, têm tentado mostrar ao seu povo que uma história mais antiga ainda está para ser contada, tendo como palco estes misteriosos “monumentos em ruínas” que se mostram imponentes e desafiadores. Não basta, simplesmente, ignorá-los ou imaginar que tais perspectivas se tratem de exageros ou especulações mal fundadas a respeito de nossa terra de Vera Cruz. É preciso ousar um pouco mais e observar nos inúmeros “documentos pétreos” que se acham espalhados pelo país, suas inscrições rupestres – algumas das quais, de grande complexidade – e suas lendas, ainda preservadas por algumas tribos indígenas, para compreendermos que vem de longe o conhecimento da terra do Brasil, assim como de seus mistérios e de sua transcendência.

 

UFO NA GÁVEA - Não podemos deixar de mencionar também que um dos mais famosos casos da Ufologia mundial teve como palco a região da Pedra da Gávea, quando em 7 de maio de 1.952, o fotógrafo Ed Keffel da revista “O Cruzeiro”, tirou uma seqüência de cinco fotografias de um objeto circular não identificado, sobrevoando a região. Até hoje o assunto não foi devidamente esclarecido.

 

Os enigmas do Rio de Janeiro abordados neste texto, também fazem parte de nossas buscas e dos temas que temos enfocado em outros números deste jornal, pois representam pontos sagrados que podem ser encontrados em diversas partes do mundo, como registros contundentes de uma época que se perdeu na noite dos tempos. Cremos que se tratam de marcos evolucionais da raça humana e têm muito a ver com as mais antigas civilizações conhecidas da Terra e, outras ainda, muito anteriores àquelas que fazem parte da história conhecida dos homens, cujo elo se perdeu, definitivamente, no decano vórtice das eras.

 

* J.A.Fonseca é economista, aposentado, escritor, conferencista, estudioso de filosofia esotérica e pesquisador arqueológico, já tendo visitado diversas regiões do Brasil. É presidente da associação Fraternidade Teúrgica do Sol em Barra do Garças–MT, articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.

 

- Fotos & reproduções: Arquivo ViaFanzine.

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2007, Pepe Arte Viva Ltda.

 

 

 

© Copyright 2007, J.A. Fonseca.

© Copyright 2004-2007, Pepe Arte Viva Ltda.

Motigo Webstats - Free web site statistics Personal homepage website counter