UFOVIA - ANO 5 

   Via Fanzine   

 

 

 EDITORIAL

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Das naves aos ETs:

ET é Jesus para as seitas ufológicas

A maionese encefálica cria mitos e um verdadeiros culto em torno dos ETs, que desvirtua

o sentido da Ufologia, que deveria ser o estudos dos Objetos Voadores Não Identificados (ÓVNIS).

 

De objetos voadores a ETs falantes

 

Num tempo em que ouvimos absurdos e declarações ridículas emanarem do seio da chamada “ufologia”, é bom lembrarmos a etimologia dessa palavra. “Ufo” vem de Unidentified flying object (objeto voador não identificado), termo surgido no final da década de 1940, para designar objetos voadores DESCONHECIDOS ou não identificados. E “logia”, segundo os princípios da lógica, indica o estudo ou a lógica em torno de determinado assunto.

 

Portanto, a ufologia (ou Ovnilogia, como é também chamada em alguns países da língua portuguesa) deveria tratar de abordagem, pesquisa e reportagens relacionadas aos Objetos Voadores Não Identificados (OVNI).

 

Mas o que vemos naquilo a que chama de ufologia, especialmente no Brasil, é uma desvirtuação total desse substantivo, para transformá-lo numa espécie de ancoradouro para assuntos periféricos ou não, criando uma verdadeira teia de crenças particulares.

 

Assim, a ufologia se torna fonte de renda para alguns e toma formatos diversos em mídias, palestras, projetos e pregação sobre os ETs e suas visitas à Terra. Dessa maneira, em vez de se tratar de investigar aparições de Objetos Voadores Não Identificados, o que vemos, são alguns autodenominados ufólogos frente às siglas inventadas por eles, seus clubes particulares ou projetos restritos, tomarem rumos que nada têm a ver com os UFOs ou OVNIs, mas ainda assim, afirmam estar “fazendo ufologia”.

                                                               

Esperando a chegada dos ETs

 

Entre os que faturam com a crença ufológica (e não com os fatos), há quem já pediu dinheiro alheio e já gastou, ao longo das últimas décadas, centenas de milhares de reais no afã de se criar “estações” propícias para aguardar o “fim do mundo” ou a chegada dos ETs. Muitos milhares de reais foram doados sem que nenhuma parede fosse levantada.

 

Em nome da ufologia, muitas doações foram alavancadas por centenas de palestras nas últimas décadas. Algumas dessas, vultuosas, já foram reclamadas posteriormente por doadores e oferecidas a um projeto que atravessa décadas, cujo “projeto” jamais saiu do papel, apesar de continuar recebendo doações em espécie.

 

Envolvendo “boas energias” e uma dialética que beira a dos cultos mais fanáticos, são envolvidas em tais projetos, pessoas de bem, de preferência, sensíveis, ingênuas, com bons rendimentos e desprendidamente com a “mão aberta”. Palestras do tipo “alto astral” são feitas para envolver os simpatizantes a um projeto que começou no alvorecer e já chegou ao por do sol sem apresentar nada de palpável, senão apenas falácias e promessas.

 

Apesar de nada disso ter a ver com ufologia, líder e adeptos se identificam como “ufólogos”, pelo simples fato de pregarem a retórica idéia da chegada dos “viajantes espaciais”, que descerão à Terra para salvá-la do homem que a destrói...

 

Os ETs já chegaram

 

Se alguns se preparam há décadas para a chegada dos extraterrestres (ETs), outros são capazes de insinuar grotescamente que eles já chegaram. Mesmo que o ET fale em falsete deplorável e se esconda atrás de arbustos, enviando mensagens do tipo, “a Terra não é redonda” e jurando ser real.

 

Mas, ET bom é aquele que mostra a cara, dá tchau e não deixa dúvida de sua autenticidade. Contudo, o teatro que é feito em nome da vida extraterrestre se revela o verdadeiro ganha-pão dos gurus descarados que faturam em cima de desavisados, gozadores ou crentes desenfreados.

 

Se o ridículo não tem limite, também não o tem a sede pelo dinheiro, pela busca de bens materiais em troca da pregação hipócrita de supostos valores supremos, em nome de pretensas civilizações superiores. Se a legislação de um “país livre”, através do seu Ministério Público, permite reiterados assédios rasteiros ao bom senso e à fé popular, sem que nenhuma autoridade pública do país tome providência diante os absurdos assegurados publicamente, é melhor que cada um se cuide por si mesmo.

 

ETs nas plantações

 

Para outros, que nada querem saber de Ufologia, no sentido lógico dessa palavra, mas apenas usá-la de acordo com as suas reais conveniências, são ETs que amassam plantações, ou estampam nelas símbolos complexos. Mesmo que não haja vídeo, foto, pegada ou qualquer prova de ET no mato: amassou a culpa é do ET! E sem o menor cabimento, discutem isso como se fosse assunto sério e indiscutível.

 

Reiteradamente, publicam arbitrários artigos que são vendidos na maioria das vezes, além de promover palestras pagas sobre o assunto, como se o mesmo já estivesse decretado cientificamente, como sendo obras de ETs e somente uma “elite” da “ufologia brasileira” é que está bem informada sobre estas obras de artes de outro mundo que foram legadas a determinadas plantações na Terra.

 

Contudo, despidos do menor senso de cientificismo, pois jamais foi apresentada prova alguma que espécie de fenômeno fora do natural – e muito menos, por parte de ETs – os chamados “agroglifos” já foram decretados por pseudo-entendidos como obras de ETs e, ai, de quem vier a discutir isso com esses respectivos experts.

 

Assim, agroglifo também não é matéria de Ufologia, ou não deveria ser; ou ainda, seria, mas somente na chamada “ufologia brasileira” de apenas um grupo que cultua tais possibilidades absurdas, sem jamais ter tido competência para apresentar, sequer indício, muito menos comprovação cabal de que tudo isso não saiu de sua própria maionese encefálica.

 

Um ET jamais identificado

 

Um bom exemplo de como desvirtuar ou “pasteurizar” a ufologia, povoando-a de conjecturas e considerações inconclusas foi o chamado “Caso Varginha”, o qual não se deu em torno de nenhum OVNI, mas da suposta presença de uma criatura extraterrestre (ET), na verdade, um vulto, avistado por três crianças naquela cidade do Sul de Minas.

 

Sem OVNI algum o Caso Varginha foi crescendo e se adicionando clichês conhecidos da ufologia, como associações ao Caso Roswell (EUA), além de outras e algumas inéditas, tais como: suposta morte de soldado por contaminação de ET; suposto avistamento de outra criatura ET na cidade; suposto fuzilamento de um ET por militares; supostas operações militares do exército; supostos homens de preto assediando testemunhas e até a alegada autópsia de ET por Baban Palhares, na Unicamp. Tudo suposições que jamais foram comprovadas, mas que renderam assuntos e muitos milhares de reais para os seus "autores". Mas onde está a ufologia nesse causo mineiro de ET?

 

Tudo isso foi apresentado publicamente sem o menor cabimento, portanto, claro, sem qualquer indício ou comprovação que garanta algum grau de veracidade a tais suposições. Ainda assim, o assunto rendeu livros, palestras e um sem fim de materiais que, no frigir dos ovos, movimentou uma considerável cifra em sua comercialização.

 

ET é Jesus para as seitas ufológicas

 

E assim, o ET, que jamais deu as caras, vira um tipo de Jesus para as seitas ufológicas (ainda que muitas não se identifiquem como seitas ou até rebatam esse termo), tal cópia fiel do cristianismo, já que igualmente prega suas convicções em torno de um mártir impalpável e uma crença comum aos seus adeptos. Tal como o cristianismo, a ufologia atual, tanto mundo afora, quanto no Brasil, também conserva os seus protestantes, dissidentes, evangélicos, profetas, negociadores da fé e fazedores de promessa.

 

Dessa maneira, em vez de se estudar ou pesquisar os Objetos Voadores Não Identificados, como deveria ser, o sentido da ufologia foi deturpado – especialmente no Brasil – e se tornou fonte de renda filosófica para verdadeiros pastores ou "gurus extraterrestres. Necessariamente, tais devaneios de ordem esotérica, espiritualista ou mística, jamais deveria estar associada aos OVNIs da Ufologia, mas acabou por tomar a ufologia dos OVNIs. Tais gurus estarão sempre voltados a um público eclético espiritualmente e esperançoso naquilo o que, de fato (queiram ou não), a ciência ou o bom senso jamais conseguiu provar: a presença extraterrestre em nosso meio.

 

Entretanto, a igreja do ET está montada sob diversas tendas ideológicas, filosóficas e místicas. Bem como o Jesus dos cristãos, o ET é cultuado por cada fiel “ufológico”, de acordo com as suas interpretações, expectativas, conveniências e interesses comerciais ou pessoais interpessoais, tudo em prol de um ou outro guru, que "raciocina" por todos de seu séquito.

 

Pepe Chaves

Editor de UFOVIA

pepechaves@gmail.com

07/07/2011

 

*  *  *

 

UFOleaks:

Wikileaks promete documentos ufológicos*

Em entrevista promovida pelo The Guardian, Julian Assange diz que

Wikileaks fará vazamento de documentos que mencionam OVNIs.

 

Julian Assange é procurado pela Interpol em todo o mundo.  

 

Entrevista de um procurado

 

O site Wikileaks, criado pelo australiano Julian Assange, bagunçou a diplomacia de Estado norteamericana ao promover o vazamento de documentos oficiais veiculados entre membros governamentais.

 

Acusado de estupro na Suécia e procurado pela Interpol, Assange, que se tornou rapidamente uma celebridade mundial por conta do Wikileakes, se encontra foragido. Ele nega que tenha cometido qualquer crime, tampouco, de ordem sexual. Ele atribui à acusação a uma retaliação aos vazamentos que tem promovido e deixado diversos governos nacionais, em especial, o dos EUA, de “saia justas” ou “com as calças na mão”, como se diz na gíria brasileira.

 

No entanto, nesse mundo mágico e interativo da Internet, o fato de uma pessoa estar sendo procurada pela Polícia Internacional em todo o globo, não a impede de dar as caras aos internautas. E assim, Julian Assange surgiu surpreendente na rede mundial nessa sexta-feira (03/12), cujo espectro digital concedeu uma entrevista promovida pelo jornal britânico “The Guardian”.

 

Na entrevista, Assange negou as pesadas acusações contra a sua pessoa e afirmou que, ainda que sofra retaliações desse porte, o Wikileaks continuará a promover os vazamentos dos mais de 250 mil documentos oficiais que mantém em seu poder.

 

UFOleaks

 

A novidade ficou por conta do anúncio de vazamento para documentos sobre Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs). Durante a entrevista, um dos internautas quis saber dele se algum dos documentos tratava de OVNIs e ETs. Segundo ele, sem fornecer mais detalhes, o site WikiLeaks vai divulgar em breve, relatórios oficiais de governo que mencionam Objetos Voadores Não Identificados.

 

“Diversos malucos nos enviam e-mails sobre OVNIs ou sobre como descobriram que eram o próprio anticristo. Contudo, tais informações não satisfazem duas de nossas condições de publicação: o documento não pode ter sido escrito pela própria pessoa; devem ser documentos originais”, disse, sobre as inúmeras mensagens que recebe de todo o mundo.

 

Quanto aos OVNIs, “Vale destacar que nas partes do ‘cablegate’ que ainda não foram publicadas há, sim, referências a OVNIs”, declarou Assange, sem mencionar sobre a vida extraterrestre.

 

Mecanismos perpétuos

 

Ele também garantiu que, caso sofra algum tipo de ataque ou violência, determinados mecanismos garantirão a sobrevivência independente do material que ele dispõem. De acordo com ele, o Wikileaks foi criado para se perpetuar por si próprio, “O arquivo do Cable Gate foi espalhado, junto com material significante dos EUA e de outros países, para mais de 100 mil pessoas, de forma encriptada. Se alguma coisa acontecer conosco, as partes fundamentais serão publicadas automaticamente”.

 

O anúncio de que arquivos oficiais secretos envolvendo OVNIs será revelado pelo Wikileakes deverá causar forte comoção em muitos apaixonados pelo tema. Entretanto, conforme já alertamos, muitos projetos envolvendo OVNIs ou a maioria, pode estar intimamente relacionada à criação de aeronaves secretas, nas quais são testados sistemas avançados e fora dos padrões convencionais.

 

Inclusive, muitos governos criam grandes entidades ufológicas, destinando pesadas verbas para que se alimente o mito ET. Enquanto isso, os projetos secretos correm por fora e, para tosos os efeitos "vieram de outro mundo", pois as entidades "tarimbadas" e seus "peritos" (muitos deles nem sabem a quem servem, verdadeiramente...) estão sempre prontas a afirmar que qualquer coisa diferente que passear no céu não é desse mundo.

 

Mas, seja como for, que venham os UFOleaks ou WikiUFOs...

 

- Fotomontagem: ilustração de Ícaro Chaves com imagem de Wikileaks.

 

Pepe Chaves

Editor de UFOVIA

pepechaves@gmail.com

* COM INFORMAÇÕES DE 'THE GUARDIAN' (UK).

 

*  *  *

 

Sensacionalismo às avessas:

'Fantástico' diz que desvendou ‘discos voadores’

Reportagem procurou desmistificar casos clássicos da ufologia brasileira, mas apresentou só um lado da moeda.

 

Colocando os OVNIs em xeque

 

Com o título de “Fantástico desvenda supostas aparições de discos voadores”, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibido no domingo, 15/08, procurou desmistificar alguns casos clássicos da ufologia brasileira.

 

O gancho para a reportagem, foi a publicação da Portaria 551/GC3, pelo Comando da Aeronáutica no Diário Oficial da União nº 152, de 10 de agosto, que estabelece o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileira (COMDABRA), sediado em Brasília, como o órgão responsável pelo recebimento e catalogação dos documentos referentes a fenômenos aéreos não identificados ocorridos no espaço aéreo brasileiro.

 

A reportagem anunciou a publicação da Portaria e em seguida colocou em xeque a existência dos OVNIs, indagando se eles existiriam de fato e apontado o que seriam fraudes em casos clássicos da ufologia brasileira, alguns, registrados faz várias décadas.

 

Os casos apresentados foram: o da Barra da Tijuca (Rio), quando o fotógrafo da extinta revista ‘O Cruzeiro’, Ed Kéffel alega ter flagrado em fotografia o voo rasante de um disco voador (1952); a Operação Prato, alegada pesquisa militar de OVNIs realizada no interior do Pará (1977); O Caso Varginha, envolvendo suposto aparecimento, apreensão de ET no Sul de Minas, com direito a autópsia do mesmo na UNICAMP (1994) e o caso da Ilha da Trindade, quando o fotógrafo Almiro Baraúna alega ter tomado fotos de um OVNI que sobrevoara o navio militar em que ele e outras pessoas se encontravam (1958).

 

Exagero versus exagero

 

Ainda que tenha buscado combater o sensacionalismo e o exagero (naturalmente presentes nos campos da ufologia) o Fantástico não deixou de ser sensacionalista, ao tentar desmistificar casos que, em verdade, são muito mais complexos do que foram apresentados ali, resumidos em poucos minutos de uma curta reportagem.

 

Fraudes ou não, todos estes casos apresentados envolvem diversos detalhes, entre testemunhas, anotações, gravações, imagens etc. No entanto, o programa alega fraudes de maneira unilateral, apresentando somente relatos ou alegações (sem prova documental) dos respectivos céticos que depõem contra estes casos. Afirmar que o Fantástico “desvendou o mistério dos discos voadores” numa curta reportagem, feita de maneira polarizada como foi essa, é menosprezar o intelecto, não dos simpatizantes da ufologia, mas de qualquer telespectador brasileiro que tenha mais de um neurônio.

 

De fato, por repetidas oportunidades já publicamos aqui no portal UFOVIA diversas denúncias ou procedimentos exagerados que geralmente ocorrem dentro da comunidade ufológica brasileira, seja por ignorância, seja por esperteza. Mas, daí, a produzir uma reportagem afirmando que desvendou o mistério dos discos voadores, acusando fotógrafos falecidos de fraudadores e não concedendo aos seus representantes legais o mesmo direito concedido aos acusadores, não é somente um ato de extrema falta de ética jornalística, mas um ataque à honra dos falecidos. Além disso, não são fotógrafos e muito menos fotografias da Operação Prato (estas, praticamente sem valor ufológico, pois mostram somente luzes com fundo preto, sem nenhuma referência – por isso mesmo, fáceis de fraudar) que vão validar ou não a existências dos OVNIs. E, no mais, a Operação Prato não consiste somente em tais fotografias, de fato duvidosas, mas numa série de eventos e ocorrências. Sugerir que OVNIs existam ou não por causa de menos de meia dúzia de casos ocorridos no Brasil é, no mínimo, um ato de extrema infantilidade jornalística.

 

Generalizando o ‘segredo’

 

Outro grande equívoco dessa reportagem do Fantástico foi considerar que OVNIs se tratem exclusivamente de objetos voadores de natureza extraterrestre, mostrando total ignorância e a dimensão de suas omissões ao abordar o assunto. A reportagem generalizou, quando deveria informar ao público que existem OVNIs, de natureza diversa e que quase a totalidade registrada não é de origem extraterrestre - inclusive, acreditamos, estes, são os que mais interessam à FAB.

 

Ainda que os casos acerca das fotos de Baraúna e Kéffel sejam, de fato, objetos verdadeiros e não montagem (como alega a reportagem), quem poderia assegurar que os mesmos sejam de origem extraterrestre? O simples fato de que “não conhecemos nada igual”? Da mesma forma, um selvagem isolado do nosso mundo também não conhece nada igual a um isqueiro ou a um celular e para ele, com toda certeza, tais objetos "não identificados" seriam “de outro mundo”. Vã ignorância do desconhecimento.

 

Se quisesse mesmo “desvendar o segredo dos discos voadores” (e duvidamos que conseguiria...), o programa Fantástico, da Rede Globo, teria que demandar muito mais tempo e deveria ouvir também a outra parte, para contrabalancear as acusações oferecidas pela reportagem, diga-se, de maneira verbal e não documental. Além disso, teria que abrir leques para os milhares de casos ocorridos no Brasil e aos milhões ocorridos por todo o mundo, pelo menos, para a ínfima parte (centenas de milhares) que foi registrada ao longo dos últimos séculos. Ao contrário do que sugere a reportagem, a ufologia não se compõe de uma meia dúzia de casos, muito menos casos ocorridos no Brasil e baseados em fotos, como sugere ao telespectador o programa Fantástico. Os meandros desses assuntos percorrem um intricado de ocorrências bastante complexo, impossíveis de se dar um veredicto, como foi feito "fantasticamente" em poucos minutos na tevê.

 

Sem direito de respostas

 

O que foi feito pela reportagem foram acusações sorrateiras, sem oferecer o respectivo direito de resposta; sem buscar ouvir a outra parte - ainda que todas as acusações de fraude realmente procedam do ponto de vista técnico. Também não descartamos tais possibilidades para alguns dos casos apresentados, é verdade, muita coisa foi imposta por ufologistas de maneira a se tornar crível diante aos olhos populares. No entanto, as declarações daqueles que negam estes casos, apresentadas pelo programa, não passam de meras declarações de fé, tal como aquele que alega ter visto um disco voador sem apresentar as devidas comprovações. Foram apresentados pela reportagem somente pareceres e contradições, bastante superficiais, negando a veracidade dos casos apresentados.

 

Ficou no ar o intuito da reportagem: se desmerecer a publicação da Portaria do Comando da Aeronáutica; fazer um ataque aos exageros de ufólogos e ufólatras que pululam no Brasil ou simplesmente arrebatar ibope, abordando – mais uma vez –  de maneira sensacionalista e exagerada (agora pelo lado avesso) o tema “ufologia”.

 

O Fantástico, mais uma vez, demonstrou o despreparo da mídia brasileira para abordar ufologia. Sempre ciente que o assunto pode alterar o ibope, é verdade, mas sempre agindo de maneira omissa – seja em prol ou contra os ETs. Esta é uma tendência nacional, de se tratar a ufologia em torno de um véu de “mistérios”, “fraudes” e jamais de uma maneira puramente informativa ou didática.

 

Infelizmente, este programa dominical não é exceção e a ufologia segue sendo mostrada pela maioria das emissoras brasileiras de maneira irresponsável, quando não cômica e absolutamente superficial. A maioria das produções, consiste em pegar eteístas (fanáticos ou alucinados em ETs) para dissertar sobre improváveis teorias envolvendo discos voadores e ETs; ou faz o contrário: convoca céticos radicais para negá-los ao peso de suas imposições pseudo-científicas. Não passa disso. Enquanto o cerne da questão continua inerte.

 

A confusão dos OVNIs

 

Se as autoridades da Aeronáutica baixam uma Portaria instruindo procedimentos acerca dos OVNIs, decerto, estes devem existir de alguma maneira. Mas, porque os OVNIs existem, não quer dizer que se tratem necessariamente de “objetos voadores extraterrestres”.

 

Diversos outros objetos podem ser avistados e registrados como OVNIs, desde lixo espacial, passando por precipitações de rochas siderais (meteoritos), além de astros celestes, aviões clandestinos (como ocorreu na China, recentemente), aeromodelos e diversos experimentos – sobretudo, teleguiados, como drones - de origens desconhecidas às populações. Afora os ETs, tudo isso, que vem do céu é de alto interesse de nossas autoridades, sobretudo, se navegam em espaço aéreo nacional.

 

Dizer que algo avistado no céu, por mais incrível que se apresente, seja um veículo de uma criatura extraterrestre, é agir como os antigos selvagens das diferentes plagas terrestres, que entendiam a Lua, o Sol e outros astros como sendo os seus deuses. É buscar recursos na crença e não naquilo que pode se configurar, de fato, como realidade.

 

Do ponto de vista científico, até que se prove o contrário, a vida extraterreste, se existe, não deu as caras por aqui. No entanto, o fato de a ciência ainda não ter comprovado tais alegações, também não invalida que diversas ocorrências vividas por milhões de pessoas espalhadas pelo mundo ao longo dos tempos, envolvendo fenômenos dessa natureza, sejam autênticas. Não devemos esquecer que o limiar de nossa ciência, noutras épocas, já fez muitos homens de bem morrerem queimados, sob a afirmação então "criminosa" de que a Terra era redonda ou que ela girava em torno do Sol.

 

Como dizia o Barão de Itararé

 

Acreditamos que muito do incompreensível que envolve a verdadeira ufologia ainda aguarda por tempos futuros, quando tais segredos deverão ser devidamente esclarecidos, sem nenhuma imposição ou exploração da fé alheia, como é feito na atualidade pela maioria dos difusores do tema. Certamente, até lá, nossas ciências acadêmicas deverão se encontrar devidamente dotadas de aparatos que possam discernir à realidade - por mais surrealista que esta possa se apresentar -, de um ato de mentira, de má-fé, de patologia ou da busca por ibope fácil.

 

Cabe lembrar que ainda em meados do século 20, o espirituoso humorista e jornalista gaúcho Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé (1895-1971), já reparara que, “há algo no céu, além dos aviões de carreira”. E quase um século depois, a FAB, oficialmente, se atentou a isso.

 

Yo no creo en los ETs; pero que los hay, los hay.

 

Pepe Chaves

Editor de UFOVIA

pepechaves@gmail.com

 

- Leia também:

  Yes, nós temos drones - Por Fábio Bettinassi

  FAB regulamenta notificações de OVNIs e fala com VF

  Veículos aéreos secretos e projetos negros - Por Pepe Chaves

 

 

 *   *   *

 

 

O ceticismo e a realidade:

A fé cega e o ceticismo exagerado

são águas da mesma vertente

 

Ultimamente temos visto uma grande manifestação do pensamento cético nos meios de difusão da ufologia. O ceticismo, assim como a crença, são comportamentos que devem ser usados com parcimônia, para que não se envenene a alma e a mente, pois a diferença entre o remédio e o veneno está no tamanho da dosagem.

 

É sadio tanto ao pesquisador quanto para o leitor que toda a informação seja ponderada considerando ambas as vertentes com equilíbrio, pois assim, prevalece o bom senso e a crença raciocinada, fatores fundamentais para a formação do homem moderno, isentos de apegos, fanatismos e concepções pré-estabelecidas.

 

Vivemos uma liberdade de pensamentos que deve ser respeitada, caso contrário estaremos envergando a túnica dos ditadores que não só censuram como se esforçam para que determinadas linhas de raciocínio sejam eliminadas, como se fossem heresias terríveis dos tempos da inquisição.

 

Defender unicamente o pensamento cético nada tem a ver com a busca da verdade, porque a verdade absoluta, em primeiro lugar, não nos pertence, haja vista o nível evolutivo das pessoas que vivem neste planeta. O que hoje pode ser uma verdade absoluta, amanhã pode não ser e isso estamos vendo acontecer no decorrer dos séculos. Há poucas décadas a própria ciência achava que o Universo era limitado ao tamanho de nossa Via-Láctea e muitos cientistas da antiguidade consideravam a Terra como o centro de nosso sistema solar, além da crença na Terra achatada. Diversos pensadores valorosos e de maior acuidade mental morreram ou foram perseguidos tentando provar o contrário, tudo isso por causa dos céticos de plantão, que consideravam seus pontos de vistas como únicos e infalíveis. E eles estão por espalhados por todas as épocas, prontos para usarem os instrumentos científicos disponíveis, para afirmarem sua descrença.

 

Assim como o fanático, o cético é também um sofredor, pois só acredita no que é material e palpável. Até mesmo a ciência já provou que a maior parte do Universo é formada por energia invisível e dentro deste complexo e misterioso mundo intangível existem infinitos segredos, que levarão milhões de anos para que as ciências dessa humanidade venham desvelá-los em totalidade ou talvez, nunca os desvendem.

 

O próprio Jesus Cristo teria dito, “bem aventurado é aquele que acredita sem ver" e creio que se fossemos escutar os céticos em tudo o que eles dizem, os seres humanos ainda estariam na era das cavernas, porque a maioria dos feitos que fizeram a cultura humana progredir, foram considerados impossíveis, até o momento de suas realizações.

 

O cético radical, aos olhos despreparados da grande massa, leva vantagem, porque, normalmente, está revestido de termos bem elaborados e de teorias “fundadas”, porém, que mais confundem do que explicam. No entanto, em essência, o cético mais espalha discórdia do que sabedoria e por isso, um dia terá que arcar com as consequências, pois a vida se faz de ação e reação, conforme dita a física newtoniana.

 

Como eu disse uma vez, a crença em seres ETs, para muitas pessoas, é a única coisa capaz de dar incentivo para continuarem vivendo, pois tanto a ciência como a religião nada têm oferecido de esclarecedor à tais questões existencialistas da comunidade humana. Por mais que a ciência observe os confins do Universo observável, ela nada mais que vê do que vazio. São anos-luz de caos, desolação, mas, ao que parece, com todas as suas falhas, a crença em seres ETs tem feito muito mais do que mostrar isso.  Em termos de conforto espiritual e esperança no futuro, não cabe a nós tirarmos a fé das pessoas, porque cada um trilha o caminho que melhor lhe convém, já que deverá despertar na hora correta, sem que precisemos forçar a barra.

 

Diante disso, fica a mensagem para que o isento pesquisador e o bom leitor adotem o caminho do meio, combinando o ceticismo e a crença na dosagem da sua própria consciência.  Assim, surgirão os elementos apropriados existentes em cada um desses distintos lados. Caso contrário, estaremos nos comparando exatamente àquelas pessoas, cujos discursos costumamos combater, pois como disse o Buda “se você afrouxa a corda, ela não toca, se você aperta demais ela arrebenta, somente a corda estando entre ambos os estados é capaz de produzir notas harmoniosas”.

 

Permitir que cada pessoa exercite seu pensamento próprio de maneira isenta, é praticar o verdadeiro amor, concedendo a liberdade com responsabilidade. É como a mãe que oferece o seio para o filho recém-nascido, cabendo a este, sorver ou não o precioso alimento que vai mantê-lo preso à vida.

 

Fábio Bettinassi

Co-editor de UFOVIA

fabio.araxa@uol.com.br

 

 

 

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