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ESTAÇÃO RODOVIÁRIA

 

 

Estradas precárias:

Chuva: moradores rurais pedem socorro

A população rural de São Tomé das Letras reclama do péssimo estado de conservação das estradas durante mais uma temporada de chuvas. Alguns locais se tornaram intransitáveis ou isolados e moradores pedem a atenção das autoridades.

  

Da Redação*

Jornal São Tomé Online

06/01/2023

 

Situação precária das estradas rurais faz com que alguns veículos fiquem pelo caminho.

 

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Estradas precárias e traiçoeiras

 

Numa cidade onde grande parte dos moradores reside nas zonas rurais, as estradas de terra se tornam essenciais para a mobilidade dessa população. Mas isso não é fácil quando ocorrem as temporadas de chuvas em São Tomé das Letras. Nestes períodos, alguns trechos rurais se tornam intransitáveis, fazendo com que muitos dos moradores fiquem impedidos de saírem de suas residências, ainda que haja necessidade maior de sair.

 

Águas escorrem livremente sobre a via causando buracos e atoleiros

 

Em grupos das redes sociais, moradores da zona rural têm feito frequentes queixas sobre o péssimo estado das vias que utilizam, especialmente, durante o período de chuvas. As principais queixas de usuários das estradas rurais do município se referem a problemas em locais onde ocorrem alagamentos e veículos podem agarrar ou deslizar, necessitando do socorro de terceiros. Também as diversas valas e buracos criados pelas águas pluviais estão entre os problemas apontados nas vias rurais, o que vem causando prejuízos financeiros a alguns donos de veículos, inclusive, nos períodos de seca.

 

Alguns locais se tornam intransitáveis ou muito perigosos.

 

Nos últimos anos, alguns poucos melhoramentos foram feitos nas estradas rurais pela atual Administração Municipal, mas não foram suficientes. Além do moderado uso de máquinas para nivelar as estradas ao longo do ano, calçamentos com bloquetes foram colocados pela Prefeitura em alguns pontos íngremes mais críticos de algumas estradas rurais do município. Isso facilitou a vida de muitos transeuntes, sobretudo, de veículos pesados ou coletivos. Porém, antes da temporada das chuvas, nenhum nivelamento ou melhoria substancial foram feitos pelo Poder Público nas estradas. E a chegada da atual estação das águas veio agravar ainda mais o já precário estado das vias rurais do município.

 

Na estrada para Sobradinho, próximo à entrada do Taquaral: poças e muita lama.

 

Há muita dificuldade de trânsito em diversas regiões, principalmente, nos bairros rurais mais habitados como Cantagalo, Sobradinho, Serrinha, Areado, Picada, Caí, Lagoa, entre outros. Além dos moradores da Estrada de Cruzília, na região da cachoeira Véu de Noiva.

 

Muitas valas são formadas por águas que descem de grandes pastagens e plantações que beiram as vias, o que caberia a prefeitura fiscalizar e tomar providências para que haja, tanto uma contenção e curvas de nível dentro das propriedades, quanto ao manejo da água que porventura cruze a estrada.

 

Há muita lama solta em diversos trechos na estrada para Sobradinho.

 

Para uma melhor conservação das vias, o cascalhamento e nivelamento deveriam ser feitos anualmente, antes do período de chuvas. Inclusive, nos pontos críticos não bloquetados que costumeiramente apresentam problemas durante as chuvas.

 

No entanto, o problema não se restringe somente às principais vias rurais. Algumas das estradas vicinais destas vias principais também se encontram em estado precário em todas as localidades rurais. Vale notar que estas estradas rurais secundárias, em sua maioria, não teve o solo compactado por máquinas e com isso, tais locais produzem lama facilmente, facilitando assim, o atolamento de veículos.

 

Sem estradas devidamente preparadas, moradores enfrentam situação caótica com as chuvas da temporada.

 

Estrada da Picada pede atenção

 

Uma das estradas vicinais, onde os moradores da região pedem atenção fica no bairro rural da Picada. Ali, onde a estrada principal do bairro já se encontrava em estado precário, o problema foi agravado, após um morador local utilizar um trator fazer uma aragem irregular de terra ao lado da estrada principal. Com a chegada das chuvas, a terra arada deslizou sobre a estrada, causando atolamentos de veículos no local e isolando assim, parte da população moradora.

 

 

Picada : terreno foi arado na margem da estrada, a terra escorreu e criou um grande atoleiro para os transeuntes.

 

 

Um morador da região que utiliza a estrada, o construtor Ademir Pezeta, se diz bastante preocupado com a situação. Ele falou conosco sobre o problema daquela estrada e o agravamento do seu estado, após a aragem que produziu lama na estrada.

 

Terra escorrida da aragem irregular assoreou a estrada da Picada.

 

“Em dias de chuvas e mesmo depois que param ficamos impossibilitados de sair de casa. Em diversos pontos há poças d’água e muitos buracos, chegando até a abrir valas intransponíveis”, afirmou Pezeta.

 

“Já formalizei diversas reclamações à Prefeitura de São Tomé das Letras e até o momento nada foi feito. Necessitamos urgente de manutenção da forma adequada, com cascalho e escoamento de águas”, disse o morador.

 

Ainda de acordo com Pezeta, “O problema foi agravado depois de o Sr. Botina [morador local] fazer aragem em suas terras de maneira toda irregular, assoreando o nosso caminho”. A convite de Pezeta, nossa reportagem esteve no local e constatou que procede a denúncia: a Estrada da Picada foi assoreada após aragem irregular de terras na propriedade do Sr. Botina localizada nas margens da estrada da Picada.

 

Carro de turista derrapou e se chocou com o barranco: para-choque e farol quebrados e um prejuízo de quase R$2 mil.

 

Turista passa aperto e acaba socorrido

 

O turista Claudinei Oliveira é marceneiro e chegou para visitar a cidade pela primeira vez com a família no início da semana passada. Ele estava com sua família quando sofreu um acidente numa estrada rural na região da Lagoa e precisou receber socorro.

 

Oliveira contou que se hospedou com sua família em uma pousada próxima a Sobradinho, pretendendo conhecer as cachoeiras e a Ladeira do Amendoim. Porém, devido à péssima condição das estradas no período de chuvas, eles ficaram ilhados na pousada por dois dias e não conseguiram ir a outro lugar, além da Gruta de Sobradinho, que ficava próxima e o acesso era melhor.

 

Ele falou conosco e narrou sua “aventura rural” vivida aqui no município. “É um lugar maravilhoso de se conhecer, mas as estradas acabaram com a experiência da gente. Sofremos um acidente, minha esposa bateu a cabeça no vidro. Foi uma experiência bem ruim”, contou Oliveira.

 

Ressaltou alguns problemas enfrentados nas vias rurais, como a falta de canalização das águas pluviais e subidas sem aderência. Durante os dois dias que passaram em Sobradinho tentaram sair com o carro para outros lugares, inclusive, para São Tomé, mas atolaram e desistiram.

 

Além da má condição das estradas, o turista teve grande dificuldades para encontrar o caminho correto. Ele observou que, não só a sinalização é praticamente inexistente, mas quando existe é precária e de difícil visibilidade. Além disso, o celular fica sem sinal para GPS em muitas áreas rurais.

 

Dentre as peças danificadas, o turista perdeu um farol de milha.

 

Socorridos pela Defesa Civil

 

Esperaram até diminuir a chuva e no quarto dia de estadia (quarta-feira, dia 28/12) tentaram sair da pousada. Contou que o seu carro deslizou e foi em direção a um barranco, aonde ficou atolado, na região da Lagoa. Disse que teve prejuízos com o para-choque quebrado, o vidro dianteiro trincado e ainda danificou o câmbio e furou um pneu.

 

Disse ter gasto quase R$ 2 mil para consertar o veículo, sem ter concluído ainda todas as manutenções necessárias, após a dita aventura na estrada escorregadia. Após estarem atolados, Claudinei, esposa e três crianças tiveram que caminhar pela estrada sem nenhum sinal de celular. Enfrentaram também a dificuldade de percorrer a pé pela estrada bastante escorregadia. Até que chegaram à casa de um casal de munícipes que os ajudaram, acionando a Defesa Civil que os resgataram e levando-os até o centro de São Tomé das Letras.

 

Durante o percurso até a cidade, ele conta que encontraram outros três veículos atolados ou com pneus furados pelos buracos. Pararam para desatolarem um carro e o servidor municipal teve que remover uma árvore da estrada usando um machado. Segundo Oliveira, o rádio do veículo da Defesa Civil não parava de tocar. Eram pedidos de ajuda e logo após deixar sua família na cidade, o veículo da Defesa Civil foi socorrer outra família com idosos a bordo de um carro.

 

Por falta de manutenção nas estradas, enquanto durarem as chuvas moradores poderão ter trabalho e prejuízos.

 

Após ser deixado na cidade, ele agradeceu a dedicação do servidor municipal e a ajuda dos munícipes à sua família. Ele ressaltou que não havia equipamento adequado ao socorrista: não tinha corda, nem uma ferramenta mais apropriada para lidar com as árvores caídas no caminho. Além disso, o veículo de resgate não possuía amarras para reboque, sendo assim, o funcionário precisava se deitar na lama para amarrar embaixo do carro.

 

Sem estrutura, disse que só volta no calor

 

Apesar do acidente sofrido e das decepções vividas nas vias rurais, Oliveira diz que gostou do povo do lugar e pretende voltar à cidade, porém, somente em tempo seco.

 

“Então, o lugar é lindo de passagem e tem várias atrações, mas a infraestrutura é bem precária, e a sinalização é praticamente inexistente. Por que não fizeram uma solução para a estrada, pelo menos, nas subidas? Tudo é bem caro para o turista. Será que a Prefeitura não consegue fazer nada por estas vias?”, indagou o turista.

 

Pela experiência vivida, concluiu Claudinei Oliveira que, “Só quero voltar [à cidade] quando tiver muito calor. Se tiver chance de garoa, prefiro ir para outro destino”. Disse também que, apesar da estrutura precária nas estradas rurais, “as pessoas são muito acolhedoras”.

 

Depois de chegarem à cidade, tiveram que esperar até o outro dia para buscar o carro avariado e poderem seguir viagem. Por conta desse atraso, afirmou que perderam uma viagem programada para Monte Verde.

 

O ocorrido com Claudinei Oliveira felizmente acabou bem, mas situações semelhantes e ainda mais graves podem ocorrer também a qualquer outro turista desavisado. Embora o mesmo também possa ocorrer aos moradores já acostumados com as escorregadias e perigosas estradas rurais que, como vimos, andam tão esquecidas pelos nossos gestores municipais.

 

* Reportagem de Pepe Chaves e Rafael Vidal.

 

- Fotos: Rafael Vidal / Claudinei Oliveira / Ademir Pezeta / Jornal São Tomé Online.

   

- Produção: Pepe chaves.
© Copyright 2004-2023, Pepe Arte Viva Ltda.

  

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