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CULTURA

 

  

Especial - Cultura local:

Os 30 anos de ‘Filhos do Sol’

Umas das minisséries mais marcantes da tevê brasileira e embrião para outras do gênero "místico" completa 30 anos em 2020. Filhos do Sol, filmada em São Tomé das Letras e em cidades do Peru mistura arqueologia com ufologia, criando uma intrincada trama de mistérios e revelações entre pessoas desses dois países.

  

Por Pepe Chaves*

De São Tomé das Letras

Para Via Fanzine

21/10/2020

17h40

 

 

Equipe de gravação da TV Manchete e os atores Luiz Armando Queiroz, Leonardo Bricio e Raul Gazolla em filmagem de Filhos do Sol em São Tomé das Letras.

Clique aqui para acessar todos os capítulos de Filhos do Sol.

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Brasil: década de 1990

 

A década de 1990 teve início cerca de cinco anos depois da volta da democracia ao Brasil. Era uma época em que o país buscava respirar novos ares, sob vários aspectos.

 

Tempos de anistia, novas ideias e fortalecimento democrático. Aos poucos, diversas figuras nacionais, banidas pelo regime militar retornavam ao país, após anos de exílio no exterior. A censura, no mais amplo sentido utilizado durante a ditadura militarista, caia por terra. A sociedade civil estava de volta ao poder e com ela, a liberdade artística e as manifestações populares.

 

E foi ainda neste clima de renovação de toda uma nação que a Rede Manchete de Televisão ousou e produziu Filhos do Sol, esta marcante minissérie escrita por Walcyr Carrasco e Eloy Santos que abriu novas janelas à teledramaturgia brasileira.

 

No elenco havia destacados atores que já eram nomes de sucesso na tevê brasileira ou estariam iniciando ali a sua revelação; entre eles, Raul Gazolla, Othon Bastos, Luiz Armando Queiroz, Cristina Mullins, Cassiano Ricardo, Leonardo Bricio, Roberto Frota, Zilda Mayo, Cláudia Magno (falecida), Maria Isabel de Lizandra (falecida) e Louise Wischemann (conhecida como Pituxa, do “Xou da Xuxa”).

 

Equipe da TV Manchete realiza filmagem numa esquina da cidade.

 

Misticismo e magia lá e cá

 

Filhos do Sol, trouxe à tona a temática mística e ufológica, num enredo que se passa simultaneamente nas cidades de São Tomé das Letras (Brasil), Cuzco e Machu Pichu (Peru), servindo de modelo para outras produções similares sob vários aspectos.

 

Com trilha sonora assinada pelo músico belo-horizontino Marcus Viana e Sagrado Coração da Terra, vale observar que essa produção foi um embrião para que mais tarde a TV Manchete obtivesse sucesso com grandes produções em temáticas nos mesmos moldes, como “Pantanal”, “A História de Ana Raio e Zé Trovão”, “Amazônia”, “O Canto das Sereias” e “Brida”. Todas estas assinadas pelo diretor Jayme Monjardim e também com trilhas sonoras de Marcus Viana e Sagrado Coração da Terra, o que dava uma roupagem bastante original às produções da TV Manchete.

 

 

A Igreja de Pedra, na Praça do Rosário, durante as filmagens da minissérie há 30 anos em São Tomé das Letras.

 

Todas foram produções de grande sucesso na teledramaturgia nacional, tanto que diversos atores, diretores e técnicos da TV Manchete à época rapidamente migraram para a Rede Globo, que também investiu forte em produções sob os mesmos moldes temáticos, voltadas ao “encantamento” à ficção científica ou ao folclore de determinadas localidades brasileiras.

 

E para criar tais climas esotéricos, ou se preferir, “místicos”, a música de Marcos Viana e Sagrado Coração da Terra sempre foi perfeita – o que foi comprovado mais tarde em outras produções de teledramaturgia da TV Manchete e também da Rede Globo.

 

Filmagem na casa da Doutora Lívia (Ana Rosa).

 

E sob esta magia musical transcendental, primeiramente, a equipe de produção da Manchete seguiu para o Peru, se baseando em Cuzco para ter acesso à cidade inca de Machu Pichu, onde foram gravadas diversas cenas que compõem a trama. No Peru, também realizaram gravações em Cuzco mostrando a viagem turística de um grupo de brasileiros àquela região - o que também viria a se fundir com a trama. Terminadas as gravações do Peru, no final de 1990, essa equipe de tevê seguiu para São Tomé das Letras, no Sul de Minas e durante trinta dias foram realizadas gravações em diversos locais do município.

 

Local de filmagem de cena no Parque Municipal Antônio Rosa.

 

Vale lembrar que, numa época em que não havia ainda efeitos de computação gráfica, tudo dependia mais da criatividade dos diretores e da desenvoltura dos atores. E para isso, as grutas, ruas de pedras e o casario rústico de São Tomé das Letras se tornaram um cenário perfeito para as gravações.

 

Foram filmadas diversas cenas em locais distintos da cidade, destacando sua parte urbana, mostrando a arquitetura, igreja matriz, gruta da praça, o casario e as ruas de pedras da cidade, bem como a exuberante natureza local. Assim, diversas cenas foram tomadas em lugares como a Gruta da Bruxa, Parque Municipal Antônio Rosa, Pirâmide, Pedra da Bruxa, Praça da Matriz, ruas da cidade, cachoeiras, outras grutas e partes da zona rural. Também foram gravadas algumas cenas na enfermaria do PSF da Praça.

 

Na ocasião, a Pizzaria Ser Criativo foi alugada à produção da TV Manchete, onde foram feitas várias filmagens, pois na trama, o local era a casa de um dos personagens (Vadico). Diversos atores e toda a equipe técnica se hospedaram na cidade durante 30 dias, onde permaneceram gravando e convivendo com a comunidade local.

 

Gravação de cena no alto da Pedra da Bruxa, ao fundo se vê o Mirante.

 

Uma trama de mistérios e revelações

 

A trama de Walcyr Carrasco e Eloy Santos tem por base dois pedestais: a arqueologia e a ufologia. Tudo se passa em torno da descoberta arqueológica de um arqueólogo (Hiram) no Peru e das descobertas da emissão de um estranho sinal por um ufólogo (Airton) em São Tomé das Letras, que depois seguiu para o Peru, na busca de desvendar a origem de tal mistério.

 

Em São Tomé das Letras, Airton descobre que extraterrestres enviavam sinais a partir de Macchu Picchu, os quais foram captados por uma estação científica na cidade. Os sinais chegavam facilmente à cidade mineira porque (segundo uma antiga lenda) um túnel ligaria a gruta de Carimbado, em São Tomé das Letras, a uma gruta de Machu Pichu, no Peru.

 

Equipe e equipamentos de filmagem no centro da cidade.

 

Assim, o ufólogo segue para o Peru se encontrando com o arqueólogo Hiram em Cuzco, logo após este ter descoberto uma estranha pedra “capaz de matar quem se aproximasse dela”. A pedra trazida à Terra por extraterrestres em um passado distante precisa retornar à sua origem e para isso, diversos esforços se desencadeiam.

 

Em contrapartida, havia a ganância de um contrabandista de peças arqueológicas brasileiro (Neves) que fazia turismo com sua esposa (Isabel Cristina) junto a um grupo de brasileiros no Peru. Ao saber da pedra, ele joga pesado para conquistar a relíquia, que se encontrava em uma caverna, vigiada sob segurança, em Machu Pichu.

 

No Peru, tudo isso se mistura aos mistérios e à magia de uma feiticeira inca (Pacha Lully), serviçal de uma exótica extraterrestre encarnada na forma de mulher (Inti) que para conseguir seus intentos se aproxima do ufólogo Airton e do arqueólogo Hiram. Ainda naquele país, há um índio peruano trapaceiro (Severiano), pronto a enganar, extorquir e seduzir as turistas, dizendo ter poderes de um deus inca, o qual foi contratado por Hiram, que acaba sendo roubado por ele.

 

Um integrante da equipe técnica da TV Manchete dentro da Gruta da Bruxa, onde foram gravadas várias cenas.

 

Em São Tomé das Letras, chegaram dois jornalistas (Júlio Camargo e Maria Ximena) da revista UFOWAY que também se envolveram com a busca por informações sobre o misterioso sinal captado na cidade. Enquanto isso, o morador Vadico estava atrás de um certo mapa, que na verdade não era um mapa geográfico, mas das coordenadas de um de um precioso sinal para comunicação extraterrestre.

 

Quando era jovem, Vadico participou de uma expedição de alemães na gruta do Carimbado no final da década de 1940, quando estes estrangeiros descobriram um sinal que partia de Machu Pichu e chegava até São Tomé das Letras. Esta expedição alemã que investigava as vibrações das rochas de quartzito do lugar, deixou dentro da gruta de Carimbado um precioso caderno com diversas anotações sobre uma descoberta associada à pedra “mágica” que fora encontrava por Hiram no Peru. Assim, Vadico se tornou um obstinado em encontrar o mapa e o caderno, usando para isso, de golpes baixos e desonestidade. E em torno da busca por tais objetos, diversas situações são desencadeadas.

 

Atores, técnicos e diretores reunidos para gravação na Pedra da Bruxa.

 

Dentro deste enredo, os chamados “filhos do sol” seriam então, os humanos terrestres que descendiam diretamente do cruzamento dos “deuses” espaciais com as mulheres da Terra, guardando em seu sangue o DNA destes antigos e evoluídos povos vindos do espaço que, dentre eles, estava o arqueólogo Hiram.

 

Diversas cenas foram gravadas também em Cuzco, no Peru, mostrando até mesmo uma certa similaridade arquitetônica com São Tomé das Letras, seja pela forma rústica do casario ou das ruas calçadas com pedras.

 

Segundo os autores, a inspiração para a trama nasceu do famoso questionamento, “Eram os deuses astronautas?”, da obra de Erich von Däniken. Levantando-se assim, a possibilidade de haver uma civilização antiga de extraterrestres que visitaram a Terra num passado distante, cujos machos (deuses) fizeram amor com as atuais mulheres terrestres, gerando assim, uma raça mista, entre terrestres e espaciais – como já descrito por outras culturas.

 

A atual Pizzaria Ser Criativo era a casa do personagem Vadico.

 

Costumes da época e exibição na cidade

 

É bom destacar que esta produção dramatúrgica de 30 anos atrás apresenta algumas cenas que hoje soariam “politicamente incorretas”, como o constante uso do tabaco por alguns personagens, e algumas cenas isoladas de agressões explícitas à mulher, o que era comum às produções televisivas da época.

 

A minissérie Filhos do Sol foi exibida pela Rede Manchete entre 16 de janeiro e 9 de fevereiro de 1991. Naquela época a cidade de São Tomé das Letras não contava com antena transmissora para captar sinais de tevê em UHF, o mais usual à época, e que permitiria acompanhar a novela pela TV Manchete.

 

Mas os moradores de São Tomé das Letras não ficaram sem assistir aos Filhos do Sol, soubemos que posteriormente ao lançamento televisivo, um telão foi montado na Praça do Rosário, onde a população se reunia para assistir diariamente à minissérie exibida publicamente.

 

Membros da equipe técnica realizam filmagem no interior de uma residência.

 

Cabe também destacar – e reconhecer -, que a minissérie Filhos do Sol muito colaborou para uma divulgação positiva dessa cidade sul-mineira. A partir de sua produção, diversas matérias em tevê, jornais e revistas passaram a enfocar e  divulgar a pequena cidade do Sul de Minas, revelando seus encantos, mistérios, misticismo e estilo próprio.

 

Isso chamou à atenção, somando como um forte e natural marketing, tanto no meio místico, quanto no meio turístico, encantando assim milhares de pessoas no país e pelo mundo afora, que viriam depois a visitar ou residir em São Tomé das Letras, se inteirando ainda mais de sua cultura, história e identidade.

 

 

Ficha técnica – Filhos do Sol

 

Autores: Walcyr Carrasco e Eloy Santos

Direção: Álvaro Fugulin e Henrique Martins

Produção e exibição: TV Manchete

Locações: São Tomé das Letras (Brasil), Cuzco e Machu Pichu (Peru).

 

Elenco:

 

Raul Gazolla – Aírton

Cristina Mullins – Inti

Othon Bastos – Neves (Heitor Neves)

Luiz Armando Queiroz – Humberto

Cassiano Ricardo – Hiram

Cláudia Magno – Ludmila

Ana Rosa – Drª Lívia

Letícia Vota – Violeta

Ângela Corrêa – Cláudia

Zilda Mayo – Isabel Cristina

Miwa Yanagizawa – María Ximena Matsumoto

Roberto Frota – Vadico

Maria Isabel de Lizandra – Dona Jacinta

Leonardo Bricio – Júlio Camargo de Andrade

Daniel Hertz – Carlos

Louise Wischemann – Lúcia

Guilherme Martins – dono do antiquário

Lourdes De Moraes – Eliane (agente turismo)

Aurora Colina – Pacha Lully (Maria de La Paz)

Lucho Ramirez – Severiano

Elza Kwitti – Eugênia

 

*  Pepe Chaves é jornalista e editor do diário digital Jornal São Tomé Online e da Rede de Portais ZINESFERA.

 

- Imagens: Divulgação.

 

- Agradecimento: Esta matéria contou com a colaboração de Informática São Thomé das Letras na sua composição.

 

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