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 Crônicas de São Tomé

    

Coronavírus:

São Tomé: a transformação

Poucos saem às ruas, vão aos mercados e farmácias. Se cumprimentam de longe, como se um quisesse evitar ao outro. Medo, paranoia, desconfiança, máscaras! É implicitamente proibido tossir em público.

 

Por Pepe Chaves*

Para Jornal São Tomé Online

25/03/2020

 

A Pirâmide está desolada, só há o barulho de vento e pássaros no parque. Poucos saem às ruas, somente para ir aos mercados e farmácias.

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A rua principal já não está mais com aquele cheiro de comida. A praça está deserta, não há bancas montadas, nem comércio ambulante, os hippies não estão expondo nem mangueando. Os gnomos, duendes, bruxas e fadas estão trancados em suas lojas. O vento sopra o cruzeiro e a fachada da igreja matriz. A imagem do sábio santo permanece calada e ainda segura um livro fechado, sob o velado silêncio de uma praça pública.

 

A pirâmide está desolada, só há o barulho de vento e pássaros no parque. O Tatu já não circula por ali. Poucos saem às ruas, somente para ir aos mercados e farmácias. Se cumprimentam de longe, como se um quisesse evitar ao outro. Medo, paranoia, desconfiança, máscaras! É implicitamente proibido tossir em público.

 

No Mirante vazio, não há uma alma viva para mirar. O pôr do sol e os horizontes distantes, agora, não têm mais olhos humanos para observá-los. Tudo se resume a um cenário frio e desolado, ainda que o sol queime forte por ali.

 

Acabou-se a música ao vivo nos bares da cidade. O rock, o reggae, o som dos violões, o cheiro de incenso e fumaça ficaram no ar do passado. E o calor e a magia de toda uma cultura do lugar, se recolheu. Tudo isso contrasta com o grande volume de pessoas de todas as tribos bem a pouco circulando por vários pontos da cidade em feriados e finais de semana. Mas agora, as pousadas e campings estão fechados, os restaurantes, quitutes, quitandas, e tudo que antes era belo e atrativo, então perdeu o charme.

 

O distanciamento pessoal foi imposto e todo o comércio básico que permaneceu funcionando, impôs – por justas razões de segurança – um certo distanciamento físico de seus clientes ao atendê-los. Números, dados, informações e estatísticas sobre o violento vírus correm o mundo e nos chegam a todos os instantes por vários meios.

 

Informes públicos da Prefeitura de São Tomé constantemente são publicados na rede social. Diversas pessoas opinam. A cidade está sitiada. Muitos não têm como comprar alimentos, pois dependem do interrompido "magueio" diário pra comer. Contas são atrasadas, dispensas esvaziadas, e os preços de tudo ainda sobem. Da noite para o dia nasce um batalhão de desempregados. E dizem que vai piorar. Surge a ajuda voluntária. Através da internet muitos se interagem, se organizam e lutam com altruísmo em prol daqueles que mais necessitam. Surgem gestos desprendidos; outros, nem tanto.

 

Pessoas se assustam com o posicionamento irresponsável do presidente da República diante às prevenções ao novo coronavírus. O prefeito contraria o presidente. Entra noite e sai dia, a tensão continua. Até quando este panorama será suportado? Até quando as pessoas poderão ajudar umas às outras, até que venham a ter que ajudar somente a si mesmas? Até quando haverá abastecimento, compaixão, ação mútua? Até quando ainda haverá amor entre as pessoas? O futuro é imprevisto. Todos estão inseguros e abalados e já deixaram de ser os mesmos, para nunca mais voltar a ser...

 

Presos na cidade e limitados em suas casas, todos esperam por dias melhores e mais felizes, com beijos, abraços e apertos de mão. Como sempre foi.

 

* Pepe Chaves é jornalista e editor dos portais Via Fanzine, Jornal São Tomé Online e da Rede ZINESFERA.

 

- Foto: Pepe Chaves/Arquivo Jornal São Tomé Online.

 

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