Brasil Antigo

 

Simbologia Desconhecida

Na ‘Arte’ Rupestre do Brasil – Parte VII

Nos sentimos fortemente obrigados a incluir nesta série de estudos alguns outros símbolos de caráter desconhecido e comentar alguns aspectos desta sua vasta incidência e representatividade no cenário antigo da arqueologia brasileira.

 

Por J. A. FONSECA*

De Itaúna/MG

Janeiro-2021

jafonseca1@hotmail.com

 

A Esfinge Guardiã da gruta de Posseidon – Montalvânia - MG. 

A simbologia abstrata de muitas figuras que se acham gravadas nas rochas milenares do Brasil é absurdamente relevante, considerando-se a sua quantidade expressiva e a conotação dada pelos seus autores a esta abstração incomum. Se quisermos olhar para todas estas coisas que estamos apresentando nesta série de artigos com menosprezo ou um sorriso intelectual de incredulidade, duvidando do potencial desses homens primitivos que as produziram, iremos apenas continuar protelando a sua possibilidade de entendimento e a compreensão do que verdadeiramente teria acontecido em nosso passado e quem foram esses seus verdadeiros autores. 

 

Não nos é possível aceitar com naturalidade que tais feitos (os que mais apresentam graus de sofisticação, evidentemente, e que foram tratados neste site) poderiam ter sido feitos pelos homens das cavernas ou pelos grupos indígenas que aqui foram encontrados e cujos descendentes ainda vivem em nosso meio, dada as suas condições de vida sobejamente conhecidas pelos historiadores, as suas crenças, tradições e características demonstradas em sua arte em cerâmica e em alguns objetos de uso comum.

 

Em face disto, insistimos em continuar apresentando novas ‘imagens’ gravadas em pedra por povos antigos do Brasil e que fogem ao sentido natural de explicação e cujo conteúdo não pode ser visto de forma concisa e nem mesmo aproximada pelos pesquisadores como referência do que teriam pretendido seus autores expressar nesta arte enigmática.  

   

A Serra do Paituna, localizada no município de Monte Alegre, Pará, mostra exemplos típicos desta anomalia com conteúdo de caráter inexplicável. A estranha figura que mostramos abaixo foi encontrada no local chamado de Gruta do Pilão e foi reproduzida por este autor, tendo por referência uma ilustração contida no livro de Edithe Pereira, “Arte Rupestre na Amazônia – Pará”, onde a arqueóloga narra que as primeiras informações divulgadas sobre este local datam de 1984 e que ela teria visitado a região em 1992 e retornado em 1993 para copiar as inscrições ali existentes.

 

Conjunto rupestre da Gruta do Pilão, Pará, com suas estranhas figuras.

 

Ela disse que a pesquisadora Anna Roosevelt também esteve neste local entre os anos de 1991 e 1992 e que ela fez escavações nesta gruta. Informou que Roosevelt teria datado as evidências ali encontradas, inclusive as pinturas, que poderiam alcançar cerca de 11200 anos.

 

Observando-se os componentes deste conjunto pode-se notar, sem muito esforço mental e considerando-se o tempo estimado à sua feitura, que a estes não podem ser atribuídos elementos de natureza corriqueira que deveria existir entre os prováveis povos que ali poderiam ter vivido naquele tempo. Ao contrário, o conjunto nos mostra uma espécie de esquema técnico ou orientado inteligentemente e não alguma coisa de caráter comum ou relativo a um tipo de crença, ou que possa resumir elementos conhecidos por povos nômades ou de vida simples. O painel é constituído de figuras geométricas, círculos e semicírculos, caracteres e figuras desconhecidas, cobrindo vasta extensão no interior da gruta. A cor predominante é a vermelha. No painel podem-se ver objetos variados e caracteres alfabéticos compondo um conjunto pouco comum, num esquema indefinido que pode ser ‘lido’ de cima para baixo ou de baixo para cima, mostrando, porém, uma intenção inteligente de descrever algo, apesar de estranho para nós. 

 

Um outro conjunto que também aparece no estudo de Edithe Pereira e que nos deixa também impressionados e indecisos quanto à sua origem é o que se encontra no local chamado de Painel da Baixa Fria, também na Serra do Paituna. A arqueóloga disse que esta pintura, também em vermelho, trata-se de um painel único em um bloco de arenito que sofre um processo acelerado de erosão e desagregação da rocha.

 

Conjunto rupestre em um bloco de arenito, Pará, com objetos e símbolos muito estranhos.

 

Pode-se ver nas figuras que compõem este painel algo também incomum: acima, à esquerda, podem-se ver caracteres semelhantes aos números 2 e 5 e logo abaixo uma cruz estilizada. Ao lado, mais à direita, aparecem traçados retilíneos que nos lembram as torres de uma fábrica ou de um grande edifício e, mais à direita, embaixo, uma pessoa que parece chegar apressada.

 

Uma pergunta nos incomoda: o que pretenderiam os seus autores demonstrar com a elaboração de tão enigmáticos traçados num painel lítico como este? Seria um outro tipo de ideograma que estivesse ocultando uma mensagem cifrada ou um relato breve de um acontecimento relevante para estas pessoas? Não resta dúvida de que se trata de mais um enigma para fazer coro junto ao elevado índice de mistérios que se mostram presentes nos paredões pétreos, grutas e cavernas em todo o interior do Brasil.

 

No painel lítico de Sousa, município localizado no interior do estado da Paraíba, local da das famosas pegadas de dinossauros, podemos ver também um conjunto de figuras muito incomuns, para não dizer, excessivamente estranho para ter sido produzido por uma gente que deveria estar mais acostumada à caça, à pesca e à coleta de alimentos para a sua própria sobrevivência, segundo os nossos parâmetros. Este conjunto de sinais e figuras possuem muitos elementos sofisticados interagindo entre si, figuras com elevado grau de síntese esquemática, produtos desconhecidos que se assemelham a antenas, objetos estranhos, letras e setas direcionadas como que estivesse pretendendo identificar alguma coisa específica e movimentos.

 

Painel rupestre de Sousa, na Paraíba, mostrando elementos extravagantes em seu contexto e inúmeras interrogações.

 

A ilustração que se acha anexa foi reproduzida por este autor daquela que consta do livro de Gilvan de Brito “Viagem ao Desconhecido”, onde ele inclui estudos sobre a Pedra do Ingá, na Paraíba e outros registros rupestres deste estado. As inscrições deste painel estão localizadas na fazenda “Serra Branca”, explica o autor do livro, e foram gravadas pelo método de insculturas, riscos retilíneos na pedra de forma precisa. Acham-se localizadas na entrada de uma caverna, disse, e ele próprio teria escrito que para aqueles que quiserem usar de uma imaginação mais aguçada, poderão ver neste painel muitas coisas esquisitas como naves espaciais circulares em movimento (OVNIS), pessoas estilizadas, antenas e símbolos desconhecidos ou semelhantes a caracteres alfabéticos. De fato estas coisas podem ser mesmo apreciadas em mais este misterioso ‘escrito’ rupestre brasileiro e que, invariavelmente, permanece como mais um náufrago de um tempo não conhecido, implorando a atenção e a perspicácia de um chegante para salvá-lo do desaparecimento e que possa compreendê-lo e decifrar a sua origem e a sua mensagem.

 

Assim é o Brasil com seus mistérios milenares, que nos remetem a novas perguntas ansiosas de entendimento, mas que permanecem ainda sem respostas adequadas que possam explicar a sua estranha realidade e o seu caráter incisivo e desafiador na história antiga de nosso país.

 

Figuras desconhecidas gravadas em Montalvânia.

Veja-se o trabalho em baixo relevo com picoteamento primoroso. 

 

Em Montalvânia, MG, como já vimos em outras chamadas, vamos encontrar diversas figuras desconhecidas gravadas em baixo relevo, num trabalho de picoteamento primoroso, com elevado grau de dificuldade na sua elaboração, considerando-se que, historicamente, seus autores não poderiam ter-se utilizado de equipamentos mais sofisticados na sua feitura, além de pedras pontiagudas de relativa resistência. No entanto, pode-se observar detalhes inusitados nos contornos de muitas destas figuras e traços muito finos, muito precisos e que exigiriam cuidados especiais de seus autores e a utilização de equipamentos adequados para produzir este tipo de ‘arte’ na dura pedra calcária da região.

 

Podem-se ver figuras menores constituídas de riscos bem finos, que exigiriam um tipo de ferramenta cortante, eficiente e mais elaborada, tecnologicamente falando, para alcançar este objetivo evidentemente impactante. O que dizer em relação a detalhes como estes e que podem ser vistos em muitas outras ‘inscrições’ em outras grutas e cavernas da região? Há como explicar como se fazer picoteamentos tão precisos como estes apenas batendo pedra com pedra, incansavelmente e sem um foco específico ou um instrumento melhormente qualificado?

 

Não seria pedir muito se quiséssemos encontrar uma condição tão excepcional na mente e nas possibilidades de um homem rústico, morador de cavernas e com pequenas perspectivas em sua vida e nos acontecimentos do seu dia-a-dia, diante destas coisas?

 

Sob esta modalidade vamos encontrar também na chamada Gruta de Poseidon uma estanha figura híbrida insculpida em seu interior, meio homem meio peixe e que se mistura a outras figuras também estranhas ao lado de linhas sinuosas que parecem representar as grandes águas. Por isto a gruta onde esta figura anfíbia foi encontrada recebeu o nome de Poseidon, o deus grego dos mares, que Montalvão associava também ao deus Viracocha dos povos incas que, como o anterior deus grego, teria também emergido do Lago Titicaca e criando o sol, a lua e as estrelas. Viracocha criou os povos andinos em pedra, diz a lenda, e depois transformou-os em homens.

 

 

As teses defendidas por Antonio Montalvão mostram que a primeira civilização da Terra teria se desenvolvido nesta região de Montalvânia, onde se acham gravadas nas pedras figuras de seres voadores que representam povos que pertenceram a esta antiga humanidade. Segundo ele, nestas grutas acham-se representados muitos seres mitológicos e que estes são os mesmos da mitologia grega, sendo, porém, esta civilização posterior àquela que produziu os registros enigmáticos daquela região. Uma prova disto, disse ele, é a representação do grande deus Poseidon, o senhor dos mares, numa das grutas que lá existe e que por isto recebeu o seu nome. A figura porta longos braços estendidos, sendo que o direito segura no alto uma espécie de tridente e o outro, abaixado, segura um objeto desconhecido ao lado do corpo. No lugar dos pés podemos ver uma longa cauda de peixe, o que é, no mínimo, uma manifestação lítica primitiva estranhíssima em terras brasilianas. Ao lado dele a representação das águas e logo abaixo de sua cauda aparece nadando, uma tartaruga, que se mostra também como símbolo do grande mar.

 

Vejamos outros casos no Brasil.

 

Existe uma vasta região no centro oeste brasileiro onde se localiza a pequena cidade de Poxoréo, a sudeste do estado do Mato Grosso, que também guarda uma grande quantidade de registros arqueológicos e mistérios que não podem ser explicados com muita facilidade pelos pesquisadores.

 

Em nossas andanças pela região chamada de São Paulo da Raizinha, com os amigos pesquisadores, Givanildo Brunetta e Sávio Egger, descobrimos dois abrigos com inscrições, enquanto procurávamos um outro que havia sido descoberto por nossos acompanhantes. Em todos estes três abrigos que acabamos por visitar encontramos insculturas variadas, figuras estranhas, signos desconhecidos e ‘letras’ semelhantes a caracteres alfabéticos. Algumas destas figuras foram traçadas de forma retilínea e precisa na pedra, mostrando elementos desconhecidos e uma simbologia incomum.

 

De uma grande quantidade destas figuras destacamos o conjunto abaixo que julgamos bastante representativo em relação ao tema que estamos abordando neste trabalho e que mostra um conjunto de caracteres com traços expressivos na rocha do provável abrigo, como se seu autor quisesse identificar uma ideia específica em sua criação.

 

INscrição com forte simbologia encontrada no Abrigo dos Símbolos, em Poxoreo/MT.

Abaixo, com ilustração do autor.

 

 

Como estamos vendo, existem algumas figuras na ‘arte’ rupestre do Brasil que nada nos conseguem inspirar de óbvio em seu conteúdo, mas, ao contrário, levantam reflexões pouco compreensíveis quanto ao seu significado. Neste propósito, incluí ainda dois outros signos que se acham gravados em locais diferentes em terras brasileiras e que possuem características muito aproximadas, apesar de desconhecidas. No primeiro deles, o da esquerda da ilustração, podemos ver uma figura triangular não muito comum que foi encontrada na Ilha dos Martírios, município de Xambioá, estado de Tocantins. Ela foi registrada pela primeira vez pelo antropólogo alemão Paul Ehrenreich, por meio de um desenho, quando de sua visita à região em 1888.

 

As duas figuras citadas revelando traços pouco convencionais e semelhanças.

 

A segunda figura, a da direita, foi encontrada no chamado Lajedo JK, região do povoado de JK, no estado de Goiás, próximo à cidade de Formosa, a leste do estado e pode-se notar que ela possui caracteres semelhantes à da região dos Martírios. Vê-se que se trata também de uma figura triangular e que no seu topo, à semelhança da primeira citada, encontra-se uma pequena forma circular com um ponto ou um furo no centro. Colocando-as uma ao lado da outra podemos ver melhor as suas semelhanças e por mais que nossa a mente intelectualizada trabalhe para compreender isto ela não encontra resposta e o significado de ambas permanece indecifrável, como também acontece com muitos outros casos no Brasil. É curioso notar que elas acham-se localizadas em regiões não muito próximos uma da outra e que a sua natureza é pouco comum. Ambas se encontram gravadas em baixo relevo, sendo que a primeira possui sulcos bem mais profundos.

 

Acabamos de ver novos símbolos na ‘arte’ arqueológica do Brasil, dentre os muitos que ainda poderíamos explorar e mesmo que tenhamos dificuldade de expressar o que estas figuras poderiam representar não poderíamos ignorá-las e nem mesmo deixar de admitir que elas guardam um significado oculto, de algo misterioso que se acha perdido na imensidão e no passado destas milenares terras brasilis.

 

Como estudioso e observador destas maravilhas arqueológicas, muitas das quais já teria presenciado ‘in loco’ é que sinto-me meio que obrigado a falar sobre elas, pois impressiona-nos como estas coisas estranhas ‘explodem’ diante de nossos olhos, não raras vezes, à semelhança de ‘projéteis’ históricos de um tempo desconhecido que se misturam entre os demais outros que são pesquisados e catalogados pelos estudiosos em toda a parte, mas que anseiam por um tempo em que possam, finalmente, ser reconhecidos e compreendidos por todos nós.        

 

* J. A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e realizado incursões em diversas regiões do Brasil. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA. E-mail jafonseca1@hotmail.com

 

 

- Ilustrações e fotografias: : J. A. Fonseca.

 

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Esta matéria foi composta com exclusividade para Via Fanzine©.

 

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