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Europa

 

Polônia:

Como um vírus mudou o cotidiano

A vida na Polônia durante a Pandemia do Coronavírus SARS-CoV-2.

 

 Por Ricardo Taipa*

Especial de Łódź/Polônia,

Para Via Fanzine

26/03/2020

 

Mapa mostra a situação da Pandemia do Covid-19 em todo o mundo. A História da humanidade conheceu imensas epidemias e pandemias, desde tempos imemoriais. Na antiguidade, no Império Romano, durante a Idade-Média, no Renascimento e na modernidade.

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Na Europa a Gripe Espanhola matou mais de 50 milhões no princípio do século passado e mais recentemente o vírus da SIDA (AIDS), Ebola, Gripe Suína, Zika e outros. O mundo agora abrandou, foi forçado a abrandar com o Covid19. A Polônia não é exceção na luta contra o agora chamado "inimigo invisível" e com tudo o que por aí vem neste já atribulado ano de 2020...

 

Ano Novo, Vida Nova! Ergueram-se as taças e fizeram-se desejos para o novo ano e para a nova década, os anos 20, entre o ruído dos fogos-de-artifício nas ruas. Enquanto isso, na China, as notícias de um surto epidêmico ocupavam os noticiários, mas era lá na China, longe de nós. Parece que os chineses andavam a comer sopa de morcego na cidade de Wuhan, província de Hubei e um vírus mortal, denominado Corona, matava milhares.

 

Observamos com admiração, a construção de um hospital em poucos dias, convictos que, porventura, tal infortúnio, não chegaria ao Ocidente.  No entanto, chegou rapidamente, tendo o surto sido primeiramente registado na região da Lombardia na Itália, um país lindíssimo e pejado de turistas todos os meses do ano. A situação agora é, como todos sabemos, grave, declarada como Pandemia pela Organização Mundial de Saúde.

 

A História parece repetir-se, tal como a Peste-Negra, proveniente das pulgas de ratazanas vindas da Ásia em barcos do comércio da Rota da Seda, alastrando-se a partir de Veneza para o resto da Europa.  Ao contrário dessa pandemia da Peste-Negra, que não afetou a Polônia (também Milão e o território onde hoje está Andorra) por vários fatores; desde o fechamento das fronteiras naquela época do reinado de Kazimierz Wielki, passando pela numerosa comunidade judaica, avançada em medicina e também pelo fato de terem poupados os gatos que, no resto da Europa Católica, foram dizimados por serem considerados pela prepotente Santa Inquisição como a “encarnação de Satanás”, quando eram os animais que controlavam a população de roedores. 

 

Neste momento, dia 26 de março de 2020, a situação epidemiológica na Polônia conta com 901 infetados, 158 dos quais na região administrativa de Łódź (onde eu me encontro) e 10 óbitos registrados. 

 

O governo polonês foi, ao contrário de outros países europeus, rápido em agir, fechando escolas, creches, repartições públicas e o comércio (exceto o que abastece a população com bens de primeira necessidade), sendo as fronteiras fechadas e apenas se abrindo às exceções - são dezenas de quilômetros de filas devido ao fechamento do Espaço Schengen. Muitas empresas e corporações tiveram de se adaptar e colocarem em prática a deslocação dos seus funcionários (aqueles sem celulares ou com funções que incluam telefone fixo) para o domicílio, em ações de emergência, até antes impensáveis por questões técnicas, provando que de fato, a necessidade aguça o engenho... 

 

Mais recentemente o Primeiro-Ministro polonês, Mateusz Morawiecki, anunciou novas medidas para conter os contágios (crescentes) tentando assim mitigar a pandemia em território polonês: o Estado de Emergência entretanto posto em prática impõe à quarentena todos os cidadãos, com algumas exceções:

 

1 - Deslocamentos para o trabalho.

 

2 - Lidar com assuntos necessários ao cotidiano (comida e artigos de higiene, visitas à farmácia e/ou médico; assistência a familiares, passear com o cão e, se for o caso de ter um negócio, deslocações para bens e serviços relacionados com a atividade comercial.

 

3 - Atividades voluntárias para debelar a ameaça do Vírus Corona.

 

4 - Participação em cerimônias religiosas (máximo de cinco fiéis no templo) e restrição de movimentos em parques, áreas de recreação ou em grupos com mais de duas pessoas (exceto familiares ou parentes que vivam juntos).

 

5 - Estas restrições não se aplicam ao local de trabalho onde os empregados devem seguir as regras de higiene e segurança no trabalho.

 

6 - Transportes públicos – funciona, mas apenas com metade dos passageiros da capacidade normal. Estas regras foram estendidas até ao dia 14 de abril notando-se um aumento das patrulhas nas ruas. Uma nota para as cadeias de supermercados, incluindo o Biedronka do Grupo Jerónimo Martins, que não parece ter os seus empregados devidamente protegidos, exceto por alguns deles usarem luvas de látex. Nada de máscaras para quem está num espaço confinado onde entram centenas, senão milhares de pessoas, todos os dias.

 

A situação continua a evoluir e ainda não se sabe quando a Polônia irá atingir o pico da pandemia ou quando a curva de infetados baixará. Até lá, e para quem pode, fique em casa o máximo possível e muita força a todos os profissionais de saúde que lutam diariamente com o "inimigo invisível".

 

* Ricardo Taipa é cidadão português emigrado na cidade de Łódź, Polônia, desde 2004. É colaborador e correspondente de Via Fanzine na Polônia.

 

- Imagem: Divulgação. 

 

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- Produção e adaptação: Pepe Chaves

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