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OPINIÃO

 

 

Senso comum:

O que difere uma comunidade da municipalidade

A comunidade aceita de pronto aos seus integrantes, sem distingui-los por razões de naturalidade, credo, política ou outras. Importa ali, o bom relacionamento, a soma sadia de ações e intenções, o interesse na parceria e no crescimento mútuo.

 

Por Pepe Chaves*

De São Tomé das Letras

Para Via Fanzine

07/05/2019

 

 

Se não há como escapar do comportamento municipal, o comportamento comunitário é algo mais íntimo de um povo, que depende da boa vontade e da abertura de cada cidadão.

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Um país nunca será uma nação, caso não se reconheça. E se reconhecer, nesse caso, é o mesmo que se aceitar, conhecer, doar e compartilhar. Existem hoje espalhados pelo mundo, grandes países que jamais se tornarão uma pequena nação. Isso porquê seus componentes não conseguem viver em harmonia entre si, seja por um fator ou outro; seja pelo preconceito, intolerância, divisões sociais ou aversão à diversidade e diferenças.

 

O mesmo ocorre localizadamente nas cidades – especialmente, no Brasil – que podem atingir altos níveis de desenvolvimento social ou municipal, sem, contudo, se transformar em uma verdadeira comunidade.

 

A palavra “comunidade” tem origem no adjetivo “comum”, descrito pelos mais diversos dicionários como sendo o que é “público, comunitário, universal, partilhado, coletivo, grupal, geral, popular, conjunto, genérico, global, compartilhado”. Desta maneira, determinadas localidades podem ter uma vida municipal, mas nem sempre comunitária, e isso ocorre por várias razões ao se desprezar o senso comum.

 

Se não há como escapar do comportamento municipal (aquele que é levado obrigatoriamente a ser vivido por todos os munícipes de um lugar), o comportamento comunitário é algo mais íntimo de um povo, que depende da boa vontade e da abertura de cada cidadão. Maiores ou menores, há verdadeiras comunidades funcionando no Brasil ou pelo mundo e seus exemplos são tão abrangentes que pouparemos de citá-los no momento.

 

Na comunidade um “espírito comum” envolve a todos, seja em suas funções, atos, palavras, relacionamentos, aceitação, estilos de vida etc. A comunidade aceita de pronto aos seus integrantes, sem distingui-los por razões de naturalidade, credo, política ou outras. Importa ali, o bom relacionamento, a soma sadia de ações e intenções, o interesse na parceria e no crescimento mútuo. A comunidade se deixa conhecer, fazendo-se transparente a todos e buscando envolver seus integrantes, apoiando e reconhecendo seus potenciais.

 

Temos no Brasil, exemplos de alguns governantes (nas três esferas) que se mostram completamente desprovidos de senso comunitário, apesar de se importarem com sua imagem social. Fato é que tais comportamentos podem ser conferidos observando-se apenas a forma com que determinados homens públicos se relacionam com seus concidadãos e as questões administrativas. Os bons e preparados políticos jamais levam questões públicas de cunho comum para a senda do campo pessoal. Não realizam ataques a quem seja, senão apenas explicam, pacientemente, publicitariamente, às questões então lhe arguidas, através de qualquer cidadão da localidade.

 

Não existe uma escola para políticos. Nenhum foi formado para lidar com o público; ou seja, não somente com o seu simpático eleitorado, mas principalmente com aqueles contrários ou radicais, por alguma razão. Evidentemente, a formação pessoal e a experiência de vida de cada agente político é aquilo que o “forma” e, mais que isso, o refrata como uma reconhecida figura pública, e como tal, se sujeita a receber tanto elogios como críticas. Espera-se que, dentro da educação e da cordialidade, o agente público se manifeste de maneira cordial e impessoal. Pois que tal agente nada mais é que um servidor público, empossado por lei e colocado ao dispor de sua população – ainda que o próprio, por qualquer motivo, seja incapaz de assim compreendê-lo.

 

A tecnologia de hoje nos traz o privilégio de, algumas vezes, podermos interagir com autoridades e personagens públicas através da internet, das redes sociais e outros meios. São em oportunidades assim, que algumas figuras públicas da política em todas as esferas têm a faca e o queijo na mão, podendo angariar tenros frutos políticos a seu favor, mas também jogar o queijo e a faca no lixo; tudo dependerá da forma de se expressar.

 

Desta forma, as redes sociais vieram trazer transparência sobre vários aspectos da vida social de muitas localidades mundanas. As informações em massa agora são quase em tempo real: eu penso, escrevo e publico meu pensamento, num curto período de tempo, atingindo rapidamente a dezenas, centenas ou milhares de pessoas. A própria agilidade da informação compactua para que as comunidades se organizem, discutam, troquem experiências e informações que possam trazer algum tipo de evolução ou progresso comum. Portanto, a responsabilidade é tudo ao se tornar público um pensamento, manifestação, expressão ou informação, até porque esta pode ser cobrada de seus emissores, pelos meios legalmente instituídos.

 

O crescimento social difere muito do crescimento comum, sobretudo, em um país onde temos uma distribuição de renda entre as piores do mundo. Muitas vezes, o comportamento comum de nossos agentes públicos não estará diretamente ligado à falta de recursos que reina em praticamente todos os municípios do país, mas sim, à boa vontade política (que não demanda dinheiro); no interesse do agente em tomar para si os problemas sociais, enquanto se faz a verdadeira figura pública no desempenho de sua função. Temos vários exemplos ao longo da história humana mostrando que as sociedades que mais se evoluíram rapidamente foram aquelas voltadas ao bom relacionamento cultural entre as distintas camadas que as compõem.

 

Portanto, acredito que a solução para os principais problemas comuns das sociedades atuais não virá somente pela força de vultuosas verbas públicas, mas através de boas palavras e ações desprendidas.  

  

*  Pepe Chaves é jornalista e editor do diário digital  Jornal São Tomé Online e da ZINESFERA.

 

- Foto: Pepe Chaves.

 

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