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 Meio Ambiente

     

Fogo em Sobradinho:

Princípio de incêndio ameaçou mata ciliar

Com o esforço de apenas três pessoas, uma mata com mais mil metros quadrados foi bastante danificada, mas teve seu fogo debelado. Apesar disso, um cidadão reclamou da ação contra o fogo em Sobradinho de Minas.

  

Por Pepe Chaves*

Para Jornal São Tomé Online

e Portal Sobradinho de Minas

17/09/2019

 

Linha de fogo se estendeu paralelamente ao ribeirão de Sobradinho, consumindo parte de sua mata ciliar.

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Na tarde desta segunda-feira, 16/09, enquanto recebia em nossa Redação aqui em Sobradinho de Minas a visita de meu amigo Dalton Pessoa, presidente da AMAS (Associação dos Moradores e Amigos de Sobradinho) e editor do Portal Sobradinho de Minas eu pude avistar uma queimada próxima se iniciando e chamei a atenção dele. Subimos até o terraço e vimos que um incêndio consumia algumas árvores, na mata rente ao ribeirão, distante pouco mais de 100 metros em linha reta dali. A linha de fogo avistada tinha dezenas de metros de extensão.

 

Dalton, que é também brigadista local e tem certa experiência com queimadas, quis ver de perto se aquilo era queima de lixo feita por algum morador ou uma queimada intencional na mata. Descemos imediatamente e fomos até o local. Ali, havia um morador com uma pequena mangueira jorrando água na divisa e seu terreno com o local que se iniciou o incêndio.

 

Algumas pessoas na rua assistiam ao fogo se alastrando e crianças também estavam próximas dali. Tudo indica que o fogo foi iniciado propositalmente numa possível limpeza para utilização do local: um terreno cercado com arame farpado de aproximadamente uns 1000 metros quadrados. No entanto, o fogo ultrapassou as cercas desse terreno em várias direções e atingiu a uma grossa camada de folhas secas no chão. Com isso, se alastrou rapidamente, consumindo a vegetação rasteira e chegou até algumas árvores mais frondosas na margem do ribeirão.

 

A queimada chegou bem próxima a uma residência, mas seu morador utilizou uma mangueira d'água para cessá-la em sua divisa.

 

Não havia tempo para acionar a brigada ou nos vestirmos e calçarmos melhor, e não pensamos duas vezes para combater o incêndio. Com a ajuda de um menino, Léo, morador local, tivemos que enfrentar o fogo usando galhos e ramos para apagá-lo, além de espalharmos a terra solta do chão para abafar as chamas. Por sorte, encontrei na mata um pedaço de telha de amianto fina e comprida e o dividi com Dalton. Melhor que usar galhos, este improviso nos fez abafar mais rapidamente os vários focos em pouco tempo. No entanto, havia dezenas de focos e fomos apagando um a um, em meio à grosa e quente fumaça que fomos obrigados a respirar, num chão negro, fumegante e cheio de brasas. Apesar de termos conseguido extinguir os focos, uma área superior a 1000 metros quadrados foi consumida rapidamente pelo fogo.

 

Tudo ocorreu em questão de minutos e o vento constante colaborou para que as chamas se desenvolvessem tão rapidamente. Estávamos sem equipamento algum de combate ao fogo e usando chinelos de borracha nos pés, mas ainda assim tivemos que pisar em áreas queimadas e cheia de brasas para chegar a certos pontos para extinguir focos de fogo que poderiam se alastrar e fazer com que a queimada se tornasse crônica com ajuda do vento. Por sorte não tivemos nenhum inconveniente e logramos êxito no combate às chamas que, certamente, consumiu inúmeros insetos na região queimada, além de outras espécies de aves ou mamíferos que viviam por ali.

 

No momento do combate, apesar de o fogo estar a poucos metros do ribeirão, não tivemos como usar sua água nessa ação. Depois de extinguir os principais focos, um vizinho cedeu ao Dalton um balde com água de sua casa e ele fez um pequeno rescaldo nas partes mais quentes em torno da queimada. Não deu tempo para fazer fotos mostrando a real extensão do dano causado, pois o tempo custava mata queimada. Mas ainda assim, pude tomar algumas fotos (que ilustram esta matéria) e fazer um pequeno vídeo registrando também o momento em que tentávamos abafar o fogo ao lado do ribeirão.

 

 

Detalhe do interior da área queimada.

 

Cidadão reclamou da ação

 

E assim, conseguimos extinguir os focos, depois do intenso e rápido trabalho feito por apenas três pessoas em um terreno de tamanho considerável. Se isso não fosse feito, os focos poderiam se alastrar rapidamente pelo chão forrado de folhas secas e a queimada progrediria por grandes extensões em várias direções no seu entorno.

 

Exaustos, já estávamos indo embora, quando vimos um foco reacender ao longe, momento em que Dalton e Léo retornaram ao local para apagá-lo e eu segui para tomar um urgente banho (estávamos muito sujos da mata, suados e cheios de cinzas) e pedi a ele para me chamar se fosse preciso retornar ao combate.

 

Início da queimada quando a avistamos: árvores frondosas foram danificadas pelo fogo.

 

Algum tempo depois, Dalton me chama e diz que conseguiu apagar aquele último foco. No entanto, ele diz que após apagá-lo, apareceu um senhor no local, e este se queixou de sua ação de combate ao fogo. Segundo ele, este senhor, já de certa idade, “Criticou a nossa ação de debelar o fogo na mata. Ele achou ruim de termos apagado o fogo, você acredita?”, disse. Dalton contou que ainda tentou argumentar com ele, que se queixou de termos apagado o fogo demasiadamente rápido, alegando que “(...) o presidente Bolsonaro permite queimadas”.

 

Parece brincadeira, mas pasmem, foi o que vivenciamos com esta experiência: vivemos pra ver um cidadão reclamar da extinção de um incêndio por iniciativa própria. Fica a reflexão. Até que ponto a irresponsabilidade de nossas autoridades máximas podem incentivar a depredação ambiental? Hoje sentimos na carne...

    

* Pepe Chaves é jornalista e editor dos portais Via Fanzine, Jornal São Tomé Online e da Rede ZINESFERA.

 

- Imagens: Pepe Chaves.

 

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