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 Meio Ambiente

     

  Pico do Gavião:

Após incêndio, natureza reage e se restaura

Nossa reportagem voltou ao Pico do Gavião e verificou os danos causados pelos últimos incêndios naquela região. Constatamos muitos milhares de metros quadrados de mata carbonizada, mas, a natureza reage; veja as imagens.

   

Reportagem de Pepe Chaves*

De Sobradinho de Minas, STL-MG

Para Jornal São Tomé Online

e Portal Sobradinho de Minas

1º/10/2019

 

Um cupinzeiro e um cactos que morreram abraçados durante o último incêndio no pico.

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Nossa reportagem retornou ao Pico do Gavião, após os sucessivos incêndios ocorridos neste mês de setembro de 2019. Conforme informou o Jornal São Tomé Online, os incêndios gigantescos naquela região somente puderam ser aplacados através de um esforço conjunto entre militares e civis.

 

 Árvore e plantas queimadas na floresta de bromélias.

 

A região dos incêndios está situada na divisa dos municípios de São Tomé das Letras e Luminárias, em locais de despenhadeiros, e difícil acesso. Mas com afinco, a Brigada Voluntária de São Tomé, juntamente com o Corpo de Bombeiros (PMMG/Três Corações) e soldados do Exército (ESA/Três Corações) trabalharam por dois dias no combate às chamas e obtiveram êxito.

 

Árvores completamente consumidas pelo fogo.

 

Mas, em menos de 24 horas a região do Pico do Gavião voltou a pegar fogo. Ao avistar a fumaça nossa redação informou a ocorrência imediatamente ao comando do Corpo de Bombeiros e a ESA em Três Corações. Também entramos em contato com a Prefeitura de São Tomé das Letras que nos informou sobre o envio de voluntários e equipamentos para o combate ao fogo. E assim, a luta foi retomada, desta vez com o apoio do Corpo de Bombeiros de Lavras e uma pessoa de Luminárias, que se juntaram aos trabalhos da brigada que, ao longo do dia e somente ao cair da noite, conseguiu deter o avanço do fogo.

 

Cupinzeiro e plantas queimadas.

 

No dia 30/09, aproximadamente uma semana depois destes incêndios, nós estivemos no local e pudemos constatar o tamanho dos danos. Se é impossível precisar, pelo menos podemos garantir que muitos quilômetros quadrados foram completamente consumidos pelo fogo. Também verificamos que os danos não se restringem somente às plantas, mas às várias espécies de animais nativos que foram atingidas, como insetos, répteis, aves e mamíferos.

 

 

Vegetação rasteira já demonstra sinais de recuperação logo após queimada.

 

A vegetação do local – que é uma mistura de cerrado com Mata Atlântica - sofreu danos irreversíveis em algumas árvores, já frondosas. Outras, foram parcialmente queimadas e podem se recuperar com o tempo. Em alguns locais de vegetação rasteira pudemos observar que vários brotos surgem, ao lado de algumas plantas carbonizadas.

 

Arbustos e vegetação rasteira queimados e o verde brotando.

 

Em algumas partes, a paisagem é desoladora, tudo foi queimado: cupinzeiros, plantas retorcidas pelo fogo; tocas de animais, formigueiros e possivelmente, ninhos de aves. Também verificamos muitos cactos rasteiros (típicos da região) completamente queimados. Mesmo assim, pudemos ver que répteis serpenteiam por entre o solo queimado e enegrecido, bem como, a grande quantidade de pássaros que frequenta aquelas plagas.

 

Tempo volta a ficar seco e incêndios voltam a ser temidos.

 

Mas, sem dúvida, um dos piores danos sofridos naquele local foi a queima de grande parte de um belo e conhecido bosque de bromélias situado na trilha que dá acesso ao alto do pico. Ali, a mata ardeu em ambos os lados dessa trilha, consumindo muitas bromélias, além de frondosas árvores formadas. Destas, acreditamos que algumas poderão se recuperar. Contudo, é lamentável verificar que por grandes extensões os danos causados pelo fogo foram irreversíveis, tanto em locais de vegetação rasteira de cerrado, como nos de mata atlântica fechada.

 

Uma grande área de vegetação rasteira completamente consumida pelo fogo.

 

De um dos pontos mais altos do pico, pudemos observar que a mata ao seu entorno e em diferentes locais, também sofreu com as queimadas nos últimos dias. Há muita árvore queimada em todo o entorno do Pico do Gavião, especialmente, na região que compreende o município vizinho de Luminárias.

 

Após o combate coletivo ao segundo incêndio, uma chuva providencial pairou sobre o lugar por dois dias seguidos, ajudando a hidratar e restaurar os danos sofridos pelas plantas. Embora depois disso o tempo voltou ficar seco e com isso, agora retornam os mesmos riscos de o fogo voltar àquele lugar.

 

O pôr do sol visto do Pico do Gavião.

 

Mas, apesar dos estragos, a natureza parece se recuperar rapidamente, principalmente no tocante à região de matas do cerrado, que se restaura muito rapidamente, o que não ocorre nas regiões de mata atlântica, onde quase totalidade das perdas foi irreversível.

 

A bela formação rochosa que dá nome ao Pico do Gavião.

 

A lição que se tira de tão desastrosas ações do fogo é que, enquanto comunidade, devemos estar atentos tanto à ação de possíveis incendiários, quanto ao menor sinal de fumaça em áreas de matas nativas. E, sobretudo, acionar rapidamente a brigada e às autoridades quando se constatar incêndios, pois, quanto mais rápida for uma ação de combate, menores serão os danos causados pelo fogo.

  

* Pepe Chaves é jornalista e editor dos portais Via Fanzine, Jornal São Tomé Online e da Rede ZINESFERA.

 

- Imagens: Pepe Chaves/Jornal São Tomé Online.

 

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- Produção: Pepe Chaves.

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