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 FIGURAS IMORTAIS

 

Chico Taquara:

O que vem do céu pode vir da Terra

Conta-se que ele fala com os animais e suas rezas em língua estranha sempre curam. Pode até prever acontecimentos futuros. Taquara leva a vida a ajudar os outros, a guardar São Thomé e a ensinar “coisas bonitas”.

 

Por Ana Carolina Athanásio

e Carla Peralva,

De São Thomé das Letras

Para a Revista Babel/ECA-USP*

07/01/2019

 

O enigmático Chico Taquara, à direita, numa rara fotografia feita em São Tomé das Letras no ano de 1923. O homem que diziam ser um intraterrestre hoje é um ícone da cultura popular local.

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Chico Taquara é um nome bem conhecido em São Thomé das Letras, município de Minas Gerais. Sua história, repleta de mistérios, começa em 1840, na noite em que seu pai, José Francisco de Góes Gonçalves, chega em casa bêbado e, como de costume, ameaça espancar sua esposa, Ana Cândida.

 

A mulher, grávida de seu primeiro filho, foge em direção às pedras e só volta meses depois sem a criança nos braços. Ao chegar, conta ao marido: “Quando eu fugi para as tocas com medo de ti, me escondi em uma pequena caverna que encontrei bem protegida do vento e do frio. Desorientada e com medo, adormeci. Quando acordei, me encontrava sem barriga e deitada em uma cama confortável e rodeada de pessoas que trajavam uma roupa branca e luminosa que ia até os pés. Não consigo me lembrar mais de nada e nem do rosto das pessoas que de mim cuidaram com carinho, só me lembro que me prometeram que cuidariam de nosso filho e me devolveriam o mesmo assim que fosse possível. Eu, marido, senti neles uma confiança muito grande e não soube dizer nada”.

 

Desse dia em diante o casal passa a viver em paz, esperando a volta do primogênito e cuidando humildemente da roça de milho e feijão. O peso da idade já chegava quando acolhem Francisco, rapaz de uns vinte anos que havia se oferecido para ajudar na lavoura. Os anos correm, eles se vão e Francisco ruma para as pedras onde Ana se abrigou do marido tantos anos antes. “Da caverna, podia ver as ruínas do casebre em que veladamente conviveu com seus pais, que morreram sem saber que o filho desaparecido e tanto esperado convivera com eles por longo período”.

 

Daí em diante, Francisco é Chico Taquara. Leva os cabelos longos e grisalhos sempre untados de mel e cera. Conta-se que ele fala com os animais, é sempre acompanhado por abelhas, vacas e bezerros. Suas rezas em língua estranha sempre curam quem a ele recorre. Pode até prever acontecimentos futuros. Taquara leva a vida a ajudar os outros, a guardar São Thomé e a ensinar “coisas bonitas”. Pelos idos de 1916, desaparece. Alguns dizem que ele continua entre as pedras, mas não permite mais ser visto. Outros acreditam na volta ao centro da Terra, de onde teria vindo realmente.

 

Pracinha que leva o nome de Chico Taquara com sua estátua estilizada.

 

Essa história nos foi contada por outro nome praticamente patrimônio cultural da cidade, Tatá, o Oriental Luiz Noronha [falecido em 2018] que estuda História e Ufologia e mora em São Thomé da Letras há quase 50 anos. As citações acima são de seu livro “A história de Chico Taquara”, vendido na entrada da pousada que mantém com sua terceira esposa, Francisca, em frente à Igreja de Pedras. A obra é resultado das histórias ouvidas, aos 15 anos, de Seu Néco, tio de um amigo de infância e uma das poucas pessoas próximas ao lendário guardião.

 

A cidade serrana mineira parece estar envolta a uma aura mística, de fé em todos os fenômenos da natureza. Está-se sempre esperando uma nova manifestação sobrenatural. Não é uma espera que coloca as vidas em suspensão. Ao contrário. É uma esperança de fé, quase religiosa, incentivadora da busca, do autoconhecimento e da exploração do local.

 

Prova disso é a lenda de Chico Taquara, que se perpetua por todas as crenças da cidade. Uma foto do “véio” Chico pode ser encontrada na parede da sala de estar da sede da Sociedade Brasileira de Eubiose, ao lado das fotos de seus fundadores. Perguntado sobre a lenda de sua morte na cidade, Claudio a confirma, para espanto das repórteres: “Mas ele não morreu. Ele era um intraterreste e voltou para o centro da Terra”. Aproximando a cabeça e abaixando a voz: “A Terra é oca, nós não estamos sozinhos”. “Mas os intraterrestres podem voltar a subir para a superfície?” “Eles estão entre nós”.

 

Estátua de Chico Taquara em um comércio da cidade.

 

Digno de curiosidade e de questionamentos é outro degrau peculiar da filosofia eubiótica: a crença nos avataras. Segundo a ordem, eles são mestres de luz que vem à Terra para nos ajudar. Entre os avataras mais conhecidos da história estão Maomé, Buda e o próprio Jesus Cristo. O avatara aparece, grosso modo, de dois em dois mil anos, mas essa periodização não é rígida. É possível que tenha havido avataras “menores” – que poderiam ser, por exemplo, cientistas de renome – que passaram anonimamente por nós. Esses mestres de luz sempre cumprem Eras. Cristo, por exemplo, foi da Era de Peixes e, como estamos entrando na Era de Aquário, o próximo avatara, que eles chamam de Buda Maitreya, está por vir.

 

“O avatara nem sempre é fisicamente visível. Ele pode ser uma consciência, uma projeção na criança ou em algumas pessoas que estão contribuindo para o planeta na área de conhecimento humano. Essa energia de Buda Maitreya já está acontecendo. Estamos num período vibratório. A humanidade sempre quer ver um ser físico, mas, se ele virá fisicamente, nós não sabemos. Esse avatara, esse messias, pode já estar andando entre nós”.

 

* Texto original publicado em 2011, nesta versão, com edição e adaptação de Pepe Chaves para o Jornal São Tomé Online.

 

- Fotos: Arquivo de Oriental Luiz Noronha, Tiago S. Peixoto/divulgação.

 

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