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 Água

    

Sessão legislativa:

Vereador volta a questionar sobre a água

Em seu discurso no plenário da Câmara, Adriano Jiló voltou a alertar aos demais vereadores e a população local sobre questões graves, exibindo imagens que mostram a situação crítica do ribeirão Canta Galo.

 

 

Por Pepe Chaves*

Para Jornal São Tomé Online

07/02/2019

 

Cachoeira do Flávio: pouca água e assoreamento. Adriano Jiló focou em somente três nascentes situadas na região do Canta Galo que, segundo ele, “são as mais prejudicadas” e merecem atenção urgente das autoridades.

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Na sessão legislativa de 05/02, o vereador Adriano Batista Moreira, o Adriano Jiló (PV) voltou a questionar sobre a captação, processamento e distribuição de água pela Copasa no município. Anteriormente, apoiado pelo vereador Alex Paulo Vieira (PSD), Adriano Jiló tornou pública uma extensa nota abordando sobre queda no volume d’água e assoreamento no Ribeirão Canta Galo, criticando a forma de captação da água pela COPASA. Nossa reportagem acompanhou o discurso de Adriano Jiló através da transmissão ao vivo pelo portal da Câmara Municipal.

 

Em seu discurso no plenário da Câmara, o vereador voltou a alertar aos demais vereadores e a população local sobre questões graves, exibindo imagens que mostram a situação crítica do ribeirão Canta Galo. Como a queda no volume d’água nas cachoeiras; a forma desordenada de captação dessa água via mangueiras e o considerável desperdício da água nestas captações; o assoreamento ao longo do leito de 13 km do ribeirão e o local da captação feita pela Copasa. O vereador também fez um alerta sobre a necessidade de um programa para revitalização de todas nascentes do município, através da criação e execução de uma política voltada para estes mananciais.

 

Inúmeras mangueiras são usadas para captação de água no ribeirão canta Galo, para o vereador somente duas mangueiras bastaria para fazer a captação se houvesse uma organização maior. Na imagem acima podemos ver também uma irregular intervenção de concreto na paisagem natural.

 

O vereador informou que existe um projeto chamado “Nascentes do Cerrado”, para a revitalização da Nascente do Cruzeirinho, Nascente da Lage e Nascente Sebastião Trindade. Estas nascentes abastecem a população rural, o ribeirão, as cachoeiras e parte urbana.

 

Em sua fala, Adriano Jiló focou em somente estas três nascentes citadas que, segundo ele, “são as mais prejudicadas”. Todas elas estão situadas na região do Canta Galo. Mas, ele deixou claro que as demais nascentes em outras regiões do município também passam pelos mesmos problemas e oportunamente merecem a mesma atenção.

 

O vereador abordou também o desperdício de água após a captação. Segundo ele, várias mangueiras utilizadas estão furadas, como na imagem acima.

 

A projeção feita pela Copasa sobre a demanda da população flutuante também foi contestada por Adriano Jiló. A empresa estimou um acréscimo de aproximadamente 20% para a população flutuante durante todo o ano. No entanto, ele alega que tal acréscimo está aquém da realidade, pois não estaria diretamente ligado aos picos sazonais de visitantes.

 

Com isso, para o vereador, o cálculo da Copasa está equivocado, pois a empresa considera que a população flutuante corresponderia a 20% do número de habitantes, o que hoje seria cerca de 1.000 visitantes. Segundo ele, somente nos finais de semana corriqueiros a cidade receberia este número, diferentemente dos picos de visitação em feriados e datas festivas, quando a quantidade de visitantes ultrapassa folgadamente os 5.000.

 

O baixo volume d'água na Cachoeira da Eubiose: efeito da captação feita pela Copasa e do descuido com as nascentes.

 

Além disso o vereador contestou a aplicação do dinheiro público em áreas ambientais, exibindo planilhas que recebeu do Executivo, as quais relacionam valores que teriam sido gastos no setor ambiental do município (APA). No entanto, ele contesta que tais valores tenham sido devidamente aplicados, conforme expostos nos demonstrativos fornecidos pelo Executivo Municipal.

 

Um dos demonstrativos solicitados pelo vereador e enviados pelo Executivo é a Deliberação Normativa COPAM – nº 86, Parâmetro 10, assinada pelo prefeito municipal Tomé Reis Alvarenga em 02/04/2018. Nela são descritos os seguintes gastos pelo município: 1) Convênio com Emater – manutenção do viveiro e produção de mudas, valor: R$ 50.000,00; 2) Coleta de Lixo  doméstico e reciclável nos bairros rurais pertencentes a APAM-ST, valor: R$ 44.840,00; 3) Manutenção nas estradas que cortam a APAM-ST, Poda e Roçada, valor R$ 39,347,90; 4) Funcionários que prestam serviços na APAM-ST, valor: R$ 96.740,08. O total de recursos financeiros referentes a APAM-ST foi da ordem de R$ 230.927,98.

 

O vereador afirmou desconhecer que tais recursos teriam sido aplicados pelo Executivo Municipal na APAM-ST, conforme exposto no demonstrativo.

 

Deliberação Normativa emitida pelo Executivo Municipal com demonstrativo dos recursos financeiros gastos na APAM-ST.

 

Um outro documento que o vereador teve acesso mostra os repasses da Fundação João Pinheiro ao município de São Tomé das Letras. De acordo com o demonstrativo, a Unidade de Conservação local recebeu o valor de R$ 69.500,03, de 2009 até 2012 e o Meio Ambiente recebeu R$ 150.367,58, no mesmo período. Desta maneira, o total recebido pela Unidade de Conservação entre 2013 e 2018 foi de R$ 229.908,59.

 

De 2017 até 2018, a Unidade de Conservação (A) recebeu o valor de R$ 85.066,85 e o Meio Ambiente (A + B + C) recebeu o valor de R$ 191.388,27.

 

E o total recebido pelo Meio Ambiente neste mesmo período foi de R$ 555.735,26, valor este que engloba os repasses enviados à Unidade de Conservação (R$ 229.908,59), conforme dados da Fundação João Pinheiro.

 

Mapa mostra as três principais nascentes do Canta Galo interligadas ao complexo do ribeirão.

 

O vereador solicitou o apoio do prefeito municipal Tomé Alvarenga (MDB), dos demais edis da Casa e da população, para que juntos possam encontrar soluções aos problemas urgentes relacionados à água. “O meu compromisso com a água é espiritual. Devemos lutar para defendê-la, pois se não fizermos isso agora, em breve todos os nossos cursos d’água estarão secos”, afirmou o vereador.

 

A seguir, publicamos na íntegra o seu discurso de 05/02, no Legislativo Municipal.

 

Discurso do vereador Adriano Jiló (PV)

Câmara Municipal de São Tomé das Letras

05/02/2019

 

"Boa noite, senhores vereadores e cidadãos que nos acompanham.

 

Enfrentamos em São Tomé um problema muito sério. A falta d’água é do conhecimento de todos, mas atinge com mais força os moradores das partes mais altas da cidade. Tenho caminhado entre essas pessoas e tenho ouvido suas queixas, seus pedidos e tomado ciência de suas dificuldades. É por isso que venho até aqui, para alertar os senhores vereadores e expor a real situação da água no município.

 

Atualmente, nossa cidade conta com um reservatório com cerca de seiscentos mil litros de água. Para encher este reservatório a Copasa precisa bombear água do ribeirão Canta Galo durante treze horas todos os dias.

 

Se o atual sistema de abastecimento já é incapaz de atender decentemente a população, o que se dizer então dos turistas que vêm para nossa cidade?

 

A Copasa, nos documentos fornecidos à Câmara considera que São Tomé das Letras, nos finais de semana, feriados e períodos de alta temporada, recebe um acréscimo de turistas de apenas 20% do total de habitantes. Ora, levando em conta que o núcleo urbano abriga cerca de cinco mil pessoas, devemos aceitar a ideia de que a cidade recebe somente mil turistas? Mil turistas, senhoras e senhores! Essa informação chega a ser uma afronta. Todos aqui sabem que ela não tem nenhuma base na realidade. Todos aqui sabem que o fluxo de turistas é quase sempre maior que mil pessoas.

 

Para termos uma discussão mais proveitosa, vamos estimar um número mais próximo da realidade, vamos dizer que a cidade recebe algo em torno de cinco mil turistas nas épocas mais movimentadas do ano.

 

Considerando a média de consumo por pessoa, que é de cento e trinta litros de água ao dia, temos que, estes cinco mil turistas que vêm nos visitar acabam consumindo algo em torno de seiscentos e cinquenta mil litros de água todos os dias.

 

Ora, se os moradores locais já consomem seiscentos mil litros de água e o público flutuante consome mais seiscentos e cinquenta mil, então a demanda total do município nos finais de semana, feriados e alta temporada é de um milhão e duzentos e cinquenta mil litros de água! Exatamente, senhores, a nossa demanda é maior que aquilo que a Copasa consegue bombear mesmo se trabalhasse vinte e quatro horas por dia. O que corresponde a um total de um milhão e cem mil litros, aproximadamente.

 

Os números não mentem, senhores. Eles deixam claro que a tendência a partir de agora é que a falta d’água se torne cada vez mais comum, e que ela acabe chegando também às partes mais baixas da cidade.

 

Diante disso, fica o questionamento: como poderemos resolver este problema? Será que simplesmente construir outro reservatório bastaria para garantir o abastecimento de todas as pessoas, tanto moradores quanto turistas?

 

Não creio que a resposta seja simples. Isso porque o problema da falta d’água não é causado apenas pela ausência de maiores reservatórios, mas também pelo descuido com as nascentes e o ribeirão Canta Galo, onde toda a captação é feita".

  

* Pepe Chaves é jornalista e editor dos portais Via Fanzine, Jornal São Tomé Online e da Rede ZINESFERA.

 

- Imagens: Arquivos do vereador Adriano Jiló.

 

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- Produção: Pepe Chaves.

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