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Cinema
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Contatos de Quarto Grau: Realidade e fantasia se confundem Ficção com ares de veracidade.
Por Rafaela Oliveira* De Fortaleza-CE Para UFOVIA
Drª Tyler: tentando compreender o incompreensível.
Como se fosse real
Em meio às grandes mudanças em uma época de tanta incerteza, a Ufologia está com a credibilidade tão abalada e sua qualidade tão prejudicada que fica difícil analisar se a situação consegue ficar pior. No entanto, lampejos de esperança, mesmo que enrolados em um colorido papel de presente hollywoodiano, vem nos mostrar que o tema ainda consegue atrair um pouco de atenção.
‘Contatos de Quarto Grau’ (The Forth Kind/2009) tem direção de Olatunde Osunsanmi, estrelando a bela Milla Jovovich e não é baseado em fatos reais. Não existe nenhum registro dos personagens ou de suas histórias, conforme retratadas no filme. A própria Dr. Abygail Tyler, personagem interpretada por Jovovich, que passa a investigar uma série de abduções brutais entre a população e que supostamente aparece em uma entrevista contando suas experiências, também não passam de uma invenção.
Ufólogos dos EUA que, na época do lançamento do filme, fizeram uma pesquisa sobre o assunto e não encontraram nenhum registro, nem mesmo indícios de que alguma Drª Tyler existisse ou sequer tivesse vivido na cidade de Nome, no Alaska, onde se passam os eventos retratados no filme. Também não existe qualquer boato ou especulação de que os desaparecimentos mostrados pelo filme naquela cidade tivessem a ver com abduções alienígenas.
Essas informações podem desapontar alguns, pois o filme foi todo promovido e montado para parecer real e, de fato, enganou muita gente. Mas, verdade seja dita: o fato de ‘Contatos de Quarto Grau’ ser apenas mais uma pura ficção científica abordando a ufologia, não reduz o seu brilho.
Numa cidade chamada Nome
A história se passa em meados de 2000 até 2001, na cidade de Nome, no Alaska. Faz mais de 40 anos ocorrem estranhos casos de desaparecimentos no lugar. Drª Abygail Tyler é uma médica psicanalista que faz pouco tempo, perdeu o marido em um assassinato ainda não explicado. Agora tem que se adaptar à nova realidade, cuidando do casal de filhos pequenos, cuja menina, traumatizada com a morte do pai, sofre de um estranho bloqueio emocional que a deixou cega.
Tratando de pessoas que sofrem de insônia, Drª Tyler começa a ficar intrigada com o relato entre seus pacientes, que sempre narram a presença de uma coruja branca perto da janela de seus quartos. Aprofundando-se nos casos, a médica decide guiar uma hipnose regressiva em uma dessas pessoas. Se sente aterrorizada com o que descobre, sobretudo, com a extrema reação de seu paciente, cuja psique não pôde suportar a realidade que estava “soterrada” em sua consciência.
As cenas da hipnose regressiva nesse filme são brutais, violentas, aterradoras e cumprem o seu papel de deixar o telespectador assustado, mas é só isso. É diferente, por exemplo, das hipnoses retratadas em ‘Intruders’ (1992, baseado em fatos reais), onde os relatos eram tão orgânicos e vicerais que mesmo sem a clara intenção de assustar, arrebatava até os mais frios.
A vida da Drª Tyler começa a mudar drasticamente depois dessas hipnoses e ela mesma começa a ter indícios de que também está passando por experiências semelhantes às de seus pacientes. Em uma noite, ao deixar seu gravador de voz ligado por acidente, ela capta um compilado de vozes que falam fluentemente uma língua morta faz mais de seis mil anos atrás, o sumério.
A questão do filme agora é: como uma psicanalista cética, mãe de dois filhos e passando por uma fase terrível de sua vida vai conseguir se dar com algo que se situa além de sua compreensão racional? Como se relacionar com algo que demonstra ser brutal e impiedoso, capaz de deixar qualquer ser humano indefeso diante de seu poder? Onde encontrar força para defender a si mesma de tal absurdo e, principalmente, como encontrar forças necessárias para defender sua família disso?
Desapaixonadamente
Assistindo ao filme todo sem paixões, um telespectador mais atento pode notar que ele nada tem de real. As cenas que passam como “Filmagem real do dia em questão” são claras montagens, todas elas poderiam mostrar que a realidade por trás daqueles eventos estão borradas ou “chuviscadas”. O maior exemplo delas está numa das partes mais dramáticas do filme quando, a Drª Abygail está trancada em casa com os filhos e um carro da polícia faz vigília do lado de fora. Então a câmera do policial filma algo redondo pairando acima da casa da doutora, mas, no exato momento que o objeto ficaria completamente visível, o vídeo inteiro sai de foco sem qualquer explicação, registrando somente o áudio com a voz aterrorizada do oficial narrando pelo rádio o que está assistindo. A mesma coisa acontece durante uma das sessões de hipnoses da doutora, a câmera falha justamente no momento que teria filmado a abdução dela e dos médicos que a acompanhava. Ou seja, são apresentados alguns amontoados de situações propositais diferentes da naturalidade da vida real.
‘Contatos de Quarto Grau’, como ficção científica, não decepciona e vem mostrar que ainda existe um grande interesse pelo tema Ufologia nos meios holywoodianos. Notadamente, de uma maneira bem mais contida e restrita, diferente do boom dos anos 90, onde o tema da vida extraterrestre estava em alta e legou ótimas produções como ‘Intruders’, ‘Fogo no Céu’ (Fire in the Sky), ‘Arquivo X’ (X-Files) e outras superproduções mais “pop”, como ‘Independence Day’.
Esta produção chega numa época diferente, num tempo em que a ufologia está em baixo nível de popularidade, além da onda de ceticismo que invadiu o meio e o desinteresse/falta de recursos dos verdadeiros pesquisadores. A falta de respostas concretas em todos esses anos, somada às fraudes e mentiras veiculadas por ignorância ou má fé, causou além de uma desilusão geral das pessoas, certa repulsa ao assunto. Os US$ 45 milhões que o filme arrecadou de bilheteria em todo mundo pode não parecer muito, mas considerando um filme de baixo orçamento, feito por um diretor quase desconhecido, não deixa de ser um considerável feito.
Olatunde Osunsanmi apostou na áurea misteriosa e violenta que envolve o tema e buscou tratar das abduções em sua forma mais brutal e aterradora. Talvez, tentou remontar o terror vivido em ‘Intruders’, diferentemente do modo suave, feliz e até messiânico proposto por ‘Taken’, produzido por Steven Spielberg. De fato, considerando os registros dos casos de abduções (sequestros alienígenas) narrados em distintas regiões mundo, constatamos que nada têm de felicidade ou de contatos messiânicos. Em verdade, são experiências brutais, que deixam marcas profundas em suas vítimas.
* Rafaela Oliveira é articulista e colaboradora do portal UFOVIA.
- Imagens: divulgação.
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- Produção: Pepe Chaves © Copyright 2004-2010, Pepe Arte Viva Ltda.
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