UFOVIA - ANO 5 

   Via Fanzine   

 

 

 hipnose & regressão

 

 

Psicologia avançada:

Regressão Psicológica e Ufologia

Tenho acompanhado, com um misto de entusiasmo e desprazer, o uso e  avanço das técnicas psicológicas

(hipnose, regressão, visualização, PNL, etc.) pelos ufólogos de todo país no campo de pesquisa.

 

Por Walther Frankelin*

De Vitória/ES

Para UFOVIA

 

Regressão: perigo de 'psico-seqüelas'

 

Desde o nascimento da ufologia brasileira, décadas atrás, tais técnicas são utilizadas com uma certa margem de sucesso, por ufólogos competentes e profissionais qualificados. Porém, como é do conhecimento geral, a comunidade ufológica cresceu bastante e, como se não bastassem os problemas oriundos de um crescimento em larga escala, cada dia surgem novos “aventureiros”, trazendo preocupação e indignação  junto à comunidade ufológica brasileira.

 

Grande parte desta indignação reside no fato de que, estes “pseudo-cientistas”, utilizam as técnicas psicológicas (em especial a regressão) sem nenhum critério , seja ele ufológico, ético ou clínico. Contatados entregam suas mentes nas mãos de pessoas que nem pensam  no que estão fazendo, sem ter noção alguma da complexidade que envolve atender um contatado e suas nuances mentais.

 

É do conhecimento de todos que, ao longo dos anos, na ufologia brasileira, fatos lamentáveis, envolvendo o uso inescrupuloso de técnicas psicológicas, têm  “manchado”  a imagem da ufologia perante a crescente multidão de contatados/abduzidos. Charlatões descarados, gurus milionários e “ufólogos especializados”  em psicologia, têm invadido os lares, seja por meio da mídia,  literatura ou do proselitismo, com um fervor quase religioso. O presente artigo pretende não apenas mostrar quais são os prejuízos causados por estes “profissionais” mas apresentar, de maneira resumida, alternativas para  os ufólogos que não possuem conhecimento técnico (em regressão) capaz de lhe dar segurança durante o seu trabalho de campo.

 

O que é regressão?

 

 Philippe Piet Van Putten  (2000) oferece a seguinte definição: “Técnica de hipnose empregado em ufologia na rememorização de experiências de contatados e abduzidos, especialmente em casos que envolvem a síndrome do tempo perdido”  (Grifo nosso).

 

Em linhas gerais a regressão nada mais é do que reviver o momento do contato, com o objetivo de buscar respostas para perguntas que, conscientemente, o contatado não consegue reproduzir mentalmente. Pesquisadores de campo se deparam, durante o estudo dos seus casos, com relatos que não possuem uma seqüência lógica (início – meio – fim)  e deixam mais dúvidas que respostas. Mas, para quê buscar reviver uma cena traumática?

 

Segundo teóricos da psicanálise (Freud foi um grande entusiasta da regressão, e desenvolveu farto material sobre suas impressões no período que estudou sobre os mecanismos de defesa da mente e a dinâmica do inconsciente. Apesar de ter abandonado a hipnose por não corresponder às suas expectativas terapêuticas ele estudou profundamente a dinâmica do fenômeno hipnótico e, posteriormente, o regressivo), em várias situações a cura só vem através da rememoração dos fatos passados. Rememorar tais fatos  traz alívio mental imediato, pois, em várias situações, sofremos porque não sabemos (não lembramos) o por quê (a origem) do sofrimento/trauma.

 

É justamente neste processo que reside a diferença entre um profissional (seja ele ufólogo ou não) e um aventureiro: O profissional não apenas “mexe” no passado dos contatados, mas dá um novo significado (ressignifica) àquela experiência, trazendo alívio aos traumas que acompanham um contato ufológico. Já um aventureiro, ávido por “novidades”, apenas volta com o contatado ao passado, mexe na ferida, mas não traz a cura, o alívio.

Não basta apenas abrir a ferida. Faz-se necessário curá-la.

 

'Oportunistas e aventureiros preferem arriscar, lidando com áreas

que não dominam ou, nem sequer, conhecem'

 

Perigos da regressão

 

Se bem aplicada, a regressão se revela uma ferramenta bastante útil na cura dos contatados, em especial os abduzidos. Em linhas gerais, como técnica, a regressão não apresenta riscos ou efeitos colaterais, podendo ser utilizada de forma segura e eficiente. Em contrapartida, se mal manuseada, a mesma pode representar um perigo para todo o processo terapêutico que envolve uma vitima de abdução.

Por se tratar de uma técnica que lida com o inconsciente humano, a regressão mal empregada apresenta alguns riscos que, a titulo de informação, listaremos logo a seguir:

 

1. Risco de não-aplicabilidade -  Não são todos os casos de contatos com ufos que requerem a intervenção desta ferramenta. É preciso discernimento para diagnosticar corretamente o contatado para não incorrer no erro de usar a regressão em um caso que não se faz necessário utilizá-la. Existem hoje várias ferramentas que podem substituir a regressão em casos como estes.

 

2. Risco de diagnóstico errado - É muito comum, no campo de pesquisa, confundir doenças mentais com fenômenos ufológicos. Determinadas doenças, como, por exemplo, a esquizofrenia, pode, perfeitamente, simular uma situação de contato, levando o ufólogo a tratá-lo como um legitimo contatado. Casos lamentáveis estão documentadas na ufologia mundial por se tratarem de doenças mentais cujos sintomas foram mal diagnosticados por ufólogos despreparados. Aliar um falso diagnostico com a terapia regressiva pode trazer danos irreparáveis para a saúde psíquica do traumatizado.

 

3. Risco da fantasia – Philippe Piet  (2000) descreve em seu livro sobre o risco do que ele descreve como síndrome de falsa memória.  Esta síndrome se caracteriza por uma detalhada recordação de acontecimentos passados que, na realidade, nunca ocorreram. Este distúrbio veio à tona na década de 80, quando, nos EUA, uma quantidade significativa de abusos sexuais e rituais satânicos foram aparentemente descobertos através da regressão psicológica e outras técnicas similares aplicadas em crianças. Baseados em evidencias físicas, especialistas descobriram que tais abusos/rituais nunca ocorreram, apenas na mente das crianças estudadas.  Este fato levantou uma série de questionamentos sobre a validade das memórias apuradas em regressão. Porém, apoiar este ponto de vista é ignorar as décadas de sucessos obtidos através do uso da regressão por meio da hipnose. Outro fator que pesa na credibilidade da técnica regressiva reside no fato de que hoje, testes podem ser aplicados para avaliar a veracidade, ou não, de um relato feito através de regressão.

 

4. Risco de seqüelas psíquicas – Várias deformações psíquicas podem ocorrer se um processo regressivo for instalado sem a devida cautela. Lapsos de memória, pesadelos que tem como temática o trauma passado, insônia, tentar reviver o passado traumático no presente, etc. são algumas das manifestações mais comuns nestes casos.

'Os possíveis contatados devem exigir do profissional, ao ser tratado,

garantias da qualidade do serviço a ser prestado, evitando assim que a sua mente,

já traumatizada  pela experiência alienígena, seja alvo de aproveitadores'

  

O ufólogo e a regressão

 

Como listado anteriormente, a regressão pode apresentar, quando mal empregada, riscos para a saúde psíquica do contatado em questão. Em vista desta realidade, nos resta uma pergunta: Deve-se ou não utilizar a regressão no processo terapêutico do contatado? Caso positivo, como aplicar? E o ufólogo que não possui formação especifica sobre esta técnica, que alternativas deve buscar?

 

Todo pesquisador sério do fenômeno ufo, já se deparou com estas perguntas em alguma instância de suas pesquisas. Oportunistas e aventureiros preferem arriscar, lidando com áreas que não dominam ou, nem sequer, conhecem.

 

Diante desta realidade, o pesquisador sério lança mão da interdisciplinaridade, ou seja, ele busca apoio de outros profissionais que lhe auxiliarão a obter os resultados desejados em sua pesquisa.

 

Todo pesquisador sabe que a ufologia não é simplesmente ufologia. Em seu bojo, como em todo setor do conhecimento humano, ela traz outras ciências que lhe ajudarão a compreender a fenomenologia alienígena. Ciências como a biologia, astronomia, psicologia, psicanálise, parapsicologia, fotografia, entre outras, fazem parte do leque de opções que o ufólogo pode contar quando os seus recursos intelectuais ou técnicos são limitados. Buscar esta parceria, além de ser extremamente desejável, ajuda a inserir a ufologia no cenário das “grandes ciências” como a psicologia ou medicina, por exemplo.

 

No caso da regressão, a ajuda de um profissional capacitado, ajudará o ufólogo a compreender outros campos além de sua área, trazendo resultados positivos, e seguros,  na solução dos casos estudados.

 

Outra alternativa para o pesquisador é procurar se especializar nesta área, ganhando assim, tempo e evitando despesas que eventualmente seriam pagas a outro profissional. O cenário ufológico brasileiro tem se tornado alvo de estudiosos do mundo todo; o Brasil é um dos recordistas mundiais em avistamentos e contatos imediatos; este fato nos impulsiona a buscar uma formação multi-profissional, especializando-se em outros campos além da ufologia.

 

Em contrapartida, os possíveis contatados devem exigir do profissional, ao ser tratado, garantias da qualidade do serviço a ser prestado, evitando assim que a sua mente, já traumatizada  pela experiência alienígena, seja alvo de aproveitadores ou de pesquisadores que, no ardor de sua lida, esquecem que o primordial  não são os aliens, mas os humanos visitados por estes.

  

* Walther Frankelin é psicanalista clinico e tem formação superior em Marketing.

 

* Fontes de pesquisa:

  PUTTEN, Philippe Piet van. UFO: Enciclopédia dos fenômenos aeroespaciais anômalos.

  São Paulo: Makron Books, 2000.

 

- Imagem: http://www.cacp.org.br

 

 - Produção: Pepe Chaves.

 

 

 

 

 

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