UFOVIA - ANO 5 

   Via Fanzine   

 

 Produced in Brazil - © Copyright, Pepe Arte Viva Ltda. Reservados todos os direitos dos autores e produtores.  All rights reserved©

 

 ficção:

 

 

Um conto de Pepe Chaves*

 

 

O dia amanhecia na costa da América. O Atlântico acordava de mais uma noite de sono e mudava seus sons ao cair do alvorecer daquele dia. Como em toda parte do mundo, os povos saltavam de suas camas juntos com o sol detrás das montanhas. Aprumava-se a vida, sob os olhos sonolentos, abrindo ainda as bocas de sono como a querer cair no mundo real.

 

Mas aquele dia era domingo, e assim, todos os povos  da Terra estavam levantando mais tarde, pois era o dia dos compromissos adiados, onde se comemorava a neutralização da monotonia de uma semana de trabalho.

 

Enquanto surgia no litoral brasileiro, na Europa o sol estava quase a pino e quando no alto de Roma ele ficou, um estranho corpo celeste apareceu a aclipsá-lo. As populações foram para as ruas e muitas das pessoas que viam aquilo, voltavam correndo apavoradas para suas casas ou para o local que julgassem mais seguro em que pudessem se esconder naquele momento.

 

Aquele corpo celeste era enorme e causava uma sombra que cobria toda a região do Vaticano e grande região da Itália. Como poderia ter se “materializado” ali? Como poderia ter chegado a uma altura considerável e causar uma sombra tão gigantesca?

 

Sua aparência, era de uma lâmpada árabe, em metal prateado polido, suas linhas eram quadradas, porém, com lados arredondados. Aquilo parecia uma enorme plataforma flutuante. Aquilo fez cair toda a energia da região a que pairava, explodindo transmissores e anulando as freqüências de micro-ondas. Diversas pessoas que portavam aparelhos celulares sentiram intensos choques; os sistemas de energia se estagnam todos; todos os veículos de comunicação saíram do ar e todos os motores pararam. A Europa toda sofria naquele momento, uma forte interferência eletromagnética, capaz de desestabilizar qualquer tipo de mecanismo eletro-eletrônico.

 

'Cada qual habitante da Terra, tinha uma forma

peculiar de ver, sentir e traduzir, aquilo'

 

As horas começaram a passar e o estranho objeto continuava a pairar sobre o Vaticano, cujo Papa, num ato de coragem pediu para ser levado ao pátio da sede católica. Deixado só, postou-se debaixo do enorme objeto, sob a sombra que se fazia fria pelo medo que representava.

Ninguém sabe o que pensou; se fosse Deus, àquilo; se fosse um aviso dos céus ou a chegada dos querubins... E como representante de um povo, de uma crença, se viu no dever de encarar aquilo. As horas continuaram a se passar e todas as fronteiras, naquela altura, já estavam interditadas e bloqueadas pelo tumulto generalizado. A Europa estava isolada, sem poder se comunicar e pedir socorro e tampouco algum país tivesse como interceptar aquilo pelas vias aéreas.

 

A Europa, que inteira contemplava um objeto que fazia sua sombra pender sobre Roma, estava só. Havia naqueles cruéis momentos, somente eles, vítimas daquilo, sem saber o que se passava. Quando o sol nascia no litoral do Brasil o estranho objeto já estava junto, e mais tarde, após transtornos e intensa confusão, fez-se visível um belo e medonho espetáculo pôr-do-sol dominical...

 

'A Terra estava parada, as famílias recolhidas;

motores não funcionavam, não havia luz nas cidades à noite,

um silêncio profundo fazia parte de todas as nações'

 

No entanto, aquilo apareceu no hemisfério sul a uma altura bem maior e navegando como que atrás do sol, passando a postar-se do seu lado. Da mesma forma, ocorreu uma pane no sistema eletro-eletrônico, com as mesmas características de quando marcou presença na Europa. Usinas hidrelétricas tiveram todas as suas linhas de transmissões carbonizadas. Tamanho avistamento provocou vítimas em engarrafamentos, ataques cardíacos e pânico generalizado. Pastores evangélicos pregavam o fim do mundo; tribos indígenas se ajoelharam para tupã; Católicos esperavam Jesus aparecer; ufólogos diziam que era o contato inicial; os céticos não sabiam em que acreditar... Cada qual habitante da Terra, tinha uma forma peculiar de ver, sentir e traduzir, aquilo.

 

Pessoas se trancavam em casas, nas igrejas e templos. Naquela hora, todos eram iguais pelo medo. Não havia rico ou pobre que não temesse àquilo! Somente os idealistas, os corajosos, loucos desvairados e destemidos, tiveram coragem de saírem de seus esconderijos para contemplar aquilo. Era um aparelho ou um astro, era belo. Aquilo encerrou com a comunicação e a energia em ambos hemisférios. E no sul, pôs-se a seguir a oeste, lentamente, no rumo do sol que descia pelas Cordilheiras dos Andes...

O corpo celeste alinhou-se com ambos hemisférios e se colocou a tal altura que era visto por todas as latitudes das Américas, enquanto sobre ela pairou. Aquilo sumiu com o sol, rumo ao Pacífico e deixou para trás um rastro de destruição e traumas psíquicos.

 

Quando naquela segunda-feira deu meio dia na Europa, lá ele estava ele, já nascido com o sol desde que desabrochou a leste. Naquela segunda-feira de caos, onde tudo estava parado, aquilo pairava novamente sobre Roma, porém, agora mais distante, poderia ser visto na África e já fora visto fartamente por toda a Ásia e Oceania, que, igualmente sofreram suas conseqüências físicas e psíquicas..

 

'Aquilo deu a volta ao mundo e o pegou de surpresa.

De nada adiantava agora tanta tecnologia acumulada'

 

Em sua volta de 24 horas aquele imenso corpo celeste aniquilou, por onde passou, todo o sistema energético artificial do planeta, como a se limpar de seu solo aqueles tipos de energia. O mundo estava parado e cada cidade ou aldeia isolada, à mercê daquela energia desconhecida, assustadora, assoladora.

 

A Terra estava parada, as famílias recolhidas; motores não funcionavam, não havia luz nas cidades à noite, um silêncio profundo fazia parte de todas as nações. Os governos, impotentes, não tiveram como enviar seus caças para um ataque, ou quem sabe, um contato. Toda forma de energia fora aniquilada, mostrando, quão frágeis sempre foram.

 

Aquilo deu a volta ao mundo e o pegou de surpresa. De nada adiantava agora tanta tecnologia acumulada. Tudo era frágil, tão frágil que ninguém conseguiu ver o quanto, antes de acontecer, aquilo...

 

Cada um defendia sua hipótese sobre o que era aquilo. Desceria o estranho objeto em alguma parte do mundo, e dele saltariam seres bondosos? Ou viriam daquilo, seres maldosos e superiores, com suas armas a incendiar nossa atmosfera e destruírem, em menos de um segundo, toda a espécie humana? Afinal, o que queria aquilo?

 

O que seria aquilo? Diziam os presidentes nacionais... Mas suas vozes não poderiam ir além dos muros que os cercavam. Não havia quem ouvi-los. Não havia o que governar. Na verdade, aquilo já estava em órbita da Terra a quase dois dias, e ninguém sabia o que fazer ou de que se tratava.

 

“Oh, Deus! Senhor Jesus, vinde a nós!”;

“Santíssima Mãe, imaculada, rogai por nós”

 

Na segunda noite que caiu na Europa. As pessoas que tiveram coragem para contemplar, ficaram a comentar, sem poder registrar, pois nenhum tipo de mecanismo funcionava; aquilo oxidou todos os metais da Terra.  A sua forte interferência eletromagnética, também se refletia na reação das pessoas; desorientava-as levando muitos aos prantos ou ao suicídio.

 

Muitas mortes já havia sido provocadas em todo mundo, por causa daquilo. A cada hora, milhares e mais milhares de pessoas faleciam, em cidades e circunstâncias, geradas por aquilo... O mundo estava apagado e as pessoas eram pagãs... Todas as almas estavam acordadas e ninguém conseguia dormir! “Oh, Deus! Senhor Jesus, vinde a nós!”; “Santíssima Mãe, imaculada, rogai por nós” – diziam os desesperados. Medo extremo!

 

E o frio silêncio daquele corpo celeste de aparência artificial, trazia a dor e todo tipo de pensamento que a humanidade ousasse ter... Era desespero, era aflição. Fosse o que fosse, aquilo, cada um o via dentro de sua capacidade racional. Aquilo era então, bilhões de coisas...

 

Ninguém comprava, ninguém vendia. Gangues saqueavam em todo mundo; presos fugiam de presídios. Naquela altura, muitas almas já estavam entregues ao fim do mundo e viviam seus últimos minutos de vida. A vida, que virou uma baderna generalizada, poderia acabar no próximo segundo e esse pensamento era coletivo. Como no Independence Day, aquilo destruiria a todos e incendiaria as cidades e para isso, o primeiro passo que deu contra a humanidade foi o desarme energético, pensavam. Não havia o que os milionários comprar, até porque, o sistema bancário estava dilacerado. Como comprar a paz? Como comprar o “se livrar” daquilo? Como comprar de volta, a vida normal que se levava, quando cada qual se queixava de alguma forma?

 

'Aquilo dividia opiniões. Um senso geral ainda

não havia sido alcançado entre as pessoas, acerca daquilo'

 

Três dias e meio em órbita da Terra. As guerras étnicas cessaram; as econômicas e as políticas desapareceram, colapso financeiro; bolsas paradas, dinheiro preso nos bancos. Os alimentos acabaram na geladeira. 

A humanidade calou-se para si mesma. A humanidade, após raciocinar instintivamente como unidade quando aquilo apareceu; querendo cada qual se salvar a qualquer custo, agora começava a olhar-se como um todo. Envergonhavam-se agora do "salve-se quem puder" inicial... Todos poderiam ter sido destruídos por aquilo. A humanidade como um todo, se viu fraca e acuada, diante do desconhecido. Ela se viu frágil e desarmada, sem poder se locomover, se comunicar, se manifestar e, muito menos, atacar...

 

Os homens, de uma forma estranhamente pessoal - por causa daquilo - estavam sintonizando-se, assumindo seus erros e seus potenciais adormecidos ao nível de uma mesma freqüência de pensamento. Uma nova energia estava nascendo, em prol do comum, do todo; do que deveria ser feito, quanto tudo aquilo acabasse... Sim, a maioria já não acreditava mais que aquilo lhes faria mal naquela altura, pois, se fosse assim, já o teria feito... Aquilo ia e voltada com o sol, foi assim, durante três dias.

 

'Mas aquilo era silencioso, de temeroso passou

a ser visto como belo e sinistro. Aquilo impunha respeito'

 

Quando aquilo completou os três dias de passagem sobre Roma, local de sua aparição inicial, o Papa se postou, pela terceira vez, a contemplar àquilo, como a pedir que uma voz lhe falasse, o que se passava. Mas aquilo era silencioso, de temeroso passou a ser visto como belo e sinistro. Aquilo impunha respeito. Aquilo passava a ser visto por todos como algo bom; se não bom, pelo menos, “não mal”. Aquilo acompanhava o sol e sua irradiação era tão intensa que evaporava as nuvens, aquilo era sempre visto, ao lado do sol...

 

Nesse terceiro dia, mais pessoas tiveram coragem de sair às ruas para contemplar aquilo ao lado do sol. Quando o sol se punha, lá se ia aquilo, para nascer com ele no dia seguinte. Todos pensavam que aquilo não voltaria no quarto dia, na quarta-feira. Mas voltou. E como nos outros dias, postou-se ao lado do sol, de forma em que todos pudessem vê-lo. Aquilo dividia opiniões. Um senso geral ainda não havia sido alcançado entre as pessoas, acerca daquilo.

 

Ainda desnorteada a humanidade começava a mudar seus princípios e de uma forma estranhamente bela, as pessoas estavam passando, naturalmente, a se portarem mais solidárias. Seria um milagre? Seria efeito de irradiação? Efeito eletromagnético ou de  exposição das pessoas à uma carga magnética desconhecida?

 

Não. Aquilo não era mágica, era efeito de uma profunda reflexão pessoal de cada pessoa da Terra. Mesmo os bandidos e mal intencionados, pareciam nivelados a um senso comum. Todos pareciam mais bondosos, com os vizinhos, com os familiares, com qualquer pessoa que se estive próxima e assim, a cordialidade tomava o lugar da ganância e da luta pela sobrevivência a que estavam subjugados. Todos sabiam que estavam igualmente à mercê daquilo. E que aquilo voltaria e ninguém teria coragem de voltar a trabalhar, com aquilo sobre suas cabeças. Mas era preciso voltar a viver, mesmo que, à sombra daquilo. Todos estavam desencorajados, pois poderiam ter sido destruídos há muito. Ou ainda, serem destruídos na próxima aparição daquilo.

 

As pessoas passaram a viver, a cada dia, como se fosse o último dia de suas vidas. Por incrível que pareça, as pessoas estavam sendo distanciadas do poder do dinheiro, do sistema capitalista globalizado, das intenções marqueteiras, interesseiras, trapaceiras, traiçoeiras e mercenárias. O mundo parecia estar se varrendo definitivamente de sua sujeira e se libertando, harmonizando-se. Parecia ser o acordar de um pesadelo para querer viver de uma forma limpa, justa, tolerante, compreensiva com quem quer que seja.

 

Todos os países desligados entre si, as reações coletivas eram praticamente idênticas em todas as partes. Pouco importavam as línguas; os crenças, as ideologias, as religiões, tudo isso ficava para trás... Tudo isso era esfacelado a cada minuto, a cada instante de grandeza em que todos pareciam galgar no topo daquelas horas de dias aflitos e parecidos, infinitos... Cada nação desligada uma da outra, cada presidente, ministro, senador, deputado, prefeito, vereador, líder classista, líder comunitário, cada cidadão, enfim, cada um já buscava a si a responsabilidade de todos os seus atos perante toda a sua vida. Fosse uma criança de 10 anos ou um idoso de 100 anos, cada qual naquele instante estava sendo nivelado a um pensamento único e íntimo da alma humana.

 

'O sentimento de reconstrução vinha junto com o de generosidade,

cortesia e gentileza. Estas novas ações pareciam fazer

parte de uma nova realidade que começava a surgir'

 

O mundo interligado e globalizado fora destruído. Romperam-se os contatos com pessoas de qualquer parte do mundo, ninguém sabia se alguma parte da Terra sofreu um ataque daquilo. As notícias restringiram-se até onde uma bicicleta ou um cavalo pudessem ir para levar um homem. Não havia mais o resto do mundo, havia um mundo, no qual somente existia as pessoas que se encontravam próximas.

 

Na quinta-feira o mundo já tinha forças para se auto-ajudar e as pessoas se já falavam em voltar ao trabalho. Os governos buscavam diversas formas alternativas de comunicação com suas populações e procuravam, de alguma forma, tranqüilizá-las.

 

E nesse quinto dia foi assim, e hora após hora, foi se estabelecendo um senso comum de reorganização geral. Afinal, se aquilo quisesse mesmo destruir a todos já o teria feito! Não sabemos o que é aquilo, mas seja o que for, estamos vivos e temos que levar nossas vidas adiante. E o íntimo sentimento de pequinês e da ajuda ao próximo foi se aflorando em todo o mundo das nações isoladas, de uma forma intensa e natural. O que cada um queria de agora em diante, era buscar para si, a responsabilidade da vida poder continuar, perante àquilo, ou não - tanto faz! Cada pessoa agora, queria era matar a fome do vizinho, do próximo; ser útil a quem lhe acerca. O sentimento de reconstrução vinha junto com os de generosidade, cortesia e gentileza. Estas novas ações faziam parte de uma nova realidade que começava a surgir.

 

Quando aquilo partiu de Roma junto com o sol no sexto dia de sua órbita terrestre, a tarde começou a cair na Europa e por todos os cantos do continente as pessoas estavam mais próximas e unidas. Separadas do capitalismo voraz e da vida cotidiana, elas pareciam ter se tornado mais puras, ingênuas, espontâneas e sensatas.

Todos, em geral, passaram a reparar mais nos detalhes, em diversos aspectos. Passaram a entender mais o mundo, como se ele passasse em câmera lenta e o tempo fosse infindável em cada segundo.

A humanidade, como um todo, parecia saber agora, o valor de cada respirada de ar; o valor de cada pulmão cheio, de cada gota d água... 

 

A sexta-feira terminava nas Américas e o sol se pôs no Chile quando aquilo partiu com ele pelo Pacífico. Quando aquilo chegou no Oriente no sétimo dia, os povos ali estavam ainda mais fortes e irmanados, como que imantados pela aura – agora – serena, daquilo. Agora ninguém mais ficava reparando tanto aquilo e, aos poucos, a vida ia voltando ao normal.

 

Afinal, aquilo devia ter sido atraído pela gravidade da Terra e, acidentalmente deveria ter entrado em sua órbita, causando interferências. E se aquilo fosse algo vivo, ou tivesse vida dentro, já teria se manifestado...

 

'Os homens outrora vazios e indefesos,

agora começavam a planejar a volta ao mundo real

e à convivência com aquilo e um novo modo de viver'

 

Por todos os lados se chegavam a essas conclusões, aquilo parecia artificial, mas não era. Não havia como os cientistas explicarem aquilo; era algo sem antecedente, sem base alguma. E, na verdade, todas as formas que puderam ver, analisar, supor e tentar identificar aquilo, eram falíveis... Parecia inorgânico, artificial, mas poderia não ser...

 

O sol do sábado se foi da Europa, junto com aquilo e mais uma noite sombria caia naquela face da Terra. Os homens outrora vazios e indefesos, agora começavam a planejar - à luz de tochas e velas - a volta ao mundo real e à convivência com aquilo e um novo modo de viver. Fazia quase uma semana que aquilo apareceu e o mundo deixou de ser o que era. Era caos, sim, carros batidos e atravessados; supermercados e lojas saqueadas; ruas sujas, lixo acumulado e um terrível cheiro urbano insuportável começou a brotar nas grandes cidades. Todos estavam a se preocupar com aquilo, quando um senso de limpeza começou a nascer na coletividade e aos poucos tudo passava a ser limpo e solucionado por mentes e mãos trabalhadoras.

 

Chegou mais um domingo na Europa, ali, e em todo o resto do mundo, as pessoas pareciam estar programadas a conviver com aquilo e voltarem ao trabalho, cada qual cumprindo o seu papel para o reerguimento psicosocial do homem da Terra. A segunda-feira seria o dia de recomeço e mesmo desligados entre si, os povos de todas as latitudes da Terra pareciam saber que este sentimento era o mesmo em toda parte. Agora, pouco importa as fronteiras, pouco importa as línguas e as bandeiras, se na verdade, isso tudo era ilusório. Descobriram que bandeiras e religiões separavam as pessoas, e limitava o bem que cada ser humano possuía em seu coração.

 

E aquilo partiu de Roma no domingo, todos sabiam que voltaria no outro dia, mas que apesar disso, o mundo marcaria aquela data como um divisor de águas de seu restabelecimento. Seria uma nova era estava a surgir, onde cada sobrevivente era uma espécie de co-autor de tal obra. A noite caiu na Europa, como a certeza da determinação. No outro dia, aquilo viria e nós trabalharíamos. Os engenheiros voltariam a reerguer todos os sistemas energéticos e de telecomunicações, os operários voltariam às fábricas; os bancos procurariam resolver os problemas de seus clientes e daí por diante... Cada pessoa era peça preciosa nesse novo tempo, onde o que valia, era a boa vontade.

 

Aquilo atravessou a América quando o sol se pôs naquele domingo e por todos os cantos da Terra, os povos preparavam-se para a reconstrução. Quando o sol nascia no Oriente, naquele oitavo dia, aquilo não se portava mais ao seu lado. Assombradas, as pessoas procuravam aquilo por todos os cantos do céu. E foi assim a cada dia que veio, depois que aquilo se foi, após orbitar a Terra por sete dias. Mas, o que era aquilo? Pouco importa! Simplesmente passara por aqui e deixava para trás uma humanidade desarrumada, frágil e desprotegida. Mas agora, encorajada a ponto de cobrar e colaborar para que cada uma de suas células exerça o papel essencial na máquina da vida.

 

'No lugar da crença, surgiu a fé; no lugar da ciência,

surgiu a sabedoria. Eis aí os ingredientes

para que todos os problemas pudessem ser superados'

 

A vida foi se refazendo com cada qual voltando ao seu posto de trabalho. Como que saídos de um pesadelo, os homens da Terra pareciam ter renascido dentro de seus princípios espúrios. Sepultaram a hipocrisia, a maldade e a ganância.

Amenizaram a dor comum, abriram os seus corações, se tornando mais justos e benevolentes. Após viver de perto a hipótese de se morrer no próximo minuto, uma pessoa geralmente sofre profundas mudanças. E todas as pessoas viveram isso. Nos dias seguintes ao sumiço daquilo, como que instintivamente, multidões foram às ruas em todas as cidades do mundo.

 

Cobravam por justiça e verdade, postando-se diante dos palácios governamentais; das assembléias legislativas; das prefeituras. Todos os governantes do mundo, pressionados, tiveram de assumir uma nova postura e compromissos comuns de pronto. A começar por eles, houve uma programada redistribuição de rendas, riquezas e bens materiais, a qual transformou a economia planetária num sistema equilibrado e justo a quem quer que vivesse na Terra.

 

A vida passou a ser mais planejada na Terra, foi implantado em todo o mundo o controle de natalidade. Desaparecem guerras ideológicas, que foram substituídas por diálogos e negociações. As nações pobres receberam recursos e puderam se igualar às demais. Não havia mais fome, ignorância e crenças diversas, todos seguiam pela razão do coração, pelo bom senso e pela justiça comum. Vieram novas descobertas, curas, conquistas das mais ousadas, agora compartilhadas entre todos os homens. O homem aprendeu coisas incríveis depois que começou a ser bom. Neste mundo 'pós-aquilo', caíram-se os credos, as fronteiras, as bandeiras nacionais No lugar da crença, surgiu a fé; no lugar da ciência, surgiu a sabedoria. Eis aí os ingredientes para que todos os problemas pudessem ser superados.

 

Com o passar dos anos, os últimos idosos que presenciaram àquilo no céu, contavam para os seus descentes a história de um inexplicável incidente que mudou a vida e o comportamento humano nesse planeta.

 

* Pepe Chaves é editor do jornal Via Fanzine e webmaster de UFOVIA.

- Imagens:

- Ilustrações eletrônicas e fotomontagens de Pepe Chaves, fonte: Arquivo Via Fanzine.

- Multidão: ilustração de Pedro Charters - http://www.interarteonline.com/Pedro_Charters/

- História adaptada de um sonho que tive aos 10 anos de idade, e que se repetiu por diversas vezes na minha vida.

 

Visite a página de Pepe Chaves:

www.viafanzine.jor.br/pepe.htm

   

Pepe Chaves

Março/2005

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Itaúna-MG - Brasil

  

 

 

       

 

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